MANTENDO A CAMPANHA PELA CULTURA DO CARIRI

Nem todo prefeito é defectivo. Existem prefeitos perfeitos. Não substituem a sociedade pelo seu pequeno poder. Não subornam a pobreza pelo seu voto. Não corrompem os fornecedores e empreteiros pelos recursos financeiros para campanhas eleitorais e não fazem parte da cadeia de predadores que se alimentam das verbas federais, estaduais e municipais envolvendo deputados, senadores e vereadores. Prefeitos que fazem parte da sociedade e que compreenderam que muito mais que arrumar seus parentes, amigos e aliados é mais duradouro executar o plano de soerguimento social e político de todos. De outro modo, como é hoje, os recursos são drenados para as bocas ávidas de propinas, de pequenos favores e empregos por algum tempo, mas tão logo os adversários assumam as bocas mudam. É um ambiente que não evolui, só tem salvação temporária, mágoas, disputas, sensação de que se é honesto quando os outros nos chamam de corruptos. Não tenhamos dúvidas, aquilo que costumamos chamar de miséria de Brasília ou miséria nacional, não passa de um mero reflexo da própria vida municipal. Acontece que a vida municipal é aquela em que temos mais chances de atuar politicamente.
Há três semanas venho, em letras maísculas, POSTANDO NESTE BLO UM PEDIDO QUE SAMUEL, PREFEITO DO CRATO, CONVOQUE, PARA UMA CONVERSA SOBRE A CULTURA REGIONAL, DIHELSON MENDONÇA, CARLOS RAFAEL, SALATIEL, JOSÉ FLÁVIO E VICELMO. Do prefeito nem um sopro. Sei dos meus limites, reconheço que voto no Rio de Janeiro, não sou eleitor de minha cidade Crato. Sei que sou apenas uma pessoa, não tenho o dom da ubiquidade e nem potência de um super homem. Sei disso, Prefeito Samuel, mas acho que o senhor é que não sabe o poder que existe nos blogs. Todos os dias, algumas pessoas relevantes de sua cidade postam imagens fenomenais em diversas linguagens. Livros são lançados, palestras são realizadas, discos são lembrados e isso é muito, não é pouco. Prefeito, respire, aceite o conselho e convide Dihelson, Rafael, Salatiel, Flávio e Vicelmo para uma conversa sobre a cultura regional.
Por fim, o lado dos convidados. A não ser Flávio e Vicelmo, nem os conheço, pouco acompanhei o crescimento do talento dos demais. Mas como o Dihelson deu a deixa e, num artigo que foi um verdadeiro grito, alertou-nos para a passividade sobre o presente, resolvi pedir o diálogo. Pedir sem pretensões, sem querer empregar amigos ou desempregar quadros do governo municipal. Acontece que nada acontece por si mesmo, tudo é a vontade humana. O Cariri tem uma matéria prima cultural de fazer inveja a qualquer outra região e nada acontecerá se alguém nada fizer. É sobre esse MAR PARADO que o Dihelson bradou desesperado. Mesmo ele que, apaixonado, fala da qualidade da arte e parece desbancar os Irmão Anicete, na verdade, reconhece a ponte entre criatividade artística e valor folclórico ou valor de raiz.
Agora prefeito Samuel veja em que pé a sua sociedade chegou. O Dihelson postou um comentário sobre o pedido de reunião, concluindo que o senhor não lê blog e que o melhor seria enviar-lhe uma carta em papel. Ou seja como dizem aqui no Rio: ….. e andou. O Rafael mostrou-se tocado pelo tema, mas muito comedido quanto as possibilidades da instituição municipal ser relevante. O Salatiel foi mais adiante, mostrou uma decepção estrutural. Está na estrutura da vida municipal a corrupção das finalidades, a prática equivocada dos meios e a compreensão anômala dos princípios. Para isso ele relembrou-se de uma triste lembrança: uma Fundação Municipal de Cultura. O Zé Flávio e o Vicelmo, ficaram na dele, nem comentaram o assunto.
Pois bem PREFEITO SAMUEL E O SENHOR SE MANTÉM ACHANDO QUE NÃO TEM NADA COM ISSO?

RadioBlog – Programa Café Brasil – O Fino da MPB !

A BOA MÚSICA BRASILEIRA -
( Antes que seja tarde… )


Olá, amigos,
Estamos com uma nova edição do programa Café Brasil, que vai ao ar pela RadioArte www.portaldojazz.com todos os sábados a partir das 18:00, e traz sempre os grandes momentos da Música Popular Brasileira de todos os tempos.

Estou deixando o programa começar sozinho, pra vcs terem menos preguiça em escutar, mas amanhã, retorna ao modo “silencioso” ( pra não encher a paciência de muitos ).

E viva a música Popular Brasileira!

O programa tem 1 hora de duração, apresentando sempre os grandes nomes da MPB, além das novas tendências musicais.

Abraços,

Dihelson Mendonça

=> Para parar de tocar, clique no plauer abaixo:

Lupeu, entre aspas

E o poeta nascido nas terras “Cariri”, Lupeu Lacerda, deu as caras num blog literário aqui da Bahia. Vão lá. E dêem um saque em sua entrevista.

Crato e Nossa Senhora de Fátima

Texto: Armando Lopes Rafael
Fotos: Carlos Rafael Dias

A cidade de Crato, desde seu início, sempre foi profundamente marcada pela presença da Virgem Maria!
Ao fundar a Missão do Miranda – embrião desta cidade – com o objetivo de pregar a fé católica aos indígenas, o capuchinho italiano Frei Carlos Maria de Ferrara o fez de modo simbólico. Ergueu, no centro da aldeia, uma humilde capelinha de taipa, coberta com folhas de palmeiras e a dedicou – de maneira especial – a Nossa Senhora da Penha, a São Fidelis de Sigmaringa e à Santíssima Trindade. Na ocasião, a imagem ali venerada foi uma pequena estatueta da Virgem Maria, com o poético nome de Mãe do Belo Amor…
Em 13 de maio de 1917, alvorecer do século XX, Nossa Senhora escolheu o lugarejo de Fátima, em Portugal, para divulgar – por meio de três crianças – uma mensagem. De Fátima difundiu-se pelo mundo inteiro esta mensagem de conversão e esperança! Também em Crato a mensagem de Nossa Senhora de Fátima teve grande repercussão. Já 25 anos depois dessa aparição, num mundo de precária comunicação, o historiador maior desta cidade, Irineu Pinheiro – no seu clássico O Cariri, na página 272 – registrava: “No dia 3 de outubro de 1942 à tarde, trouxeram em procissão da Sé para o novo templo (igreja de São Vicente Ferrer) em andores, as imagens de São Vicente Férrer e Nossa Senhora de Fátima, em meio de fogos, vivas e palmas entusiásticas”.
Noutro livro, Efemérides do Cariri, Irineu Pinheiro assim descreve a visita, em 1953, da Imagem Peregrina de Nossa Senhora de Fátima a Crato: “Foi a maior manifestação religiosa a que assistiu o Crato desde sua fundação…”.
Fruto dessa visita, entre tantas coisas, foi a inauguração, em Crato, do Aeroporto de Fátima (em plena Serra do Araripe) e o início da construção da Igrejinha de Fátima, localizada na Rua Nossa Senhora de Fátima, no Pimenta.

Em 1967, o Prefeito de Crato, Humberto Macário de Brito, construiu um monumento a Nossa Senhora de Fátima, no velho Aeroporto (fotos), de autoria do renomado escultor jardinense, José Rangel. Estivemos lá neste domingo e fotografamos o monumento abandonado. Neste 2007 – quando se comemora 90 anos das Aparições de Fátima – bem que a administração municipal poderia relocalizar este monumento no bairro do Pimenta, onde fica a única paróquia da Diocese de Crato que tem como padroeira Nossa Senhora de Fátima.

Açude do Umari


Foto: Emerson Monteiro

Cantora Paulista grava Compositores Cearenses !


A cantora paulista Anna Canario, uma das maiores revelações dos últimos tempos na cena da MPB, possuidora de uma voz privilegiada, afinadíssima, e de um repertório dos mais variados, que inclui Jazz, Pop Americano, Bossa Nova, MPB, Salsas e Boleros, acaba de gravar seu mais recente trabalho, intitulado “Brasilização”, CD que reúne músicas de compositores cearenses, tais como Dihelson Mendonça, Haroldo Ribeiro, Luciano Franco, além de vários outros. Com seu novo álbum e sua interpretação, Anna já ganhou diversos prêmios e festivais. Anna Canário, que é uma das artistas Brasileiras mais requisitadas na internet para download de suas músicas no disputadíssimo site CNET, está em franca ascenção. Para quem ainda não conhece o talento dessa paulistana, basta dizer que ela tem trabalhado em vários segmentos da música, tais como orquestras, casas noturnas, participou como back vocal em inúmeros CDs de pessoas muito conhecidas de todos. Em 1983, viajou para Tokyo (Japão), com a banda Brasil Samba Show, tendo participado de diversos eventos. Participou do Festival de música japonesa realizado pela TV ASAHI, saindo como vencedora do primeiro prêmio. O seu recente “Brasilização” conta com os arranjos do seu marido, o grande maestro e pianista Edson Távora, filho do inesquecível maestro cearense Edson Távora, falecido recentemente.
Com o CD Brasilização, Anna Canário prova que veio para ficar…

Música:
Seu Olhar
Autoria ( Haroldo Ribeiro e Dihelson Mendonça )

Música:
Morena Samba
Autoria ( Dihelson Mendonça e Haroldo Ribeiro )
Letra: Sílvia Bezzato

Nota do compositor:
“Bem, isso é também para desmistificar algo que construíram a meu respeito de que eu só comporia ou tocaria música Clássica. Criou-se um estereótipo de que, porque eu toco Bach, Mozart, Chopin, eu não saberia compor por exemplo, bossanova. Na verdade, estes estilos populares são muito mais simples para mim, e não representam grande desafio, haja visto que sem falsa modéstia, de música popular, possuo mais de 100 composições escritas, faltando apenas divulgar. E a bossanova rolou solto aí nessas composições. Viva o Brasil…viva o Tom, Edu, Chico, Johnny Alf, viva a nossa música Brasileira de qualidade exportação !”

Abraços!

Dihelson Mendonça ( feliz da vida com o resultado e sucesso da Anna ! ).

O Tempo e o Tempo…



Para todos aqueles que gostam de ver as transformações do tempo, eis duas fotos que tirei neste ano. Uma no começo do ano, e outra hoje, cerca de 9 meses depois.
Vejam só que transformação temos na região do Cariri por causa da estiagem.
Tentei aproximar as fotos, o local é o mesmo. !!

