De um amigo para outro – Por : Nilo Sérgio Monteiro

Estimado José do Vale,

As referências elogiosas que você me dedicou me envaidecem e certamente provém mais desse coração bondoso que carrega no peito. Fomos contemporâneos de tantas histórias, a mais inesquecível delas é de termos sido colegas da IVª Série Ginasial do glorioso Colégio Diocesano na turma mais eclética e vanguardista que o saudoso Monsenhor Montenegro já topou. Outro dia, José me lembrou em um de seus artigos a saga das paqueras e namoros com as meninas da Praça Siqueira Campos em suas “quilométricas voltas” nos domingos à noite. Lá tudo podia acontecer, ou não! E lembrava: como eu era “amigo” de todas as meninas do Crato e ele estava apaixonado por “alguém”, queria que eu conversasse com ela. Esse “conversar” era a minha arte, hoje o termo seria: “fazer a cabeça”. Socorro Moreira proclama do alto de sua sapiência e extrema capacidade de observação que eu namorei metade das meninas do Crato enquanto a outra metade suspirava! Faz sentido então o apelido que me arrumaram: CD! Esse apelido CD, José lembra, é aquele sujeito doce, mas é um adjetivo qualificativo que de cara ao menos avisado leitor soaria pejorativo. Mas não era! Infelizmente é uma palavra aqui impublicável, mas o caro leitor neste momento já sabe o significado e estará certamente dando uma risadinha. Mas esse apelido adveio da minha natural facilidade de comunicação, especialmente com o sexo oposto. Além do mais, estava em todas as rodas e circulava em todos os grupos. Era convidado pra tudo que é festa, reuniões e eventos. Imaginem que até a Madre Siebra e a Irmã Maria de Fátima me abriam os portões daquela “maravilha” que era o Colégio Santa Teresa, das inesquecíveis e míticas internas. Tudo que era festa a Madre me chamava para organizar. Fora o Padre Confessor, os mestres de obras e peões, homem nenhum pisava lá dentro! Ah! Que maravilha, com minha cara de “santo do pau oco” namorei logo de saída com duas irmãs pernambucanas, não namorei a terceira porque não deu tempo! E para completar o meu “instrumental” não é que o Padre José Honor de Brito (saudades) me chamou um dia e disse-me: Nilo Sérgio, você foi ótimo aluno de Latim e Grego no Seminário, deve escrever bem. De agora em diante você está nomeado o Cronista Social do Jornal. Pronto! Juntou a fome com a vontade de comer! Recordo-me que criei uma coluna denominada: “curtinhas”! Alguém lembra? As socialites do Cariri me cercavam e era um tititi infernal. Na redação tive a honra da conviver e aprender com a amizade dos insuperáveis jornalistas e radialistas: Antonio Vicelmo e Humberto Cabral. E por ai fui indo. Bom mesmo era a chegada das famosas “excursões” com garotas de outras cidades do Cariri para hospedar-se no Colégio. Meu caro José você lembra? Era uma loucura! Choviam os muitos outros galãs da cidade. E naquela rua ficavam pra cima e pra baixo. Ou encostados na casa do nego Zé Ribeiro. E os “pés de valsa” hem? Esses tinham seu momento de glória e a facilidade de passar a famosa cantada. Quem não dançava bem era um suplicio hem José? José carrega ainda hoje, suponho um sorriso franco, enigmático até. Mas jovial e encantador. Sujeito inteligente, arguto, um amigo que eu gostava demais da conta. Mas tinha um defeito: era tímido que só vendo no trato com o sexo oposto. Bom. Só sei que nessa história de leva e trás recados, ajeita namoros, faz as pazes, não me lembro se meu desempenho de “cupido” deu certo para o amigo. Espero que sim! Só sei que sua paixão deu namoro, amor e casamento que descreveu com a maestria de sempre no artigo ao qual me referi no início. Sim José, nós vivemos uma contemporaneidade inesquecível e continuamos a combater um bom combate! Até o nosso encontro que aguardo ansioso. Deus e N. S. da Penha nos guarde até lá.

Por: Nilo Sérgio Monteiro

Nos Leilões do Padre Onofre – Por Carlos Eduardo Esmeraldo

Esta é uma das muitas histórias que o meu amigo Leofredo Pereira costumava contar. Um dos seus companheiros de infância, nos anos cinqüenta, tinha um estranho apelido: De Bronze. Não cheguei a conhecê-lo, mas de tanto ouvir Leofredo contar suas peripécias, imaginei que De Bronze não poderia ser nenhum santo. Depois de haver aprontado muito no Juazeiro, De Bronze foi trabalhar na construção de Brasília, onde imagino que até hoje esteja radicado. Na época, correu a notícia de que De Bronze havia se transformado num homem, para contentamento geral e alívio de toda a população juazeirense. Dois ou três anos depois da sua ida para Brasília, De Bronze voltou de férias, justamente na época das festas de São Miguel. Na primeira noite do leilão, De Bronze reuniu os amigos, Leofredo entre eles e partiram para uma noitada de diversão na quermesse do padre Onofre. De Bronze trazia os dois bolsos laterais de suas calças completamente cheios. Salientava-se de seu interior algo parecido com dois volumosos maços de cédulas de dinheiro vivo. A toda hora, De Bronze batia sobre os bolsos emitindo um som fofo e dizia: “Hoje nós vamos deitar e rolar. Trabalhei duro em Brasília e vamos gastar, beber e comer como reis. Esta é a minha lei”. De Bronze e os amigos ocuparam umas três mesas que foram ajuntadas no centro da quermesse e começaram a arrematar tudo que era posto em leilão: perfumes, quinquilharias diversas e galinhas fritas. O padre Onofre esfregava as mãos de contentamento e dizia para seus auxiliares: “Atendam bem àquele jovem, ele está muito animado e veio de Brasília com os bolsos cheios de dinheiro!” De Bronze parece que intuíra o estado de espírito do padre e a cada instante voltava a bater sobre os dois pacotes que trazia em seus bolsos laterais, repetindo: “Vamos beber e nos divertir pessoal! Tudo aqui é por minha conta. Vou gastar como um príncipe árabe!” E continuava arrematando tudo que era oferecido no leilão. Depois que eles e os amigos estavam fartos de comida e bebida, passou a oferecer as prendas por ele arrematadas às mesas das autoridades presentes àquela festa. O prefeito, o juiz, a sua primeira professora, juntamente com o marido dela, os vizinhos foram todos contemplados. Não esqueceu nem mesmo do delegado, seu velho conhecido de outras noitadas insones que passara na prisão. A admiração era geral. Todos eram unânimes em afirmar que o jovem voltara realmente muito mudado. Ficara rico em Brasília! Tava aí um novo homem! Exclamavam uns para os outros. Finalmente, tarde da noite, já quase às duas horas da madrugada, todos já haviam se retirado, menos De Bronze e os amigos. Alguns já emborcados sobre as mesas dormiam o sono dos justos embriagados. Outros pensativos, sem ao menos saberem ao certo onde estavam. Finalmente o padre Onofre chegou com a conta e disse: “Meu filho, a festa de hoje foi muito animada, graças a você e a seus amigos. Mas infelizmente chegou ao fim e aqui está a sua continha. Deu três mil e novecentos e cinqüenta cruzeiros, o que para um jovem como você, que voltou endinheirado de Brasília, não representa nada.” De Bronze levantou a cabeça e com os olhos semi-cerrados respondeu: “Padre, pode mandar me prender que eu não tenho um tostão!” E surpreso, o Padre Onofre indagou: “Então o que é isto que você traz nos bolsos?” E o De Bronze prontamente lhe respondeu: “São dois pão doce, para eu comer na cadeia!”

(Condensado do livro: “Histórias que vi, ouvi e contei.”)
Por Carlos Eduardo Esmeraldo
Ajudem o blog do Crato: Telefonem para ( 088 ) – 3523-2272. e adquiram o livro “Histórias que vi, ouvi e contei.”

Direito de Resposta de Brizola no Jornal Nacional – Por João Paulo Fernandes

Apesar do vídeo ser antigo, ” Vale a Pena Ver de Novo”. É uma pena que a imprensa cearense se cale perante essa emissora, é lamentável a falta de escrúpulos do jornalismo brasileiro!


"Saudade" – Por: José Nilton Mariano Saraiva

Trancar o dedo numa porta dói; bater com o queixo no chão dói; torcer o tornozelo dói. Um tapa, um soco, um pontapé, doem. Dói bater a cabeça na quina da mesa, dói morder a língua, dói cólica, cárie e pedra no rim.
Mas o que mais dói é… a dor da saudade.
Saudade de um irmão que mora longe; saudade de uma cachoeira da infância; saudade de um filho que estuda fora; saudade do gosto de uma fruta que não se encontra mais; saudade do pai que morreu, do amigo imaginário que nunca existiu. Saudade de uma cidade; saudade da gente mesmo…que o tempo não perdoa. Doem essas saudades todas !!!
Mas a saudade mais dolorida é a saudade de quem se ama. Saudade da pele, do cheiro, dos beijos; saudade da presença e até da ausência consentida. Você podia ficar na sala e ela no quarto, sem se verem, mas sabiam-se lá; você podia ir para o dentista e ela para a Faculdade, mas sabiam-se onde; você podia ficar o dia sem vê-la, ela o dia sem vê-lo, mas sabiam-se amanhã.
Contudo, quando o amor de um acaba, ou torna-se menor, ao outro sobra uma saudade que ninguém sabe como deter.
Saudade é basicamente não saber; não saber se ele continua sem fazer a barba por causa daquela alergia; não saber se ela foi à consulta com o dermatologista, como prometeu; não saber se ela tem comido bem por causa daquela mania de estar sempre ocupada; se ele tem assistido às aulas de Inglês, se aprendeu a entrar na Internet e a encontrar a página do Diário Oficial. Se ela aprendeu a estacionar entre dois carros; se ele continua preferindo Malzebier; se ela continua sorrindo com aqueles olhinhos apertados; se ele continua cantando tão bem.
Saudade é não saber mesmo. Não saber o que fazer com os dias que ficaram mais compridos; não saber como encontrar tarefas que lhe cessem o pensamento; não saber como frear as lágrimas diante de uma música; não saber como vencer a dor de um silêncio que nada, nada preenche.
Saudade é não querer saber se ela está com outro, e ao mesmo tempo querer; é não querer saber se ela está feliz, e ao mesmo tempo perguntar a todos os amigos por isso; é não querer saber se ele está mais magro, se ela está mais bela. Saudade é nunca mais querer saber de quem se ama, e ainda assim doer, e muito.
Saudade é isso que senti enquanto estive escrevendo e o que você, provavelmente, está sentindo agora, depois que acabou de ler…

Autor: Miguel Falabella – Postagem: José Nilton Mariano Saraiva

Cai Índice de Mortalidade Infantil no Crato – Unicef esclarece Índices

O município do Crato conseguiu reduzir significativamente nos últimos anos a mortalidade infantil no município, graças a um trabalho integrado da saúde. Dados demonstram essa realidade, relacionada as doenças infecciosas e parasitárias como diarréias, pneumonias, principalmente, em crianças menores de um ano. O relatório da Secretaria de saúde demonstra que no período de 1990 a 2007, houve uma redução de 52% da mortalidade infantil. A taxa de mortalidade infantil nos últimos três anos foi de 16 óbitos em 2006, para cada 1000 nascidos vivos; 13 óbitos em 2007, para cada 1000 nascidos vivos, em 2008, foram 12 óbitos para cada 1000 nascidos vivos, de acordo com dados do Departamento de Epidemiologia da Secretaria de Saúde. O acompanhamento realizado pela Secretaria de Saúde, conforme a secretária Nizete Tavares, demonstra claramente que o município tem avançado sensivelmente nesse indicador, o que garante o alcance dos objetivos de desenvolvimento do milênio em nível nacional e mantêm-se abaixo do preconizado pela Organização Mundial de Saúde (OMS), que são 20 óbitos para cada 1000 nascidos vivos.

Relatório do Unicef esclarece índices

O Unicef, por meio de carta de esclarecimento sobre os índices de mortalidade infantil, ressalta que tendo em vista a divulgação global do relatório da SITUAÇÃO MUNDIAL DA INFÂNCIA 2009, o escritório do Fundo das Nações Unidas Para a Infância (Unicef), no Brasil esclarece que os valores apresentam nessa publicação ainda não contemplam os dados da rede Intergerencial de Informações (Ripsa), já utilizado pelo Unicef no Brasil como instrumento de monitoramento e análise da situação das mulheres e crianças no Brasil.

As diferentes metodologias utilizadas nos modelos estatísticos globais e em cada país para o cálculo de alguns indicadores apresentam resultados diferenciados. Em nível global, a mortalidade de crianças é calculada e ajustada anualmente por um grupo interagencial, constituído pelo Unicef, OMS, Banco Mundial e Divisões de População e de Estatística das Nações Unidades. Estimativas publicadas em edições consecutivas de diferentes relatórios não podem ser comparadas e usadas para a análise da mortalidade infantil ao longo do tempo, uma vez que estão sujeitas a constantes ajustes e revisões que, em muitos casos, alteram a série histórica. O relatório do Unicef demonstra que, no período de 1990 a 2007, houve uma redução de 62% da mortalidade da infância (menores de 5 anos) e de 59% da mortalidade infantil (menores de 1 ano) no Brasil. Os dados brasileiros, conforme a Ripsa, demonstram que a taxa de mortalidade em menores de 5 anos caiu de 50,6/1000 nascidos vivos em 1991 para 23,1/1000 nascidos vivos em 2007, com uma constante tendência de melhora. Em 2006 e 2007, a taxa caiu de 23,6 para 23,1. Já a taxa de mortalidade em menores de um ano caiu de 45,2/1000 nascidos vivos em 1991 para 19,3/1000 nascidos vivos em 2007, apresentando também uma tendência constante de melhora. Entre 2006 e 2007, a taxa caiu de 20,2 para 19,3.

Fonte: Website Oficial da PMC


Centenário do Poeta – Festa para Patativa do Assaré – Por: Antonio Vicelmo

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Antônio Gonçalves da Silva, o Patativa do Assaré, tornou-se famoso com a poesia do sertão (Foto: JOSÉ LEOMAR)

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Filhos e netos de Patativa em frente à casa restaurada onde nasceu o pai ilustre. O imóvel está com o desenho arquitetônico original preservado (Foto: ANTÔNIO VICELMO)

A partir de amanhã, e até o dia 5, o município do Assaré está em festa para marcar os 100 anos de seu filho maior

Assaré. “Seu doutor só me parece/que o senhor não me conhece/nunca soube quem sou eu/nunca viu minha paioça/minha muié minha roça/nem os fios que Deus me deu”. Ao se autodefinir como um pobre matuto roceiro, o poeta Antônio Gonçalves da Silva, o Patativa do Assaré, nunca imaginou que o seu nome fosse ficar gravado nos principais equipamentos de sua cidade natal. Estrada, emissora de rádio, memorial, universidade e escolas têm o nome do poeta que, se fosse vivo, estaria comemorando 100 anos de idade no próximo dia 5. Patativa nasceu a 5 de março de 1909 na Serra de Santana e morreu em 8 de julho de 2002.

Sete anos depois de sua morte, o nome daquele agricultor sofrido, que se tornou órfão de pai e arrimo da família na adolescência, é o maior referencial de Assaré que, se não fosse o poeta, era mais uma “cidadezinha” perdida nos limites do Cariri com a região dos Inhamuns, a mais seca do Estado. Nem mesmo o Barão de Aquiraz, que foi deputado, senador e também vice-presidente do Ceará e construiu sua casa, no Sítio Infincado, município de Assaré, conseguiu projetar o nome da cidade.

Além das fronteiras
O menino Antônio Gonçalves da Silva, que virou “Senhorzinho” para a família e transformou-se em Patativa para o mundo, ultrapassou as fronteiras do Brasil e está sendo estudado na cadeira de Literatura Popular Universal, sob a regência do professor Raymond Cantel, na Universidade de Sorbonne, França, uma das mais antigas do mundo. Patativa do Assaré, segundo Cantel, era unanimidade no papel de poeta mais popular do Brasil.

Para chegar onde chegou, tinha uma receita prosaica: dizia que para ser poeta não era preciso ser professor. “Basta vê no mês de maio/ um poema em cada gaio/ um verso em cada fulô”. O professor Plácido Cidade Nuvens, reitor da Universidade Regional do Cariri (Urca), que escreveu o livro “Patativa do Assaré e o Universo Fascinante do Sertão”, editado pela Fundação Edson Queiroz, vai incluir na segunda edição a tradução dos poemas de Patativa em francês e italiano. O terceiro capítulo tem o título de “A Triste Partida”, que trata do velório e morte do poeta.

A partir de hoje, a cidade de Assaré se “engalana” para refletir sobre a verdadeira dimensão deste homem e de sua obra, a verdadeira grandeza deste agricultor que construiu uma poesia capaz de colocá-lo, em pé de igualdade, ao lado dos maiores nomes da nossa literatura. Uma das homenagens é a restauração da casa onde Patativa nasceu, na Serra de Santana. Foi mantida a mesma estrutura do imóvel anterior. Até mesmo a janela que foi aberta no quarto escuro onde nasceu Patativa foi fechada por determinação dos arquitetos que acompanharam a restauração.

Museu temático
A idéia, segundo o secretário de Cultura de Assaré, Marcos Salmo, é transformar a casa em um museu temático, onde os visitantes possam encontrar, além de móveis antigos restaurados, objetos pessoais do poeta e fotografias da família. O museu irá destacar ainda Patativa como agricultor, abordando este aspecto da vida do poeta, que, mesmo se enveredando pela cultura popular, sempre esteve próximo às atividades do campo, ao cultivo da terra que lhe serviu de inspiração para criação dos versos.

Os móveis foram restaurados pelo poeta Cícero Batista, que foi companheiro de Patativa do Assaré nos desafios de viola. Um dos objetos restaurados foi um santuário com mais de 100 anos. O filho de Patativa, Afonso Gonçalves, que é carpinteiro, fabricou uma das janelas da casa.

Está semana, os filhos de Patativa, Geraldo, Afonso e Inês, que moram na Serra de Santana, acompanharam os últimos detalhes de reconstrução da casa. “Foi um serviço bem feito, eles reconstruíram até o ‘sótom’, onde eram guardados os legumes”, diz o filho mais velho, Geraldo Gonçalves.

A casa de taipa, chão batido, é o retrato fiel da realidade nua e crua vivida pela família Gonçalves. Ali, entre quatro paredes, na solidão da serra, o poeta construiu o seu mundo. Enquanto irrigava a terra árida com o suor de seu rosto, na luta desesperada pela sobrevivência, Patativa cantava as amarguras e alegrias da vida ao som de uma viola.

Família pobre
Os filhos e netos do poeta, que acompanharam de longe a restauração da casa, têm consciência do que o imóvel representa para a família. “Nele estão guardadas todas as emoções de uma família pobre”, diz Inês Alencar, filha mais velha de Patativa, destacando que a casa “é um sacrário de sonhos e ilusões”. É com este sentimento de saudade e gratidão, mas também de uma timidez própria do povo sertanejo, que os familiares de Patativa participam da festa que marca o centenário do pai famoso. Este que nunca deixou de ser o “Senhorzinho”, ou o repentista tocador de viola que varava as madrugadas das noites sertanejas, com versos incomparáveis.

ANIVERSÁRIO
1909 foi o ano de nascimento do poeta popular Patativa do Assaré, que aniversaria os 100 anos no próximo dia 5 de março e vai ganhar ampla programação em municípios do Cariri e em Fortaleza

ANTÔNIO VICELMO
Repórter

Mais informações:
Prefeitura Municipal de Assaré
Rua Pe. Agamenon Matos Coelho, 148, Centro, Cariri
(88) 3535.1163
(88) 3535.1613

HOMENAGEM AO POETA

Programação terá shows e palestras
Assaré. A programação comemorativa ao Centenário de Patativa do Assaré será aberta amanhã, com um recital de poesias na “Rádio Patativa do Assaré”, seguida de uma concentração no Parque de Vaquejada e cortejo de grupos populares. Para noite estão programadas feiras de artesanato, exposições e apresentações de grupos populares. O ponto alto será a entrega dos certificados de Mestres da Cultura, na praça que tem o nome de Patativa. A programação do primeiro dia será encerrada com show das bandas “Forró Menina Morena”, “Solteirões do Forró”, “Banda Real” e “Santana, o Cantador”.

