Os milagres da existência – Por: Emerson Monteiro

 

Independente do credo que se professe, ou deixe de professar, as evidências impõem afirmações as quais a mais meridiana observação rende homenagens, no reino dos acontecimentos da Natureza.
A cada minuto, fatores indiscutíveis isto demonstram, o poder soberano da criação infinita do que alguns acham por bem chamar de Deus, em todo quadrante dos fenômenos espontâneos das circunstâncias. A própria ciência, quando chega aos limites das pesquisas quanto ao princípio original de tudo, baixa a cabeça desconfiada, muito mais por falta de alternativa do que pela fria percepção, e diz que daí em frente existirá o Desconhecido, o outro nome a que resolvem preencher o espaço destinado ao Ser Superior do Universo, e chamar assim, o Ser Desconhecido.
Aonde se queira voltar a atenção, aí residirá o dedo misterioso do Poder. Desde a luz dos olhos, quanta maravilha domina o construto da eternidade. Dirigir a cabeça numa direção, abrir as vistas, colher e decodificar com tão imensa perfeição o domínio daquele lugar, a visão das belezas em torno, quanto dom ao dispor de qualquer criatura, do homem aos animais menos festejados.
Na sequência, os outros sentidos. A audição, o sabor do som no correr dos ventos, em aventura abrangente a todo lugar e território, propiciando às individualidades o perceber das manifestações invisíveis, pelos ouvidos.
O sabor, na gustação, motivo principal dos alimentos. A nutrição que chega aos organismos necessitados, e por cima traz o prazer do degustar, favores multiplicados, rios de sabores diversos, a persistir a vida entre os seres, em meio aos fatores dominantes nos reinos mineral, vegetal e animal, ao caminhar das estações e das idades.
O tato, o tocar da pele que fala e demonstra continuidade nos objetos e outros elementos circundantes. O olfato, o cheiro das percepções, o perfume, as flores, o verde, a primavera, o estio, o inverno, os frutos, as cores, o frescor das horas e as histórias das eras, na crucial da efervescência e da vida.
Sem maiores esforços, a cada detalhe um milagre existe, na luz do dia, na temperatura, que uns graus a mais ou a menos impediria a probabilidade do aqui deste planeta vagando nos céus sem eixo provável ou peças outras que possam ser substituídas ou desgastadas. As galáxias, os astros, o Sol, a Lua e as Estrelas. Gestos de Ser que assina o quadro sem nada cobrar em troca.
E o pensamento o que dizer dele? A fala. As palavras. As atitudes das pessoas. A força da gravidade. O tempo, autoria de relojoeiro tão correto que nem combustível ou energia utiliza na propagação das espécies através dos planos de todos momentos. O sentimento inigualável das emoções e valores. O Amor, enfim, o Amor, amálgama que solda em peça única a barca da dez mil coisas, vagando ao trilho do firmamento, conduzida no fulgor das evoluções musicais desse Maestro primoroso, que permite o crescimento nas dádivas milagrosas de tantos séculos, exata demonstração de bondade e magnitude.

De Paris a Roma a pé: – Por Carlos Eduardo Esmeraldo

 

Imagine se você, caro leitor, teria coragem de fazer uma viagem do Crato até Belém do Pará andando a pé os 1480 km de distância, sem aceitar carona, dormindo debaixo de barracas de lona, sobre esteiras ou colchonetes às margens das rodovias, ou em hoteizinhos de beira de estrada ou ainda em casas religiosas, se por acaso existissem? E se você tivesse 75 anos de idade, mesmo assim se arriscaria a tamanha aventura? Nem mesmo se tivesse uma causa tão importante que o motivasse para realizar tal aventura? Seria algum protesto de grande porte que chamasse a atenção da opinião pública mundial? Pois saibam todos, que uma distância um pouquinho maior do que essa foi percorrida pelo sacerdote redentorista francês, Padre Henry-Marie Le Bouriscaud,  quando ele tinha a idade de 75 anos. Ele viajou 1507 km à pé de Paris até Roma para apresentar ao Papa João II seus protestos sobre a forma como a Igreja Católica enfrentava as questões vitais para o cristão de hoje. Para o teólogo alemão Bernhard Häring, "Henry teve a coragem de se por a caminho, porque estava convencido de possuir dentro de si uma mensagem que devia transmitir aos outros, a mensagem da liberdade e da felicidade criadora." O próprio padre Henry escreve na abertura de seu livro: "PARIS-ROMA, 1500km a pé". "Meter-se na aventura de percorrer a pé 1500km, de Paris a Roma pelas perigosas auto-estradas nacionais, não foi fruto de entusiasmo irrefletido de um septuagenário, mas o fecho de ouro de uma longa caminhada pessoal." Para ele, essa decisão não foi um ato individual, mas algo repleto de reciprocidade, pois jovens e idosos reagiram à essa sua idéia.
O Padre Henry foi ordenado sacerdote aos vinte e seis anos, tendo iniciado sua vida sacerdotal no Seminário Redentorista de Paris, como professor e missionário. Logo percebeu que ele tinha tudo em sua vida, nada lhe faltava. Boa alimentação, um leito confortável, bons agasalhos, bem diferente daquilo que Jesus Cristo viveu e que milhões de pobres no mundo atual vivem. Então decidiu sair de sua zona de conforto e morar no meio dos pobres, em barracas junto a milhares de imigrantes portugueses. 
Após conhecer Abbé Pierre, como era mais conhecido entre os pobres da França o frade capuchinho Henri Antoine Groués, fundador do Movimento Emaús, o Padre Henri entrou para a comunidade como simples companheiro de rua. Em 1972 fundou o Movimento Emaús Liberdade, em Charenton-Paris. Em seguida não se acomodou. Levou a idéia do Movimento Emaús a outros países, inclusive o Brasil. Em Fortaleza existe em pelo menos cinco bairros pobres: Pirambu, Vila-Velha, Jereissati I -Maracanaú e Pajuçara. Para quem não conhece o Movimento Emaús, ele funciona como uma espécie de cooperativa, que recebe doações de móveis usados, eletrodomésticos defeituosos e outros artigos inservíveis, que após recuperados, reformulados, são vendidos nos bazares do movimento. É fonte de emprego e renda para os participantes, uma forma concreta de retirá-los da miséria absoluta.  
A Viagem do Padre Henry de Paris a Roma durou três meses e oito dias. Partiu da praça de Notre Dame, em 15 de junho de 1995. Para sua surpresa, Jürgen Falkenberg, um jovem alemão, que o conhecia do Movimento Emaús resolveu acompanhá-lo, pois temia que ele partisse sozinho, sem experiências de caminhada pelas auto-estradas francesas, pelas travessias de túneis cheios de curvas, alguns deles com mais de 20km de extensão. Todo o percurso teve um roteiro previamente preparado, contendo a distância a ser percorrida a cada dia, algo entre 15 e 20km, dias de repouso semanal, lugares para pernoites e alimentação, que era preparada pelos próprios viajantes. A chegada em Roma se deu a 23 de setembro de 1995, três meses de uma longa caminhada.
Infelizmente, ele não pode ser recebido pelo Papa, que partiria no dia seguinte em viagem a Nova Iorque. Então solicitou ao seu compatriota, o Cardeal Etchegaray, vice-decano do Colégio Cardinalício, para entregar ao Papa João Paulo II uma carta com críticas e sugestões, tudo o que ele sentia. Entre os principais pontos: o excesso de gastos que os países pobres realizavam com as viagens e a segurança em torno do Papa, a condenação que o pontificado dedicou à Teologia da Libertação, citando entre outros, o teólogo brasileiro Leonardo Boff. Também tratou de temas polêmicos como a abolição do celibato para os padres, ordenação de casais e também das mulheres, entre tantos outros, ainda hoje uma esperança de serem postos em prática por reformas mais profundas.
Eu e Magali tivemos a alegria de conhecer o Padre Henry que desde 2009 reside em Fortaleza. Atualmente aos 94 anos, vive com os pobres da Vila Velha, sob os cuidados do advogado Airton Barreto e sua esposa, cristãos autênticos, que deixaram o conforto proporcionado por sua família de classe média, para viver como pobre, entre os pobres do Pirambu e da Vila Velha.    
Por Carlos Eduardo Esmeraldo
Para maiores informações ou aquisição do livro do Padre Henry:
Movimento Emaús Vila Velha
Rua Moraújo, 651 – Jardim Guanabara
CEP  60 346 770 Fortaleza- CE
emausvive@emausvive.org
emausvila@yahoo.com.br

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Eita Nordeste da Peste! – Por Carlos Eduardo Esmeraldo

 

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Longe de mim atiçar o separatismo latente que tem surgido ultimamente nos estados mais ricos do Brasil, entre os quais São Paulo se destaca como líder. Que esse nossos irmãos do sul-sudeste me perdoem. Mas o Brasil nasceu aqui! Nesse Nordeste sofrido, de muito sol, muito calor humano, suor e trabalho. Sem racismo, sem preconceitos, mazelas importadas por imigrantes estrangeiros que trouxeram tais sentimentos impregnados no sangue, como herança genética de seus antepassados, que aqui chegaram das mais diferentes nacionalidades, muitos dos quais provavelmente expulsos de suas pátrias. Aqui, diferente do outro Brasil que o Nordeste viu nascer, vive um povo cheio de brasilidade, irmanados por um imenso sentimento de solidariedade e muito amor à pátria. Sem divisionismo, desde quando foi consolidada a independência do Brasil. O nordestino é antes de tudo um povo rico em cultura e arte popular.
Não é exagero afirmar que o berço da cultura brasileira está aqui no Nordeste! Na literatura temos uma inesgotável relação de escritores que se destacaram no cenário nacional: José de Alencar, Graciliano Ramos, Raimundo Magalhães Jr., Rachel de Queiroz, Humberto de Campos, José Lins do Rego, José Américo de Almeida, Ariano Suassuna, Jorge Amado, Adonias Filho, Aluísio Azevedo, Gilberto Freyre, Josué de Castro, João Ubaldo Ribeiro, Gustavo Barroso, Domingos Olímpio, Jader de Carvalho, Raimundo Girão, Tomé Cabral e muito mais, sem deixar de acrescentar novos escritores cearenses que surgem a cada instante, como os médicos cratenses José Flavio Vieira e José do Vale Pinheiro Feitosa, Everardo Norões, e o já consagrado saboeirense Ronaldo Correia de Brito, além de tantos outros.
Na poesia temos Manoel Bandeira, Castro Alves, Ferreira Gullart, Gonçalves Dias, João Cabral de Melo Neto, o cratense Wellington Alves e o nosso genial Patativa do Assaré.
Na música popular, as mais belas canções do cancioneiro brasileiro com uma rica variedade de ritmos musicais, nos quais se destacam nacionalmente os cantores e compositores: Luis Gonzaga, Dominguinhos, Caetano Veloso, Gilberto Gil, Dorival Caymi, Morais Moreira, Pepeu Gomes, Fagner, Belchior, Ednardo, Zé Ramalho, Alceu Valença, Elba Ramalho, Chico Serra, Zeca Baleiro, Lenine, Geraldo Azevedo, Gal Costa, Maria Bethânia, Ivete Sangalo, Cláudia Leite.
Apenas uma breve amostra da riqueza cultural imensurável de que o nordeste é possuidor. Para o pessoal do outro Brasil conhecer, tem que pisar o solo nordestino, conhecer nosso sertão, conviver com a poesia que brota do nosso viver, dentro da nossa caatinga, com plantas que são somente nossas e muita sabedoria popular do nosso povo. 
Por Carlos Eduardo Esmeraldo    

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DUAS LUAS – Por Xico Bizerra

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Estava reparando o céu e avistei mais de uma lua. A de São Jorge estava lá, com dragão e tudo. A outra, vazia de santos e animais, clareava tanto quanto aquela. Sempre me ensinaram que apenas uma lua morava num céu tão grande. Para que tantas estrelas e uma lua só? Todos a vêem grande, solitária e indecifrável. Fiquei a imaginar que aquela segunda lua talvez se prestasse para substituir a lua primeira quando chegasse o sol. Mas não: quando o sol desponta a lua não mais há, já foi passear no Japão ou noutras terras distantes. E agora? Como vou explicar ter visto duas luas? Só posso garantir que jamais vou esquecer que numa noite de setembro beirando o outubro que se achegava reparei o céu e vi mais de uma lua e elas clareavam o chão com a mesma intensidade. No meu céu cabe uma lua dupla e ambas são verdadeiras. Melhor guardá-las só pra mim, acreditar na verdade das duas luas e esconder de todos que as vi para que não digam que estou aluado. Duplamente aluado.

Xico Bizerra

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Confusão de oficio – Por Antonio Morais

 

Cabar_DasDonzelasJosé das Meninas, assim chamado porque todos os filhos eram  mulheres, casado com  Dona Mariquinha, católicos fervorosos, devotos de São Raimundo, vivia do trabalho pesado na roça, o que lhe  resultava em grandes dificuldades para família.

Das Dores, a filha mais velha  resolveu  ir embora para os lados da Amazônia, onde ficou um bom tempo sem  dar noticias. Fundou um bordel e melhorou de vida.  Sabendo das dificuldades das  irmãs, em Várzea-Alegre, mandou buscá-las para lhe adjetorarem  nas labutas do empreendimento.

O negocio prosperou e deu  bons lucros. Mas, o pai era insatisfeito com as informações recebidas dando conta do oficio e funcionalidade das filhas.

Um dia, Das Dores resolveu vi a Várzea-Alegre visitar os pais. Quando tomou chegada o velho  não deu a menor atenção. Com a mãe não foi diferente. Então, ela resolveu se queixar: Não vejo vocês há 30 anos,  vi visita-los e sou recebida com esse desprezo e essa indiferença.

Eu trouxe até uma ajuda para vocês, mas, já que é assim vou voltar. Minhas irmãs mandaram 40 mil para  vocês, mas, diante de tamanha desconsideração vou voltar e nunca mais aqui volto.

O velho, já bem  mais calmo, coçou a cabeça e perguntou: Minha filha, que mal pregunte: Qual é mesmo a profissão  de vocês por lá? Ela, braba como um siri na lata respondeu a todo pulmão: "Prostitutas".

Então, o velho já bem manso disse: Minha filha, "me adiscurpe",  eu pensava que era "protestante".  Se acomode, vá tomar um bom banho, durma um bocadin para descansar da viagem. "Tá vendo Mariquinha, conversando é que se entende, as bichinhas nem têm curpa".

