Nova escola de Crato terá o nome de Violeta Arraes – postado por Armando Lopes Rafael

A Assessoria do deputado Sineval Roque enviou-me comunicação informando que o parlamentar já havia dado entrada – meses atrás – na Assembléia Legislativa, com um projeto de lei denominando de Violeta Arraes Gervaiseau a futura Escola Estadual de Educação Profissionalizante de Crato. O deputado Sineval Roque proporá, no futuro, uma homenagem pública, na cidade de Crato, à altura do trabalho que foi feito no Cariri pelo terceiro bispo de Crato, Dom Vicente de Paulo Araújo Matos.
Da nossa parte, deixamos registrado que a homenagem à ex-reitora Violeta Arraes é das mais justas por tudo que ela representou para o engrandecimento do Cariri.
Por oportuno publicamos abaixo um artigo do Professor André Herzog sobre a professora Violeta Arraes, patrona da futura Escola Estadual de Educação Profissionalizante de Crato.
Armando Lopes Rafael

Maria Violeta Arraes de Alencar Gervaiseau — por André Herzog

V
ioleta Arraes nasceu em 1926, na pequena cidade de Araripe, localizada na grande bacia sedimentar do Sul do Ceará. Cursou o Primário no Grupo Escolar de Crato e iniciou o Curso Secundário no Colégio Santa Tereza de Jesus, também em Crato.Aos 14 anos se transfere para o Rio de Janeiro, sob a orientação do conceituado irmão político, Miguel Arraes. Ali, cursou o Clássico no Colégio Sacré-Couer de Marie e no Colégio Santo Amaro.

Violeta Arraes Gervaiseau teve uma vida marcada pela ação cultural e política. Foi presidente da JUC de 1948 a 1950. Foi representante brasileira no Congresso Internacional da JUC na Europa no Ano Santo de 1950. Estagiou um ano na França, no Centro Internacional de Economia e Humanismo, dirigido pelo Padre Lebret, onde conheceu seu marido, Pierre Maurice Gervaiseau, com quem se casou em Recife, em 1951.

De 1958 a 1964 reside em Recife, onde foi uma das iniciadoras do Movimento de Cultura Popular juntamente com Paulo Freire. Participou ainda dos movimentos de educação de base, ligada ao Cinema Novo e ao mundo artístico e literário. Nesse período, juntamente com Pierre Gervaiseau, Economista e cooperante Francês na SUDENE colaborou na ação política do Governador Miguel Arraes.Testemunhou os acontecimentos que culminou com a deposição e prisão do Governador Miguel Arraes no dia 1º de abril de 1964. Presa, juntamente com seu marido, quando chegava ao arcebispado para visitar D. Hélder Câmara no seu primeiro dia de bispo de Recife e Olinda. Foi expulsa do país com sua família quatro meses depois.
Na França, onde residiu a partir de 1964, cursou pós-graduação em psicologia e exerceu a função de psicoterapeuta no serviço do renomado Dr. Widlocher.Juntamente com Pierre Gervaiseau, coordenou e produziu na Europa vários eventos objetivando a difusão da cultura brasileira nas áreas cinematográficas, teatral, musical. Militante ativa pela redemocratização do Brasil, contou com o apoio integral de várias instituições e personalidades políticas e religiosas as quais se manteve sempre ligada. Em 1979, ano da anistia, retorna ao Brasil, engajando-se na campanha pelas “Diretas Já” e retomando o contato estreito com a vida cultural e política do país.

Foi convidada por Tancredo Neves para ser a adida cultural na Embaixada do Brasil em Paris, o que não se concretizou pelas razões que todos conhecem.Com o fim do regime autoritário militar no país foi convidada a trabalhar como adida no Projeto França-Brasil, na Embaixada brasileira em Paris. De 1984 a 1986, Violeta se dedicou a elaborar e desenvolver o projeto, realizando vários eventos significativos, entre os quais merece ser destacado, a exposição de Arte Popular Brasileira, no Museu de Arte Moderna, contando com hegemônica participação da arte nordestina.
Em 1988, em reconhecimento as suas intensas atividades, recebeu convite do Governador Tasso Jereissati para assumir a Secretaria de Cultura do Estado do Ceará. Desde a posse até o fim de sua gestão, Violeta Arraes desenvolveu um projeto que contemplou não apenas a realização de obras e eventos, mas principalmente, a implementação de um programa cuja pedagogia e filosofia buscava conscientizar toda a sociedade sobre o real e amplo conceito de cultura.
Coordenou inúmeros trabalhos de recuperação de prédios tombados pelo Patrimônio Histórico, em um esforço que culminou com a reforma e restauração do Theatro José de Alencar, devolvido à população cearense em janeiro de 1991. Também se pode destacar o resgate da Biblioteca Menezes Pimentel, a recuperação da antiga sede da Assembléia Provincial e a mudança de sede do Arquivo e do Museu do Estado.Realizou vários eventos abrangendo as mais diversas manifestações artístico-culturais, entre as quais um seminário realizado em 1988 sobre a temática da comunicação que reuniu os mais expressivos nomes da televisão, rádio e cinema do país, e contou com a participação de um dos maiores teóricos do assunto, Romand Mattellart. Viabilizou a realização, em Fortaleza, do FestRio, Festival Internacional de Cinema.
Em 1997 assumiu o seu último desafio, a Reitoria da Universidade Regional do Cariri. Com ela, trouxe um novo projeto em mente, que procurou incansavelmente realizar, com coerência: a dinamização da cultura do sertão. Assim, a Reitora Violeta Arraes percebeu sua missão e a Universidade, com as seguintes palavras: “O projeto da URCA só pode ser entendido como um projeto coletivo. O que tento fazer é captar os anseios da comunidade acadêmica e da região onde estamos, em plena Bacia do Araripe, fronteira com Pernambuco, Paraíba e Piauí. Isso por si só já determina um certo número de prioridades, pois temos que levar em conta as singularidades da região, como a floresta em plena área semi-árida, a reserva fossilífera, o manancial de água encravado no meio do sertão nordestino. Nesse contexto, acho que a universidade deve ser o veículo transmissor do conhecimento voltado para o desenvolvimento sustentável dessa riqueza natural. É sua missão formar e inserir profissionais na sociedade, assim como transmitir valores de convivência para que tenhamos cidadãos convictos do ideal de uma sociedade justa e igualitária.A nova cultura terá a marca da integração e da participação nos benefícios do desenvolvimento sustentável, cujo símbolo há de ser sempre o uso racional da Chapada do Araripe, dádiva da natureza e desafio permanente para nossa criatividade e inteligência, e elo de união da população dos estados do Ceará, Pernanmbuco, Paraíba e Piauí.”