Clique nas fotos para ampliar !

Abraços.

Dihelson Mendonça

NOTÍCIAS DA SEMANA – Coluna "Cariri", de Tarso Araújo, Jornal O Povo de hoje

DIHELSON O tecladista e compositor Dihelson Mendonça foi homenageado, na última quinta-feira, pelo Rotary Club do Crato. O evento aconteceu na sede do clube, com presença de sócios e convidados. Dihelson é considerado um dos grandes nomes da nossa música já tendo inclusive tocado com Hermeto Pascoal e Gilson Peranzzetta. Pesquisador da música, vem travando uma luta inglória pela melhoria da programação e da qualidade musical nas emissoras de rádio.

ANOTE: MESTRE ALDERICO Do alto dos seus bem vividos 88 anos, Alderico de Paula Damasceno dedicou mais de 60 anos ao magistério na cidade de Crato. Ele é pessoa querida pelos milhares de ex-alunos, inumeráveis amigos e admiradores. Alderico foi professor da Faculdade de Filosofia, sendo um dos fundadores do Curso de História. Depois, ensinou na Urca, no curso de Ciências Econômicas, onde foi aposentado compulsoriamente. Lecionou ainda Educação Física em vários educandários cratenses, com destaque para o Colégio Estadual Wilson Gonçalves. Foi também técnico de futebol de times cratenses, os quais dirigia vestido impecavelmente de paletó e gravata, portando um inconfundível guarda-chuva. Uma figura, o Mestre Alderico!

FARIAS BRITO A opinião é de monsenhor Ágio Augusto Moreira e está na página 15 do seu livro Padre Davi Moreira: vida e obra. “A mudança do antigo nome de Quixará para Farias Brito é por mim considerada uma aberração. A atual denominação foi dada pela Câmara em 1953, em homenagem ao filósofo cearense Raimundo Farias Brito. Infelizmente, quem teve tal idéia não foi muito feliz na escolha. Agora se pergunta: que teria feito esse filósofo para merecer tamanha homenagem? Qual é o vínculo econômico ou político ou mesmo de família entre a cultura do município e do filósofo?”

CARIRIAÇU Mudar o nome das cidades é arte difícil! Qual a justificativa da mudança do nome de São Pedro do Cariri para Caririaçu? O nome antigo – poético e regional – era muito mais bonito. Até hoje muita gente não se conformou com essa troca de nome. Bem fez a população do município de Antenor Navarro, na Paraíba, que realizou um plebiscito e retornou à primitiva denominação da cidade: São João do Rio do Peixe. A propósito, pouca gente sabe hoje que o antigo nome de Campos Sales era Nova Roma…

FALOU A informação foi divulgada pela Associação Brasileira da Indústria de Calçados (Abicalçados): o pólo calçadista do Cariri conta com 162 empresas e é, de longe, o maior do Ceará, pois supera o da Região Metropolitana de Fortaleza que tem apenas 81 empresas calçadistas.

CARIRIANAS A TV Assembléia, de Fortaleza, a exemplo do que fez recentemente com o Padre Cícero, produzirá em breve novo documentário, agora sobre o Beato José Lourenço. A produtora Ana Célia está fazendo os contatos preliminares com vista às filmagens (…) O artista Carlos Salatiel passou uns dias entre os monólitos de Quixadá, atuando como ator do filme “Siri-Ará” produzido por Rosemberg Cariry (…) Já se encontra em Crato a cerâmica Portinari, fabricada em Santa Catarina, que será colocada – a partir do próximo mês de janeiro – no piso da Catedral de N.Sra. da Penha (…)

COMPETÊNCIA Após seu afastamento da direção do Museu de Paleontologia da Urca em Santana do Cariri (onde realizou excelente trabalho), o geólogo Alexandre Feitosa Sales fixou residência em Crato. Com doutorado em paleontologia na USP, ele é um dos maiores conhecedores de museologia no Ceará. Excelente nome para coordenar os trabalhos de reorganização do Museu Histórico de Crato.

RETROCESSO A notícia teve grande repercussão no Cariri. O escritório regional do Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis (Ibama), na cidade de Crato, poderá ser extinto. Essa possibilidade é apontada pelo chefe do escritório, José Eraldo de Oliveira Costa, explicando que a decisão poderá ser confirmada pela presidência do órgão em Brasília até o fim deste ano. A pergunta paira no ar: como ficará a fiscalização de parte da Floresta Nacional do Araripe (Flona), bem como a defesa do meio ambiente em mais 28 municípios do Cariri?

MEMÓRIA Onde andam aqueles antigos quadros de formatura existentes até a década 60 na sala-de-visita do Colégio Santa Teresa de Crato? Produzidos em madeira de lei, de forma artesanal, esses quadros eram confeccionados, todo final de ano, com fotos das novas professoras, seus patronos, paraninfos e autoridades religiosas. Verdadeiras relíquias históricas, essas peças artísticas precisam ser preservadas. Para tanto, já existe uma sala de memória na casa-mãe da Congregação das Filhas de Santa Teresa.

ABACAXI Pequenos produtores rurais do município de Crato receberam capacitação do Sindicato dos Trabalhadores Rurais visando ao plantio de abacaxi no distrito de Santa Fé, onde o solo é praticamente igual ao de Santana do Cariri. A Ematerce será parceira no projeto, orientando na seleção de mudas e na obtenção de financiamentos junto aos bancos oficiais.

EXPOSIÇÃO Começou na última sexta-feira uma exposição de obras de Josely Carvalho no Centro Cultural Banco do Nordeste do Cariri na cidade de Juazeiro do Norte. A artista foi convidada para expor na região a partir de um projeto idealizado por Ana Mae Barbosa, arte-educadora professora doutora aposentada da USP e uma das pioneiras da arte-educação no Brasil e Fábio Rodrigues, arte-educador professor doutor, titular da Universidade Regional do Cariri, que serão os curadores da exposição. Josely Carvalho é uma artista plástica e pesquisadora de vanguarda que trabalha com instalações diferenciadas, onde soluções eletrônicas e digitais se mesclam a materiais artesanais ou industriais, como por exemplo, telhas, tijolos e madeira.

Postando um comentário sobre o sítio Fundão.

Uma colcha de retalhos a respeito do Fundão.
A piada. No seminário São José e depois no Diocesano trabalhou e viveu um porteiro, segundo dizem, e eu vi, era muito feio. Chamava-se Ramiro. Muitas piadas foram contadas como feitos de Ramiro. Eram piadas ingênuas em certo sentido, mas absolutamente humoradas. Certa vez um monsenhor pediu para ele ir à feira e procurar por uma pessoa do Fundão, pois deseja enviar um recado. Pouco depois chegou Ramiro com uma senhora de avantajada bunda.
O homem. Seu Jefresco, como o povo o chamava, era um ardoroso militante das reformas de base do governo Goulart. A palavra corrente era que se dizia comunista e ateu. Era uma ateu, como se dizia dos anarquistas, graças à Deus. Mesmo os que ideologicamente discordavam dele o via com carinho, pois era um tipo magro, alto, muito elegante no falar e no trato.
O sítio. Era mágico. Isso ninguém nega. Havia nele as mais lindas e frondosas árvores, do estilo mata atlântica, que essa híbrida chapada do Araripe é capaz. Pés de Jatobá, Cocais, Cedros, de troncos tão estupendos para o menino que se guardaram como a imagem das sequoias gigantes da América do Norte. Agora, algo muito especial. Os pés de Cajá, com o perfume de seus frutos se espalhando no ar que a saudade respira. Soltando no ar o canto desafinado/ Sibilando a asma de poesias confinadas, / Cheirando o perfume do cajá amordaçado, / Sentindo a correnteza das águas erosivas.
O poço do Jatobá. Na fronteira do fundão. Havia um lago encantado: o poço do Jatobá. As levas de meninos soltos, do alto do seminário e da batateira. Pulando sobre a profundidade do poço desde os galhos altos das árvores sobre o leito. Gritos, desafios, a película de água formando dobras na vertente dos seus movimentos. Os reflexos da luzes como réstias da folhagem acima. O poço do jatobá logo a seguir um rio de pedras lavadas, arrendodandas e de lisas, pequenas correntezas e o cheiro seminal dos cajás. A felicidade de achá-los espalhados no chão e desgustá-los como Zeus no Olimpo.
Doce como um eleito ao céu. Seu Jefferson talvez tenha sido o primeiro grande plantador de banana prata na cidade. Naqueles tempos três bananas dominavam o consumo da cidade do Crato: a banana maçã, a banana sapo e a casca verde. Mas no fundão nasceu as bananas pratas mais doces que provei em todos os anos após tê-las comido pela primeira vez.
Só no Crato mesmo. Segundo se dizia na redondeza, seu Jefresco em seu modo de operar o singular, construíra a mais ousada casa de taipa. Uma casa de taipa, mostrada na foto da matéria postada neste blog, era um espanto de ousadia de construção. Nunca tirei o assunto por mais análise, mas ficou-me esta lembraça de mais um recorde da cidade.
A ilha do Fundão. Terminei meus estudos na UFRJ, cujo campus havia sido tranferido para ilha do fundão, em plena Baia da Guanabara. Nunca deixei de associar, como só fazem os sonhadores, o nome dos dois lugares.