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A IRA DE JOÃO GABIRU – POR ANTONIO CARLOS OLIVIERI

 

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Grota do Angico – Local do cerco a Lampião e seu bando.
Sexta-feira, sete e meia da tarde, fazia muito calor. Eu andava pela Barra-Funda. A esmo, apreciando o que sobrou de antigo no bairro, despreocupado com o resto do mundo. Empapado de suor, pelo resplandecente sol do horário de verão, entrei num boteco de esquina, o primeiro que encontrei e pedi uma cerveja no balcão, urgente. – Uma Brahma, pelo amor de Deus! É pra já, meu querido – respondeu, do outro lado do balcão, o rapaz de avental, com esse modo íntimo, embora nunca tivesse me visto antes. – No capricho!
Depois do primeiro copo, um homem novinho em folha, respirei fundo e passei a apreciar o interior do botequim, que não via uma reforma desde os anos 60. Balcão e bancos de fórmica, azulejos, lâmpadas fluorescentes. A gente só se dava conta de estar em 2005 devido à opulenta nudez de Juliana Paes, nos cartazes da Antártica. Para não me apaixonar por uma mulher impossível, voltei à atenção para a conversa de dois tipos ao meu lado. Os dois também bebiam e se divertiam depois de um dia de batente, contando casos um para o outro, com delicioso sotaque pernambucano. Um deles, o mais velho, parecia mesmo um repentista, pelo vozeirão grave e a eloqüência narrativa, que se traduzia em uma vasta gama de expressões e gestos.
O tema dos casos era sua terra natal, a que não iam há muito tempo. Inacessível às suas posses, porém, o sertão se franqueava às suas lembranças. Era quase ali (no bar em que os três bebíamos) o mais remoto cocuruto de serra, do sertão de Pernambuco. Mas não se tratava do sertão atual, “muderno”, cortado por caminhões de carga, bolsas-famílias e antenas de TV, mas de um sertão de outro tempo, mitológico, onde os versos épicos dos cegos jamais se calam e o cangaço é eterno. Nos alto-falantes pendurados nos quatro cantos do recinto, a voz de Luiz Gonzaga inspirava os narradores. As doses de cachaça com que intercalavam os grandes goles de cerveja tornavam-nos cada vez mais eloqüentes. Os enredos se sucediam, agrestes. Um deles me chamou a atenção.
Major de patente comprada, o fazendeiro Luiz Antonio Feitosa, de Cajarana, sertão da Bahia, devia muitos favores a Lampião. Entre eles, o de ter aumentado em muitas léguas os limites de sua propriedade. O rei do cangaço o auxiliou em rixas, intimidou e eliminou vizinhos. Pressionou juízes a favorecê-lo em pendências agrárias. Em troca, o Major lhe fornecia mantimentos e munições, bem como o acoitava sempre que o cangaceiro atravessava o São Francisco, fugindo das volantes de Pernambuco e Paraíba.
Certa ocasião, o Major tomava a fresca da manhã no copiá da casa-grande, quando avistou um cabra batendo alpercatas na estrada, caminhando em sua direção. Feitosa apurou a vista e reconheceu o homem, ainda distante. Era o negro Vicente do Outeiro, um cabra do eito, gente sua, mas que só o procurava nas ocasiões em que Lampião aparecia naquelas paragens, trazendo recados do cangaceiro.
Bom dia, Major Feitosa – saudou Vicente, sem subir os degraus da varanda, olhando de baixo para cima. – Tenho um pedido para vosmecê. – Pois se achegue aqui, homem de Deus, não faça tanta cerimônia – respondeu o fazendeiro, bonachão, embora remendasse, resmungando para si mesmo, entre dentes: – Os recados que você me traz, é melhor que sejam dados ao pé do ouvido. O negro aproximou-se, tirando o chapéu de palha. Major, o Capitão Virgulino mais três cabras estão aqui perto, no sitiozinho que o senhor conhece, perto do Tanque, atrás do bosque de oiticicas. Os homens vêm de um combate danado que toparam há três dias lá para as bandas de Triunfo. Foi tiroteio de mais de cinco horas, que começou bem para o capitão. Até que apareceu, não se sabe de onde, uma tropa federal com 150 praças que deram sustento ao fogo da volante do tenente Maurício. Os cabras de Lampião estavam cercados.
Não me diga… – fez o Major, apreensivo.
– Mas os cangaceiros conseguiram furar o cerco – prosseguiu o negro, impressionado com os fatos. – Se meteram na caatinga e conseguiram escapar dos macacos. Mas havia muitos feridos: Jararaca, Beiço Lascado, Cobra Verde… Lampião achou melhor separar seus homens, mandando cada grupo para um coito seguro, em lugares diferentes. Ele mesmo achou que era melhor atravessar para a Bahia e me procurou ontem à noite, para mode saber se pode acoitar-se uns vinte dias cá na sua propriedade.
Vicente se calou, aguardando uma resposta. O Major permaneceu em silêncio por não mais que um simples instante. No entanto, este lhe pareceu o maior dos instantes que conheceu em toda a sua vida. Só que não devia demorar em responder ao negro: Vá dizer ao Capitão que me espere onde está – declarou, resoluto. – Vou encontrar com ele no início da tarde.
– Senhor, sim, Major Feitosa – obedeceu o outro e voltou pelo caminho por onde viera, batendo mais rápido as alpercatas, até desaparecer na distância da capoeira. A sinfonia de uma revoada de juritis encheu o céu de Cajarana. Os bogaris, plantados em frente aos esteios da varanda, adocicavam o ar do verão que, a essa altura, já estava quente como o inferno.

Em contraste com o sol que brilhava acima da casa-grande, a expressão que tomara conta do rosto do Major era sombria, grave, repleta de nuvens e trovoadas. Na verdade, naquele momento, a demanda de Lampião o colocava num impasse delicadíssimo. Uma rixa com o coronel Napoleão da Fonseca, de Queimadas, havia levado Feitosa a ingressar na política, filiando-se ao partido do governo. O Major tinha agora a pretensão de candidatar-se a deputado estadual e a proximidade com cangaceiros podia constituir uma montanha instransponível no seu caminho para a Assembléia do estado. Por outro lado, dizer não ao rei do cangaço era a mesma coisa que assinar um atestado de óbito para si mesmo, a mulher e os filhos. Sem falar nos agregados, que eram a cunhada dona Amelinha, o sobrinho Vitorino e o primo José Amaro.
Se em algum momento o sentido da palavra diplomacia lhe interessou na vida de mandos e desmandos, foi naquele. O que fazer?, ruminava, aperreado. Sua plataforma de campanha – que empolgava os eleitores – era justamente o combate ao banditismo, tanto o dos cangaceiros, quanto dos tenentes de volante que os perseguiam (além das obras de combate à seca). Puxou um charuto encorpado que lhe mandaram do Recôncavo, mastigou-o numa das pontas e o acendeu com uma pederneira. As nuvens azuladas de tabaco fertilizaram seu raciocínio. Em pouco tempo, ordenava para o afilhado Bentinho, o filho da comadre Vivi:
– Esse menino, me traga aqui o João Gabiru. Preciso conversar com ele, o mais rápido possível.
Gabiru era uma espécie de pau para toda a obra, na fazenda do Major Feitosa. Tinha um jeitinho para tudo. Nada ganhava com isso, exceto um teto, roupa e comida. Para ele, porém, era o que bastava. Mais uns goles de cachaça nos fins de semana e se dava por muito satisfeito. Além disso, dedilhava a viola e era um primor no repente. Quando ia a Cajarana, nos dias de feira, vinha gente de várias cidades das redondezas para ouvi-lo. Apesar de baixinho, franzino, cabeça grande e o rosto mal traçado, ao tocar a viola, conquistava a atenção até das morenas faceiras que acompanhavam as mães às compras.
Pouco depois do chamado, Gabiru chegou ao copiá, onde o Major Feitosa o aguardava, aflito. Ao vê-lo, o patrão nem lhe desejou bom dia e foi direto ao ponto: Lampião pedira coito, favor que naquela ocasião não estava em condições de prestar ao cangaceiro. Porém, como podia dizer não a Virgulino Ferreira da Silva, sem produzir conseqüências desastrosas? Gabiru matutou, matutou, mas não encontrava saída.
O patrão também não lhe concedeu muito tempo para pensar, ordenando em seguida:
– Vá imediatamente encontrar o Capitão. Tente explicar que aqui, neste momento, ele não estará seguro. Melhor que fique mesmo na caatinga, no sitiozinho onde já se instalou, pegado ao Tanque. Posso mandar-lhe mantimentos e tudo que for de sua precisão. Mas recebê-lo em minha casa é impossível. Invente que estou esperando a visita do governador, acompanhado por militares de alta patente e pelo próprio chefe de polícia. Sei lá! Assunte bem o terreno, veja lá como fala e dê um jeitinho. Senão, estamos todos desgraçados!
João Gabiru não aparentou medo, ao aceitar a tarefa. Acreditava que a solução de um problema assim era uma coisa que só se encontrava de repente, num estalo. Confiou-se a São Severino de Ramos. Colocou sobre a cabeça um chapeuzinho de couro, quase sem abas. Foi ao curral e arreou a mula ruça, que pisava macio. Montou, deu-lhe com o cabresto e seguiu caminho. Com a ponta dos pés descalços nos estribos, equilibrava-se sobre o trote da jumenta, gingando como um ginete das velhas ordens de cavalaria.
Sob a sombra de uma cajazeira, no sitiozinho do Tanque, os três cabras de Lampião matavam o tempo jogando dominós. Estavam muito concentrados, mas o instinto os fez interromper repentinamente a partida. Ao perceber à distância a aproximação de um cavaleiro, se fizeram nos rifles, espalhando-se aos pés das imburanas. Porém, à medida que João Gabiru se tornou visível, os cangaceiros serenaram e baixaram as armas.
A imagem eqüestre do moleque de recados nada apresentava que lhes pudesse provocar o menor medo. Ao contrário, parecia-lhes um motivo de provável diversão. De cartucheiras trançadas no peito, os três homens ficaram de pé, batendo as coronhas do rifle no chão, como autênticos militares. Receberam o recém-chegado, perfilados, com cortesia galhofeira. Ajudaram-no a descer da jumenta e perguntaram o que um homem daquele porte fazia naquele oco de mundo.
Venho da parte do Major Luís Antônio Feitosa – respondeu Gabiru, sério, aparentemente sem perceber que mangavam dele. – Com um recado para o Capitão Virgulino Ferreira.
– Pois vossa incelência espere só um minutinho que vou ver se o Capitão pode te receber – respondeu o maior dos três cangaceiros, que era também o mais mal encarado, e entrou na casinha de taipa caiada, onde o chefe descansava.
Voltou poucos instante depois e abriu a porta para o recém-chegado, com uma reverência que despertou a risada de seus dois companheiros. João Gabiru não fez caso disso, entrou na casa e deu de cara com a cozinha vazia, com um fogão de lenha num canto e uma mesa de pinho ao centro, onde pareciam repousar todas as armas do famigerado cangaceiro: um rifle papo-amarelo, uma carabina Comblain, três bornais de balas, dois revólveres Schmidt & Wesson, um punhal e uma facão de mateiro. Mas o rapaz não teve tempo de observar o arsenal com mais atenção, pois uma voz vigorosa o chamou da camarinha.
João Gabiru entrou no dormitório onde Lampião, estirado numa rede, fazia sinal para ele se aproximar. Pela janela aberta, o sol do meio dia reluzia no quarto como se estivesse dentro dele. Iluminava a figura ridícula do mensageiro, em todos os seus pormenores. O único olho do capitão mirou o sertanejo com expressão furiosa, como se estivesse ofendido por deparar com semelhante moleque de recados. Como é que o major Feitosa lhe fazia uma desfeita daquelas? Não só mandava alguém em seu lugar, em vez de vir pessoalmente, mas mandava aquela figurinha de baralho lhe dar a resposta que ele, o Feitosa – não aquele cabrito desajeitado – lhe devia?!
Isso era um desfeita que a majestade de Virgulino Ferreira da Silva não havia de engolir!
Lampião ergueu-se da rede, com a rapidez que – no gatilho – lhe valeu o apelido. Estava desarmado e completamente a vontade, com as fraldas da camisa para fora da calça de zuarte. Lentamente aproximou-se de Gabiru – a quem olhava de baixo para cima – e sem a mínima cortesia, nem pela mesma mangação dos comparsas, lascou-lhe na cara uma pergunta atrevida:
Você sabe o que é a ira de Lampião? Não senhor – respondeu Gabiru, sem deixar de encará-lo. A ira de Lampião – explicou-se o próprio – é uma fazenda arrasada, muitas mulheres graúdas desonradas, dezenas de cadáveres e o sangue correndo como um rio por cem léguas de distância.
O sertanejo escutou, humilde, mas respondeu com outra pergunta: Pois vossa incelência sabe o que é a ira de João Gabiru? O rei do cangaço riu-se da insolência e deu-lhe o troco na bucha: A ira de João Gabiru há de ser o cipó-de-boi comendo no lombo dele, que acabará de volta à casa do Major, mais morto que vivo, se arrastando atrás de sua mula.
– É não – contradisse o outro e sacou zunindo uma peixeira que trazia escondida na cintura. – Quando João Gabiru fica irado, como agora, o máximo que pode haver é dois cadáveres, o sangue não corre mais que cinco passos, mas todo o cangaço há de ficar de luto. Com a ponta da lâmina a milímetros de seu pescoço, Lampião não piscou o olho nem moveu um dedo. Mas respirou fundo, antes de responder ao Gabiru: É de cabra assim, com cabelo na venta, que eu gosto, não sabe? Abaixe essa arma e vamos conversar, meu camarada. Tem sorte o Major Feitosa de contar com um macho esperto como tu a seu serviço…
O final da história coincidiu com o fim da minha garrafa de cerveja. Durante algum tempo, esqueci do mundo, nocauteado pelo relato do velho. Ao voltar a mim, os danados dos nordestinos tinham simplesmente desaparecido. Cheguei a me perguntar se os dois haviam estado ali mesmo ou se eu os imaginara numa espécie de delírio. Não consegui chegar a uma conclusão. Fui interrompido pelo rapaz do balcão que queria saber:
– Outra Brahma, meu querido?
Antonio Carlos Olivieri.

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CONTOS DE VARZEA-ALEGRE – POR ANTONIO DANTAS.

CachoeiraDantasFOTO DA CACHOEIRA DANTAS

O Souza

O Souza era outro fenômeno da minha época de criança. Conheci-o muito bem porque ele morava nas terras do meu avô, perto da nossa casa no Baixio Dantas. Ele era alegre, muito brincalhão e de uma memória prodigiosa, decorava tudo que ouvia. Certa vez, eu o vi rodeado de pessoas na feira de Várzea Alegre.
Eu tinha oito anos de idade e sabia ler, e procurava pessoas que soubessem ler também. Admirei aquela cena e fiquei curioso ao ver aquela multidão ao redor do Souza, especialmente com desenvoltura com que ele lia aquele conto em voz alta.
Avancei pra bem perto; ele lia o Pavão Misterioso numa banca que vendia livretos de cordel. Naquele momento, ouvi uma das pessoas gritar – eita caba danado, esse ai lê até de cabeça pra baixo! Meu pai depois me explicou o resto da história e pude conferir que existem analfabetos que sabem ler, mas só em Várzea Alegre.
Professor Antonio Dantas.

MIOLO DE AROEIRA – POR ANTONIO MORAIS

AROEIRA Difícil ver algum varzealegrense que não tenha conhecido ou que não conheça a historia de Ladislau Camilo. Homem honesto, trabalhador e acima de tudo bem humorado e alegre. Quando estava numa roda de amigos era riso só, especialmente tendo tomado  umas e outras. 

