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Missa de Sétimo Dia – Wilson Bernardo

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Por: Dihelson Mendonça
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O MELHOR DA MÚSICA BRASILEIRA NA RÁDIO ARARÍPE

LUZ, QUERO LUZ, SEI QUE ALEM DAS CORTINAS…

A frase é de Chico Buarque que se inspirou em Göthe para plasmar que existe algo além da mediocridade da cultura vigente. Pois é nesse mote que temos algo de novo no rádio caririense. Todos os sábados, a partir de meio dia, Zé Nilton, nosso intelectual que já lançou interessante livro de análise antropológica, já que ele é antropólogo, com mestrado pela Universidade Federal de Pernambuco, sobre os agricultores da Chapada do Araripe, e também é autor de dois qualificados CDS de música de sua autorias e de compositores da região, apresenta, na pioneira Rádio Araripe, o programa “Falando de Música Popular Brasileira”. Bem produzido e apresentado por Zé Nilton, o programa discorre sobre compositores, letristas, movimentos musicais, fases da nossa música, de uma forma didática e compreensiva que só um bom professor é capaz de transmitir. Desde as origens da nossa música até os movimentos musicais de hoje, Zé Nilton fala com propriedade como um pesquisador que é da História da Música Popular Brasileira. Vale apenas conferir todos os sábados de 12 a uma da tarde na nossa rádio Araripe de Crato, o professor Zé Nilton falar de Música Popular Brasileira, de uma forma que só ele sabe dizer. E tem mais: no último sábado do mês, Zé Nilton leva ao ar um artista local na área da música, e o faz discorrer sobre sua obra, sua vida artística, sobre suas predileções e pretensões musicais, num diálogo maduro, real e carinhoso. Até que enfim todos que estão cansados da mesmice forroporcaria que torra a nossa paciência, um laivo de respiração. Vamos nos deleitar pelo menos por uma hora semanal na companhia agradável do professor Zé Nilton e o seu programa “FALANDO DE MPB”, pelos 1440 da pioneira da região, a nossa Rádio Araripe de Crato.

Estive lá a convite do nosso querido Zé Nilton e pude constatar com qual seriedade e serenidade o Zé conduz o programa. Eu recomendo! Tive o privilégio de ser o primeiro entrevistado e me sentir bem à vontade para falar do meu trabalho, levando aos ouvintes desta histórica Rádio, um pouco da minha produção musical.

Mazinho, um ícone do Rádio-Cariri, ao lado de Zé Nilton fazendo um programa de alto nível em grande estilo.

A Santa desce ou não desce a serra? As duas maneiras de se dar uma notícia !

Já faz algum tempo que se questiona no Crato a possibilidade de trazer a estátua de Nossa Senhora de Fátima, localizada no antigo aeroporto regional do Cariri, na chapada do Araripe, para a cidade. Depois de muitas conversas, muita especulação, o prefeito Samuel Araripe foi consultar a opinião de Dom Fernando Panico se deve ou não trazer a Santa da floresta.

A resposta de Dom Fernando foi que a santa deve ficar lá mesmo.

Interpretando a notícia acima de 2 formas completamente diferentes, seria mais ou menos assim:

Considerando que a Estátua fica na Serra:

01 – A estátua de Nossa Senhora de Fátima vai permanecer lá mesmo na floresta do Araripe, intocável, como um símbolo da devoção do povo. Os devotos irão até lá, como uma espécie de peregrinação, prestar homenagens à aquele monumento, que não será deteriorado em sua intenção inicial. Não se trará a imagem da santa para a cidade, por alguma intenção puramente eleitoreira de causar impacto à população, destruindo um monumento que foi erigido e que está já perfeitamente situado na história daquele local e que no futuro, se restaurado, possa vir a ser frequentado pelas pessoas da cidade.

Considerando que a Estátua desce para a cidade:

02 – Finalmente aquele monumento, em completo abandono, vai ser removido para um local mais acessível onde pode ser plenamente visitado pelos fiéis e visto pela população, do que ficar sendo destruído paulatinamente pelas intempéries. O monumento belo erigido em homenagem à Nossa Senhora de Fátima, irá finalmente sair daquele local descuidado, que em completo abandono, se tornou um verdadeiro antro de marginais, trampolim e refúgio para traficantes de drogas que enveredam pela Chapada do Araripe. O monumento à Nossa Senhora finalmente vai ter um local de destaque na história e na vida ativa de nossa cidade, bem melhor do que ficar lá apodrecendo em meio à floresta do Araripe.

A diferença se a santa desce é mais ou menos a diferença entre Sovaco e Axila. Só depende do ponto de vista !

Por: Dihelson Mendonça
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Coluna CARIRI de Tarso Araújo – Edição de hoje, Domingo, dia 06 de Janeiro de 2008.

Da Universidade Regional do Cariri (Urca), a conversa é séria. A auditoria feita na Fundetec não foi nada boa e dizem que muita gente da gestão anterior vai ter muito problema para explicar como conduziu a Fundação.

BONS NEGÓCIOS
A Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL) de Juazeiro do Norte comemora os números das vendas do período do Natal. A CDL fez uma forte campanha publicitária, envolvendo os veículos de comunicação de Juazeiro. O resultado foi positivo e Roberto Celestino espera repetir a dose em 2008.

DIA DE REIS
O professor Cacá Araújo comanda hoje o Dia de Reis no Crato, com concentração de mais de 500 brincantes em frente ao Instituto Cultural do Cariri (ICC) que sairão depois para o Centro Cultural do Araripe, centro da cidade. O Dia de Reis vem sendo comemorado pela Fundação Mestre Elói há anos, sendo uma tradicional festa no Crato. Diversos grupos da cultura popular caririense estarão se apresentando no Centro Cultural do Araripe. O cortejo começa às 17 horas deste domingo.

ANOTE: IMPORTÂNCIA DA URCA
A Urca é o maior instrumento governamental para o desenvolvimento do Cariri. Mais do que isso. É a mais importante instituição para a promoção de todo o centro-nordestino, pois beneficia uma população necessitada, trabalhadora e criativa, residente nos limítrofes do Ceará com o Piauí, Pernambuco e Paraíba. O governador Cid Gomes agiu com acerto ao autorizar a inclusão no Mapp (mecanismo criado pelo atual Governo do Estado para consecução de projetos prioritários) de alguns projetos elaborados pela administração passada da Urca. A exemplo da biblioteca, museu, informatização, reforma dos campi e dos laboratórios, além do Curso de Artes de Barbalha.

NINGUÉM SEGURA
No apagar das luzes de 2007, Juazeiro do Norte ganhou sua décima agência bancária: a do Itaú. Na Terra do Padre Cícero existem duas agências do Banco do Brasil, duas do Bradesco e duas da Caixa Econômica, além das filiais do BNB, HSBC e BIC.

MONUMENTO DA FLORESTA
Apesar de muitos pedidos, a Prefeitura de Crato desistiu de remover para o centro da cidade um monumento existente na Floresta do Araripe construído em homenagem a Nossa Senhora de Fátima. Neste sentido, prevaleceram as ponderações de dom Fernando Panico. A estátua da Virgem de Fátima permanecerá em meio ao bosque, “longe das agitações e correrias do centro de Crato. Lá, continuará a ser visitada por seus devotos, os quais, em contato com a natureza, desfrutarão momentos de tranqüilidade e ali farão suas orações”.

SUGESTÃO
Mas como Crato ainda possui poucos monumentos públicos, não custa lembrar que um cratense, residente em Fortaleza, filho do saudoso Ernani Silva, guarda ali um belo busto do avô, o ex-prefeito Alexandre Arraes. Confeccionado na década 40 (pelo renomado escultor italiano Agostinho Balmes Odísio), esse busto aguarda, até hoje, uma homenagem de Crato à memória do ilustre homem público. Que tal colocá-lo na Praça Alexandre Arraes, existente no centro da Cidade de Frei Carlos?

BOA NOTÍCIA
Hoje, uma viagem entre o Cariri e a capital do Estado é feita em cerca de 10 horas (de ônibus) ou 7 horas, se for em carro. Esse tempo pode diminuir. Segundo o Departamento de Edificações, Rodovias e Transportes (Dert), a rodovia Padre Cícero – que vai ligar Fortaleza a Juazeiro do Norte – estará pronta em 2009, diminuindo em 90 km a atual distância (563 km).

ROMEIRO ILUSTRE
O bispo-emérito de Ji-Paraná (Rondônia), dom Antônio Possamai, veio rever o Casarão do Horto, antiga residência do Padre Cícero. Ali, presidiu a renovação da consagração daquela casa ao Coração do Jesus. Catarinense, dom Antonio foi Provincial Salesiano em Recife (entre 1976 e 1982) quando conheceu as romarias de Juazeiro do Norte. Durante 24 anos foi bispo, tendo adotado por lema: “O Senhor meu ungiu para Evangelizar os pobres”.

BATE-PAPO

HONRA AO MÉRITO
Louve-se o cuidado dispensado aos templos católicos de Juazeiro do Norte. Ali, as igrejas são amplas, limpas e estão sempre recebendo novos melhoramentos. Como aconteceu, recentemente, com a Matriz do Menino Jesus de Praga, do bairro Novo Juazeiro, que está com novo altar-mor e nova Capela do Santíssimo. Belíssimos. Um exemplo a ser seguido pelas demais paróquias da diocese de Crato…

MEMÓRIA DO CARIRI
Voltou a funcionar o relógio existente na torre do lado Norte da catedral de Crato. Ele foi assentado em 21 de janeiro de 1863, há 145 anos. Construído pela firma Ungerer FrÕres, de Estrasburgo (França), esse relógio foi considerado, à época, um dos melhores do Império do Brasil. Adquirido pelo vigário Manuel Joaquim Aires do Nascimento, só foi oficialmente entregue à população no dia 12 de outubro daquele ano, por ocasião da primeira visita pastoral feita ao Crato por dom Antônio Luís dos Santos, primeiro bispo do Ceará.

SONHO COLETIVO
O povo de Crato aguarda com ansiedade os trabalhos de recuperação das praças do centro da cidade, prometidos para 2008. Espera-se que o calçadão da rua José de Alencar seja incluído nessas obras de restauro. Construído na década 70 do século passado, o calçadão está no momento com o piso danificado e iluminação noturna precária. Necessita – além de novo piso de pedras portuguesas, com novos desenhos e novas cores – de jardineiras e bancos de madeira para os freqüentadores daquele logradouro.

MENOS MAL
Concluídos os trabalhos no frontispício da pequenina igreja de São Miguel em Crato, os quais, inegavelmente, deram ao edifício um aspecto de templo católico. Mas os paroquianos de São Miguel insistem na necessidade de construção de nova e ampla igreja, à altura do progresso do bairro São Miguel, um dos mais importantes da Cidade de Frei Carlos. Será que o novo pároco, padre Antônio José do Nascimento Neto, vai encarar este desafio?

Por: Tarso Araújo – Radialista
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Prefeitos participam de debate na TV Verde Vale

Aconteceu na noite do dia 04 de janeiro na TV Verde Vale a primeira edição do programa Tribuna Livre, comandado pelo jornalista Ronaldo Costa e como mediador dos debates do deputado estadual Vasques Landim. O tema do programa de ontem foi a integração dos municípios do triângulo Crajubar. Participaram como convidados os prefeitos Rommel Feijó (Barbalha) e Samuel Araripe (Crato). O prefeito Raimundo Macedo de Juazeiro do Norte não compareceu, desmarcando o compromisso minutos antes do início do programa.

Com a cadeira vazia, Juazeiro do Norte não participou do debate e ficou impossível a definição das políticas públicas realizadas em Juazeiro pelo atual prefeito. Vasques Landim lamentou a ausência de Raimundão e o debate se deu em torno de políticas de integração regional e os esforços desenvolvidos em Crato e Barbalha pelas administrações no sentido de desenvolver políticas públicas comuns. Os prefeitos falaram também de alguns projetos desenvolvidos em cada cidade.

Por: Tarso Araújo – Blog do Tarso – Radialista.

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Reisado encena dança divina nas ruas do Cariri

TRADIÇÃO POPULAR

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Os integrantes dos Reisados mirins são formados para seguirem a tradição no Cariri (Foto: Leandro de Oliveira)

Dia de Reis está presente no inconsciente coletivo dos moradores das terras interioranas do Nordeste do Brasil

Juazeiro do Norte. Hoje é Dia de Santos Reis. No Cariri é mais que uma religião para alguns dos brincantes. Classificam como dança divina. Uma reverência dada ao Menino Jesus e aos três Reis Magos que vieram do Oriente. A saudação começa cedo, cortejos de grupos de tradição popular por comunidades das cidades caririenses são comuns. Os brincantes se preparam. Em Juazeiro, a tradição se fortalece nos bairros João Cabral e Horto, onde se encontram vários grupos que encenam o Reisado.

No município do Crato, o cortejo começa à tarde. Este ano, os grupos de tradição popular do Crato se reúnem na sede do Instituto Cultural do Cariri (ICC), às 15 horas, onde será realizada a solenidade de posse dos novos acadêmicos do Instituto, nas cadeiras Dedé de Luna e Zé de Matos.

A festa é uma continuidade do Natalício de Jesus. Em Juazeiro do Norte, as comunidades também se reúnem no Centro da cidade no fim da tarde. As manifestações da cultura acontecem a partir das 19 horas no Santuário Diocesano. O secretário de Cultura, Renato Dantas, classifica como positiva a programação, no sentido de fortalecer as tradições populares e a religiosidade.

A queima de palhinhas é uma tradição antiga mantida na região. Faz parte das homenagens prestadas ao Menino Jesus. Pode ser feita durante todo o mês de janeiro, em qualquer data, a depender do dono da casa ou quando a festa é da população. Uma festa de rara beleza e encanto. No Crato, segundo o presidente da Fundação Mestre Elói, Cacá Araújo, a mestra da Cultura Zulene Galdino e a Mestra Mazé de Luna dão continuidade ao ritual.

A “Tiração de Reis”, nome que não é muito comum se ouvir pelas bandas de cá, remonta séculos de tradição. Chegou no Brasil por meio de influência ibérica, mas vem de antes. Os Mouros deram a base. No Brasil, as influências das culturas do negro e do índio fazem mais forte essa resistência. São inúmeras danças.

No Reisado várias podem ser classificadas. Para os estudiosos, um trabalho que merece estudo, concentração e uma formação para desenvolver a Folia de Reis, sem fugir dos seus traços originais.