A Porta Estreita

“Porfiai por entrar pela porta
Estreita ; porque eu vos digo
Que muitos procurarão entrar
E não conseguirão.”
Lucas , 14:24

São Lucas nasceu no primeiro século depois de Cristo. Tornou-se médico em Antilóquia, em território hoje pertencente à Síria. De profunda formação humanística , produziu com base em depoimentos, o terceiro dos evangelhos. Sendo o mais culto dos evangelistas , escreveu aquele que é considerado, literariamente, o mais bem esboçado dos textos sagrados.Lucas é ainda autor do livro “O Ato dos Apóstolos” que perfaz uma espécie de continuação dos evangelhos. Pouco mais se sabe sobre sua a vida . Há relatos de que teria sido martirizado pelos romanos, nas suas perseguições contra o Cristianismo e que esteja sepultado em Pádua, na Itália. Em todos os paises cristãos, desde 1463 , comemora-se, no Dia 18 de Outubro, consagrado a São Lucas, o Dia do Médico.
A comemoração é muito mais profética do que simbólica. Aos médicos no Brasil de hoje, já não se exige apenas sacerdócio, mas santidade. Após o corredor polonês de uma formação que muitas vezes se estende por doze longos anos, o médico cai num mercado de trabalho avassalador. Recebendo salários de fome ( o último Concurso do Estado oferecia salário de R$ 560,00 por 20 horas semanais) , o profissional de medicina tem que fazer muitos “bicos”, correndo por muitos serviços, para pagar as contas do final do mês. As tabelas vergonhosas do SUS humilham-nos a cada procedimento. Imersos numa Saúde Pública totalmente sucateada, com filas intermináveis nas Emergências, a cada instante tem-se que fazer a “Escolha de Sofia”. Angustiados, os médicos põem-se diariamente na fronteira movediça entre a Vida e a Morte. Do outro lado, a justiça de dentes reluzentes os esperam para a mordida feroz a qualquer tropeção a que lhes levem o cansaço e o desestímulo. Como São Lucas ,os médicos são martirizados a cada jornada de trabalho, a cada turno, a cada plantão. Vivendo numa selvageria capitalista, a sociedade lhes cobra posturas socialistas : socializaram sua profissão, sem socializar o Supermercado. Sem tempo para a família, sem nenhuma disposição física e mental para a atualização, os profissionais de saúde vão carregando sua procissão de infortúnios vida afora. Condenados às galés perpétuas.
Este ano, no entanto, não mais suportando as condições aviltantes e desumanas, os médicos, espontaneamente, resolveram reescrever o evangelho da Medicina Brasileira. Sequer houve maior interferência das entidades de classe, os profissionais simplesmente disseram: Não ! Cruzaram os braços, pediram demissão em massa e o caos se estabeleceu em várias capitais brasileiras. Dizem que nossa atividade é essencial e não pode parar. Se essencial, porque não temos salários compatíveis à essencialidade de nossa profissão? Ao menos a metade de um deputado , cuja função tem se mostrado totalmente desprezível na vida nacional. Calcula-se que se gasta mais de R$ 20 bilhões, anualmente, só com corrupção no Brasil, a metade do orçamento anual da Saúde, como reverter isto se os que mais se beneficiam são justamente os legisladores? A única política empreendida no sentido de minorar o problema é a criação absurda de Escolas de Medicina que pululam por todos confins do país, na tentativa de aumentar a oferta de profissionais e, assim, com vesgas regras de consumo, tentar manter os salários de fome da categoria. Sequer imaginam que apenas plantam a semente de uma Medusa, pois grande parte destas Escolas não tem a mínima estrutura para formar médicos capazes, responsáveis e com a vasta formação humanística e técnica que a profissão exige.
O 18 de Outubro deste ano é uma data especial. Os médicos saíram das catacumbas e enfrentaram juntos os leões no Coliseu. Basta de suplício, de esconderijo, de martírio. Crucificados há mais de 50 anos, chegou a hora da ressurreição. Recusamo-nos a continuar cúmplices do genocídio diário que se perpetra nos Hospitais do país. Queremos salários justos e condições dignas de trabalho. Porfiamos entrar pela porta estreita, sabemos todos da coroa de espinhos que temos que carregar sobre a cabeça. Médicos de corpos e almas, sabemos do nosso Calvário. Mas percebemos, hoje, que para exercer a nossa arte de curar precisamos, antes, estar sadios; para levar a felicidade ao próximo, necessitamos , primeiro, estar felizes e realizados; só livres e libertos poderemos entoar um canto de liberdade.

PROPAGANDA = COMPORTAMENTO = CONSUMO

Pesquisadoras da Fundação Oswaldo Cruz, Dóra Chor e Suely Rozenfeld, no Jornal O Globo, tomando por base conhecimentos atuais, concluem que “os comportamentos são fortemente influenciados por valores sociais”. Isso ocorre porque os valores sociais são sinalizados pelo “grupo” a que se pertence. Então, em termos de comportamento, temos o sentimento de “pertencimento” em relação aos grupos sociais e aos valores que estes expressam. Outro dado desta relação é o que o pesquisador Geoffrey Rose encontrou entre atitudes individuais e coletivas, chamando a atenção para a indução de comportamentos “desviantes” nesta relação. Se o álcool é bem aceito pelo coletivo, maior a chance de se encontrar indivíduos consumindo excesso de álcool.
Nesta base da compreensão do comportamento humano é que se criou a equação moderna da propaganda de massas, usando o conhecimento a respeito deste comportamento em relação ao consumo de produtos. Já no século XIX, por outro lado, escritores haviam descoberto que a mercadoria não se resumia a seu “valor de uso”, ou seja a utilidade do produto. Karl Marx, por exemplo, havia postulado o conceito de “fetiche da mercadoria” em que a mercadoria, além do valor de uso, tinha um valor relacionado à fantaisa (simbolismo) “que paira sobre o objeto, projetando nele uma relação social definida, estabelecida entre os homens” ou seja coletiva.
No século XX e neste, as empresas de propaganda usam em larga escala os recursos da cultura local e universal, especialmente nas manifestações de arte e esporte, através das quais criam padrões de estímulo ao consumo. Isso significa que os agentes da propaganda estão modificando, estimulando, induzindo consumo através da manipulação da propaganda sobre o comportamento coletivo. Por isso mesmo é que as peças de propaganda mudam de técnicas, mudam estéticas, mudam conteúdos ao longo do tempo.
Nos idos dos anos trinta e quarenta do século XX, no cinema a propaganda dos cigarros veio para o roteiro associando-se aos homens socialmente definidos, charmosos, encantadores, adultos bem resolvidos. Já no final daquele século, era com os ditames da cultura universal: liberdade de decidir, individualidade do estou na minha, esportes radicais, sucesso de yuppes, roupas da moda. Isso tudo para demonstrar claramente que as pessoas envolvidas na propaganda, por consciência do que pretendem, se tornam irmãs siamenses dos produtores de mercadoria na indução do comportamento de consumo. Nada mais justo que a liberdade de mercado seja associada à responsabilidade pelo consumo. A vinculação indivíduo e pertencimento ao grupo é a prova cabal que a responsabilidade dos atos individuais são sócias deste novo fenômeno do simbolismo do se estar no mundo. Ou seja as empresas do mercado livre têm responsabilidades sociais e, portanto, não são tão livres assim.
No final o texto das pesquisadores conclui pelo mais justo caminho da civilização: “ainda que decisões sobre parar de fumar ou não dirigir alcoolizado caibam ao indivíduo, é desejável criar oportunidades e alternativas coletivas que incentivem a mudança destes comportamentos”. Isso, como é óbvio se dará pela criação de regras sociais legitimamente oriundas da sociedade e implementadas pelos seus mecanismo de rede ou pela ação do Estado. A verdade é que é preciso regular o consumo e a propaganda de coisas como o cigarro, drogas, bebidas alcoólicas, uso de veículos motorizados e tantos outros mais.

Show NACACUNDA Sesc / Crato

Confederação dos Cariris

Emerson Monteiro

Qualquer distanciamento, através das cavernas da imaginação, propicia considerar o clima reinante no meio dos nativos das terras brasileiras diante da presença intrusa do europeu, que desembarcara a fim de ocupar o território e usurpar-lhes, dentre outros bens, a liberdade original da vida em sua natureza virgem e ameaçar a própria sobrevivência, pela força bruta de armas desconhecidas, que soltavam faíscas pela boca, de lâminas amoladas e do brilho das armaduras metálicas, senhores de baraço e cutelo, sequiosos de riqueza e poder.
Porém a coisa não se deu conforme pensado.
Há capítulos heróicos, insanos, que demonstram tratar-se de gentes corajosas e treinadas as tribos dos primeiros habitantes donos naturais deste universo.
Duas extremas reações, denominadas Confederação dos Tamoios e Confederação dos Cariris, impuseram baixas e medo nos colonizadores, durante décadas. A segunda, também chamada de Guerra dos Bárbaros, verificou-se no sertão nordestino, entre as áreas do Rio Grande do Norte, Ceará, Pernambuco, Piauí e Paraíba, quando os indígenas de tribos diversas aliaram-se para expulsar os invasores, isto durante 30 longos anos.
Em face do terror e da arbitrariedade impostos pelos portugueses, no ano de 1686, os índios Janduins, vivendo nos pagos de Açu, Mossoró e Apodi, saíram dizimando populações estrangeiras e destruindo o que achavam nas suas posses.
Do Rio Grande do Norte, a revolta coletiva desaguou no vale do Jaguaribe, no Ceará, espraiando-se pelas capitanias de Pernambuco, Paraíba e Piauí, envolvendo as nações, dentre elas, de Icós, Quixelôs, Canindés, Tremembés, Crateús, Jenipapos, Anacés, Acriús, etc.
Em 1688, dois anos depois do início dos combates, o governador-geral Frei Manuel da Ressurreição recorreu aos bandeirantes de São Paulo e São Vicente, exterminadores contumazes de selvagens, no sentido de enfrentar a resistência. Com a participação das guarnições locais, vieram Domingo Jorge Velho, Matias Cardoso e João Amaro Maciel Parente, iniciando a chacina que marcaria as priores atrocidades nos palcos do Nordeste.
Das lutas, em favor dos lusitanos pelejavam índios domesticados, renegados de suas origens, costume trazido pelos brancos dominadores, que somavam nas lutas degredados criminosos trazidos da Europa, ao preço da anistia das penas.
Os colonos viveram tempos de incerteza no decorrer do conflito, dificuldade vencida na destruição dos guerreiros nativos. Em 1713, os indígenas confederados atacaram Aquiraz, sede da capitania cearense, eliminando 200 pessoas, enquanto os demais habitantes do lugar fugiam para a fortaleza de Nossa Senhora da Assunção, na foz do rio Pajeú, ocasionando desse modo a transferência dos interesses para onde hoje se situa Fortaleza, a capital do Estado.
Em consequência, as tropas do coronel João de Barros Braga subiriam de Jaguaribe até o litoral, em defesa de Aquiraz, com a chamada Cavalaria do Certam, formada de mestiços e índios mansos, em trajes de couro, pacificando a área sob o pretexto de uma guerra justa, exterminando os gentios e ferindo de morte os planos da Confederação.

EXPOSIÇÃO FOTOGRAFIA

Sob o título: “ESCONDERIJOS” os alunos do Colégio Ágape inauguraram nas suas dependências, uma exposição no mínimo curiosa e muito criativa! Maiores detalhes, acesse o www.zoomcariri.com

Dihelson Mendonça fará palestra hoje no Rotary Club do Crato

O Rotary Club do Crato – RCC, o mais antigo clube rotário do interior do Ceará, com 70 anos de existência, fará homenagem, em sua reunião ordinária de hoje, ao Dia do Compositor, transcorrido no último dia 7.
Atendendo a convite do presidente do RCC, Luiz Wellington Brandão, o músico e compositor cratense Dihelson Mendonça será homenageado em nome da categoria e fará a ordem do dia, ministrando palestra na qual tratará dos conceitos de música, história da música, composição e uma análise crítica da Arte e Cultura contemporâneas, levando para a música questionamentos sobre a degradação da Arte e principalmente da música, que vem sofrendo nos últimos anos pela manipulação por parte do cartel da mídia e dos “coronéis” eletrônicos do Forró, que monopolizaram os meios de comunicação a serviço de uma música medíocre, pornográfica e alienatória.
A palestra e homenagem acontecerão hoje, às 20 horas , na sede do clube, Parque Grangeiro, com acesso franqueado aos interessados.