Ladislau gostava de responder as advertências com outra pergunta. Exemplos: Ladislau, cuidado com  a chuva! E o que é chuva? Ladislau cachaça mata! E o que é cachaça? Assim é que, um dia, Ladislau estava em Crato, num cabaré e, aprontou umas boas, a proprietária advertiu: Eu vou chamar a policia. E o que é policia? Exclamou Ladislau. Neste dia Ladislau ficou sabendo o que era policia, foi parar no chilindró até quando me localizaram e fui socorrer ao amigo graças a amizade que tinha com o delegado. Mas eu quero me referi a uma historinha engraçada do Ladislau ocorrida pras bandas do Sitio Monte Alegre, em Várzea-Alegre, onde morava. 
Ei-la:

O Ladislau Camilo estava acompanhando a retirada de umas madeiras de uma casa velha de taipa da família construída por seus bisavós há um seculo e meio e, ficou admirado ao perceber que a parte que estava enterrado há todo esse tempo encontrava-se em perfeitas condições. Até as marcas do machado que beneficiara aquela madeira estavam intactas. Diante da sua admiração, um tio explicou: Ah, Ladislau! Isto aqui é aroeira. É o miolo da aroeira. Não acaba nunca. É mesmo que ferro!
Ah, com os diabos! Agora eu descobri uma coisa! Respondeu Ladislau.
A mulher lá em casa é feita de miolo de aroeira…

Mobilização pela internet ainda não trouxe mudanças profundas, diz socióloga

Internet_1A socióloga turca Zeynep Tufekci, em sua palestra hoje (7) na TEDGlobal, destacou o papel das mídias sociais nos protestos que ocorreram em vários países nos últimos anos. De acordo com ela, o problema é que, ao mesmo tempo em que se torna muito fácil reunir as pessoas em torno de uma causa, como ocorreu na Turquia, no Barein, com os Indignados na Espanha ou o Occupy Wall Street nos Estados Unidos, a mobilização por meio das redes sociais ainda não foi capaz de trazer as mudanças profundas que os ativistas e manifestantes desejavam.

“Três anos depois do Occupy, o sistema ainda está lá. Voltei à Turquia um ano após os protestos e descobri que os manifestantes estavam frustrados, porque tinham conseguido muito menos do que queriam. A internet ajuda na organização logística, de poder pensar junto, seguir pelas diferenças. Os movimentos começam muito rápido e crescem rápido, mas não conseguem se manter. Os movimentos, hoje, precisam ir além das organizações em grande escala, criando formas como plataformas abertas e jornalismo cidadão”, disse.

Foi o que a ativista política da Argentina Pia Mancini fez. Ela relatou a experiência de tentar mudar a forma como é exercida a democracia no país que, segundo ativista, é a mesma há 200 anos. “Nós estamos em um sistema em que podemos escolher as nossas autoridades, mas somos totalmente excluídos de como eles tomam as decisões,” disse. Pia criou o aplicativo DemocracyOS, que explica todas as leis em discussão no Congresso argentino e as pessoas podem opinar. Na teoria, os representantes deveriam seguir essa opinião popular para votar o projeto, destacou.

Também foi apresentada uma experiência brasileira, com a ativista política Alessandra Orofino. Ela lembrou que a participação da população em eleições tem diminuído em várias partes do mundo, como nos Estados Unidos, na França e também no Brasil, onde houve quase 30% de abstenção e voto nulo na última eleição para prefeito no Rio de Janeiro. De acordo com ela, é preciso mudar a forma de tomada de decisão, já que “o direito de votar como única forma de participação não é mais o suficiente”.

Alessandra disse ainda que a tecnologia pode contribuir muito para isso. “Os governos ainda não usaram a tecnologia para beneficiar o cidadão e permitir a participação naquilo que importa. Não precisamos esperar o governo para fazer isso. Há três anos cofundei uma organização chamada Meu Rio, que estimula as pessoas a se engajarem nas localidades sobre o que importa para eles”.

Ela citou o uso da plataforma chamada de Panela de Pressão, que conseguiu mobilizar a sociedade e fazer o governo tomar decisões favoráveis em casos como a manutenção da Escola Municipal Friedenreich, no entorno do Estadio Jornalista Mario Filho, o Maracanã, e a criação da Delegacia de Descobertas de Paradeiro. “Nós estamos prontos, como cidadãos, para decidir o nosso destino comum e distribuir poder”, ressaltou.

As novas formas de mobilização social e a falta de privacidade na internet estiveram em debate hoje (7) na segunda sessão do TEDGlobal, que ocorre no Rio de Janeiro e tem como tema o Hemisfério Sul. O evento ocorre em uma estrutura fechada montada na Praia de Copacabana, mas, pela primeira vez, está sendo transmitido online para locais como escolas, bibliotecas e universidades cadastradas, com tradução simultânea para o português.

A privacidade na internet foi debatida pelo jornalista norte-americano Glenn Greenwald, responsável pela divulgação dos programas de vigilância dos Estados Unidos pela NSA, revelados por Edward Snowden, então consultor da NSA. De acordo com Greenwald, é errada a visão de que quem não tem nada a esconder não deve temer a invasão de privacidade na internet.

“Existe a mentalidade de se você tem vergonha de estar fazendo alguma coisa, não deveria estar fazendo. Somos seres sociais, mas precisamos ter espaço livre de pensamento. Todos nós temos coisas a esconder. Tem coisas que só estamos dispostos a falar para o médico, advogado ou analista, mas não queremos que o mundo todo saiba”, disse.

O jornalista ressaltou que diversos estudos mostram mudança de comportamento quando a pessoa sabe que está sendo monitorada. “Quando estamos em um estado em que podemos ser monitorados, nosso comportamento muda drasticamente, é bem mais conformista com as regras. O Estado não precisa mais das armas da tirania, a vigilância cria uma prisão na mente, é bem mais eficaz do que a força bruta. A vigilância restringe nossa liberdade de escolha. Quem não se mexe não percebe as suas correntes”.

O último palestrante da sessão, Andy Yen, é especialista em desenvolvimento de sistemas de segurança e participou do desenvolvimento do Protomail, serviço criptografado que não permite ao servidor ler as mensagens, como ocorre atualmente. Ele lembrou que os dados pessoais ficam para sempre na internet e devem, sim, ser preservados.

“O primeiro passo é mostrar que a tecnologia não pode ser difícil, tem que ser algo acessível. Mas podemos manter a privacidade sem todo o dinheiro que a propaganda nós dá? Acho que sim, o Protomail tinha tanta gente que não tínhamos mais dinheiro. Então as pessoas se uniram e doaram meio milhão de dólares. Precisamos de um novo modelo de negócios na internet, menos dependente de propaganda. Os nossos dados online são muito mais do que conjuntos de zeros e uns, são nossas vidas, nossas aspirações. Chegou a hora de dizer que sim, queremos vive num mundo de privacidade online. E podemos fazer isso”, disse.

Aparelhos atuam nas eleições e na corrupção – Por Ricardo Noblat.

 

CorrupicaoPrestes a completar 12 anos de Planalto, o PT, ou facções dele, vê-se envolvido em alguns casos emblemáticos de uma característica relevante desse longo período no poder, a montagem de aparelhos do partido na máquina pública.
A invejável disciplina e o empenho petistas na defesa da visão de mundo do partido se refletem no exercício do perigoso princípio de que “os fins justificam os meios”. Com este pano de fundo é que foi engendrado o mensalão, abastecido com dinheiro público desviado sem pudores para comprar apoio político-parlamentar ao primeiro governo Lula.
Os últimos meses têm sido férteis em casos nada abonadores derivados da atuação de aparelhos petistas. O que operou desde o primeiro governo Lula na Petrobras, num conluio entre sindicalistas, políticos e empreiteiros, apenas começa a ser conhecido com vazamentos de partes de longos depoimentos prestados sob acordo de delação premiada pelo ex-diretor da empresa Paulo Roberto Costa.
O doleiro desse e outros esquemas, Alberto Youssef, fez o mesmo acordo com a Justiça e deve contribuir com informações também esclarecedoras deste que talvez seja o maior escândalo, em cifras, dos últimos tempos.
Soube-se há pouco da atuação enviesada dos Correios, em Minas, para privilegiar as candidaturas de Dilma e de Fernando Pimentel, esta ao governo do estado, na distribuição de peças de propaganda eleitoral.

Desvendada pelo jornal “O Estado de S. Paulo”, a história também é exemplar da atuação de aparelhos petistas, cujo resultado é a “privatização” dessas estatais por interesses partidários. E, como a eleição presidencial tem sido a mais dura enfrentada pelo PT desde a vitória de Lula em 2002, todo este aparato de militantes instalados dentro da máquina do Estado — funcionários concursados ou não — trabalha nestes dias com empenho extra. Há muita coisa em jogo nas urnas — além do poder em si, empregos e dinheiro.
Na mesma linha dos golpes dados na Petrobras, há o uso criminoso de fundos de pensão de funcionários de empresas públicas, em altas negociatas, diante do silêncio do braço sindical petista e, por tabela, dos funcionários.
O próprio Youssef e o tesoureiro do PT, João Vaccari Neto, são citados em investigações sobre malfeitos com dinheiro da Petros, fundo dos empregados da Petrobras, e da Postalis, não por acaso o fundo dos Correios. Há várias operações de que resultam prejuízos para os fundos e, claro, lucros para os operadores.
Pouco ou nada se sabe de reclamações contra esses virtuais assaltos aos fundos. Talvez o silêncio se explique por alguma estranha solidariedade ideológica. Na Petrobras, há quem não critique a gestão no mínimo temerária de José Sérgio Gabrielli, em cuja administração Paulo Roberto fez a festa, por considerá-lo um “nacionalista”. Mais uma vez, fins justificam meios.

O Beato Jose Lourenço – Por Antonio Morais

BeatoO sinal para o fim do Caldeirão começou com a morte do Padre Cicero no dia 20 de Julho de 1934, aos 90 anos. A igreja católica reivindicou os seus bens e uniu-se as elites para destruir a comunidade. Em 1936, uma reunião, em Fortaleza, de representantes da Diocese do Crato, Da Ordem dos padres Salesianos, da Liga Eleitoral Católica, do Deops, da Policia Militar e do Governo do Ceará, buscava um pretexto para por o fim da comunidade. estavam todos assombrados pelo fantasma de Canudos, onde o exercito brasileiro fora seguidas vezes derrotado, até que, em l897, promoveu o massacre de milhares de camponeses. Os participantes alegaram, também, o risco de o Caldeirão cair nas mãos de lideres marxistas.

O ataque foi definido, mas na hora da invasão o beato José Lourenço fugiu a Floresta da Chapada do Araripe.De lá fugiu para o Exu onde veio a falecer em 1946 vitima de peste bubônica. Na morte a humilhação final. Seus seguidores carregaram o caixão  por 70 km a pé até Juazeiro do Norte. Monsenhor Juveniano Barreto disse que não celebrava missa para bandido e não permitiu a entrada  do corpo na capela. Os seguidores então  enterraram o corpo no Cemitério do Socorro. O beato José Lourença sobreviveu a tudo e hoje é referencia de resistência popular  e como defensor das mais simples aspirações do povo nordestino: a de fazer brotar a paz e fartura do solo árido do sertão.

Comunicação: veículos públicos mostram diferencial, mas buscam ser reconhecidos

Radcom“Possibilitar que os cidadãos consigam se comunicar por meio do rádio em locais onde eles não têm outro acesso à comunicação, porque não tem sinal de internet, celular não pega, nem televisão”. Esse é, para Mário Sartorello, gerente da Rádio Nacional da Amazônia, o papel da instituição, uma das nove emissoras públicas produzidas pela Empresa Brasil de Comunicação (EBC).

Criada por meio da Lei 11.652, de 2008, a EBC é hoje a principal expressão do sistema público de comunicação. Ainda em construção, esse sistema só veio a ser regulamentado com o estabelecimento da norma, embora a Constituição Federal, que estabelece a complementariedade dos sistemas público, privado e estatal, já apontasse a sua necessidade.

“Até então, você tinha experiências regionais de emissoras não comerciais, a maioria delas não era pública, era estatal, eram veículos vinculados aos governos dos estados”, destaca o professor da Escola de Comunicação e Artes da Universidade de São Paulo (ECA-USP) Laurindo Lalo Leal Filho.

O atraso na criação do sistema público e o fato de o Brasil ter, historicamente, privilegiado os meios comerciais deixaram algumas lacunas no modelo de comunicação do país. Uma delas é a pouca clareza sobre o caráter diferenciado dos veículos públicos.

Para o diretor-geral da EBC, Eduardo Castro, a população ainda precisa se apropriar desses meios. “Essa é, talvez, a coisa mais importante: essa percepção da população de que isso aqui é um meio de comunicação de todos nós brasileiros. Cada um de nós tem um pedaço e o país como um todo é o dono dele, na sua integralidade”, destaca.

De acordo com a legislação, o sistema público tem o objetivo de promover acesso à informação por meio da pluralidade de fontes de produção e distribuição do conteúdo; produzir conteúdos educativos, artísticos, culturais, científicos e informativos; estimular a produção regional e independente, dentre outros.

Para tanto, deve ter “autonomia em relação ao governo federal para definir produção, programação e distribuição de conteúdo no sistema público de radiodifusão”, bem como garantir “participação da sociedade civil no controle da aplicação dos princípios do sistema público de radiodifusão, respeitando-se a pluralidade da sociedade brasileira”.

Esses princípios norteiam a programação dos veículos, que privilegiam programas infantis, jornalísticos, culturais e de debates. Embora todos os especialistas consultados pela Agência Brasil apontem que esse modelo ainda precisa ser consolidado, inclusive para garantir mais independência em relação aos governos, é possível perceber diferenças na cobertura, que tem como foco o cidadão, independentemente de aspectos comerciais.

O exemplo europeu

Especialista em estudos sobre comunicação pública, Laurindo Leal Filho acredita que, desde a criação da EBC, o debate sobre os meios públicos tem crescido no Brasil. Uma diferença significativa em um país em que “muitas gerações nasceram e morreram achando que a comunicação é um negócio privado”.

Ele compara a situação com a vivenciada no continente europeu, onde, desde o surgimento do rádio, na década de 1920, os estados nacionais tomaram para si a incumbência de promover a radiodifusão. O caso mais emblemático é o da britânica BBC, do qual se destacam os dois elementos centrais para que um veículo possa efetivamente ser considerado público, na avaliação do professor: a legislação e os mecanismos para garantir a participação social.

“No caso da BBC, a participação é alta por meio dos conselhos, dos mecanismos e órgãos reguladores que eles têm para que o público possa intervir no meio público e, principalmente, pelo financiamento, que é todo feito pelo público”, explica.

Para financiar a produção e a transmissão de TV, dos serviços de rádio e internet oferecidos à população pela BBC, é cobrado um imposto anual por domicílio que tenha aparelho de televisão. O valor, que vai diretamente para os cofres da empresa, está em torno de R$ 550.

“Isso tem dois aspectos. Primeiro, o aspecto da independência total em relação ao governo e ao Estado. E, em segundo lugar, gera no público um sentimento de poder sobre a BBC. Se eu pago, eu exijo qualidade. Há um estreitamento muito grande da relação entre o cidadão e a empresa. As cobranças são muito fortes, e há espaços para que elas sejam feitas, tanto na mídia quanto em mecanismos que facilitam essa interlocução dos cidadãos com a BBC”, detalha Laurindo Leal.

O caso britânico não é o único. Alemanha, França, Canadá, Argentina, Colômbia, Portugal e Japão, entre outros países, também têm meios de comunicação sem fins comerciais. A forma como se relacionam legalmente com o Estado e como angariam recursos difere em cada caso. Alguns não podem veicular publicidade para não comprometer o conteúdo público com a busca pela audiência e a veiculação de propagandas. Outros sistemas adotam a publicidade, como as emissoras da Alemanha, que também cobram taxas anuais pela prestação dos serviços.

Os desafios institucionais dos veículos brasileiros

No Brasil, um dos desafios para a consolidação do sistema público é a diversificação das fontes de renda, segundo Eduardo Castro. Hoje, a EBC, por exemplo, recebe recursos do Estado, via Secretaria de Comunicação Social, bem como de serviços que presta, como produção de publicações, e ainda com a exibição de apoio institucional, já que a empresa é proibida por lei de veicular propaganda.