O presidente da Associação dos Artistas da Terra da Mãe de Deus, Carlos Gomide, no bairro João Cabral, destaca a necessidade de formação, para que novos mestres venham trazer o conhecimento do Reisado para os integrantes o que representa cada personagem dentro da peça. Um reisado mirim está sendo formado na associação. As crianças recebem orientações de brincantes que já têm décadas de experiência.

A Fundação Mestre Elói, no Crato, há anos reúne a diversidade do folclore e o Dia de Reis passa a ser uma data tradicional no calendário da cidade. No João Cabral, em Juazeiro, por cerca de três anos, um grande palanque, chamado de trono, era montado na praça do CC. Uma grande confraternização entre os grupos de tradição popular. No trono, faziam apresentações, lanchavam bolo com suco. Era uma espécie de grande apoteose. Os organizadores não se animam muito em dar continuidade ao evento, mas a festa continua nas ruas, nas casas, nos terreiros.

O Dia de Reis está presente no inconsciente coletivo dos moradores das terras interioranas do Nordeste do Brasil, como data em que deve ser mantida a reverência, com uma grande alegria contida nos corações e um dever de quem leva muito a sério essa forma de manifestação, o brincante.

Elizângela Santos
Repórter

Mais informações:

Fundação do Folclore Mestre Elói
Rua Monsenhor Francisco de Assis Feitosa, 504
Centro, Crato (CE) (88) 3523.7430/ 3523.1333
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Fotos do dia – Garotos talentosos e suas bicicletas maravilhosas !



Garotos afoitos demonstram todo o seu talento em acrobacias na praça da prefeitura, aos sábados. Uma maravilha de se ver e fotografar!

Abraços.

Fotos: Dihelson Mendonça
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SESC Crato apresenta: Brincando nas Férias !


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LIBERDADE E SABER

A nossa liberdade é tão suprema que podemos usá-la, e tantas vezes mesmo a utilizamos para nos auto escravizar. Podemos ir e vir, pensar e querer tão amplamente e ao mesmo tempo só o que pretendemos é a construção de uma vida estável e previsível. O mundo é tão hostil, por tantas vezes ameaçadoramente inóspito, que a maior das realizações seria construir um universo de harmonia e paz a nossa volta. Seria censurável, afinal, pretensão tão sã em meio a um mundo sempre e cada vez mais alienista?

Heráclito, na Grécia antiga já advertira que a lei suprema do universo é a da eterna mutação. Quando disse que um homem jamais se banharia duas vezes no mesmo rio, prelecionou para a humanidade a mais eterna de todas as leis Cósmicas. Tudo na matéria é por sua própria essência, incessante mudança. E se assim é, então por quantas o poder humano é tão sublime que seria capaz de coagir a ação de princípio tão elementar na ordem das coisas? Seríamos afinal, expertos o suficiente para suplantar pela força ou experiência a universalidade das leis da natureza?

Modernamente, as ciências sociais nos alardeiam que a sociedade humana é fruto de um rompimento, muito antigo, do homem com o seu primitivo estado de natureza. Tal rompimento, quiçá, tenha-nos trazido junto a certeza de que a espécie é auto suficiente, e portanto, pode regular-se por leis próprias, construídas por livre fruto da vontade aparentemente coletiva e por isso divorciada por completo das leis da própria natureza. É de se propugnar, entretanto, que por mais extensa que seja a liberdade humana, amplificada ou não no seio da sociedade, ainda assim continuamos tão sujeitos quanto antes às forças da natureza que nos rodeiam, e que esta constatação significa a certeza mesmo da velha máxima de Heráclito. Assim, ao mesmo tempo em que o livre arbítrio é um valor inalienável do homem, este sofre as limitações impostas pelo conjunto do que chamamos Criação.

Se ao final de tudo a única coisa imutável de todo o Cósmico são suas próprias leis, como então poderíamos construir aquele tal castelo, onde as coisas seriam imóveis e intocáveis; onde a harmonia fosse absoluta; em que os nossos desejos fossem sempre saciáveis? Nossas quimeras, então, estariam fadadas ao eterno fracasso? Ou o nosso arbítrio do viver não careceria estar mais pleno da consciência soprada pelo aparente caos da existência?

Que somos livres pela própria natureza da nossa existência, não se duvida, mas talvez precisemos de alguma compreensão superior de o que seja a própria liberdade. Antes de tudo, só é livre verdadeiramente quem possui consciência de todas as coisas ao derredor e avante. A medida da nossa liberdade é o grau mesmo de consciência que possuamos do todo, de maneira que quanto mais sabemos, mais livres somos. Porém, a sabedoria não poderia ser dosada pelo número de livros que lemos, porque aí estaremos falando somente de uma álea da questão. As ciências nos alimentam da compreensão das coisas, porém são nas coisas mesmas em que a sabedoria está contida. Ver por essa maneira talvez até nos alimente da compreensão de que diante das injustiças, mágoas e perdas da vida exista uma razão superior, pela qual, impondo-se a harmonia das leis imutáveis do Cósmico ao aparente caos do universo, se erija a perfeição de todo o conjunto.

Pôr a face para fora do aparente castelo das certezas que construímos ao longo da vida, sentindo com mais realidade as incertezas e pesares da existência, correndo riscos, baixando a guarda contra os temores do novo, permitindo gozar das amarguras, mas também das descobertas da dúvida, talvez seja do que precisemos para compreender com mais firmeza os valores e dimensões da plena liberdade de que somos dotados, mas que ao mesmo tempo transmudamos, por nosso próprio querer, para a grande carcereira da existência humana.

Jorge Emicles Pinheiro Paes Barreto
Advogado, Professor e Radialista.
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“INVASÃO DE PRIVACIDADE” – Por: Leopoldo Martins Filho

As medidas adotadas pela Receita Federal para fiscalizar as operações financeiras após a extinção da CPMF, obrigando os bancos a repassar dados sobre cidadãos e empresas que movimentarem semestralmente mais de R$ 5 mil e R$ 10 mil, respectivamente, em conta corrente ou poupança, primam por dois graves equívocos – um de caráter político e outro de natureza jurídica.
Em vigor desde 1º de janeiro, essas medidas foram impostas por meio de uma instrução normativa publicada no Diário Oficial de sexta-feira, regulamentando um artigo da Lei Complementar 105, sancionada em 2001, que trata do sigilo das operações de instituições financeiras e do acesso a informações bancárias por parte de diferentes órgãos do Executivo, como o Banco Central, a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) e a Advocacia-Geral da União (AGU).
Durante a votação da Proposta de Emenda Constitucional (PEC) que previa a prorrogação da CPMF, a Receita alegou que, sem o recolhimento dessa contribuição, ela não teria condições de identificar sonegadores. Já se sabia que a justificativa não era verdadeira, uma vez que o órgão dispunha de alternativas para coibir a evasão fiscal. Como as novas medidas vão muito além das operações financeiras convencionais, como lançamentos a débito, saques e pagamentos por meio de cheque – envolvendo também lançamentos a crédito e informações sobre aquisição e venda de ações nas bolsas de valores, no mercado futuro e no mercado de opções e sobre compra de moeda estrangeira e remessa de divisas ao exterior -, o poder de fiscalização das autoridades fiscais, em vez de diminuir, aumenta ainda mais.
Segundo o presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Paulo Skaf, essa é uma “prova inequívoca” de que o governo não precisava da CPMF para combater a sonegação. O deputado Paulo Bornhausen (SC), vice-presidente do Democratas, foi mais contundente. “Essa é mais uma mentira do governo que cai”, afirmou, após lembrar que o presidente Lula chegou a chamar de “sonegadores” aqueles que defendiam o fim da contribuição.
Além da flagrante contradição da Receita – um erro político que deu mais munição para a oposição e para os críticos da CPMF -, as medidas adotadas pelo órgão fiscalizador colidem frontalmente com o direito ao sigilo previsto pela Constituição no capítulo das garantias fundamentais. A violência jurídica é tão grande que o ministro Marco Aurélio Mello, do Supremo Tribunal Federal (STF), já afirmou que a corte, se for acionada, derrubará a instrução normativa que obriga os bancos e demais instituições financeiras a repassar semestralmente dados sobre as movimentações de seus clientes. Segundo ele, as medidas da Receita invertem o ônus da prova, jogando os contribuintes na vala comum, como se todos fossem sonegadores. “Salta aos olhos o conflito com a Constituição. No afã de arrecadar, não se pode agir a ferro e fogo. Vejo a decisão do governo como um menosprezo (à jurisprudência do STF) e isso não é bom para o aprimoramento democrático. Não é por aí que teremos dias melhores. A instrução é flagrantemente inconstitucional. Não tenho a menor dúvida de que ela será invalidada. Conheço o Supremo como ninguém”, concluiu.
Em resposta, a Receita alegou que as medidas por ela baixadas têm por base a Lei Complementar 105 e que a obrigatoriedade de repasse de informações sobre movimentações financeiras já é aplicada às empresas administradoras de cartões de crédito. O que as autoridades fiscais não disseram, contudo, é que há três Ações Diretas de Inconstitucionalidade (Adins) contra essa lei tramitando no STF – todas com grandes probabilidades de serem julgadas procedentes, como diz o ministro Marco Aurélio. E uma nova Adin, esta contra a instrução normativa publicada pelo Diário Oficial da última sexta-feira, deverá ser impetrada pelo Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), como anunciou o tributarista Vladimir Rossi Lourenço, vice-presidente da entidade.
Independentemente do desfecho dessas ações na mais alta corte do País, o fato é que essas medidas dão ao governo meios de devassar a vida de todas as pessoas e empresas, sem exceção e sem justificativa legítima. A simples existência desse instrumento coloca em risco as liberdades essenciais.
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Estação da RFFSA: um cartão postal preservado

O trem está voltando. Pelo menos, o chamado Trem do Cariri, obra do Governo o Estado, já bastante adiantada, que irá levar e trazer passageiros de Crato a Juazeiro do Norte.
Mas, como informa o pequeno texto no verso do cartão postal que ilustra esta matéria, “por muito tempo, a estação ferroviária foi o principal elo de ligação entre Crato e Fortaleza. Construída na década de 20, a estação ferroviária é um majestoso prédio que, futuramente, poderá ser transformada num hotel de Turismo.”
A previsão quase que se completou, pois hoje a antiga estação abriga o Centro de Referência Cultural e Turística do Araripe, obra inaugurada no final de 2006, fruto de parceria entre a Prefeitura do Crato e o Governo do Estado. Sem dúvida, uma das mais importantes obras realizadas nos últimas décadas pelo poder público nesta cidade.
Waldemar Arraes de Farias Filho, em recente livro de sua autoria(1), nos dá importantes informações sobre este belíssimo e importante exemplar da arquitetura local:
O edifício da estação ferroviária do Crato foi inaugurado em 1926. A chegada do primeiro trem foi um marco de desenvolvimento para o Crato. A estação era o último ponto de linha da Estrada de Ferro de Baturité. A linha sul, da Rede de Viação Cearense, surgiu com a linha da Estrada de Ferro de Baturité, construída em 1872 a partir de Fortaleza e prolongada nos anos seguintes até a cidade do Crato.
(…)
“A estação era um edifício grandioso para a época, pelo seu porte e pela sua arquitetura. Com uma planta de forma retangular, compartimentada em salão de espera, bilheterias, sala de telégrafo, salão, depósito de mercadorias, um piso superior destinado a dormitório, uma varanda exterior com cobertura de estrutura metálica e telhas “tipo francesas” para embarque e desembarque de passageiros, etc. (…) Além desse edifício existe um outro edifício menor com tratamento de fachadas mais simplificado, mas, com semelhança arquitetônica do edifício principal. Hoje, o complexo de edifícios da estação é um dos poucos exemplares da nossa arquitetura do passado ainda intacto
”.

(1) Crato: evolução urbana e arquitetura 1740-1960. Fortaleza: Expressão Gráfica e Editora, 2007, pp. 166-169

O Conhecimento que não se transmite e não se aprende sem uma vivência direta Transformadora.


Vivemos a era da informação e do conhecimento. É verdade que o conhecimento conduziu o homem moderno a um patamar elevado de compreensão da realidade objetiva. Devemos agradecer as conquistas fantásticas que conseguimos alcançar pelo método científico. Entretanto, devemos questionar sobre o que esse método ou caminho não conseguiu desvendar do mistério que se afasta em cada passo que damos em direção ao infinito da consciência humana. O copo está sempre meio cheio e meio vazio. O homem está meio consciente e meio inconsciente. Tudo é vazio aonde não conseguimos preencher com o conhecimento adquirido pela experiência do mundo objetivo. E nunca alcançaremos a verdade total e absoluta, pois se assim fizermos cairemos numa angustia sem fim. O caminho é longo, incerto e verdadeiro. A cada passo que damos nos descobrimos meio vivo e meio morto; meio sábio e meio ignorante; meio matéria e meio espírito, meio massa e meio energia. Tudo está sendo transmutado, transformado e renovado. Nada existe pronto e acabado! A vida é lógica e ilógica, racional e irracional, instintiva e intuitiva, intelectual e sensível. A unidade é a complementariedade perfeita num processo de construção do Eu. O “mundo” somos nós mesmos em processo de construção, transmutação, renovação e transformação. “Morremos” a cada segundo e nascemos em seguida. O desenvolvimento desse processo é imperceptível para um observador desatento de si mesmo. O índio D. Juan, nas histórias de Carlos Castanheda, chamava essa atenção de ESPREITA DE SI MESMO. Os místicos orientais (hindus) denominam esse processo de atenção total. Em outras palavras, existe um mundo interior onde o observador precisa estar concentrado em si mesmo para ultrapassar os limites racionais e instintivos para poder aos poucos tornar o que era invisível em “objetivável”. É uma tarefa árdua e implacável de ESPREITA DE SI MESMO. Esse processo pode levar meses ou anos para se poder vislumbrar um outro universo paralelo à nossa consciência comum. É inócua qualquer tentativa de racionalização sobre essa realidade paralela e invisível. Quem já visitou essa realidade profunda SABE QUE NADA SABE. É um verdadeiro paradoxo porque seria lógico TER a sabedoria mas durante a experiência interior SENTIMOS o quanto somos limitados e inconscientes. Eis o conflito: TER a idéia de verdade ou SENTIR o fundamento da verdade; FALAR a verdade ou OUVIR a verdade em si mesmo. Devemos pensar sobre esse texto abaixo que recebi recentemente de um amigo do Rio de Janeiro:

“”Se um número suficiente de pessoas passar por um processo de profunda transformação interna, talvez seja possível alcançar um nível de evolução da consciência no qual possamos merecer o nome suntuoso que demos à nossa espécie: homo sapiens.” Stanislav Grof

Desejo à nós todos a coragem necessária para transformarmos, a nós e ao mundo, num futuro melhor. Estejamos em paz e unidos pelo amor.