Para a segunda-feira, estão programadas cantorias na feira-livre, oficinas, apresentação de teatro e cinema no distrito de Aratama, exibição de filmes no Parque de Vaquejadas, inauguração de uma brinquedoteca e, à noite, apresentação da Orquestra Eleazar de Carvalho e shows com “Os Nonatos”, “Forró Primeiro Beijo” e “Mastruz com Leite”.

No dia 3, as apresentações de teatro e cinema serão transferidas para o distrito de Amaro. Os filmes serão exibidos no bairro Moeda. No Memorial Patativa do Assaré será realizada uma audiência sobre economia e cultura, promovida pelo Sebrae. A programação prossegue à noite, com apresentação de projetos sociais do município, encontro de sanfoneiros populares e shows com Gildário do Assaré e Adelson Viana, Cícero do Assaré e Orquestra Kariri, bandas “Cheiro de Menina” e “Cacau com Mel”.

No dia 4, as apresentações teatrais serão feitas no distrito de Genezaré, enquanto os filmes serão exibidos no bairro de José Dodó. No Memorial, serão realizadas palestras com Plácido Cidade Nuvens, professor B.C Neto, cineasta Rosemberg Cariri, professor e poeta José Jesus Leite e o agricultor e poeta Geraldo Gonçalves. O mediador é o professor Luizão. À noite, será realizado o Festival de Cantadores e Repentistas, seguido de lançamento de livros e shows com Ítalo e Reno, Dorgival Dantas, Kaninana do Forró e Açaí com Rapadura.

FIQUE POR DENTRO

Comemoração inclui agenda variada
No dia 5, data de aniversário de Patativa do Assaré, a programação será aberta às 6 horas, com alvorada festiva pelas ruas centrais da cidade, queima de fogos e Banda de Música Manoel de Benta. Em seguida, café literário de artistas, professores e a família do poeta. A partir das 9 horas, a programação será na Serra de Santana, com a inauguração da casa restaurada onde ele nasceu, com a presença d o prefeito municipal, Evanderto Almeida, do vice-governador, Francisco Pinheiro, demais autoridades, artistas e comunidade. No fim da tarde, missa de ação de graças na Matriz de Assaré. À noite, inaugurações e shows com Raimundo Fagner, Waldonys, Dominguinhos e Forró Sacode.

RECONHECIMENTO

Senador quer instituir 2009 como o ano do poeta de Assaré
Assaré. Antes da festa pelos 165 anos de nascimento do Padre Cícero Romão Batista, na segunda quinzena de março, Juazeiro do Norte renderá homenagens ao poeta popular Patativa do Assaré. Uma programação conjunta foi elaborada pelas secretarias de Turismo, Cultura e Educação. “Patativa do Assaré Sorbone” é o tema da programação.

Tramita no Senado Federal, em Brasília, projeto de lei de autoria do senador Inácio Arruda, propondo a instituição de 2009 como Ano Nacional Patativa do Assaré. Entre as obras musicais mais conhecidas do poeta, Inácio Arruda registra “A triste partida”, gravada em 1964 por Luiz Gonzaga, que constitui “um verdadeiro tratado sociológico, econômico e psicológico da saga do migrante, com uma conclusão profética e ousada para a época: é triste o nortista/ tão forte e tão bravo/ viver como escravo/ no Norte e no Sul”.

Fonte: Jornal Diário do Nordeste

Palestra sobre 120 anos do milagre da hóstia


Cariri
Juazeiro do Norte. A professora e parapsicóloga, Maria do Carmo Pagan Forti, vai proferir palestra sobre os fatos extraordinários de Juazeiro do Norte. O encontro, segundo o secretário de Turismo e Romaria deste município, José Carlos, se dá em virtude de 1º de março, amanhã, marcar os 120 anos da primeira transformação da hóstia em sangue, na boca da beata Maria de Araújo e também o início das peregrinações a Juazeiro do Norte na devoção ao Padre Cícero.A expectativa é de um bom público por ocasião da palestra que está marcada para as 20 horas do dia 6 de março, no auditório do Memorial Padre Cícero, com a participação de estudantes, professores e pesquisadores. Os professores, José Carlos, Daniel Walker e Maria do Carmo, também estarão presentes ao evento.

Mestrado

Maria do Carmo fez um trabalho relacionado à beata Maria de Araújo, fruto de tese de mestrado, defendida na Universidade de São Paulo (USP). Como resultado da pesquisa, foi publicado o livro “E Ela fez o Milagre”, relatando os fatos extraordinários de Juazeiro e toda a trajetória da mulher preta, pobre, costureira, que sofreu preconceitos da própria Igreja em relação ao que vivenciou por mais de 100 vezes. O sangramento das hóstias na boca da beata Maria de Araújo, gerado a partir da oferta do Padre Cícero, tomou grandes proporções para a própria Igreja Católica. Por longos anos não se falava publicamente no nome da beata, a protagonista de um milagre que tomou proporções em todo o Nordeste do Brasil e passou a atrair levas de romeiros para o município de Juazeiro do Norte, no Cariri.

Fonte: Jornal Diário do Nordeste

28-02-2009
Carnaval no Crato é sucesso e tranqüilidade marca os festejos

A cidade do Crato que até meados da década de oitenta era brindada com um dos melhores carnavais do Ceará, nesses últimos dois anos volta a respirar os ares da verdadeira ‘Folia de Momo’. Durante cinco dias o cratense e os foliões de diversas localidades da região e estados vizinhos, tiveram a oportunidade de desfrutar dos festejos carnavalescos por toda encosta serrana e das noitadas no Centro Cultural do Araripe, (Largo da RFFSA), com o Carnaval: CRATO AMADO, DO POVO, DA ALEGRIA E DA FOLIA. As festividades tiveram início na tarde da sexta-feira (20) com o grande cortejo do DESFILE DAS VIRGENS, em que homens travestidos de mulheres invadiram as ruas do centro da cidade espalhando humor e deboche ao som de frevos, sambas, marchas etc. Acompanhado por dois trios elétricos, o bloco chegou à noite ao Largo da RFFSA, local escolhido para a culminância do desfile esse ano. Com um contingente estimado em 15 mil pessoas, o tradicional Bloco das Virgens, foi recepcionado por outra multidão que agitava o Centro Cultural do Araripe ao som da frenética Banda EMBALO VIP, que deu continuidade à festa do povo. Com uma programação diversificada, que variava entre vesperais para o público infantil, com TIO BIBI & Cia, e para o pessoal da ‘melhor idade’ com frevos e marchinhas, o encontro dos blocos na tarde da terça-feira com SILVIO E MARCOS ELÉTRICO e as noitadas com as bandas EMBALO VIP e STEFANIE PONTES E BANDA, o Carnaval CRATO AMADO, DO POVO, DA ALEGRIA E DA FOLIA, vem legitimar a consagração da maior festa popular do país com um evento tranqüilo, sadio que abrilhantou a cidade por cinco dias. Para o êxito do Carnaval: CRATO AMADO, DO POVO, DA ALEGRIA E DA FOLIA, a Secretaria da Cultura, Esporte e Juventude, como executora do evento, contou com a parceria das Secretarias Municipais de Saúde, Meio Ambiente e Controle Urbano, Ação Social -por meio de parceria com o Conselho dos Direitos da Criança e do Adolescente (CMDCA) e Centro de Referência Especializado em Assistência Social (CREAS) – com órgãos de segurança, a exemplo da Guarda Municipal, Demutran, Polícia Militar e Corpo de Bombeiros. Parabéns à equipe de produção da Secretaria da Cultura Esporte e Juventude. Parabéns ao Prefeito Samuel Araripe e a Secretária Danielle Esmeraldo. PARABÉNS AO POVO DO CRATO!

Nenhum caso de dengue confirmado em 2009

O município do Crato tem conseguido reduzir a cada ano o número de casos de dengue no município, graças a um trabalho integrado entre a sociedade e poder público. O município do Crato tem travado uma grande luta contra a dengue no município. Tanto que os índices registrados junto à Secretaria de Saúde do Município, enviado para o relatório estadual, têm demonstrado essa realidade. Este ano ainda não foram confirmados casos da doença. Segundo dados do setor de Epidemiologia, foram notificados 19 casos e a Secretaria está aguardando o resultados dos exames. Durante a semana passada foi desencadeada uma grande campanha de prevenção e combate ao mosquito, com base nos dados coletados ano passado. Cerca de 65% dos focos do mosquito foram encontrados nas residências em tambores, tinas, potes, caixas d’água e congêneres. Ano passado foram registrados em Crato 119 casos de dengue, sendo um deles de dengue com complicações e o outros de dengue clássica. Em relação ao ano anterior, 2007, a redução foi significativa, já que os dados de casos confirmados pela Secretaria foi de 1.199 casos de dengue clássica e 38 de dengue com complicação, além de 17 de febre hemorrágica do dengue. Nenhum óbito foi registrado em virtude da doença nesses dois anos. Nos últimos oito anos, um dos piores momentos enfrentados pelo município em relação a dengue foi em 2001, com o registro de 2.114 casos de dengue clássica, 1 com complicação, um de febre hemorrágica do dengue e dois óbitos. em 2005, foram seis óbitos registrados. Conforme e Epidemiologia do Município o número de casos de 2007 ocorreu principalmente em virtude da circulação simultânea de três soropositivos virais e um grande contingente populacional susceptível à doença.

Saúde lança plano de contingência e integra entidades na luta contra a dengue

A Prefeitura Municipal do Crato tem desenvolvido importante trabalho relacionado à dengue, no sentido de combater o mosquito, através de um trabalho conjunto e integrado com a sociedade e secretarias. Agentes de Endemias, Agentes Comunitários de Saúde, técnicos, entidades engajadas e a própria sociedade estão sendo mobilizados no sentido de combater o mosquito transmissor da dengue, o Aedes aegypti. A Mobilização Social tem realizado importante trabalho de divulgação, conscientização, e educação junto às comunidades e as escolas. Um plano de contingência foi lançado no início deste ano como forma de chamar a população para o trabalho de combate junto com o poder público. Dentro desse trabalho a Secretaria vem desenvolvendo alguns projetos e planos de combate ao mosquito. O Combate à Dengue não tem Idade, envolve o trabalho voluntário com os idosos nas visitas às residências do município, orientando os moradores. Outro trabalho é o Zero Mosquito, Zero Dengue, além do Festival de Paródias, levando a arte como instrumento de divulgação, Bonecos nas escolas, a adoção do Plano Nacional de Combate ao Dengue (PNCD) e Plano de Contingência, para atuação nos anos de 2008/2009.

Prefeitura lança grande campanha de combate ao Aedes aegypti

Uma grande campanha “O Combate à dengue começa em casa” foi lançada com cortejo pelas ruas, com banda de música, blitze, na ASA e no sinal da quadre Bicentenário, um trabalho de demonstração na praça Siqueira Campo, panfletagem e distribuição de adesivos nos veículos. O trabalho continua com os mutirões nos bairros, envolvendo agentes, técnicos de saúde e a comunidade. Cerca de 300 terrenos baldios foram cadastrados pela Secretaria de Saúde e nesses locais está havendo mutirões de limpeza, no sentido de evitar a proliferação do mosquito. Nesse período de chuvas a divulgação junto aos meios de comunicação e o trabalho dos agentes se intensificam. São ações que o poder público tem realizado, com resultados positivos. Esses índices podem ser minimizados a cada ano, com o apoio e o engajamento da sociedade. Segundo a Secretária de Saúde do Município, se trabalha com uma perspectiva otimista em relação à redução dos índices, mas é importante a população colaborar e se manter alerta, principalmente durante o período de chuvas. O acompanhamento dos trabalhos tem sido de forma efetiva pela Secretária de Saúde, Nizete Tavares, e pelo prefeito Samuel Araripe, que solicita o apoio efetivo da sociedade para juntos, poder público e população, se vencer essa batalha contra o mosquito da dengue. O trabalho da Secretaria envolve uma atividade intensificada, principalmente nas áreas de maior incidência, com distribuição de toucas para potes e cobertas para caixas de água, dentre outros meios de prevenção adotados.

Fonte: Assessoria de Imprensa
Prefeitura Municipal do Crato

Auto Filho, anunciou a verba de R$ 16 milhões para o Fundo Estadual de Cultura de 2009. Pelo menos, 50% desse valor devem ser investidos no Interior‏

Que em 2009 a Cultura seja levada mais a sério, não apenas como um vetor de desenvolvimento socioeconômico (já se sabe que ela é), mas, igualmente, como expressão viva da identidade do nosso povo, seja aqui no Nordeste, seja em qualquer lugar e como possibilidade de intercâmbio com outras culturas. A nossa secretária, Danielle Esmeraldo, está de parabéns pelo trabalho que vem desenvolvendo desde 2008, com a abertura de canais de diálogo entre os vários atores do chamado Sistema de Cultura e com a implementação de atividades diversas no Centro Cultural do Araripe.
Boa leitura!

Tânia Peixoto
“O tempo é o meu lugar, o tempo é minha casa.”
(Vitor Ramil)

CEARÁ – Fundo Estadual de Cultura terá R$ 16 mi
Diário do Nordeste – Ícaro Joathan

Autoridades ligadas à cultura no Estado, durante abertura do encontro em Fortaleza (Foto: HAROLDO SABOIA). Valor foi anunciado a gestores municipais de cultura na abertura de encontro que segue até hoje na Capital

Fortaleza. Gestores municipais de Cultura de todo o Estado estão reunidos, desde ontem pela manhã, no Condomínio Espiritual Uirapuru, em Fortaleza, onde participam da primeira edição do projeto Diálogos da Cultura. No evento, o titular da Secretaria da Cultura do Estado (Secult), Auto Filho, anunciou a verba de R$ 16 milhões para o Fundo Estadual de Cultura de 2009. Pelo menos, 50% desse valor devem ser investidos no Interior. O encontro, organizado pela Secult, prossegue até hoje à tarde. Na programação do segundo dia de atividades, está prevista a eleição da nova diretoria do Conselho dos Dirigentes Municipais da Cultura (Dicultura) para o biênio 2009/2011. Outro produto das discussões, segundo Auto Filho, deverá ser a elaboração de um calendário regional turístico-cultural — ou pelo menos da minuta do mesmo — para o Ceará, congregando eventos promovidos pelos municípios, Estado e União.

A destinação de R$ 16 milhões para o Fundo Estadual de Cultura representa um aumento em relação aos R$ 14 milhões de 2008, conforme Auto Filho. A verba inclui o montante destinado aos editais de apoio aos projetos oriundos da sociedade civil nas mais diversas áreas culturais, como teatro, dança, cinema, música, artes plásticas, entre outras.

Calendário de eventos

A elaboração do calendário, que deve começar a ser implementado parcialmente no segundo semestre deste ano e integralmente a partir de 2010, ajudará o Estado a aplicar os recursos “de forma mais racional”, segundo o secretário. A idéia é evitar choques e superposições de eventos. A realização pela primeira vez do Encontro dos Gestores Municipais de Cultura busca alinhar a política cultural do Estado com a dos municípios cearenses. No primeiro dia, foram apresentados projetos e programas desenvolvidos pela Secult. Hoje, haverá maior espaço para reivindicações dos representantes municipais. Um dos tópicos reforçados por Filho é a necessidade de os municípios constituírem, por completo, o Sistema Municipal de Cultura, estrutura prevista dentro do Sistema Nacional de Cultura. Para isso, as prefeituras devem criar uma secretaria ou fundação municipal de cultura, um conselho municipal de cultura e um fundo municipal de cultura, para captar recursos para o setor. Atualmente, apenas 90 municípios cearenses têm o sistema local implantado. “A cultura é vetor de desenvolvimento socioeconômico. Defendemos que o município também invista, e não só a União e o Estado”, cobra o secretário. A partir de 2010, o Governo Estadual priorizará as transferências voluntárias de recursos para as prefeituras que tiverem o sistema completo implantado.

Na opinião da secretária de Cultura do Crato, Danielle Esmeraldo, a parceria com o Estado ajudará a manter e fortalecer a cultura regional, principalmente por meio do aporte de recursos financeiros, a maior dificuldades para as prefeituras do Interior, segundo ela. “Esse estreitamento é muito importante para que o Estado possa reconhecer o potencial e as dificuldades dos municípios para revitalizar e resgatar nossa cultura”, avalia. Quanto ao sistema municipal, Danielle diz que, além da secretaria, já tem as leis do conselho e do fundo municipal prontas, faltando apenas a implantação efetiva.

Mais informações:
Projeto Diálogos da Cultura
Encontro de Gestores Municipais da Cultura do Ceará
Secretaria da Cultura do Estado
(85) 3101.6791

Fonte: Jornal Diário do Nordeste

Por: Tânia Peixoto

Abidoral Jamacaru em noite de show!

Centro Cultural BNB, hoje, 27 Fev 2009. A maturidade de um artista!

Cantou com alma!
Tocou-nos!

Discursou!
Recebe o carinho de seu público!

Fotos: Pachelly Jamacaru
“Direitos reservados”

Amor Virtual – Por João Marni de Figueiredo

De tanto ouvir sobre tragédias nos noticiários, fruto de encontros ora do acaso, ora de forma premeditada, envolvendo pessoas inocentes e bandidos, refleti que isso sempre ocorreu, sabe-se lá desde quando; hoje certamente em maior escala e riscos.
A tecnologia vem contribuindo, seja pelo telefone celular ou pelo computador, para esses contatos entre pessoas, muitas vezes envolvendo crianças, e também casais virtuais, sem que os personagens troquem olhares ou sintam o perfume do outro, – dirá o ferormônio, deixando de lado a visão de um certo jeito de andar… Ai veio-me a lembrança de tempos não tão distantes, da prática interiorana na busca pela cara-metade reservada nos altares de Deus, dos sonhos de cada um. Os encontros aconteciam também em qualquer lugar mas, muito freqüentemente, nas praças. A Siqueira campos, aos domingos à noite, era o grande palco onde as garotas passeavam num rito austero e delicado, nunca sozinhas, mas em pequenos grupos, de braços, limpas e cheirosas, em seus vestidos bonitos e pouco insinuantes, repetidos com choro e não menos espetaculares. Desfilavam contornando a praça para uma platéia de marmanjos que ficava à margem, aparentemente alheias a eles em seus segredos. Vez ou outra os olhares se cruzavam furtivamente, deixando alguma dúvida que só seria revelada no giro seguinte.
Confirmado pelo olho no olho, o coração dispara e as pernas – pelo menos as minhas, fraquejavam diante da próxima etapa do passeio, quando lá vem a todo-poderosa, e o homem deixa de ser menino, dirigindo-se à pretendida sem medo de uma “rabissaca”, ou de um “corte”, roubando-a de seu grupo e convidando-a a sentar-se em um dos bancos, no centro daquele carrossel de ilusões, de encanto, de paixões e de decepções… Ainda ouço os risos e os incentivos dos amigos que continuavam a tentar a sorte…
Dali, relações afetuosas se formavam e vingavam, como foram as do meu pai e da minha mãe, e de muitos outros que, como eu, são românticos e nostálgicos e só acreditamos, a exemplo de São Tomé, após termos visto,tocando e cheirado! Talvez a única vantagem de agora é que os pais não precisam mais entrar em casa na ponta dos pés a fim de surpreenderem o namoro dos filhos ou dos netos, pois através da telinha do computador não se escutam as juras de amor, mas apenas o barulho discreto do teclado tocado por mãos que não afagam, transmitindo mensagens ditas por bocas mudas que não beijam, olhos que não vêem e corações que apenas batem mas provavelmente não sentem. Seus aposentos trancados têm um cheiro azedo de suor, chulé e mofo, por proibirem o sol de lá entrar e iluminar-lhes as mentes modernas. À noite, semanalmente, sedentos iguais NOSFERATUS, encontram-se em baladas, num ritual de ficar por alguns instantes, revezando-se num pescoço marmóreo e exaurido, e retornam sem paixão, sem afeto e sem norte.
Tantas modas voltam, mas, infelizmente, tenho a impressão que as praças não têm mais pistas apropriadas para o flerte (expressão caduca e estranha), mas para corridas ou caminhadas cronometradas , silenciosas, individualizadas, daqueles que visam melhorar a condição física pelo culto ao corpo, a despeito de haver ali alguém solitário que ainda hoje arrisca um olhar a partir do circulo externo… Ou será que a vida é que está sempre indo e nós é que, de fato, ficamos?
Crato, CE, 10/12/08.
Por João Marni de Figueiredo.