De acordo com Eduardo Castro, essa diversificação será maior a partir da arrecadação dos recursos da Contribuição para o Fomento da Radiodifusão Pública, instituída pela lei que criou a EBC.

Segundo a norma, os recursos da contribuição, formados por um percentual do Fundo de Fiscalização de Telecomunicações (Fistel), devem ser divididos da seguinte forma: 75% para a EBC; 2,5% para a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), que recolhe a taxa, e 22,5% para as demais emissoras públicas. A forma como será feita a distribuição para as demais emissoras ainda não foi definida.

Desde 2009, os valores vinham sendo depositados em juízo, devido a contestação das empresas de telecomunicações. Após disputa judicial, os recursos começaram a ser liberados no ano passado. Apenas a liberação dos depósitos da empresa TIM aportará cerca de R$ 320 milhões, que irão para a Conta Única do Tesouro Nacional. Será preciso, agora, garantir o envio às emissoras.

Outra meta da empresa é ampliar a participação social. Hoje, a EBC tem um Conselho Curador que é formado, segundo composição descrita em lei, por 22 membros: 15 representantes da sociedade civil, quatro do governo federal (ministros da Educação; Cultura; Ciência, Tecnologia e Inovação e Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República), um da Câmara dos Deputados, um do Senado Federal e um funcionário da própria empresa.

Embora os representantes da sociedade civil sejam indicados e recebam votos de outras entidades, cabe à Presidência da República indicar os representantes que assumirão o conselho. Um modelo que, na opinião de Laurindo Leal, limita a participação. O Conselho Curador da EBC tem atuado frequentemente com a sociedade, promovendo audiências públicas, reuniões abertas e debates sobre temas diversos, como a qualidade da cobertura, a autonomia no conteúdo e na participação. A instância também opina e interfere na elaboração de avaliações e metas da empresa.

A existência de conselhos como o da EBC deveria ser uma das marcas das emissoras públicas. No entanto, poucas são as que têm conselhos eleitos e atuantes, lamenta o presidente da Associação Brasileira das Emissoras Públicas, Educativas e Culturais (Abepec), Pedro Osório.

Ele defende a criação de normas para organizar a atuação dessas emissoras, diferenciando-as dos meios estatais, especialmente nos casos de veículos ligados a administrações estaduais e municipais.

Digitalização: problema ou possibilidade de ampliação?

Osório também destaca a preocupação com o processo de transição para o universo digital, porque emissoras espalhadas por todos os estados do país enfrentam “grande dificuldade de migrar para a tecnologia digital, seja por falta de recursos para a compra de equipamentos ou por falta de quadro técnico atualizado no sentido de viabilizar um projeto de digitalização”.

Para resolver a situação, ele defende políticas públicas voltadas a esse segmento, com o incentivo à formação tecnológica e a abertura de linhas de crédito específicas para a aquisição de equipamentos. Sobre financiamento, ele diz que é necessário ampliar as formas de contribuição da sociedade na gestão e manutenção desses veículos, de modo que, além de serem sustentáveis, possam ser públicos de fato.

Um problema ainda maior chegou a ser enfrentado por esses meios. Na discussão do leilão da faixa de 700 Megahertz (Mhz), que será utilizada para oferta de internet em alta velocidade, a 4G, organizações como o Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação (FNDC) alertaram para a possibilidade de os canais públicos perderem lugar no espectro. Em maio deste ano, o ministro das Comunicações, Paulo Bernardo, garantiu que as emissoras terão espaço garantido.

O presidente da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), João Rezende, diz que a digitalização não vai interferir nos meios de comunicação existentes. “[Foram feitos] regulamentos de interferências, estudos de replanejamento de canais no Brasil inteiro, e todo mundo que está hoje [na faixa] está garantido. Ninguém vai ficar fora do ar”, diz. Ele aponta ainda que essa é uma janela de oportunidades para esses meios, já que apenas eles podem praticar a multiprogramação. “Um canal hoje, que é analógico, é um canal. No digital, você pode fazer oito. É um ganho violentíssimo”, avalia. 

Diante desse cenário, o diretor-geral da EBC aponta que a digitalização pode ampliar o alcance dessas emissoras. Em 2013, segundo dados oficiais, a empresa chegou a 3.580 cidades brasileiras. A Rede Nacional de Comunicação Pública de Televisão, encabeçada pela empresa e que conta com veículos universitários e educativos, ampliou seu alcance para 55 geradoras e 728 retransmissoras de TV.

“Com a mudança para o digital, tem mais gente nos procurando. A gente já começa a discutir como vai ser a rede do futuro da EBC, essa rede analógica que temos hoje em dia não vai atender às necessidades quando toda digitalização tiver executada, quando a migração estiver pronta. É algo que já nasceu, já está aí, mas, de certa forma, está sendo rediscutido por causa das mudanças de cenário que são impostas para a comunicação como um todo”, destaca Castro.

Agência Brasil

Comunicação: saiba como funciona e o que movimenta o setor

TvA televisão é o meio de comunicação mais usado pelos brasileiros, que passam, em média, 3h30, diante da telinhaValter Campanato/Agência Brasil

Em 97% dos lares do país, ela está ali, ocupando o centro da sala. A televisão é o meio de comunicação mais usado pelos brasileiros, que passam, em média, 3h30, diante da telinha, segundo dados da Pesquisa Brasileira de Mídia 2014, da Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República.

Após seu surgimento, nos anos 50, a TV não só superou rádio e jornais como virou campeã em cobertura e faturamento. Hoje, entretanto, essa hegemonia está ameaçada. As tecnologias de informação e comunicação (TICs) têm alterado o cenário das comunicações no país. No rastro do desenvolvimento dessas tecnologias estão em curso mudanças em ações cotidianas como escutar música, ler livros, relacionar-se com os amigos, comprar e, até mesmo, brincar.

Para entender essa realidade em constante mutação, a reportagem conversou com especialistas, integrantes de movimentos sociais, empresários do setor e agentes governamentais. Tudo para detalhar como funciona e o que está mudando no sistema de comunicação brasileiro, tema da série de reportagens que a Agência Brasil publica nos próximos dias.

Em comum a todos os entrevistados está a compreensão de que esse sistema é cada vez mais complexo.  “Uma tecnologia nunca suplanta inteiramente a outra. Você convive com essas múltiplas tecnologias e modos de comunicação ao longo da história”, analisa a professora da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) Marialva Barbosa.

O ritmo da tecnologia e o desafio da regulação

A busca por novas formas de comunicar não é inédita. Marialva lembra que a história da comunicação foi pautada pela produção de tecnologias que trouxessem a possibilidade de comunicar além dos limites do tempo e do espaço. “Desde a invenção da imprensa, quando você passou a poder copiar os textos; com o telégrafo, que inaugura outro modo de transmissão, porque você não precisa mais carregar o meio de comunicação; e com o rádio, que rompeu o limite do espaço físico, essa é a história de ações humanas que querem tornar mais eficiente o ato de comunicar”, explica.

O Estado, que desde os anos 1930 passou a regular diretamente o setor das comunicações, não acompanhou o ritmo dessas mudanças na maior parte das vezes. Na avaliação do professor da Universidade de Brasília (UnB) Murilo Ramos, a principal lei que organiza o setor, o Código Brasileiro de Telecomunicações (CBT), de 1962, “está completamente defasado”.

A Constituição Federal também dedica um capítulo inteiro à comunicação social. Mas Murilo Ramos lembra que, até hoje, o capítulo que trata do tema não foi regulamento. Ele cita, como exemplo, o artigo que estabelece que “os meios de comunicação social não podem, direta ou indiretamente, ser objeto de monopólio ou oligopólio” e que deve haver “a regionalização da produção cultural, artística e jornalística”. Os percentuais, contudo, não foram fixados, assim como os limites de atuação dos grupos e os mecanismos para evitar a concentração do mercado.

Novas regras?

Além do CBT e da Constituição, a comunicação social é tratada em leis específicas, a exemplo das normas sobre o serviço de TV a cabo e telefonia, bem como por decretos, portarias e acordos internacionais dos quais o Brasil é signatário. Para o presidente da Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão (Abert), Daniel Slaviero, esse é um setor bastante regulado o que torna desnecessária a criação de novas regras para nortear a atuação das empresas. Ele avalia, entretanto, que “a tecnologia caminha muito mais rápido do que a legislação”.

Opinião contrária é apresentada pelos movimentos sociais que apontam a alta concentração de mercado e das fontes de informações como um problema para a democracia. “A comunicação é uma política pública. O Estado tem que ser o regulador e garantidor dessa política pública para que todos possam exercer o seu direito com plenitude”, defende Rosana Bertotti, coordenadora do Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação (FNDC).

Para reverter esse quadro, o fórum e dezenas de entidades encampam campanha de coleta de assinaturas em apoio ao Projeto de Lei de Iniciativa Popular da Mídia Democrática. O projeto pretende, entre outros pontos, fortalecer o sistema de comunicação público, a regionalização da produção, a garantia do respeito aos direitos humanos na mídia, bem como evitar a concentração do mercado com o intuito de democratizar o rádio e a televisão brasileira.

“Esse é o grande déficit normativo que o país conhece até hoje, diferentemente, por exemplo, da velha telefonia que hoje está convergindo para oferta de internet e televisão paga, que foi regulamentada na sua forma de distribuição por cabo em 1995 e que agora tem uma forma [a chamada Lei de Serviços de Acesso Condicionado, de 2011]”, avalia Rosana.

Já a rede mundial de computadores só veio a ser regulada recentemente com a aprovação, em março deste ano, do Marco Civil da Internet. Ainda faltam, entretanto, leis para detalhar os princípios gerais colocados pela norma, como a neutralidade de rede e a defesa dos direitos humanos. A expectativa é que o tema volte ao Congresso Nacional no ano próximo ano.

Para além das questões legais, contudo, falta à comunicação ser entendida como política pública, argumenta o professor da Universidade de Brasília (UnB) Fernando Paulino. Para ele, “junto com a lei, acho que também é preciso surgir práticas que garantam que a comunicação seja compreendida como um direito humano e, dessa forma, seja colocada em prática para os cidadãos que já têm formação profissional na área, mas também para outras pessoas que ainda não têm o conhecimento pleno da importância da comunicação para o aperfeiçoamento do sistema democrático”.

 

 

Coragem moral – Por: Emerson Monteiro

Emerson Monteiro 2Ou a dignidade, essa boa fé que justifica viver neste mundo em paz consigo mesmo. Se não, a que se está aqui?… Profissões, fama, riquezas, informações guardadas, tudo o mais que perde o sentido quando some o valor pleno da dignidade face as razões da existência. Postular cargos, destaques, conduzir multidões, reunir patrimônio, são motivos pequenos diante da ordem natural que rege os acontecimentos deste chão. Correr atrás de ilusões pode explicar só enquanto a realidade permanecer à sombra dos dias. A poeira das circunstâncias humana, no entanto, demonstra claramente o nada de vender a alma ao preço das vaidades, pura perda de tempo, energia, saúde, juventude e oportunidade.

Ainda assim, a ausência de sentido sujeita toldar de cinza os projetos sucessivos das pessoas, devido àquela tendência de passar nos cobres a essência de existir, submissos aos instintos imediatos, vítimas da facilidade em trocar por lentilhas o trato bom da verdade absoluta qual instrumento de busca da Perfeição. Poucos, talvez raros, demonstram compreender a urgência de conhecimento verdadeiro na prática das realizações individuais. Largam aos pedaços a juventude nas baladas e nos vícios, abandonado bestialismo que, de perto, acompanha o séquito dos desavisados.

Conquanto as respostas rasguem os olhos de gerações e gerações face aos frutos estragados que produziram as histórias melancólicas, inúmeros batem cabeça no erro. Padecem da teimosia de representar papeis secundários, esquecidos da possibilidade dos papeis principais, nos palcos das jornadas pessoais.

Nisso, o que bem caracterizaria crescimento evolutivo nesta escola do tempo, haverá inestimável infinito maravilhoso na Criação que vira mero prejuízo de irresponsabilidades e satisfações indiferentes.  

Quanto ao preço de ser digno se pagará, sim, pois este lugar provisório onde ora habitamos impõe condições por vezes extremas, dados limites da pequenez relativa das sementes que nascem com esforço. Isso lembra frase de  de Castro Alves, quando diz: Que sou pequeno, — mas só fito os Andes… E adiante persistirá sempre sol no caminho de quem aceita de viver com Dignidade as honras de ser feliz.

O ferreiro de Barcelona – Por: Emerson Monteiro

As trevas da Inquisição lastravam a Europa de terror e mártires. A Idade Média anulara os anseios religiosos da grande população através de cruel intolerância, solapando liberdades civis qual peste sulfurosa. Durante o século XIII, se cometeram ignomínias e atrocidades, ações que iam do confisco de bens a execuções sumárias, torturas e castigos inimagináveis.

No auge disso tudo, na cidade espanhola de Barcelona existia ferreiro afamado que ganhava a preferência dos executores na confecção de instrumentos requintados adotados pela repressão impiedosa. Suas algemas mereceriam mais respeito face ao primoroso zelo com que as manufaturava, sem existir quem pudesse superar na qualidade. Atendia com sobras as encomendas que viessem. De suas produções jamais alguém escapara. Um profissional e tanto o ferreiro daquelas peças de trancar os perseguidos da oligarquia religiosa que avassalava esse período trágico, no combate a idéias renovadoras e no escarmento das vítimas.

Pois bem, esse homem até se orgulhava disso: Ninguém se livraria das suas tenazes; ninguém, quando preso, fugiria dos atrozes mecanismos. O Infinito, porém, justo e sobranceiro, guarda lá surpresas, na ronda dos aparentes ditames da monotonia do tempo.

Dias e noites passavam céleres, até que, durante festa de insistentes brindes, perante vasta multidão, o ferreiro, animado além do tanto nos assuntos do vinho, excedeu-se em palavras, deixando vazar segredos inconfessáveis aos quais chegara por via do prestígio adquirido junto à cúpula do Santo Ofício. Na carraspana, revelara notícias que determinariam seu próximo destino feito nas armadilhas da língua.

Coisa pior não poderia acontecer. Cairia desse jeito nas garras mortíferas do mesmo tribunal a quem servira com esmero. A equipe dos doentes espirituais, por meio de julgamento sumário, cuidou da sua condenação, ficando desfeita a velha aliança de ferreiro e cliente.

Após o pesadelo das primeiras horas, ele despertou desnudo em solo úmido de infecta masmorra, colado de frio a pedras ásperas. Sentiu preso nos pulsos pelos crivos de metal enegrecido. Entre dormido e acordado, buscou esperanças no manuseio profissional dos mecanismos que o retinham junto da tosca parede. 

Recobrou lentamente os sentidos para perceber (qual surpresa desagradável!) que se via atravancado nos braços e pernas por dois pares das algemas que produzira na quase na véspera da infausta comemoração onde perdera a liberdade, sentenciado ao merecimento torpe que antes auxiliava outros a experimentar.

Em seguida e desencantado, se rendeu a esperar o improvável, como ocorre nas situações semelhantes, quando na medida com que medirmos medir-nos-á também a nós.

O presente – Por: Emerson Monteiro

 Emerson Monteiro 2Na China existiu um velho guerreiro que nunca fora derrotado. Apesar da  idade avançada, era capaz de lutar com os mais novos e sempre levar a melhor. Sua fama atravessava o país, correndo mundo afora. Seus alunos o admiravam e respeitavam seus ensinos.