Forte abraço e beijo.

Julio”

Faço das palavras de meu amigo Julio as minhas também.

Um abraço e felicidade para todos – de verdade!

Por: Bernardo Melgaço da Silva
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Turismo – Santana do Cariri – Por Yuri Lacerda

Uma ótima opção de turismo na região caririense é conhecer a cidade de Santana do Cariri. Conhecida internacionalmente pelo sua grande quantidade de fósseis, Santana também possui o Pontal de Santa Cruz, onde se pode desfrutar de uma das mais belas paisagens da região do Cariri, como também de uma excelente culinária de comidas regionais.

O primeiro local que o visitante pode conhecer é o Museu de Fósseis, que conta com uma enorme quantidade de fósseis encontrados na região que variam desde plantas até dinossauros.

Fósseis de peixes do museu de Santana do Cariri

Outro local que deve ser visitado é a Casa do Coronel Felinto que foi um centro da política santanese na antiguidade. É um casarão antigo com uma arquitetura muito bonita vale a pena conhecer.

Foto da faixada do casarão
Corredor do Casarão

Vista para a igreja e Pontal do casarão

Em seguida o turista deverá conhecer a igreja de Nossa Senhora Santana que possui um belíssimo altar todo feito em madeira.

Vista frontal da igreja

Outra opção de visita também é o parque dos dinossauros, onde são realizadas escavações de fósseis. Por último, o visitante deverá conhecer o Pontal de Santa Cruz. Chegando na “Vila do Cancão” você poderá optar por subir para o Pontal de carro ou caminhando através de uma trilha, para quem tem o espirito de aventura. Vale a pena subir caminhando, pois há vistas muito bonitas.

Entrada da Trilha para o Pontal

Vista da Cruz a partir da trilha
Não deixe de provar o excelente baião-de-dois cremoso do restaurante do Pontal. Não esqueça de levar uma máquina fotográfica para tirar fotografia de uma das paisagens mais bonitas da região do Cariri.
Por Yuri Lacerda.

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Jonal Diário do Nordeste: Dia de Reis, Grupos preservam tradições

Foto: Elizângela Santos
Os grupos de Lapinha e reisado da região do Cariri seguem a tradição de louvação ao Dia de Reis.

A região do Cariri faz a louvação de reis no dia 6 de janeiro, mas a programação já se estende com as apresentações dos grupos de lapinhas nos municípios de Juazeiro do Norte e Crato. No município cratense, a tradicional festa do Dia de Reis acontece com um grande cortejo de dezenas de grupos de reisados, a partir das 17 horas do dia 6. A concentração dos grupos começa a partir das 15 horas, na sede do Instituto Cultural do Cariri, onde acontece a apresentação da Lapinha do Menino Jesus, coordenada pela mestra da Cultura, Zulene Galdino. Também será realizada a solenidade de posse de novos acadêmicos do Instituto Cultural do Cariri (ICC), nas cadeiras Dedé de Luna e Zé de Matos.
Os brincantes saem pelas principais ruas da cidade até o Centro Cultural do Araripe (RFFSA). Participam a Lapinha de Mãe Celina do Muriti, com a mestras Penha Luna, Mazé Luna e Espedita Luna, seguida de apresentações folclóricas de louvação com o Reisado Feminino Dedé de Luna do Muriti e Reisado Infantil Dedé de Luna do Muriti, da mestra Mazé Luna; Reisado Flor Noeme, da Vila Lobo, com o Mestre Jefferson Aguiar de Melo, com coordenação de Maria Regilane dos Santos Melo e Maria Rita dos Santos Aguiar; Reisado Infantil do Sítio São Vicente, do mestre Galego, Reisado Feminino do Sítio Coqueiro, com coordenação do mestre Chico Carmo, Reisado do Sítio Cruzeiro, com o mestre Severino Alexandre.
A programação prossegue com a apresentação do Reisado Infantil do Sítio Cruzeiro, com trabalho da mestra Claudiane Alexandre; Reisado do Mestre Aldenir, coordenado pelo mestre da Cultura, Aldenir Aguiar, Reisado da Bela Vista e Serraria, com o mestre Antônio Carreiro, Banda Cabaçal dos Irmãos Aniceto, do mestre da Cultura, Raimundo Aniceto, Banda Cabaçal Mirim dos Irmãos Aniceto, com mestre Adriano Aniceto; Banda Cabaçal do Mestre Bidu, mestre Emídio Barbosa, o Bidu. Entram também os grupos de Maneiro Pau da Bela Vista, com mestre Cirilo, Maneiro Pau Infantil da Bela Vista, mestre Beto, Maneiro Pau Feminino da Batateira, com a mestra Raimunda Queiroz.O Coco das Mulheres da Batateira, com coordenação da mestra Edite Dias, Coco Infantil da Batateira, da mestra Raimunda Queiroz, irão fazer parte da festa, além do Coco Misto da Batateira, com a mestra Raimunda Queiroz, Coco Infantil da Bela Vista, com mestra Gorete Araújo, Coco do Sítio Quebra, da mestra Maria da Santa, a tradicional Dança de São Gonçalo da Bela Vista, com mestra Adaugisa e ainda Os Três Reis Magos em Perna de Pau, do Circo-Escola Alegria.
A programação elaborada pelo professor Cacá Araújo, presidente da Fundação Mestre Elói, segue a tradição de anos no município e conta com realização da Secretaria de Cultura da cidade e parcerias. A população do Crato e do Cariri vai às ruas festejar Dia de Reis.
No bairro João Cabral, em Juazeiro do Norte, o cortejo dos brincantes acontece durante o dia com vários grupos no bairro João Cabral, tradicionalmente conhecido na cidade e onde há grande concentração dos grupos de tradição popular. Mas, dentro da programação do “Natal de Amor e Paz”, no município, estão sendo realizadas várias apresentações de grupos reisado e de lapinhas.
Desde o último dia 25, grupos de lapinhas se apresentam em vários locais de Juazeiro, na programação da Secretaria de Cultura. Hoje, se apresentam, às 17 horas, na Praça do Coração de Jesus, nos Salesianos, com destaque para o grupo Santo Expedito. Às 19 horas, apresentação do Reisado São Luis e da Banda Cabaçal Santo Antônio, no Santuário de Nossa Senhora das Dores. Amanhã, a lapinha N. Sra. do Rosário no Memorial Padre Cícero.

SAIBA MAIS
Origem – As maiores e mais tradicionais festas do catolicismo popular têm suas origens nas festas pagãs da antigüidade. Como exemplo, os festejos do ciclo junino, em homenagem a Santo Antônio (dia 13), São João Batista (dia 24) e São Pedro (dia 29), que se originaram na tradição pagã dos povos da Europa, Ásia e África.

Rituais – Esses povos festejavam as divindades protetoras da fertilidade e da colheita quando se aproximava a chegada do verão no Hemisfério Norte e que foram transferidas para o calendário católico. Os antigos rituais agrários, no Velho Mundo, no solistício de verão, entre 22 e 23 de junho, marcavam o início da colheita.

Reisado – Com relação ao Natal, ocorreu o mesmo fenômeno. Comemora-se o Nascimento de Cristo, mas ninguém sabe ao certo o dia em que Jesus nasceu. Muitos pesquisadores acreditam que Cristo não nasceu no ano zero, e sim entre os anos 4 a 5 a.C. A Tiração de Reis, pelos Reisados, ou a Folia de Reis em diversas outras regiões brasileiras, pelos grupos de foliões, são tradicionalmente realizadas no período de 25 de dezembro a 6 de janeiro e, tem sua origem primária na Festa do Sol Invencível, comemorada pelos romanos e depois adotada pelos egípcios.

Elizângela Santos
Repórter

Mais informações:
Fundação do Folclore Mestre Elói
Rua Mons. Fco. de Assis Feitosa, 504, Centro, Crato (CE)
Tel.: (88) 3523.7430 ou (88) 3523.1333

Previsões ou Cenários: Podemos saber sobre o Futuro ?


É fascinante o esforço humano de querer se antecipar aos fatos e fenômenos que ainda irão ocorrer. Assim, logo no início do novo ano surgem matérias jornalísticas apresentando as previsões e os cenários futuros. E são as mais estranhas possíveis. Os especialistas são de diversas áreas. Um especialista é entrevistado para fazer as previsões que a sociedade gostaria de ouvir onde ele anuncia para todos: a morte de uma personalidade importante; a conquista do campeonato nacional; a estabilidade ou instabilidade econômica; a dança das cadeiras dos cargos políticos do alto escalão; o casamento de uma artista famosa; um terremoto que vai acontecer; um furacão que vai destruir uma cidade inteira etc. Esse tipo de mensagem tem seus consumidores. Vendem-se milhões aos corações ávidos por notícias antecipadas. Assim, temos vários argumentos futurísticos, cada um com sua ciência e técnica: pai-de-santo, economista, analista político, cientista etc. Mas, por que temos a necessidade de nos anteciparmos sobre algo que ainda não está preparado para fazer parte de nosso mundo de experiência? Será por que o mundo presente em que estamos vivendo não nos encanta mais e perdeu seu valor ou importância? Será por que perdemos algo interior que nos permitia ter a segurança de uma vida melhor? Ou será por que a falta de fé nos princípios e fundamentos transcendentais da vida já é algo que não reconhecemos mais como verdade de cada um? O que aconteceu ao homem moderno por se “pré-ocupar” tanto com o futuro? Ou seja, quando nos preocupamos, em verdade nos ocupamos antecipadamente (pré-ocupamos) com algo que não temos a mínima condição de saber se é um problema de fato ou uma mera insegurança.

E na maioria das vezes as nossas preocupações são inseguranças e incertezas criadas pela nossa consciência especulativa. Especulamos mais do que de fato vivenciamos a essência da realidade. O futuro incerto e invisível nos dá medo, porque a nossa insensibilidade cresceu assustadoramente. E cresceu porque valorizamos demais a técnica de racionalização inventada pelos gregos: a lógica. Por isso, vivemos embasados pela lógica segura do raciocínio que calcula tudo. E por isso, não sobra espaço para o desenvolvimento da sensibilidade (p.ex.: a ioga) sutil e intuitiva. A sensibilidade, nesse contexto, é a capacidade de medirmos ou percebermos variações de sinais, freqüências ou sinais que se manifestam em nosso campo de experiência.

A sensibilidade é a base onde se fundamenta a inteligência humana. Essa é a minha tese de mestrado defendida em 1992 na Universidade Federal do Rio de Janeiro/COPPE. Tive a felicidade de vivenciar, em 1988, um estado alterado de sensibilidade em que me permitiu ver a raiz do problema da percepção humana. E confesso que quase fiquei louco e ao mesmo tempo sábio também. A ciência se apóia na sensibilidade humana e na sensibilidade dos instrumentos de diagnósticos. Em outras palavras, a sensibilidade nos permite ver os fenômenos sutis da realidade e assim por um processo sistemático e metodológico cria-se uma inferência sobre os dados observados e coletados. Esses dados coletados nos apontam para uma tendência caso os dados se mantenham regulares. E como conseqüência desse processo de análise e inferência cria-se os cenários possíveis. Isso implica dizer que um cientista não faz previsões mais cria cenários possíveis em função de uma investigação sistemática e metodológica, por exemplo, o fenômeno do AQUECIMENTO GLOBAL.

Os cenários são feitos por aqueles que empregam o método científico. As previsões podem ser feitas por pessoas dotadas de alta sensibilidade humana, os chamados INTUITIVOS ou VIDENTES. Mas, todo cuidado é pouco, porque eles são raríssimos. No meio da confusão propiciada pelas incertezas, inseguranças e medos surgem os charlatões, os falsos videntes, os falsos cientistas e os falsos profetas!

Prof. Bernardo Melgaço da Silva
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A Responsabilidade dos meios de Comunicação: A Música-Hino do Tráfico

Vivemos um mundo de violência. É triste ver que a humanidade caminha para a barbárie. A mensagem do doce Amor está longe de penetrar nas mentes das crianças, dos jovens e dos adultos. O que penetra é o desejo sexual, a paixão, a carência e todas as fraquezas humanas. Os meios de comunicação, com raras exceções, propagam valores contraditórios. Canta-se o amor, mas na verdade ensina-se o desejo sexual, a paixão e os impulsos instintivos. Canta-se a justiça, mas na verdade atualmente ensina-se a música-hino da lei do tráfico (tá…tá…tá…rá…rá….tá…tá…tá…pá….ti bummm….). Eu sei que na democracia ideal todos são livres para expressarem suas visões e valores. Mas, quem vai estabelecer o que é justo e o que é de direito? Eu sei que todos têm o direito de se manifestarem como podem e devem numa democracia de verdade. Mas, mesmo assim devemos perguntar: é justo que se ensinem as crianças e jovens que pegar em arma de fogo é bonito e legal (sintam o drama lá nos EUA – crianças compram armas legalmente e matam colegas, professores etc)? Algumas rádios do cariri, e creio que em centenas ou milhares no Brasil, estão propagando a música-hino do tráfico. O que esperar de uma sociedade do futuro onde nossas crianças – bastante vulneráveis! – aprendem que matar é bom e justo? E que amar e perdoar o outro é careta e cafona!

Confesso que minha indignação é grande (eu sou carioca e senti na pele – a violência de lá) quando escuto uma rádio de reputação em Juazeiro do Norte-CE quando entra nessa moda (irresponsável!) sem ter o mínimo sentimento de respeito aos ouvidos de seus diletos ouvintes. Eu venho desligando o rádio quando escuto a música-hino do tráfico. É bonito assistir pessoas com o porte do Sr. Hilário falando em paz, amor e justiça. Mas, é triste ver que em seguida a rádio onde propagou temas tão importantes não tenha o mínimo de bom senso para perceber que uma rádio (ou outro meio tecnológico) não é apenas um meio de comunicação e entretenimento, mas além disso é um instrumento de elevação moral e ética da população ouvinte. E além disso, é parte de um sistema pedagógico complexo da sociedade em que se insere. A música não só diverte e embala os corações, mas ensina também a amar e a matar. O que queremos: Liberdade responsável ou libertinagem irresponsável e criminosa? A mente humana é como uma esponja. Ela absorve tudo que entra no canal de percepção. O nosso campo de percepção é vasto e sutil. Podemos deixar entrar coisas sadias ou não. E ai construímos um estado de consciência em função do que absorvemos e filtramos. E como estamos filtrando – se é que estamos? – as impurezas e imperfeições propagadas pelas ondas dos meios de comunicação? Creio, que estamos vivendo uma CAVERNA DE PLATÃO moderna. Estão ensinando a ver a aparência da realidade, um mundo de valores obscuros e falsos – apenas sombra, desamor e morte! E com toda certeza digo: a violência tende a aumentar. Nada acontece por acaso! O que plantamos com persistência– colhemos também. A apatia e a insensibilidade dos que dirigem esses meios de comunicação é um sinal de que esses instrumentos foram dados para mãos erradas.