Estarei no Crato na Segunda-Feira… – Dihelson Mendonça

Pode ir armando o coreto e preparando aquele feijão preto…estou voltando…

Olá, amigos do Blog do Crato. Comunico que estarei chegando ao Crato na próxima segunda-feira, após alguns dias aqui em Fortaleza e em Guaramiranga, por ocasião do Festival de Jazz & Blues, que em 10 anos de existência, só faltei um ano, e fui grande incentivdor deste magnífico projeto que visa divulgar e preservar a música de qualidade do Brasil e do mundo. Durante esse tempo de férias, procurei manter o nosso Blog mesmo à distância, com acesso a internet, fazendo a diagramação, ilustrando os artigos com fotos, que tantas pessoas se esquecem ou têm preguiça de fazer. Procurei também deixá-los sempre atualizados com algumas notícias do Crato que chegam até mim via e-mail. Agradeço bastante a todas as pessoas que nesta minha ausência puderam ajudar a manter esse canal de comunicação da população sempre aberto às diversas manifestações e à informação de maneira geral. Na verdade, nem posso considerar esse distanciamento físico como férias, pois não me ausentei nem por um dia de ler, liberar os comentários e até de comentar sobre certos tópicos. Mas será muito bom retornar à nossa cidade, e reativar a Rádio Chapada do Araripe, e retomar os inúmeros projetos já em andamento.

Um grande abraço a todos,

Dihelson Mendonça

Crato terá R$ 25 milhões da verba do Bird para o Ceará

Seminário São José

A informação é do prefeito Samuel Araripe, observando que o dinheiro faz parte dos US$ 46 milhões que o Bird está emprestando ao Ceará. O governo do Estado vai liberar para a Prefeitura do Crato cerca de R$ 25 milhões para serem empregados em várias obras do município. A informação é do prefeito Samuel Araripe, observando que o dinheiro faz parte dos US$ 46 milhões que o Bird está emprestando ao Ceará visando o desenrolar do Projeto de Desenvolvimento Econômico do Cariri Central. O Prefeito explica que dos R$25 milhões parte será dirigida para o projeto Encosta do Seminário que significa a revitalização do morro do mesmo local. Segundo ele, esse projeto significa a construção de quatro mirantes na parte superior do morro, uma avenida e a correção de quatro erosões que nascem de baixo para cima no citado morro. Além disso, a revitalização de toda a vegetação do morro do Seminário, tudo no valor de R$ 10 milhões. O dinheiro também vai ser empregado na construção do Centro de Feiras e Negócios do Cariri que vai ser no Crato, projeto no valor de R$ 8 milhões. O dinheiro também vai ser endereçado na recuperação das praças centrais do município, projeto de R$3,5 milhões.

Ainda dos R$ 25 milhões uma parte vai ser dedicada a construção do Aterro Sanitário Consorciado. O projeto já foi licitado e o benefício vai ser construído em local que ainda vai ser indicado pelo Ibama, podendo ser no Crato ou em um município periférico. O Aterro tem o valor de cerca de R$ 3,5 milhões que é uma parte do todo de R$25 milhões.

O prefeito aproveitou a oportunidade para visitar a Caixa Econômica Federal quando agilizou o Projeto de Saneamento Ambiental do Crato no valor de cerca R$ 7 milhões. Também esteve no Banco do Brasil para agilizar liberação de recursos para aquisição de máquinas pesadas que vão ser usadas na agricultura para ajudar na produção de cereais.

Fonte: Antonio Viana On-Line

Distrações: Por Carlos Eduardo Esmeraldo

Distrações? Quem não as tem? Quem, como eu, não guardou a chave do carro naquele bolsinho da frente da calça e antes de sair à rua, procurou desesperadamente pela chave em todos os cantos possíveis da casa, revirando tudo que antes estava em perfeita ordem? Quem não estacionou o carro e deixou a chave na ignição, trancando por fora todas as portas? Confesso que isso aconteceu comigo e o que é ainda pior, com o carro funcionando. Alguém já telefonou para falar com o chefe e disse que gostaria de falar com um sujeito que tinha o seu próprio nome? Pois eu liguei para o meu chefe em Fortaleza, superintendente da Coelce, e disse que gostaria de falar com o Carlos Eduardo Esmeraldo. A secretária que não reconheceu minha voz disse: “O Carlos Eduardo Esmeraldo trabalha no Juazeiro.” “Ah, é? Pois eu sou o Carlos Eduardo Esmeraldo.” Distraído, pretendia dizer de imediato que era eu quem estava falando e as preocupações do dia-a-dia me traíram. Pior ainda foi quando cheguei a minha casa e não vendo o carro na garagem, perguntei: “O Carlos saiu?” E alguém já indagou à secretária qual o telefone de sua própria casa? Pois eu já fiz tudo isso! Velhice? Vá lá que seja, mas quando essas coisas me aconteceram, eu tinha menos de 45 anos. Mas os jovens também têm suas distrações. Um dos meus filhos procurava desesperadamente pela sua toalha de banho que deixara no varal, quando sua mãe observou que ele estava enrolado na própria toalha, como se ela fosse um saiote. Outro dia, um rapazinho meu parente viajava de carro, quando um dos pneus furou. Ao trocar o pneu que estava todo rasgado, distraído, jogou fora a carcaça do pneu substituído com o aro da roda e tudo. Uma distração que lhe custou no mínimo uns cento e cinqüenta reais. Certa vez, sai ao centro da cidade para visitar as livrarias. Ao retornar, cumprimentei Magali que preparava o almoço e disse a ela que já estava em casa e podia servir o almoço. Enquanto aguardava, deitei-me numa rede para ler um dos livros que havia trazido. Meu filho mais novo chegou do colégio, foi até o quarto, tendo perguntado o que eu estava lendo. Depois voltou à cozinha e sua mãe lhe disse. “Seu pai ainda não chegou para que eu bote o almoço na mesa”. “E quem é aquele homem que está lendo lá no quarto?” Perguntou o meu filho.
Gente importante também tem suas distrações. Lembro-me que nos anos oitenta, o jantar do Rotary Clube do Crato era servido pelas senhoras dos rotarianos. Uma delas, que carregava uma pesada travessa de arroz, sentiu que de repente a travessa perdera o peso, como por encanto. Depois de servir a certo senhor de idade, foi que ela notou que havia descansado a bandeja sobre a cabeça dele.
Mas distraído mesmo é um dentista que conheci em Belém. Certa vez ele convidou um amigo para jantar em sua casa. Assim que o amigo chegou, desejando-lhe comunicar que o jantar estava servido, disse para o visitante: “Abra a boca.” Era assim que ele passava o dia falando aos seus clientes. Hoje, aposentado, este dentista mora aqui em Fortaleza. Logo que surgiram os primeiros telefones celulares, daqueles bichos gigantes da Motorola que eram guardados num suporte preso ao cinto das calças, ele foi um dos primeiros a aderir à novidade. Sua filha lhe telefonou e depois de alguns minutos de conversa, a mão desse amigo tocou no suporte do celular e ao senti-lo vazio, disse para a filha: “Minha filha, vou desligar. Aconteceu um problema muito sério, roubaram meu celular!” “Calma papai, o senhor está telefonando de onde?” Perguntou-lhe a filha. “É do celular!” Constatou assim a distração. Esse amigo dentista tem um filho que casou com uma portuguesa e foi morar em Lisboa. Ele resolveu visitá-lo e comprou passagem num vôo da TAP que saia de Fortaleza. Ao receber a passagem, foi informado que iria num novo Boeing da empresa, adquirido no Canadá e que faria o primeiro vôo. O meu amigo preparou-se com muito esmero para essa viagem. Comprou um terno no Domênico e embarcou todo arrumado. Em dado momento do vôo, sentiu vontade de ir ao banheiro. Ao abrir a porta, viu que havia dentro do toalete um distinto senhor. Pediu-lhe desculpas, logo fechando a porta e aguardando que o ocupante do banheiro saísse. Esperou cerca de uns quinze minutos e foi reclamar à comissária: “Moça, não tem outro banheiro? O sujeito que está ai, faz mais de meia hora e não sai.” A comissária abriu a porta do banheiro e disse: “Não há ninguém aqui!” Foi então que meu amigo notou sua elegante imagem refletida no espelho.
Mas distraída mesmo era uma tia afim, já falecida, viúva de um irmão do meu pai. Certo dia, ela estava na porta da sua casa, quando passaram duas mulheres com fama de sapatão. Toinha, uma pessoa que fazia seus serviços domésticos lhe confidenciou: “Madrinha, o povo diz que aquelas duas ali fazem sabão.” “Ò Toinha, pergunta por quanto elas fazem a barra?”
É isso aí! Ninguém está livre de distrações. Aquele que não foi ainda vítima de uma, que atire a primeira pedra. A nós distraídos, só nos resta cantar em forma de oração o refrão de uma música muito bonita: “O acaso vai me proteger, enquanto eu andar distraído. O acaso vai me proteger, enquanto eu andar…”

Por Carlos Eduardo Esmeraldo

Material didático sobre arte será lançado na URCA

Lançamento do material do projeto “O cariri nas tramas da arte, da imagem e da cultura” dia 07. O projeto “O Cariri: nas tramas da arte, da imagem e da cultura”, vislumbra abrir espaço para a valorização do patrimônio artístico-cultural regional por meio de um material de apoio voltado à instrumentalização dos professores que atuam no ensino de Artes nas escolas públicas da região apresentando através da imagem, a estética do cotidiano e produções de artistas populares guiando a efetivação de práticas de ensino comprometidas com a divulgação e compreensão da tradição local através do saber arte e saber ensinar arte. O Projeto foi aprovado no III Edital Público de Incentivo as Artes no Ceará 2005/2006 proposto pela da Secretaria da Cultura do Estado. Esta publicação, organizada dentro de uma maleta artesanal, compreende, uma dupla intencionalidade: ampliar o espaço para a leitura da imagem na sala de aula e, ao mesmo tempo, considerar a riqueza e as expressões Artísticas do Cariri.
Data 07 março 2009
Horário: 19 horas
Local: Salão da Terra – Campus Pimenta URCA

Por: Alexandre Lucas

Habeas-Pinho – Por; José Nilton Mariano Saraiva

Em 1955, em Campina Grande-PB, um grupo de boêmios fazia serenata numa madrugada fria do mês de junho, quando chegou a Polícia e apreendeu o violão. Decepcionado, o grupo recorreu aos serviços do advogado Ronaldo Cunha Lima, então recentemente saído da Faculdade, e que também apreciava uma boa seresta. Ele peticionou em juízo para que fosse liberado o violão. Aquele pedido ficou conhecido como “Habeas-Pinho” e hoje enfeita as paredes de escritórios de muitos advogados e bares de praia do Nordeste. Abaixo, a famosa petição:

HABEAS-PINHO

Exmo.Sr.Juiz de Direito da 2ª. Vara desta Comarca:

O instrumento do crime que se arrola
Neste processo de contravenção
Não é faca, revolver, nem pistola
É, simplesmente, Doutor, um violão;
Um violão, Doutor, que na verdade
Não matou nem feriu um cidadão
Feriu, sim, a sensibilidade
De quem o ouviu vibrar na solidão;
O violão é sempre uma ternura
Instrumento de amor e de saudade
Ao crime ele nunca se mistura
Inexiste entre eles afinidade;
O violão é próprio dos cantores
Dos menestréis de alma enternecida
Que cantam as mágoas e povoam a vida
Sufocando suas próprias dores;
O violão é música e é canção
É sentimento de vida e alegria
É pureza e néctar que extasia
É adorno espiritual do coração;
Seu viver, como o nosso, é transitório
Porém seu destino se perpetua
Ele nasceu para cantar na rua
E não ser arquivo de Cartório;
Mande soltá-lo, Doutor Juiz, pelo amor da noite
Que se sente vazia em suas horas
Para que volte a sentir o terno açoite
De suas cordas leves e sonoras;
Libere o violão, Doutor Juiz
Em nome da Justiça e do Direito
É crime, por ventura, o infeliz
Cantar as mágoas que lhe enchem o peito ?
Será crime e, afinal, será pecado
Será delito de tão vis horrores
Perambular na rua um desgraçado
Declamando ali as suas dores ?
É o apelo que lhe dirigimos
Na certeza do seu acolhimento
Juntando esta petição aos autos nós pedimos
E pedimos também DEFERIMENTO.

Resposta do Juiz Arthur Moura (também um poeta):

Para que eu não carregue remorsos no coração
Determino que seja entregue ao seu dono
Desde logo, o malfadado violão;
Recebo a petição escrita em verso
E, despachando-o sem autuação
Verbero o ato vil, rude e perverso
Que prende, no Cartório, um violão;
Emudecer a prima e o bordão
Nos confins de um arquivo em sombra imerso
É desumana e vil destruição
De tudo que há de mais belo no Universo;
Que seja Sol, ainda que a desoras
E volte à rua, em vida transviada
Num esbanjar de lágrimas sonoras;
Se grato for, por acaso, ao que lhe fiz
Noite de lua, plena madrugada
Venha tocar à porta do Juiz.

Autores: os poetas citados – Postagem: José Nilton Mariano Saraiva

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Caso Tv diário

Por onde anda o Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Estado do Ceará que até o momento não se pronunciou do golpe da Globo contra a TV Diário ? – Por João Paulo Fernandes
Escondida entre as negociações dos patrões com os jornalistas de impresso. Ainda de ressaca da confraternização de carnaval. No meio da obrigatoriedade do diploma do curso de jornalismo. Entravados na luta de salários. Na briga de quem leva mais lombriga para casa. Um miúdo pra cá, uma escritura pra lá. Segue o jornal e a TV nos esconderijos do real.O mundo caindo ao redor e o silêncio esplêndido na corte azul. Sindjorce que sabe homenagear o repórter, sabe fazer protesto na porta de jornal, mas se esquece de prestar solidariedade no momento de censura, no instante de golpe, no segundo de amargura.Será que até em um sindicato a Globo pode? Tudo estático no site do sindicato, na porta e na cabeça dos associados. Paralisado na angústia de chorar e ser obrigado a esconder as lágrimas. De apanhar e ser forçado a engolir o grito. De morrer e ser impedido de sentir a última dor. Sindjorce suturou a boca e se autocensurou. Para quem se diz ter repúdio aos tempos da ditadura, parece se embebedar da mesma formula da servidão da loucura.
Fonte: Rastreadores de impurezas

Atualizações cadastrais do Bolsa Família a partir de março

O setor do Programa Bolsa Família da Secretaria de Ação Social do Crato informa às famílias beneficiárias, que as atualizações cadastrais, tais como: inclusão de crianças, mudança de endereço, mudança de escola e alteração de renda, só poderão ser realizadas a partir do mês de março, em conseqüência de um problema na base de dados. A secretária Liduína Andrade informou que está sendo aguardado o envio de uma nova base de dados, por parte da Caixa Econômico Federal.

Inscrições abertas para curso de teatro e dança

A Escola Municipal de Cultura e Arte – EMCARTE, abriu, inscrições para o curso de Teatro e Dança. Os cursos são gratuitos e destinados a crianças e jovens de idade de 07 a 18 anos da rede pública de ensino. As inscrições e maiores informações na Secretaria da Cultura Esporte e Juventude do Crato, à Rua Teopisto Abath, s/n, Largo da RFFESA, das 8 horas às 17 horas. Telefone (88) 3523-2365. As vagas são limitadas.

Cai índice de mortalidade infantil no Crato

O município do Crato conseguiu reduzir significativamente nos últimos anos a mortalidade infantil no município, graças a um trabalho integrado da saúde. Dados demonstram essa realidade, relacionada as doenças infecciosas e parasitárias como diarréias, pneumonias, principalmente, em crianças menores de um ano. O relatório da Secretaria de saúde demonstra que no período de 1990 a 2007, houve uma redução de 52% da mortalidade infantil.

A taxa de mortalidade infantil nos últimos três anos foi de 16 óbitos em 2006, para cada 1000 nascidos vivos; 13 óbitos em 2007, para cada 1000 nascidos vivos, em 2008, foram 12 óbitos para cada 1000 nascidos vivos, de acordo com dados do Departamento de Epidemiologia da Secretaria de Saúde.

O acompanhamento realizado pela Secretaria de Saúde, conforme a secretária Nizete Tavares, demonstra claramente que o município tem avançado sensivelmente nesse indicador, o que garante o alcance dos objetivos de desenvolvimento do milênio em nível nacional e mantêm-se abaixo do preconizado pela Organização Mundial de Saúde (OMS), que são 20 óbitos para cada 1000 nascidos vivos.

Relatório do Unicef esclarece índices

O Unicef, por meio de carta de esclarecimento sobre os índices de mortalidade infantil, ressalta que tendo em vista a divulgação global do relatório da SITUAÇÃO MUNDIAL DA INFÂNCIA 2009, o escritório do Fundo das Nações Unidas Para a Infância (Unicef), no Brasil esclarece que os valores apresentam nessa publicação ainda não contemplam os dados da rede Intergerencial de Informações (Ripsa), já utilizado pelo Unicef no Brasil como instrumento de monitoramento e análise da situação das mulheres e crianças no Brasil.

As diferentes metodologias utilizadas nos modelos estatísticos globais e em cada país para o cálculo de alguns indicadores apresentam resultados diferenciados. Em nível global, a mortalidade de crianças é calculada e ajustada anualmente por um grupo interagencial, constituído pelo Unicef, OMS, Banco Mundial e Divisões de População e de Estatística das Nações Unidades. Estimativas publicadas em edições consecutivas de diferentes relatórios não podem ser comparadas e usadas para a análise da mortalidade infantil ao longo do tempo, uma vez que estão sujeitas a constantes ajustes e revisões que, em muitos casos, alteram a série histórica.

O relatório do Unicef demonstra que, no período de 1990 a 2007, houve uma redução de 62% da mortalidade da infância (menores de 5 anos) e de 59% da mortalidade infantil (menores de 1 ano) no Brasil.

Os dados brasileiros, conforme a Ripsa, demonstram que a taxa de mortalidade em menores de 5 anos caiu de 50,6/1000 nascidos vivos em 1991 para 23,1/1000 nascidos vivos em 2007, com uma constante tendência de melhora. Em 2006 e 2007, a taxa caiu de 23,6 para 23,1. Já a taxa de mortalidade em menores de um ano caiu de 45,2/1000 nascidos vivos em 1991 para 19,3/1000 nascidos vivos em 2007, apresentando também uma tendência constante de melhora. Entre 2006 e 2007, a taxa caiu de 20,2 para 19,3.

O monitoramento realizado pelo Unicef no Brasil demonstra claramente que o País tem avançado sensivelmente nesses dois indicadores, o fato que garante o alcance dos Objetivos de Desenvolvimento do Milênio em nível nacional, em relação à mortalidade de menores de 5 anos. O índice geral brasileiro previsto para 2011 será de 14,4 mortes para cada grupo de 1000 crianças menores de um ano de idade. Na próxima edição do relatório sobre a Situação Mundial da Infância, serão utilizados os dados produzidos pela Rede Interagerencial de Informações Para Saúde (Ripsa), composta por 30 entidades técnicas e científicas nacionais, cujas informações são reconhecidas pelo organismo pela sua eficiência, ampla cobertura na coleta de dados e capacidade de agregar variáveis aos indicadores, o que permite um levantamento detalhado e constante.

PREFEITURA MUNICIPAL DO CRATO:
Assessoria de Imprensa

Fotografando o Infotografável… Por: Dihelson Mendonça

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Aonde as palavras não chegam…

Traduzir o intraduzível, documentar algo inatingível à maioria das pessoas; Tentar relatar aquilo que só chega a nós através da percepção do espírito! Fazer uma resenha de um show não como um mero crítico de arte ( que muitas vezes nem entendem daquilo que escrevem como alguém que vivencia ), mas descrever a aura mágica que se apodera de um iluminado quando é tomado pela magia da música em pleno palco. Essa, certamente é uma das mais difíceis tarefas a que alguém possa ser submetido, ou se arvore em realizar.