Dados sobre o palestrante
Considerado por muitos como um dos grandes talentos musicais da nova geração de músicos cearenses, o tecladista/arranjador/compositor Dihelson Mendonca, nascido em Crato-CE em 1966, já demonstrou o seu talento, tocando lado a lado com os grandes nomes da música Instrumental brasileira, tais como: Hermeto Pascoal, Gilson Peranzzetta, Mauro Senise, Arismar do Espírito Santo, Toninho Horta, Vinícius Dorin (Saxofonista), André Marques, Itiberê Swarg (Baixista) , Márcio Bahia (Baterista), Beto Batera ( Irmão do Carlos Bala – baterista ), Carlinhos Patriolino, Márcio Resende, Nenê (Baterista), Cleivan Paiva (Guitarrista com quem mantém um dueto de Jazz) , dentre tantos outros.
Aclamado por onde tem passado, Dihelson possui um estilo eclético e virtuoso, que cativa a platéia. Compositor de cunho erudito e pesquisador da música pianística e do Jazz. Considera-se principalmente um pianista de Jazz, embora seja capaz de executar com grande “performance” alguns dos estudos mais difíceis de Liszt e Chopin.


foto: Odair Santos

Efemérides do Cariri

Posse da primeira diretoria do Instituto Cultural do Cariri

O Instituto Cultural do Cariri – ICC foi fundado em 4 de outubro de 1953, mas sua primeira diretoria só veio a tomar posse 14 dias depois, no dia 18. Portanto, há 54 anos. Irineu Pinheiro, no livro Efemérides do Cariri, assim registrou o fato:

1953, 18 de outubro – Sessão de posse da primeira diretoria do Instituto Cultural do Cariri, fundado no Crato em 4 de outubro do mesmo ano. Foi a seguinte a sua diretoria: dr. Irineu Pinheiro, presidente; padre Antonio Gomes de Araújo, vice-presidente; José de Figueiredo Filho, secretário-geral; Antonio Levi Epitácio Pereira, segundo secretário; Amaro José da Costa, tesoureiro. Comissão de Sindicância e Finanças: dr. Raimundo de Oliveira Borges, Antonio Teodorico Barbosa e Joaquim Pinheiro. Comissão de Organização da Revista: José de Figueiredo Filho, Pedro Gonçalves de Norões e Francisco S. do Nascimento. Comissão de Ciências, Letras e Artes: dr. Décio Cartaxo, dr. Aluísio Cavalcante e João Ranulfo Pequeno.

O ICC, depois de um “longo e tenebroso inverno”, felizmente, dá sinais de que recobra o vigor de sua tradição de serviços prestados à região. Em grande parte, graças aos esforços de sua atual diretoria, com destaque para os incansáveis Manoel Patrício, o Nezim (presidente) e Huberto Cabral (secretário-geral),- o ICC voltou a ser uma instituição-referência da cidade do Crato e região do Cariri. Merece todos os nossos elogios e reconhecimento, a construção de sua imponente sede própria, a campanha para a implantação, no Crato, do Centro de Ciências Agrárias do Campus da Universidade Federal do Ceará no Cariri e a renovação do seu quadro de sócios. Agora, só resta a revitalização da revista Itaytera, órgão literário do Instituto, que vinha sendo editada anualmente desde a sua fundação e que vem sofrendo solução de continuidade há cerca de uns quatro anos. No entanto, uma comissão, integrada por Armando Rafael (atual vice-presidente) e Glauco Vieira (sócio-acadêmico), está trabalhando para fazer voltar, já no próximo semestre, este importante periódico.

SOS Sítio Fundão

O Sítio Fundão, reserva ecológica localizada praticamente na área urbana do Crato, está em perigo. Ed Alencar, radialista, publicitário e um dos herdeiros da propriedade, está angariando apoio para a campanha que vem movimentando em defesa deste verdadeiro santuário da natureza.
A propósito, jornal Diário do Nordeste, na sua edição deste dia 18 de outubro, trouxe a reportagem que segue reproduzida abaixo:
Natureza e história a preservar

Uma manifestação contra incêndios criminosos, no fim do mês passado, chamou a atenção da opinião pública sobre o Sítio Fundão, localizado a três quilômetros do centro do Crato, com 97 hectares de mata nativa, incluindo espécies remanescentes da Mata Atlântica.
Estudantes, ambientalistas, professores e representantes de órgãos ligados ao meio ambiente se reuniram na área devastada pelo fogo com o objetivo de exigir dos governos municipal, estadual e federal a agilização do processo de tombamento do sítio e a conseqüente indenização, ou desapropriação, considerando não apenas as ameaças de novos incêndios, mas a necessidade de manutenção daquela área.
Riscos Na ocasião, o fogo destruiu aproximadamente 20 hectares de vegetação nativa localizada no perímetro urbano do Crato, revelando que, aos poucos, a área, preservada pelo ecologista Jéferson da Franca Alencar, e mantida por seus herdeiros, está sendo destruída. O radialista Edmundo Alencar, conhecido como Ed, é neto de Jéferson e um dos que levanta a bandeira pela preservação da área. “Esta é a única reserva ecológica intacta dentro da cidade do Crato”, justifica.
Entre os indicativos para preservação do Sítio Fundão, estão um destaque do capítulo Preservação Ambiental e da Paisagem, do Plano de Requalificação Urbana do Crato (PRU); sua seleção, no âmbito do Geopark Araripe, através do Geotope Batateira, incluindo um Termo de Referência para a consolidação do Parque da Fonte Batateira, Cachoeira Batateira e Sítio Fundão, todos componentes do Geotope Batateira, para o Conselho de Políticas e Gestão do Meio Ambiente (Compam).

Valor histórico Existem também Termos de Referência para Instrução de Tombamento dos geotopes do Geopark Araripe entregues à Universidade Regional do Cariri (Urca), com cópia para o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), já que, no contexto, existem edificações de valor patrimonial histórico também: uma casa de taipa de dois pavimentos; as ruínas de um engenho de madeira com tração animal; além de barragens em pedra, cuja construção é atribuída a escravos.
O arquiteto José Sales Costa Filho, consultor do Geopark Araripe, recomenda a formatação de convênio de cooperação entre a Prefeitura Municipal do Crato, Conpam, Superintendência Estadual do Meio Ambiente (Semace); Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) e Iphan, para a resolução definitiva do impasse.
Foto: Casarão de taipa de dois pavimentos, uma das atrações do Sítio Fundão

História da Capela do Lameiro

Armando Lopes Rafael

Neste ano de 2004 está completando 48 anos do início da construção da pitoresca capela de São José Operário do Lameiro. Devo ao professor José Nilton de Figueiredo, lameirense ufanista, nascido e residente naquela localidade, atual vice-reitor da Universidade Regional do Cariri, as informações sobre a história daquele templo.
A capela de São José Operário do Lameiro foi iniciada em 1956 pelos padres Miguel e Geraldo, procedentes de Garanhuns (PE) e integrantes da Ordem Salvatoriana. A construção do pequeno templo foi feita sob a orientação de Dom Francisco de Assis Pires, segundo bispo de Crato. Naquele ano, a Igreja Católica devocionava universalmente a invocação da São José Operário, cuja festa é celebrada em 1º de maio, Dia do Trabalho. Daí a escolha de São José Operário como o orago da nova capelinha do então distrito (hoje bairro) do Lameiro, àquela época desprovido de um templo católico.
O terreno para a edificação da nova capela foi doado pelo Sr. José de Alcântara Vilar, respeitável cratense, proprietário de vasta área rural no sopé da Serra do Araripe. O doador do terreno exerceu, em várias legislaturas, o cargo de vereador à Câmara Municipal de Crato. Chegou inclusive, à presidência daquela casa legislativa, o que lhe proporcionou exercer – interinamente – o cargo de Prefeito Municipal de Crato.
Uma curiosidade: somente no dia 1º de maio de 2003, decorridos 47 anos do início da construção da capelinha, a escritura do terreno onde ela está erigida, foi definitivamente lavrada em cartório e entregue oficialmente ao pároco, padre Manoel Alves Feitosa, pelo atual proprietário do terreno doado, o ex-deputado0 federal Dr. Ossian de Alencar Araripe e sua esposa, dona Maria do Céu Vilar de Alencar Araripe.
A bela imagem de São José Operário foi adquirida através da Livraria Católica, existente em Crato e que pertencia aos professores José do Vale Arraes Feitosa e Manoel Batista Vieira – o conhecido Vieirinha – ambos falecidos.
Monsenhor Rubens Gondim Lóssio, que em 1956 era o vigário da Paróquia Nossa Senhora da Penha (a cujo território pertencia o então distrito do Lameiro) foi o primeiro sacerdote a dar assistência espiritual na nova capela. Seguiram-lhe nesse mister, os seguintes sacerdotes: Lurildo Linhares, Antônio Onofre de Alencar, Manoel Alves Feitosa, José Edmilson de Macedo, Antônio Feitosa, João Bosco Cartaxo Esmeraldo, Francisco Ivan de Sousa, Robério Felipe da Silva, frei Dalmir Pinheiro de Almeida, Expedito Félix, Sebastião Pedro do Nascimento, José Vicente Pinbto0 de Alencar e Silva, Francisco Roserlândio de Sousa e, atualmente, o padre Manoel Alves Feitosa.
Em 1967 a Paróquia de Nossa Senhora da Penha foi desmembrada, passando o Lameiro a pertencer a recém criada Paróquia de Nossa Senhora de Fátima, do bairro Pimenta.
Muitos ajudaram – e muitos ajudam nos dias de hoje – a manutenção da capela de São José Operário do Lameiro. Dos falecidos, podemos citar: Antônio Araújo Quesado, Carlina Pinheiro, Dandinha Vilar, Geraldo Costa, Jacinta Araújo de Menezes, José Pinheiro Gonçalves, Luiz Idelson Belém, Maria Dalvenisa Correia, Neusa Tavares da Silva, Vicência Ribeiro Caçula (Dona Rosa). Dos vivos não poderiam deixar de ser mencionados: Monsenhor Ágio Augusto Moreira, Antônio Luiz Pereira, Irmã Santa, Joana D’Arc Ribeiro Brígido, Maria Leônia Ribeiro Barbosa, Madre Rosália, Rosa Margarida da Silva (Tia Rosa) e Sylvanna Vilar, todos benfeitores da pitoresca capela de São José Operário do Lameiro.

