O que disse o coração – Por: Emerson Monteiro

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Isto sem esforço, o que seria contradiz o processo interior da leitura daquilo que vem da força natural das expressões de dentro da alma. Porém como ação espontânea, transe silencioso de ouvir estados continuados da percepção no suficiente de formar textos legíveis para quem não esteve na hora da criação.
Assim, o que escuta aquilo que diz o coração quer transpor para o papel gesto simples de interpretar a energia na tela deste lugar interior, encontro das linhas cruzadas de convergência do tempo no espaço, à luz da consciência do ser, no aqui/agora do momento presente.
Neste foco de raciocínio, a primeira coisa que ocorre aponta o andamento da informação que prevalece no horizonte da visualização externa, através dos meios da comunicação moderna. Contudo, se sabe da dependência direta de tais elementos a fatores de domínio de grupos que ocupam o poder da autoridade, tangedores de rebanhos a serviço próprio e seus interesses, na geopolítica de preservação dos privilégios juntos no decorrer de tempos passados e vazios na memória coletiva.
Com isso, há intenção velada de manutenção desses quadros preexistentes, o que, no entanto, por absoluta falta de domínio, despreza leis de outra realidade, força natural de coisas que contam, de seres humanos a sofrer restrições, exploração da manipulação escrava, campos abertos ao imponderável, a seu modo esdrúxulo.
Quer-se penetrar o cristal do tempo, igualmente normas intransponíveis reservam territórios blindados às pretensões dos poderosos do plantão injusto deste chão.
No patamar improvisado da consciência afloram limitações da força e abre-se espaço ao mistério de mundos maravilhosos, à custa só da disposição individual, porta sem nome, o Inconsciente, palco amplo e silencioso do Poder verdadeiro, acesso restrito a quem chegar às raias do conhecimento pleno, maior.
Das alternativas lógicas, esse pórtico de vida desvenda os termos eternos de pagos da existência, aos quais os mestres indicam sendas, abertas nas moendas de dor, para cruzar a linha fronteiriça dos dois planos, o sentimento marcado da emoção forte dos valores urgentes, imediatos.
Bem nesse ponto, falham discursos parciais, materiais. As duas realidades refletem o contato de superfície, mapa sobre o qual peregrinos cumprem suas jornadas solitárias, mediando o sólido no imponderável, este que, apesar de testemunhos no decorrer das civilizações, ainda carece de permanente demonstração, porquanto muitos pedem disso cabal comprovação.
Um efeito persiste, todavia: Desvendar o valor dos sentimentos nobres, a exemplo da alegria e da paz, na corrente sanguínea que anseia frutos de virtudes, notícias de alfabetos escritos a ferro e fogo, no correr das fibras do universo, formas e energias da realização de tempo e espaço, senhores dos sonhos enquanto movimento constante das idéias, no íntimo coração da Ser.

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Potencial das verdades verdadeiras – Por: Emerson Monteiro

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Ainda que na face dos desenganos que circulam as mentes de quem pretende dominar o chão e produzir a massa de vender os infernos, há eterna esperança diante de tudo. Devemos acreditar sobremodo na beleza perene dos atos firmes da mãe natureza. Nunca houve tantas crianças nos braços de tantos jovens pelas ruas da cidade. Jamais imaginaria quantas cores habitam o nascer do Sol e iluminam de presença forte o amor dos dias seguintes. A música e sua harmonia maravilhosa que percorre de ritmo horas das noites, manhãs e tardes na pureza do sorriso de quem ama. A luminosidade e o idealismo da educação na mocidade. Apesar do fabrico das armas, que movimenta fortunas jogadas na lata do lixo do sofrimento, mesmo assim segue a espécie vivendo e sonhando novidades ricas de paz que resistem a qualquer preço a perversão dos valores da existência. Filmes que contam histórias felizes, almas plenas de possibilidades e mistérios positivos, descobertos nas horas da aflição. Existirá sempre a vitória dos heróis do bem, que pelejam até vencer e ampliar o capítulo das missões contra o desespero. Sobreviverão às tramas do mal, o que virou mito principal da raça inteira, nas salas profundas da inteligência de chega, passo a passo, nos dias radiosos. O amargor da aridez desesperada sumirá quando vier intensa Luz e romper o véu do negativismo que antes enchia de vazio os noticiários pecaminosos. Abrirá espaço nas consciências e dominará a amplidão dos mares, com pessoas alegres e vivas que contemplarão o destino das gerações que se sucedem. Plantadores da semente verdadeira dos tempos equilibrados seguirão esse trilho certo de quem transmite palavras sadias e preserva a sinceridade pura. Lutar reserva, pois, o direito soberano de vencer as quimeras da ilusão. O Bem triunfará, guarde forte esta dádiva e esqueça mágoas, incompreensões; lave o coração nos segredos deste parto genial só reservado à força das orações mais poderosas.

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Diógenes de Sínope – Por: Emerson Monteiro

 

Ou Diógenes, o Cínico, filósofo que existiu na Grécia Antiga e deixou história de vida marcada por episódios humorísticos face ao jeito de conduzir os acontecimentos sob o signo da irreverência. Desprendido das posses materiais, morava em um barril, de onde, certa feita, na presença solene de Alexandre Magno, quando este, ao se aproximar do filósofo quis lhe ser útil. Diógenes tão só pediu ao rei da Macedônia que se afastasse dali a fim de não encobrir o sol que aquecia sua precária residência. Não me tires o que não me podes dar! – acrescentou. Ao comentar o incidente, Alexandre afirmaria: Não fosse quem sou, gostaria de ser Diógenes.

diogene2Em outra ocasião, depois de andar longa data com uma pequena cuia na qual bebia água dos rios e lagos, se viu surpreso e desvanecido porque viu um jovem que usava apenas as conchas das mãos com a mesma finalidade. Sentiu o quanto perdera de tempo a transportar na cintura aquela peça desnecessária, vindo, então, a destruí-la com aborrecimento.

Buscava dar exemplo do viver simples, longe das luxúrias da civilização, testemunhando indiferença para com valores inúteis da acumulação das riquezas supérfluas. Nos seus conceitos, felicidade detém laços estreitos com a virtude, o autodomínio e a liberdade, práticas essenciais na suficiência da criatura humana neste mundo.

Dele também consta haver saído em plena luz do dia a transportar lanterna acesa e, ao ser indagado quanto aquilo, respondeu que procurava alguém que merecesse o título de homem verdadeiro.

Avistado a pedir esmola a uma estátua, teria justificado que assim exercitava o costume de nunca depender dos outros, porquanto com certeza jamais seria atendido, dada a cegueira daquela a quem dirigia seu pedido.

Indiferente aos preceitos morais da sociedade onde viveu, Diógenes deixaria à posteridade o questionamento de época cheia das pompas da artificialidade, exercitando na própria pele as mudanças que tanto desejara aos gregos. 

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Os cavaleiros da Távola Redonda – Por: Emerson Monteiro

 

Só nesses dias recentes, 53 anos passados desde que inauguraram o Cine Educadora, em Crato, assisti ao filme que fora mostrado bem nos inícios de suas atividades. Tinha de dez a doze anos e a censura restringira em 14 anos a idade dos espectadores. Fiquei fora, olhando a fila dos felizardos, cheio de vontade de acompanhar a exibição, sem, contudo, lograr êxito. O comissariado de menores da Comarca era irredutível.
Depois de mais de meio século, pois, remexendo os tabuleiros das Lojas Americanas, dou de cara com o DVD do filme. Na primeira oportunidade deste mês de junho de 2011, sentei em frente à televisão e mergulhei com sofreguidão na história que já conhecia de livros, a saga do Rei Artur, da Inglaterra heroica de antigamente.
cavaleeirosDesta feita, variadas interpretações subiram à tona para atender ao desejo do menino contrariado; ver as cenas, que antes eram em celulose e projetadas numa sala fechada, agora através de máquina que nem existia a cores na hora lá atrás; o mesmo filme proibido com sabor renovado; analisar a produção de cinco, seis décadas anteriores sob a visão dos dias atuais; e reencontrar os personagens da lenda inglesa, tudo em alimento do sonho simbólico que a arte proporciona.
No vídeo, Robert Taylor, Ava Gardner, Mel Ferrer, e outros atores menos festejados, encenaram o drama dentro do prisma amoroso que quis abordar seu diretor, Richard Thorpe. Largou de lado os aspectos apenas épicos da história e prendeu a trama nas intrigas da corte e na paixão de Lancelot e Guinevere, aos olhos ardilosos de Mordred e Morgana, inimigos figadais dos titulares no trono.
O que se vê: um Artur Pedragon encurralado entre o vínculo profético da condução do seu povo, substanciado pela espada Excalibur presa na pedra, e as questões palacianas, o que lhe custará o poder e a vida, desenrolar por demais solitário e trágico, conduzido à distância pelo mágico Merlin, guardião das forças do Bem no jogo de poder do reino de Camelot.
Em tudo isto, ainda uma esperança prevista com a vinda futura do salvador da Ilha, Galaad, o cavaleiro da promessa, filho de Sir Lancelot e Elaine.
Belo filme, posso dizer com tardança, que resistiu ao tempo devido à evolução da tecnologia da comunicação. Há esta chance de preservar as oportunidades e nutrir a perspectiva de nada se perder, guardado em algum lugar ao dispor das gerações. Quem diria houvesse a conservação de tantos registros através de monumentos e obras criativas, transmitidos no decorrer dos séculos? Músicas, livros, pinturas, esculturas, filmes, desenhos, jornais, revistas, elementos essenciais ao vasto conhecimento e à transmissão dos valores…

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Servidão tecnológica – Por: Emerson Monteiro

 

As novidades tecnológicas produzem mudanças genéticas, morais, sociológicas, políticas, dos costumes, da cultura humana. Isso pode ser avaliado a cada instante, através dos dias, no cuidado extremo com que se anda nas ruas, exercitado pelos adultos e pelas crianças, ao atravessar uma rua, por exemplo; ninguém mais se arrisca a pôr o primeiro pé sem antes consultar a direita, a esquerda, duas ou mais vezes, pois os bólides motorizados espreitam os menores desavisados.
tecnologiaIsso independente de falar nas consequências transgênicas, das quais se desconhece o resultado e nem por isso se deixa de usar geração após geração, drama silencioso que repercute nas síndromes antigas e recentes da raça humana. A juventude repercute tais dramas, nas salas de aula, nos parques de diversão, nos cinemas, nos bares da vida.
Disso vêm manias modernas, a resultar nas dependências difíceis de solução, visto o desconhecimento dos seus efeitos. Todavia resistem ao fastio. As lojas de departamentos proliferam numa velocidade inimaginável, arrastando crianças, adolescentes e adultos à prática repetitiva e hipnotizante das armadilhas coloridas, feéricas e luminosas, acima de suspeita, criando os dependentes doutra droga perigosa.
Essas parafernálias envolvem mentes e prioridades, restringindo o tempo da disposição ao estudo, sob o consentimento frívolo das autoridades e das leis. Pareciam com coisa inofensiva durante anos, décadas, enquanto a civilização prosseguia nas pesquisas de vender engenhocas estapafúrdias.
Quando a televisão aumentava seus domínios no espaço brasileiro, alguns gatos pingados ergueram a voz para protestar contra aquilo que a denominavam máquina de fazer doido. E ela hoje se impõe com a mesma falta de conteúdo ou excesso de conteúdo alienante, imune a críticas, senhora de vida e morte de jovens e adultos, parasita da criatividade que falta ao povo e sobra às elites dominantes.
Os tais vícios emergentes, portanto, carecem de acompanhamento clínico de responsáveis pela comunicação social, na elaboração do senso imprescindível às respostas, nesta quadra cultural onde impera o poder do lucro a qualquer preço, inclusive da liberdade e da autocrítica necessária, imprescindível.