Lá um dia outro guerreiro famoso se apresentou disposto a medir forças com o Mestre, porquanto sabia do prestígio que desfrutava e trazia em si o firme propósito de vencê-lo em combate de proporções jamais presenciadas. Queria ser o primeiro a derrotar aquele senhor da luta.  

O desafiante, além de apresentar força e habilidade inigualáveis, possuía talento sem igual para descobrir pontos fracos nos oponentes, explorando-os até conseguir anular-lhes a concentração e vencer a resistência, destarte triunfando em todos os combates. Forçava os adversários a revelar as fraquezas, atacando-os, então, com extrema bravura. Dadas tais características, depois do primeiro momento de duelo ninguém resistiria a seus golpes fatais. (Descritas as características de ambos os lutadores, prossigamos a história).

Sabedor das intenções do desafiante, o Mestre de pronto aceitou o desafio, no que pesassem as observações zelosas dos discípulos a preveni-lo. E veio a data do embate cercada de grande pompa, a reunir enorme multidão.

Os dois se posicionaram com o jovem guerreiro principiando a fazer provocações verbais usando de xingamentos vis, a lançar punhados de areia e cuspir no rosto do adversário, gestos que se repetiram por longos e longos minutos.

Entretanto, impávido, o velho guerreiro resistiu sem perder a tranquilidade, extático, calmo e dono da luta, se mantendo à frente nos golpes. Não demorou muito a derrotar o petulante agressor que, por fim, se esquivou envergonhado debaixo de apupos e vivas.

Desconcertados por ver o Mestre se manter passivo no decorrer de quase toda a luta, os alunos quiseram saber a razão desse tipo de atitude em faca das agressões sofridas:

- Por que o senhor teve de suportar tanta humilhação sem impor qualquer resposta, e esperar tanto para revidar as ações do opositor e chegar à vitória?

- Quando nos mandam um presente e nós evitamos receber – ele respondeu -, esse presente fica nas mãos de quem oferecer. Dessa forma, retorna a quem o enviar.

Mistérios da mente – Por Sandro Vaia.

SandroVaiaA palavra esquizofrenia vem do grego e, simplificadamente, significa “dividir a mente em dois”.
Ela define um transtorno da mente que pode ser tratado farmacologicamente ou, dependendo do diagnóstico, por terapias psicanalíticas.
Há alguns tipos de esquizofrenia de natureza política que não estão classificados nos compêndios médicos e que jamais foram estudados – de forma que a cura se torna incerta, ou mesmo impossível, dependendo de sua origem.
Por exemplo: como se explica, clinicamente ou politicamente, todo o peso institucional com que o governo resolveu, no período pré-Copa, tratar os baderneiros que encheram as ruas e incendiaram, destruíram e saquearam bens públicos e privados, aos gritos de “não vai ter Copa”, ao mesmo tempo em que um dos seus ministros mais importantes, Gilberto Carvalho, da Secretaria da presidência, trocava receitas de quindim de côco com eles?
Como se explica que o ministro da Justiça desse mesmo governo tenha dito que “não toleraremos abuso de qualquer natureza, e as pessoas que praticarem ilícitos responderão nos termos da lei penal”, e que quando os termos da lei penal começam a ser aplicados, o presidente do partido desse mesmo governo proteste contra a prisão de quem praticou esses ilícitos?
O partido declarou em nota assinada pelo seu presidente que a prisão dos chamados “ativistas” (um jargão modelo 2.0) é “uma grave violação dos direitos e das liberdades democráticas”.

Quanta verdade – Por Antonio Morais

 

PoliticoSafado

Jamais vi declaração mais verdadeira. Vagabundo é um povo que se vende, vota por paixão, por raiva, por simpatia, e, nunca pela razão.
Lula, o Cara se elegeu duas vezes com um discurso piedoso, chorão, mentiroso, explorando a pobreza, a nação nordestina, sem nada por ela fazer, a não ser  torná-la  mais viciada e dependente da esmola e da vergonha. Como dizia Luiz Gonzaga em “Vozes da Seca”.
12 anos depois da primeira oportunidade, sem nada de proveitoso ter feito, continua se estrebuchando, mentindo para obter a piedade de um povo que não enxerga um palmo adiante da venta. 
Quando eu via um casal acidentado de moto chegar ao hospital, um morrer e o outro ficar aguardando  a morte sem atendimento, eu lamentava. Hoje já não lamento mais. A morte está sendo plantada e irrigada no terreno fértil da irresponsabilidade  do PT, do Lula, da Dilma. 
Então, como está na charge, safado é você que vota, que alimenta esses vermes.

Assessores de comunicação são parceiros, não aproveitadores – Por Beto Fernandes

PautaCostumo dizer há anos que dentre as muitas atividades difíceis que conheço na comunicação estão narrar jogo de futebol no rádio e, principalmente TV, apresentar programa jornalístico e concentrações públicas em período eleitoral.No rádio o locutor precisa criar toda uma situação para que o ouvinte se sinta ali, vendo o drible, a jogada, a falta, o toque refinado na bola até explodir de emoção como num clímax de prazer no grito de gooooooool! Na TV complica porque você precisa ser obvio já que o telespectador verá que o jogo não está bom como o narrador quer em função das conveniências comerciais.

O noticiarista político, o âncora, tem o dissabor de ser amado e odiado porque ao comentar sbre um partido X ou Y um político A ou B agrada e desagrada. A raça de político adora ser elogiada, mas quando é questionada se sente ofendida e o profissional que critica é subversivo ou ‘marronzista juramentado’ como diria Odorico Paraguaçu.
A situação fica mais grave quando todos notam que o apresentador não está seguindo a linha de formação de opinião, ou para ajudar nesse sentido, e acaba sendo obrigado a seguir a linha editorial política do empresário dono da emissora. Considerar a mídia como um poder independe é piada porque ela mais aliena que ajuda, de fato.
Sobre apresentação de concentrações públicas pondero a necessidade de criatividade para segurar uma reunião ou comício durante uma hora e meia, muitas vezes duas horas, com discursos longos, prolixos, chatos e burros na maioria. Com o fim dos showmícios fica difícil reunir pessoas em torno de um candidato que pretende apresentar suas propostas. O comunicador/apresentador é um diferencial e nisso, só tem espaço para os muito bons mesmo.
Feitas estas observações acrescento, por fim, outra atividade complexa: fazer comunicação institucional. Cada vez mais é complicado noticiar ações de um Governo, seja Federal, estadual ou Municipal. Como estou de volta a labuta quero agradecer a cada amigo radialista, jornalista, produtor-executivo de notícias, apresentador, colunista e blogueiros por receber e eventualmente publicar nossas sugestões de pautas.
Como disse, são sugestões e, apenas isso: sugestões. Você utiliza de acordo com sua criatividade, seu potencial técnico de apurar e utilizar a informação. Como Assessor de Comunicação Social sei que você não tem nenhuma obrigação de lê-la, mas se for uma pauta inteligente, razoável e de interesse coletivo, por que não aproveitar? Mais que isso, além de noticiar mantenha contato com as partes e convide as pessoas e técnicos envolvidos para uma entrevista não é verdade?
Compreendo que um programa seja no rádio ou TV, um blog ou jornal, antes de ser alguém é de várias pessoas.
Da mesma forma que você não tem obrigação de ler o assessor de comunicação ou a instituição que ele faz parte, necessária e obrigatoriamente não tem também de pagar pelo “serviço de leitura” não é verdade?
Pautar sim, apelar para divulgar, jamais!
Os assessores de comunicação são parceiros, não aproveitadores.

Os dez conselhos de Santo Antônio Maria Claret – por Armando Lopes Rafael

 

    Semana passada estive na belíssima Basílica Menor de Nossa Senhora de Lourdes, um templo em estilo neogótico, existente no centro de Belo Horizonte (MG), e, inegavelmente, uma das mais belas igrejas brasileiras. Essa igreja é administrada – desde o início da sua construção –, pelos padres claretianos, uma congregação religiosa fundada por Santo Antônio Maria de Claret.
   Acredito que o leitor nunca ouviu falar no nome deste grande santo: Antônio Maria Claret, nascido em 1807 em Sallent (Província de Barcelona – Espanha), Ele, fisicamente, era um homem de baixa estatura, temperamento ardoroso como são quase todos os catalães. Antônio Maria era oriundo de uma família bastante piedosa, que sobrevivia financeiramente na fabricação artesanal de tecidos. Por isso, ajudou o pai numa fábrica de tecidos até os 22 anos. Depois entrou para o seminário já que almejava um sacerdócio santo e como padre desejou consagrar-se nas difíceis missões da Espanha.
   Alguns anos depois de ordenado padre, Antônio Maria Claret foi promovido a Arcebispo da cidade de Santiago de Cuba. À época aquela ilha do Caribe era uma colônia espanhola,  mas sua população tinha a fama de possuir uma  situação moral  – já naquele recuado tempo – muito decadente. Santo Antônio Maria Claret dedicou-se à conversão da ilha cubana, e quando começou a obter a emenda dos costumes, desencadeou-se uma reação intensa contra ele. Sofreu tantas e tão fortes oposições, e até atentados contra sua vida, que a Rainha da Espanha acabou intervindo e o retirou daquelas terras. Dizem que ao deixar Cuba ele fez uma profecia de que a população daquela ilha, no século XX e início do século XXI, seria governada por uma dinastia cruel e corrupta, como castigo de Deus por terem rejeitado a verdadeira fé.
   Desde 1959 os irmãos Fidel e Raul Castro vêm governando Cuba, de forma tirana, sustentado-se no poder graças ao uso do chicote e das baionetas, contra a população paupérrima e indefesa.
    Mas voltemos a Santo Antônio Maria Claret. Na Basílica de Lourdes, em Belo Horizonte, ouvi falar nos dez conselhos deixados por aquele santo. Achei-os bem interessantes e, dito isso, repasso-os para conhecimento do caro leitor. A conferir.
1. Não deixes para ninguém o que tu mesmo podes fazer.
2. Não disponhas do dinheiro, antes de tê-lo em mãos.
3. Não compres coisa alguma, por mais barata que seja, se não a necessitares.
4. Evita o orgulho, porque é pior que a fome, a sede e o frio.
5. Nunca te arrependas de ter comido pouco.
6. Toma sempre as coisas pelo lado suave e seguro.
7. Se estiveres zangado, conta até dez antes de responder, e se estiveres ofendido, será melhor contar até 100.
8. Pensa bem antes de dar conselho e esteja pronto para servir.
9. Fale bem do teu amigo; e de teu inimigo não fales nem bem nem mal.
10. A resposta suave e humilde quebranta a ira, as palavras duras excitam o furor.

História do Brasil: ‘A República foi um golpe de Estado’

(entrevista concedida e publicada no jornal “O Globo”)

Dom Carlos Tasso de Saxe-Coburgo e Bragança
No Brasil para lançar um livro sobre as viagens de Dom Pedro II à Alemanha, tataraneto do imperador diz que Brasil é maior que qualquer governo
“Tenho 82 anos, oito filhos e dezesseis netos. Estou lançando um livro sobre as viagens de meu tataravô, Dom Pedro II, à Alemanha. Sou casado há 46 anos com uma prima, tataraneta da rainha da Áustria. Meu nome é um conglomerado de nacionalidades. Vivo em Portugal, mas morei 12 anos no Rio, em Copacabana’’
Conte algo que não sei
Na autobiografia de Dom Pedro II há um pedaço do diário anexado ao livro que estou lançando sobre suas visitas à Alemanha. Ali ele escreve como deve ser um imperador, e diz que inveja os presidentes da República. Muitos disseram que ele era republicano. Não era republicano nada. Tinha mais de 20 anos de governo. Era um peso. Tinha que governar até morrer. Um presidente depois é livre, vai ter um boa vida, viajar, estudar. Foi inveja mesmo, um grito à liberdade.
O que mais o livro revela?
Dom Pedro descreve como se tratam os dinheiros públicos. Qualquer desperdício é um furto à nação. Por exemplo, fazer um porto em Cuba ou no Uruguai. Isso ele não teria feito.
Por que escrever sobre a relação com a Alemanha?
Já foi escrito sobre a viagem dele à Rússia, à Escandinávia, ao Egito. Ano passado foi o ano do Brasil na Alemanha, e nada se sabia sobre as quatro viagens que ele fez ao país. Muito material sobre a viagem não existia porque Dom Pedro viajava como particular, não fazia viagens oficiais, pagava seus deslocamentos. Ele praticamente iniciou o que hoje temos como viagens à prestação.
O que motivou as viagens?
Em 1870, morreu de tifo, em Viena, sua filha, irmã de D. Isabel, a princesa Dona Leopoldina, sepultada na Alemanha. Ele queria ir, rezar no túmulo dela. Na quarta viagem, já como imperador destronado, só lhe davam bom-dia, sem honras. Visitou grandes indústrias, como a Krupp. Não queria comprar canhões, era antimilitarista, mas achou que o Brasil tinha que estar na vanguarda da técnica e bem guarnecido, depois do caso do Paraguai.
Como foi viver no Brasil, com esta herança?
Um peso. Antes muita gente dizia: com esse nome, facilita. É o contrário. Se eu me chamasse Antônio, teria sido muito mais fácil. Mas temos que oferecer uma parte própria de sabedoria e de prática. As pessoas valem pelo que elas são e não pelo nome que levam.
Qual a história do nome?
Sou um conglomerado de nacionalidades. Tenho parentes no mundo inteiro, sangue italiano, alemão, inglês, português, espanhol. Procuro tirar o melhor de cada pedacinho.
Seus filhos falam a língua?
Todos. Fizeram estágio aqui. E têm nome brasileiro: um é Afonso Carlos, o outro José, outro Antônio, outra Leopoldina… Quanto mais conheço o mundo, mais aprecio o Brasil, com todos os seus defeitos. É um país extraordinário, com uma natureza maravilhosa. Gostaria de voltar a ser fazendeiro, criar umas vaquinhas.
O Brasil esquece a história?
Muita coisa caiu no esquecimento voluntariamente pela República. A História é escrita pelo vencedor. As grandes bases da República de hoje foram feitas pelo Império, em todos os sentidos. Uma delas foi a dignidade que o imperador imprimiu à coisa pública.
A República foi culpada pela deterioração da política?
A República, antes de mais nada, foi um golpe de Estado. Eles tiveram medo de uma reação do povo, por isso embarcaram Dom Pedro de noite. Isso já foi um sinal de fraqueza muito grande. Não posso dizer que a culpa seja da República. O Brasil é tão rico! E sempre se falava: está à beira do abismo. Por pior que o governo seja, o Brasil caminha. Ele é maior.
(“O Globo”)

Imediatismo – Por: Emerson Monteiro

 Na Bíblia, há exemplo clássico de imediatismo. No livro de Gênesis, exausto e faminto, Esaú, neto de Abraão, aceitou de bom grado a proposta de Jacó, irmão seu, para trocar o direito de primogenitura por um simples prato de pão, caça guisada e lentilhas. Sem medir as consequências do gesto, se rendeu ao impulso do momento, refugando o futuro melhor que lhe aguardaria.

Tantas e tantas histórias existem dessas atitudes irreverentes que não custa notar o quanto rotineiro virou comportamentos de pessoas agirem por impulso, a considerar apenas irresponsabilidade, preguiça e má fé como coisas naturais para si e os demais. Esquecem, na prática, que a vida é longa e o pensamento, breve, palavras sábias do cancioneiro popular.