Pude perceber ao longo de uma existência musical, que os grandes e verdadeiros gênios da música possuem traços comuns. Havendo conhecido alguns pessoalmente como o Brasileiro Hermeto Pascoal e o belga Toots Thielemans, bem como através de vídeos e depoimentos de outros tantos, pude perceber que em todos eles, existe algo de fantástico e eu diria até de sobrenatural, como uma aura que os cerca. A plena facilidade da expressão do espírito através da linguagem daquilo que sempre permanecerá oculto e invisível aos olhos comuns, e inaudível à maioria. Seres tão iluminados que parecem até que são revestidos de uma luz que os guia e os protege. Seres que nos fazem acreditar que do seio desta humanidade, não poderiam ter surgido, mas de outras esferas cósmicas, de outros planetas.

A Luz Azul

Quando Toots Thielemans adentrou ao palco do Teatro José de Alencar ontem, do alto dos seus 87 anos de idade, praticamente carregado por seu contrabaixista e auxiliado pelo pianista, a sala imediatamente foi tomada de aplausos arrebatadores e um espírito de luz azul e PAZ se apoderou de todos que ali se encontravam. O ar da vitória sobre a mortalidade pairou por sobre nossas cabeças, e aplaudiu-se não ao que se via aos olhos, mas ao que não se conseguia explicar. Quando as primeiras notas musicais foram ouvidas, visualizei-as como a uma partitura colorida e perfeita, onde cada nota era escrita de modo a tecer uma melodia somente perceptível ao espírito, e de tal precisão e sentimento que era-me perfeitamente natural, eu diria até óbvia e o único caminho possível, como a água de um riacho que corre pelos veios da terra, já traçados. A melodia vinha de qualquer ponto da escala musical, sem precisar escolher, e brotava totalmente do coração, de todo o mais puro sentimento. Improvisava como alguém que ao longo da vida, nunca perdeu o apetite pela música verdadeira, e o sabor das frutos havia se conservado ao longo da vida, para ser sorvido com a mesma sagacidade. Olhei para o Toots Thielemans e vi a perfeição como já havia visto antes apenas na própria natureza, nas imensas aquarelas das folhagens, do azul celeste e do contorno das montanhas. Ouvi-lo ao vivo, após tantos anos, não foi surprêsa, pois que o ouço desde a juventude, mas serviu para que meu espírito pudesse se libertar dessa casca que chamamos de corpo, e se misturasse aos muitos que pairavam pelo cosmos. Thielemans não falou como um ser humano. Trouxe a linguagem de Deus para os homens de tal forma e êxito que ao longo da apresentação, formamos um imenso cordão energético, como uma oração para o mundo, onde ali vi que há ainda esperanças de um mundo melhor, de paz, de vida e de amor. Não falou com palavras, trouxe uma mensagem de outros mundos. E brilhou praticamente sozinho no palco, com esta aura de energia, pois em volta de si, seus acompanhantes mais próximos ainda estavam a milhões de anos-luz dali, diametralmente opostos, de forma tal que podia-se perfeitamente ouvir que ele estava sozinho brilhando inteiramente revestido de uma aura de azul profundo no palco e pode separar o meramente humano do divino.

E pude perceber através de coisas que só a alma pode compreender, que aquela luz azul ficou impregnada em nós também e saímos mais renovados, como todo aquele que se encontra com um anjo pelo caminho.

Nada do que eu escrever, poderá traduzir aquilo que ouvi, e hoje posso compreender o que Hermeto Pascoal disse certa vez, quando mencionou que não ouvia mais gente desse planeta, mas de outras esferas. Certamente que sim! A grande música possui essa magia, de nos revelar a imortalidade e mostrar que todos os caminhos levam à simplicidade e à natureza, e que acima de tudo, uma grande consciência cósmica ainda rege todos os atos, os fatos, o princípio, o meio e o fim. E a única frase que eu poderia tentar trazudir todo o show de ontem, ainda que pareça ilógico ou irracional é:

“Toots Thielemans é Azul Profundo. Deus nos escutou, e enviou uma mensagem de PAZ através da música!”

Afora isto, qualquer outra descrição parecerá banal e demasiado humano…

Texto e Fotos: Dihelson Mendonça

"Use a IRA em seu favor "- Escreva uma carta de amor ! – Por: Socorro Moreira

Meu bem,

Depois de 25 anos escrevendo memorandos, e em “oitavados”, especializei-me em listas de Supermercados:
- queijo branco
- pão integral, frutas, azeite e uma garrafa de vinho.
Casamento fora do papel, merece carta do amor pensado, escrito, perfumado, e manchado de batom.
(Amassei. Não gostei…)
Vou tentar novamente:

Meu amor,

A noite também chegou por aqui. Já me fez cumprir todos os rituais, antes de dormir… Só falta uma espiada na janela, e fechá-la seguramente, pra que ela não me rapte de ti.
Li alguns textos no blog, deletei e-mails, reencaminhei alguns, abri Windows sucessivos, restaurei artigos que vi na lixeira. Na falta do fogo para queimá-los, salvei-os!
Procurei-te nos sites de músicas, e Diana Krall deu-me teu recado: Fly Me To The Moon. Depois foi o Chico, que pegou pesado, cantando “Vitrines”… E o Vinícius, que também postou um poema: “Conjugação da Ausente”.
Pesquisei sonetos de J.G.de Araújo Jorge… Achei-os melosos demais, e fiz umas trocas… Edu Lôbo com Cacaso, na “Toada”, e com Torquato Neto , no “Pra dizer adeus”.
Chega de ensaios!
Finalizo os prefixos musicais com a música “Amado”, por Wanessa da Mata.
Enfim, agora estamos a sós. Eu e pensamento. Pensamento e papel, em conflito ardente. Sem fundo musical. Silêncio total, para ouvir o coração bater, como os tambores do Salgueiro.
Entro na frequência do teu esquecimento, e te acordo… É hora!
Vem cá… O mar veio para cá. Ele acende os mistérios da serra, quando chega a madrugada. Vamos catá-los um por um, desvendá-los. .. Estou farta de segredos invioláveis.
Lembra do começo, que nunca foi?
Lembra do encontro, que esperou sem chegar?
Lembra dos desvios, arrodeios, e esbarrões, nos atropelos dos sentimentos?
O amor chegou mil anos depois! Quase etéreo , atrevido na pureza, racionando carinho… Mas é tão intenso, e tão lindo , que alimenta , mesmo dormindo!
Fui clara?
Fui anônima, ou indiretamente fácil?
Direto é dizer nesse cantinho de papel, em letras tremulas e pequenas, quase indecifráveis: Adoro você!

Um abraço ,

ZenIRA

P.S. “O amor que nos separa é o amor que nos une”.


Socorro Moreira

Cinzas – Por: Dr. José Flávio Vieira

Despertou com aquele gosto arenoso na boca, como se tivesse ingerido todas as cinzas da quarta-feira ingrata. Os sons metálicos de um frevo distante e agora quase que ininteligível se dissolviam no ar. As ruas se recobriam com os últimos espólios da guerra dos quatro dias. Confetes e serpentinas se misturavam ao lixo comum , agora já sem asas e magia. Até os rapapés febris dos passistas do “Bacalhau do Batata”, o soldado de Pompéia da folia, pareciam já longínquos e perfeitamente obsoletos.O mundo em volta ia pouco a pouco perdendo seu ar de festa e a vida crua, aguda como a ponta do punhal, voltava a preencher o espaço com um insuportável clima de normalidade. Os homens começavam a arrancar suas máscaras fictícias e, paulatinamente, iam cobrindo a face com aquelas outras mais reais e duradouras. Arlequins sem Colombinas, Catirinas viúvas de seus Mateus , Super-Heróis sem espinafre, amolecidos pela Kriptonita cotidiana, perambulam sem destino num planeta estranho e desconhecido. A La Ursas matracam em compasso ternário as suas matracas. Papangus já sem a proteção do anonimato retornam para casa a fim de prestar contas a suas patroas da fuga do presídio doméstico por tantos dias . Caboclos de Lança fazem a viagem de volta à roça agora já sem o luxo cerimonialista da túnica multi-espelhada e da farta cabeleira multicolor. Como se o ritmo da vida se marcasse agora pelo toque cadenciado, em mantra, do seu chocalho. Os Maracatus, respeitosamente, silenciam seu baque virado e retornam, religiosamente, aos terreiros.

Cuspiu no chão aquele gosto de cabo de guarda-chuva e ficou matutando : a vida se resumia exatamente àquilo : à Festa, à Celebração. A chama acesa e em brasa da existência se consubstanciava no anarquismo inocente do Carnaval. Perdidos todos , sem saber de onde viemos e para onde marchamos, passamos a comemorar a esta louca e misteriosa viagem. Travestidos todos dos nossos desejos mais impenetráveis, abraçando desconhecidos, dançando com figuras aparentemente estranhas e beijando línguas que jamais teremos capacidade de saborear outra vez. Tocamos outros corações com a vara de condão do etéreo e do fugaz e imprimimos um volátil ar de eternidade nos nossos sentimentos. A festa nos abre, quase que imediatamente, a perspectiva sombria do fim-de-festa. O pistão que ataca metalicamente o “Vassourinhas” é o mesmo que logo depois entoará o Toque de Silêncio. A vida se vai escoando assim mais entre bemóis que sustenidos. E adiante, por mais efervescente e estupenda que tenha sido a festividade, as máscaras cairão por terra, as serpentinas perderão sua sinuosidade ofídica e a vida terminará por cobrir-se daquela substância que preenche as gargantas e as quartas-feiras : Cinzas !

J. Flávio Vieira

O papel sujo da Folha de São Paulo – Por: Dr. José Flávio Vieira


Urariano Mota – postado no blog Sapoti da Japaranduba

Em 17 de fevereiro, quando publicou o editorial Limites a Chávez, a Folha de São Paulo não imaginou o ciclone imenso que provocaria. É que lá no texto ela escreveu “…Mas, se as chamadas ‘ditabrandas’ – caso do Brasil entre 1964 e 1985 – partiam de uma ruptura institucional e depois preservavam ou instituíam formas controladas de disputa política e acesso à Justiça…”, de passagem, como se nada fosse, substituindo Ditadura por Ditabranda. E fez mais: ao receber, dias depois, mensagens dos professores Fábio Konder Comparato e Maria Victoria de Mesquita Benevides, que protestaram contra o insulto à memória histórica, a Folha de São Paulo assim respondeu:
“…Quanto aos professores Comparato e Benevides, figuras públicas que até hoje não expressaram repúdio a ditaduras de esquerda, como aquela ainda vigente em Cuba, sua ‘indignação’ é obviamente cínica e mentirosa”.
Para quê? Essa qualificação, de indignação cínica e mentirosa, aplicada às palavras de dois intelectuais honrados, provocou o gancho, acordou as forças de todo o mundo culto e democrata do Brasil. Com 2.381 assinaturas, lideradas pelo crítico literário Antonio Cândido (2.381 às 16 horas deste 25.2.2009), corre um abaixo-assinado de protesto, que pode ser acessado em http://www.ipetitions.com/petition/solidariedadeabenevidesecomparat/signatures-1.html
Então começaram a voltar à tona histórias e História, do passado da Folha de São Paulo, que contavam, relatavam o seu mais que apoio, a sua participação nos crimes da ditadura militar. Das histórias, todas com dolorosos depoimentos de humanidade e denúncia, a da jornalista Rose Nogueira mais chama atenção, pelo caráter particular da sua posição no tempo. Rose era funcionária do jornal, repórter da Folha, quando foi presa em 1969. No entanto, ela descobriu 27 anos depois que foi punida
“não apenas pela polícia toda-poderosa, pela justiça militar. Ao buscar nos arquivos da Folha de S. Paulo a minha ficha funcional, descubro que, em 9 de dezembro de 1969, quando estava presa no Deops, incomunicável, ‘abandonei’ meu emprego de repórter do jornal. Escrito a mão, no alto: ABANDONO. E uma observação oficial: Dispensada de acordo com o artigo 482 – letra ‘i’ da CLT abandono de emprego’. Por que essa data, 9 de dezembro? Ela coincide exatamente com esse período mais negro, já que eles me ‘esqueceram´por um mês na cela’. Todos sabiam que eu estava lá. Isso era – e continua sendo – ilegal em relação às leis trabalhistas e a qualquer outra lei, mesmo na ditadura dos decretos secretos. Além do mais, nesse período, se estivesse trabalhando, eu estaria em licença-maternidade” (Do seu artigo “Em corte seco”, no livro “Tiradentes um presídio da ditadura”, coord. Alípio Freire, Izaías Almada e J.A. de Granville-Ponce – Scipione Cultural – 1997).
E lembrou mais a jornalista, no mesmo texto:
“Cacá nasceu em 30 de setembro, no Hospital 9 de julho, em São Paulo. Fórceps. Uma cirurgia por rotura da parede da bexiga e uma sonda me obrigaram a ficar mais de vinte dias internada. Quando a polícia chegou, o bebê tinha 33 dias e estávamos em casa havia mais de uma semana….
O leite que eu tirava do seio ainda insistia em vazar e minha blusa cheirava a azedo. A febre aparecia todo dia. O leite me fazia pensar que, enquanto estivesse ali, brotando, eu estaria ligada ao meu filho. Dias depois veio o diminutivo do dia me buscar para depoimento. Empurrava-me pela escada, enquanto gritava: ‘Vai, miss Brasil! Sobe essa escada logo, sobe!’
Miss Brasil era o nome de uma vaca leiteira que havia sido premiada. E na sala para onde me levou, o ‘inho’ chamava os outros: ‘Olha a miss Brasil, pessoal! Tá cheia de leite! É a vaca terrorista!’ “.
Ela nunca mais pôde ter outro filho, em consequência das torturas. A parte boa dessa história é que Rose Nogueira continua exercendo a profissão de jornalista. Ela conseguiu dar a volta por cima, trabalha hoje em televisão, e continua a ser útil para o seu filho e para outros filhos do mundo. Apesar do jornal-patrão, apesar do título de Miss Brasil em 1969.

(Também no Direto da Redação, http://www.diretodaredacao.com/)

PATATIVA – Poeta do Brasil

Complemento da postagem de Rosemberg Cariry, com subsídios para pesquisa,
sobre Patativa do Assaré.

FILMOGRAFIA DE PATATIVA

Patativa do Assaré – Um poeta Camponês. Super 8. 42 minutos. Direção: Rosemberg Cariry. Fotografia Luiz Carlos Salatiel, Rosemberg Cariry e Jackson Bantim. Produção: José Wilton Dedê e João Teófilo Pierre. Fortaleza – 1999.

Patativa do Assaré – Um Poeta do povo. 16mm e 35mm. 17 minutos. Direção de Jefferson de Albuquerque Jr. e Rosemberg Cariry. Fotografia de Hermano Penna. Fortaleza – 1984.

Patativa do Assaré – Vídeo documentário realizado pelos estudantes de comunicação Social da UFC. Produção TV Educativa. Fortaleza – 1984.

Seca D’Água. Criação coletiva. Video Clip a partir de poema de Patativa. Canção interpretada por grandes nomes da música popular brasileira. Produção Raimundo Fagner. Rio de Janeiro – 1985.

O Vôo da Patativa. Vídeo. Média metragem. Direção de Oswald Barroso. Fotografia de Ronaldo Nunes. Produção TV Ceará. Fortaleza – 1995

Patativa – Documentário e desenho animado. Colorido. 35mm. Direção: Ítalo Maia. Fortaleza – 2001.

Assaré – Sertão da Poesia. Vídeo documentário. Média metragem. TV Cultura. São Paulo – 2000.

Romance da Terra da Água. Documentário. Colorido. 35mm. Direção: Jean Pierre Duret. Produção: Andréa Santana. Paris – 2001.

Antonio Gonçalves da Silva, a trajetória. Vídeo documentário. Média metragem. Direção de Jackson Bantim. Crato – 1997.

Patativa do Assaré – Ave Poesia. Documentário, Longa-metragem. 84 minutos. Direção de Rosemberg Cariry. Fotografia: Jackson Bantim, Hermano Penna, Luiz Carlos Salatiel, Beto Bola e Ronaldo Nunes. Produção de Petrus Cariry. Fortaleza – 2007.

Patativa do Assaré – O Poeta Cidadão. Documentário realizado pela TV Legislativa. Núcleo de documentação; Ângela Gurgel. Produção: Ana Célia, Clara Pinho e Janaina Gouveia. Fortaleza – 2007.

Passarim de Assaré. Vídeo clip. Vídeo digital. Direção Rosemberg Cariry. Fotografia: Kim. Música: Fagner e Fausto Nilo. Cantores: Fausto Nilo, Fagner e Amelinha. Fortaleza – 2009.

A Montanha Mágica. Ficção/documentário. Curta metragem. Colorido. 35mm. Direção Petrus Cariry. Fortaleza – 2009.

DISCOGRAFIA DE PATATIVA DO ASSARÉ

Ø Luiz Gonzaga – Triste Partida – 1964.
Ø Raimundo Fagner – “Manera Fru-Fru”, 1972 (faixa Sina), parceria com Fagner e Ricardo Bezerra.
Ø Patativa do Assaré – Poemas e Canções, 1979.
Ø Raimundo Fagner – “Raimundo Fagner” 1980 (faixa Vaca Estrela e Boi Fubá).
Ø Quinteto Agreste – (Seu dotô me conhece) – Compacto em vinil com a música vencedora do 1 Festival Credimus da Canção, parceria de Patativa do Assaré com Mário Mesquita, 1980.
Ø Massafeira Livre. Patativa do Assaré, disco 1, lado B (faixa “Senhor Doutor”), gravado ao vivo no Theatro José de Alencar, em 1979. lançado pela CBS, 1980.
Ø Patativa do Assaré – “A Terra é Naturá”, produção de Raimundo Fagner. Gravadora CBS, 1981.
Ø Som Brasil – Participação de Patativa do Assaré, gravada ao vivo no Programa Som Brasil, dia 30 de novembro de 1981.
Ø Quinteto Agreste – “Quinteto Agreste” (faixa “Vaca Estrela e Boi Fubá”).
Ø Patativa do Assaré – “Patativa do Assaré”, 1985 (Projeto Cultural do BEC).
Ø Criação coletiva – “Seca D’Água”, 1985, a partir de poema de Patativa, interpetada por grandes nomes da música popular brasileira. Produção de Fagner.
Ø Alcymar Monteiro – “Rosa dos Ventos”, 1987 (faixa “Sofreu”).
Ø Patativa do Assaré – “Canto Nordestino”, Produzido por Rosemberg Cariry, 1989.
Ø Patativa do Assaré – “80 anos de Luz” 1989.
Ø Joãozinho do Exu – “Lembrando você”, 1983 (faixa – “A natureza chora”).
Ø Patativa do Assaré – “85 anos de poesia”, 1994.
Ø José Fábio – “José Fábio”, 1994 (faixas “Vaca Estrela e Boi Fubá”, “Menino de Rua”, “Lamento de um nordestino” e “Estrada da minha vida”).
Ø Mastruz com Leite – “O Boi Zebu e as Formigas” 1995 (faixa título).
Ø Sérgio Reis – “Marcando Estrada”, 1995 (faixa “Vaca Estrela e Boi Fubá”).
Ø Cícero do Assaré – “Meu passarinho meu amor”, 1996 (faixas “Meu passarinho meu amor” e “Lamento de um nordestino”).
Ø Mastruz com Leite – “Em todo canto tem cearense, inclusive neste cd” (faixa “Sem Terra”). Fortaleza.
Ø Fagner – “20 Super Sucessos II” (faixa “Vaca Estrela e Boi Fubá”).
Ø Pena Branca e Xavantinho – “Cio da Terra”, 1996 faixa (“Vaca Estrela e Boi Fubá”).
Ø Gildário – “Sou Nordestino” (faixas “Saudade”, “Tenha pena de quem tem pena”, “Assaré Querido” e “Sou Nordestino”).
Ø Cláudio Nucci e Nós & Voz – “É boi” (faixa “Vaca Estrela e Boi Fubá”).
Ø Alcymar Monteiro – “3º Circuito de Vaquejadas”, 1997 (faixas “Ingém de Ferro” e “Nordestino sim, nordestino não”).
Ø Renato Texeira e Pena Branca e Xavantinho – “Ao Vivo em Tatuí” (faixa “vaca Estrela e Boi Fubá”).
Ø Gildário – “Agora” (faixas “A tristeza”, “Saudação a Juazeiro”, “Morena e Mastruz com Leite”).
Ø Baby Som – “Quente e Arrochado – volume 2” (faixa “Ao rei do baião”).
Ø Alcymar Monteiro – “Eterno Moleque” (faixa “Minha Viola”).
Ø Daúde – “Daúde”( faixa “Vida Sertaneja”).
Ø Abidoral Jamacaru – “O Peixe”, 1997 (faixa título).
Ø Simone Guimarães – “Cirandeiro, 1997 (faixa “Sina”).
Ø Cantorias e Cantadores 2 – Pena Branca e Xavantinho (faixa “Vaca Estrela e Boi Fubá”). Kuarup Discos, s/d.
Ø José Fábio – “José Fábio canta Patativa do Assaré, 1998.
Ø Notícias do Brasil – Myrlla Muniz canta Casinha de Palha. Cariri Discos. Fortaleza/Brasília – 2007.
Ø Caixa do Patativa. Músicas e poemas de Patativa interpetados por Téti, Fernando Néri, Abdoral Jamacaru, Gildário, Cícero de Assaré, Myrlla Muniz, Calé Alencar, Gylmar Chaves, Cainã Cavalcante, Edmar Gonçalves, Palhoça das Artes, Banda de Pífanos dos Irmãos Aniceto, Pingo de Fortaleza, Pachelly Jamacaru, Ricardo Guilherme, Quinteto violado, Geraldo Amâncio, Zé Maria de Fortaleza, Quarteto Musiart. Produção: Calé Alencar e Gylmar Chaves. Realização: Cariri Discos e Equatorial Produções. Fortaleza – 1999.