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Os pássaros – Por: Emerson Monteiro

 

Homens, irmãos, todos os que estais crucificados pela dor: Ouvis o canto consolador da cotovia, da nossa Fé?…                                                                                                      Mons. Thamer Tóth

Andorinha_fn_20Há vezes em que o canto das aves, vindo lá de dentro da natureza, fala nisso, de um eu mais de dentro dos mistérios, pergunta que se destina a esses sinais soltos no silêncio das tardes mornais deste lugar. A pergunta insistente a propósito do porquê de manifestações aparentemente desnecessárias, flores, borboletas, variações de plantas, relevos do solo, temperaturas, cores variadas na luz do dia, o que sacode a rotina do comer, dormir, tomar banho, andar, falar, trabalhar…

Nessas horas o pensamento abre territórios desconhecidos nas entranhas da memória e conduz ao aberto da possibilidade, vasto império da imaginação. A que se destinam os pássaros e seus voos e cantos ao sabor do vento que desliza no trilho do Tempo. Pedem abertura na mente a permitir outras possibilidades vivas além da repetição pura e simples dos momentos sucessivos.

Chamam a fugir da prisão deste mundo tridimensional e exclusivo, janela de nadas grosseiros da visão imediatista… Indicam meios de ponderações invisíveis do ente abstrato, céus, luas, sóis, dimensões, do direito a reino de virtude porvindoura, hemisférios ideais da leveza e do sentimento…

Eles, os pássaros, as folhas secas do verão que flutuam no azul quais fiapos irreverentes de pardais, andorinhas brincalhonas e festivas, vãos na água do Universo quais marcas indeléveis de felicidade até então desconhecida, aberturas a novas condições do Ser…

Tal a lenda polonesa que fala de quando o homem perdera o Paraíso e lutava contra as intempéries da servidão, olhos postos na aridez do chão de outra existência, que conta que de Deus, sentindo misericórdia, pegou um punhado de terra e o jogou no ar; daí nasceu a cotovia. Naquele instante, trabalhador melancólico, o ergueria pela primeira vez sua visão, escutou o canto da pequena ave e sentiu o instinto da fé no amor da pureza original de que tão pouco usufruíra. E pode, com isso, alimentar a esperança dos dias melhores que hão de vir no seio doce da Eternidade.

Para você refletir ! – Por Maria Otilia

 

Nestes últimos dois anos , estamos vivendo uma verdadeira era do " caos " em alguns municípios da região do cariri. Infelizmente algumas categorias de servidores públicos, por não ter a oportunidade de sentar junto aos seus gestores , porque a maioria destes entendem  a gestão do poder como " propriedade individual" , precisam através de seus sindicatos,  decretar o que chamamos de ponto de estrangulamento nas negociações,  a  paralisação dos serviços essenciais, dentre eles a saúde e a educação.E cabe aqui uma reflexão da nossa responsabilidade, quando  decidimos através do voto, escolher alguém para nos representar, seja no sindicato, na câmara de vereadores ou para o poder executivo.

Ressaltamos aqui, que foram longos anos de luta para que tivéssemos nosso piso salarial, um fundo que atendesse todas as modalidade de ensino. E daí veio o FUNDEB que infelizmente, a maioria dos nossos prefeitos ainda resistem em aceitar que estes recursos são exclusivos dos educadores, para os educadores e para  a manutenção das escolas. É um direito e não " favor " colocar como política pública da educação municipal,  na folha de pagamento dos trabalhadores  da educação, todos os valores definidos por lei.

Por outro lado constatamos que a grande maioria dos educadores  ainda tem medo de lutar pela  efetivação desses direitos. Não podemos e nem devemos deixar que desmandos dos governantes prejudiquem uma categoria e acima de tudo  aqueles que não tem culpa nenhuma dessa problemática, que são os educandos.

Posto abaixo uma pequena fábula que nos leva a refletir  de que não adianta reclamar, desabafar, gritar, sem uma perspectiva de ação coletiva. Boa leitura .

ASSEMBLEIA  DOS RATOS

RATO

Os Ratos resolveram organizar um conselho para decidir qual seria a melhor alternativa, para que eles pudessem saber com antecedência, quando o inimigo deles, nesse caso o Gato, estava por perto.
E Dentre as muitas ideias que foram apresentadas, uma delas, que logo foi aprovada por todos, considerava que, um sino deveria ser pendurado no pescoço do Gato.
Assim, ao escutarem o tilintar do mesmo, todos poderiam correr a tempo para seus buracos. Além de ser do agrado de todos aquele extraordinário plano, por aclamação, ficaram extasiados com tão criativa e objetiva solução.
E eis que um velho e sábio Rato ali presente, então questionou:
"Meus amigos, percebo que o plano é realmente muito bom. Mas, quem dentre nós prenderá o sino no pescoço do Gato?"
E nenhum voluntário se fez presente.
  Grandes ideias sem grandes obreiros não passam de grandes fracassos.

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A arte da miniatura – Por: Emerson Monteiro

 

Certa vez, visitei exposição do escultor caririense Nélito Gonçalves, no interior do Shopping Cariri, em Juazeiro do Norte. A mostra se compunha de esculturas abstratas e figurações miniaturizadas de utensílios domésticos, peças confeccionadas em casca seca da cajazeira, árvore típica de nossa flora nordestina. Valeu considerar a expressiva qualidade do material exposto, elaborado dentro da melhor técnica e escurecido com acabamento no verniz copal.

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Essa oportunidade me levou a considerar outras manifestações artísticas de infinitas potencialidades também na miniatura. A propósito disso, Paulo Tasso Teixeira Mendes, professor meu amigo que mora em João Pessoa, descreveu exposição que presenciara quando, nos anos 60, vivia na Europa e era aluno do Colégio Pio Brasileiro, da Igreja Católica.

Tratava-se da obra de artista brasileiro, gravador em metal e que desenhava figuras mínimas em cabeças de alfinetes. Reproduzia figuras as mais diversas, desde paisagens a monumentos arquitetônicos. Em um desses trabalhos gravou a Basílica de São Pedro, de Roma com os detalhes da bela fachada. Toda a exposição do exímio criador cabia numa única caixa de fósforos e os expectadores ainda precisavam usar lentes para contemplar as pequenas produções mostradas no reduzido espaço.

Diante da minha admiração, Paulo Tasso então me informou que o mesmo lhe acontecera na ocasião, visto o teor de dificuldade do trabalho desenvolvido, quando soube, através do artista, que existem japoneses que descem ainda mais às particularidades da técnica de gravar superfícies mínimas, utilizando apenas a superfície localizada na ponta de agulhas, usando instrumentos milimétricos e equipamentos óticos adaptados para isso.

Aonde chega a sofisticação da criatividade humana neste mundo.

As miniaturas de há muito merecem relevo no âmbito da cultura, sobretudo nas civilizações orientais, dadas ao esmero do reducionismo. Museus de arte chineses expõem peças dotadas de tal minudência que, por vezes, uma única delas reclama a vida inteira de seu autor para inteira conclusão.

Isso demonstra o infinito do engenho criativo, considerando o valor apreciável das manifestações estéticas no estudo das populações e suas histórias fenomenais.

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Crise hídrica traz de volta velhas mazelas

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A falta de água e a dificuldade de higienização decorrentes da seca que atinge os reservatórios da região Sudeste devolvem ao radar da saúde pública a necessidade de prevenir doenças que já eram consideradas erradicadas nas grandes metrópoles, como tifo e cólera. O armazenamento improvisado de água nas residências também aumenta e eleva o risco de enfermidades tradicionalmente comuns no verão: dengue, febre chikungunya e rotavírus, além de diversos tipos de diarreia e hepatites A e E.

“De repente, estamos voltando no tempo com doenças supostamente eliminadas no século retrasado”, diz Pedro Mancuso, professor da Faculdade de Saúde Pública da USP. Segundo ele, um ambiente sem água é, do ponto de vista das políticas públicas de saúde, um retrocesso que expõe a população a patologias comuns por volta de 1800, época em que o pesquisador John Snow descobriu, no Reino Unido, que a água transmitia doenças. “O pior dos mundos é a falta de água.

Quando você tem água, mesmo de qualidade duvidosa, você pode fazer alguma coisa em casa. Agora, com água zero, não tem o que fazer”, diz Mancuso.

Christovam Barcellos Netto, pesquisador do Laboratório de Informação em Saúde do Instituto de Comunicação e Informação Científica e Tecnológica em Saúde da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), trabalhou como sanitarista das secretarias estaduais de Saúde do Rio de Janeiro e Rio Grande do Sul.

Para ele, o principal risco em cidades sem água, ou com racionamento drástico, é que doenças que hoje ocorrem isoladamente ganhem mais poder de transmissão, como no caso da febre tifoide e cólera.

Do Jornal Grande Porto.

