Mulheres revivem amores na Praça Siqueira Campos – Antonio Vicelmo
diversas segunda-feira, 15 jun 2009, 08:03
Com o glamour dos anos dourados, a Praça Siqueira Campos foi ponto de encontro de gerações (Foto: Antônio Vicelmo)
50 anos depois, mulheres da sociedade cratense voltam à praça central e recontam histórias do coração
Edésio Batista e Eleonora Albuquerque são testemunhas do tempo do amor eterno que nasceu na praça
No contexto do Dia dos Namorados, o romantismo da Praça Siqueira Campos é revivido por mulheres
Crato. “Somos eternos e apaixonados enamorados”. Com este sentimento de amor eterno, um grupo de mulheres da sociedade cratense comemora o Dia dos Namorados prestando uma homenagem à Praça Siqueira Campos que, para elas, é o lugar que serviu de cenário para muitas histórias de amor. De volta à praça central, elas revivem as serenatas ao som plangente do violão, quebrando o silêncio da madrugada e fazendo suspirar corações apaixonados .
“Hoje eu acordei com saudades de você, beijei aquela foto que você me ofertou, sentei naquele banco da pracinha só porque foi lá que começou o nosso amor”. A música de Carlos Imperial, interpretada por Ronnie Von, ainda enternece os corações apaixonados de uma geração que cresceu alimentando sonhos, ilusões e utopias na Praça Siqueira Campos, principal ponto de encontro da juventude cratense nos anos 60.
A praça foi vitrine e passarela de mulheres bonitas, de grandes amores que nasceram e morreram na sombra das palmeiras que adornam a praça. Cinqüenta anos depois, aquelas jovens que, na época, tinham entre 14 e 16 anos, voltam à praça para matar a saudade.
O tempo passou, a cidade cresceu, a praça foi reformada, mas não perdeu o seu fascínio. O poeta e escritor Batista de Lima lembra que “o romantismo cratense tinha como principal ponto de referência aquela praça central da cidade. As moças volteavam na praça e os rapazes, em pé, disputavam os seus olhares”, lembra.
Livro e festa
O romantismo do começo dos anos 60, violentado pela Golpe de 64, não foi esquecido. O tempo passou e aquelas jovens que deram vida e beleza à praça revivem os anos dourados com a publicação de um livro e a promoção de uma festa que tem como objetivo reunir todas as protagonistas desse romantismo que enterneceu corações e fez do Crato a mais aconchegante de todas as cidades do Interior.
O retorno ao passado está sendo concretizado por um grupo de 25 mulheres da sociedade cratense, coordenado por Eleonora Albuquerque Batista, que tem um caso de amor com a Praça Siqueira Campos. Foi lá que ela conheceu o amor de sua vida, Edésio Batista. Voltar à praça, segundo Eleonora, é uma forma de restauração da memória cratense.
Cada uma das freqüentadoras da praça tem uma história para contar, uma história que não tem fim, porque o verdadeiro amor é eterno. Hoje, já “sessentonas”, a maioria casadas e avós, as jovens de ontem, que acalentaram seus sonhos, ouvindo as músicas de Ângela Maria, Nat King Cole, Cauby Peixoto, Ray Conniff, Nelson Gonçalves e Carlos Galhardo na velha amplificadora cratense se confraternizam com o passado dentro de uma velha filosofia, segundo a qual recordar é viver duas vezes.
Como diz o poeta: “Voltei ao meu passado e, lembranças daquele amor que marcou minha vida vieram à tona. Saudade daqueles beijos apaixonados, daquelas juras de amor eterno. Saudade da ternura de mãos se encontrando. Quantas saudades afloraram em meu viver.” Saudade até daquele beijo que nunca foi dado, ou daquele flerte que nunca se transformou em namoro. A praça é o relicário de todas as emoções, catedral de pecados veniais.
No passeio saudosista pela Praça Siqueira Campos, as mulheres andam, de mãos dadas, com artistas de cinema da época: Rock Hudson, Burt Lancaster, Robert Taylor, dentre outros que aceleravam o pulsar dos seus corações adolescentes. O mesmo Rock Hudson, que despertou sonhos e ilusões, mais tarde decepcionaria suas fãs assumindo a sua verdadeira sexualidade.
E o velho filme, alguns em preto e branco, com Gary Cooper, vai sendo reprisado no caleidoscópio da imaginação desta geração de mulheres que forjaram sua personalidade na convivência amiga e solidária das freqüentadoras da Praça Siqueira Campos.
O depoimento destas sempre jovens senhoras é, sobretudo, uma declaração de amor à praça que, apesar do progresso, ainda não perdeu o seu charme. Continua acolhedora, como a sala de visita de nossa casa. Testemunha silenciosa de confidências íntimas que abalaram o coração de uma juventude que se comovia diante do sorriso de uma criança ou do desabrochar de uma flor. A praça é, sem dúvida, o mais democrático de todos os espaços urbanos, continua sendo a principal referência da cidade, fonte de inspiração de poetas e também seresteiros.
ANTÔNIO VICELMO
Repórter
Mais informações:
Eleonora Albuquerque
Rua Leandro Bezerra, 307, Crato (CE) – (88) 3521.1805
FIQUE POR DENTRO
Logradouro se torna símbolo do Crato
Construída no início do século passado, a Praça Siqueira Campos se tornou um símbolo do Crato. Na década de 60, o logradouro público se transformou na passarela de mulheres bonitas que encontravam ali o seu ´príncipe encantado´. Testemunha de juras de amor eterno e palco de encontros e desencontros amorosos, a praça foi sempre uma espécie de relicário das mais fortes lembranças do Crato, das gerações de antigamente. O casario ainda conserva as linhas arquitetônicas do passado. A lembrança mais forte da época em que a praça era o ponto de encontro da sociedade é o prédio do Cine Cassino, templo profano de amores e paixões. A praça lembra, sobretudo, o seu patrono, Siqueira Campos, um comerciante que trouxe o primeiro automóvel para o Crato e, durante a seca de 1932, deu emprego aos pobres, mandando pavimentar, por contra própria, a Rua Doutor João Pessoa. Os tempos modernos não acabaram com o romantismo do logradouro. A Siqueira Campos não perdeu a sua característica de ponto de encontro, referencial maior de uma cidade que hoje conta com 130 mil habitantes e já não dá mais tanta importância às juras de amor.
URL curta: http://www.crato.org/chapadadoararipe/?p=5620















Muito lindo !
Disse tudo , e acordou saudades.
Dihelson, aqui as imagens não abrem…
Mesmo assim Valeu.
Abraço,
Claude
Vendeu o celular OI? (risos)
Dihelson, as meninas disseram tudo.
Fica aqui minha sugestão para a sra. Eleonora, transformar esse encontro em um evento anual, para que essa confraternização seja repleta de muitas conversas e brincadeira. Um acontecimento para ficar sempre aguardado com muita expectativa. Ah! sim, qunto é mesmo o celular rsrsrsr.
dihelson
Despertou imagens e lembranças
de mocinhas usando o mais novo bordado para conquistar um namorado na praça Siqueira Campos, apesar de algumas retornarem sem ele. Mas, amanhã, estavam lá outra vez…
Bons tempos…
Grande abraço
Edilma