BIBLIOGRAFIA DE PATATIVA DO ASSARÉ

v O matuto Cearense e o Caboclo do Pará. José Carvalho. Reedição. Edições UFC. Fortaleza – 1973
v Inspiração Nordestina, Rio de Janeiro, Borsoi Editor, 1956.
v Inspiração Nordestina – Cantos do Patativa. Rio de Janeiro, Borsoi Editor, 1967.
v Patativa do Assaré. Novos Poemas Comentados. J. de Figueiredo Filho, Fortaleza, Imprensa Universitária, 1970.
v Cante lá que eu canto cá. Editora Vozes. Petrópolis, 1978.
v O Metapoema em Patativa do Assaré: Uma Introdução ao Pensamento Literário do Poeta. Francisco de Assis Brito. Crato, Faculdade de Filosofia, 1984.
v Ispinho e Fulô. Fortaleza. Editado por Rosemberg Cariry. IOCE, 1988.
v Balceiro. Patativa e outros poetas de Assaré. Organizado por Patativa do Assaré e Geraldo Gonçalves de Alencar. Editado por Rosemberg Cariry. Fortaleza, SECULT/IOCE, 1991.
v Filosofando com Patativa. Jesus Rocha. Fortaleza, Stylus Comunicações, 1991.
v Cordéis do Patativa. Caixa com 13 folhetos. Juazeiro do Norte, Lira Nordestina (edição da Secult com apoio da Prefeitura Municipal de Juazeiro do Norte).
v Aqui tem coisa. Fortaleza, Secult/IOCE, 1994.
v Nordestinos. Coletânea poética do Nordeste brasileiro. Organizada por Pedro Américo de Farias. Lisboa, Editorial Fragmentos, 1994.
v Patativa e o universo fascinante do sertão. Plácido Cidade Nuvens. Fortaleza, Unifor, 1995.
v Letras ao Sol. Antologia da Literatura Cearense. Organizada por Osvald Barroso e Alexandre Barbalho. Fortaleza, Fundação Demócrito Rocha, 1998.
v Patativa do Assaré – Um Clássico. Plácido Cidade Nuvens. A Província Edições. Crato – 2002.
v Patativa do Assaré – Pássaro Liberto. Gilmar de Carvalho. Edição Museu do Ceará, Fortaleza, 2002.
v Patativa Poeta Pássaro do Assaré – Gilmar de Carvalho. Editora Inside Brasil. Fortaleza, 2000
v Patativa do Assaré – Uma voz do Nordeste. Sylvie Debs. Editora Hedra. São Paulo, 2000.
v Patativa – A trajetória de um canto. Luiz Tadeu Feitosa. Editora Escrituras. São Paulo, 2003.
v Patativa do Assaré – Antologia Poética. Org. Gilmar de Carvalho. Edições Demócrito Rocha, Fortaleza, 2001.
v Patativa do Assaré – As razões da emoção. Cláudio Henrique Sales Andrade. Editora UFC, Fortaleza, 2004.
v Balceiro 2 – Org. Patativa do Assaré e Geraldo Gonçalves de Alencar. Edições Secult/Terceira margem, Fortaleza/São Paulo, 2001.
v Patativa do Assaré – Digo e não peço segredo. Org. por Tadeu Feitosa. Editora Escrituras, São Paulo, 2001.
v Melhores poemas de Patativa do Assaré. Seleção e apresentação de Cláudio Portela. Global Editora. Rio de janeiro, 2006.
v O poeta do Povo: vida e obra de Patativa do Assaré. Assis Ângelo. São Paulo, CPC-UMES, 1999.
v Ao pé da mesa, motes e glosas. Patativa do Assaré e Geraldo Gonçalves de Alencar. Terceira Margem./ Secult. São Paulo/Fortaleza, 2001.
v Poésie du Nordeste du Brésil, de Jean-Pierre Rousseau – Coletânea de de poetas eruditos e populares cearenses, traduzidos para o francês. Ilustração de José Leite Mesquita – Edição Cahiers Bleus. Paris – 2002.

Por que Rua Coronel Teófilo Siqueira? – Por Carlos Eduardo Esmeraldo

Aos oito anos de idade, eu passei a residir numa rua de calçamento novo, construído com muito esmero em pedras de paralelepípedos rejuntadas com uma argamassa gorda de cimento e areia, recoberta com uma espessa camada da mesma argamassa. O calçamento, bem trabalhado, dava a todos a impressão de ladrilhos de concreto. A rua resumia-se apenas a um quarteirão no prolongamento da Rua das Laranjeiras, como se chamava antes a Rua José Carvalho. Mas naquele trecho situado a partir de onde hoje se localiza o final da Rua Pedro II ou Beco dos Calangos, a rua em que eu morava recebia o nome de Rua Coronel Teófilo Siqueira. Por que esse nome tão esquisito para uma rua? Eu não sabia quem teria sido esse tal Teófilo Siqueira e acredito que a maioria dos moradores daquela rua também não sabia. O meu pai me disse que Teófilo Siqueira era um farmacêutico antigo do Crato. Somente depois de adulto é que fiquei sabendo que seu Teófilo era um autêntico humorista que viveu no Crato no final do século XIX e metade do século passado. Aos poucos fui tomando conhecimento das muitas anedotas por ele protagonizadas. Segundo Lindemberg de Aquino, seu Teófilo nasceu em Palmares – Pernambuco e passou a residir no Crato aos quatro anos de idade, ai pelos idos de 1873, quando seu pai fora nomeado juiz da nossa cidade. Aqui ele cresceu, estudou e estabeleceu-se como farmacêutico licenciado. A extraordinária memória do professor José Alves de Figueiredo Filho, posta à prova em seu excelente livro “Meu mundo é uma Farmácia” nos deu a conhecer muito da personalidade do seu colega de profissão. Com muito entusiasmo e uma profunda admiração, Figueiredo Filho revela que o Coronel Teófilo foi um homem dedicado ao trabalho e com elevada preocupação com os mais humildes, a quem tratava com muita consideração, sem nada lhes cobrar. Daí ser merecedor da homenagem que os cratenses lhe dedicaram, com o nome em uma rua. Mas seu Teófilo era também um humorista de alta qualidade, contador de anedotas e a quem muitos simulavam alguns casos encenados pela sua inteligência impar. Além de farmacêutico, Teófilo Siqueira era profundo conhecedor do código civil e por isso, exercia também a profissão de advogado provisionado. Certa vez foi advogar num júri na cidade de Quixará, hoje Farias Brito. A viagem naqueles anos era algo imaginável nos dias atuais. Durava um dia inteiro em lombo de cavalo. Em Quixará, Teófilo foi acolhido pelo chefe político local, o Coronel Pimentel que lhe hospedou em sua casa. Na noite da chegada, o jantar servido tinha galinha e uma deliciosa paçoca. Seu Teófilo fartou-se daquela iguaria e passou a elogiar a cozinheira: “Se o presidente da República souber de uma comida dessas, manda buscar a senhora para cozinhar pra ele no Rio de Janeiro”. Com esse elogio, a mesa do visitante nos dias que se seguiram foi a mais caprichada possível, não faltando a deliciosa paçoca. Encerrada a temporada de júri que durou uma semana, o Coronel Teófilo partiu cedinho para o Crato, em seu cavalo. Ao meio-dia estava em Dom Quintino, indo almoçar na casa do chefe político local. Ao bater à porta deste, disse: “Me acuda Coronel Raimundo Chicô, que estou morrendo de fome. Passei uma semana na casa do Coronel Pimentel lá no Quixará, só comendo paçoca. Estou com paçoca saindo até pelos ouvidos.” O dono da casa prontamente mandou matar um capão gordo e depois do almoço, oferceu-lhe rede limpa para o descanso, enquanto o sol declinava um pouco. Continuou sua viagem lá pelas duas e meia da tarde, chegando ao Crato já à noite. Dois ou três dias depois, recebeu a visita de um jovem furioso, armado até os dentes. Era o filho do Coronel Pimentel do Quixará, que veio cobrar satisfação pelo que dissera do tratamento recebido na sua casa, quando de passagem por Dom Quintino. “Como é que o senhor disse umas inverdades dessas? Foi muito bem acolhido na nossa casa e é assim que paga o tratamento que teve?” “Calma rapaz!” Respondeu-lhe seu Teófilo. “Você acha que se eu não tivesse inventado uma mentirinha daquelas, o Raimundo Chicô, miserável como ele é, iria me dar um prato de comida?” Essa extraordinária presença de espírito do seu Teófilo, salvou-o do aperto e o filho do Coronel Pimentel soltou uma sonora gargalhada. Deste dia em diante, os dois ficaram muito amigos.
Segundo o primo Huberto Cabral me assegurou, numa segunda-feira, uma senhora da zona rural levou a filha ao Doutor Teófilo. “Doutor, essa menina está muito indisposta, todo bocado que põe na boca, depressa ela bota pra fora. Queria que o senhor tratasse dela.” Seu Teófilo olhou rapidamente para moça e tascou o diagnóstico: “Minha senhora, sua filha está grávida.” “Num pode ser, seu doutor, ela é moça de famia.” E saiu furiosa, descompondo o nosso farmacêutico. Na segunda-feira seguinte, a aflita mãe voltou ao doutor Teófilo: “Doutor, é verdade, ela confessou o que fez com o namorado, mas disse que foi por riba do lençol. Será que num tem um jeito?” “O único jeito que tem é que a senhora vai ter um neto coado!”

Por Carlos Eduardo Esmeraldo

PINGOS DE CERTEZAS – por José do Vale Pinheiro Feitosa

Tantas certezas amolecem e dão lugar a outras que minha vida fica um tanto quanto sobre o pântano (no sentido não do cheiro, mas do insustentável). É que certezas podem ser forjadas, como um ferreiro forja um estribo. Com o qual subimos até a sela (sem dicionário fiquei entre o “c” e o “s”, este português é muito cheio de passados do latim). Sem contar que certezas podem se compor como um medicamento, uma pílula com fórmulas, cujas substâncias são as leituras iconográficas com as quais nascemos ou adquirimos. Enfim, já dizia alguém numa manhã plena de novidades, não tenha tantas certezas assim. Elas são como os dentes, ficam cariadas, sujeitam-se às doenças da gengiva.

Mas não venha me pegar desprevenido. Sem certezas meu corpo nu não suporta os raios do sol, sofrerá um câncer de pele. Por isso já se aproxime sabendo que tenho um balaio de certezas, verdadeiros cachos, como aqueles de pitomba, com folhagem, talo e o fruto maduro. Enquanto nos sentamos sob este teto de trepadeira das flores vermelha, eu vou chupando minhas certezas, depositando as cascas numa lixeira ao lado e cuspindo os caroços chupados como se fosse uma metralhadora.

Ao final encontrarás meus dentes adoecidos por tanto ácido das frutas e não tarda que sairemos de baladeira em punho à busca de novas certezas. Aí já serão certezas compartilhadas por nós. Podem ser salgadas para uso futuro, podem ser consumidas ainda frescas, mas certamente se estenderão sobre o varal para secar ao sol destes vastos sertões. E virão como certezas curtidas, tão profundamente curtidas que parecerão mitos de uma longa história dos povos.

Sim, mas existem certezas que são ludibrios. Fazem parte como de uma performance grupal, em que os acadêmicos desfolham teses e novidades, rodapés de páginas, longos conflitos de escolas, uma esgrima mental para a conquista da alma. Estas certezas costumam se escrever, como verdades em última análise. Aí se tornam troféus de algum metal pesado que podem ser arremessados contra o adversário no calor de alguma opinião trocada.

Tenho certezas estéticas, éticas, etílicas (se o produto é ruim uma ressaca desaba ao amanhecer), filosóficas, religiosas (ou atéias), certezas como se vê, embaladas em alguma caixa tetra pak, próprias para a conservação de longa vida. Mas podem azedar, podem talhar, é possível um doce de leite caroçudo, que se adoça numa noitada desprovida de novidades.

Portanto que seja, para Socorro Moreira e Claude Bloc, como a tantos em nosso horizonte, as certezas é melhor tê-las, com a certeza que amanhã elas mudam de face, ou de aspecto, ou de significado. Como um broto que vira flor, um caroço que se torna uma árvore ou nós que devemos nos encontrar onde deveremos nos encontrar. Um dia se teu genro ou tua nora, ou teus filhos advogarem um isolamento pretensioso, que o façam por si mesmos, só não contem contigo, pois o território só de cada um é o limite.

Praça de reunião é melhor lá se encontrar. Quem haverá de censurar nossa presença? Sempre contemos com o AMOR DO CENSOR.

José do Vale Pinheiro Feitosa

Professor Alderico de Paula Damasceno.

Hoje cedinho, estive na Rua Cícero Pinheiro 225 no Pimenta. Esta rua homenageia o avô de Maria Gloria, colaboradora dos Blog do Crato e do Sanharol. Fiz uma visita ao meu dileto professor e amigo Alderico de Paula Damasceno. O encontrei alegre, feliz, risonho, e como sempre, muito lúcido. Lembrou e perguntou por todos esses seus alunos que se encontram no Blog do Crato. Não vou nominá-los para não causar ciúmes. Foi muito bom encontrar e conversar um lero com o meu professor. Depois de um bom suco de goiaba me despedi. Estou feliz porque o convenci a acessar o nosso Blog do Crato. De hoje em diante teremos mais um escritor, colaborador e leitor de excepcional qualidade e valor. Sair lamentando não ser um Rui, um Bilac ou um Jose do Patrocínio para fazer essa saudação ao professor Alderico a altura do seu merecimento. Com certeza os amigos do Blog do Crato farão. Como moramos pertinho um do outro as minhas visitas serão constantes.
Postado Por A. Morais

CRATO: Ibama apreende 37 aves silvestres no Cariri – Por: Antonio Vicelmo

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Comércio ilegal aves silvestres ainda são vendidas ilegalmente pelas feiras na região do Cariri. Multa por cada animal apreendido é de R$ 500 (Foto: ANTÔNIO VICELMO)

Aves apreendidas seriam vendidas na feira do Crato. Trabalho do Ibama deve ser intensificado na região

Crato. Uma equipe da Companhia de Polícia Ambiental do Estado do Ceará (CPMA) resgatou 37 aves silvestres procedentes do Estado de Pernambuco que seriam vendidas na feira do Crato. A operação foi realizada no Sítio Belmonte, descida da Serra do Araripe, com o apoio do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), que conduziu as aves para o escritório do Crato.

Os pássaros eram transportados em duas motos dentro de caixas de papelão pelos agricultores Élcio Santos Barbosa e Antônio Girlânio Quintino, que foram presos em flagrante como traficantes. A venda de aves silvestres é considerada ilegal. Além da prisão, cada traficante vai pagar uma multa de R$ 500 por unidade de ave apreendida, totalizando R$ 37 mil.

Espécies
Entre as espécies apreendidas estão 19 galos de campinas, cinco alusões, cinco jesus-meu-deus, dois sabiás, uma graúna, dois caboclinhos, dois sofreus, 13 abre-fechas, seis caretinhas, 18 golas e uma viana. Todos esses animais serão repassados a uma reserva natural autorizada para serem libertados. A venda de animais silvestres é proibida e considerada crime ambiental. Mesmo assim, ainda acontecem feiras clandestinas na região do Cariri para a venda dessas aves.

O chefe do escritório do Ibama no Crato, Francisco Sales, informou que esse comércio ilegal ocorre nas primeiras horas da manhã, antes do sol aparecer. Como é constante a venda de aves silvestres, Sales acrescentou que, a partir deste momento, a fiscalização será intensificada na região, com o objetivo de diminuir ou erradicar esta prática.

São consideradas aves silvestres todas as espécies que possam viver em liberdade na natureza, sem a interferência do homem. Consideram-se também como silvestres aquelas que, apesar de existirem em estado de domesticação, criadas pelo homem em cativeiro, também possuem populações que vivem livremente no ambiente, inclusive aquelas que se adaptaram aos ambientes antrópicos, como cidades, fazendas e lagos artificiais.

As aves nativas são aquelas que vivem normalmente em território nacional podendo, por sua vez, ser subdivididas em dois subgrupos: aves nativas residentes, aquelas que completam todo o seu ciclo de vida e reprodução no território nacional. As aves nativas migratórias são aquelas que passam parte do seu ciclo de vida no Brasil, normalmente durante as estações da primavera e do verão.

Elas completam o seu ciclo reprodutivo geralmente em outros países, migrando todos os anos entre as áreas de reprodução e de inverno, conforme as estações climáticas.

MULTA
37 mil reais é o valor total da multa que será cobrada aos dois traficantes pelas aves apreendidas. Por cada animal eles pagarão R$ 1 mil, conforme a legislação dos crimes ambientais

ANTÔNIO VICELMO
Repórter

Mais informações:
Instituto Brasileiro de Meio Ambiente Recursos Naturais Renováveis (Ibama)
Pç. Joaquim Fernandes Teles, 10
(88) 3521.1529

Fonte: Jornal Diário do Nordeste

Show do gênio da Música Toots Thielemans fecha o festival em Guaramiranga

Nota:
A Arte e a Cultura serão sempre grandes temas do Blog do Crato. E quando se fala em Arte e Cultura, não faço restrições ao universal nem ao regional. Estive na cidade de Guaramiranga-CE, onde na época do carnaval, acontece há 10 anos o Festival de Jazz e Blues de Guaramiranga, promovido pela empresa Via de Comunicação. Na última terça-feira tive o imenso prazer de assistir ao show de um dos maiores ícones do Jazz de todos os tempos: O gaitista belga Toots Thielemans, nome que qualquer conhecedor do gênero, há de louvar como um verdadeiro DEUS da música. Estive no Teatro e inclusive fiz um ensaio fotográfico com o grande “Toots”, que publicarei posteriormente aqui no Blog do Crato. No ensaio aberto ocorrido na parte da tarde, encontramos diversos jornalistas, inclusive o Dalwton Moura, que assim escreveu sobre Toots Thielemans para o jornal “Diário do Nordeste”:

Dihelson Mendonça

Jazz & Blues

Improvisação e elegância

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Com um repertório bastante acessível, Toots Thielemans fez questão de celebrar a música brasileira com familiaridade (Foto: SILVANA TARELHO)

Toots Thielemans fez um show antológico fechando o Festival Jazz & Blues. Hoje ele sobe ao palco do TJA

Não era apenas a consciência de se ter presenciado uma apresentação de um dos maiores nomes da história do jazz que movia os aplausos acalorados, por volta da meia-noite da terça-feira de Carnaval, no Teatro Rachel de Queiroz, em Guaramiranga. Não era somente a noção da importância do belga Jean Baptiste Frederic ´Toots´ Thielemans, para a gaita como instrumento bem além da restritiva classificação de ´miscelânea´, à qual foi confinado pelos norte-americanos, para se tornar um veículo de várias outras possibilidades sonoras. Nem a celebração dos 10 anos do festival que inseriu Guaramiranga no mapa da música brasileira e cresceu a ponto de comemorar seu aniversário trazendo a uma cidade de cinco mil habitantes do interior do Ceará um músico reverenciado internacionalmente.