A dor e o menestrel – Por: Emerson Monteiro

 

Lemos em algum lugar história triste de um palhaço que perdera a esposa e se achava na condição de comparecer, no mesmo dia, ao picadeiro de um circo e fazer rir a platéia que lotava o espetáculo onde tantas outras apresentações levara a efeito em condições satisfatórias.
No momento em que todos gargalhavam com desempenho magistral nunca antes presenciado pelo distinto público, dentro dele fervilhava a mais pungente amargura e desciam lavas amargas de dor, disfarçadas com maestria pela máscara que cobria o rosto banhado de lágrimas.
Enquanto alegria sem igual naquela hora contagiava os espectadores, no peito do homem ardia crise sem precedentes, propósito de quem conduz vida de quase nada pode exprimir da veraz realidade que impera no ser, por força de produzir emoções nos outros lá de fora.
GeraldoAzevedo2A situação descrita, mudando o que merece mudar, caberia feita luva na circunstância que se verificou em Crato, quando, no Espaço Navegarte, assistíamos a uma apresentação musical.
Lá no palco, o cantor pernambucano Geraldo Azevedo, voz e violão, que oferecia a numerosa platéia bela música do seu repertório, boa parte de própria autoria. Aplausos efusivos animavam o clima ameno do lugar, evidenciado nos flashs constantes dos fotógrafos a registrar o acontecimento, entremeados de relâmpagos insistentes que clareavam o céu escuro à distância, cenário detrás do palco, para as bandas da Ponta da Serra. 
Isso se manteve ao ritmo das letras e cordas afiadas do instrumento bem praticado, nas sombras chuvosas da noite caririense.  
Duas ou três canções antes do término da cena, porém, nas falas com que ilustrava os intervalos das canções, o músico comunicou aos presentes que, na véspera daquela data, ocorrera a passagem de sua genitora desta vida para a outra, pondo-se, logo depois, a interpretar uma composição de autoria dela, refletindo na voz o sentimento que se pode imaginar de filho em situação semelhante.
Ao lembrar os detalhes disso, nos vemos, emocionado, a refletir quanto à condição dos artistas e sua proximidade com multidões desconhecidas, vínculos que se estabelecem no decorrer da existência coletiva. Enquanto dentro de si lhes sacodem no peito um coração quantas vezes macerado pelas guantes imprevistas do destino, repassam, igualmente, a imagem de quem habita condomínios eternos da mais pura felicidade. 
Missão semelhante, a exemplo do palhaço de que falamos no início, uns dançam, riem, se divertem. Outros padecem, representam, dissimulam. De íntimo transtornado pelos ardores do sofrimento de perder a mãe querida, o músico prosseguiu com a função até o fim, debulhando versos e notas, na batida intensa do expressivo violão solitário, ausente das convenções deste mundo. Isso tudo em nome do amor ao sonho da arte, herói sobranceiro da magna inspiração, porquanto o show haverá sempre de manter o curso ininterrupto ao âmago dos corações em festa.        

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A dor e o menestrel – Por: Emerson Monteiro

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Lemos em algum lugar história triste de um palhaço que perdera a esposa e se achava na condição de comparecer, no mesmo dia, ao picadeiro de um circo e fazer rir a platéia que lotava o espetáculo onde tantas outras apresentações levara a efeito em condições satisfatórias.
No momento em que todos gargalhavam com desempenho magistral nunca antes presenciado pelo distinto público, dentro dele fervilhava a mais pungente amargura e desciam lavas amargas de dor, disfarçadas com maestria pela máscara que cobria o rosto banhado de lágrimas.
Enquanto alegria sem igual naquela hora contagiava os espectadores, no peito do homem ardia crise sem precedentes, propósito de quem conduz vida de quase nada pode exprimir da veraz realidade que impera no ser, por força de produzir emoções nos outros lá de fora.
A situação descrita, mudando o que merece mudar, caberia feita luva na circunstância que se verificou em Crato, quando, no Espaço Navegarte, assistíamos a uma apresentação musical.
Lá no palco, o cantor pernambucano Geraldo Azevedo, voz e violão, que oferecia a numerosa platéia bela música do seu repertório, boa parte de própria autoria. Aplausos efusivos animavam o clima ameno do lugar, evidenciado nos flashs constantes dos fotógrafos a registrar o acontecimento, entremeados de relâmpagos insistentes que clareavam o céu escuro à distância, cenário detrás do palco, para as bandas da Ponta da Serra. 
Isso se manteve ao ritmo das letras e cordas afiadas do instrumento bem praticado, nas sombras chuvosas da noite caririense.  
Duas ou três canções antes do término da cena, porém, nas falas com que ilustrava os intervalos das canções, o músico comunicou aos presentes que, na véspera daquela data, ocorrera a passagem de sua genitora desta vida para a outra, pondo-se, logo depois, a interpretar uma composição de autoria dela, refletindo na voz o sentimento que se pode imaginar de filho em situação semelhante.
Ao lembrar os detalhes disso, nos vemos, emocionado, a refletir quanto à condição dos artistas e sua proximidade com multidões desconhecidas, vínculos que se estabelecem no decorrer da existência coletiva. Enquanto dentro de si lhes sacodem no peito um coração quantas vezes macerado pelas guantes imprevistas do destino, repassam, igualmente, a imagem de quem habita condomínios eternos da mais pura felicidade. 
Missão semelhante, a exemplo do palhaço de que falamos no início, uns dançam, riem, se divertem. Outros padecem, representam, dissimulam. De íntimo transtornado pelos ardores do sofrimento de perder a mãe querida, o músico prosseguiu com a função até o fim, debulhando versos e notas, na batida intensa do expressivo violão solitário, ausente das convenções deste mundo. Isso tudo em nome do amor ao sonho da arte, herói sobranceiro da magna inspiração, porquanto o show haverá sempre de manter o curso ininterrupto ao âmago dos corações em festa.        

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Jurandy Temóteo conclui primeiro volume resgatando personalidades de Crato

 

JT   O escritor Jurandy Temóteo (foto ao lado) vem de concluir o primeiro volume da série de personagens cratenses, que terão suas memórias resgatadas. O primeiro volume foca a figura de Pio Carvalho. O segundo volume será sobre o poeta popular Zé de Matos e o terceiro resgatará o popular Ramiro do Seminário.

Quem foi Pio Carvalho

    Segundo o escritor Emerson Monteiro: “Pio Carvalho Brito, cratense de quatro costados, nascido em 1877, além de esmerado prosador e repentista, versejador qualificado, se consagrou no anedotário pelas façanhas engraçadas que protagonizou. Da geração de Teófilo Siqueira, Zé de Matos e Luiz Quezado, formou grupo impossível no seu tempo de mocidade em Crato. Entre os estados do Ceará, Pernambuco, São Paulo, Pará e Amazonas, exerceu funções diversas, desde comerciante, farmacêutico, delegado, alfaiate, empregado nas primeiras obras da construção do Orós e trabalhador em um seringal da Amazônia. Aos 85 anos, faleceu em Iguatu a 23 de outubro de 1963”.

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Jonas, o profeta – Por: Emerson Monteiro

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Um dia, o Senhor dirigiu-se a Jonas, filho de Hamitai, e determinou que ele fosse a Nínive, cidade pagã de reprováveis costumes, levar aos seus habitantes  palavras de salvação.
No entanto, Jonas o que fez: arrepiou caminho. Desceu a Jope, onde, no porto, avistou fundeado navio de arribada para Társis e meteu-se no rol dos passageiros, disposto a fugir de qualquer modo da face do Senhor.
Em alto mar, porém, quando a viagem parecia transcorrer na perfeita normalidade, sem transtornos ou percalços, cresceu monumental tempestade, a todos espavorindo de causar dó e piedade.
Nessa hora difícil, a sono solto, Jonas repousava no porão do navio, isento de quaisquer preocupações terrenas. O comandante, que lhe conhecia os dotes espirituais, pediu que ele orasse em favor dos aflitos, naquele instante de perigo. De logo reunidos no convés, os membros da tripulação jogavam a sorte e reconheceram na figura do profeta o motivo da iminente tragédia que rondava a expedição.
Daí quiseram saber mais do passageiro, quais suas origens, profissão, e detalhes úteis que falasse dos maus presságios circunscritos.
Ele lhes respondeu: – Sou hebreu e adoro o Senhor, Deus do céu, que fez os mares e a terra, – Livro de Jonas l:9.
Cresceu-lhes ainda mais o medo, porquanto descobriram a intenção do profeta de esquivar-se perante o compromisso firmado com o Pai de Tudo, levando Jonas a indicar o jeito que via de escaparem daquilo, só que deviam atirá-lo às ondas fatais do mar revolto, remédio certo.
Eles ainda resistiram à ideia do estranho e, por isso, clamaram aos céus misericórdia. Todavia acabaram aceitando lançar ao mar o profeta.
A sequência dos acontecidos torna esta narrativa de domínio público. Nas águas convulsas, Jonas viu-se engolido por baleia descomunal, em cujo interior permaneceu três dias e três noites, tradicional conhecimento da humanidade.
Na barriga do peixe, ele reergueu as forças e pediu ao Senhor, com sofreguidão, que voltasse a ver a luz do dia. Na aflição, afirmou sua irrestrita obediência aos fatores do Bem. De volta ao chão firme, a ordem que recebeu repetia os inícios da história, que seguisse na direção de Nínive, a salvar-lhe o povo, reino que chegou após três dias de marcha cerrada.
Nas ruas, pregou com abnegação os rigores da mensagem fatídica: Ainda 40 dias, e Nínive será subvertida, clamava sensibilizando os ninivitas. O rei do lugar aquebrantou a alma e mobilizou toda população pelos caminhos da virtude. Juntos, jejuaram. Privaram-se. Converteram-se. Arrependeram-se e oraram com força.
Por conta desse feito de Jonas, Deus revogou o futuro cruel de Nívive, exemplo clássico de transformação coletiva, na voz dos antigos profetas judeus.

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Equívoco – Por: Emerson Monteiro

 

O marido libertino se imiscuíra na farra com duas ou três senhoritas e mais alguns cúmplices, percorrendo folgazão os barzinhos afastados, preferência da marginalidade. Entraram de ponta-cabeça na programação alternativa, dispostos a reverter o clima de tristeza que chegara junto com as preocupações financeiras dos dias críticos do novo modelo econômico nacional e a repercussão nas suas atividades. Vá lá que fosse assim.
Pança cheia do mel, juízo tonto, zoeira no mundo, trilha estridente de carros acústicos, enquanto o marido beijava mais do que de direito, na onda do faz de conta. Muito furdunço nas latadas, na alegria postiça que por vezes se instalava. Tudo parecia acontecer dentro das melhores previsões. Festa de ninguém botar defeito, como dizem. Embalo geral.
SandaliaAinda assim, um grilo fervilhava nas dobras da cabeça do homem. Alguma coisa não batia bem, algo ficava faltando naquele clima.
De revisar a memória, se lembrou de que era a noite do sábado em que ele e a mulher deveriam apadrinhar o casamento da filha de uma amiga dos dois. – Xiiiiiii… – não deu noutra, restava desconversar os boêmios e cair fora do bloco dos prazeres fáceis.  
Arrepiou firme. Chegou em casa atrasado só o tanto. Esposa e filhas prontas, de caras amarradas, olhos fuzilantes, reclamavam mais do que bode embarcado. Rápido cuidou de se banhar, investir-se no paletó, juntar forças para recolher a sogra, que protestava a demora por meio do telefone que só parou de tocar quando trancaram a porta e seguirem no prumo da igreja, num tempo quase insuficiente.
Meio do caminho, lotação completa e resolveu de conferir se as coisas improvisadas funcionavam a contento, livre das surpresas de última hora. Nisso, olhando embaixo, à frente do banco dianteiro, notou a indesejada presença de uma sandália das que usavam as moças com quem andara. Frio intenso lhe percorreu todo o corpo, descendo e subindo a espinha dorsal, mistura de medo e preocupação.
Não contou conversa. Desviou para o trânsito a atenção das passageiras, e, abaixando-se sutil, atirou pela janela a peça indesejável, atitude que lhe refez, de pronto, as energias. Esse conforto, no entanto, durou poucos minutos, até que percebesse a dificuldade da sogra, tateando no escuro, à procura do outro par de seu calçado para que pudesse descer do automóvel e chegar na obrigação.  Aí viu que nem tudo funcionara a contento.