A música-hino do tráfico foi financiada por quem? Pensem a respeito. E se não mudarmos esse caminho, não poderemos chorar a perda de um filho morto por mãos e mentes vulneráveis e mal formadas que foram educadas a pensar que matar é bom, legal e corajoso. Vocês decidem! Falem e gritem – enquanto há tempo – mas, por favor, não fiquem calados, porque quem cala consente.

Prof. Bernardo Melgaço da Silva
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Festa de Reis


A Festa de Santos Reis, no dia 6 de janeiro, ou Dia de Reis, de onde se origina o termo reisado, encerra o ciclo natalino.
O Reisado, ou Congada como era chamado esse folguedo no Cariri antigo, ocupa o centro dos festejos de reis. Paulo Elpídio(1) descreve os congos como sendo derivados de uma tradição que funde valores medievais com a cultura negreira. Por serem cativos, os negros só tinham oportunidade de mostrar, sob o manto da fé cristã, os elementos de sua ancestral cultura em época de Natal. A Congada, que hoje se perpetua no Reisado, era representada pela corte dos reinos negreiros, com o rei, rainha, príncipes, damas e súditos. O reisado incorporou personagens do Bumba-meu-Boi, como o boi, o careta, rebatizado como mateus; e o babau, agora chamado de jaraguá. A dupla de mateus protagoniza um espetáculo à parte. Veste roupas de cor azul escuro, com cafuringa(2) na cabeça, balançando chocalhos (maracás) e soprando estridentes apitos. Transita por fora da formação em filas indianas com que os demais figurantes se postam para executar o ato.
A parte musical é executada por um violeiro e um tocador de tambor, e cantada por todos os personagens e figurantes. Estes, vestem-se como cavaleiros medievais, com capacetes espelhados, de onde pendem fitilhos de cores azul, vermelho e amarelo. Vestem camisas de mangas compridas e saias de cetim. Calçam tênis e meias esticadas até o joelho. Seguram espadas, feitas de latão, com as quais digladiam entre si, em coreografia movimentada e arriscada.
No Crato, a tradição de festejar o Dia de Reis é mantida até hoje, principalmente com o apoio do poder público.

(1) O CRATO DO MEU TEMPO. Fortaleza, 1960
(2) Espécie de chapéu pontiagudo

Poetas, Cronistas – CD – A Busca da Perfeição – Quem vai Participar ?


POETAS ?
Pessoas comuns ?

Desejam expressar a sua opinião acerca dos grandes temas da vida?
Estou gravando meu CD que é um caleidoscópio de idéias sobre a existência, com música e poesia. Chama-se “A Busca da perfeição” e tem o patrocínio exclusivo do banco do Nordeste do Brasil.

Aos poetas, escritores, cronistas, estou pedindo que enviem seus poemas, seus pensamentos sobre os seguintes temas:

- O sentido da Vida - A Morte - A busca da Perfeição - O Universo - A Arte - A Música - A poesia
e temas correlatos.
São textos a serem lidos pelos próprios autores e gravados no meu CD.

Preciso desses textos para ONTEM…

Eis alguns que já recebi para o CD:

“Talvez, o mais emocionante na busca pela perfeição, seja a busca! Imagine o céu, se verde fosse! As águas do mar se róseo fosse! Se ao Japão o sol não fosse, Se ao Brasil a noite não chegasse. Se o verbo estivesse para o rebento, antes do choro! Mas nada, nada é ao acaso! Em tudo há princípios. Existem as vicinais porque há a principal. Os paralelos margeiam os opostos e os iguais. As dissonantes soam bem aos ouvidos dos desafinados! O melhor da busca pela perfeição é sempre a busca! Depois a procura pelo estado mais que perfeito! Depois, pelo depois… Pelo depois do depois, depois… Buscamos na perfeição, o que ela procura em nós!”
Pachelly Jamacaru

Perfeição é busca que se não procura Tão-pouco se acha É vácuo que existe sem se ver E preenche o vazio que persiste Um estado que mesmo sólido é gasoso Um débito impagável que se paga O dia que nasce depois de morto Para ressuscitar a noite passada É um erro que se conserta Um concerto regido sem maestro É alimento que sacia a fome Para depois ser expelido como dejeto Perfeição é um par perfeito que se separa Depois de esgotar todas as possibilidades É um oceano onde nada é pacífico Entre ondas e por cima de abismos É fé que remove montanhas É força que varre entulhos São olhos que vasculham o tempo Cantigas de ninar menino É a insônia no meio da noite É o sono é o som é o sonho
Carlos Rafael

” Só Deus é perfeito!” : é o começo de tudo. Repetimos tanto que decoramos o mote. Depois, percebe-se o caos da vida e a gente começa a duvidar da existência de Deus e a buscar a razão de nossa existência noutros princípios. Aí nos deparamos com a finitude da vida e sofremos, e choramos e perdemos a esperança! Chegamos ao precipício e nele nos atiramos… Então …somos seres alados! A arte nos dá asas. Outro olhar sobre a vida e descobrimos outro Deus: criador, sensível, belo…artista!

L. C. Salatiel

MOTO CONTÍNUO com a prática a PERFEIÇÃO vem por inércia.

João Nicodemos

Pois é, gente, cadê os textos de José Flávio Vieira, Armando Rafael, e os demais ?
Escolha um tema, fale sobre a vida, a existência, a Morte, e aguardo respostas!

Abraços,

Dihelson Mendonça

Patrocínio:

O MENINO PEIXE…

Em 2008 feito o menino peixe, mergulhemos em busca de vôos… Borbulhemos um ar de contemplação e admiração à criação e a criatividade artística! O menino peixe é a primeira imagem do ano que apresento ao universo das artes! Que simbolize inspiração para todos nós…


Fotos: Pachelly Jamacaru
Direitos Reservados.

Rua Mons. Assis Feitosa no apagar das luzes de 2007

Feliz Ano Novo ! – Que sejamos mais e Façamos mais em 2008 !


Olá, meus caros amigos,

Nessa data em que atravessamos mais um ano de nossas vidas, quero aqui deixar registrados os meus mais sinceros votos de plenitude da vida humana aqui na terra para 2008. Quero lhes desejar que METADE dos seus sonhos se realizem. Dizem que um homem sábio jamais quer ver realizados todos os seus sonhos, pois a vida perderia o sentido.

Sendo assim, quero apenas me congratular com todos que lêem essa mensagem, e lhes dizer que se a vida parasse por aqui, mesmo assim, eu ainda agradeceria ao criador pelo fato de ter me dado tão excelentes amigos como todos vocês.

Muito obrigado por sua amizade. E que Deus nos tenha em conta e que em 2008 possamos ser mais, criar mais, realizar mais. Até que um dia, quando a senhora mãe de todas as horas nos surgir na frente, nós possamos dizer: Entra, podes entrar, pois eu tive um bom dia!

Feliz 2008, meu amigos.

Dihelson Mendonça
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Notas esclarecedoras sobre a URCA

Indispensável reproduzir neste blog esclarecedoras notas postadas no blog de Tarso Araújo:

“Vai aqui uma dica para a próxima edição do jornal da URCA. Que a Reitoria fale dos projetos que está elaborando para enviar aos governos estadual e federal para conseguir recursos para a URCA. Mais ainda, poderia aproveitar o próximo jornal da URCA para esclarecer a opinião pública do Cariri de que não existe nepotismo na atual administração da Universidade Regional do Cariri. O nepotismo, aliás, tão combatido pelos que hoje dirigem a URCA deve ser denunciado. Então, sugiro que a Reitoria divulgue a lista do nepotismo e ao mesmo tempo demita os parentes de dirigentes da Instituição que ocupam cargo de confiança. Outra dica: era bom a atual administração esclarecer que alguns dos projetos em andamento foram da gestão anterior. Era bom esclarecer também quais projetos está elaborando. Ficar só colocando fotos de pró-reitores que até agora nada fizeram não é uma política de divulgação da universidade, mas de seus dirigentes”.
Postado por Tarso Araújo às 03:01

1 comentário:
josé sales disse…
“Segundo consta todos os projetos que estão incluidos no MAPP da Ciencia e Tecnologia foram concebidos a partir do PLANO URCA, feito na Gestão André Herzog. Ampliação do Crajubar(1)/ Ampliação da Bilbioteca Central do Campus do Pimenta(2)/ Reforma e modernização do Museu de Paleontologia da URCA/ Santana do Cariri(3)/ Melhorias no Campus do Pimenta(4), além de vários outros”.

A Civilização da Rapadura


Seguindo o esquema proposto por Darcy Ribeiro(1), onde as formações sócio-culturais são resultados de revoluções tecnológicas, o Cariri Cearense, na sua evolução histórica, traz especificidades que o configuram como um dos modelos de sociedade levados a cabo ao longo do processo civilizatório desencadeado pela Revolução Mercantil.
Segundo o escritor cratense José de Figueiredo Filho, foi a transformação da mandioca em farinha, pelos índios cariris, a primeira atividade econômica existente na região. Ainda mantém-se essa tradicional indústria, principalmente nas comunidades localizadas na chapada do Araripe, através de equipamento tosco, legado indígena, chamado casa de farinha.
Houve, no início da colonização, em locais hoje pertencentes ao município de Missão Velha, a tentativa de explorar metais preciosos na região, através da Companhia do Ouro São José, que logo viu frustrados seus intentos. Segundo a historiadora Adelaide Girão,em História do Ceará, para tal empresa, organizou-se a entrada de mão-de-obra escrava negreira, que foi, em seguida, ocupada nas atividades agrícolas. No entanto, fugindo dos interesses agro-exportadores do mercantilismo europeu, o trabalho cativo não foi dominante no Cariri. Prevaleceu um regime semi-servil, onde o campesinato era obrigado a pagar quota de trabalho gratuito para viver nas terras dos proprietários. Essa relação de produção é comumente designada por clientelismo, mantida pela ordem coronelística.
O Cariri, pela sua geografia é um espaço do interior nordestino que teve uma ocupação peculiar. A principal atividade econômica, seguindo a experiência colonial pioneira, foi a cultura canavieira voltada à produção de melado e rapadura – usados como adoçante, similares do açúcar branco destinado a Europa – e, secundariamente, de aguardente.
Para saber sobre a real dimensão histórica e econômica dos engenhos de rapadura no processo de colonização da região, recomenda-se a leitura do livro Engenhos de Rapadura no Cariri, de Figueiredo Filho, infelizmente nunca reeditado. O certo é que foi a partir dos engenhos de rapadura que a visão-de-mundo dos caririenses ganhou os contornos definitivos.
Como já foi dito, uma das peculiaridades da formação caririense, deve-se à situação de marginalidade da sua economia perante os interesses mercantilistas europeus. Enquanto o litoral estava submetido ao monopólio colonial da produção do açúcar, o interior experimentava um sistema decorrente, onde a sua produção atendia a uma demanda local. O Cariri trocava seus excedentes de rapadura e aguardente com as regiões vizinhas, abastecendo os sertões do Ceará, Paraíba, Pernambuco, Piauí e Rio Grande do Norte. Adquiria, assim, mercadorias que não produzia, como sal, tecidos finos, utensílios de ferro etc.
Os primeiros engenhos caririenses eram feitos de madeira e movimentados por juntas de bestas e bois e por correnteza d’água. O historiador caririense, Antonio Gomes de Araújo, citado por Figueiredo Filho, conta que foi o capitão Antonio Ferreira de Melo, membro do Regimento de Cavalaria, que iniciou o ciclo do engenho de ferro, ainda no século XVII. O engenho veio de Pernambuco, via sertão do Pajeú, transportado por juntas de boi, para a sua propriedade, localizada no sítio São José, onde hoje é a divisa de Crato e Juazeiro do Norte.
O naturalista escocês George Gardner(2), na sua passagem pelo Crato, na década de 1830, oferece um relato sobre a produção da rapadura feita da região:
Vivi cinco meses no meio desta gente; mas em nenhuma outra parte do Brasil, mesmo durante curta residência, fiz menos amigos ou vivi em menos intimidade com os habitantes. Além do senhor Melo, o único indivíduo cuja casa visitei freqüentemente, era um outro filho do velho vigário, capitão João Gonçalves, dono de um engenho de açúcar (rapadura), a duas léguas da cidade.
“(…) Tive muitas ocasiões de ver nesse engenho, como se faz a rapadura. O engenho é de construção muito tosca, compondo-se de uma armação com três moendas verticais de pau, entre as quais a cana passa para se espremer o suco que se recolhe num receptor embaixo, donde escorre para um cocho escavado no tronco de grande árvore. Passa-se a cana três vezes para que extraia toda a garapa. Deste cocho, parte do líquido é levada de tempos em tempos, a pequenos tachos de metal, dos quais havia nove, enfileirados em pequenas aberturas sobre uma fornalha arqueada. Nas diferentes fases do processo, à medida que se faz a evaporação, o suco é despejado de um tacho em outro, até adquirir no último a desejada consistência. Transfere-se então para uma cuba escavada em sólida madeira e que se chama de gamela. Aí fica algum tempo a esfriar, sendo então lançada em formas de madeira do formato e tamanho do tijolo comum, embora algumas se façam com a metade deste tamanho. Tiradas das formas, ficam a endurecer ainda por uns dias e estão prontas para o mercado. As grandes vendem-se em Crato por dois vinténs, em Icó por cinco e em Aracati, por quatro”.