URL curta: http://www.crato.org/chapadadoararipe/?p=13035

Postado por em 11 jun 2010, 20:02. Arquivado em diversas. Você pode seguir qualquer comentário deste post através de RSS 2.0. Você pode comentar ou rastrear esta entrada

1 Comentário para “Nova escola de Crato terá o nome de Violeta Arraes – postado por Armando Lopes Rafael”

  1. Dihelson Mendonça

    Maravilha, Armando, e que bom que temos aqui no Blog finalmente a participaão do ex-reitor André Herzog. O convite foi enviado há bastante tempo e foi aceito. Acho que falta a gente passar as instruções de como postar no Blog, ou ficaremos fazendo isso pra ele, de qualquer forma.

    Abraços a todos,

    Dihelson Mendonça

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HOMENAGEM DA SEMANA


CORREINHA

O Chapada do Araripe presta homenagens a um dos maiores mestres da cultura popular que faleceu em Crato recentemente, Francisco Correia de Lima, o Correinha, artista de várias linguagens atuante no município do Crato. Mestre Correinha nasceu no município de farias Brito no dia 14 de fevereiro de 1940, mas era um amante inveterado do Crato, município ao qual costumava fazer referências em suas canções. Talvez por não ter tido seu nome incluído nas listas anuais de mestres reconhecidos pelo Governo do Estado desde 2004, mestre Correinha tenha sido sepultado em meio a homenagens comoventes de moradores do município, mas, como ressaltaram amigos e familiares, sem o devido destaque por parte do Poder Público. Situação destacada durante a sua missa de corpo presente, enriquecida pelo acordeon de Hugo Linard, com quem Correinha gravou recentemente, 15 canções que agora constituem o último registro de sua obra. Segundo o próprio Hugo Linard, as canções registradas nesse último trabalho de Correinha em estúdio são, na maioria, inéditas. ´Ele gravou também ´Belezas do Crato´, mas as outras não tinham registro´, diz, citando canções como ´Coisas do meu sertão´, ´Exaltação a Barbalha´, ´Crato de Açúcar´ e ´Meu Cariri´ e ´Balanceio´. ´Fazia tempo que a gente tava cutucando ele, dizendo que ele tinha que gravar de novo. Ele fez dois compactos e outros discos, no tempo do vinil, além de vários cordéis´. Hugo Linard chama atenção para aspectos peculiares da trajetória de Correinha. ´Ele mantinha um bar aqui no Crato e ainda trabalhava como agente carcerário. Era tão querido que os presos pediram à família por ocasião do seu velório, para deixar um pouco o corpo dele lá na cadeia, para eles o homenagearem´.
Dalwton Moura

Jornal do Vicelmo

Todos os dias na Rádio Chapada do Araripe - Internet, a partir das 07:00, ouça o Jornal do Cariri com Antonio Vicelmo. O Jornal é retransmitido da Rádio Educadora do Cariri em tempo real. Você pode ouvir o programa através da nossa imensa rede de Blogs e websites. Alguns programas antigos estão disponíveis no nosso website Jornal do Vicelmo.

AUXÍLIO À LISTA

Dicas de Filmes



Por trás de todo o grande homem se esconde um professor, e isso era certamente verdade para Bruce Lee que aclamava como seu mentor um expert em artes marciais chamado Ip Man. Um gênio do Wushu (ou a escola de artes marciais da China), Ip Man cresceu numa China recentemente despedaçada pelo ódio racial, radicalismo nacionalista e pela Guerra. Ele ressurgiu como uma Fênix das Cinzas graças à suas participações em lutas contra vários mestres Wushu e lutadores de kung-fu - finalmente treinando icones de artes marciais como Bruce Lee. Esta cinebiografia do diretor Wilson Yip mostra a história da vida de Ip.

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