(Revisitando uma das histórias de Stanislaw Ponte Preta).

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O poeta do Iguatu – Por: Jorge Carvalho

JorgeCarvalho300No último dia 5, uma segunda-feira este ano, o centenário de Humberto Teixeira. Por feliz coincidência, véspera da comemoração do DIA DE REIS –acontecimento religioso e popular que encerra o ciclo natalino. Uma estrela no firmamento indicou aos três reis magos a manjedoura, a pobre “casinha” em que repousava o Salvador, o Messias. No centro sul do nosso estado, há cem anos passados, na aconchegante e meiga cidade de Iguatu, uma estrela ali surgiu na figura humana e física de um cearense, que brilharia – em vida – 64 anos e permanecendo como referência cultural, musical, moral eternamente, não só a nível de Brasil e sim para o mundo. Compositor, advogado, tendo na segunda referência, associada à política, um defensor importante dos direitos autorais. Há 70 anos, conheceu Luís Gonzaga e a parceria, para a felicidade da música brasileira, o baião faz de maneira mais ampla verdadeiro sucesso. Canções como “Baião”, “Asa Branca” “Juazeiro”, “Assum Preto”, “Que Nem Jiló”, “No Meu Pé-de-Serra”, são resultados do encontro Luís Gonzaga – Humberto Teixeira. Sozinho compôs: “Kalu” e “Sinfonia do Café”. Por outra bela coincidência, Humberto nasce no mês de aniversário de sua cidade, que acontece no próximo 25 de janeiro. Ao lado de Zé Dantas, João Silva, Zé Marcolino, Humberto forma o quarteto de compositores mais presentes na voz de Luiz Gonzaga, provavelmente. Não esqueço os também cearenses José Clementino e Patativa do Assaré, que tiveram canções suas gravadas pelo pernambucano do século. Orgulho cultural de sua cidade natal, Iguatu, referência musical nordestina como compositor e brasileiro de identidade mundial é para sempre Humberto Cavalcanti de Albuquerque Teixeira, o filho de Dona Lucíola e Seu João Euclides, o eterno “Poeta do Iguatu”.

Jorge Carvalho

Colaborador do Blog do Crato

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O pedido – Por: Emerson Monteiro

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No Sertão distante, habitava pobre homem, sua mulher e três filhos menores, em casa simples de palha e barro. Nas épocas normais das chuvas, ali existiam suficientes condições de sobrevivência, dando-lhes a terra os gêneros.
Naquele ano, todavia, as condições se apresentaram desfavoráveis; o inverno não veio no tempo certo, esturricando o chão e despindo as matas.
Logo cedo, o casal anteviu os riscos de longo período seco. Assim preocupados, rezaram com força pedindo misericórdia dos céus lembrando o futuro dos filhos, motivo maior de preocupação.
A sucessão dos meses anunciava crise inevitável, quando consumiram os derradeiros mantimentos, aumentando a angústia. O que temiam se deu, pois a seca chegou intensa e possibilidades de escapar se mostraram poucas. No rosto das crianças, os primeiros sinais do abatimento.
Intensificaram ainda mais as orações, qual única alternativa. A fé gritava na alma daquela gente, que por dentro sentia emoções de que esperança viva. Queriam tão só descobrir de que jeito chegaria a salvação da família.
Certa manhã, no período mais escuro, quando abriram a porta, uma surpresa lhes aguardava, um boi gordo apareceu bem defronte da casa a bloquear o caminho dos que quisessem entrar ou sair. Tiveram de insistir a fim de afastar o animal, que retornava tantas vezes quantas saísse da porta.
Durante esse dia, a distração foi a presença do estranho visitante vindo de longe, dado inexistirem fazendas de gado na redondeza, e, menos que isso, pasto de manter vivos os bichos, há tempos desaparecidos.
No dia seguinte, foram iguais as circunstâncias. Os meninos puseram até apelido no bovino, enquanto tangiam querendo tirá-lo do terreiro. No outro dia, e êxito nenhum; o intruso permanecia bloqueando a porta do casebre, levando todos a estudar uma saída de achar pasto para alimentar a rês.
O caboclo conversou com a mulher e decidiu ir à cidadezinha perto, no propósito de saber encontrar o dono do boi.
Chegou à povoação e perambulou na busca das notícias, porém nada descobriu. Meio sem planos, viu do outro lado da praça a igreja, e lá se dirigiu.
No templo, procurou o pároco. Explicou os detalhes da situação difícil que atravessava, falou da insistência do boi em ficar junto da sua família, que mudara a rotina em que viviam.
Depois de alguns minutos em silêncio, o sacerdote perguntou ao caboclo se ele fizera as orações de pedir algum bem a Deus ou aos santos.
Nessa hora, chegou na lembrança do sertanejo a crise avassaladora que defrontava, a fome que sujeitava todos, as agruras do lar. Aflito, calado permaneceu como juntando os elementos do juízo.
Em seguida, o padre aconselhou ao homem que retornasse e abatesse o boi para dar de comer aos familiares, que se tratava do beneficio pedido.
Diante do conselho, ciente de haver merecido as bênçãos, supriu a fome e venceu a privação, graças às orações que fizera a Deus.

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Herança – Por: Emerson Monteiro

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Nas vastidões geladas do Ártico, em meio a naturais dificuldades, viviam pai e filho, únicos habitantes de cabana modesta, longe dos valores da civilização, num tempo em que pouco se sabia dos atuais degelos, quando se prevê outra glaciação na Terra.
Era costume do povo do lugar a existência das pessoas restrita à capacidade individual para se sustentar do necessário através da caça e da pesca, sob os rigores do clima abaixo de zero. Após a decrepitude, as famílias agiam com naturalidade depositando nas planuras desérticas idosos ou doentes sem cura, qual cumprissem a lei da sobrevivência.
Naquela casa, porém, o filho retardava a providência quanto ao pai já em fase que chegava na época do despejo, quando surgia no filho a disposição de constituir família e iniciar outro sistema de vida, restando-lhe apenas se livrar do genitor e liberar a vaga para noiva bela e intransigente.        
Mesmo admitindo aquele procedimento, o filho insistia manter em casa o velho pai, além até dos hábitos de grupo, pois não sabia justificar o que de vantagem propiciavam as tradições do lugar. Ao menos para si, no íntimo, achava certo querer consigo por mais algum tempo quem tanto sacrifício fizera na sua criação e na continuidade do lar.
Os dias prosperavam, no entanto.  A noiva nutria pelo sogro sentimentos agradáveis, os quais, todavia, diminuíam em face do instinto conjugal. Dotada de especial talento, tecera bela manta que pretendia ofertá-la quando da viagem definitiva do idoso aos penhascos gelados, em data sem muita demora, segundo planejado.
Nisso, não tardou a madrugada quando movimentos diferentes sacudiram a humilde choça. O filho atava os cães ao trenó, reuniu alguns poucos trastes, ligeiros mantimentos, e instalara o pai no meio da carga, fazendo-se a caminho.
Depois de tempestuosa jornada, se viram numa longa planície branca circundada de montanhas sombrias e ameaçadoras. Tão logo o escuro da noite principiou envolver o mundo, cumpriram a parada definitiva. Naquele sítio cinzento, dar-se-ia o desfecho da longa espera.
Sem trocarem palavras, de cabeça pendida no peito, os dois se olharam pela derradeira vez, num adeus quase primitivo, selvagem, assim podemos dizer. O ancião buscou tirar por menos, desviando-se para fora da trilha, de olhos presos na solidão, exercitando compreender o peso daquela hora. O filho refazia o que restava da bagagem; alimentou os animais e deu mostras de ter cumprido a missão, pronto para retornar. Após sacudir no espaço as dobras do relho com que tangia seus cães, de súbito ainda ouviu a voz do pai a chamá-lo:
- Filho, filho! – gritos ecoaram no vazio gelado e de suas mãos pendia a manta que a nora confeccionara. – Quero isso não, é desnecessário para mim. Prefiro que a conserves contigo e uses quando teu filho vier aqui, um dia, te oferecer ao desconhecido.

(Ilustração: Janaína Gomes).

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Beber água é essencial para a saúde, principalmente em tempos de calor

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A água é fundamental para uma vida saudável. Mais de 70% do corpo humano é formado por água. É preciso beber quantidades adequadas diariamente, pois ajuda a regular muitos processos, incluindo o equilíbrio de sal, a absorção de nutrientes e a desintoxicação. De acordo com a pediatra Mércia Lemos, do Hospital Infantil Albert Sabin, da rede pública estadual, ¨não beber bastante líquido, especialmente a água, pode diminuir o desempenho físico, comprometendo o funcionamento dos rins e intestino, além de prejudicar também a função das glândulas salivares (boca seca), levando à desidratação¨.

Nesse período de calor intenso, a ingestão de pouca água somada à frequente exposição ao sol são fatores que provocam doenças na pele, problemas renais, gastrointestinais e desidratação. E esta atinge tanto adultos quanto crianças, sendo mais intensa nos pequenos. Sensação de abatimento em geral (letargia), saliva espessa, diurese diminuída (pouca urina), olhos fundos e sem brilho, fontanela deprimida (moleira funda) são alguns dos principais sintomas da desidratação.

Cuidados

A quantidade do consumo diário de água depende do tamanho, do peso, da idade e das circunstâncias as quais a criança vive. Segundo a pediatra Lia Cavalcante, o consumo de água, seja mineral, filtrada ou fervida, é fundamental para qualquer faixa etária. No mínimo, 100ml de água para cada 1kg é ideal para uma criança de até 10kg. Porém, ela ressalta que para aquelas com idade de até seis meses, o leite materno dever ser alimentação exclusiva. “O leite materno já entra em campo como fator protetor”, afirma. E Mércia Lemos acrescenta: “existe um teor de 70% ou mais de água no leite materno. Um bebê que mama, não carece de outros líquidos”.