(1) O Processo Civilizatório – Etapas da Evolução Sócio-Cultural. Rio de Janeiro: Vozes, 1979
(2) Viagem ao Interior do Brasil. Belo Horizonte, Ed. Itatiaia; São Paulo, Ed. Universidade de São Paulo, 1975, pp. 94-95

Os vários jeitos de dizer

Emerson Monteiro

Há dias não escrevo, no propósito de vascular o sótão do juízo e organizar de volta o ambiente, com isso querendo esfriar as caldeiras, na temporada boa do final de ano. Quando isto ocorre, ato contínuo, vê-se disposto a produzir qualquer coisa que una consciências, intenção de quem escreve por puro prazer.
Ainda assim, nesta busca de encontrar meios de retornar à escrita, catar as imposições do pensamento, e gerar, cá fora, alguma coisa que mereça a caligrafia das palavras, ainda assim, por vezes, os gestos permanecem restritos, numa proporção inferior ao desejo, face aos caprichos ditatoriais da forma.
Na verdade, afloram temas, a exemplo dos protestos virtuais à realidade contundente, onde o superego indica alternativas no que diz respeito ao trânsito das cidades; às políticas mercadológicas, que favorecem mais as elites, no jogo eleitoral insuficiente; à destruição gradativa da Amazônia, culpa de governos sucessivos, ferida de morte neste régio presente da natureza; às limitações usuais da personalidade humana como um todo; etc.; etc.
Resultado: escrever implica, grosso modo, no risco de ficar falando sozinho, em mundo que determina chamados múltiplos e possibilidades eletrônicas. Jornais amarelam rápido. Livros dormem em tudo que é canto de sala, preguiçosos, manhosos e antigos, viciados com a situação em que se transformaram as sociedades letradas desses dias.
O rádio, sim, e não esqueceria este veículo quente, trem-bala da comunicação de massa. Nele as palavras passam, mas os conceitos permanecem. Escutar, mergulhar pelas cavernas da memória através dos canais do ouvido…
Observo, sem um planejamento prévio, que, após décadas de textos publicados, retorno aos inícios da caminhada pelas letras, no ano de 1965, época em que, ao lado de Antônio Vicelmo, redigia para a Rádio Araripe. Cabia, a mim, produzir a parte internacional de jornal das 21h, de sua responsabilidade, talvez na primeira função radiofônica do consagrado noticiarista caririense.
No passo seguinte, Armando Rafael me solicitou que escrevesse crônicas para aquela emissora cratense, motivando descobrisse o potencial da opinião como necessidade urgente da cidadania em qualquer instância.
A importância do ato de dizer esbarra, com freqüência, nos veículos de que dispõe cada comunidade. Existem núcleos que dão prioridade a outros recursos da comunicação. Muitos escolhem a oralidade pura e simples, na fala que circula os baixios da informalidade, sem reclamar papel, câmeras ou microfone. São as sociedades ditas primitivas quanto aos sistemas de propagar a história e sua conceituação, sem reclamar profundidade documental, ou gravações magnéticas.
Aceitemos, contudo, agora, apenas isto em termos de avaliação dos modos de comunicar, porquanto o rádio trabalha sob o império do tempo e requer, por isso, limite rígido de quem dele se utiliza.
Na oportunidade, quero desejar um ano de prosperidade e boas realizações a todos os que nos ouvem neste momento.

Feliz Ano Novo de Verdade: Como Fazer ?


Por: Bernardo Melgaço da Silva

Todos os anos desejamos no final do ano que todos que gostamos sejam felizes. É uma cultura e um ritual que avança de geração em geração. Mas, logo inicia o novo ano e nos sentimos despreparados e impotentes para cumprirmos o que desejamos aos outros e a nós mesmos. É natural! O mistério e a luz nos acompanham e assim nos vemos no mesmo ponto de partida: como fazer?

A verdade é que a felicidade é um nascimento do ser que não somos ainda. É um processo de identidade existencial: não somos de fato ainda o produto do que foi projetado cosmicamente para sermos. Por isso, a felicidade nunca é aquilo que desejamos ser. Ela é a árvore onde somente existe a semente. Ela é uma descoberta onde somente existe a intenção e a procura. Ela é aqui e agora onde projetamos nossas idéias e nos perdemos nos labirintos dos nossos pensamentos. Ela é uma força cósmica, um padrão vibratório criador. Eterna, sublime e transcendente. Ela é uma luz de um sol de calor doce e suave que nasce nas profundezas da essência da criação.

Ela existe na surpresa agradável da revelação amorosa que se destaca e se mostra quando menos esperamos. Ela é oculta, inesperada e transparente. Ela é amante e a amada. Ela é um encontro querido na sutileza da transformação de si mesma; é o começo, o meio e o fim de tudo que desejamos encontrar e sentir; é o verdadeiro sentido da vida humana. Por isso, todos são buscadores da felicidade porque ela é o sentido da verdade maior.

Assim, a felicidade é o coração aberto e universal que detém o poder de ser livre das amarras das verdades fabricadas ou modeladas pelos homens. Então, quando desejamos ao outro dizendo “FELIZ ANO NOVO!”, estamos intencionando que haja uma transformação tão profunda no ser que ele deixe de ser o que ele aprendeu a não ser – e nunca teve a oportunidade de aprender a desaprender! E para que alguém seja feliz de fato faz-se necessário ser livre dos conceitos psicológicos de liberdade, de amor, de justiça, de verdade, de riqueza, de família convencional e de tudo aquilo que foi plantado, em sua consciência vulnerável, pelas infinitas sugestões do mundo.

A felicidade está no limite superior da consciência humana. Um caminho de realização interior solidário e solitário onde a divindade se aproxima com sabedoria e nessa relação o humano descobre que existe um Outro Transcendente que carrega toda a verdade humana buscada e até então incompreendida. Nesse sentido, a felicidade é um casamento cósmico supra-humano. Onde se nasce com aquilo que é conhecido (em francês “conaissance”). E para nascer de novo é preciso que se “morra” (no sentido de transmutação ou “metanóia” na linguagem freudiana) primeiro. Nesse contexto, a felicidade é uma passagem e conexão com outro mundo e estado maior de ser.

Assim sendo, podemos compreender que a passagem de ano é um simbolismo para nos lembrar que existe um outro lado da vida na fronteira da consciência comum do homem escravo de si mesmo. E essa outra condição humana se faz na passagem do estado infeliz para o estado feliz de forma incondicional. É uma façanha que poucos conseguem realizar porque não percebem seus condicionamentos auto-hipnóticos. Em síntese, a felicidade é um salto quântico que se realiza na superação do próprio ego limitado, impotente e infeliz.

De forma que ao desejarmos “FELIZ ANO NOVO” no fundo desejamos a conquista de si mesmo manifestada no outro semelhante. Por isso, desejo a todos FELIZ ANO NOVO DE VERDADE. Assim, deseje de verdade que o outro seja feliz também, pois aquilo que desejar no outro será semente em si mesmo. Se desejares o bem ao outro com coração sincero plantarás em si mesmo a semente do bem. Essa semente poderá crescer se assim você continuar desejando. Por isso, devemos desejar aos nossos amigos e inimigos sucesso espiritual de verdade, porque somente assim criaremos um mundo melhor de verdade e feliz. O mundo é o que é hoje – violento, excludente e injusto – porque desejamos e criamos inconscientemente a outra face da realidade distante da felicidade: a infelicidade e a escuridão de si mesmo. Não existe acaso! FELIZ ANO NOVO – DE VERDADE ESPIRITUAL!

Por: Prof. da URCA Bernardo Melgaço da Silva
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Antonio Vicelmo Agradece o apoio ao Jornal do Cariri


O Jornalista Antonio Vicelmo, em seu último programa do ano, agradece à todos os ouvintes o carinho, a audiência enorme que o Jornal do Cariri tem recebido ao longo de sua existência, aos patrocinadores ( alguns há mais de 20 anos ), e à todos os seus inúmeros cronistas. Em sua mensagem, Vicelmo também anuncia que durante o mês de Janeiro estará de férias, voltando no final do mês para a Rádio Educadora do Cariri.

Confira no player abaixo:

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PERSONAGENS E FATOS DA HISTÓRIA DO CARIRI


José Martiniano de Alencar, senador e presidente da Província do Ceará.

Armando Lopes Rafael (*)
José Martiniano de Alencar nasceu no sítio Lambedor, à época pertencente a Crato, hoje município de Barbalha, em 16 de outubro de 1794. Faleceu no Rio de Janeiro em 15 de março de 1860, vítima, provavelmente, de infecção Tifóide. Filho de dona Bárbara de Alencar e pai do consagrado romancista José de Alencar, o padre José Martiniano de Alencar – aos 22 anos e sete meses de idade – foi o principal responsável pelo movimento que proclamou em Crato, em maio de 1817, um governo revolucionário republicano.

O jornal “O Povo”, de Fortaleza, edição de 29 de dezembro de 1994[1], publicou matéria sobre Alencar onde consta:

Tão marcante quanto controvertida, a figura pública de José Martiniano de Alencar deixa dúvidas para a posteridade. É acusado de ter sido covarde – teria negado no seu julgamento a participação no movimento do Crato, imputando a seu irão Tristão Gonçalves todo o erro. Já o seu sobrinho, o conselheiro Tristão Araripe, em artigo publicado no “Diário de Pernambuco”, afirma que Alencar contestou a utilidade do movimento “ponderando os perigos de desmembramento do Império e da aceitação do princípio democrático puro”, mas convencido pelo irmão tomou parte na revolução e jamais negou a autoria dos próprios atos. Segundo essa versão, o acusado foi absolvido por pessoas influentes na política da época que lhe reconheceram a moderação e os serviços prestados à causa pública como deputado constituinte.

(Esclarecemos que a participação de José Martiniano de Alencar no movimento revolucionário acima citado refere-se à Confederação do Equador de 1824. Anteriormente, ele havia liderado, em Crato, da Revolução Pernambucana de 1817).

Continuamos a transcrição da matéria do jornal “O Povo”:

Controvérsias à parte, José Martiniano de Alencar conseguiu de alguma forma voltar às boas com o poder político da época já que em agosto de 1834 é nomeado o sétimo presidente do Ceará e em 1841 assume a cadeira no Senado. Nessa época, apresentou um projeto que foi motivo de grande polêmica. Queria dividir o Ceará e criar uma nova província, o “Cariri Novo”, mas segundo o historiador José Aurélio Saraiva Câmara o verdadeiro objetivo era diminuir a zona de ação de seus adversários e implantar um império próprio no sul da província. Nomeado novamente presidente do Ceará, esquece o projeto – não tinha interesse de dividir a província e diminuir seu poder.

O historiador Airton de Farias[2] sintetizou bem: “Se a insurreição de 1817 diminuiu o ímpeto de Alencar, o insucesso de 1824 foi o ocaso do revolucionário. Ao contrário do irmão Tristão Gonçalves e de tantos outros companheiros, o filho de Dona Bárbara trocaria o ideal de criar uma república liberal pela sobrevivência física e política. Faltou-lhe a coragem de se manter fiel a princípios e arcar com as conseqüências. Veio à tona definitivamente uma das características de sua vida pública que se manifestaria outras vezes: o oportunismo. Aceitou a cooptação da monarquia”.
(*)Armando Lopes Rafael é historiador. Sócio do Instituto Cultural do Cariri e Membro-Correspondente da Academia de Letras e Artes “Mater Salvatoris”, de Salvador (BA)

[1] “1994 é o ano do bicentenário do pai de Alencar”, “O Povo”, 29/12/1994, folha 3-B.

[2] FARIAS, Airton de. Senador Alencar. Edições Demócrito Rocha, Fortaleza (CE), 2000, página 65
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Foto do Dia e Previsão do Tempo !


Acima: Foto da Rua Miguel Limaverde, tirada a partir da calçada da praça Siqueira Campos, ontem, dia 29/12/2007.

Acima: Previsão do tempo. É difícil acreditar que haja hoje, Domingo 30 de Dezembro pancadas de chuva à tarde. vamos ver…

Foto: Dihelson Mendonça
Tempo: Fonte: Climatempo.
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FELIZ ANO NOVO! – Por: Jorge Emicles

FELIZ ANO NOVO!

A idéia de que a história se constitui de uma seqüência linear de fatos é uma noção relativamente recente para a humanidade. Os antigos preferiam acreditar no universo e na vida como uma sucessão de ciclos, com começo, fim e recomeço. Na filosofia alemã do século passado, por exemplo, Nietzche afirmava a lógica do eterno retorno, segundo a qual os acontecimentos se sucederiam em ciclos, os quais periodicamente se renovavam. A própria idéia da passagem dos anos, estações, meses e semanas é clara reminiscência dessa visão de mundo ainda não totalmente esquecida.

Assim, falar de um novo ano é antes de tudo fruto da necessidade humana de explicar o universo enquanto uma seqüência de ciclos, os quais em seu conjunto formam o todo da experiência humana. E cada ciclo precisa ser apresentado como um recomeço, uma nova oportunidade concedida aos homens de corrigir-se e enveredar no caminho do que seja certo e leve à prosperidade. Ano novo, vida nova… Ano novo, nova oportunidade de endireitar aquilo que não foi tão bom, mas também de sedimentar as coisas positivas no antigo ciclo. É essa a grande esperança de todos… é esse o verdadeiro significado das comemorações pelo novo ciclo.

Tal compreensão do mundo, absolutamente se encontra avessa aos dogmas científicos da modernidade. A vida possui um ciclo, que se inicia com o nascimento, se finda pela morte e é alimentado pelo crescimento e reprodução de todas as espécies. O nosso corpo também é alimentado pelos ciclos, como a renovação periódica de todas as células; a natureza tem seus infindáveis ciclos, e mesmo à noção de ano acaba confinada ao ciclo do planeta em redor do astro solar. E desta maneira, compreender os ciclos que envolvem cotidianamente nosso existir, talvez permita compreender mesmo a sua própria essência.

Se o grande ciclo da vida tem por marcos o nascimento e a morte, decerto ele é preenchido por uma sucessão de outros, que merecem ser assinalados e compreendidos. O amor talvez seja o mais marcante de todos, porque de longe é o que permeia marcas mais profundas no existir. E, sob o signo do amor, vivemos seus diversos ciclos sob diferentes aspectos. Primeiro amamos incondicionalmente nossos pais, depois as diversas pessoas com as quais nos relacionamos, que vão dos familiares aos companheiros que se nos deparam durante a vida, passando por uma gama, enorme ou limitada, de amizades. Todas estas são diferentes formas de uma mesma energia. Mas, sobretudo, encontramos o amor incondicional na figura dos filhos que nos acercam durante a vida. É na verdade, os sucessivos ciclos do amor, por suas inumeráveis facetas, o que nos alimenta a resistir existindo, mesmo diante de todas as vicissitudes da vida.

O ciclo remonta à idéia de círculo, enquanto a forma geométrica mais perfeita de todas, porque não possui começo nem fim. Na simbologia, significa Deus, o Incriado e Perfeito. A vida dos homens, sendo cíclica, naturalmente o atrai aos valores sublimes da própria Divindade, lembrando a todos nossa proximidade com o Criador. Antes de uma simples confluência astrológica, o renovar do ano se nos apresenta primeiro, enquanto um chamamento ao recomeço na eterna busca da perfeição e em segundo lugar à intuição de nossas origens mitológicas, a um tempo, já esquecido, em que haveria uma comunhão absoluta não somente aos valores do Criador, mas sobretudo à perfeição da sabedoria. E se é cíclico o existir, então, da forma como partimos daquela condição primitiva, a ela retornaremos no fechamento do ciclo de expiações e aprendizados da espécie humana.