A política disso preenche inúmeras páginas, com homens e mulheres, nas suas funções profissionais consagrados médicos, advogados, sacerdotes, jornalistas, artistas, exímios e valorosos, largar tudo para demandar as tetas do erário público. Lá, longe de origens reais e vocacionadas, trafegam alienados peixes fora da água, zumbis de gabinetes e corredores, que se põem perdidos no campo das vaidades e do poder escorregadio, em detrimento da competência necessária ao exercício do comando.

Outras formas de imediatismo acontecem nas aventuras e conquistas das civilizações colonizadoras. Espanhóis a destruir os povos do Novo Mundo, astecas, maias e incas, à cata de sonhos materiais e botins da ganância. Portugueses, na febre das esmeraldas, em matanças e destruições dos primitivos da Vera Cruz. Invasões bárbaras da Europa. Ingleses e franceses na espoliação da Ásia e da África. Tudo somado aos crimes ambientais há décadas promovidos na ocupação dos recursos naturais de matas, rios e mares, em prejuízo da rica e dadivosa Natureza, e reações da existência na Terra.

Isso também vista a jornada coletiva que devolve o pensamento a estados melancólicos, diante dos equívocos cometidos: Então replicou Esaú: Eis que estou a ponto e morrer; logo para que me servirá o direito de primogenitura? Jacó deu a Esaú pão e o guisado e lentilhas; e ele comeu e bebeu; e, levantando-se, seguiu seu caminho. Assim desprezou Esaú o seu direito de primogenitura, confirma o texto bíblico (Genesis 25, 32) lá no Antigo Testamento.

Um golpe frustrado – Por: Emerson Monteiro

Na época em que foi prefeito de Lavras da Mangabeira, Gustavo Augusto Lima precisou seguir até Fortaleza, deixando a substituí-lo José Augusto de Oliveira (Zé Borrego), seu primo e esposa de uma de suas primas.

Algumas semanas passadas na solução dos compromissos que o levaram à Capital, Gustavo regressa ao município, pronto a retomar as atividades executivas.

Nesse meio tempo, contudo, grupo político adversário convencera Zé Borrego de não mais lhe devolver o mandato, coisas de quando sucessões municipais ocorriam na ponta do punhal e na boca do cravinote, de tão precário modo que o peso da força prevalecia em contrário aos ditames democráticos dos tempos adiante, dominância da rebeldia oportunista.

O líder Augusto chegara à noite. Ouviu de aliados a confirmação dos boatos que corriam soltos no lugar. O coronel Gustavo seria, com isso, vítima das demarches praticadas na sua ausência.

Dia seguinte, às primeiras horas da manhã, se dirige ao paço, sentido fixo nos afazeres do cargo que lhe cabia.

De longe, visualiza bem no curso da porta principal da Prefeitura a pessoa de Borrego, corpo franzino, calvo, olhos fundos, sagaz e impaciente no ânimo de manter a fúria golpista que desenvolvera.

Atitude própria de quem ignorava o motivo dos acontecimentos imprevistos, Gustavo chega ao prédio na intenção de reaver o posto que confiara às mãos infiéis do parente.

Imbuído no propósito de manter a sublevação, Zé Borrego não arredara os pés e, menos ainda, transparecia qualquer satisfação com o retorno de Gustavo, lhe bloqueando a passagem. Nessa hora, face a face, nos desejos do poder, obstinado, manifestou aos quatro ventos da praça sua intenção avassaladora:

- Gustavo, para entrar aqui você terá que passar por cima do meu cadáver – isso falado num tom duro, deixando claro que pretendia sustentar até o fim a manobra e possíveis consequências.

Ciente, pois, da teimosa disposição de quem antes dele merecera confiança, Gustavo Augusto esqueceu alternativas. Passo rápido, determinado, empurrando nos peitos, afrontou o que visse pela frente, de jeito que readquiriu no muque o domínio da ação e penetrou no recinto, após lançar ao solo, qual traste inútil, o afogueado usurpador, asseverando abusado entre os dentes:

- Sai do meio, Zé Borrego! Que tu nem cadáver possui – e de novo se investiu no cargo de Prefeito da localidade, restabelecido às condições anteriores.

A ultima vitima do Caldeirão.

 Sitio-CDepois de percorrer algumas propriedades do cariri, morando de favor, o beato Jose Lourenço assentou-se na Fazenda Caldeirão no Município de Crato, imóvel este que pertencia ao Padre Cícero. Antes do seu estabelecimento definitivo, ele já comandava uma legião de trabalhadores temporaneos, que lhe obedeciam e seguiam seus passos fanaticamente. Se algum fazendeiro estava em dificuldade para limpar um grande roçado, solicitava seus préstimos e ele lá comparecia com cinqüenta, cem ou duzentos homens; o serviço era feito em horas ou em poucos dias. O pagamento ficava a critério do beneficiado; um boi, um cavalo, sacos de milho, feijão, rapaduras, etc, ou simplesmente um muito obrigado. O rateio das doações era feito entre todos. E assim, quando o Beato foi morar naquele lugar já levava um “regimento”. As terras que não produziam nada viraram uma Canaã.

O poder publico, da época, ainda não acreditava no que o beato apostou: parceria, mutirão, irrigação, obediência e trabalho. Ficou enciumado com o sucesso da comunidade e haja perseguição, ate que veio a ordem para a destruição do assentamento.

Comandando uma fração de tropa vinha da Capital um jovem oficial, já conhecido no meio policial pelo seu caráter violento e inata malvadeza: Tenente João Inácio de Vinhas. Antes de deflagrarem a ação, os comandantes maiores falando a tropa, fizeram ver aos futuros combatentes, que apesar de ser uma guerra, no campo de batalha eles iriam encontrar mulheres e crianças, que deveriam ser respeitadas ao maximo. Depois do bombardeio, a infantaria avança e o Tenente à frente do seu pelotão ficou cego. Matava homem, mulher, menino, porco, galinha e de resto ateava fogo nos casebres. A carnificina foi grande.

Quase no final da refrega, sai de uma toca uma mulher arrastando uma criança; a arma do oficial funcionou: matou a criança e feriu a mulher. Nisso o marido aparece intercedendo pela esposa, mas Inácio assegura que vai acabar com o sofrimento dele e dela.
Seu policial, mate-me, mas deixe-a viver para criar os outros três inocentes.
Que nada jagunço safado, vai ela e você também!
Se é assim homem, pode matar-nos, mas fique sabendo que no dia de sua maior agonia, você chorara pelos os seus e pelos meus.
Dois tiros ecoaram nas quebradas da Chapada do Araripe.

Quarenta anos se passaram. O já coronel Inácio estava deitado na sua rede no alpendre aproveitando a brisa, quando foi rendido por dois marginais. Ainda esboçou resistência, tentando pegar seu revolver em cima de um tamborete, mas foi dominado. Sendo obrigado a entrar na residência, vê também serem rendidas à filha e a neta. Imobilizado, o velho militar assistiu ao estrupo de ambas; enquanto desesperado enchia-se de raiva, lembrou-se do episodio do Caldeirão e chorou copiosamente pelos dois fatos. O coronel entrou em depressão morrendo dias depois e, como todos os que participaram daquela matança, até aquele dia já haviam morrido de maneira misteriosa ou trágica, acreditamos que o Cel Inácio foi a ultima vitima do Caldeirão.

Cel. Jose Ronald Brito.

Um caixeiro cearense em Nova Iorque – Por Carlos Eduardo Esmeraldo

NovaIorqueA história abaixo  relatada saiu em uma edição da Revista Exame que eu li por volta de 1977, há cerca de trinta e sete anos, portanto. Dessa edição, perdeu-se no tempo a revista e, apagou-se da minha memória todos os demais temas tratados, ficando apenas a narrativa que se segue, como prova do espírito empreendedor e inovador de uma das mais marcantes personalidades de nosso estado. 

A esposa de um jovem empresário cearense foi acometida de uma estranha doença, cujos médicos locais sugeriram tratamento em São Paulo. Lá chegando, uma junta médica aconselhou o empresário levar sua mulher aos Estados Unidos. Não era doença tão grave que, o dinheiro não pudesse resolver. Com as indicações de quem e onde procurar o atendimento em Nova Iorque e de posse do competente prontuário médico vertido para o inglês, o nosso empresário decidiu acompanhar sua esposa à terra  do “Tio Sam”. Em lá chegando, sua mulher foi atendida numa das mais importantes clínica da cidade de  Nova Iorque.

Realizados novos exames, o marido foi informado de que sua esposa deveria ficar alguns dias internada, sem permissão de acompanhamento de familiares e visitas permitidas apenas nos dias de domingo.

No primeiro dia a sós na cidade, o nosso empresário resolveu dar uma volta pelo centro da cidade, examinar as lojas, verificar os avanços e as possíveis novas técnicas de vendas e marketing. Sentia-se sem saber o que fazer perambulando no meio de um verdadeiro formigueiro humano, que eram as ruas da grande metrópole, quando notou uma lojinha, espécie de chapelaria, cuja vitrine se encontrava vazia e às escuras. Como precisava comprar uma capa de chuva, entrou na loja onde o proprietário, um senhor idoso,  cujo aspecto lhe pareceu ser o de um judeu, era o único atendente. Começou uma interessante conversa com o dono da loja que lhe informou que as vendas estavam muito fracas. Então resolveu gastar seu inglês para se divertir pedindo emprego:
- O senhor não sente falta de uma pessoa para lhe ajudar? Sou brasileiro, há pouco  chegado aqui e estou precisando trabalhar. -  disse o empresário
-  Meu amigo, não posso lhe pagar um salário, pois como lhe falei, minhas vendas são fracas.
-  O senhor não precisará me pagar nada. Apenas se achar justo me conceder uma gratificação de dez por cento sobre o acréscimo das vendas que se verificarem após o inicio do meu trabalho. Se as vendas não progredirem, o senhor me despede sem nada me pagar. – Proposta mais do que tentadora para um presumível judeu. Como previra o candidato a emprego, o velhinho concordou e o jovem vendedor iniciou seu trabalho.

Sua primeira providência foi dar uma arrumação geral na disposição dos artigos da loja. As malas mais bonitas e de melhor qualidade foram convenientemente expostas na vitrine que ganhou nova iluminação, de modo a despertar a atenção das pessoas que passavam pela calçada da lojinha. Ali também foram colocados outros artigos que a loja dispunha para oferecer ao público, todos eles de grande utilidade. O interior da loja também teve as lâmpadas trocadas de modo a fornecer a sensação de se estar ao relento em uma ensolarada manhã.

Não demorou muito para o efeito se fazer notar. Logo no primeiro dia, o número de visitas à loja cresceu exponencialmente e quase cem por cento das pessoas que entravam na loja saia levando consigo algum artigo relacionado com as condições do tempo, capas e guarda-chuvas, luvas, casacos de lã, malas e sacolas para viagem, enfim, a loja conheceu um acréscimo de vendas jamais imaginado por seu proprietário. Nosso empresário cearense se divertia, à seu modo, como talvez não o fizera quando criança em suas brincadeiras. Mas contrariando um famoso dito popular, a alegria de rico às vezes também dura pouco. Um belo dia entrou na loja um engenheiro americano que estivera no Ceará projetando e montando uma das instalações industriais do empresário, agora transmutado em simples comerciário. Ele, ao avistar o engenheiro, tentou se esconder por trás de alguns artigos, mas fora notado e reconhecido pelo engenheiro que perguntou ao dono da loja:
- Quem é aquele homem que se encontra escondido por trás daquele material?
- Um imigrante brasileiro que veio me pedir emprego. É um vendedor muito esperto. Depois que muito a contra gosto eu resolvi empregá-lo, minhas vendas cresceram extraordinariamente. -  Respondeu o comerciante.
- Que imigrante, que nada! Aquele homem é um dos empresários mais rico do Brasil! E se chama Edson Queiroz. – Dito isto o ricaço brasileiro saiu de onde estava, abraçou o amigo e riram bastante da brincadeira, diante do comerciante americano admirado e intrigado. Não me recordo se a reportagem citou alguma explicação relativa a continuidade do emprego ou sobre à gratificação sobre o acréscimo das vendas a que o informal contrato de trabalho aludia teria sido paga.

Por Carlos Eduardo Esmeraldo
BLOG DO JUAZEIRO

Sertão, Sim Senhor !

 
SERTÃO SIM SENHOR – O vocábulo sertão significa, aos olhos dos que não são daqui, uma região sem cultivo ou lugar longe de povoação ou de regiões cultivadas, ou seja, um grande deserto incivilizado. Percebe-se, com pesar que, a visualização do sertão sempre esteve ligada ao despovoamento, aridez, espaços distantes e sem civilização. 
Discordo desse ponto de vista e justifico porque: A representação homogênea de uma identidade nordestina se observa, por exemplo, na predominância de uma temática no discurso regionalista dominante sobre o Nordeste: a seca no sertão. Esse discurso, além de restringir a região ao território sertanejo, também é pautado numa visão negativa. Esse olhar homogêneo e pejorativo sobre o Nordeste é preconceituoso e distorcido. O Nordeste é “lido” através da repetição do tema da seca, associada ao flagelo natural. Quando Graciliano Ramos compôs “Vidas Secas”, em 1937, estava diante de uma República sem a vocação da incorporação política e social de setores da sociedade que, até então, viviam inteiramente à sua margem. 
O sertão nordestino da contenção verbal de Graciliano Ramos revela, sem eufemismos, a ação opressora do clima e de um modelo sócio-cultural e político adverso, diferentemente do sertão mineiro de Guimarães Rosa, um universo farto de mito e linguagem, um entrelugar textual que articula narração antropológica e transfiguração poética e reflexão filosófica. É visível que a imagem sobre o Nordeste e, consequentemente, sobre os nordestinos, particularmente o sertanejo, foi se firmando de forma preconceituosa e criando raízes difíceis de serem extirpadas. A visualização sobre o Nordeste acaba por se concentrar na descrição da miséria e dos horrores proporcionados pela seca. Essa visualização, além de estar no imaginário das pessoas, está registrada em livros de história, de geografia e mesmo na literatura. Essas descrições, entre tantas outras, fazem emergir uma tônica de sofrimento, e de abandono também pelas autoridades políticas governamentais. E não é bem assim. 
Quando lemos um livro que fala sobre o sertão/sertanejo, observamos que o tipo ali narrado é sempre um infeliz, um miserável, muitas vezes incivilizado, bruto e ao mesmo tempo humilde como a terra, como o meio onde sobrevive, mas forte e capaz de aguentar a dureza da seca, como se absorvesse a natureza do lugar. Esse estereótipo acaba sendo a identificação do sertão-nordeste, consequentemente, do sertanejo. A natureza molda a terra que molda a vida que modifica o homem. Porque estou batendo tanto nesta tecla? É preciso desmistificar essa idéia rudimentar de que o sertão e ou o sertanejo é alguém cujos valores são diferentes daqueles que não tiveram a sorte de nascerem nestas plagas, não existe um povo mais corajoso e lindo do que o nordestino, temos a doçura na alma capaz de adocicar a alma mais sem doce que houver, essa mistura de sofrimento e esperança, de luta e desenganos é que faz o tempero do povo nordestino e o torna um dos mais raros deste país, justamente pela sua perseverança em não desistir nunca e por está intimamente ligado a mãe terra e as suas raízes culturais. 
Sertão sim senhor, porque não?
 