Vômito, febre e diarreia podem rapidamente desidratar o bebê. Dependendo do nível de desidratação, é recomendável a ingestão do soro caseiro ou soros já prontos que podem ser adquiridos nas farmácias. Mércia Lemos orienta aos pais e mães que, em casos de emergência, procurem imediatamente um posto de saúde, um serviço de urgência hospitalar mais próximo. “A desidratação leve pode ser causada pela exposição ao sol, ingestão inadequada de líquidos ou perdas leves. Pode ser resolvida com a ingestão de água e outros líquidos. De moderada a grave, as perdas acontecem com mais intensidade. Quando não se consegue fazer a criança ingerir líquidos, ela tem febre e sangue nas fezes, deve-se levá-la logo a um médico”, alerta.

Dicas

A água é uma substância insubstituível e importante para manter a saúde. As pediatras Lia Cavalcante e Mércia Lemos dão algumas dicas de como os pais e as mães podem cuidar das crianças em tempos de calor:

- Água de coco e suco são complementares. Ou seja, não devem substituir a água potável

- A qualidade da água é essencial para uma boa saúde. Se não tem acesso à água mineral, os pais devem filtrar ou ferver a água para consumo
- Não utilizar bebidas com gás para crianças
- Saindo para um passeio ao parque ou à praia, por exemplo, leve água potável para a criança. Dar muito suco e pouca água favorece o aparecimento de cristais na urina, o que causa a formação de cálculos renais
- Evitar a quantidade excessiva de sucos artificiais, dar preferência aos naturais e usá-los como complemento e não substituição da água potável
- Água potável não é igual à água de coco, por isso não deve ser substituída
- Manter a higienização, lavar as mãos corretamente e beber água tratada evitam verminoses, giárdias e problemas gastrointestinais
- Oferecer sempre água à criança, não esperar que ela sinta sede; isso auxilia a digestão, evitando constipação (prisão de ventre) e problemas renais, além de manter a pele hidratada e regular a temperatura do corpo
- Até o sexto mês, a criança não precisa de outra alimentação como chá, suco, água ou outro tipo de leite. O leite materno é um alimento rico e oferece todos os nutrientes necessários para manter o bebê hidratado.

 

Assessoria de Comunicação do Hias

Presente a Iemanjá – Por: Emerson Monteiro

 

02 de fevereiro de 1977. Passávamos dias numa praia na Ilha de Itaparica, no Recôncavo Baiano, defronte a Salvador. Em redor de Itaparica existem dezenas de praias e vilas, além da cidade de Itaparica. Estávamos numa casa nas imediações de Manguinhos, vila próxima a Mar Grande, onde João Batista Reimão Neto, um amigo de São Paulo, me convidara a trabalhar na revisão de um livro que concluía; e permanecêramos durante duas semanas no local. Naquela tarde de 02 de fevereiro, Dia de Iemanjá, alguns habitantes da localidade ligados ao candomblé prepararam presente ao orixá e nos convidaram a ir de saveiro com eles até o meio da Bahia de Todos os Santos, e depositar em águas profundas a oferenda sagrada.
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Sempre munido da máquina fotográfica, me alojei num dos lados da embarcação superlotada de gente trajando indumentárias próprias, onde se destacavam vestidos brancos rendados, torsos e outros adereços da cultura afro-brasileira, isto entre milhares de ramalhetes de flores brancas do mais agradável perfume, enquanto ouvíamos batuque de tambores e os cânticos dedicados à Rainha do Mar.
Seguimos mar adentro em tarde nublada, fria, levados pelas velas a correr sobre as ondas agitadas do oceano. Águas batiam firmes no corpo da embarcação em nível não mais do que quatro dedos para chegar ao interior onde nos achávamos sentados de costas apoiadas nas bordas do barco pesqueiro a deslizar o leito encapelado e profundo das águas.
Lembro bem a emoção que me percorreu todo tempo, sustentada no ritmo dos instrumentos que se confundia com o palpitar aflito do coração embalado no misticismo daquele instante raro de beleza, no fervor da missão conduzida por babalorixá sob as influências do santo, enquanto respirávamos cheiro inebriante das plantas que também compunham o presente lá em seguida entregue a quem de direito com os ritos do ofício.
Guardei comigo a singularidade ora descrita, que busquei descrever de melhor modo, porém certo das limitações em revelar o suficiente da plasticidade e do mistério da cena inesquecível.

Jacó lutou com um anjo – Por: Emerson Monteiro

No vau de Jaboque, trecho de passagem do rio Jordão, na Palestina, diz o livro bíblico de Gênesis que Jacó, ao fugir de seu irmão Esaú, indo à busca de um pouso certo para a família, e desejando sobremodo evitar confronto de armas (Então Jacó temeu muito e angustiou-se; e repartiu o povo que com ele estava, e as ovelhas, e as vacas, e os camelos, em dois bandos.), entrou, porém, numa luta corporal com guerreiro inesperado que lhe apareceu tão logo passara os derradeiros acompanhantes, mulheres, servos e filhos.

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Naquela noite, até quando das fimbrias do horizonte nascesse o Sol, Jacó estabeleceu desforço físico de proporções inimagináveis com o desconhecido que se lhe interpusera no caminho. Só aos primeiros clarões do dia esse adversário aceitaria a impossibilidade de vencer o filho de Isaque, no entanto resolveu tocou a coxa de Jacó, estabelecendo pronto deslocamento do nervo da junção.

E disse: Deixa-me ir, porque já a alva subiu. Porém ele disse: Não te deixarei ir, se não me abençoares. E disse-lhe: Qual é o teu nome? E ele disse: Jacó. Então disse: Não te chamarás mais Jacó, mas Israel; pois como príncipe lutaste com Deus e com os homens, e prevaleceste.

Ao saber disto, o judeu pediria ao anjo que o abençoasse e lhe dissesse o nome. Por que perguntas pelo meu nome? E abençoou-o ali.

Peniel foi, assim, da parte de Jacó, batizado o lugar, pois, segundo ele, naquele canto avistara Deus face a face, e nele sua alma fora salva. Aos primeiros raios do Sol, restava exausto e manquejava de uma perna a qual, na junção da coxa, recebera estocada na peleja da noite.

Na Bíblia, se lê: Por isso os filhos de Israel não comem o nervo encolhido, que está sobre a juntura da coxa, até o dia de hoje; porquanto tocara a juntura da coxa de Jacó no nervo encolhido. Gênesis 32,32.

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Vida de cachorro grande – Por: Emerson Monteiro

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Invocado o cachorro lá de casa que tem pose de valentão, a quem resolvi lhe fazer regime de comer apenas uma vez por dia, tanto bom de manter o peso, gordo que parece um elefante novo, brilhante reluzente. Mas mesmo assim chegado a uma preguiça que é um negócio sério. Também vive só na intenção de comer e dormir, tirando poucos momentos de latir com os passarinhos que dividem com ele a caquera do alimento, ou ficam pulando pelo meio do terreno à procura do que fazer, jogando conversa fora nos cânticos melodiosos, vida de artista essa vida de passarinho.
Isso de demorar a comer desse exemplar de canino me relembra história que minha mãe contava quando a gente era criança. Dizia que a mãe da preguiça antes de servir a refeição perguntava à filha: – Preguiça, tá com fome? – E ela dengosa respondia: – Sim, mãe, ‘tou com muuiiita fome.
- Quer comer -, continuava no diálogo.
- Quero, quero -, lentamente respondia.
- Pois vá buscar o prato no armário.
- Ah, mãe, tão longe… Quero mais não.
Vejo naquilo agora nas atitudes do cachorro que crio preso durante o dia e à noite dorme solto. De queijo apoiado nas patas dianteiras o dia inteiro, filosofando que é uma beleza, de olhos no tempo, ali amarrado acompanhando o movimento dos outros bichos enquanto esquece a panela aberta com a ração exposta. Vêm tartarugas, estiram o pescoço, e comem. Os pássaros sobem na borda, e comem. As lagartixas, ligeiras, comem. Até os ratos, de noite, deram de furar o saco, deixarem suas marcas. E ele, o responsável, nada. Demora o dia todo no maior desinteresse, a me trazer de volta a velha história da mãe da preguiça.
No entanto serve de algum motivo, de lembrar alguns da espécie que somos nós, que desfilam dias e dias porque veem outros viverem.  Deixam o barco correr solto à espera do maná cair do céu, gostam do bom e do melhor, sem, contudo, nem de longe querer enfiar
prego numa barra de sabão. Observam as nuvens passar no firmamento e ficam à procura de achar na imaginação o pão que garanta o nascer dos dias seguintes. Ah, vidas essas às vezes parecidas com vida de gente acomodada.

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Diagnóstico preciso – Por: Emerson Monteiro

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Nunca, jamais, qual agora, as pessoas se conhecem tanto. Aonde se virar e nos vemos face ao espelho do mundo, nos objetos e nas pessoas, em velocidade inimaginável, de tudo quanto é maneira, sem descanso, nas páginas dos dias, sobremodo perante as telas espalhadas no quarteirão inteiro. Sem refresco no juízo, dormimos e acordamos ao som dos equipamentos eletrônicos e da sede sensacional das notícias a preencher o universo de mentes ansiosas das novidades recentes. A indústria da informação, os denominados meios de comunicação de massa, qual a bolsa de valores dos destinos, não têm férias nem intervalo de almoço. São as guerras da vez, os atentados, acidentes mil, imprevisões climáticas, medidas radicais dos governantes, escândalos oficiais ou privados, estatísticas atualizadas, prisões, investigações em andamento, novas doenças, novas curas; o que de manhã seria interessante, de tarde envelheceu e de noite virou a retrospectiva amarelada do tardio esquecimento. Uma máquina trituradora de esperanças.
Na fome desse ineditismo, marcha humanidade trôpega, feroz, ardilosa, impaciente, aos suspiros e dramas das páginas principais dos blocos de notícias que viraram a festa coletiva da pouca transformação, depois de quanto tempo de peleja nas vastidões históricas. Há como que uma radiografia internacional da espécie que diverge pouco da veracidade precisa da ciência que dominou o plano mental dos momentos do futuro. O ser que somos pela primeira vez é conhecido diante das câmeras do saber humano a ponto de existir pouquíssima chance de considerá-lo um desconhecido, aquele desconhecido de antigamente. Hoje a gente já se conhece a ponto de precisar sem sombra de dúvidas quem somos e discrepar quase nada de um conceito preciso da verdade total. Os equipamentos permitem isso através da evolução tecnológica e de exatidão matemática.
A comentar assim, fica bem clara a importância do instante presente, da certeza correta do autoconhecimento, de promover sérias correções no rumo que se tomou. Melhor ocasião nunca, jamais, qual agora, existe de as pessoas se conhecerem tanto… Não dá mais para onde empreender fuga, pois as paredes ruíram todas, e estamos sós e nus.