(Artigo publicado no “Jornal do Cariri” em 26/02/2004)

Efemérides do Cariri


Há 154 anos o Crato era elevado à categoria de cidade

Em 17 de outubro de 1853, portanto há 154 anos, o presidente da província do Ceará, Joaquim Vilela de Castro Tavares, sancionou a lei nº 628, pela qual a vila do Crato foi elevada à categoria de cidade. O centenário da data foi comemorada com a maior festa cívica da história cratense. Irineu Pinheiro, no livro Efemérides do Cariri, assim descreveu o acontecimento:

“1953, 17 de outubro – Comemoração festiva da elevação da vila do Crato à categoria de cidade (…). Solenizaram o povo e poderes público municipais o centenário do Crato como cidade com festas brilhantíssimas, às quais compareceram o srs. João Café Filho, vice-presidente da República; Raul Barbosa, governador do Ceará; Arnaud Baltar, presidente do Superior Tribunal de Justiça do Ceará; drs. Valdemar de Alcântara e Plácido Aderaldo Castelo, secretários, respectivamente, da Educação e Saúde Pública e da Agricultura; Paulo Cabral, prefeito de Fortaleza; dr. Ademar de Barros, ex-governador de S. Paulo e chefe do Partido Social Progressista; deputados federais e estaduais, representantes dos municípios cearenses do norte e do sul, etc. Visitaram milhares de pessoas a Feira de Amostras e a Exposição Agropecuária, provas de nosso adiantamento no comércio, indústria e criação de gado vacum e cavalar. “

Nota-se, pela grande quantidade e representatividade das autoridades políticas presentes ao evento, a importância política do Crato de então, importância esta que se vem perdendo ao longo dos últimos anos. Outra nota de pesar, é que esta tão importante data vem sendo olvidada, a ponto de passar praticamente despercebida entre a opinião pública.

GEOPARK ARARIPE


O jornal “Diário do Nordeste”, de hoje (17/10/2007), em seu caderno REGIONAL, traz informações preciosas sobre o GEOPARK ARARIPE. Impressionou-me deveras o conteúdo da matéria e, por isso mesmo, recomendo a leitura.

Reinauguração do "Maria Café" com Happy Hour em Crato, dia 18, Quinta-Feira.

A árvore e a Brisa do Norte


Nos últimos dias o Cariri se viu assombrado por um terrível espectro: a morte prematura de muitos jovens, assaltados pela fatalidade nas encruzilhadas do destino. Imaginem uma roseira que na primeira florada, mal brotam-lhe os primeiros botões, se vê, de repente, arrancada da terra por uma áspera lufada de vento. Pelo chão espalham-se atônitas : raízes sôfregas pela seiva agora inalcançável; as folhas murchas e estilhaçadas em busca de seus galhos e os botões saudosos das pétalas futuras que nunca mais desabrocharão. As árvores, ao derredor, pasmas, sequer conseguem compreender as razões do crime perpetrado: o futuro mergulhado na areia movediça do acaso e do imponderável. As flores futuras não mais untarão de polens as asas das abelhas e o bico dos beija-flores. Das sementes vindouras não mais irromperão brotos de vida. E faltará ao mundo o brilho encantador e inefável das cores das rosas que feneceram antes mesmo de germinar. Os galhos agora ressequidos já não frutificarão, a vida foi cindida na sua totalidade: embrião, cotilédones, fruto. Como arrancar dos mistérios da floresta uma explicação para a tragédia ?
Os duendes das matas nos sussuram oníricas visões sobre a catástrofe. Vejam que a arvorezinha, tolhida em plena primavera, não sofrerá os rigores do inverno vindouro. Não padecerá, também, no verão que já se prenuncia com seus fulgores e suas intempéries. No outono já não se sentirá desnuda, com todas as folhas caídas em volta, à espera das roupas novas que a próxima primavera lhe deveria trazer como presente. Não lhe foi dado tempo, também, para constatar a voracidade dos animais e o jogo duro de poder que flui dos embates diários da cadeia alimentar. O acaso eximiu-a, também, da decrepitude que lhe traria os anos, quando todas suas seivas secariam e passaria a ser apenas um espectro, com os galhos retorcidos e sem folhas. A arvorezinha teve aos olhos apenas a visão da fase mais florida e encantada da vida e levou consigo a única lembrança que lhe tocou a percepção : um mundo repleto com o verde das matas, o cantar relaxante do regato, o gorjeio de sedução do sabiá no tronco da baraúna.
Toda a flora continua atônita , no entanto, com o brusco e terrível corte da cimitarra do destino. Lembremos porém da árvore que fascinou e encheu de cor a floresta e a sua simples existência , sua brevíssima presença entre nós, tem que ser celebrada como um milagre da vida. Sem aquela arvorezinha que tão prematuramente se viu tolhida pela brisa do norte , o mundo não seria o mesmo, a floresta não teria as mesmas nuances e todos que se acalentaram com sua seiva e seu vigor teriam, hoje, a visão de um mundo mais cinza e menos florido. De alguma maneira a arvorezinha rebrotou no coração de todos aqueles que a viram um dia. Vive em todos nós, nos inunda com suas sementes, nos perfuma com suas flores e seus frutos haveremos de colher todos os dias, opimos e deliciosos, porque nos chegam imersos em finas de gotículas de vida e de eternidade.

Lameiro, recanto histórico do Crato

O Lameiro, – não obstante sua privilegiada localização sopedânea, aliada à sua memória histórica, – é um dos mais aprazíveis recantos do Crato. A começar pela sua bucólica vila, sede da circunscrição, com a Capela de São José Operário (foto) a lembrar a forte tradição católica ali presente. De frente ao templo, um conjunto de casas que abrigam lares de famílias tradicionais, a exemplo dos troncos Vilar e Araújo. Algumas dessas residências ainda conservam seus projetos arquitetônicos originais, que remontam mais de meio século.
Descendo um pouco, em rumo da cidade, chama atenção um centenário casarão que pertenceu ao famoso coronel Nelson da Franca Alencar, que hoje, mantidas suas originais características, abriga os descendentes desta importante estirpe local. Um pouco mais abaixo, a Escola Rotary e a extensa quinta que abriga as casas residenciais das irmãs da Congregação de Santa Teresa de Jesus. Ao derredor, pululam os sítios: Misericórdia, onde mora a bondosa freira Tia Rosa; Rosto, onde se localiza o tradicional Restaurante Chico da Cascata; Bebida Nova, onde está o Casarão do Cel. Álvaro Esmeraldo; Preguiça, onde encontram-se o Restaurante Alto da Bananeira e a residência de dona Marlene, conhecida confeiteira do delicioso e caseiro sequilho que leva o seu nome. Um pouco mais pra cima, o sítio Corujas, hoje muito conhecido por localizar o mais novo restaurante rural do Crato, o Recanto da Serra.
Mais do que um local privilegiado pela suas belezas naturais e atrações turísticas, o Lameiro é reconhecido como um locus de pessoas de bem, trabalhadoras, ordeiras e muito hospitaleiras. Não, à toa, a paragem foi imortalizada na voz do Rei do Baião Luiz Gonzaga, que gravou uma música em homenagem ao Crato e que cita o local com o seguinte verso: “Eu vou pro Crato… e na subida do Lameiro tomo um trago de aguardente…
Voltarei a abordar, individualmente, cada uma dessas atrações, exceto o Casarão do Cel. Álvaro Esmeraldo e os restaurantes Chico da Cascata e Recanto da Serra, que já foram objetos de reportagem neste blog.

Há 182 anos morria um herói chamado Tristão

O próximo dia 31 assinalará 182 anos da morte de Tristão Gonçalves de Alencar Araripe. Para as novas gerações (que pouco conhecem a nossa história) vale a pena relembrar o episódio. A ver.

Em 1824, eclode nova revolução republicana em Pernambuco, agora denominada “Confederação do Equador”. (Não confundir com a Revolução Pernambucana de 1817, que teve a participação de dona Bárbara e seus filhos). Este movimento uniu algumas lideranças das províncias de Pernambuco, Ceará, Paraíba e Rio Grande do Norte, descontentes com a Constituição outorgada pelo primeiro imperador brasileiro, Dom Pedro I. O movimento repercute intensamente em Crato.Tristão Gonçalves de Alencar Araripe (filho de Bárbara de Alencar) aderiu, com todo entusiasmo e idealismo, à Confederação do Equador. Em 26 de agosto daquele ano, foi ele aclamado pelos rebeldes republicanos como Presidente do Ceará. Entretanto a reação do Governo Imperial foi implacável. As instruções para debelar o movimento eram assim sintetizadas: “(…) não admitir concessão ou capitulação, pois a rebeldes não se deve dar quartel”. Debelado o movimento restou a Tristão Araripe duas alternativas: exilar-se no exterior ou morrer lutando. Escolheu a última opção.

Nas suas pelejas, Tristão colecionou vários inimigos. Dentre eles um rancoroso proprietário rural, José Leão da Cunha Pereira. Este utilizou um seu capanga, Venceslau Alves de Almeida, para pôr fim à vida do herói da Confederação do Equador no Ceará. Tristão Araripe faleceu, em 31 de outubro de 1825, combatendo o grupo armado de José Leão, na localidade de Santa Rosa, hoje inundada pelas águas do Açude Castanhão.

Morreu como queria: pelejando, graças a Deus!

