Notas esclarecedoras sobre a URCA

Indispensável reproduzir neste blog esclarecedoras notas postadas no blog de Tarso Araújo:

“Vai aqui uma dica para a próxima edição do jornal da URCA. Que a Reitoria fale dos projetos que está elaborando para enviar aos governos estadual e federal para conseguir recursos para a URCA. Mais ainda, poderia aproveitar o próximo jornal da URCA para esclarecer a opinião pública do Cariri de que não existe nepotismo na atual administração da Universidade Regional do Cariri. O nepotismo, aliás, tão combatido pelos que hoje dirigem a URCA deve ser denunciado. Então, sugiro que a Reitoria divulgue a lista do nepotismo e ao mesmo tempo demita os parentes de dirigentes da Instituição que ocupam cargo de confiança. Outra dica: era bom a atual administração esclarecer que alguns dos projetos em andamento foram da gestão anterior. Era bom esclarecer também quais projetos está elaborando. Ficar só colocando fotos de pró-reitores que até agora nada fizeram não é uma política de divulgação da universidade, mas de seus dirigentes”.
Postado por Tarso Araújo às 03:01

1 comentário:
josé sales disse…
“Segundo consta todos os projetos que estão incluidos no MAPP da Ciencia e Tecnologia foram concebidos a partir do PLANO URCA, feito na Gestão André Herzog. Ampliação do Crajubar(1)/ Ampliação da Bilbioteca Central do Campus do Pimenta(2)/ Reforma e modernização do Museu de Paleontologia da URCA/ Santana do Cariri(3)/ Melhorias no Campus do Pimenta(4), além de vários outros”.

A Civilização da Rapadura


Seguindo o esquema proposto por Darcy Ribeiro(1), onde as formações sócio-culturais são resultados de revoluções tecnológicas, o Cariri Cearense, na sua evolução histórica, traz especificidades que o configuram como um dos modelos de sociedade levados a cabo ao longo do processo civilizatório desencadeado pela Revolução Mercantil.
Segundo o escritor cratense José de Figueiredo Filho, foi a transformação da mandioca em farinha, pelos índios cariris, a primeira atividade econômica existente na região. Ainda mantém-se essa tradicional indústria, principalmente nas comunidades localizadas na chapada do Araripe, através de equipamento tosco, legado indígena, chamado casa de farinha.
Houve, no início da colonização, em locais hoje pertencentes ao município de Missão Velha, a tentativa de explorar metais preciosos na região, através da Companhia do Ouro São José, que logo viu frustrados seus intentos. Segundo a historiadora Adelaide Girão,em História do Ceará, para tal empresa, organizou-se a entrada de mão-de-obra escrava negreira, que foi, em seguida, ocupada nas atividades agrícolas. No entanto, fugindo dos interesses agro-exportadores do mercantilismo europeu, o trabalho cativo não foi dominante no Cariri. Prevaleceu um regime semi-servil, onde o campesinato era obrigado a pagar quota de trabalho gratuito para viver nas terras dos proprietários. Essa relação de produção é comumente designada por clientelismo, mantida pela ordem coronelística.
O Cariri, pela sua geografia é um espaço do interior nordestino que teve uma ocupação peculiar. A principal atividade econômica, seguindo a experiência colonial pioneira, foi a cultura canavieira voltada à produção de melado e rapadura – usados como adoçante, similares do açúcar branco destinado a Europa – e, secundariamente, de aguardente.
Para saber sobre a real dimensão histórica e econômica dos engenhos de rapadura no processo de colonização da região, recomenda-se a leitura do livro Engenhos de Rapadura no Cariri, de Figueiredo Filho, infelizmente nunca reeditado. O certo é que foi a partir dos engenhos de rapadura que a visão-de-mundo dos caririenses ganhou os contornos definitivos.
Como já foi dito, uma das peculiaridades da formação caririense, deve-se à situação de marginalidade da sua economia perante os interesses mercantilistas europeus. Enquanto o litoral estava submetido ao monopólio colonial da produção do açúcar, o interior experimentava um sistema decorrente, onde a sua produção atendia a uma demanda local. O Cariri trocava seus excedentes de rapadura e aguardente com as regiões vizinhas, abastecendo os sertões do Ceará, Paraíba, Pernambuco, Piauí e Rio Grande do Norte. Adquiria, assim, mercadorias que não produzia, como sal, tecidos finos, utensílios de ferro etc.
Os primeiros engenhos caririenses eram feitos de madeira e movimentados por juntas de bestas e bois e por correnteza d’água. O historiador caririense, Antonio Gomes de Araújo, citado por Figueiredo Filho, conta que foi o capitão Antonio Ferreira de Melo, membro do Regimento de Cavalaria, que iniciou o ciclo do engenho de ferro, ainda no século XVII. O engenho veio de Pernambuco, via sertão do Pajeú, transportado por juntas de boi, para a sua propriedade, localizada no sítio São José, onde hoje é a divisa de Crato e Juazeiro do Norte.
O naturalista escocês George Gardner(2), na sua passagem pelo Crato, na década de 1830, oferece um relato sobre a produção da rapadura feita da região:
Vivi cinco meses no meio desta gente; mas em nenhuma outra parte do Brasil, mesmo durante curta residência, fiz menos amigos ou vivi em menos intimidade com os habitantes. Além do senhor Melo, o único indivíduo cuja casa visitei freqüentemente, era um outro filho do velho vigário, capitão João Gonçalves, dono de um engenho de açúcar (rapadura), a duas léguas da cidade.
“(…) Tive muitas ocasiões de ver nesse engenho, como se faz a rapadura. O engenho é de construção muito tosca, compondo-se de uma armação com três moendas verticais de pau, entre as quais a cana passa para se espremer o suco que se recolhe num receptor embaixo, donde escorre para um cocho escavado no tronco de grande árvore. Passa-se a cana três vezes para que extraia toda a garapa. Deste cocho, parte do líquido é levada de tempos em tempos, a pequenos tachos de metal, dos quais havia nove, enfileirados em pequenas aberturas sobre uma fornalha arqueada. Nas diferentes fases do processo, à medida que se faz a evaporação, o suco é despejado de um tacho em outro, até adquirir no último a desejada consistência. Transfere-se então para uma cuba escavada em sólida madeira e que se chama de gamela. Aí fica algum tempo a esfriar, sendo então lançada em formas de madeira do formato e tamanho do tijolo comum, embora algumas se façam com a metade deste tamanho. Tiradas das formas, ficam a endurecer ainda por uns dias e estão prontas para o mercado. As grandes vendem-se em Crato por dois vinténs, em Icó por cinco e em Aracati, por quatro”.