E assim deveria ser o espírito de todos os povos na cíclica passagem de um ano para outro. Não se trata simplesmente de mais uma comemoração. Também não é um ponto a mais em uma história aparentemente linear, mas na verdade um importante marco na busca de valores superiores, todos tendentes à elevação da condição superior do homem. O novo ano deve então significar uma renovada oportunidade de crescimento interior, individual e coletivo. Deve ser a lembrança de que por detrás do aparente caos que nos cerca, há uma ordem superior, e que a compreensão plena da ordem no meio deste caos é a meta de toda a espécie. É um momento, portanto, de profunda reflexão e especificação de propósitos no intuito do amadurecimento de todos e de cada um.

E com esse espírito desejamos: Feliz ano novo!

Jorge Emicles Pinheiro Paes Barreto Radialista. Advogado. Professor Universitário (URCA)
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Hoje no DN – Arquitetura do Crato em livro

MEMÓRIA HISTÓRICA

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Reprodução de foto da Rua Grande, na década de 20, no Crato. Atualmente, conhecida como Rua Dr. João Pessoa (Foto: Antônio Vicelmo)

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Casa onde morou a heroína Bárbara de Alencar, no século XIX, no Crato, ao lado da Igreja Matriz

Engenheiro Waldemar Arraes mostra, em livro, como a arquitetura das cidades recebem influências diversas

Crato. “Durante muito tempo a cidade do Crato teve a sua economia voltada para a agricultura, o que não permitiu o acúmulo de grandes capitais. Não tivemos e nem temos um patrimônio exuberante de reconhecido valor arquitetônico e estético dentro dos cânones tradicionais. Porém, este patrimônio tem grande importância para nossa comunidade, pois ele é o aspecto visual da história do município, a autobiografia do sistema econômico e das instituições sociais”.

O comentário é do engenheiro e arquiteto Waldemar Arraes de Farias Filho, que acaba de lançar o livro “Crato, Evolução Urbana e arquitetura de 1740 a 1960”. O livro, de 271 páginas, editado pela Gráfica Expressão, em Fortaleza, amplia a história do Crato, contextualizando para o resgate da memória do País, com seus principais fatos, sob a ótica da arquitetura.

A obra é um documentário histórico, ilustrado com fotos antigas, que conta a história do Brasil, desde o descobrimento, até os dias atuais, passando pelos estilos colonial, neo-colonial, neoclássico, art nuveau, art déco e modernismo.

Waldemar Arraes justifica que “a cada época, a arquitetura é produzida e utilizada de modo diverso, relacionando-se com a forma da estrutura urbana em que se instala. A arquitetura está sempre presente em nossas vidas de uma forma sutil, evocando lembranças e sentimentos”, comenta ele.

Contextualização

O trabalho de arquiteto é contextualizado dentro da história do Brasil, com destaque também para a arquitetura de Fortaleza, Aracati e Icó, citando fatos históricos que influenciaram mudanças econômicas, sociais e religiosas e, conseqüentemente, a visão do urbanismo das cidades.

Relaciona como as construções em seus mais variados estilos tiveram influências culturais e econômicas.

Antônio Vicelmo
Repórter

Mais informações:

´Crato, Evolução Urbana e Arquitetura´, livro de Waldemar Arraes de Farias Filho

(88) 3523.2390
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COLUNA CARIRI – Tarso Araújo – "O POVO" 30/12/2007

CARIRI
Tarso Araújo

POLITICA TUCANA

Manoel Salviano espera terminar 2008 prefeito de Juazeiro. O mesmo desejo arde no coração de Raimundo Macedo. As prévias tucanas abrirão as portas para a disputa municipal. Quem perder as prévias ficará fora das eleições municipais e terminará 2008 combalido.

ASSARÉ
Na cidade de Assaré, a política promete pegar fogo. Depois do rompimento de Evanderto Almeida e Benjamim Oliveira, o ex-prefeito Oliveira já avisa que será candidato a prefeito de Assaré. Será uma briga de cachorro grande, entre dois grupos políticos, antes aliados, hoje rivais.

FUTEBOL
Icasa e Guarani de Juazeiro fazem a final da copa realizada como pré-temporada para os dois times que representam o Cariri na primeira divisão do futebol cearense. O jogo acontecerá às 16 horas de hoje no Estádio Romeirão.

VIOLÊNCIA
Que em 2008 os sonhos de fim da violência no Cariri se realizem. Mais ainda, que o Governo do Estado tome efetivas mudanças com relação à segurança na região, começando por equipar mais e melhor as polícias civil e militar.

DOCE NATAL
Neste fim de ano cerca de 14 mil crianças receberam presentes no encerramento do Doce Natal do Crato. O evento aconteceu no estádio Mirandão, que estava lotado. Ao final, show cultura com artistas da terra.

POLÍTICA
008 terá forte conotação política. Ano de eleições municipais. No Cariri, vai pegar fogo. Em alguns municípios já existem algumas disputas anunciadas. Crato, Juazeiro do Norte e Barbalha, a disputa já começou mais cedo do que se esperava. Reflexo da luta pelo poder.

PT NO CARIRI
O Partido dos Trabalhadores (PT) mudou de presidente em 2007. Em 2008, pretende disputar o executivo de alguns municípios caririenses, com destaque para Barbalha, Crato, Juazeiro do Norte e pretende permanecer em Mauriti.

GREVE
A greve na Urca continua mesmo com a resistência ferrenha da Reitoria. Os professores universitários já apresentaram a pauta de reivindicações. Essa greve pode ser um calo para Cid Gomes no início de 2008.

ANOTE: NOVA CARIRIENSE
A italiana Gabriella Federico – conhecida restauradora de obras de arte – esteve em Crato em agosto de 2006, trabalhando no restauro da imagem da padroeira da cidade, Nossa Senhora da Penha. Gabriella ficou tão encantada com o Cariri que resolveu fixar residência em Crato. O que fez há poucos dias. Sorte nossa! Agora temos uma grande restauradora de arte sacra na região.

DE JUAZEIRO PARA O MUNDO
O professor mexicano, Carlos San Juan, ora cursando mestrado na Universidad Nacional Autónoma de México, escreveu ao escritor Daniel Walker solicitando livros sobre o Padre Cícero. O mexicano – na sua monografia de mestrado – discorrerá sobre a vida e obra desse sacerdote, nascido em Crato e que, a partir de Juazeiro do Norte, se projetou pelo mundo afora…

RESGATANDO A MEMÓRIA
Está para ser lançado um livro bem interessante: A Família Odísio no Brasil – a saga do escultor Agostinho Balmes Odísio. Escrito pela Sra. Vera Odísio Siqueira, neta de Agostinho, a obra resgata a trajetória desse italiano – que residiu em Juazeiro do Norte na década 30 – e deixou inúmeras obras de artes no Cariri. Só pra citar algumas: o monumento ao Cristo Redentor, o Palácio Episcopal (com as imagens do Bom Pastor e do Poverello de Assis), o altar-mor da Sé Catedral de Nossa Senhora da Penha, o busto de Dom Quintino (na Praça da Sé), um monumento a São Geraldo e a gruta de Nossa Senhora de Lourdes (ambas existentes no Colégio Santa Teresa de Jesus), todas em Crato.

POSSE NO ICC 1
Belíssimo, o discurso do padre Antônio Teodósio Nunes ao assumir a Cadeira Frei Carlos Maria de Ferrara, do Instituto Cultural do Cariri (ICC). Através dele ficamos sabendo que os capuchinhos chegaram a Pernambuco em 1642 e durante séculos partiam do convento da Penha, em Recife, para pregar a Boa Nova de Cristo em terras inóspitas que hoje formam os estados de Pernambuco, Alagoas, Rio Grande do Norte, Paraíba e Ceará. Os frades chegaram a organizar aldeias que depois se tornaram cidades.

POSSE NO ICC 2
Foi o caso de Crato. Em 1740, vestido com o burel de São Francisco de Assis, pés em rústicas alpercatas, exposto ao sol e às chuvas torrenciais da época, o frade italiano Carlos Maria de Ferrara fundou, às margens do rio Granjeiro, a Missão do Miranda, origem da atual cidade de Crato. Tão grande foi a epopéia de frei Carlos que se pode dizer que dela resultou um forte entrelace entre a nossa história e a história da religião no Cariri cearense. Frei Carlos Maria de Ferrara nasceu em 1707, há trezentos anos, e tem seu lugar garantido na história. Mas ainda aguarda uma homenagem da cidade que ele fundou…

TÁ CERTO
Uma escola de ensino infantil, construída no bairro Bela Vista, em Barbalha, foi oficialmente denominada de Monsenhor Murilo de Sá Barreto. É a primeira homenagem feita pela Terra de Santo Antônio ao seu ilustre filho, o saudoso “Vigário do Nordeste”. A propósito, o deputado Mauro Benevides proferiu, na Câmara dos Deputados, no último dia 19, discurso lembrando os 50 anos de ordenação sacerdotal de monsenhor Murilo.

NOITE NA GRÉCIA
Amanhã, 31, o Clube Recreativo Granjeiro realiza um Réveillon “Uma noite no Grécia” com a banda Coquetel e tenda eletrônica. Milhares de pessoas devem comparecer ao já tradicional Réveillon do Granjeiro. Entretanto fica aqui uma crítica construtiva sobre 2007: a administração vem pecando muito. Há feriados em que as piscinas ficam fechadas e o restaurante abre por volta das 10 da manhã. Um clube do porte do Granjeiro tem que ser mais organizado.

Blog Humor

Na Iminência do Brasil sediar a Copa de 2014, muitos turistas estarão por aqui, de diversos locais do mundo com várias línguas, sendo assim, fica imprescindível o aprendizado de outros idiomas para a melhor comunicação com os turistas!

Pensando em auxiliar a comunicação foi formulada uma solução prática e rápida!!! Chegou o sensacional e insuperável curso “The book is on the table” com palavras que você usará quando o Brasil sediar a Copa do Mundo de 2014, veja como é fácil!

(Que Jayro não me escute… hauhauhauahuahauhauah)

1. Is we in the tape! = É nóis na fita.

2. Tea with me that I book your face = Chá comigo que eu livro sua cara.(a melhor)

3. I am more I = Eu sou mais eu.

4. Do you want a good-good? = Você quer um bom-bom?

5. Not even come that it doesn’t have! = Nem vem que não tem!

6. Wrote, didn’t read, the stick ate! = Escreveu, não leu, o pau comeu!

7. She is full of nine o’clock= Ela é cheia de nove horas.

8. Between, my well! = Entre, meu bem!

9. You traveled on the mayonnaise = Você viajou na maionese.

10. I am completely bald of knowing it. = To careca de saber.

11. To kill the snake and show the stick = Matar a cobra e mostrar o pau.

12. Ooh! I burned my movie! = Oh! Queimei meu filme!

13. I will wash the mare. = Vou lavar a égua.

14. Are you thinking here’s the house of Mother Johanne? = Tá pensando que aqui é a casa da Mãe Joana?

15. Go catch little coconuts! = Vai catar coquinho!

16. You are by out! = Você esta por fora!

17. If you run, the beast catches, if you stay the beast eats! = Se correr, o bicho pega, se ficar o bicho come!

18. Ops, gave Zebra! = Xiiiii, deu zebra!

19. Before afternoon than never. = Antes tarde do que nunca.

20. Take out the little horse from the rain = Tire o cavalinho da chuva.

21. The cow went to the swamp. = A vaca foi pro brejo!

22. To give one of John the Armless = Dar uma de João-sem-Braço.

QUE NO ANO NOVO NOS RENOVEMOS

Hoje Ignácio Cano, professor da Universidade do Estado do Rio de Janeiro, publica um artigo com o título: Sob a máscara da tortura. É um texto revelador e gostaria que muita gente lesse. É pedagógico, trata da evolução da civilização em que as pessoas, todas elas sem qualquer exceção, pertencem a uma sociedade comum a todos. E o tema do texto é dos Direitos Humanos ainda objeto de muitas incompreensões e necessitado de que as pessoas aprendam a localizá-los na razão comum de suas vidas. Se assim não fosse, se não houvesse evolução muita tradição que se vê com simpático distanciamento no tempo ainda estaria aí como verdade anacrônica nos nossos dias.

Dificilmente um cidadão de boa formação ética e moral concordaria com a letra deste samba gravado pelo nosso querido Moreira da Silva: Na subida do morro me contaram, que você bateu na minha nega, isso não é direito bater numa mulher que não é sua, deixou a nega quase nua…….Mas nunca abusou de uma mulher que fosse de uma amigo. A mulher era um objeto dos homens e uma vez possuída poderia ser naturalmente surrada pelos maridos. Ou seja, se assim não fosse, a sociedade brasileira não teria a Lei Maria da Penha. Agora tem e necessita que a lei saia da ação do Estado e penetre a vida comum dos cidadãos para que nenhuma mulher seja objeto da crueldade do seu marido.

Quantas vezes não desesperamos ao ouvir os argumentos contra os Direitos Humanos só por que o conhecemos e já estamos devidamente formados para aceitá-los. Mas é preciso compreender que muita gente no nosso país ainda não os compreende e os nossos meios de comunicações estão cheios destes defeitos de entendimento. Por isso achei por bem fazer um resumo dos ensinamentos do professor nesta postagem.

O primeiro defeito é que os defensores dos Direitos Humanos são sempre confundidos como os defensores dos direitos dos bandidos de cometer crimes. E assim o professor responde: “A noção de direitos humanos nasce como uma tentativa de evitar os abusos cometidos pelo Estado. Se uma pessoa comete um crime contra outra, o Estado moderno dispõe, a princípio, de meios para puni-lo. Entretanto quem defenderá o cidadão dos atropelos do próprio Estado que o deveria proteger?”. Ou seja, para o bandido já existem as leis criminais, mas os direitos humanos têm outro enfoque e contexto. Como define Ignácio: “direitos humanos centrados, basicamente, nos abusos cometidos por agentes do Estado. Por isso, a execução de um suspeito por um policial constitui violação aos direitos humanos, enquanto a morte de um policial por um criminoso, mesmo que seja igualmente execrável, não é.”