MANTENDO A CAMPANHA CONQUISTA DA CULTURA DO CARIRI

PREFEITO SAMUEL ARARIPE reveja a burocracia. O senhor assinou um memorando, enviou para o protocolo, que lhe deu um número, carimbo de entrada e carimbo de saída, ao chefe do gabinete que enviou ao protocolo, carimbo de entra e carimbo de saída, para que a secretária providenciasse uma telefonista que telefonasse para o DIHELSON, SALATIEL, CARLOS RAFAEL, VICELMO E JOSÉ FLÁVIO. Tanta burocracia que até hoje a conversa sobre a conquista da cultura do Cariri ainda não aconteceu.
Conquista e cultura como matéria da política é política mesmo. Política como ação, como estratégia, como tática, como avaliação e replanejamento estratégico. Em primeiro lugar, cultura é consumo de recursos materiais. Ninguém vai para uma conquista, especialmente se de uma cultura, sem financiamento e sem uma logística. Assim como os professores, pedagogos, médicos, enfermeiros, dentistas, psicólogos entre outros profissionais são estratégicos para a educação e a saúde pública, a cultura tem seus recursos estratégicos. O estratégico em cultura é o artista e o produtor cultural. Por isso é necessário ter-se recursos internos e externos para financiar o plano estratégico.
A cultura como matéria de conquista de um povo é, ela por si mesma, estratégica. Nenhum povo conquista posição no cenário da civilização moderna sem a sua cultura. A principal arma de conquista das nações nos tempos atuais é a cultura: a música, o cinema, os hábitos da juventude entre outros e, principalmente, falar e pensar em Inglês são armas de conquista pela cultura anglo-saxônica. Então temos a cultura, não a temos como um valor estratégico no mundo globalizado. E por que temos que ter? Por uma simples razão, o mundo é globalizado, multicultural, multifacetado. Imagina se o Ceará vai ter uma força extra-muros que lhe dê a matéria para que sua cultura se expanda? Nunca isso ocorrerá. O caminho dos povos, neste mundo multifacetado, é firmar como hegemonia o seu modo de ver, sentir e viver. Se todos fazem isso, nós temos que fazer o mesmo.
PREFEITOS SAMUEL não se abespinhe ou, por outro lado, se acomode. Começar é começar, caminhar é caminhar. Não existe novidade alguma. Mas pense bem, se o orçamento para a cultura é baixo e o modo de gastá-lo, até por ser baixo, só cria inimigo político, porque não debater isso? O que impede que o senhor, com pessoas que estão se expondo para sua cidade através da mídia e dos blogs, discuta como fazer? Como fazer, por exemplo, e este é um exemplo bem caseiro, para que uma diretriz cultural faça parte da grade curricular, da operação diária das escolas de ensino fundamental? Transforme as escolas, que retém a juventude por horas a fio, numa transversatilidade cultural completa. Dê sentido ao povo, mostre-lhe seu verdadeiro interior, de onde veio e para onde vai. Mostre-lhe a cultura mundial, suas várias manifestações, suas escolas, suas expressões facetadas e até mesmo contraditórias.
PREFEITO SAMUEL, chamo pelo senhor há três semanas porque parte do problema está no prefeito. Não todo ele, mas parte importante. Outro exemplo. O senhor todo dia despende pagamentos para o SUS. Paga faturas, paga profissionais, compra materiais. Agora veja bem, os profissionais de saúde têm um novo mote para se organizar e agir, a PROMOÇÃO DA SAÚDE. Pronto, eis aí um grande tema para a transversatilidade cultural. Vá até o caixa da prefeitura e veja tudo que o senhor gasta por ano com saúde. E gasta passivamente, gasta por que a despesa se dar automaticamente. Pois bem, olhe para suas despesas e aplique uma parte mínima que seja num programa de PROMOÇÃO DA SAÚDE, que envolva as unidades de saúde, portanto o público que para lá demanda serviços, que envolva todos os espaços em que tenha ação de saúde.
PREFEITO SAMUEL AQUI RESIDE A NOVIDADE. Se os recursos estratégicos para a cultura é o humano, se o humano se desenvolve em habilidades típicas, então o estratégico para a Educação e Saúde na grande área da cultutra é o pessoal da cultura. Os professores e os profissionais de saúde se juntarão aos artistas e produtores culturais para que tanto a escola quanto a saúde sejam ambientes da cultura. Ambientes no sentido do reconhecimento de si mesmo e sua identidade, de quem sou no mundo, em quê e como o mundo pode ser melhor, como posso me expressar no mundo globalizado. Ou seja como resultado simultâneo de exercício da cultura e na formação de público da cultura.

Foto do dia: ladeira da Av. Pres. Kennedy e Previsão do Tempo…


Vídeo Preciosidade: Violonista CLEIVAN PAIVA no Youtube !!

Que Preciosidade encontrar esse vídeo do Cleivan Paiva no Youtube!
Este Cratense de coração, mora grande parte da vida na nossa cidade, possui 3 discos gravados, e é, sem sombra de dúvidas, um dos maiores talentos da música instrumental DO BRASIL e do MUNDO !

Pena que a música instrumental, tão intelectual e ao mesmo tempo, tão doce, não consegue entrar nos corações duros como pedra, que só conseguem captar a palavra escrita…

Parabéns, Cleivan Paiva!
Esquecido por aqueles que não “sacam” sua música, e ainda por ser descoberto por aqueles que hão de provar do sabor dos que possuem REAL talento…

Nossa justa Homenagem a esse Mestre!

Dihelson Mendonça

Antonio Vicelmo – Crônica sobre a trilha José do Vale

Antonio Vicelmo – Jornalista.
Crônica sobre a trilha ecológica José do Vale Arraes Feitosa

Clique no player abaixo:

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Lembrando o dia do professor

Caros amigos do Blog do Crato é um prazer escrever com vocês. Fiquei muito feliz com o convite recebido e aqui estou. Só para lembrar a data hoje é dia do professor, e caberia aqui uma pequena reflexão sobre essa categoria profissional tão importante, e ao mesmo tempo tão abandonada pelas autoridades ditas “competentes”. Pois bem, os professores formam os demais profissionais. Todos os médicos, radialistas, jornalistas, engenheiros, advogados passaram pelos professores, desde pequenininhos até o doutorado. Quero aqui registrar alguns nomes de professores, meus amigos e que encaram essa profissão com responsabilidade: José Nilton Figueiredo, Carlos Rafael e Cacá Araújo. Tem muitos outros exemplos, de homens e mulheres que no magistério foram exemplo de vida e profissionalismo. A educação brasileira precisa de uma mudança drástica e poderia começar valorizando os professores. Agora, uma canja da minha coluna Cariri, do Jornal o Povo do próximo domingo, que sairá o texto abaixo:

Do alto dos seus bem vividos 88 anos, Alderico de Paula Damasceno dedicou mais de 60 anos ao magistério na cidade de Crato. Ele é pessoa querida pelos milhares de ex-alunos, inumeráveis amigos e admiradores. Alderico foi professor da Faculdade de Filosofia, sendo um dos fundadores do Curso de História. Depois, ensinou na Urca, no curso de Ciências Econômicas, onde foi aposentado compulsoriamente. Lecionou, ainda, Educação Física em vários educandários cratenses, com destaque para o Colégio Estadual Wilson Gonçalves. Foi, também, técnico de futebol de times cratenses, os quais dirigia vestido impecavelmente de paletó e gravata, portando um inconfundível guarda-chuva. Uma figura, o Mestre Alderico!

Um abraço e mais uma vez obrigado pelo convite!

O campo de concentração do Buriti

Emerson Monteiro

Diante da ocorrência da grave seca de 1932, vista como uma das piores verificadas durante todo tempo no Brasil, visando prevenir o possível deslocamento dos sertanejos para a zona urbana de Fortaleza, o governo do Ceará instalou sete campos de concentração de retirantes, pratica adotada antes, na seca de 1915. Tais campos seriam instalados em Crato, Senador Pompeu, Quixeramobim, Patu, Cariús, Ipu e Fortaleza (nos lugares Otávio Bonfim e Urubu).

O campo do Crato localizou-se nas cercanias atuais do bairro do Buriti, trecho correspondente às margens da linha férrea desativada, próximo de onde funcionou a antiga usina de açúcar, que ora abriga a fábrica de papel.

Transcorria a era getulista, período esse correspondente a duas grandes secas: as de 1932 e 1942. Naquele tempo, ações de emergência sofriam restrições de modo e intensidade, conforme o contexto nacional e internacional e os pactos firmados junto às oligarquias estaduais.

Os campos próximos a Fortaleza reuniram em torno de 5,5 mil pessoas. O do Buriti, por sua vez, programado para uma lotação máxima de cinco mil, chegou a manter 18 mil no período de maior intensidade. O comando desse campo coube ao tenente João de Pinho, do Exército Brasileiro.

Nos tais campos de refugiados, também denominados “currais de flagelados”, na linguagem popular, houve registro de epidemias diversas, com óbitos em massa, além de reações e levantes, qual registra Irineu Pinheiro, dia 13 de maio de 1932, no livro “Efemérides do Cariri”: “Revolta no campo de concentração de flagelados, no Buriti, lugar próximo do Crato cerca de meia-légua. Limitou-se a uma das secções do campo o movimento subversivo, que foi logo abafado.”

Ainda que livres em certas horas para circular fora do campo, os refugiados recebiam ração constituída de derivado da mandioca (conhecido por “farinha do barco”), de cor amarela, trazido do Estado do Pará, cuja má digestão causava males digestivos e insistentes mortes. Em virtude da desnutrição e de doenças, “morria gente todos os dias, e um caminhão passava recolhendo os corpos no final da tarde para jogá-los em valas na parte alta do campo”, afirma a historiadora Rosângela Martins.

Naquele ano, à época da moagem, por volta do meio do ano, levas de refugiados saiam pelos brejos do sopé da serra, na busca de alimento. Derivados da cana e o pequi auxiliaram sobremodo na preservação das vidas, apesar de existir ordem expressa do comando do campo para que os proprietários dos engenhos não fornecessem alimento aos famintos. Alguns desobedeciam, a exemplo de José Pinheiro Gonçalves, no sítio Belmonte.

Segundo a historiadora Kênia Sousa Rios, os campos “Eram locais para onde grande parte dos retirantes foi recolhida a fim de receber do governo comida e assistência médica. Dali não podiam sair sem autorização dos inspetores do Campo. Havia guardas vigiando constantemente o movimento dos concentrados. Ali ficavam concentrados milhares de retirantes a morrer de fome e doenças’’ (in ‘‘Campos de Concentração no Ceará: isolamento e poder na seca de 1932’’).

O mesmo estudo informa que, entre abril de 1932 e março de 1933, pereceram mais de 1.000 refugiados somente no Campo de Concentração de Ipu.

Ao final da malograda experiência de controle social, no Cariri restaram centenas de crianças órfãs, muitas delas que aqui permaneceriam abrigadas por famílias da região.

TRILHA ECOLÓGICA PROFESSOR JOSÉ DO VALE ARRAES FEITOSA

O Colégio Agrícola do Crato inaugura hoje, dia 15 de outubro de 2007, a TRILHA ECOLÓGICA PROFESSOR JOSÉ DO VALE ARRAES FEITOSA. O que será inaugurado pelo diretor do Colégio Professor Joaquim Rufino é muito mais que um trajeto na mata da chapada do Araripe. O nome completo – trilha ecológica professor José do Vale Arraes Feitosa – guarda muito mais que a soma de vários conceitos. Trilha, ecologia, professor e o nome próprio do homenageado. Na verdade estas partes se fundem numa unidade completa. Um tipo de unidade que fala ao coração das pessoas que vivem na Bacia Sedimentar do Araripe.