(1) O Processo Civilizatório – Etapas da Evolução Sócio-Cultural. Rio de Janeiro: Vozes, 1979
(2) Viagem ao Interior do Brasil. Belo Horizonte, Ed. Itatiaia; São Paulo, Ed. Universidade de São Paulo, 1975, pp. 94-95

Os vários jeitos de dizer

Emerson Monteiro

Há dias não escrevo, no propósito de vascular o sótão do juízo e organizar de volta o ambiente, com isso querendo esfriar as caldeiras, na temporada boa do final de ano. Quando isto ocorre, ato contínuo, vê-se disposto a produzir qualquer coisa que una consciências, intenção de quem escreve por puro prazer.
Ainda assim, nesta busca de encontrar meios de retornar à escrita, catar as imposições do pensamento, e gerar, cá fora, alguma coisa que mereça a caligrafia das palavras, ainda assim, por vezes, os gestos permanecem restritos, numa proporção inferior ao desejo, face aos caprichos ditatoriais da forma.
Na verdade, afloram temas, a exemplo dos protestos virtuais à realidade contundente, onde o superego indica alternativas no que diz respeito ao trânsito das cidades; às políticas mercadológicas, que favorecem mais as elites, no jogo eleitoral insuficiente; à destruição gradativa da Amazônia, culpa de governos sucessivos, ferida de morte neste régio presente da natureza; às limitações usuais da personalidade humana como um todo; etc.; etc.
Resultado: escrever implica, grosso modo, no risco de ficar falando sozinho, em mundo que determina chamados múltiplos e possibilidades eletrônicas. Jornais amarelam rápido. Livros dormem em tudo que é canto de sala, preguiçosos, manhosos e antigos, viciados com a situação em que se transformaram as sociedades letradas desses dias.
O rádio, sim, e não esqueceria este veículo quente, trem-bala da comunicação de massa. Nele as palavras passam, mas os conceitos permanecem. Escutar, mergulhar pelas cavernas da memória através dos canais do ouvido…
Observo, sem um planejamento prévio, que, após décadas de textos publicados, retorno aos inícios da caminhada pelas letras, no ano de 1965, época em que, ao lado de Antônio Vicelmo, redigia para a Rádio Araripe. Cabia, a mim, produzir a parte internacional de jornal das 21h, de sua responsabilidade, talvez na primeira função radiofônica do consagrado noticiarista caririense.
No passo seguinte, Armando Rafael me solicitou que escrevesse crônicas para aquela emissora cratense, motivando descobrisse o potencial da opinião como necessidade urgente da cidadania em qualquer instância.
A importância do ato de dizer esbarra, com freqüência, nos veículos de que dispõe cada comunidade. Existem núcleos que dão prioridade a outros recursos da comunicação. Muitos escolhem a oralidade pura e simples, na fala que circula os baixios da informalidade, sem reclamar papel, câmeras ou microfone. São as sociedades ditas primitivas quanto aos sistemas de propagar a história e sua conceituação, sem reclamar profundidade documental, ou gravações magnéticas.
Aceitemos, contudo, agora, apenas isto em termos de avaliação dos modos de comunicar, porquanto o rádio trabalha sob o império do tempo e requer, por isso, limite rígido de quem dele se utiliza.
Na oportunidade, quero desejar um ano de prosperidade e boas realizações a todos os que nos ouvem neste momento.