A música, acima de tudo, é que cativou o público e justificou todo o entusiasmo. Aos 87 anos por completar em abril próximo, Toots Thielemans mostrou-se literalmente em grande forma, esbanjando criatividade e elegância nos improvisos, ansioso para criar em cima de cada tema, arriscando muito, atirando-se com disposição à tarefa de revelar novos caminhos melódicos, mas sempre mostrando uma impressionante consciência, calcada na harmonia. Claro que as boas doses de simpatia, humildade e reverência à música brasileira ajudaram a estabelecer, desde o Ensaio Aberto na tarde de terça-feira, uma intensa empatia com o público. Mas nem por todos esses elementos favoráveis o autor de ´Bluesette´ deixou de justificar a ansiedade em torno de sua apresentação. Um show de um notável harmonicista, mas, principalmente, de um grande músico.

Fazendo a cama harmônica para os solos do veterano gaitista e também mostrando muitas virtudes próprias, músicos como o baterista Bruno Castelucci, brilhando tanto no jazz quanto na bossa, garantiram que Toots se sentisse à vontade para percorrer os temas e neles compor, de momento, outras melodias. A escolha de notas surpreendentes, a desenvoltura nos ´bends´ e fraseados e a disposição constante para improvisar arrancaram aplausos de gaitistas e aficionados, mas também da platéia ´não iniciada´. Com um repertório acessível servindo de base para as interpretações, o show agradou a ambos os públicos.

Aberto em clima bem jazzy, ressaltando a banda afiadíssima, com os músicos bem próximos entre si, o show entra na balada de improvisos, com a elegante gaita de Toots puxando os aplausos do público. Passando por temas como ´The days of wine and roses´ e ´Summertime´ e brincando com quem escolheria para solar na seqüência, o gaitista também sensibiliza o público ao levantar, ele mesmo, para apanhar os óculos que caíram ao chão. Mais um motivo de brincadeira para o músico, que segue batendo no peito, ressaltando a emoção do momento e o amor à música brasileira.

Paixão exemplificada pelo ´Samba de uma nota só´, que ganhou, além de uma bela releitura completa, outras menções ao longo do show. Sempre simpático, Toots pediu para ao público cantar junto. Em ´Wave´, nem precisou; a platéia se encarregou de providenciar o coro, sensibilizando o gaitista que, em entrevista ao longo da tarde, chegou a chorar ao falar de sua arte ´entre o sorriso e a lágrima´ e de sua identificação com a personalidade emotiva dos brasileiros. No palco, a ´grande revolução da Bossa Nova´ também mereceu comentários de Toots, que lembrou as gravações feitas com músicos como Chico Buarque, Djavan, Caetano Veloso e Ivan Lins, de quem interpretou ´Velas´, mais uma vez com notável entrega na improvisação, além de citações de ´Dindi´ e do ´One note samba´.

Hora dos standards americanos, com ´Stella by starlight´ – segundo o gaitista, uma sugestão do baterista Bruno Castelucci. ´Está quente aqui´, comentou Toots, que várias vezes recorreu a um lenço contra o suor na testa. Como antes de lembrar o pianista brasileiro Luizinho Eça, com uma bela versão para ´The dolphin´, e de pontuar meio de passagem seu ´Bluesette´, precedendo uma bela rendição ao clássico maior do belga Jacques Brel: aplausos incontidos para ´Ne me quitte pas´.

Em um momento solo, o clássico escolhido é de Thelonius Monk. ´Round midnight´ mantém a platéia silenciosamente atenta. Ao final, Toots brinca que vai jogar a gaita para o público. ´Que pena que ele não jogou!´, comentou o gaitista brasiliense Pablo Fagundes, que abriu o festival no sábado e continuou com presença constante em todas as atividades do evento – no show do colega belga, era só entusiasmo.

O trio volta ao palco para Thielemans, depois de homenagear a África como a grande matriz do blues e do jazz, emprestar sua gaita a ´What a wonderful world´, celebrando Louis Armstrong. ´Foi dele o primeiro disco que comprei´, destacou. No bis, já na madrugada de quarta-feira de cinzas, ´Garota de Ipanema´ fechou a apresentação, com o público de pé. O Brasil deu o tom.

DALWTON MOURA
Enviado a Guaramiranga

“Muito obrigado, Brasil”

Sem cerimônia e com muita simpatia. Foi assim que Toots Thielemans, principal atração internacional do Festival Jazz & Blues, conquistou o público em Guaramiranga. A produção não dispensou os cuidados compreensíveis diante de um músico de sua idade, mas Thielemans fez questão de se colocar em diálogo com o público. Como no Ensaio Aberto, realizado com atraso na tarde de terça-feira, quando o harmonicista conversou sobre as especificidades de seu instrumento e, principalmente, sobre sua paixão pela música brasileira.

Dando ´canjas´ de músicas como ´O futebol´, de Chico Buarque (infelizmente, não tocada no show), o gaitista estava no palco quando o público foi autorizado a entrar no Teatro Rachel de Queiroz para conferir a passagem de som. Arriscando algumas palavras em português e mostrando muito carisma, Toots evidenciou mais uma vez essa enorme influência. ´Não sou brasileiro, mas toco música brasileira, com meu sotaque de jazz e da Bélgica´, destacou, ressaltando a chance de tocar pela primeira vez no Nordeste. ´É a primeira vez que eu toco não em São Paulo, não no Rio. Vocês sabem o que eu quero dizer´.

Em outros momentos, Toots, que teve no acordeom seu primeiro instrumento, também citou Sivuca como um instrumentista brasileiro cujo trabalho admira. Lembrou a primeira gaita, comprada há 60 anos, na Bélgica. ´Por dois dólares´, acrescentou, falando sobre a escolha da harmônica cromática e beijando a querida gaita. ´Além de tudo, também é uma ótima companhia. Ontem à noite, estava tão cansado que não conseguia dormir, e ela estava no meu quarto, comecei a tocar. Com um trombone, seria impossível´.

Thielemans ainda traçou um paralelo entre a história da música popular no Brasil e nos EUA. ´O jazz é a linguagem que surgiu da vinda dos escravos para a América. Parecido com a música brasileira. Sem a África, não haveria Gilberto Gil, nem Louis Armstrong, nem Billie Holiday´. Citando os discos ´Brasil Project´, fez questão de entregar o porquê de sua paixão pela música brasileira. ´Os compositores brasileiros são fantásticos, dão aos músicos caminhos para procurar e encontrar improvisações interessantes´. E concluiu: ´Muito obrigado, Brasil´.

Mais informações:
Show de Toots Thielemans e banda. Hoje, 21h, no Theatro José de Alencar. Ingressos: R$70,00/ R$35,00 (meia). Sábado, às 14h30, o músico belga volta ao TJA para uma apresentação somente para alunos e professores da rede municipal de ensino (mediante apresentação de documento). Contato: 3262-7230.

Fonte: Jornal Diário do Nordeste

Vexame na Ribalta – Por: Zilberto Cardoso

Vexame na Ribalta

O Talentoso ator conterranêo, José Correia Filho contracenava com a consagrada comedinate Nóca Barros. O primeiro fazendo o papel de Cristo. A segunda, o papel de Madalena. No momento da crucificação, José Correia costumava usar um sungão afim de encobrir a parte do corpo nu. Mas certo dia já na cruz Zé correia havia esquecido o sungão e estava somente com o lençol branco à semelhança do Cristo teria usado na cruz. Foi quando Madalena (Nóca Barros) entra e ajoelha-se aos pés de “jesus” a pedir perdão pelos seus pecados de mundana. Olhou para cima e rapidamente baixou a cabeça, Amarilho Carvalho o ponto manda que Nóca olhe para cima e fale com (Jesus).

-não posso, respondia Madalena. Amarilho a insistir, olha para cima e fala e fala Nóca…não posso, então resolve falar Nóca Barros… “JESUS ESTA NU…”

abraços,

Por: Zilberto Cardoso.
24/02/2009

Carta do leitor – Francisco Ribeiro

Sou pesquisador e descendente da linhagem do Padre João Ribeiro que habitou esta cidade por volta de 1817. Época da Revolução de 1817. Parabéns pelo excelente blog.

Francisco Ribeiro

Chegou quarta-feira!!

a luz apaga porque já raiou o dia
e a fantasia vai voltar pro barracão
outra ilusão desaparece quarta-feira
queira ou não queira terminou o carnaval
mas não faz mal, não é o fim da batucada
e a madrugada vem trazer meu novo amor
bate o tambor, chora a cuíca e o pandeiro
come o couro no terreiro
porque o choro começou

a gente ri
a gente chora
e joga fora o que passou
a gente ri
a gente chora
e comemora o novo amor.

Maria Rita.

Rede Globo aproveita as luzes dos bastidores do Carnaval para tirar do ar a TV Diário – Por: João Paulo Fernandes

O acontecimento mais triste deste Carnaval 2009: a TV Diário via satélite sairá do ar na quarta-feira de cinzas.
Para todos os nordestinos e não nordestinos que residem fora da região, e que apreciam a programação da TV Diário, definitivamente, hoje poderá ser o último dia de transmissão da emissora genuinamente cearense atingir a sua potência máxima em milhares de lares brasileiros.
A crise do IBOPE que leva os diretores da TV Globo ao desespero e baixaria. Mais um golpe estúpido, sujo e baixo da Rede Globo de televisão, em aniquilar, destruir os seus potenciais concorrentes através de fortes pressões, ameaças e imposições mesquinhas, como se ainda estivéssemos na época das origens sinistras da Rede Globo – a Ditadura Militar.
A TV Diário é uma emissora de televisão aberta surgida no Ceará que com ousadia e disposição vem exibindo uma programação produzida a distancias do eixo-emissor da comunicação brasileira. De certa forma é um dos únicos focos de resistência na comunicação televisiva do Brasil, diante a agressividade das redes formadas a partir do sudeste.

Chega a ser um exemplo de competência (mesmo com a qualidade de sua programação questionada, porque “reproduz”, com o sotaque e o jeito cearense de fazer, muita anormalidade assistida nas emissoras sulistas ditas “donas do Brasil”). Ligada ao Sistema Verdes Mares de Comunicação, forte grupo econômico cearense, que também administra a afiliada da TV Globo em Fortaleza. Este mesmo grupo está prestes a colocar uma nova afiliada da Rede Globo, desta vez no Juazeiro do Norte (interior cearense).
O dilema mais que problemático está ai, na mesma casa que acolhe duas emissoras afiliadas da Globo, tem levado em diante o projeto polemizado e ameaçador que é a TV Diário. A emissora cearense cresceu muito em proporções de audiência em todo o Brasil, e agora ameaça determinados nichos de mercado da poderosa emissora sulista (que não pretende ceder espaço aos concorrentes, já que a Rede Record vem aos poucos deixando a Globo para trás, imagina se surge mais uma poderosa em pleno Nordeste?).

Não há clausula no contrato da TV Globo com as afiliadas que citem este item de que é proibido o mesmo grupo possuir outra emissora via satélite para todo o Brasil, entretanto, como a ameaça de perda de pública da Globo agora é uma realidade, esta emissora sulista de TV está pressionado os membros da TV Diário (os seus diretores e todo o seu cast de apresentadores) no sentido de que a TV Diário deixe de ser exibida em rede nacional (via satélite).

O objetivo da Rede Globo é “cortar o mal pela raiz”, é proporcionar um desmonte em tudo o que a TV Diário já conquistou, em poucos anos de vida. A TV do Nordeste corre o risco de ser transmitida apenas em caráter local e alguns pontos do interior do Ceará. Tudo por conta do medo da Globo de perder espaço, audiência, e assim, perder parte dos seus lucros, com a baixa no preço dos anúncios nos blocos de comerciais e patrocinadores.

Os donos do Sistema Verdes Mares e o enigma da censura: seria mais viável financeiramente se aventurar no risco da conquista através da TV Diário em rede nacional, e desta forma perder de vez as duas fortes emissoras afiliadas da Rede Globo no Ceará? Ou ficar engolindo sapo dos inescrupulosos sulistas e fazer a coisa da forma que eles querem, agüentando as chicotadas calados, e ficar com a margem de lucro pequena na TV Diário, mas se manter com a certa arrecadação constante das duas emissoras globais no Ceará?
Diante o caos da escravidão do poder financeiro foi que ontem (20/02) aconteceu uma reunião turbulenta na cúpula da TV Diário (a mesma sede da afiliada da Rede Globo cearense) para comentar este drama de esmagamento geral da Globo sobre a TV do Nordeste entre os seus apresentadores. Infelizmente os diretores das duas emissoras cearenses não se deram de conta nem de separar o ambiente de trabalho da Globo local e da TV Diário (um erro).

A desgraça é que a Rede Globo na frente das suas câmaras é contraria as intolerâncias, e por detrás dos focos prega agressivamente a sua própria intolerância, numa hipocrisia jamais vistas em reconhecer os seus potenciais concorrentes. Está mais do que na hora de uma instituição pública de regulamentação do setor dos meios de comunicações tradicionais começar a intervir na pressão sofrida pela TV Diário ao massacre Global (se é que também já não foi comprada pela moeda do defunto Marinho).

Caso a TV Diário ceda as pressões, coitado do Edson Queiroz (fundador do Sistema Verdes Mares de Comunicação) que deverá estar se roendo por inteiro (esteja onde estiver) na dor de ver o seu projeto de conquista ser encolhido por forças ocultas globais sulistas. Ache bom ou ache ruim, a TV Diário vai abrir mesmo as pernas?, é isto!

Fonte: http://rastreadoresdeimpurezas.blogspot.com/

Os "Soldados do General" – Por: José Nilton Mariano Saraiva

Tempos atrás, durante uma das gestões do senhor Tasso Jereissati como Governador do Ceará, para atender a interesses partidários (do PSDB), foi rebocado, lá do belo, frio e longínquo Rio Grande do Sul, para comandar a Secretaria de Segurança do Estado, um certo General, à época recém-aposentado do Exército (FCV são suas iniciais, não necessariamente na ordem).
Alto (1,90m), atlético, educado, olhos azuis, falante e risonho, o distinto General logo caiu nas graças de pelo menos dois questionáveis segmentos sociais: de um lado, a mulherada “independente” (desquitadas, balzaquianas, divorciadas, viúvas e mal-amadas) que, tal qual o nosso eterno rei Roberto Carlos, vivem incansavelmente ávidas à procura de novas e fortes “emoções”; na outra ponta, um certo “contingente” da imprensa tupiniquim, a turma da fofocagem, da babação, do puxa-saquismo, responsável pelas colunas sociais dos jornais.
É que, convidado quase que diariamente para festas e mais festas da alta sociedade, o General não só se fazia presente como – e principalmente – se fazia destacar pela disposição irrefreada de rodopiar com desenvoltura pelos salões (com a distinta esposa, evidentemente), fosse qual fosse o ritmo tocado; aos primeiros acordes de um som qualquer, o distinto casal era o primeiro a adentrar a arena de dança e o último a sair; dizia-se, à boca pequena, que era um autêntico “pé de valsa”, já que, além de gostar realmente de bailar, parecia flutuar, com leveza, acima dos mortais comuns. Um autêntico “expert” na arte da dança, tal qual no piano o é o Dihelson.
Dia seguinte, no caderno do jornal destinado às fofocas, os colunistas sociais eram pródigos, fartos e magnânimos com o General, ao realçarem sua forma física, sua desenvoltura, seu pique e sua simpatia nos salões, ao mesmo tempo em que teciam loas à tranqüilidade do evento, porquanto a segurança teria sido feita (intrigantemente), pelos “…soldados do general”.
Enquanto isso, a manchete da primeira página do mesmo jornal, do mesmo dia, nos informava de mais um assalto que houvera sido praticado na cidade na noite anterior, de mais um crime que houvera sido perpetrado na madrugada, de mais um acidente com vítimas, sem que o policiamento tivesse conseguido chegar a tempo de obstá-los.
E o nosso nobre General, livre, leve e risonho a, incansavelmente, rodopiar, rodopiar e rodopiar interminavelmente pelos salões da vida; e a segurança dos salões sempre, sempre e sempre entregue aos “…soldados do General”.
Perplexos e inconformados, redigimos um texto apropriadamente intitulado “Os Soldados do General”, onde questionávamos se era correto, se constitucionalmente seria permitido que referidos militares se prestassem a “pastorar” festinhas particulares (a troco mesmo de quê ?), enquanto a cidade literalmente entregue estava a marginais que, acintosamente, pintavam e bordavam, faziam e desfaziam, casavam e descasavam impunemente. O momento era tão crítico, no que se relacionava à (in)segurança reinante, e a argumentação usada era de uma consistência tal, que a nossa carta foi aprovada e publicada, ípsis litteris, na seção destinada à manifestação dos leitores.
À noite do mesmo dia, aí pelas 23:00 horas, quando já nos havíamos recolhido, eis que o telefone toca insistentemente; uma, duas, até que na terceira tentativa o atendemos ainda um tanto quanto sonolentos e, do outro lado, uma voz autoritária, soturna e metálica perguntou se o José Nilton estava; ao indagarmos quem queria falar com ele, a desagradável surpresa: aqui é o Major “Fulano”, Chefe de Gabinete do General “Beltrano” (do próprio).
Após a confirmação de sermos quem ele procurava, o pedido inusitado (ou seria uma ameaça, não tão velada assim ?): o General “Beltrano” manda lhe avisar que leu sua carta, publicada hoje no jornal; ele pede, no entanto, que o senhor procure ver o que vem sendo feito na área de segurança, que procure entender que se trata de uma área muito problemática, muito difícil, muito delicada; que, enfim, tenha mais paciência e procure divulgar coisas boas, favoráveis, a respeito.
Agradecemos, sensibilizados, a “deferência” da insistente ligação àquela hora, e aproveitamos para pedir ao distinto Major para avisar ao nobre General que não se preocupasse, que quando houvesse necessidade, quando se fizesse preciso, quando ele merecesse, assim como havíamos tecido críticas, também estaríamos aptos a fazer elogios. Votos de boa noite, lado a lado.
Meses depois (interstício durante o qual ainda conseguimos fazer publicar duas cartas com teor similares à primeira), ironicamente o “pé-de-valsa” dançou solenemente, ao ser recambiado às pressas para o Rio Grande do Sul, antes da data prevista; para manter as aparências (lembremo-nos que o homem era General do Exército) e não pintar sujeira no pedaço (na verdade, para esconder a inoperância ou inaptidão do dito-cujo para o cargo), convencionou-se, parte a parte, alegar que o General estaria a deixar a pasta e partir de volta, por “…motivos particulares, de força maior”.
Particularmente, ao tempo em que lamentamos profundamente, fomos tomados de uma grande frustração, constrangimento e decepção por não termos tido a oportunidade de cobrir o General de elogios, de mimos, de lantejoulas, de agrados, como ele, através do Major, expressara tal desejo.
Mas, a partir de então, uma dúvida atroz teima em nos azucrinar, diuturnamente: foi-se o “pé de valsa”, é certo, mas será que os “…soldados do general”, que ficaram, continuam a se prestar ao pastoreio de eventos particulares ???
Será ???

Autoria e postagem: José Nilton Mariano Saraiva

Triângulo Natural – Por : Socorro Moreira


O mar banhou-me com seu olhar
Nuances de azul e verde
Espumas num delírio contido
Areia batida, salgada de mar.
Sereno tempo
Nublada vida
Ares desobstruídos
Vôos inalcançáveis
Compromissos cancelados,
Antes de um veredicto.
Meus pés pousam em terras desconhecidas,
Mas não se atrevem a trilhar novo caminho
Fixo-me na linha do horizonte
E na terra eu finco a vida.
Pensamento foge da morte
Brinca no mar…
Busca o céu que habitas.
Socorro Moreira

Templário – Por : Socorro Moreira

“Como um templário deslumbrado, a cruz a santificar a cervilheira altiva, levei o meu balção de cavaleiro aos prélios do mistério, e de lá voltei desolado, porque não se colhem estrelas como se fossem rosas.” (Alphonsus de Guimaraens, Obra Completa, pp. 430-431.)

Chegou de um tempo incontemplável

Ficou gelado pra chegar depois

Chegou na hora, em que o vazio aguarda.

Chegou agora, como aurora nova.

Usei meus verbos, minhas reticências…

Todas as aspas, e escondi acrósticos.

Não sei se fica, nem sei o que dita.

Meu coração não leu sua resposta

Mas eu aposto num querer eclético

Se me fez falta, falta eu também cobro.