Começa pelo nome próprio, José do Vale Arraes Feitosa, de quem um aluno da Universidade Regional do Cariri fez uma monografia e dela extrai uma homenagem lida no dia de hoje. Para localizar o personagem, passo à palavra a um ex-aluno. Há duas semanas, numa praça do Bairro do Flamengo, próxima ao Largo do Machado, no Rio de Janeiro, passou-me à frente um casal: um homem de aproximadamente 60 anos e uma mulher mais jovem. Enquanto descia do carro estacionado, ele voltou do meio da rua em que ia e se aproximou abordando-me. Estabeleceu-se um diálogo de identidade, ele nascera em Crato, de uma tradicional família da cidade e fora aluno do Professor José do Vale. Pretendi localizar-me no tempo e espaço em relação a ele, mas não era de mim que ele queria saber. Queria falar do seu professor. E falou, olhando para o filho do professor, para a nora dele, para dois netos e até anteviu a bisneta na barriga grávida de sua nora neta. A síntese do aluno: José do Vale estimulava o aluno, nós sentíamos a presença dele na sala de aula antes mesmo dele nela chegar. José do Vale tinha uma energia que seguia à frente dele e a doava para seus alunos.

Então, o professor José do Vale é síntese de trilha: aquele que pode ou deve ser imitado, caminho a seguir, exemplo, modelo. É quando o conceito de trilha e professor se confundem, quando a educação não é mero instrumento de ganhar a vida e sim um sentido teleológico para a civilização. A síntese do professor e da trilha, traduzindo as palavras do seu ex-aluno é o que chamamos carisma. Não o carisma no sentido sobrenatural, que arrasta multidões, mas o carisma no sentido da perfeita consonância entre o professor e o aluno em torno do dever e transcendência do aprendizado. A trilha e o professor se fundem como tradução de filosofia, ideologia, doutrina, religião. E isso José do Vale Arraes Feitosa foi.

Outra síntese da nomeação hoje inaugurada no íntimo do Araripe é aquela que junta professor, trilha e ecologia. Nos sustos que hoje passamos, com o aquecimento global, com o degelo das calotas polares, com os vendavais que tudo destroem, com as secas que levam a fome, a poluição dos mares, dos lagos, do ar, de toda a vida. Mais do que nunca a humanidade inteira precisa de um conceito que seja ao mesmo tempo um aprendizado, uma trilha e que proteja o seu próprio ambiente natural.

Por isso existe, dos bisnetos aos filhos do professor, de sua mulher Maria do Carmo Arraes Feitosa e da filha Diana Maria Arraes Feitosa, neste dia de homenagem, o sentido que aquele professor foi do mundo. Mas foi de um mundo nominado. Um mundo ao mesmo tempo universal e local. Um mundo que se chamava sua amada Crato, sua imensa e geográfica Chapada do Araripe, seu Cariri inteiro. Quando todos os filhos se foram, se tornaram anúncio de visita ou a trilha de um avião a jato sobrevoando a bacia verde do vale do Cariri, o professor aqui ficou para sempre.

Sampicarra do Exocrato 2

Sobre esta secção, lançada recentemente, Wilton Soares, nosso estimado Dedê, fez o seguinte comentário:

“Chico Soares era também um grande pesquisador. Sabia muito sobre a vida de Lampião, sobre o cangaço e sobre a vida do Padre Cicero, de quem era crítico ferrenho.

Certa vez, quando passava o enterro do Sr. Pedro Teles, um cidadão ao lado de Chico Soares fez o seguinte comentário:
- Será, Chico, que quando eu morrer vai tanta gente assim pro meu enterro?
Chico não demorou a responder e saiu com essa:
- Vai sim. Se você for enterrado vivo e de cabeça pra baixo, vem até televisão.

Virou-se e saiu em silêncio, deixando o cidadão um tanto quanto… pensativo.”

Matozinhos no mapa…

Bem, depois de assistir ao lançamento do livro do Dr. José Flávio, em que se fêz uma pesquisa para saber se afinal, essa cidade de Matozinho existe ou não, fiquei encucado pelo fato de ninguém haver encontrado essa cidade nos mapas, daí, saí pesquisando aqui nos meus alfarrábios, e descobri que existem algumas cidades chamadas de Matozinhos e Matosinhos, inclusive em Portugal. Seria Matozinho uma espécie de corruptela de Matozinhos ?
Mas creio que essa cidade mítica de Matozinho, assim como outras, Craterdã, Shangri-La, só existe na nossa imaginação…

Vejam aí…

COLUNA “CARIRI” (JORNAL O POVO – EDIÇÃO DESTE DOMINGO, 14 de outubro)

Coluna de TARSO ARAÚJO

DEGRADAÇÃO URBANA
Esta lúcida análise foi feita por Renato Casimiro: “Na grande explosão do crescimento urbano de Juazeiro do Norte nos últimos anos, a preocupação pertinente é a rápida degradação do centro da cidade. Infelizmente, naquilo que poderia se constituir num pólo de atração e convivência motivada pela existência de um certo sítio histórico (prédios antigos, igrejas, museus etc.) é que se fez sentir com maior ênfase o declínio da área central”. Renato está coberto de razão. Já é tempo dos administradores de Juazeiro do Norte pensarem na revitalização do centro da maior cidade caririense.

ANOTE: IMAGEM PRODIGIOSA
A restauradora italiana Gabriela Frederico esteve novamente em Crato. Desta feita, para restaurar a antiga imagem de Nossa Senhora da Penha, venerada como padroeira dos cratenses entre 1745 e 1938 (quase 200 anos). Esculpida em madeira, medindo 0,88m de altura, com um pedestal em forma de rocha de 0,14m, a imagem não se constitui somente numa valorosa relíquia histórica. É também uma autêntica obra de arte! A versão geral acerca dessa prodigiosa imagem é que ela foi trazida para Pernambuco por cinco missionários capuchinhos, que – em 1641 – se dirigiam a Guiné sendo atacados e presos pelos corsários holandeses, no litoral africano. Em Recife, a estátua permaneceu por 104 anos. Em 1745, por solicitação de frei Carlos Maria de Ferrara, ela veio para a Missão do Miranda, origem da cidade de Crato. Ainda hoje, todos os anos, esta estátua, no dia 1º de setembro, sai em procissão pelas ruas de Crato.

UFA!!!
Uma das mais antigas edificações de Crato – o Edifício Filgueira Teles – localizado na Praça Siqueira Campos (onde funciona o Café Cinelândia) foi, recentemente, vendido e será reformado. Mas o autor do projeto da reforma, arquiteto Waldemar Arraes Farias Filho, vai preservar a fachada do prédio. Para alegria de muita gente.

NOVA IGREJA
Crato vai ganhar novo templo católico. A comunidade do Conjunto Vitória Nossa (localizada no bairro do Seminário) recebeu doação de um terreno para construção da capela à Mãe Rainha, padroeira da localidade.

GLOBALIZAÇÃO
O mundo está mesmo globalizado. Na Internet existe um site (patativa.gnumerica.org) com uma página inteira sobre o poeta Patativa do Assaré (biografia, crítica, obra e poemas traduzidos). Entre eles a “Triste Partida” cujo início aparece assim: Settembre passò, con ottobre e novembre, Già siamo in dicembre. Mio Dio, che di me?

VOCAÇÕES RELIGIOSAS
Na última quinta-feira, dia 11, aconteceu em Fortaleza o Encontro Regional dos Diáconos Permanentes do Ceará. Existem hoje no nosso Estado 15 diáconos permanentes, sendo 8 na arquidiocese de Fortaleza e 7 na diocese de Crato, todos casados. O Regional do Ceará é presidido pelo cratense José Oliveira Cavalcante (Cory). A boa novidade é que em Crato existem 11 novos candidatos aspirando ordenação como diáconos permanentes.

CONHEÇA O CARIRI
A informação é de Sérgio Linhares, gerente da Ematerce: Santana do Cariri não é apenas a “Capital Cearense da Paleontologia.” O município tornou-se o maior produtor de abacaxi da Chapada do Araripe. Ali, a fruta alcança uma produtividade de 15 mil unidades por hectare. Depois de vários anos sem ser produzido, a plantação do abacaxi voltou a ser uma alternativa econômica para os moradores da Serra do Araripe, principalmente para aqueles que antes viviam da fabricação de carvão e retirada de lenha da floresta.

CARIRIANAS
O arquiteto Valdemar Arraes Farias entregará ao público, até o fim deste mês, seu primeiro livro: Arquitetura urbana de Crato de 1740 a 1960. Trata-se de uma obra vital para a preservação do que ainda resta de patrimônio arquitetônico da Princesa do Cariri (…) A revista da Academia de Letras e Artes “Mater Salvatoris”, de Salvador-Bahia, traz no seu último número um trabalho de Armando Lopes Rafael sobre as três imagens da Virgem Maria que foram veneradas como padroeira de Crato (…) Está esgotada a 1ª edição do livro Padre Peixoto:Intelectual, Político, Sacerdote, do escritor caririense (radicado em Brasília) José Peixoto Júnior.

CRIANÇADA
O Centro Cultural Banco do Nordeste Cariri, sediado em Juazeiro do Norte, realizou na última sexta-feira e ontem, sábado, uma vasta programação em comemoração ao Dia da Criança. É preciso que se destaque a qualidade da programação e sua importância na formação cultural e pedagógica das crianças caririenses. Uma programação belíssima com contações de histórias, oficinas de fantoches, filmes infantis e apresentação de peças teatrais.

MATOZINHO
José Flávio Vieira lançou na última sexta-feira no Teatro Salviano Arraes Saraiva o seu livro Matozinho vai à guerra, com apresentação de Antonio Vicelmo. O livro narra a mítica cidade de Matozinho com seus poetas, loucos e bêbados. O resultado de mais de oito anos de trabalho, com crônicas publicadas em jornais regionais e estaduais. Aliado ao belíssimo texto de Flávio Vieira, 25 gravuras produzidas pelo artista plástico caririense Reginaldo Farias.

APOIO
A Casa de Apoio aos Pacientes Renais do Crato está precisando de apoio da sociedade. Na última terça-feira, em meu programa Últimas Notícias na Rádio Araripe AM do Crato, foi lançada campanha de doações à instituição, que atende de forma gratuita pacientes que precisam fazer hemodiálise no Crato e não têm condições físicas e financeiras de se deslocar de outros municípios e às vezes até mesmo de outros estados.

VISITA
O ouvidor da Federação Cearense de Futebol Josimar Carvalho esteve nos últimos dias na Região do Cariri. Veio acompanhar a eleição da nova diretoria da Icasa, sendo eleito presidente do Verdão do Cariri o empresário Zacarias Silva. Josimar Carvalho tem sido um entusiasta do futebol caririense, dando sugestões e bons conselhos a quem lhe pede. Entende muito de futebol.