Então o professor esclarece que os direitos humanos se voltam para todos, inclusive para bandidos ou pessoas que tenham cometido ilícitos de qualquer natureza(inclusive os agentes do Estado como policiais). Diz que em qualquer circunstância a justiça já tem as regras de punição definidas e não necessita que o ódio de qualquer agente do Estado ultrapasse os seus deveres. Se cada um acha que deve fazer a justiça segundo suas própria e particular convicção, o mundo ainda estaria na barbárie. Nesta situação os direitos seriam apropriados segundo a posição social e os méritos de cada um. O nosso velho coronel do sertão ainda estaria fazendo jurisprudência, os cangaceiros teriam sua própria justiça e os bandidos, armados com os mais possantes instrumentos e detentores das melhores técnicas de ação teriam impostos suas leis a todo (atenção até fazem isso em algumas comunidades, mas o Estado tem sempre a possibilidade e o dever de ir contra eles). Seria a fragmentação do direito.

Procurando ser mais didático Ignácio Cano reescreve o artigo 5º da Constituição segundo um certo pensamento militante daqueles que não contra os direitos humanos: “garantindo-se….a inviolabilidade do direito à vida, exceto quando os agentes policiais decidirem que a pessoa em questão representa um grave perigo para a sociedade, podendo então aplicar a pena de morte de forma automática e sem apelação. Ninguém será submetido à tortura, exceto quando a autoridade pública decidir que ela é necessária para a obtenção de informações ou para o castigo de suspeitos”.

Olhe pessoal o texto reescrito por Ignácio Cano é ironia, a Constituição brasileira é contra a tortura e a pena de morte. Esclareço para que a defesa dos direitos humanos não venha, por ironia, ser tratada de má fé. De qualquer forma a democracia não é só a exposição das nossas diferenças, o melhor e mais importante efeito dela é construirmos algo em comum sobre os quais tenhamos, todos, paz.

Neste Final de Ano nada mais importante para todos. Termino esta mensagem com duas lembranças fundamentais: aqui mesmo nos nossos blogs surgiu uma grande polêmica em razão das ameaças pouco democráticas feitas contra o pensamento do nosso caro Dihelson e hoje todos estamos assistindo a desgraça do Paquistão. Desgraça provocada, inclusive, por uma política internacional equivocada na luta contra o terrorismo, perpetrada pelo Governo Americano. Uma política que foi na contramão do espírito democrático e das instituições como os direitos humanos, pois se baseava na força maior, na intimidação, tortura e quebra de todas as regras proteção humana, inclusive por preconceito étnico e religioso. Resultado, a morte de Benazir Bhutto e suas conseqüências é fortemente criticada como efeito da política externa de Bush Júnior.

DRAMA DOS EXCLUÍDOS


Leopoldo Martins me passou por email, uma crônica de sua autoria, que mostra não só o Drama dos excluídos, mas a sensibilidade, o humanismo presente na pessoa do escritor, que bem sucedido em vida, demonstra sua vocação altruísta e preocupação com os menos favorecidos. O altruísmo implícito no texto, chega oportuno por ocasiões de datas festivas e reflexivas.

DRAMA DOS EXCLUÍDOS

Recentemente debrucei-me com uma leitura de um discurso proferido pelo senador Pedro Simon, que me fez refletir sobre a situação da região do cariri e mais particularmente do País dos nossos dias e que me proporcionou, também, uma profunda elucubração sobre o papel dos parlamentares e gestores, eleitos pelo povo para representá-los num projeto coletivo de construção da democracia, da cidadania e da soberania.

Exteriorizava aquele senador que um amigo seu se encontrava no interior de uma loja especializada na venda de instrumentos musicais. Havia, ali, possibilidades de sons e acordes para todos os gostos e todos os bolsos. Das flautas e das marimbas mais singelas, aos mais sofisticados violinos, oboés, contrabaixos, harpas, pianos e vibrafones.

Ficou ele imaginando todos aqueles instrumentos tocados em conjunto, numa praça ao ar livre ou no palco mais requintado de uma sala de espetáculos. Sentia-se transportar para outras dimensões da vida, ao som de uma orquestra, com suas partituras criadas sob a inspiração divina. Mas, ali, só havia a imaginação fértil de um amante da música, da música e de seu poder de elevar os homens a patamares quase transcendentais, de levá-los às proximidades de Deus. Aqueles instrumentos, entretanto, estavam, ali, mudos, sem as mãos e o dom dos homens criados á sua semelhança.

De repente, surge à porta da loja um menino maltrapilho: um pé descalço, outro arrastando uma sandália arrebentada, olhos fixos nos instrumentos de corda: violas, violões e bandolins.

Logo, os vendedores da loja transmutaram-se em verdadeiros seguranças, com os olhos fitos naquele menino que se vestia pobremente. O garoto permanecia quase que hipnotizado, diante de um cavaquinho. Olhando-o, parecia transportar-se para outro mundo. Imaginava-se, talvez, num recital no mesmo ar livre que lhe servia de abrigo nestas noites frias de um final de outono. Imaginava-se dedilhando aquele instrumento no meio de uma orquestra, uma orquestra que, certamente, incluiria seus amigos de relento. Talvez ele estivesse imaginando um solo, ou um duo, ele e Deus, para demonstrar o quanto um é semelhante ao outro. Um, criatura; outro, criador.
De repente, o menino maltrapilho reuniu toda sua coragem e apanhou, com suas mãos sujas do asfalto, aquele pequeno instrumento, reluzente e afinado. Agora, não só todos os olhos, mas todos os passos dos vendedores-seguranças se dirigiram para aquele fiapo de gente. Sairia ele correndo pela porta? Não, certamente, tropeçaria numa rasteira que o jogaria de volta à calçada, já em posição de mãos à cabeça. Perguntaria ele pelo preço do seu sonho e o devolveria à prateleira fria, até que outras mãos “mais limpas” dedilhassem as cordas de aço?

Não mais que de repente, aquele menino maltrapilho deslizou os dedos sujos pelas cordas esticadas do cavaquinho e, olhos fechados como que em transe, encheu o ambiente com os acordes de “Brasileirinho”.

As pernas apressadas dos vendedores travestidos de seguranças quedaram trôpegas. Os olhos de lince ficaram marejados. Aquele menino maltrapilho, quem diria?, Era um verdadeiro brasileirinho. E “um brasileiro quando é do choro é entusiasmado, quando cai no samba não fica abafado, e é um desacato quando chega no salão”.

Fico eu, agora, imaginando, o som daquele verdadeiro “hino nacional”, dedilhado por um destes meninos para os quais fechamos, no nosso dia-a-dia excludente, os vidros dos nossos carros e as portas de nossas bem vigiadas casas. Quantos serão os brasileirinhos, maltrapilhos, dedos sujos de terra, que saberiam – como diz o poeta – fazer “todo mundo dançar a noite inteira no terreiro até o sol raiar”?

São milhões os brasileirinhos excluídos do nosso carro, da nossa casa, do nosso coração, da nossa vida, do nosso País! E, quem, são os maestros dessa orquestra excludente, cuja batuta teima em não aceitar artistas de dedos sujos? Somos nós, que teimamos em tocar, apenas, para um público refinado, nas mais requintadas salas de espetáculo. Esquecemos o ar livre, democrático e cidadão.

O povo pode até servi como inspiração para as nossas partituras, as nossas orações e os discursos na maioria das vezes demagogos, mas ele está longe da nossa prática. Ele é chamado, apenas, para montar os nossos palcos, mas não participa, nem de longe da nossa orquestra, nem do nosso público!
É essa cruel realidade que mostra o trabalho realizado recentemente pelo IPEA, são quase 54 milhões de brasileiros em situação de pobreza, sobrevivendo com uma renda per capita que não passa de meio salário mínimo mensal. São quase 22 milhões de indigentes, sobrevivendo com menos de um quarto de um salário mínimo mensal. Quatro, em cada dez brasileiros, já podem ser considerados numa situação de miséria absoluta! O Brasil tem algo como 15 milhões de analfabetos acima de 15 anos! São cegos do saber. São milhões que sobrevivem num país anexo.

Essa loja de instrumentos de trabalho e de produção chamada Brasil é excludente. Como o menino maltrapilho dos pés descalços, a população pobre do País não consegue ter acesso à terra, ao trabalho, à habitação, à saúde, à educação, à renda, à vida.

Francisco Leopoldo Martins Filho
Pós Graduado em Direito Penal

Foto do Dia – Por haoni Caiena.


Foto: Rua Bárbara de Alencar, vista à partir do calçadão do Largo da Reffesa. Vê-se do lado direito, o final da praça Francisco Sá ( Cristo-Rei ).

Foto: Haoni Caiena.
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Balanço de Final de Ano – Por: Jorge Emicles


Na forma da tradição, mais uma vez entramos no período das comemorações natalinas, época de confraternizações e também de reflexões. Encerrado mais este ano, é papel da imprensa trazer à baila o balanço do ano de 2007. E é difícil, depois de tantos acontecimentos, primeiro garimpar aqueles que realmente terão importância à posteridade e os outros que serão condenados ao esquecimento das futuras gerais, bem como afirmar se, ao final de tudo, foi positivo ou negativo o ano que se encerra.

No Crato, podemos afirmar que a cidade está mais alegre e se reconcilia a cada dia com suas tradições culturais. É raro se ver tal sentimento em um povo em plena era da globalização, mas a realidade é que os diversos trabalhos realizados pelo Governo Municipal de fato vêm conseguindo tal objetivo, seja pela restauração de prédios históricos, na criação de novos espaços de efervescência cultural, mas principalmente pelo trabalho de resgate das tradições e valorização daqueles, anônimos ou não, que concretizem a cultura. Isso é ponto positivo de tão grande importância, que se irradia ainda para as cidades circunvizinhas. É o Cariri inteiro quem ganha com tais iniciativas. Foi nesse espírito que os grandes eventos da cidade de Bárbara de Alencar ganharam fôlego novo neste ano, como é o caso da ExpoCrato e da Mostra Sesc de Cultura. Esta última, com os novos espaços abertos, galgou dimensão inédita de todas as suas edições anteriores.

Só isso, porém, não significa que deveríamos estar em êxtase, porque por mais positiva que possa ser essa avaliação, tal não suplanta em absoluto as dificuldades e carências de toda a região. O trem está voltando ao Cariri, porém a miséria do seu povo já se encontra instalada há muitas gerações. Fruto da desigualdade econômica que põe muito nas mãos de poucos, o que é bem exemplo, senão fruto mesmo, do processo de globalização. Tal perspectiva nos permite afirmar que, se somos nutridos no sentido da cultura, continuamos famintos de pão, de empregos e de condições gerais capazes de garantir a dignidade humana. E para alterar tal condição, é preciso que haja investimentos maciços no desenvolvimento econômico de toda a região. Não somente garimpando novas indústrias, mas principalmente daqueles que sejam capazes de desenvolver um compromisso social com nosso povo. Antes de tudo mesmo, é preciso descobrir as grandes vocações locais e regionais, a fim de que se possa trabalhar um desenvolvimento sustentável e comprometido com a distribuição de renda.

O balanço também é negativo, se formos ver as devastações ambientais, responsáveis em última instância, pelo aquecimento global, que se fez presente muito especialmente no nordeste Brasileiro. Os caririenses, por experiência empírica mesmo, podem constatar que não somos mais aquela região de clima tão ameno quanto antes, de maneira que também temos de unir forças, fazendo nossa parte, ao menos, na grande corrente mundial que, enfim se forma, no objetivo de salvar o planeta. Neste final de ano, paira sem resposta ainda a grande questão ambiental: ainda haveria solução?

Enfim, chegamos ao termo de mais um ano, mais cientes de nossas potencialidades e mais conscientes dos problemas que nos rodeiam, sejam os locais, sejam os globais. Mas a consciência é pouco perto dos grandes desafios que se nos deparam, de maneira que a grande incitação é ao fazer; é pela necessidade de, superando o simples discurso, arregaçarmos as mangas e iniciarmos um hercúleo trabalho de transmudação da nossa realidade.

À imprensa de uma maneira geral, cabe o papel de timoneira, orientando, criticando e sugerindo novas ações, funcionando como uma espécie de consciência coletiva no enfrentamento das grandes questões que nos ameaçam enquanto região, mas sobretudo enquanto espécie definitivamente em processo de extinção. Não é mais só a natureza que precisamos salvar, mas ao próprio homem, sua cultura e principalmente, sua dignidade, de maneira que, mesmo frente ao nefasto processo globalizante, possa ainda ser reconhecido enquanto uma individualidade, senhora de direitos e deveres no seio da sociedade em que vive.

Jorge Emicles Pinheiro Paes Barreto
Radialista
Professor Universitário.
.

Hoje no Diário do Nordeste: Crato: Termelétrica inicia operação.

Energia no Cariri

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Termelétrica do Crato, ocupa uma área de 4 mil metros quadrados. O sistema dispõe de depósitos para óleo diesel (Foto: Antônio Vicelmo)

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Setor responsável pelo controle de energia gerada no novo complexo

Com a redução das águas do Rio São Francisco, pequenas termelétricas entram na geração de energia

Crato. O abastecimento da energia elétrica do Cariri está sendo complementado com o funcionamento de uma termelétrica. Entrou em operação a Termelétrica do Crato, com a geração de 13,12mw, o que corresponde, segundo o diretor de engenharia da Enguia, Raul Fernando Ferreira, ao fornecimento para uma cidade com 48 mil unidades consumidoras, ou seja, uma população de até 200 mil habitantes. A energia é injetada no sistema de transmissão da Companhia Energética do Ceará (Coelce) e distribuída de acordo com a necessidade da empresa.

Construída em 2002, é a primeira vez que a unidade do Crato começa a fornecer energia. O risco de “apagão” está sendo afastado, diz o industrial Ricardo Biscúcia, acrescentando que as termelétricas, que até hoje tiveram um papel diminuto na matriz energética brasileira, devem funcionar como reguladoras da oferta de energia, compensando situações em que o regime das chuvas não colabora e os reservatórios se esvaziam, como está ocorrendo agora, com a redução das águas do Rio São Francisco.

A geradora do Crato faz parte de um complexo formado por 12 termelétricas, administrada pela Enguia GEN Ltda. As outras 11 estão localizadas em Juazeiro do Norte, Aracati, Iguatu, Caucaia, Baturité e Pecém, no Ceará; Campo Maior, Marambaia, Altos e Nazária, no Piauí, e Jaguarari, na Bahia.

Os motores com 16 válvulas são movidos com óleo diesel comprado no Terminal da Petrobras do Crato, a cerca de dois quilômetros de distância. Cada um dos motores é acoplado a um gerador de energia. A unidade do Crato consome 70 mil litros de óleo por dia, ou seja, o equivalente a mais de três caminhões-tanque.