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O sofisma político – Por: Emerson Monteiro

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Em certa ocasião, envolvido pelas tempestades políticas que teve de atravessar, Abraham Lincoln foi abordado por senador adversário, que queria impingir ponto de vista descabido quanto a matéria em discussão:
- Senador, vamos supor que uma vaca tenha cinco patas. Em sendo assim, indago de V. Exa., quantas patas tem uma vaca?
- Quatro – respondeu de pronto o estadista americano, acrescentando: – Pois não é por se supor que uma vaca tem cinco patas que ela passe a ter.
Situações análogas marcam o cotidiano de quem frequenta a escola da política em todos os países. Muitos querem que a Verdade possua a cara de sua verdade, esquecendo que, apesar de iguais termos, o primeiro se escreve com letra maiúscula e não pode ser mistificado ao sabor das conveniências individuais.
Uma disposição mórbida de viciar contas em proveito interno deve ser considerada mediocridade, não interesses perniciosos nos bastidores sustentando a maioria dessas atitudes, que depõem contra os valores da Ética, espaço onde se reclamam suas presenças.
Militantes políticos, de ordinário, no lado subdesenvolvido deste mundo, buscam a caminhada pública para defender causas pessoais ou de blocos fechados. Seriam como que bons para si e para os seus, enquanto relegam a terceiro plano faixa substancial da comunidade que vota na esperança de modificar o estado de coisas.
Dessa forma, urnas transpostas através de recompensas imediatas, no que se utilizam de capitais a ser recuperados após a vitória, estruturas reacionárias lançam âncora nos mares do serviço público e substituem os figurantes antigos.
Em dita ocasião, tudo passa a ser considerado instrumento de uso íntimo, desde a canalização das verbas para áreas particulares até o jogo de palavras e gritos, na montagem das propostas arrevesadas em defesa de atos esdrúxulos e manipulação de opiniões, fazendo passar por bons os péssimos e por maus os opositores, endossados pelos órgãos da comunidade de informação a peso de ouro (pode existir coisa mais imoral do que propaganda de administração pública? Para que divulgar o que se tem a obrigação de fazer?).
Neste universo das leis humanas, o justo anda cabreiro de pagar pelo infrator. Manchas se alastram no mata-borrão social e a bela arte do diálogo desvirtuou em demagogia ou subterfúgio, período quando sociedades estacionam, ou degeneram, sufocando ânsias de progresso.
Eis o diagnóstico de quadro preocupante, espantalho que atordoa gerações inteiras de lideranças novas. Como tratamento urgente, os exemplos bons merecem aplausos, para fomentar métodos limpos de corrigendas e recuperar a sobrevida.
Atenção fixa nos que vestem as malhas do poder e se dizem salvadores, porquanto posam de cordeiros mansos bem sucedidos e jamais avisam que aparências enganam.

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O senhor do impossível – Por: Emerson Monteiro

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Mergulhar em algumas avaliações místicas justamente em um tempo quando resta mundo esquecido de valores antes fundamentais, se é que um dia foram fundamentais, nesse pesar das eras. Lembrar os raciocínios de Deus a que neles se detiveram filósofos sós nas páginas amareladas dos velhos livros quase abandonados no decorrer das práticas cotidianas deste mundo insano. Hoje, falar em Jesus, Buda, Lao-tsé, Kierkegaard, Platão, Orígenes, remexe as fibras machistas dos tambores acelerados  e os padrões da era nuclear de deuses entontecidos e estéreis, ícones de acrílico e fibra de vidro, rolados e impressos nos painéis gigantes da terceira dimensão, vazios de conteúdo real.

Às raias do absurdo, indiferentes, jogaram os dramas da espécie, comédia insólita dos porões vazios da máquina embrutecida e esfumaçada na embriaguez de farras. Há gigantes em tudo, nas vitrines e nos paraísos artificiais da massa melancólica, que vaga absorta e de olhos pegajosas.
Enquanto isto, a única saída verdadeira é precisamente onde não há saída no juízo humano. Senão, para que precisaríamos de Deus? As pessoas só se dirigem a Deus para obter o impossível. Para o possível, os homens bastam, afirma o filósofo russo León Chestov.
Nunca, tal nestas datas momentâneas dos princípios de século XXI, houve tamanha ausência dos instrumentos morais que permitissem aos humanos adotar um sentido justo às suas existências tangidas pela engrenagem do magno sistema dominante. Quais lesmas de aquário, eles descem, sórdidos, acomodados, as escadarias de pedra dos altares do sagrado e se deixam imolar feitos mercadoria nos salões engalanados da ilusão artificial, racional.
As almas, no entanto, ansiosas de virtudes e banhadas nas lágrimas da solidão dos grupos, buscam meios de recordar o trilho abandonado nas selvas da Natureza, e erguem aos Céus preces esquecidas. Eis Deus: devemos remeter-nos a Ele, ainda que não corresponda a nenhuma de nossas categorias racionais, insiste Chestov.
Aos raios dourados da Esperança, Razão em seus frágeis argumentos agora demonstra o pouco do que trazia na caixa das fantasias, presa também de nenhuma possibilidade além da matéria em fria decomposição.
Eis Deus, o absurdo que renasce das cinzas no coração dos vales de antigamente.

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Os elementais e a ecologia – Por: Emerson Monteiro

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Depois de quebrarem o pote, que a água sumiu terra adentro, os que enxergam mais longe principiam a clamar pelo respeito à Natureza, pois as matas não têm preço (e as vendem por quase nada sem donos serem), que o ar deve permanecer limpo, limpeza dos rios que viraram esgotos, que a maré pode crescer e engolir a terra. Um berro de apreensão se espalha das notícias da tevê. Identificaram até que a camada de ozônio, protetora de nossa atmosfera, vem de apresentar brechas irremediáveis, comprometendo a sobrevivência da vida no planeta.
Os elementais, entes hoje invisíveis ao homem, sempre cuidaram melhor deste paraíso, zelando pela sua beleza, como artesãos inspirados nos tantos ramos da Criação. Foram eles os primeiros ecologistas (palavra tão na moda e ao mesmo tempo tão fora de moda) e poucos se lembram deles, nas manifestações românticas de ruas e praças, nesses atuais países ricos, fumacentos. Nenhuma faixa, nenhum cartaz, nenhum hino de louvor. Os colonizadores arrasaram minérios e raças tradicionais, malversando as provisões do futuro.
Os homens se transformaram nos piores predadores da boa saúde planetária. Exemplos de civilização coerente no trato das coisas naturais ainda agora não se acham, no decorrer das eras. Contam os livros que há pouco menos de trezentos anos um macaco podia, se pretendesse, viajar de Portugal à Dinamarca sem pisar no chão, tocando apenas na folhagem das árvores vistosas, numa Europa recamada de lindas florestas, os bem cuidados campos do Senhor.
Esses elementais, seres encantados de que se têm notícias no folclore e nos contos de fadas, são responsáveis diretos pelas condições básicas da existência na face da Terra. Zelam pelo vento, plantas, rios, mares, oceanos, bosques, flores, montanhas, lagos, pelo fogo, pela água, pelas sementes; pelos fenômenos mais diversos do sistema universal; os gnomos, os silfos, as salamandras, as ninfas, as nereidas, os elfos, duendes; inúmeros registros deles se acham nas lendas dos povos; todos formam o grande exército de amor, na preservação do Equilíbrio Universal.
Quem sabe se um dia não deixaremos de falar desses assuntos de crise e tudo correrá, de novo, com antes já foi, no seio harmonioso do Silêncio e da Paz, onde viveremos conforme indicar o Poder Superior, humanos e divinos, dentro de sonho bom e espiritual?

 

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A andorinha e o elefante – Por: Emerson Monteiro

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As histórias tornaram-se recorrentes, a exemplo desta lenda hindu. Ouvem-se (leem-se) daqui, dali, dacolá, os contos tradicionais que passam de mão em mão, transmitidos quais sementes replantadas de frutos saborosos, na multiplicação efetiva das coisas boas. A narração que ora urdiremos possui esse valor característico, razão de suas tantas divulgações, tornando-a patrimônio coletivo noutros lugares além da cultura indiana donde provém:
Certa vez, incêndio de proporções monumentais grassava na mais distante das florestas do reino. O fogo lambia, com ventos rápidos, árvores seculares imensas, a espantar o silêncio e calcinar verdes vegetações. Labaredas de proporções descomunais seguiam as trilhas das ramagens vivas pelas folhas secas acumuladas no tempo. Estalidos. Berros. Desolação. E as lonjuras do manto indefeso distorciam-se na aflição dos bichos alucinados, sem pouso, sem norte, quais lentes de horror, presas frágeis, para escapar da fogueira instalada no mundo selvagem antes apenas calmo, contínuo.
Meio exótico de cenas febris, o império da miserável destruição parecia querer a todos dominar, crivando de cinza e dor as coisas fugidias, tão neutralizadas pelas tintas azuis, derramadas do teto infinito do céu, na tarde circunstante.  
Enquanto isso, uma andorinha voava que voava, indo e voltando no igual percurso das asas incansáveis, a obedecer velocidades trepidantes. Descia em mergulhos pontiagudos ao fundo lago e se molhava demorado, sobrevoando, em seguida, vezes e vezes. Nessas voltas, chegava bem no prumo do fogaréu, sacudia as penas em esforço descomunal para qualquer animalzinho minúsculo. Ao secar, reencetava a mesma jornada rumo das águas, de nova a encharcar o corpo franzino que repetia…
Nesse ínterim, de longe, instalado na ravina confortável das imediações, elefante adulto, pré-histórico, reparara na atividade frenética da pequena ave e suas repetidas viagens. Então, aproxima-se corpulento, e refletido pergunta:
- Por que tanto empenho, dona Andorinha? Por quê? Diga só! – insiste o gigantesco animal. – Para nada o que fazes, pois vi, noutras ocasiões, iniciativas semelhantes. A senhora sabe, tanto quanto eu, que essas míseras gotículas do seu trabalho inútil jamais irão conseguir apagar tanta fornalha; por isso, as matas tornam-se impróprias, perdidas.
- Sei, sim, camarada Elefante. Sei, sei – quieta respondeu a andorinha. – Porém não me conformo diante das limitadas condições. Ajo de acordo com minha dimensão reduzida. Faço a parte que me cabe. Cada um dos senhores bichos que trate urgente de, também, fazer a sua parte. Daí, decerto, um dia melhorarão as condições e diminuiremos os incêndios desse tipo. Venha, vamos juntos, vamos!…

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As portas do abismo – Por: Emerson Monteiro