Aumenta visitas de romeiros à Catedral de Crato

Tem chamado a atenção o crescente número de ônibus – conduzindo romeiros do Padre Cícero – estacionados na Praça da Sé, no centro de Crato. O que eles vêm ver na Catedral de Nossa Senhora da Penha? É que naquela igreja ainda hoje é preservada a pia, na qual o Padre Cícero Romão Batista teria sido batizado em 8 de abril de 1844. Por iniciativa do Cura da Catedral, Padre Francisco Edmilson Ferreira Neves, a histórica pia batismal foi restaurada e numa parede da capela batismal foi colocado um quadro com fotocópia do registro de batizado do Padre Cícero.
Aliás, a vida desse sacerdote é rica em episódios controversos. Um deles é a data do seu nascimento. No quadro que o Cura da Catedral de Crato colocou na capela batismal, fotocópia tirada da folha 61 do Livro de Batizados de 1843 a 1845, consta:
“Cícero, filho legítimo de Joaquim Romão Batista Meraíba e de sua mulher Joaquina Ferreira Castão. Nasceu em vinte e três de março de 1844 e foi batizado pelo pároco solenemente com santos óleos nesta cidade do Crato em oito de abril do mesmo ano. Foram seus padrinhos seu avô paterno Romão José Batista e Antônia Maria de Jesus, do que para constar mandei fazer este assento em que me assino. Manuel Joaquim Aires do Nascimento”.
Como se sabe, o nascimento do Padre Cícero foi sempre comemorado a 24 de março. Quando de sua estada em Roma, em carta datada de 24 de março de 1898, endereçada a sua mãe, o próprio Padre Cícero escreveu: “Hoje, que faço 54 anos e véspera da anunciação da Mãe de Deus…”.
Os que escreveram sobre este sacerdote interpretam esta divergência de data cada um a sua maneira. Otacílio Anselmo via nessa troca um sinal da “vaidade doentia” do sacerdote, com o intuito de vincular seu aniversário natalício ao dia 25 de março, quando a Igreja Católica festeja a Anunciação à Virgem Maria. Já o médico-historiador Irineu Pinheiro, autor de “Efemérides do Cariri” fez ali constar: “Sempre sua família, seus amigos e ele próprio festejaram seu aniversário natalício no dia 24 de março…”.
Controvérsias à parte, o registro no livro de batismo dando a data de 23, ao invés de 24 de março, poderá ter sido apenas um lapso normal, bastante corriqueiro, fruto de engano na informação ao vigário Manuel Joaquim Aires do Nascimento, ou mesmo simples lapso de transcrição.

Entrevista de Zé Flávio sobre o livro "Matozinho vai à Guerra"

Olá, gente.
Em primeira mão, logo após a festa, Dr. José Flávio Vieira concedeu essa bela entrevista à TVCrato sobre o lançamento do seu livro “Matozinho vai à guerra” e suas próprias impressões acerca da Cultura e Arte no Cariri.

Repórter João do Crato.
Cinegrafista: Dihelson Mendonça

O Artista foi à guerra com Matozinho ! – Parabéns, Zé Flávio !

Balouça a pena veloz sobre o papel macio amarelado.
Desta feita, não mais se escreve um conto
Escreve-se uma dedicatória como corolário sobre um árduo trabalho.
Nasce uma marca-registrada de um artista das letras.

Leitores ávidos, impacientes a esperar sua nova edição, cheia de contos fantásticos
de uma cidade mágica, que à semelhança da sua, sofre e se alegra com todos os fatos corriqueiros e exóticos…

Não se espera nem sair do teatro para que se comece o banquete …

Sua pena corre macio e decididamente…

Por entre estranhas formas, é saudado por seus súditos…

…e fez alegrar nossos corações!


Parabéns, Doutor! cuida dos nossos corpos e da nossa alma, tornando-a alegre.
Enchendo-a de esperanças !

Fotos e texto: Dihelson Mendonça
Clique nas fotos para ampliar!

Sampicarra do Exocrato

Esse estrambótico título denominava uma coluna do Jornal Folha de Piqui, órgão cultural que foi editado espaçadamente ao longo dos anos 80, em Crato, por um grupo de jovens poetas e escritores. Resgatei-o para que, neste Blog, intitule uma secção de humor, a partir de “causos” protagonizados por figuras “folclóricas” (no bom sentido), e que tão bem representam a verve moleque e irreverente do povo do Crato, a exemplo de Chico Soares (indubitavelmente, o “gênio da raça” em se tratando de espirituosidade).
E é justamente com uma das muitas histórias de Chico Soares que iniciamos este primeiro sampicarra:

Chico Soares foi arrolado como testemunha de um homicídio acontecido na cidade.
O delegado, de chofre, pergunta:
- Seu Chico, onde o senhor estava no momento em que o assassino desferiu o primeiro tiro?
- Há dois metros da vítima, doutor.
- E no segundo tiro?
- Há cem metros…

"Matozinho vai à Guerra" — Hoje dia 12 – Sexta-feira !!! Imperdível !

Arquiteto cratense vai lançar livro

Arquiteto Waldemar Arraes Farias Filho lança importante livro

Encontro o arquiteto Waldemar Arraes Farias Filho e ele confirma que, nos próximos dias, deverá lançar seu livro “Arquitetura urbana de Crato, de 1740 a 1960”. Excelente notícia!

No início do século passado as praças, ruas, becos e travessas de Crato possuíam poéticas denominações (que nunca deveriam ter mudado): Rua das Laranjeiras, da Pedra Lavrada, do Fogo, travessa Califórnia, Praça da Matriz, etc. O centro da cidade de Frei Carlos era cheio de prédios bonitos. Mesmo com a economia quase totalmente vinda da atividade rural, o Crato antigo ergueu belos edifícios. A Liga Carmelitana (hoje desaparecida) foi responsável pela construção da bonita capela de Santa Teresa d’Ávila, anexa ao Colégio Santa Teresa de Jesus. A atual Praça da Sé era emoldurada por mansões art noveau. O quarteirão da Rua Miguel Limaverde (criminosamente destruído no início da década 80) tinha casarões de azulejos portugueses nas fachadas…

Vejam a Rua João Pessoa de hoje! Os casarões aristocráticos foram substituídos por prédios feios, quadrados (alguns lembram uma caixa de fósforos) sem falar na proliferação das enormes placas de propaganda, numa triste poluição visual. Alguém dirá: a destruição da memória não ocorreu somente no Crato. Claro. A arquitetura de Oscar Niemeyer, por exemplo, virou modismo na década 60, culminando com a mudança da capital brasileira para esse mostrengo que é Brasília. E essa “arquitetura moderna” se alastrou por todas as cidades brasileiras, levando de roldão o que restava de bonito na área citadina. Vou além. A destruição da nossa memória teve início com o golpe militar de 15 de novembro de 1889, que derrubou nossa monarquia e implantou a república positivista a perdurar até hoje. A ordem era destruir tudo que lembrasse nobreza e aristocracia. Brasília é resultado desse intento! Um único exemplo: as catedrais, em todo lugar, possuem sugestivas e belas torres voltadas para o Céu. Niemeyer, com sua formação atéia, fez a catedral de Brasília de modo oposto: enterrada no ventre da terra. Diferente de todas as catedrais existentes no mundo…

Mas voltemos ao Crato. Muita coisa bonita foi irremediavelmente destruída, como os dois torreões existentes no Seminário São José; a casa dos leões na Praça Siqueira Campos; inúmeras mansões da Praça da Sé… Cuidemos de preservar o que ainda resta e não foi destruído pelos vândalos, sedentos em exterminar nossa memória arquitetônica…


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HOMENAGEM DA SEMANA


CORREINHA

O Chapada do Araripe presta homenagens a um dos maiores mestres da cultura popular que faleceu em Crato recentemente, Francisco Correia de Lima, o Correinha, artista de várias linguagens atuante no município do Crato. Mestre Correinha nasceu no município de farias Brito no dia 14 de fevereiro de 1940, mas era um amante inveterado do Crato, município ao qual costumava fazer referências em suas canções. Talvez por não ter tido seu nome incluído nas listas anuais de mestres reconhecidos pelo Governo do Estado desde 2004, mestre Correinha tenha sido sepultado em meio a homenagens comoventes de moradores do município, mas, como ressaltaram amigos e familiares, sem o devido destaque por parte do Poder Público. Situação destacada durante a sua missa de corpo presente, enriquecida pelo acordeon de Hugo Linard, com quem Correinha gravou recentemente, 15 canções que agora constituem o último registro de sua obra. Segundo o próprio Hugo Linard, as canções registradas nesse último trabalho de Correinha em estúdio são, na maioria, inéditas. ´Ele gravou também ´Belezas do Crato´, mas as outras não tinham registro´, diz, citando canções como ´Coisas do meu sertão´, ´Exaltação a Barbalha´, ´Crato de Açúcar´ e ´Meu Cariri´ e ´Balanceio´. ´Fazia tempo que a gente tava cutucando ele, dizendo que ele tinha que gravar de novo. Ele fez dois compactos e outros discos, no tempo do vinil, além de vários cordéis´. Hugo Linard chama atenção para aspectos peculiares da trajetória de Correinha. ´Ele mantinha um bar aqui no Crato e ainda trabalhava como agente carcerário. Era tão querido que os presos pediram à família por ocasião do seu velório, para deixar um pouco o corpo dele lá na cadeia, para eles o homenagearem´.
Dalwton Moura

Jornal do Vicelmo

Todos os dias na Rádio Chapada do Araripe - Internet, a partir das 07:00, ouça o Jornal do Cariri com Antonio Vicelmo. O Jornal é retransmitido da Rádio Educadora do Cariri em tempo real. Você pode ouvir o programa através da nossa imensa rede de Blogs e websites. Alguns programas antigos estão disponíveis no nosso website Jornal do Vicelmo.

AUXÍLIO À LISTA

Dicas de Filmes



Por trás de todo o grande homem se esconde um professor, e isso era certamente verdade para Bruce Lee que aclamava como seu mentor um expert em artes marciais chamado Ip Man. Um gênio do Wushu (ou a escola de artes marciais da China), Ip Man cresceu numa China recentemente despedaçada pelo ódio racial, radicalismo nacionalista e pela Guerra. Ele ressurgiu como uma Fênix das Cinzas graças à suas participações em lutas contra vários mestres Wushu e lutadores de kung-fu - finalmente treinando icones de artes marciais como Bruce Lee. Esta cinebiografia do diretor Wilson Yip mostra a história da vida de Ip.

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