Por: Elder Consultor

Chips em humanos – Por: Emerson Monteiro

A empresa Applied Digital Solutions, há poucos anos, defendeu na justiça seus direitos sobre o Verichip, um dispositivo que garantia empréstimo da IBM.

A ADS, que pedira empréstimo de US$ 77 milhões à IBM, alegou que a gigante corporação norte-americana usava a situação para controlar subsidiária que detinha propriedade intelectual sobre o Verichip, microprocessador que pode ser implantado sob a pele humana e lido por sensor externo.

Lançamento recente, o Verichip será usado na segurança e identificação de emergência, dentre outras situações. Autoridades afirmaram que a empresa não poderia vender o produto para aplicações médicas porque ele ainda precisaria ser testado.

A companhia considerou que a IBM quis com isso impedir que a ADS recebesse financiamentos de outras fontes, o que permitiria que honrasse seus pagamentos, segundo consta do processo.

O presidente da ADS, Scott Silverman, afirmou que a companhia pedira reparação de danos: Temos a obrigação de proteger os bens da companhia e nossos acionistas do que consideramos como pirataria corporativa, disse.

Tais mobilizações jurídicas demonstram o quanto avançaram as pesquisas com a tecnologia de controle dos indivíduos nos tempos quando esses ficam sujeitos ao acompanhamento das máquinas quais coisas, contextualização de causar espécie aos autores de ficção que previram o domínio da liberdade coletiva, porém de jeito tímido e distante da realidade presente.

Não se sabe a quem recorrer, nem a quem interessam ditos artefatos, no entanto são mais os países ricos que recorrem a tais instrumentos de domínio, para evitar o assédio de forças das populações marginalizadas e seus modos imprevisíveis de reagir, o que, porém restringirá ao máximo o direito e ir e vir, sob o argumento dos governos de se defender dos agressores potenciais.

Por essas e outras, as pesquisas inovadoras da IBM e das suas subsidiárias parecem ganhar corpo e invadir dimensões do direito fundamental da pessoa humana com esses possíveis chips implantáveis sob a pele, ineditismo de espantar a multidão.

Em consequência, pois, dos avanços virtuais, o futuro ultrapassará as raias da imaginação e penetrará os mistérios mais profundos da imponderabilidade.

Duro Castigo – Por Carlos Eduardo Esmeraldo

 

A história que abaixo narrarei me foi contada por uma amigo engenheiro paraibano, já falecido. Considero-o que era um cidadão acima de qualquer suspeita e portanto uma pessoa digna de crédito, embora o fato por ele contado é de fazer tremer qualquer defensor dos direitos humanos.

Na época da ditadura Vargas, existia um interventor na Paraíba, figura equivalente a de governador, pessoa de confiança do chefe supremo da nação, nomeado conforme os compromissos com o regime imposto no chamado Estado Novo. Tratava-se o interventor de homem bastante culto, pai de escritor de renome e ele também escritor e autor de vários livros, um dos quais muito usado pelos vestibulandos nos dias de hoje. Não obstante esses atributos, o interventor era intolerante com a violência, roubos e qualquer tipo de indisciplina. Além do mais era austero nas punições que mandava aplicar.

 Num período em que todos os direitos dos cidadãos estavam suspensos, as famílias do estado da Paraíba vinham sofrendo uma onda de assaltos e roubos em suas residências. As prisões do estado estavam todas superlotadas. Então o interventor resolveu encomendar um barco que comportasse no mínimo cem pessoas.

Recebido o barco, o interventor ordenou ao chefe de polícia que escolhesse cem presos para um passeio marítimo. Em alto mar, cada preso recebia um crachá com número variando de 01 a 100, colado ao pescoço por um grosso cordão, tal qual os funcionários das repartições públicas. Numa área bem distante do continente, onde só se via água e o azul do horizonte, o grupo era reunido e comunicado de que seria realizado um sorteio. Aquele que possuísse o número sorteado deveria se apresentar ao capitão para receber o premio do passeio.

Realizado o sorteio, dois ou três guardas pegavam o sorteado e o atiravam ao mar. Após isso, o barco retornava ao porto, onde os 99 restantes eram solenemente recepcionados pelo interventor.
-  “Vocês viram o que acontece com malfeitores e aqueles que desobedecem a lei? Pois vocês serão soltos. Voltem para seus estados e digam aos seus colegas como é que os marginais são tratados aqui na Paraíba. Os que forem daqui evitem um novo passeio marítimo para não correr o risco de serem sorteados”. – Avisava o interventor.

O meu amigo acrescentou que após poucos meses, a tranqüilidade retornou às famílias paraibanas, e muitas delas dormiam com portas e janelas  abertas, pois nada era roubado. 

Pessoalmente não concordo com esses métodos dignos das ditaduras mais cruéis que não respeitam a vida como um dom de Deus.

Devemos refletir nos males que uma ditadura faz às pessoas, principalmente à nossa dignidade de pessoa humana. E procurar evitar que algum dia voltemos a um novo período ditatorial.

Por Carlos Eduardo Esmeraldo

Cinza – Por Elton Simões

 

 
Foi-se, se é mesmo que existiu, o tempo em que narrativa precisava fazer sentido. Os fatos eram colocados cuidadosamente em ordem de maneira a levar audiência a acreditar na conclusão. Por isso mesmo, toda historia precisava ter começo, meio e fim.
Desde que as narrativas foram dispensadas de fazer sentido, as coisas se tornaram mais complicadas de entender. A realidade perdeu as cores. Branco não existe preto não há. Tudo parece ser cinza. Tudo parece o mesmo.
Neste mundo pintado de cinza, as explicações variam e se transformam dependendo dos interesses imediatos. Não saber virou qualidade que inaugura a existência o pecado sem pecador.
Parece que nunca antes na história deste país existiram tantas pessoas que não sabiam. E tantos fatos sem explicação lógica. Ou tantas explicações sem sentido. Ou melhor, nunca as explicações foram tão pouco importantes.
Talvez porque acompanhar os fatos tem se convertido em tarefa árdua. A sucessão de fatos novos e escândalos inusitados é tão grande, e tão diversa, que foco passou a ser luxo que a condição humana não permite.
Tudo parece sobrecarregar os sentidos e apagar a memória. Escândalos novos substituem os anteriores, dispensando-os de explicação adequada. Não existe papel, tinta, tempo, ou espaço na memória para acompanhar cada um deles do início ao fim.
Em uma realidade construída de tons de cinza, tudo soa e se parece mais ou menos igual. Ali convivem e colidem sonhos do passado e pesadelos do futuro na ausência de narrativas que emprestem sentido aos fatos.
Tudo seguindo o ritmo acelerado das revelações de fatos não explicados fadados a serem rapidamente substituídos por outros escândalos que, por sua vez, também estarão destinados a permanecerem inexplicáveis. Tudo, de alguma maneira, ocorre sem a que a luz clara do sol possa iluminar e ajudar a entender cada acontecimento. A zona é cinzenta, afinal de contas.

De corpo e alma – Por Merval Pereira, O Globo

 
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A primeira entrevista mais longa para a televisão do ministro Joaquim Barbosa, presidente do Supremo Tribunal Federal, dada ao jornalista Roberto D’Ávila no seu programa de estreia na Globonews, é um depoimento revelador de como pensa e age um dos principais atores da atual cena pública brasileira.
Ele não apenas anuncia formalmente que não será candidato a nada nas eleições deste ano, como faz questão de separar sua atuação da vida política, da qual diz preferir se manter alheio.
Ocupando um dos principais gabinetes na Praça dos Três Poderes, ele se diz distante de “tudo o que se passa aqui (nessa Praça dos Três Poderes) que tenha caráter político”.
Retira também do processo do mensalão, do qual foi relator e alvo das críticas dos petistas, qualquer caráter político na sua atuação, mas reconhece que ele trouxe “um desgaste muito grande, com uma carga política exagerada, um pouco turbinada pela mídia também”. Ressalta que, por estratégia, tomou sempre as principais medidas ouvindo o plenário.
Certas penas não foram muito pesadas?, pergunta o entrevistador, e Barbosa rebate: “Ao contrário. Eu examino as penas aplicadas nesse processo e as comparo com as penas aplicadas aqui no STF pelas turmas, só que em casos de pessoas comuns, e (quem fizer a comparação) vai verificar que o Supremo chancela em habeas-corpus coisas muito mais pesadas”.
Ele não atribui à transmissão pela TV das sessões um papel importante nas atuações dos ministros, e fala de sua própria experiência: “A televisão me incomodava muito nos primeiro meses, depois me acostumei e nem noto que há televisão”.
Durante toda a entrevista o ministro procurou colocar-se como uma pessoa diferente do que o pintam, tanto em relação à sua carreira quanto ao seu comportamento na vida pública.

“No Brasil a vida pública é quase um apedrejamento. Acompanho a vida institucional de alguns países e noto uma diferença fundamental. Noto no Brasil um processo paulatino de erosão das instituições e esse apedrejamento parece fazer parte disso. 

Com quantos ministérios se faz um governo? – Por Joaquim Falcão.

Quantos ministérios teria eventual governo de Aécio Neves? Quantos teria o de Eduardo Campos-Marina? Esta é pergunta que os eleitores gostariam que fosse logo respondida.
A estrutura visível do governo deve ser um dos temas preferidos nos debates na TV entre os candidatos. É uma mensagem de fácil comunicação para o eleitor. Concretiza para o senso comum a discussão abstrata sobre o tamanho do estado. E com certeza diferencia candidatos.
Existe crescente percepção na opinião pública de que nem a administração pública, nem mesmo o próprio governo precisa de 39 ministros. Em vez de ajudar a governar, ajudam a desgovernar. Em vez de viabilizar a liderança da presidência, a paralisa.
Foi o que vimos agora na reforma ministerial: uma Presidenta tentando se livrar da gula fisiológica exacerbada estimulada pela existência de tantos ministérios.
Como lembra Roberto Paulo Cezar de Andrade, um dos mais respeitados empresários brasileiros: “não há país civilizado onde o Congresso abrigue 19 partidos (são trinta os existentes) e o Presidente tenha 39 ministérios. Numa empresa privada, os acionistas certamente despediriam o Presidente que contratasse 39 diretores. Teriam que fazê-lo rapidamente antes que a empresa entrasse caoticamente em falência.”
A multiplicação dos ministérios acaba sendo um mecanismo disfarçado de aliciar votos, diz Roberto Paulo Cezar. A democracia brasileira precisa arranjar uma nova política onde o Congresso convirja com a Presidência, sem ser por Mensalão ou ministérios.
 

Eletrocutada, a inépcia vira empulhação – Por Elio Gaspari, O Globo

 

Eletricidade

Em dezembro a comissária Gleisi Hoffmann lastimou as inundações do verão dizendo o seguinte: “Não temos como evitar chuvas”. Sábia senhora, reconheceu que até lá não vão os poderes petistas.



O problema é que, não podendo também evitar a estiagem (“estresse hídrico”, no dialeto do poder), o governo desorganizou o setor elétrico, apostou contra o clima, perdeu e, como não poderia deixar de ser, a conta vai para a patuleia.
Na hora de explicar, a doutora Dilma (ex-ministra de Minas e Energia) continuou cuidando do PMDB e mandou para a vitrine uma equipe de eletrotecas que fizeram o possível, mas não responderam à principal pergunta: quem pagará o buraco de R$ 12 bilhões? (Ervanário equivalente a todos os investimentos do governo em janeiro).
Em fevereiro o ministro Edson Lobão já avisara: “A repercussão não será imediata”. Óbvio, ela chegará no ano que vem, depois da eleição. É nesse ponto que a inépcia associa-se à empulhação.
Um governo que mobilizou sua máquina de marquetagem quando baixou as tarifas não teve a lealdade de reconhecer que precisa aumentá-las logo.
Numa trapaça da fortuna, no dia em que os eletrotecas anunciaram as novidades, o ministro Guido Mantega recebia uma missão da Standard & Poor’s que veio estudar as contas do país para avaliar a credibilidade do governo. Ecoava impropriamente o tempo das missões do FMI.
Nem a S&P tem essa bola toda, nem deveria ser mimada com cerimonial e exibicionismo. Mesmo assim, infelizmente, se o negócio é credibilidade bastava que assistissem à entrevista dos eletrotecas.

Se Padre Cícero ainda fosse o prefeito de Juazeiro do Norte –– Por: Daniel Walker

 

(Publicado no blog “Portal do Juazeiro”)

O presidente Lula, a presidente Dilma, o deputado Guimarães e o PT asseguraram que era ponto de honra, prioridade máxima, a ampliação do Aeroporto Regional Orlando Bezerra de Menezes, localizado em Juazeiro. Mas nada disso adiantou para impedir que a Infraero suspendesse a liberação da verba de 15,8 milhões de reais destinada aos trabalhos de ampliação do nosso aeroporto. Isso é o que acontece quando se deposita confiança em político no Brasil. Porém, se Padre Cícero ainda fosse o prefeito de Juazeiro esta cidade teria sido escolhida como sede de jogos da Copa, ganharia um novo e luxuoso Romeirão e o nosso aeroporto seria internacional e já estaria concluído. Ah, Como Padre Cícero faz falta!

Daniel Walker

SUS

 

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O Coronel Benedito Brandão estava eufórico. Acabara de ver a noticia no radio. Já estavam fazendo transplante de pénis. Transplante ele não sabia bem o significado, trocar um morto por um vivo, novo em folha, ah isso ele sabia sim. Não bateu pestana vendeu o gado todo a foi a São Paulo e fez a operação. De volta, no alto de seus 80 anos,causou inveja a qualquer um Dom Juan ou Casanova. Não escapava ninguém. O Velho se tornou o maior garanhão da redondeza.
Sabedor do desempenho advindo do transplante, o Coronel Leandro Belisario, decidiu fazer o mesmo. Foi a São Paulo, procurou o mesmo medico e partiu para empreitada. Quando tomou conhecimento do valor da cirurgia deu o maior pinote. O que, isso tudo, eu não vou vender meu gado todo para fazer uma operação.
Propôs ao medico fazer pelo SUS. O medico desaconselhou. Olhe aqui Coronel Leandro Belisario, tanto demora muito a autorização como os resultados podem não serem satisfatorios. O homem era mão de vaca e decidiu fazer pelo SUS.
Na data marcada fez o transplante. Retornando para o sitio parecia um capão, o que era morto não dava sinal de vida. Depois de seis meses sem fazer bangalafomenga resolveu ir a casa do Coronel Benedito Brandão receber algumas informações a respeito do causo.
Ao encontrar, foi logo perguntando de forma curta e grossa: Coronel Benedito, como você sabe eu fiz a mesma cirurgia que você fez. Estou precisando de algumas informações, porque estou desconfiado que o resultado não vai ser o esperado. Sou cinco anos mais moço do que você. Gostaria de saber, no seu caso, quanto tempo o que era morto levou para ressuscitar? Uma semana, respondeu o Coronel.
Tenho ou não tenho razão de está preocupado, já passaram seis meses e nada, nadica de nada. Então Benedito sugere ver parte tansplantada do Leandro para avaliar os procedimentos ou comparar os assemelhados. Quando o Coronel Leandro mostrou: Ouviu a noticia cabeluda. Ah, bem logo vi! Essa aí era a minha.

Conversa de engenho – Por: Emerson Monteiro

 
As sombras longas do fim de tarde casavam bem com o clima morno que se estabeleceu no beco entre a casa grande e o engenho, onde, acocorados, os homens da moagem ouviam atentos as narrativas do cigano Lourenço a propósito de seus sonhos e andanças pelo mundo, embalados na zoeira festiva da meninada a correr em volta, agitação natural de quem aceita as coisas e nelas se integra.