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O ser humano vive para responder a desafios, sendo esses ainda mais variados nos dias atuais, desde doenças transmitidas nas relações íntimas até as desigualdades sociais, expressas nos lances da violência urbana que predominam, sobretudo nas maiores cidades, sem, no entanto, isentar dos crimes bárbaros menores comunidades, em parte originários na ausência de formação moral, nos índices de crescente agressividade e na utilização indiscriminada de substâncias bloqueadoras da racionalidade, os tais entorpecentes avassaladores.
Neste ponto histórico da raça humana, exageros se apresentam com tamanha dominação que muitos se deixam abandonar ao impacto desses desafios, quais meros escravos das destruições em série; o crack, a cocaína, a maconha, a nicotina e o álcool.
O senso crítico bem que pode prevenir a vacilação comprometedora. Já desde a infância que os jovens devem dispor de estrutura para superar o sugadouro em que se transformou a vida mundana, tendo no comando das instituições do entretenimento os meios de comunicação de massa, por vezes inconscientes do seu poder destruidor, espécie de tóxico permitido à luz do dia, com força inimaginável, instrumentos do desequilíbrio, outro tipo de droga quase sempre usada de modo equivocado para vender o sensacionalismo e tolerada acima de qualquer suspeita.
Assim, dizíamos, os jovens têm de descobrir desde cedo como criar a firmeza de atravessar o largo pântano do Planeta em chamas, independente da opinião de terceiros, pois a peleja é, na verdade, uma missão individual fora do juízo alheio dos demais, considerando-se saúde mental como a peça chave desse equilíbrio naquilo que irá cumprir, no rumo da realização pessoal.
Quando sabem como agir, fruta rara, os moços exercitam a superioridade no embalo de todos esses fatores adversos. Põem-se a par do valor das coisas simples, dentre elas a lucidez de construir um sonho novo dentro do coração, a esperança dos tempos futuros.
O jovem, contudo, nem sempre possui as condições de vencer o mar tormentoso das tentações, porém deve fazê-lo, custe o que custar de sacrifício e vaidades, em favor da própria sobrevivência, porque assim trará consigo respostas plenas à Humanidade. Avalie com carinho essa perspectiva de manter a sobriedade no decorre da vida e verá como as reservas obtidas serão suficientes para vencer todos os obstáculos. Só então perceberá o quanto de sabedoria existe nos infindáveis mistérios da natureza interior das criaturas humanas.                           

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Dominar os baixos instintos – Por: Emerson Monteiro

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Portas abertas ao sol da manhã esplendorosa deixam a luz do dia chegar com mais força ao coração da gente e clarear a vontade do melhor nos relacionamentos, função avançada de comparecer ao pomo do desejo de um dia ser melhor do que fomos, caminhada incessante do processo evolutivo. Impulsos de paz no íntimo da pessoa que transporta a níveis superiores constantes na floresta da arte, elevando possibilidades de sonhar com séculos menos tensos da história da humanidade desde a existência individual, dever e solução de tantos e enormes problemas criados durante a jornada deste chão de experiência.

Três ou quatro palavras bem positivas valem mais do que milhões de projetos materiais sujeitos a produzir a maldade que já tem hora perecer o dominar dos noticiários, nas tocas da ambição. Pensamentos simples em forma de calma e tranquilidade da aurora das tardes de janeiro, auspícios das construções coletivos em mundos de paz. Andar assim de olhos abertos do quanto poder há nas aspirações humanas esquecidas dos dramas em forma de mágoas ou sofrimentos. Elevar metas de obter sucesso mediante renovação de princípios e valores, alimentar verdades de união entre as raças e distâncias.
Bom, é isto de dominar instintos agressivos e escolher amar com vontade sóbria, modelo de necessidade urgente logo e sempre, sentido de recriar a civilização através das moléculas da espécie que somos nesse instante solene à nossa disposição que perde atitude e respeito de seres inteligentes.
Os meses passam, seguidos de compromissos por vezes inconscientes de populações primitivas que precisam andar rápido nas planícies abertas da maturidade liberta da imperfeição. Agora será, po isso, diferente desde que haja as fórmulas aplicadas de meios sadios, liberdade nas luzes do amor.
Querer, portanto, vitórias mil das previsões na felicidade às portas dos tempos novos.

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A balança da sorte – Por: Emerson Monteiro

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Conta Heródoto, em História, que Ciro, rei da Pérsia, convencido de sua liderança e fiando-se no sucesso de muitas e inquestionáveis vitórias, após dominar os Babilônios, decidiu guerrear contra os Masságetas, povo respeitado pela bravura, que ocupava a maior parte da vasta planície além do rio Araxo, a leste do mar Cáspio.
Depois de recusar proposta de casamento do emérito comandante, Tómiris, soberana do país, lhe negou acesso nos seus territórios. Ciro, então, mandou erguer uma ponte e fazer torres nos batéis com que pretendia dar acesso à outra margem do rio, revelando propósitos firmes de imediatas ações de conquista.
Ainda buscando manter a paz, a rainha enviou emissários ao rei pretendendo negociações. No entanto, caso houvesse tanta insistência para lutar, que ele desmanchasse a ponte que construíra, e os dois povos se defrontariam a uma distância de três dias do leito do rio. Ou que Ciro recuasse suas tropas três dias para além da outra margem, aguardando carga dentro dos próprios domínios.
Ouvidos assessores, avaliadas cogitações, em obediência às recomendações de Creso, conselheiro principal, estabeleceram os Persas que cruzariam as águas e usaria um ardil; deixariam no campo de batalha, a olhos vistos do inimigo, suculento banquete de carne, vinho e outros quitutes, prazeres ignorados pelos Masságetas, população pouco afeita ao luxo e ao conforto da rica Pérsia.
Desse modo realizou-se. À frente de exércitos vitoriosos, Ciro atravessou o Rio Araxo e avançou um dia no território pretendido, montando acampamento, e, nesse ponto, deixando as piores tropas que dispunha, em seguida voltando à retaguarda.
O filho da rainha Tómiris, Espargapiso, e um terço dos guerreiros masságetas vieram ao combate dos efetivos ali abandonados, os quais venceram com relativa facilidade. Depois disso, refestelaram com sofreguidão nos suculentos partos e na bebida adrede expostos nas barracas do campo, depois do que tombaram caídos pelo vapor traiçoeiro do álcool. Naquela hora, de surpresa, chegaram os outros persas e dominaram esses inimigos, prendendo o príncipe no meio deles.  
Ciente das trágicas ocorrências, a rainha indignou-se com aquilo e conclamou que Ciro devolvesse-lhe o filho, logo se retirando do reino: Se não o fizeres, juro-te pelo Sol, senhor dos Masságetas, que te saciarei de sangue, por mais sedento que dele estejas, vistas as palavras de Heródoto.
O rei, porém, ignorou a determinação. O príncipe, refeito da embriaguez, vendo-se cativo dos Persas, pediu que lhe tirassem as algemas. Ao ver-se livre, com uma espada, pôs fim na existência, perante todos.
Sabedora dos sucedidos, Tómiris reuniu seus soldados e confrontou as forças invasoras na mais famosa (batalha) até hoje travada entre bárbaros, segundo o Pai da História.
Durante horas extremas, os dois clãs opositores pelejaram de igual para igual, sem qualquer esmorecimento de ambos os lados.
Afinal, prevaleceram os Masságetas… Quase a totalidade dos persas sucumbira, inclusive Ciro, abatido no auge de vinte e nove anos do resplendente triunfo que obtivera no poder.
Cessada a luta, Tómiris mandou trazer da praça de guerra o que sobrara do corpo do rei, mergulhando-lhe a cabeça em um balde cheio de sangue, dizendo:
- Embora eu esteja viva e vitoriosa, tu me desgraçaste, fazendo meu filho perecer por um cobarde estratagema; mas eu te saciarei de sangue, como te prometi! – afirma o clássico grego.

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As mudanças de Raimundão

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O anúncio da troca de três secretarias da gestão Raimundo Macedo não causou o impacto esperado. Saíram três técnicos e entraram outros três, ou seja, seis por meia dúzia. Talvez a maior diferença foi o anúncio do farmacêutico Micaelce Santana como novo chefe de Gabinete, que outrora já havia recusado o convite e anteriormente, pedido demissão da Secretaria de Saúde, por não aceitar ser ordenador de despesas. Mas o que levou Micaelce a aceitá-lo novamente? Essa pergunta por enquanto ficará sem resposta.
Com livre trânsito em todas as áreas, inclusive com a imprensa, Micaelce deve se tornar um elo de ligação entre o governo Raimundo Macedo e a sociedade, especialmente, com a imprensa.
Por falar em imprensa, o o blog apurou que o atual assessor de imprensa da prefeitura, o radialista Marco Valério pediu (pela terceira vez) pra sair. Como sempre, Raimundão pediu a Marco pra ficar mais alguns dias até ele escolher seu substituto. E Raimundão já o tem: é Demontier Tenório, que faz a mesma linha de Marco Valério, ou seja, trabalha na rádio, faz o programa de rádio do prefeito e é lotado na Assessoria de Imprensa na prefeitura de Raimundão. Solução caseira.
O coronel Antônio Hernadez Miranda, que fez trabalho sério na PM é o nome da Secretaria da Cidadania. Não deve ter problemas, pois tem experiência de comandar tropa e certamente debelará qualquer insurgência no Demutran ou na Guarda Municipal.
Na saúde, sem voz altiva, Marcleide do Nascimento, apesar do bom trabalho desenvolvido no Departamento de Alta Complexidade, assume como dever de cumprir ordens. Por isso, não aceita ser ordenadora de despesas.
Por último, embora não tenha sido anunciado oficialmente, o delegado federal aposentado, Francisco de Assis Castro Bonfim vai ser nomeado para a Controladoria e Ouvidoria Geral do Município.
Nota: O blog não confirmou com Marco Valério sobre sua provável saída da Assessoria de Imprensa.