O combustível é armazenado em parques ou depósitos adjacentes, de onde é enviado para os motores. O sistema conta com de 10 funcionários, seis operadores e mais quatro da equipe de manutenção.

No Ceará, a empresa aumentará sua capacidade em 95,12mw com o funcionamento de sete usinas, de acordo com as informações da agência reguladora. No Piauí, as quatro usinas vão aumentar em 52,48mw a capacidade de geração do Estado. Na Bahia, a termelétrica Jaguarari, na cidade de mesmo nome, vai beneficiar uma população de 908,1 mil habitantes.

Funcionamento

Uma usina termelétrica consiste numa instalação industrial usada para geração de eletricidade a partir da energia liberada em forma de calor, normalmente por meio da combustão de algum tipo de combustível renovável ou não renovável.

Outras formas de geração de eletricidade são energia solar, energia eólica ou hidrelétrica. No caso das instaladas no Ceará, elas são movidas a óleo diesel que aciona um motor acoplado a um gerador que produz a energia para a região.

As termelétricas convencionais utilizam algum tipo de combustível fóssil como petróleo, gás natural ou carvão que é queimado em uma caldeira, que gera vapor a partir da água que circula por tubos em suas paredes. O vapor movimenta as pás de uma turbina, que é conectada a um alternador que gera eletricidade. No sistema não há contato entre o vapor utilizado na turbina e a água do meio ambiente.

Mais informações:
Termelétrica do Crato
Rua Brigadeiro Macedo, s/n,
bairro São Miguel, Crato
Enguia GEN Ltda
(21) 3206.6014

Antônio Vicelmo
Repórter
. Matéria veiculada hoje, dia 27 de Dezembro de 2007 no jornal Diário do Nordeste, www.diariodonordeste.com.br
.

A cobrança dos serviços em bares e restaurantes

Por: Leopoldo Martins Filho.

Quem freqüenta bares e restaurantes sabe que, por costume, a grande maioria desses estabelecimentos do cariri cobra, sobre o valor total da conta, a remuneração do serviço, correspondente a dez por cento.

Resta saber se está o consumidor obrigado ou não a pagar esse percentual adicional.
Gratificar significa “premiar”, “dar gorjeta”, ou seja, tem caráter voluntário, podendo o consumidor deixar de pagar se assim o desejar.
Nem podia ser diferente uma vez que, enquanto fornecedores, os bares e restaurantes devem prestar adequada informação ao consumidor, por esta entendida o fornecimento do preço exato da refeição. Ou seja, o consumidor, quando pega o cardápio, tem que ser informado do preço efetivo da refeição, nele incluídos o valor dos impostos, bem como a remuneração pela prestação dos serviços de todos os profissionais do estabelecimento.
O preço estabelecido no cardápio tem caráter de oferta, devendo, nos termos do art. 31 do CDC, ser claro, preciso e ostensivo. Traduzindo, se o valor do serviço for obrigatório deverá ser incluído no preço da refeição, a fim de não deixar em dúvida o consumidor.
O consumidor tem o direito de pagar apenas o preço estabelecido no cardápio. Voluntariamente, se o serviço houver sido bem prestado, poderá pagar sobre o preço o valor de dez por cento, para a remuneração dos garçons, a título de gorjeta.
Cumpre ressaltar que, em razão da relação de emprego que mantém com os restaurantes, os garçons recebem a título de remuneração fixa o piso estabelecido para a categoria. A gorjeta faz parte da remuneração variável, que o garçom só receberá se fizer por merecer e se o consumidor reconhecer a qualidade do serviço prestado.
Não é, portanto, o consumidor quem deve remunerar os garçons e sim o estabelecimento.
A remuneração dos garçons vem sendo objeto de inúmeras distorções, podendo referir-se, a título de exemplo, que:
- casas noturnas cobram, indevidamente, tal percentual quando a bebida é retirada no balcão;
- bares e restaurantes retém parte dos dez por cento, não os repassando aos garçons;
- bares e restaurantes dividem os dez por cento entre todos os profissionais: cozinheiro, copeiro, lavador de pratos, manobrista, balconista, etc.;
- bares e restaurantes obrigam os consumidores a pagar os dez por cento.
Para evitar essas distorções, a edição de leis estaduais regulando a matéria é recomendável.
Uma coisa é certa, consumidor nenhum pode ser obrigado a pagar os dez por cento, quer em casas noturnas, quer em bares e restaurantes. O consumidor tem o direito de pagar apenas o valor estabelecido para a refeição no cardápio, podendo, após isso, deixar o estabelecimento sem maiores discussões.

Francisco Leopoldo Martins Filho
Pós Graduado em Direito Penal
Especialista em Danos Morais
.

ESCULTURAS DE PAREDE

Caríssimo amigo Dihelson…
Gostaria que os amigos do BLOG DO CRATO visitassem essa obra de cunho magnífico, desse artista plástico que mora no Recife.
Seu nome é Mário Peixoto.
Um abração.
O site dele é http://www.ateliermariopeixoto.com

O CRATO QUE QUEREMOS – Por Jorge Emicles – Radialista


Nascido da expansão do gado, no conhecido ciclo do couro, toda a região do Cariri se firmou a partir da guerra. Primeiro inimigo enfrentado e vencido, foram os índios da valente nação Kariri, os quais opuseram firme resistência aos colonizadores jesuítas, primeiro porque se mostraram indiferentes às tentativas pacíficas de catequização e mais tarde porque ofereceram séria resistência à ocupação pela força. Tal realidade em verdade fez perecer quase que completamente os primitivos ocupantes da região, não conseguindo, contudo, aniquilar sua viril cultura. Mas o fato é que os veios de sangue definitivamente marcam as origens e tradições culturais da região.

Vencidos os bugres, ainda assim persistiu o povo caririense com o estigma da violência, tanto pelas invencíveis guerras dos coronéis quanto especialmente pelos movimentos revolucionários que se instauraram no Cariri, pelas mãos de José Martiniano de Alencar e sua irmã Bárbara, os quais culminaram com a proclamação da independência e república em 1817, prisão dos revolucionários em Fortaleza e Salvador e ressurgimento do movimento, o qual terminou com a definitiva ascensão política de seus cultores e definhamento e morte de seus inimigos. Não contudo, sem a presença do sangue, como são os casos do assassinato em batalha de José Martiniano e o fuzilamento de Pinto Madeira, fato que nas palavras do ilustre Raimundo de Oliveira Borges se constitui na única (preferimos dizer maior) injustiça praticada pelo Poder Judiciário da Comarca do Crato – que por sinal é a mais antiga de todo o interior Cearense.

Chegados os anos áureos, que vieram junto com a estrada de ferro, o Crato foi o grande comandante político e econômico da região. Centro do comércio local, o Crato e o Cariri representaram importante marco no povoamento e desenvolvimento regional, inclusive porque estão localizados no centro geográfico do nordeste brasileiro. Tal importância é por sinal, muito bem relatada pelo ilustre antropólogo carioca Darci Ribeiro em obra fundamental ao entendimento da construção da nação brasileira, cujo título é O POVO BRASILEIRO.

Sedimentada sua economia não só no comércio, como também e com igual importância no cultivo e industrialização da cana-de-açúcar, o Crato sofre enorme revés com o fenômeno social do Padre Cícero. Primeiro porque suas lideranças não tiveram a real percepção da ilustre figura do patriarca de Juazeiro, o qual viam como um conspirador contra os interesses oligárquicos locais e depois porque levaram sua resistência aos extremos, inclusive incitando a guerra, como foi o caso da invasão do Crato pelos romeiros em 1914, fato que até o presente deixa severas marcas na cultura e no imaginário popular local, o que somente repele a consciência da necessidade de ações conjuntas em toda a região. A violência, contudo, não se resume somente a isto, sendo igualmente marcante a destruição do povoado do Caldeirão do Beato José Lourenço, que como um dos mais importantes herdeiros do Padre Cícero, representa o mais evidente símbolo dos perigos que as idéias de associativismo representava para a oligarquia canavieira local.

Mesmo ante o ocaso, e apesar da renitente falta de visão e compromisso dos seus líderes, o Crato ainda consegue sobreviver e se manter como marco regional. Apoiado agora nas suas raízes culturais e tradição educacional, firmadas a primeira pela ação indelével das tradições folclóricas resistidas e que se apóiam em todos os importantes eventos históricos, mesclando a ação dos diversos povos que firmaram suas origens e a segunda na ação positiva da igreja católica romana, que de há muito plantou as sementes do conhecimento, seja através do Seminário São José, do Colégio Diocesano e mesmo da antiga Faculdade de Filosofia que é o marco fundador da própria Universidade Regional do Cariri. São todas estas tradições e valores que transmudaram o Crato na conhecida Capital da Cultura, título reconhecido pelo próprio Governo Estadual na administração de Lúcio Alcântara.

Contudo, mesmo ainda gozando de relativa importância, é forçoso reconhecer que o Crato vive processo de decadência, o qual precisa ser estancado, para o que é imprescindível reconhecer que nem a cidade nem os tempos são mais os mesmos. Viver do saudosismo do passado e se impor a importância que não mais se tem são na verdade mecanismos que somente auxiliam o próprio declínio. Assim, para voltar a crescer é preciso, verificando as novas realidades do mundo moderno, reconhecer quais seriam as vigentes e próprias vocações do Crato. Não adianta tentar competir na força do comércio e da crescente metrópole, porque inquestionavelmente este espaço já foi tomado pela vizinha Juazeiro do Norte; Não vale pretender retomar espaço de pioneiro na industrialização também. As verdadeiras vocações do Crato, à toda prova, definitivamente estão na valorização da cultura local e meio ambiente privilegiado, através de diversas formas da exploração da chamada indústria sem chaminés que é o turismo. Assim, é de se criar estruturas melhores visando a exploração deste turismo, o qual representará sem dúvidas o caminho a ser percorrido para a recuperação da importância local, seja no estímulo à criação de novos cursos acadêmicos, tanto valorizando a própria URCA quanto estimulando a vinda de novas Universidades, a exemplo do Campus Avançado da Universidade Federal do Ceará, que teimam os políticos de Juazeiro em levar para aquelas terras, o que atrairá um maior número de estudantes e intelectuais os quais incentivarão sobremaneira a economia local, da mesma forma que se prescinde da criação de espaços capazes de valorizar o folclore local, fato que permitirá a visita de maior número de turistas os quais também necessitarão da estrutura de organizações ligadas ao turismo ecológico, explorando as belezas da Floresta Nacional do Araripe com suas trilhas e mirantes; tudo isso passando imprescindivelmente pelo fortalecimento da rede hoteleira.

Um administrador de visão, que conscientemente pretenda soerguer novamente o Crato aos patamares de importância que já teve, terá de percorrer estes caminhos, sendo puramente demagógico qualquer outro discurso que se baseie na importância perdida e nos valores que já não mais se tem, como ocorre com a grande maioria dos políticos, isto porque o trem da história já partiu, deixando-os presos a um passado que não volta mais. Neste sentido, não se pode negar a participação positiva da atual administração municipal, que a partir da recuperação de prédios históricos locais, como a REFFESA e o Cine Teatro Moderno, não se prendeu simplesmente ao saudosismo, com o equivocado discurso de que o Crato voltaria à importância pretérita, mas ao contrário, dotou a cidade de valiosos equipamentos através dos quais a cultura local poderá se exprimir livremente, significando marcos necessários à estruturação destes novos caminhos. As metas assim, restam traçadas, cabendo ao governo local e estadual, na medida em que tenham verdadeiros compromissos com o povo cratense desenvolver as ações necessárias à sua concreção.

Crato, 24 de junho de 2007.

Por: Jorge Emicles Pinheiro Paes Barreto
Professor Universitário
Radialista
Foto: Dihelson Mendonça
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HOMENAGEM DA SEMANA


CORREINHA

O Chapada do Araripe presta homenagens a um dos maiores mestres da cultura popular que faleceu em Crato recentemente, Francisco Correia de Lima, o Correinha, artista de várias linguagens atuante no município do Crato. Mestre Correinha nasceu no município de farias Brito no dia 14 de fevereiro de 1940, mas era um amante inveterado do Crato, município ao qual costumava fazer referências em suas canções. Talvez por não ter tido seu nome incluído nas listas anuais de mestres reconhecidos pelo Governo do Estado desde 2004, mestre Correinha tenha sido sepultado em meio a homenagens comoventes de moradores do município, mas, como ressaltaram amigos e familiares, sem o devido destaque por parte do Poder Público. Situação destacada durante a sua missa de corpo presente, enriquecida pelo acordeon de Hugo Linard, com quem Correinha gravou recentemente, 15 canções que agora constituem o último registro de sua obra. Segundo o próprio Hugo Linard, as canções registradas nesse último trabalho de Correinha em estúdio são, na maioria, inéditas. ´Ele gravou também ´Belezas do Crato´, mas as outras não tinham registro´, diz, citando canções como ´Coisas do meu sertão´, ´Exaltação a Barbalha´, ´Crato de Açúcar´ e ´Meu Cariri´ e ´Balanceio´. ´Fazia tempo que a gente tava cutucando ele, dizendo que ele tinha que gravar de novo. Ele fez dois compactos e outros discos, no tempo do vinil, além de vários cordéis´. Hugo Linard chama atenção para aspectos peculiares da trajetória de Correinha. ´Ele mantinha um bar aqui no Crato e ainda trabalhava como agente carcerário. Era tão querido que os presos pediram à família por ocasião do seu velório, para deixar um pouco o corpo dele lá na cadeia, para eles o homenagearem´.
Dalwton Moura

Jornal do Vicelmo

Todos os dias na Rádio Chapada do Araripe - Internet, a partir das 07:00, ouça o Jornal do Cariri com Antonio Vicelmo. O Jornal é retransmitido da Rádio Educadora do Cariri em tempo real. Você pode ouvir o programa através da nossa imensa rede de Blogs e websites. Alguns programas antigos estão disponíveis no nosso website Jornal do Vicelmo.

AUXÍLIO À LISTA

Dicas de Filmes



Por trás de todo o grande homem se esconde um professor, e isso era certamente verdade para Bruce Lee que aclamava como seu mentor um expert em artes marciais chamado Ip Man. Um gênio do Wushu (ou a escola de artes marciais da China), Ip Man cresceu numa China recentemente despedaçada pelo ódio racial, radicalismo nacionalista e pela Guerra. Ele ressurgiu como uma Fênix das Cinzas graças à suas participações em lutas contra vários mestres Wushu e lutadores de kung-fu - finalmente treinando icones de artes marciais como Bruce Lee. Esta cinebiografia do diretor Wilson Yip mostra a história da vida de Ip.

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