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Fez-se no ar apito estridente do locomove ao término da jornada, liberava no eito a turma dos cortadores de cana, enquanto os ouvintes estiravam na distância o sentimento para buscar a vegetação do outro lado da represa o voo suave das garças silenciosas, salpicando de brancas reticências o azul metálico da tarde em declínio, por cima de troncos calcinados das carnaubeiras; palmas tremeluzentes e ruidosas. O vento, por seu turno, escamava as ondas e distorcia a imagem das nuvens no leito do açude velho.

Palavras e aves do entardecer raspavam de leve os chapéus de palha dos caboclos, retorcidos pelo sol e manchados de suor, noturna sensação de abismo que entorpeceu os ânimos, alguns a esfregar os olhos no canto dos dedos, qual querendo despertar de sono pesado e guardar com esforço o que ouviam.

Lourenço pôs-se de pé; catou as cordas dos burros e bateu-lhes nas ancas, tangendo-os ladeira abaixo na direção do reservatório. Meio caladão, tinha desses instantes de ficar sem saber explicar direito o porquê de se chegar naqueles assuntos graves, novidades antigas do interesse de quase ninguém e necessidade eterna dos mortos e vivos. Saber para onde se vai depois, quando acabar isso daqui.

O focinho dos animais, na calma das águas, ia desenhando movimento de ondas sucessivas, chamando a atenção do viajante para o sentido que tomavam, indo quebrar nas margens de pedra e argila ou se faziam mais extensas e rumavam para longe, no leito das águas profundas, oscilando a babugem esverdeada e as moitas de mofumbo adiantadas no lodo, quebrando o repouso das rachanãs e galinhas-d’água.

- … Muitas oportunidades individuais – repetiu baixinho as derradeiras palavras de há pouco, querendo gravar, qual saíssem de uma outra boca que não a sua.

É cara de pau – Por Mary Zaidan

 
Trem-bala, seis mil creches, 500 UPAs, Brasil rico, sem miséria. Fome Zero, transposição do Rio São Francisco, presídios federais de segurança máxima. Promessas de um futuro espetacular que nunca chega. Especialidade da geração de marqueteiros que alcançou o ápice no período Lula, a venda do paraíso – que tem sido repetida com sucesso – pode não ter tanta valia em 2014.
Os sinais são muitos. Nas ruas e fora delas. No bolso do cidadão que paga cada vez mais impostos sem a recíproca de serviços mínimos, no cotidiano de quem depende da esfera pública para ter educação, saúde e transporte.
Daí ser quase incompreensível a insistência dos arquitetos eleitorais da presidente Dilma Rousseff em apostar nos fogos de artifício do PAC 3, previsto para abril.
Apresentado por Lula em 2007, o primeiro PAC era arrebatador, com obras que pretendiam revolucionar o País. Ganhou forte apoio do empresariado, chegou a causar inveja até em gente da oposição. Mas empacou.

Para turbinar a campanha de 2010, o PAC ganhou uma segunda edição, e uma mãe, a então ministra Dilma Rousseff, a quem Lula atribuía o sucesso da versão anterior que mal saíra do papel: 54% das obras nem projeto tinham. Na época, anunciou-se com estardalhaço que o PAC 2 significaria investimentos em torno de R$ 1,6 trilhão. Os últimos dados apontam a execução de R$ 665 bilhões, a maior parte em financiamento habitacional. O 9º balanço, aguardado para a semana que passou, nem mesmo foi divulgado.
Pouco importa se os demais PACs empacaram. O ano de 2014 tem eleição e vem aí o PAC 3. Apelidado como PAC da mobilidade, o mesmo termo que sustentou a ilusão do upgrade das cidades que sediarão a Copa do Mundo da Fifa.

Na mesma toada que deu certo na eleição anterior, no site do PAC, o futuro é hoje. Em destaque estão investimentos de R$ 2,5 bilhões em Belo Horizonte, capital do estado-base do candidato tucano à presidência, Aécio Neves. Antes de tudo, reforça a campanha do mais querido dos auxiliares de Dilma, o ex-ministro Fernando Pimentel, que disputará do governo de Minas.
O PAC oficial festeja ainda o legado dos Jogos Olímpicos de 2016, com quase R$ 1 trilhão de investimentos. Comete-se o mesmo erro dos sonhos dourados da Copa.
Difícil imaginar que os marqueteiros de Dilma, com todo o instrumental de que dispõem, incluindo pesquisas de opinião pagas com o dinheiro do contribuinte, errariam o tom. Deve ser por isso que decidiram misturar o requentado discurso do “quem não está conosco está contra o País” à promessa do Brasil Xangri-La.
Pode até dar certo de novo. Mas é muita cara de pau.

A divina conformação – Por: Emerson Monteiro

 
Na Palestina, depois que Jesus fora crucificado e as coisas pareciam retornar à normalidade antiga, João, um dos apóstolos, não encontrava canto, qual dizem dos que enfrentam sem aceitar as situações limite.

Durante semanas, sua vida era só de amarguras, sofrimento por cima de sofrimento. Aquela ferida aberta com a perda do Mestre parecia crescer cada dia um pouco mais. Aonde seguisse, levava saudade imensa da divina presença, fugindo dele o gosto de viver, e ninguém conseguia consolá-lo. Tornara-se, por isso, preocupação de amigos e familiares.

Alguém lembrou, então, Maria de Nazaré, de quem devessem esperar palavras de conforto, pois ela revelara exemplo superior de resignação face à inominável tragédia que vitimava os seguidores do Mestre.

Incontinenti, viajou João ao lugar em que morava Nossa Senhora.

Depois de uma demorada conversação, a santa mulher indicaria que ele chegasse às imediações do Mar da Galiléia, porquanto, nas suas margens acharia o motivo suficiente de recobrar as forças e a firmeza de tocar seus dias.

João aceitou o conselho. Buscou as praias daquele mar, onde permaneceu durante algum tempo. Relembrara ali os passeios felizes de vezes anteriores, absorto, porém, no transe da dor inominável. Certa tarde, preso à beleza das águas, se deixava inundar em gratas recordações quando avistou, deslizando na sua direção, sobre o espelho fino das ondas, o vulto magnânimo de Jesus.

Nesse momento, um perfume de incenso raro imantava os ares, idêntico ao que experimentara próximo da cova em que antes depositaram o santo corpo do Nazareno, lá nas proximidades de Jerusalém.

Perante o suave fragor quis esmorecer, pungido sob o peso das emoções que lhe tomavam o íntimo, raro instante. Fechou os olhos em fervorosa contrição, e ouviu nos refolhos da alma lacerada, translúcida, a voz do Verbo de Deus:

– Estimado João, jamais queira imaginar que habito longínquas paragens, longe que fosse dos que amo. Sempre saiba, quando alguém me chamar com sinceridade, ao seu lado estarei, no universo dos verdadeiros sentimentos, acima de qualquer obstáculo, pois não há distância entre os que de verdade se amarem.

Desde esse dia, tocado nos eflúvios de revelação inesquecível, o apóstolo se entregou abençoado à força da mais sublime conformação, no ponto de transmitir à Humanidade os ensinos sagrados da missão que Deus lhe confiara.

Os suplentes estão angustiados esperando serem chamados pelo Presidente da Câmara – Ed Alencar

É triste, muito triste, plagiando aqui um vereador,  ao acompanharmos de perto essa angustia dos suplentes que esperam uma decisão do presidente da câmara Luis Carlos Saraiva, que também espera um parecer da justiça, para chamar ou não os angustiados, onde por causa desse impasse, um já entrou na justiça e outros pensam em fazer o mesmo.
Na sessão desta segunda feira 10/jan, conversamos com o presidente Luis Carlos, que reafirmou que só tomará uma atitude de chamar ou não, quando ouvir a justiça, pois não tem como pagar os que estão afastados, e aos suplentes.
Perguntado também sobre o concurso público da câmara que foi acordado desde o ano passado com o Ministério  Público. Disse ele:  Como posso realizar o concurso sem saber se o juiz vai chamar suplentes, se vereador vai ser afastado, sem ter finanças para fazer o concurso, não é do meu feitio eu fazer aqui atos para tá enganando a população, já comuniquei  ao Ministério Público, o fato de estar de mãos atadas, assim como não posso fazer qualquer licitação para a câmara, seja para  publicidade ou outros fins, porque não vou ter valor financeiro para pagar  os suplentes caso sejam chamados.
Por: Ed Alencar
Repórter/Membro do Blog do Crato

Tempo, tempo meu – Por Xico Bizerra

 
“O tempo não para e, no entanto, ele nunca envelhece”.
Caetano Veloso, em ‘Força Estranha’.

Às vezes quero sair por portas que não existem, portas por mim mesmo inventadas. Quero pular muros que só eu enxergo.
- Calma, Xico, o tempo é o senhor da razão – diz-me a alma, candidamente.
- Eu sei – respondo de mim para mim, mas o tempo corre e talvez não dê tempo. E as horas, que passavam horas pra passar, agora passam em segundos, velozes, num raio de luz. Por que a pressa? Estará a vida em nosso encalço, feito polícia, ávida por nos prender? Por que a correria? O rio em que banhamos nossos pés se desencherá, se não nos apressarmos? A lua deixará de estar lá em cima, prateando nosso chão se, ao invés de ficarmos parados, contemplando, corrermos? O canto dos passarinhos será tão breve que não conseguiremos ouvi-lo? Nosso amanhã se desmanchará se formos pacientes e sonhadores?


Não, não quero a pressa. Quero a paz da calma, o sossego da preguiça, o esperar chegar. Quero a vida, o sonho, o amor. Quero a paz, pra mim, pra nós. Quero o tempo passando preguiçosamente, no compasso certo do tempo. Quero o meu tempo chegando no tempo certo. Não me avexo. Não se avexe. Dêem-me uma rede pra balançar o tempo e fazê-lo dormir, enrolado num lençol de cambraia bem branquinho, cor da paz.

 

Demutran-Crato: a volta da “indústria da multa” – por Armando Lopes Rafael

 
   
No dia 27 de agosto de 2013 (há mais de cinco meses), por volta das 13 horas, vinha eu descendo, no meu veículo, a Avenida São Sebastião, bairro Ossian Araripe. Aquela via , como todos sabem, é mão e contramão, exceto o pequeno trecho da ladeira, quando – quem vai em direção ao centro de Crato – tem de descer a ladeira pela Rua Carolino Sucupira. Pois bem, descendo por esta última rua constatei que a mesma estava interditada por um caminhão, atravessado ao meio da via pública. Este caminhão impedia o fluxo do tráfego de veículos, num flagrante desrespeito às normas de trânsito. Talvez quebrado, ou recolhendo entulhos, o motorista do caminhão sequer colocou cones de advertência.  Devido ao imprevisto, e como tinha hora marcada no oculista, dei marcha-ré e me dirigi a Pracinha do Pimenta utilizando os poucos metros da ladeira da Avenida São Sebastião.Decorreram uns dois minutos, mas uma dupla do Demutran subia a ladeira e viu.
 
   Como o Demutran-Crato só é ágil para multar, 2 dias depois recebi a notificação. Imediatamente redigi minha defesa justificando o fato acima e, — no mesmo dia que recebi a notificação –, a entreguei aquele órgão responsável pelo trânsito de veículos desta cidade. Depois de 5 meses, na tarde de ontem, recebi, pelo correio, a comunicação de que minha defesa não fora aceita e tenho de pagar uma multa no valor de RS 191,54, além de constrangedores  7 pontos negativos na carteira, com a anotação “gravíssima”.
 
    Justo agora, quando o Demutran-Crato vive a pior fase da sua existência. Até a “Zona-Azul” que facilitava o estacionamento de veículos no centro da cidade foi desativado. Regredimos em nível das pequenas cidades nordestinas. O trânsito de carros em Crato piorou sensivelmente,nos últimos meses. O que se vê agora, de ação daquele órgão, são apenas  duplas de fiscais percorrendo a cidade em motos, multando a torto e a direito. Um fiscal dirige. E outro, na garupa, faz as anotações das multas. Convido o leitor a ver os colégios do centro de Crato, no início e término das aulas. As imediações ficam abarrotados de veículos. No colégio Santa Teresa, apesar da rua estreita,  ficam duas filas de veículos estacionados (a cada margem das calçadas) aguardando os alunos, deixando apenas o meio da rua para a passagem de uma única fila, cujos carros fluem devagar, bem devagarinho. E nesses locais não tem um fiscal do Demutran orientando o fluxo de carros. Já para multar existem funcionários sobrando! Pobre Crato!
   

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HOMENAGEM DA SEMANA


CORREINHA

O Chapada do Araripe presta homenagens a um dos maiores mestres da cultura popular que faleceu em Crato recentemente, Francisco Correia de Lima, o Correinha, artista de várias linguagens atuante no município do Crato. Mestre Correinha nasceu no município de farias Brito no dia 14 de fevereiro de 1940, mas era um amante inveterado do Crato, município ao qual costumava fazer referências em suas canções. Talvez por não ter tido seu nome incluído nas listas anuais de mestres reconhecidos pelo Governo do Estado desde 2004, mestre Correinha tenha sido sepultado em meio a homenagens comoventes de moradores do município, mas, como ressaltaram amigos e familiares, sem o devido destaque por parte do Poder Público. Situação destacada durante a sua missa de corpo presente, enriquecida pelo acordeon de Hugo Linard, com quem Correinha gravou recentemente, 15 canções que agora constituem o último registro de sua obra. Segundo o próprio Hugo Linard, as canções registradas nesse último trabalho de Correinha em estúdio são, na maioria, inéditas. ´Ele gravou também ´Belezas do Crato´, mas as outras não tinham registro´, diz, citando canções como ´Coisas do meu sertão´, ´Exaltação a Barbalha´, ´Crato de Açúcar´ e ´Meu Cariri´ e ´Balanceio´. ´Fazia tempo que a gente tava cutucando ele, dizendo que ele tinha que gravar de novo. Ele fez dois compactos e outros discos, no tempo do vinil, além de vários cordéis´. Hugo Linard chama atenção para aspectos peculiares da trajetória de Correinha. ´Ele mantinha um bar aqui no Crato e ainda trabalhava como agente carcerário. Era tão querido que os presos pediram à família por ocasião do seu velório, para deixar um pouco o corpo dele lá na cadeia, para eles o homenagearem´.
Dalwton Moura

Jornal do Vicelmo

Todos os dias na Rádio Chapada do Araripe - Internet, a partir das 07:00, ouça o Jornal do Cariri com Antonio Vicelmo. O Jornal é retransmitido da Rádio Educadora do Cariri em tempo real. Você pode ouvir o programa através da nossa imensa rede de Blogs e websites. Alguns programas antigos estão disponíveis no nosso website Jornal do Vicelmo.

AUXÍLIO À LISTA

Dicas de Filmes



Por trás de todo o grande homem se esconde um professor, e isso era certamente verdade para Bruce Lee que aclamava como seu mentor um expert em artes marciais chamado Ip Man. Um gênio do Wushu (ou a escola de artes marciais da China), Ip Man cresceu numa China recentemente despedaçada pelo ódio racial, radicalismo nacionalista e pela Guerra. Ele ressurgiu como uma Fênix das Cinzas graças à suas participações em lutas contra vários mestres Wushu e lutadores de kung-fu - finalmente treinando icones de artes marciais como Bruce Lee. Esta cinebiografia do diretor Wilson Yip mostra a história da vida de Ip.

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