Feliz Ano Novo de Verdade: Como Fazer ?


Por: Bernardo Melgaço da Silva

Todos os anos desejamos no final do ano que todos que gostamos sejam felizes. É uma cultura e um ritual que avança de geração em geração. Mas, logo inicia o novo ano e nos sentimos despreparados e impotentes para cumprirmos o que desejamos aos outros e a nós mesmos. É natural! O mistério e a luz nos acompanham e assim nos vemos no mesmo ponto de partida: como fazer?

A verdade é que a felicidade é um nascimento do ser que não somos ainda. É um processo de identidade existencial: não somos de fato ainda o produto do que foi projetado cosmicamente para sermos. Por isso, a felicidade nunca é aquilo que desejamos ser. Ela é a árvore onde somente existe a semente. Ela é uma descoberta onde somente existe a intenção e a procura. Ela é aqui e agora onde projetamos nossas idéias e nos perdemos nos labirintos dos nossos pensamentos. Ela é uma força cósmica, um padrão vibratório criador. Eterna, sublime e transcendente. Ela é uma luz de um sol de calor doce e suave que nasce nas profundezas da essência da criação.

Ela existe na surpresa agradável da revelação amorosa que se destaca e se mostra quando menos esperamos. Ela é oculta, inesperada e transparente. Ela é amante e a amada. Ela é um encontro querido na sutileza da transformação de si mesma; é o começo, o meio e o fim de tudo que desejamos encontrar e sentir; é o verdadeiro sentido da vida humana. Por isso, todos são buscadores da felicidade porque ela é o sentido da verdade maior.

Assim, a felicidade é o coração aberto e universal que detém o poder de ser livre das amarras das verdades fabricadas ou modeladas pelos homens. Então, quando desejamos ao outro dizendo “FELIZ ANO NOVO!”, estamos intencionando que haja uma transformação tão profunda no ser que ele deixe de ser o que ele aprendeu a não ser – e nunca teve a oportunidade de aprender a desaprender! E para que alguém seja feliz de fato faz-se necessário ser livre dos conceitos psicológicos de liberdade, de amor, de justiça, de verdade, de riqueza, de família convencional e de tudo aquilo que foi plantado, em sua consciência vulnerável, pelas infinitas sugestões do mundo.

A felicidade está no limite superior da consciência humana. Um caminho de realização interior solidário e solitário onde a divindade se aproxima com sabedoria e nessa relação o humano descobre que existe um Outro Transcendente que carrega toda a verdade humana buscada e até então incompreendida. Nesse sentido, a felicidade é um casamento cósmico supra-humano. Onde se nasce com aquilo que é conhecido (em francês “conaissance”). E para nascer de novo é preciso que se “morra” (no sentido de transmutação ou “metanóia” na linguagem freudiana) primeiro. Nesse contexto, a felicidade é uma passagem e conexão com outro mundo e estado maior de ser.