Nem toda noite, a lua espreita a serra.

Nem todo dia, o sol invade a sorte.

Seja bem vindo nos mistérios claros.

Seja bem vindo nos meus versos soltos.

Nos meus repentes, faltam as suas loas…

Nos seus repentes, faltam os meus açoites.

(Socorro Moreira)

PATATIVA – Poeta do Brasil – Por: Rosemberg Cariry

As culturas populares nordestinas são diversificadas, ricas e complexas, plasmaram-se, ao longo dos séculos, com a contribuição de muitos povos e de muitas etnias. Nesta região, nascedouro da nação brasileira, historicamente, tiveram encontro marcado as principais vertentes das culturas ocidentais que se mesclaram com as culturas ameríndias e as culturas afro-brasileiras. Estas culturas populares, regionais e universais ao mesmo tempo, são inesgotável fonte de renovação para os mais importantes movimentos culturais e artísticos brasileiros contemporâneos. Impossível citar todos os nomes nos diversos campos das artes que beberam nas fontes generosas das culturas populares. Escritores, poetas, músicos, artistas plásticos, dançarinos, cineastas e pensadores de todo o País têm obras fertilizadas com os signos das culturas populares nordestinas. Se estas culturas puderam oferecer elementos para a construção das artes contemporâneas e eruditas, com destaques no País e no exterior, é porque têm a capacidade de também gerar seus próprios artistas, escritores e poetas, inseridos na vida cotidiana e reconhecidos em suas próprias comunidades. Aqui falamos de artistas genuinamente populares, nascidos no seio do povo, vivendo em comunidade com este povo, aplaudidos e amados por esse mesmo povo. Como exemplo maior da excelência estética, da força comunicativa e social da poesia nascida no seio do povo – dentro de uma comunidade tradicional – com repercussão nos grandes centros urbanos, temos Patativa do Assaré, um dos maiores poetas brasileiros de todos os tempos – síntese de todas essas vertentes, profundo elo que une o passado ao presente, projetando-se para o futuro. Patativa do Assaré é guardião de saberes e sensibilidades de todo um povo.

A história de Antônio Gonçalves da Silva, o menino pobre do sertão que viria a se transformar no famoso Patativa do Assaré, embora pareça com as histórias de tantos outros Antônios ou Severinos, é singular: filho do agricultor Pedro Gonçalves da Silva e de Maria Pereira da Silva, Antônio Gonçalves da Silva nasceu no dia 5 de março de 1909, na cidade Assaré, no Cariri cearense. Foi criado em meio a muitas privações e, ainda criança, começou a trabalhar na roça, com o pai e os irmãos. Em 1913, perdeu um olho por causa de uma inflamação, acontecimento que o destinaria para o resto da vida a levar no rosto a marca de “Camões” – tragédia e destinação. Seu pai, que também era poeta, morreu no dia 28 de março de 1917, piorando ainda mais a situação de pobreza da família, que vivia da agricultura de subsistência. A pequena propriedade rural foi dividida entre os filhos José, Antônio, Joaquim, Pedro, Maria e Mercês. Nas profundas noites do sertão, à luz das lamparinas, quando voltava da roça, o pequeno Antônio escutava os versos de cordel soletrados pelo seu irmão mais velho. História de fadas e encantamentos, de bois misteriosos e cavaleiros valentes, nas figuras de Roldão e Ferrabrás, causos de amor sem cura e noticias de um país que acordava para a modernidade. Impulsionado pela vontade de aprender, orientado pela mãe, começou a freqüentar as aulas de um mestre-escola que sabia rudimentos de português e, na ponta do lápis, as quatro operações matemáticas. Foi alfabetizado por meio do livro de Felisberto de Carvalho, que da infância ficou-lhe como fonte inicial de todos os saberes, como um “tesouro da juventude”. O pequeno Antônio ficou menos de seis meses na escola, mas a sua inteligência privilegiada o levou a novas leituras, tornando-se um autodidata e lendo os raros livros que lhe caíam nas mãos.

Uma mudança importante aconteceu na vida do jovem Antônio, quando, por volta de 1925, depois de ouvir uma cantoria, pediu a sua mãe que vendesse uma cabra que possuía e, com o dinheiro, comprasse uma viola, com a qual começa a fazer cantorias na região da Serra de Santana e da Serra do Quincuncá. Nesta época, a Coluna Prestes varava o Brasil e anunciava tempos de justiça e de liberdade, e cego Aderaldo já despontava como um dos mais importantes cantadores do Brasil. Em 1928, seguindo o caminho de muitos nordestinos, o jovem Antônio aventurou-se pela Amazônia, o sonhado “Eldorado” dos retirantes, que abrigou tantas tragédias, em sua dura realidade. O jovem cantador Antônio reside algum tempo no Pará, onde faz cantorias com outros cantadores em colônias e assentamentos de migrantes nordestinos. Em Belém, é batizado pelo escritor José Carvalho de Brito com o sonoro nome de Patativa do Assaré. É comum os cantores nordestinos adotarem nomes de pássaros. A nomeação do local onde nasceu, “do Assaré”, foi-lhe dada para diferenciá-lo de outros cantadores com nome de Patativa. De volta, em Fortaleza, foi recebido na Casa de Juvenal Galeno. Teve o privilégio de conhecer o poeta das “Lendas e Canções Populares”, já bem idoso e próximo da morte. Deste encontro, Patativa guardou uma forte emoção. De regresso ao sertão de Assaré, retoma o seu trabalho na roça e faz cantorias pela região. Lê o Tratado de Versificação, de Guimarães Passos e começa a ler os grandes clássicos da língua portuguesa: Camões, Bocage, Gonçalves Dias, Fagundes Varela, Olavo Bilac, Castro Alves, Casimiro de Abreu, padre Antônio Tomás, Antero de Quental, Guerra Junqueiro, entre outros. Mesmo não fazendo profissão da arte da cantoria, as apresentações ao som da viola rendem-lhe algum dinheiro que ajuda na sua manutenção, notadamente nos anos de seca, como foi o da grande seca de 1932. Neste ano, vendo imensos sofrimentos e tragédias das famílias retirantes, compôs um dos mais belos e pungentes poemas já escritos na língua portuguesa: “A Morte de Nanã”. Na Serra de Santana, casa-se, no dia 6 de janeiro de 1936, com Belarmina Paes Cidrão, a dona Belinha, que morava em um sítio próximo ao de Patativa. Desta união, nasceriam quatorze filhos, dos quais sobreviveram sete, quatro homens e três mulheres: Afonso, Pedro, Geraldo, João Batista, Lúcia, Inês e Miriam. A fome, as doenças e o desamparo em que viviam as famílias camponesas nordestinas se traduziam nos altos índices de mortalidade infantil, da qual a família de Patativa é um exemplo doloroso.

A década de 1930 marcou a história do Brasil com convulsões sociais e grandes mudanças políticas. Foi o período em que a consciência social e política de Patativa ampliou-se no calor dos embates. Já com alguma influência dos movimentos políticos e das idéias sociais mais avançadas que sacudiam o País, começa a compor poemas que denunciam o latifúndio e o sistema de servidão imposto ao camponês, sem deixar de fazer também os seus poemas líricos e brejeiros. Na literatura, o romance regional mostrava as feridas sociais da nação brasileira, com autores como Graciliano Ramos, Raquel de Queiroz, Jorge Amado, José Américo de Almeida e José Lins do Rego, entre outros. A veia satírica de Patativa do Assaré causou-lhe alguns problemas. Em 1943, acusado de desacato à autoridade, por conta de um poema satírico intitulado “Prefeitura sem Prefeito”, é preso, mas solto logo em seguida por intervenção de seus admiradores. Volta a sua lida na roça e a suas composições poéticas cheias de lirismo e de denúncias sociais. Fazendo uso da sua viola, faz cantorias e desafios com os grandes cantadores nordestinos, notadamente com João Alexandre. Por volta de 1953, durante a grande seca, Patativa cria o poema “Triste Partida”, que se tornaria popular, cantado ao som da viola, falando da epopéia dos nordestinos expulsos da terra sertaneja para as plagas do sul (Sudeste). A música “Triste Partida” seria gravada por Luiz Gonzaga, no ano de 1964, e se tornaria um dos grandes sucessos do Rei do Baião e um hino dos nordestinos do êxodo.

Ainda na primeira metade da década de 50, Patativa começou a recitar seus poemas na Rádio Araripe do Crato, no programa de Tereza Siebra Lima, oportunidade em que foi ouvido pelo filólogo José Arraes de Alencar, que se encontrava visitando a família, na cidade do Crato. José Arraes de Alencar, maravilhado com a beleza dos versos do poeta de Assaré, incentivou-o a publicar seu primeiro livro, “Inspiração Nordestina”, pela editora Borsói, do Rio de janeiro, em 1956. Com essa obra pronta no matulão, viola nas costas, Patativa andou por todo o Ceará fazendo suas cantorias e vendendo o seu livro, para pagar a dívida que contraíra com o editor. Foi quando fez contatos com o movimento das “Ligas Camponesas” e compôs poemas sobre a reforma agrária. Usando um pseudônimo, Patativa do Assaré publica poemas em jornais de esquerda que refletem as inquietações políticas do movimento operário-camponês. Suas leituras incluem jornais, revistas e livros de cunho socialista e comunista.

O início da década de 1960 encontrou o Nordeste em plena ebulição política e social, notadamente no Pernambuco e na Paraíba, onde o movimento das “Ligas Camponesas” ganhara grande força entre a população rural. Em 1962, a convite do seu parente, o governador Miguel Arraes, apresenta-se com outros cantadores, em Recife, ocasião em que toma conhecimento dos acontecimentos políticos e faz contatos com lideranças camponesas do Pernambuco e da Paraíba. O golpe militar de 1964 trouxe atribulações para Patativa, que viu várias lideranças do movimento camponês serem presas e foi também ameaçado de prisão. É a época em que Patativa se relaciona com a intelectualidade democrática e esquerdista do Crato, principalmente com Elói Teles de Moraes, que faz um programa de poetas populares, na Rádio Araripe do Crato. Em 1966, Patativa viajou ao Rio de Janeiro, para tratar da reedição do livro “Inspiração Nordestina”, agora acrescido do “Cantos do Patativa”, que sairia no ano seguinte, pela mesma editora Borsói (1967). Ao voltar ao Cariri, percorreu toda a região vendendo seu livro e foi, pouco a pouco, abandonando a cantoria de viola. Abandonando a vida de cantador, dedica-se ao trabalho na roça e firma-se como “poeta popular”. Em 1968, é decretado o Ato Institucional nº. 5, e a repressão aos movimentos culturais, populares e democráticos se fez sentir com mais força, dando início aos chamados “anos de chumbo”. Patativa alargou, durante essa fase, seu círculo de amizade com intelectuais e políticos democráticos que militavam na oposição, no então MDB, na região do Cariri e teve, em 1970, publicado o livro “Patativa do Assaré, novos poemas comentados”, por iniciativa de J. de Figueiredo Filho, então presidente do Instituto Cultural do Cariri. O livro repercute na região e mesmo na capital, onde o folclorista Figueira Sampaio, amigo de Patativa, organizou lançamentos e recitais.

Em 1973, no dia 13 de agosto, Patativa foi atropelado, em Fortaleza, ao atravessar uma avenida. Esse acontecimento lhe causou grandes sofrimentos e o deixou com graves seqüelas, para o resto da vida. Por volta da segunda metade da década de 1970, Patativa do Assaré encontrou-se com jovens do movimento cultural do Crato que faziam o “Grupo de Arte Por Exemplo” e participou de shows, performances e festivais de teatro, música e poesia. Patativa foi o grande mestre desta geração que, no Cariri, fazia arte de vanguarda, amava os Beatles os Rolling Stones, a cultura “underground” e juntava-se à cultura popular em suas contestações. Neste período, a produção poética de Patativa é das mais vivas e reflete crítica mordaz ao autoritarismo da ditadura militar, o que o torna bastante popular nos grupos políticos democráticos, estudantis, operários e camponeses, notadamente no movimento da Igreja Eclesial de Base. Em 1978, por iniciativa do sociólogo Plácido Cidade Nuvens, foi lançado pela Editora Vozes, com grande repercussão nos meios intelectuais brasileiros, o livro “Cante lá que eu canto cá”. Patativa do Assaré deve à publicação deste livro o seu reconhecimento pela intelectualidade dos grandes centros urbanos, notadamente no Rio de Janeiro e São Paulo, e a sua descoberta pela grande imprensa. Reconhecimento maior ainda viria por parte do SBPC – Congresso Brasileiro para Progresso da Ciência – SBPC, que, em 1979, nomeou o seu congresso anual de “Cante lá que eu canto cá”, em homenagem ao poeta. Patativa participou de shows memoráveis e foi aclamado por lideranças intelectuais e populares de todo o País. Atuou no movimento pela anistia e pelo regresso dos presos políticos no exílio. A sua música “Canção do Pinto” tornou-se uma espécie de hino libertário da anistia e da redemocratização do País. Neste mesmo ano, iniciei as filmagens de documentário sobre o poeta. Um outro documentário, já em bitola profissional de 35mm, seria dirigido por Jefferson de Albuquerque Jr e por mim, em 1983, sendo legendado em vários idiomas para exibições em festivais nacionais e internacionais. O filme ganha prêmios na Jornada Internacional de Cinema da Bahia.

No movimento “Massafeira”, em 1979, organizado pelo cantor Ednardo, fiz a curadoria de um show com a participação de dezenas de artistas populares do Cariri. Patativa do Assaré foi a estrela maior deste espetáculo e apresentou-se cantando com Raimundo Fagner e Ednardo. Ainda na “Massafeira”, a CBS gravou ao vivo o disco “Poemas e Canções”, produzido por Fagner, com quem, em 1980, Patativa se apresenta em vários shows por todo o País, tornando-se a música “Vaca Estrela e Boi Fubá” um grande sucesso popular. Em 1981, Fagner produziria um novo disco de Patativa “A Terra é Naturá”. No mesmo ano, Patativa deixou a Serra de Santana e passou a morar em Assaré. Atendendo a inúmeros convites, Patativa apresenta-se em programas da Rede Globo, recebe homenagens oficiais e títulos de cidadão de várias cidades. O sucesso e o reconhecimento popular nacional de Patativa do Assaré, iniciados a partir da segunda metade da década de 1970, consolidam-se no início da década de 1980 e chegam ao seu apogeu em 1984, quando o poeta se faz presente em vários acontecimentos políticos e culturais, participando da campanha pelas “Diretas Já”. Patativa consolidou também nos anos de 1980, a sua amizade com jovens compositores cearenses e com jovens políticos que militavam em partidos de esquerda, entre os quais Inácio Arruda, que militava na Federação de Bairros e Favelas de Fortaleza. Por todo o Nordeste, nos palanques e nos palcos, nas universidades e nas praças públicas, nas latadas dos sertões e nas feiras, recita os seus poemas, ao lado de grandes artistas e políticos que lutam pela redemocratização do País. Uma longa entrevista com Patativa do Assaré, realizada por mim, foi publicada no livro “Cultura Insubmissa” (1982). Neste mesmo livro, foi publicado o artigo “Nosso Poeta do Futuro”, em que Oswald Barroso escreveu: “Discutem-se os impasses da arte e literatura: qualidade versus popularidade, autor versus obra, papel social da arte etc. Patativa é a imagem do necessário caminho. Obra e autor uma mesma unidade (não só porque a mente do poeta é repositório de todo o seu extenso trabalho). O poeta na praça, nas praias, nas mesas de bar, no teatro, na calçada. Em qualquer local e hora, a qualidade de sua poesia. As multidões lhe ouvem horas a fio, nas faculdades ­nas roças, nos alto-falantes do interior e na televisão, no folheto popular e nos discos da CBS. A conversa em poesia. Santos, Copacabana ou Quitaiús.”

A conjuntura política nacional apontava para a democracia e para transformações nas relações tradicionais do poder. No Ceará, esta mudança deu-se com a queda dos chamados “coronéis” e a ascensão, em um arco amplo de alianças, do centro para a esquerda (PMDB, PCdoB, PCB e PDC), do jovem empresário do Centro Industrial do Ceará – CIC, Tasso Ribeiro Jereissati, com a marcante participação de Patativa do Assaré, na campanha, em 1986, por conta da sua amizade com alguns jovens artistas militantes do PCdoB. O Governador Tasso Jereissati (empossado em 1987) manteria com Patativa, durante toda a sua vida, fortes laços de amizade. O reconhecimento oficial do Estado do Ceará chegou na forma de “Medalha da Abolição”, honraria que lhe foi conferida pelos “relevantes serviços prestados ao Estado”(1987). A Dra. Violeta Arraes assumiu a secretaria de Cultura do Estado (julho de 1988) e deu um novo impulso às artes no Ceará. Patativa passou a ser um dos grandes ícones da cultura popular, sendo colocado em alto pedestal. A entrega do diploma “Doutor Honoris Causa”, pela Universidade Regional do Cariri – URCA, em 1989, transformou-se em grande acontecimento cultural e político. Neste período, produzi a edição e prefaciei o livro “Ispinho e Fulô” (1988) e lancei ainda o disco “Patativa – Canto Nordestino” (1989). Os recitais de Patativa se transformam em grandes sucessos de público. A imprensa nacional dedica grandes espaços na divulgação do poeta e da sua obra. Os festejos do seu aniversário, naquele ano de 1989, foram encerrados com apresentação de Patativa do Assaré e Fagner, no memorial da América Latina, em São Paulo. No aniversário de 70 anos, festa organizada pelo “Diretório Estudantil Patativa do Assaré” – curso de letras da UFC e pelo Jornal Nação Cariri, Patativa foi surpreendido pela visita de Luiz Gonzaga, que com ele cantou a “Triste Partida”, em momento de grande beleza e emoção.

A década de 1980 marca o reconhecimento de Patativa do Assaré como grande poeta, como uma expressão literária mais complexa e mesmo erudita. Antes se falava apenas da pureza, da simplicidade, da nordestinida­de e da espontaneidade da poesia de Patativa do Assaré. Havia até os que louvavam Patativa por ser poeta pobre e analfabeto, como se isso fosse mérito e aparentemente o aproximasse do povo. Finalmente, reconhecia-se que Patativa do Assaré usava o “dialeto caboclo” para compor suas poesias quando desejava, que este recurso era uma opção estética e uma postura de vida, iden­tificação real com as classes oprimidas, mas que era capaz de também compor em oitavas camonianas e escrever sonetos alexandrinos de métricas perfeitas, em português erudito. Dono de ritmos e de musicalidade únicos, mestre maior da arte da versificação e com vocabulário que ia do dialeto da língua nordestina aos clássicos da língua portuguesa, Patativa transformou-se na síntese do saber popular versus saber erudito. Da luta pela vida, da observação pro­funda da realidade, da herança popular e dos estudos, surgia o Patativa – poeta dos oprimidos, dos operários, dos sem-terra e uma das maiores expressões das letras brasileiras. Sobre a poesia de Patativa do Assaré, expressou-se muito bem o crí­tico J. Ramos Tinhorão, em artigo publicado no “Jornal do Brasil”, “Ao contrário dos cantadores de improviso ou poetas de cordel, que se dedicam ao romance (histórias contadas em versos), à rememo- ração ou invenção de desafios, ao comen­tário de acontecimentos históricos ou da atualidade ou a de­monstrações de conhecimentos, nos folhetos de ciências, Pa­tativa do Assaré identifica-se mais com os poetas literários, dando preferência à criação livre em redondilhas (onde pelo ritmo lembra às vezes Gonçalves Dias) e em decassílabos, sem menosprezar combinações métricas, com o encadeamento de duas redondilhas maiores numa mesma linha, originando um verso de 14 sílabas. Ou ainda com o uso de um verso em redondilha maior solto, completando o pensamento expresso na linha combinada. (…) A temática preferida do bardo popular (…) são as contradições da vida, a riqueza e a pobreza, a felicidade e o infortúnio, tudo repassado ideologicamente de um sentido de protesto contra a injustiça social (…). Aliás, é ouvindo por sua própria voz a poesia de Patativa do Assaré que se pode sentir a falsidade dos que, como Catulo da Paixão Cearense, no início do século, tentaram o caminho da poesia popular pela imitação fonética da fala regional e pela busca de temas supostamente ingênuos, para ficarem de acordo com a psicologia e a cultura dos caboclos. Patativa fala precebe por percebe não por modismo, mas porque os seus “rr” de ser­tanejo cearense são excessivamente rotativos, (…). Ao con­trário do que Catulo poderia imaginar, porém, Patativa do Aré não é nada bobo, e intuitivamente (sic), por necessi­dade de rima, sabe quando usar, inclusive recursos da poesia clássica como as inversões, a exemplo do verso: “Se eu às ve­zes brincando tava de borboleta pegar.”

A década de 1990 consolidou a fama nacional de Patativa, agora com reconhecimento oficial, e deu início ao seu processo de mitificação. O poeta passou a figurar no panteão popular, onde já estavam entronizados nomes como Padre Cícero, Antônio Conselheiro, Lampião e Cego Aderaldo. Seminários sobre a sua obra foram organizados por universidades de todo o Nordeste. O poeta recebeu títulos de “Doutor Honoris Causa” de destacadas universidades nordestinas e teve seus poemas traduzidos em vários idiomas. Foi iniciada uma profícua produção acadêmica sobre o poeta, destacando-se, na última década do século XX e no início do século XXI, os nomes de Gilmar de Carvalho, Tadeu Feitosa, Francisco de Assis Brito, Maria Silvana Militão, Oswald Barroso, Cláudio Henrique Sales, B. C. Neto, Luiz Tadeu Feitosa e a francesa Sylvie Debs, entre outros. Os seus aniversários viraram motivos de festas e comemorações coletivas, no Assaré, com afluência de artistas, intelectuais, políticos e povo da região. Para escândalo dos “puristas” da cultura popular e dos “folcloristas” mais zelosos, Patativa do Assaré virou enredo de escolas de samba, tema de quadrilhas juninas e participou de novelas da Globo, ao lado de Geraldo Amâncio, a convite do ator e cantor Jackson Antunes. Patativa transformou-se assim em um “personagem” constantemente solicitado pela mídia. Em 1991, por meio da Secult, viabilizei a publicação do livro “Balseiro”, antologia de poetas populares do Assaré, organizada por Patativa e por Geraldo Gonçalves de Alencar. Em 1993, o prof. Gilmar de Carvalho editou “Cordéis do Patativa”, e Dílson Pinheiro produziu o CD “Patativa do Assaré – 85 anos de luz e poesia”. Na I Feira Brasileira do Livro de Fortaleza, foi lançado o livro “Aqui tem coisa” (1994). Oswald Barroso realizou o documentário “O Vôo da Patativa”, fotografado por Ronaldo Nunes, em que documentou o cotidiano do poeta e os últimos dias de vida de Dona Belinha.

No dia 15 de maio de 1994, morreu Dona Belinha, que já se encontrava doente, paralítica, em uma cadeira de rodas. A morte da esposa deixou o poeta Patativa muito abatido e, durante algum tempo, ele se recolheu à sua casa, em Assaré. Nem mesmo o luto profundo impediu o poeta de continuar produzindo seus poemas, ainda belos e de grande lucidez. A humilde casa do bardo, em Assaré, virou local de verdadeiras “romarias”. Todos os dias chegavam automóveis e ônibus, cheios de pessoas vindas de todo o Brasil para visitá-lo, fotografar ao seu lado e ouvir os seus poemas e até mesmo seus conselhos. Patativa gostava de ficar horas recitando para estas platéias maravilhadas e gratificadas com sua generosidade. Em 1995, o prof. Plácido Cidade Nuvens, incansável divulgador da obra de Patativa do Assaré, publicou o livro “Patativa e o Universo Fascinante do Sertão”. O professor e poeta Cândido B. C. Neto propôs homenagens a Patativa na Universidade Estadual do Ceará. O poeta recebe o “Prêmio Ministério da Cultura”, na categoria Cultural Popular, em evento patrocinado pelo Governo do Estado do Ceará e com a presença do então presidente da República Fernando Henrique Cardoso. Novos seminários universitários sobre a obra de Patativa são organizados, são lançados novos CDs com seus poemas, e novos álbuns de xilogravuras com a sua vida (verdade e imaginação). Suas canções são gravadas por importantes nomes da música popular brasileira, e seu nome é dado a rádios comunitárias, centros culturais, escolas, estradas e até mesmo para rotular o lançamento de cachaça, em Juazeiro do Norte. Patativa vira figura pop.

Em 1998, pela primeira vez poemas de Patativa do Assaré são incluídos em uma antologia literária no Ceará, em “Letras ao Sol”, organizada por Oswald Barroso e Alexandre Barbalho. Ainda no ano de 1998, no dia 10 de agosto, em sessão solene da Assembléia Legislativa do Estado de São Paulo, Patativa recebeu o título de “Cidadão Paulistano”. Em 1999, com grande participação popular, a presença do povo, de autoridades e artistas, foi inaugurado, pelo Governador Tasso Jereissati, o memorial Patativa do Assaré, em Assaré, tendo como ponto alto um show de Patativa e Fagner cantando “ Vaca Estrela e Boi Fubá” . No mesmo ano, em São Paulo, o radialista e pesquisador Assis Ângelo lançou o livro “O poeta do Povo: vida e obra de Patativa do Assaré”, pela editora da União Nacional dos Estudantes. .

Por ocasião da IV Bienal do Livro, no ano de 2000, foi organizada uma bela homenagem para Patativa do Assaré. Doente, sem poder viajar para Fortaleza, o poeta foi entrevistado por Dílson Pinheiro, em Assaré (no memorial), ao mesmo tempo em que artistas e autoridades lhe prestavam homenagens, no palco do Centro de Convenções, em Fortaleza. A TV Ceará transmitiu este programa ao vivo, com grande audiência. Gilmar de Carvalho lançou o livro “Patativa poeta pássaro do Assaré”, reunindo entrevistas que fizera com o poeta. A professora Sylvie Debs, da Universidade Robert Schuman, de Estrasburgo, que já tinha publicado vários artigos sobre Patativa do Assaré, na Europa, lançou no Brasil, pela editora Hedra, o livro “Patativa do Assaré – Uma voz do Nordeste”. O acadêmico Tadeu Feitosa publica entrevistas e teses sobre o poeta.

A partir de 2001, agravou-se a frágil saúde de Patativa, que ainda insistia em fumar. O poeta já não viajava e sofria com os constantes internamentos em hospitais da região. Mesmo assim, apesar da doença e do sofrimento, continuou a fazer versos e a divulgá-los em jornais e em televisões que insistiam em entrevistá-lo. No dia 8 de julho de 2002, às 18:30 horas, morre Patativa do Assaré. O médico cratense José Flávio Vieira, que cuidou de Patativa nos seus últimos dias de vida, disse-me que ele encarou a morte com muita tranqüilidade, como merecido repouso. Todo o Nordeste chorou a morte do poeta, e a notícia do seu falecimento foi publicada nos maiores jornais e revistas do País, em reportagens especiais e homenagens. No dia 9, com grande participação popular e a presença de autoridades e artistas vindos de todas as regiões do Nordeste, aconteceu o sepultamento do grande mestre da poesia brasileira. A voz de Fagner puxou o coro da canção “Vaca Estrela e Boi Fubá” entoada pelo povo comovido, no último adeus ao poeta. A morte é a completude. Patativa deixou a terra dos homens e entrou definitivamente no território do mito, o mito mais profundo, aquele que habita a alma de um povo e se abraça com sua eternidade. Desde a sua morte, o nome de Patativa do Assaré não parou de crescer. Suas canções são regravadas, seus livros e CDs são reeditados. O “Festival Internacional de Trovadores e Repentistas” (2004/05) criou “Troféu Patativa do Assaré” para homenagear os grandes nomes da poesia e da cantoria do Brasil e do exterior. Em 2007, no “XVII Cine Ceará – Festival Ibero-Americano de Cinema”, em Fortaleza, aconteceu a estréia nacional do filme de longa-metragem “Patativa do Assaré – Ave Poesia”, por mim dirigido, numa verdadeira consagração popular, registrada pela imprensa como a “a comoção Patativa”.

Realizar o filme “Patativa do Assaré – Ave Poesia” foi desvendar não apenas a biografia de um amigo, de um compadre; não foi apenas estudar a obra de um poeta, mas foi, sobretudo, mergulhar no vasto oceano da cultura coletiva e tatear os caminhos onde a história individual se encontra com o destino histórico de todo um povo. Para elaboração deste trabalho, foram pesquisadas muitas fontes escritas e da tradição oral; muitos registros audiovisuais e iconográficos. Todo este material, rico de informações e de suportes variados, destacou a relevância da obra patativiana, o significado político dos seus atos e a sua imensa contribuição à cultura brasileira.

O tempo cicatriza todas as feridas, mesmo as que atingem as profundezas da alma. Se as academias de letras, provincianas e cegas pelos preconceitos contra um poeta que consideravam “matuto” e “popular”, não puderam oferecer uma “cadeira” para que o velho poeta descansasse o seu corpo alquebrado por tantos anos de lutas e genialidade, o povo nordestino o imortalizou e ofereceu o inabalável abrigo do seu coração. Patativa do Assaré teve em vida o que muitos poetas, mesmos os mais reconhecidos e laureados, gostariam de ter tido: o reconhecimento, o carinho e o amor do seu povo. Sua poesia está em todas as bocas, de jovens e de velhos, no sertão e na cidade, como bandeira de luta e emoção maior, influenciando gerações. Como símbolo concreto, para perpetuar tão grande poeta que já mora no coração do seu povo, proponho às autoridades do Ceará e do Brasil a construção de um Mausoléu. No pontão da Serra de Santana (onde nasceu e viveu Patativa), descortina-se uma bela paisagem do vale onde está situada a cidade de Assaré. A idéia é cortar um dos imensos monólitos ali existentes na forma de um cubo (como a Kaaba, a pedra sagrada dos muçulmanos), para em seguida se revestir este gigantesco cubo de granito preto e, em uma cavidade aberta na pedra, depositar os restos mortais de Patativa e de Dona Belinha. Apenas uma placa de bronze anunciaria o jazigo perpétuo. No entorno, com a paisagem natural de lajedos e a flora da caatinga, seria cultivado um jardim, ao modo de um jardim Zen japonês: vazio e essencialidade. Este jardim sertânico seria um local de contemplação e de meditação. Templo da poesia do povo brasileiro.

Se o Brasil não tem ainda o seu poeta-nacional, que simbolize e expresse o sentimento de nação, como Garcia Lorca na Espanha, Pablo Neruda no Chile, Agostinho Neto em Angola, Camões em Portugal ou Nazin Hikmet na Turquia, o Nordeste brasileiro, popular e rebelado, tem o seu: Patativa do Assaré. Patativa do Assaré já figura entre os grandes nomes da poesia do Brasil e da América Latina por ter conseguido, com tanta arte e beleza, unir a de­núncia social com o lirismo, a consciência política com a percepção humana mais profunda, o amor à natureza com o misticismo libertário. Aço e rosa. Quem lê a poesia de Patativa pensa, se emociona e se transforma, porque nela estão todas as lutas e esperanças do homem, estão as palavras que se erguem com a dignidade dos justos, contra todas as formas de obscurantismos e opressões. A poesia de Patativa é, dialeticamente, “Ispinho e Fulô”. Para concluir, reafirmo: é preciso um século inteiro para plasmar gênio como Patativa do Assaré. O século XX deu esse presente ao Brasil. O povo, envaidecido, agradece.

Rosemberg Cariry – Escritor e cineasta
Fortaleza, fevereiro de 2008

Cega , no invisível – Por : Socorro Moreira

Quem pensa muito não casa”. Quem pensa muito vive cansado. Quem vive o dia, no caminho do sol, tem a esperteza das mascotes. Dias chuvosos, nos convidam a permanecer na cama. O apetite é voraz, olhamos menos para o espelho, nos desapaixonamos.

Hoje estou assim… Desativada da minha energia natural. Caminho pesadamente, entre o térreo e o primeiro andar… Parece que tenho tamancos nos pés. O céu tem cheiro de lavanda; minha roupa tem cheiro de lama, e perfume do passado.

Escrever, ainda é uma boa saída. Até porque, oferece passagem de ida e de volta, num vai e vem sem limites. Visito um recanto, que apenas imagino. Busco o concreto imaginável, já que estou diante da cegueira, no invisível… Subo no elevador. É o apartamento de um pintor. Respiro terebintina e tintas frescas. Imagino afrescos, e telas espalhadas pelos cantos. O dono está ausente. Viajou com um baú de desenganos, esculpindo pedras no caminho. Rasgando a matéria, como se ela fosse molambo. Deixando nela, o produto do seu pranto. ..Faço a vistoria, tateando a intuição. Um sofá confortável, mas cheio de marcas; sala íntima com cheiro de “vetiver”;um relógio de pulso atrasado ; canetas e papéis , numa escrivaninha de cedro… Escritos em negrito. Uns esquecidos, e outros amassados.

Falei com seu short, largado na cadeira do quarto. Ele olhou para mim meio intimidado, (Desconfiou que eu não fosse uma ladra comum… De nada dali, me apossara, a não ser com o olhar, e o resto dos sentidos) e disse-me: ele me deixa assim, quando se cansa de mim. Meu dono viajou. Ele sempre volta com um sorriso enfadado, e um brilho novo no olhar. Sai do cenário. Não olhei em volta, nem fui até a janela, descobrir em qual cidade estive. Desprezei a personalidade física de um lugar… De um lugar, provavelmente conhecido.

Por: Socorro Moreira

Barreto, nosso amigo!

PERDAS !!!!Falar em perdas é falar em solidão, tristeza, desesperança, medo. Quando digo perdas não estou me referindo apenas aos que morrem, mas a todos que, de alguma forma, nos deixam prematuramente, antes que estejamos preparados.Um amigos que se muda para longe, um namoro interrompido abruptamente e até mesmo um ente querido que se vai, sempre provoca em nós uma sensação de vazio. E porque isso ??? Por que sofremos tanto mesmo sabendo que essas perdas ou partidas inesperadas são inerentes a vida e que, portanto, não podemos controla-las ????Não saberia responder com precisão a pergunta acima,mas,o que me parece mais coerente é que nunca estaremos prontos para nos acostumarmos com a falta dos que amamos. Por mais que saibamos que a qualquer instante eles nos faltarão, temos sempre a predisposição em acreditarmos que quem nos ama nunca nos trairia, nos provando do seu afeto, carinho e amor.Ledo engano. São justamente aqueles que amamos que mais nos machucam com suas partidas inesperadas. Vão-se sem aviso prévio e nos levam a felicidade, a fé na vida, o equilíbrio.O que fazer então ??? Não amarmos ??? Não nos permitir gostar de alguém pelo simples fato de que seremos, mais cedo ou mais tarde, deixados para trás na vida,entregues a nossas angústias e remorsos por não termos dito tudo ou feito o suficiente por eles ???Creio que não. Se há algo na vida que mais nos trás felicidade é sabermos que somos queridos e não seria honesto nos privarmos de tal sentimento por covardia.Um amor de pai e mãe, o carinho de um amigo ou afeto de uma relação a dois deve sempre se sobrepujar ao medo da perda. Porque ela é inevitável; o sentimento, não.. Deve ser exercitado todos os dias de nossas breves vidas.Ele é o que nos move, nos dá o chão para que possamos caminhar pela vida com a certeza de que , haja o que houver, teremos sempre alguém com quem contar, que nos apoiará mesmo nos momentos em que não tenhamos razão.Esta, meus amigos, deve ser a maior lição deixada pelos que partem sem nos avisar: lembrar-nos que devemos sempre curtir aqueles que amamos com a intensidade proporcional a brevidade da vida.Porque, quando nos faltarem, saberemos que amamos e fomos amados, que demos e recebemos todo o carinho esperado, que construímos um sentimento que nenhuma perda poderá apagar. Esse sentimento transcende o espaço e o tempo, não se limita ao contato físico.Torna-se parte de nós, impregnado em nossa alma, nos conforta nos dias difíceis, sendo cúmplices de nossa vitórias pessoais, norteando nossa conduta, nos fazendo sentir eternamente amados.Que me perdoem os físicos, mas, neste caso, acredito sim que dois corpos podem ocupar o mesmo lugar no espaço. Basta que permitamos sentir a presença dos que amamos dentro de nós, como se fossem parte de nossa alma. Só assim seremos inteiros .” AQUELES QUE AMAMOS NUNCA MORREM, APENAS PARTEM ANTES DE NÓS.

Riselia em seu nome queremos abraçar todos da família de Barretinho, infelizmente estamos fora. Força a todos e muita fé em Deus.

Frase do dia!

O otimista diz que vivemos no melhor dos mundos,
e o pessimista teme que isso seja verdade.
Abraços.

Música de Qualidade - 24h!



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HOMENAGEM DA SEMANA


CORREINHA

O Chapada do Araripe presta homenagens a um dos maiores mestres da cultura popular que faleceu em Crato recentemente, Francisco Correia de Lima, o Correinha, artista de várias linguagens atuante no município do Crato. Mestre Correinha nasceu no município de farias Brito no dia 14 de fevereiro de 1940, mas era um amante inveterado do Crato, município ao qual costumava fazer referências em suas canções. Talvez por não ter tido seu nome incluído nas listas anuais de mestres reconhecidos pelo Governo do Estado desde 2004, mestre Correinha tenha sido sepultado em meio a homenagens comoventes de moradores do município, mas, como ressaltaram amigos e familiares, sem o devido destaque por parte do Poder Público. Situação destacada durante a sua missa de corpo presente, enriquecida pelo acordeon de Hugo Linard, com quem Correinha gravou recentemente, 15 canções que agora constituem o último registro de sua obra. Segundo o próprio Hugo Linard, as canções registradas nesse último trabalho de Correinha em estúdio são, na maioria, inéditas. ´Ele gravou também ´Belezas do Crato´, mas as outras não tinham registro´, diz, citando canções como ´Coisas do meu sertão´, ´Exaltação a Barbalha´, ´Crato de Açúcar´ e ´Meu Cariri´ e ´Balanceio´. ´Fazia tempo que a gente tava cutucando ele, dizendo que ele tinha que gravar de novo. Ele fez dois compactos e outros discos, no tempo do vinil, além de vários cordéis´. Hugo Linard chama atenção para aspectos peculiares da trajetória de Correinha. ´Ele mantinha um bar aqui no Crato e ainda trabalhava como agente carcerário. Era tão querido que os presos pediram à família por ocasião do seu velório, para deixar um pouco o corpo dele lá na cadeia, para eles o homenagearem´.
Dalwton Moura

Jornal do Vicelmo

Todos os dias na Rádio Chapada do Araripe - Internet, a partir das 07:00, ouça o Jornal do Cariri com Antonio Vicelmo. O Jornal é retransmitido da Rádio Educadora do Cariri em tempo real. Você pode ouvir o programa através da nossa imensa rede de Blogs e websites, inclusive aqui no Blog do Crato. Alguns programas antigos estão disponíveis no nosso website Jornal do Vicelmo. Mais um serviço do Blog do Crato.

AUXÍLIO À LISTA

Garota Blog do Crato


O Concurso Garota Blog do Crato foi prorrogado até Julho de 2011. O Concurso visa promover e divulgar a beleza da mulher cratense a nível nacional. A participação é gratúita e serão distribuídos R$ 1.000,00 entre as 3 finalistas. O Blog do Crato apresentará um ensaios com as garota da semana. Serão escolhidas as finalistas, quando será feita enquete no Blog, e serão escolhidas primeiro, segundo e terceiro lugares, que serão premiadas com troféus e dinheiro. A premiação deverá ser realizada em grande estilo, num clube da cidade, com todas as garotas escolhidas pela votação. Para participar, entre em contato através do e-mail blogdocrato@hotmail.com ou Tel: 088-3523-2272. Visite o site da garota Blog do Crato, para maiores detalhes, clique aqui.

Dicas de Filmes



Por trás de todo o grande homem se esconde um professor, e isso era certamente verdade para Bruce Lee que aclamava como seu mentor um expert em artes marciais chamado Ip Man. Um gênio do Wushu (ou a escola de artes marciais da China), Ip Man cresceu numa China recentemente despedaçada pelo ódio racial, radicalismo nacionalista e pela Guerra. Ele ressurgiu como uma Fênix das Cinzas graças à suas participações em lutas contra vários mestres Wushu e lutadores de kung-fu - finalmente treinando icones de artes marciais como Bruce Lee. Esta cinebiografia do diretor Wilson Yip mostra a história da vida de Ip.

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