Assim sendo, podemos compreender que a passagem de ano é um simbolismo para nos lembrar que existe um outro lado da vida na fronteira da consciência comum do homem escravo de si mesmo. E essa outra condição humana se faz na passagem do estado infeliz para o estado feliz de forma incondicional. É uma façanha que poucos conseguem realizar porque não percebem seus condicionamentos auto-hipnóticos. Em síntese, a felicidade é um salto quântico que se realiza na superação do próprio ego limitado, impotente e infeliz.

De forma que ao desejarmos “FELIZ ANO NOVO” no fundo desejamos a conquista de si mesmo manifestada no outro semelhante. Por isso, desejo a todos FELIZ ANO NOVO DE VERDADE. Assim, deseje de verdade que o outro seja feliz também, pois aquilo que desejar no outro será semente em si mesmo. Se desejares o bem ao outro com coração sincero plantarás em si mesmo a semente do bem. Essa semente poderá crescer se assim você continuar desejando. Por isso, devemos desejar aos nossos amigos e inimigos sucesso espiritual de verdade, porque somente assim criaremos um mundo melhor de verdade e feliz. O mundo é o que é hoje – violento, excludente e injusto – porque desejamos e criamos inconscientemente a outra face da realidade distante da felicidade: a infelicidade e a escuridão de si mesmo. Não existe acaso! FELIZ ANO NOVO – DE VERDADE ESPIRITUAL!

Por: Prof. da URCA Bernardo Melgaço da Silva
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HOMENAGEM DA SEMANA


CORREINHA

O Chapada do Araripe presta homenagens a um dos maiores mestres da cultura popular que faleceu em Crato recentemente, Francisco Correia de Lima, o Correinha, artista de várias linguagens atuante no município do Crato. Mestre Correinha nasceu no município de farias Brito no dia 14 de fevereiro de 1940, mas era um amante inveterado do Crato, município ao qual costumava fazer referências em suas canções. Talvez por não ter tido seu nome incluído nas listas anuais de mestres reconhecidos pelo Governo do Estado desde 2004, mestre Correinha tenha sido sepultado em meio a homenagens comoventes de moradores do município, mas, como ressaltaram amigos e familiares, sem o devido destaque por parte do Poder Público. Situação destacada durante a sua missa de corpo presente, enriquecida pelo acordeon de Hugo Linard, com quem Correinha gravou recentemente, 15 canções que agora constituem o último registro de sua obra. Segundo o próprio Hugo Linard, as canções registradas nesse último trabalho de Correinha em estúdio são, na maioria, inéditas. ´Ele gravou também ´Belezas do Crato´, mas as outras não tinham registro´, diz, citando canções como ´Coisas do meu sertão´, ´Exaltação a Barbalha´, ´Crato de Açúcar´ e ´Meu Cariri´ e ´Balanceio´. ´Fazia tempo que a gente tava cutucando ele, dizendo que ele tinha que gravar de novo. Ele fez dois compactos e outros discos, no tempo do vinil, além de vários cordéis´. Hugo Linard chama atenção para aspectos peculiares da trajetória de Correinha. ´Ele mantinha um bar aqui no Crato e ainda trabalhava como agente carcerário. Era tão querido que os presos pediram à família por ocasião do seu velório, para deixar um pouco o corpo dele lá na cadeia, para eles o homenagearem´.
Dalwton Moura

Jornal do Vicelmo

Todos os dias na Rádio Chapada do Araripe - Internet, a partir das 07:00, ouça o Jornal do Cariri com Antonio Vicelmo. O Jornal é retransmitido da Rádio Educadora do Cariri em tempo real. Você pode ouvir o programa através da nossa imensa rede de Blogs e websites. Alguns programas antigos estão disponíveis no nosso website Jornal do Vicelmo.

AUXÍLIO À LISTA

Dicas de Filmes



Por trás de todo o grande homem se esconde um professor, e isso era certamente verdade para Bruce Lee que aclamava como seu mentor um expert em artes marciais chamado Ip Man. Um gênio do Wushu (ou a escola de artes marciais da China), Ip Man cresceu numa China recentemente despedaçada pelo ódio racial, radicalismo nacionalista e pela Guerra. Ele ressurgiu como uma Fênix das Cinzas graças à suas participações em lutas contra vários mestres Wushu e lutadores de kung-fu - finalmente treinando icones de artes marciais como Bruce Lee. Esta cinebiografia do diretor Wilson Yip mostra a história da vida de Ip.

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