Flavio Pinto News

Exemplo de lealdade – Por: Emerson Monteiro

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Conta uma história da tradição européia atribuída a Santo Agostinho que Pitias, jovem prisioneiro romano, achando-se condenado à morte, durante o período em que aguardava o cumprimento da sentença quis muito rever seus pais que moravam distante e de quem era o arrimo, sem, contudo, receber do tirano Dionísio crédito de confiança imprescindível a empreender essa tão longa jornada.
Ao saber do desejo extremo do amigo, outro jovem de nome
Damon buscou o palácio e se ofereceu para substitui-lo na ausência, propondo, inclusive, caso não retornasse na hora estabelecida que, em absoluta eventualidade, prestar-se-ia até mesmo a ficar no seu lugar no instante da execução pública, poucos dias adiante.
O imperador considerou a oferta, dando amparo suficiente a que Pitias buscasse a remota província, aonde, saudosos e debilitados, viviam os genitores. Face disso ficara na prisão em seu lugar o voluntário Damon.
Os dias céleres transcorreram, demorando quase nada a chegar o prazo fixado da condenação.
Nesse dia, o imperador e muitos outros cidadãos acordaram de espírito voltado ao pacto dos dois amigos. A cidade fervia de comentários em vista do completo desaparecimento de Pitias, de quem mais nenhuma notícia souberam desde a sua partida.
As solenidades previstas se dariam de qualquer jeito, conforme o estabelecido. Cedo da manhã, largas manifestações sacudiram a massa estertorosa das gentes nas arquibancadas do circo. Gritos histéricos feriam os ouvidos ansiosos de Damon, trazido ao meio da arena e exposto aos ânimos exaltados daquela multidão impaciente. Renderia destarte nisso o pacto de compromisso firmado em amor do amigo.
Enquanto que, diante da exiguidade do tempo e nos limites da força física, de um dos portões do estádio superlotado, exangue, esquálido, surgiria Pitias, causando espasmos na população silenciada com o forte gesto demonstrando maior lealdade de quem permanecera no seu lugar.
Perante os presentes, o condenado se dirigiria aos carrascos, libertando Damon, o amigo fiel.
Também assustado com o que vira, de pronto Dionísio ordenou a suspensão do ato punitivo e, solene, desceu da tribuna emocionando indo abraçar os dois amigos, numa reverência profunda ao cumprimento da palavra firmada.
Face daquilo, sensibilizado, o imperador decretou a absolvição de Pitias, afirmando por acréscimo, segundo a história:
- Tudo, nesta vida, não vale esta amizade que hoje posso testemunhar. 

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Que viva a URCA – Por: Emerson Monteiro

 

Texto produzido em 29 de maio de 1987 para o Diário do Nordeste, de Fortaleza CE.
Como no princípio, que era o Verbo, e Ele se fez carne, habitando entre nós, assim também tudo tem de passar pela ideia (leia-se esquema) para se concretizar, no mundo das coisas tangíveis. É essa a lei do mundo fenomênico, que, de forma matemática, ocorre sempre, nos ritos da Natureza.
URCAescudoPara que um povo tenha autonomia civilizatória, é necessário que antes organize o intelecto, salto definitivo que se equivale ao percurso da animalidade à cultura, tão bem representado por Stanley Kubrick, no filme 2001, Uma odisseia no espaço (cena dos macacos a lutarem com clavas de ossos, quando uma delas se transforma – corte cinematográfico – em nave espacial viajando no futuro).
Ponto de detalhe e vemos isso ocorrer agora, nas terras do Cariri cearense, quando, afinal, no âmbito dos séculos, surge a formalização auspiciosa de sua universidade, com todos os foros jurídicos de autarquia, homologada por lei estadual n.º 11.191, de 02 de junho de l986, autorizada pelo decreto federal n.º 94.016, de 11 de fevereiro de 1987.
Que a Região dispõe de flexibilidade e infraestrutura para a iniciativa, quem se atreve duvidar?
Foram longos anos de conquistas, desde os primeiros capuchinhos, passando pelas didáticas insurreições de 1817 e 1824, com Bárbara de Alencar, Tristão Araripe, Pereira Filgueiras, além de outros heróis, até os educadores modernos e seus tradicionais colégios (Seminário São José, Diocesano, Santa Teresa, em Crato, Salesiano, em Juazeiro do Norte, e Santo Antônio, em Barbalha).
Lideranças eméritas, como Antônio Martins Filho, José Newton Alves de Sousa, Pedro Felício Cavalcanti, Raimundo de Oliveira Borges, Luiz de Borba Maranhão, dentre outras, elaboraram os alicerces da educação superior aos caririenses.
Acatemos, pois, de bom grado, o prêmio maior que se merece.
Os intelectuais fazem história por intermédio da transmissão de conhecimentos, como os técnicos pela aplicação da Ciência; dessa maneira, admitimos a vitalidade educacional, processo que se perfaz acima da política partidária, tantas vezes razão de estagnação e retrocesso.
Alguns retóricos sugerem a incerteza como tônica do futuro. No entanto, se sabe pela livre experiência de viver que incerto foi o passado, visto seus erros acumulados, que o tempo recolheu na bagaceira dos engenhos primitivos, anacrônica agroindústria canavieira, para tempero da garapa nas caldeiras e tachos do amanhã. E somos os contemporâneos que responderemos, neste pé-de-serra, ao desafio de agora, fornecendo luz aos clientes do saber, nossos filhos e os filhos deles.
Em seu nascimento, a Universidade Regional do Cariri tem direito ao nosso mais carinhoso abraço, e sonhar com ela o verde porvir das grandes realizações torna-se uma obrigação principal.

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Psiquiatra alerta para perigos do excesso de álcool nas festas de fim de ano

 

"As pessoas acabam abusando dessas substâncias, que adicionam no organismo, como adicionam comidas”, diz Jorge Jaber Filho

 

 

Época de emoções e também de excessos, principalmente de álcool, as festas de final de ano acendem um alerta vermelho que deve ser  levado em conta pelos cidadãos, recomendou o presidente da Associação Brasileira de Alcoolismo e Outras Drogas (Abrad), psiquiatra Jorge Jaber Filho.

Em entrevista hoje (26) à Agência Brasil, Jaber informou que, do ponto de vista fisiológico, o ser humano tem necessidade de algumas substâncias químicas no cérebro, que são os neurotransmissores, que se assemelham às moléculas das drogas, como o álcool, o tabaco, a cocaína, a maconha.

“Há uma tendência na vida das pessoas, que se radicaliza nesse momento de datas festivas, de haver falta dessa substância no cérebro. Aí, a pessoa  toma alguma substância, como o álcool, que é um estimulante em pequenas doses, mas que, se tomado em excesso, acaba produzindo o efeito inverso. Em vez de um estímulo ao sistema nervoso central, ela passa a ter uma inibição desse sistema, fazendo com que aumente ainda mais a depressão, decorrente muitas vezes da lembrança de pessoas queridas que não estão mais presentes”, disse o psiquiatra.

Segundo Jaber, há uma inversão de valores nas festas de fim de ano, com crescimento do aspecto mais materialista da data, e não dos valores espirituais. “Assim, as pessoas acabam abusando dessas substâncias, que adicionam no organismo, como adicionam comidas”. Ele explicou que, a partir daí, há um abuso que pode ser o fator determinante de doenças como alcoolismo e dependência química.

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Foto: Divulgação

O psiquiatra salientou que, nessa época, costuma aumentar o número de internações tanto em hospitais de pronto-socorro como em clínicas psiquiátricas. “A situação da saúde pública ainda não conseguiu resolver a questão de leitos hospitalares e, em relação à saúde mental, vigora a política da redução do dano. Ou seja, a pessoa pode usar [álcool, no caso], desde que não cometa atos que piorem a sua vida”. Segundo ele, o Brasil está experimentando esse tipo de política, mas, aparentemente, não tem tido o sucesso esperado. Isso é constatado pela existência de cracolândias, áreas onde se reúnem centenas de pessoas drogadas, principalmente nas grandes metrópoles.

Jaber lembrou que quase todas as pessoas que usam álcool começaram usando tabaco e daí passaram para a maconha. “Quase todos os que usam maconha começaram com tabaco ou álcool. Essas três drogas são fundamentais para levar ao uso da cocaína.”

De acordo com o Levantamento Nacional de Álcool e Drogas (Lenad), feito pelo Instituto Nacional de Políticas Públicas do Álcool e Outras Drogas da Universidade Federal de São Paulo, a proporção de bebedores frequentes (que bebem uma vez por semana ou mais) subiu 20% no país entre 2006 e 2012, passando de 45% para 54%. A expansão entre as mulheres (34,5%) foi maior do que entre os homens (14,2%), no período pesquisado.

Em termos de concentração do consumo de álcool, o levantamento mostra que 20% dos adultos brasileiros que mais bebem ingerem 56% de todo o álcool consumido. A pesquisa revela ainda que quase dois de cada dez bebedores apresentaram critérios para abuso ou dependência de álcool e que 32% dos adultos que bebem relataram não terem sido capazes de parar depois que começaram a beber.

O levantamento constatou também a relação entre abuso de álcool e depressão. Dos 5% de brasileiros que tentaram tirar a própria vida entre 2006 e 2012, em mais de dois de cada dez casos, o que equivale a 24%, a tentativa estava relacionada ao consumo de bebidas alcoólicas.

Para o presidente da Abrad,  a tendência é aumentar o uso de álcool no Brasil. “O que nós temos visto é um aumento do custo na saúde pública da liberação do álcool para menores de 18 anos. E isso leva a um abuso cada vez mais cedo nos jovens, gerando alterações físicas e mentais muito importantes”. Jaber criticou a falta de fiscalização na venda de bebidas para crianças e adolescentes, principalmente em postos de gasolina, onde os jovens compram suco ou refrigerante e tomam misturado a álcool. “Todos veem isso acontecer e não há um efetivo combate  a essa prática.”

O psiquiatra ressaltou que não há distinção de classe social ou de nível socioeconômico entre os bebedores de álcool no país. “Os mais abastados costumam misturar vodca com bebidas energéticas ou cafeínicos, enquanto os menos abastados procuram tomar cerveja com cachaça  ou fazer essas misturas chamadas batidas, que misturam cachaça com refrescos ou refrigerantes”. Ele destacou ainda que, nas comunidades carentes, a situação econômica favorece a venda de substâncias ilícitas, como o álcool, entre menores de idade.

 

Agência Brasil

Anistia Internacional lamenta veto a projeto que proíbe bala de borracha em SP

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São Paulo – Protesto contra gastos com a Copa do Mundo de 2014 reúne cerca de 1000 pessoas na avenida paulista, em frente ao vão livre do Masp (Marcelo Camargo/Agência Brasil)

A ONG defende que o uso de armas menos letais deve ser regulamento; Alckmin diz que a polícia necessita de liberdadeMarcelo Camargo/Agência Brasil

A organização não governamental Anistia Internacional divulgou hoje (20) nota em que lamenta a decisão do governador do Estado de São Paulo, Geraldo Alckmin, de vetar o projeto de lei aprovado pela Assembleia Legislativa do estado (Alesp), no início do mês, que proibia o uso de bala de borracha pelos policiais civis e militares em protestos e manifestações.

A anistia argumenta ter reunido “casos de uso desproporcional da força pela polícia paulista durantes os protestos”, como o do fotógrafo Sergio Silva que ficou cego de um olho, por ter sido atingido, enquanto cobria uma manifestação em 2013. O fotógrafo foi tema de campanha em que pedia indenização por danos morais e materiais com o ocorrido.

A ONG defende que o uso de armas menos letais deve ser regulamento e que todas as denúncias de abuso devem ser investigadas. “São Paulo não possui nenhum protocolo público sobre o uso de armas menos letais e, desde junho de 2013, nenhum agente público foi responsabilizado pelos ferimentos e danos causados a jornalistas e manifestantes”, informa a nota.

Na decisão pelo veto, o governador disse que a polícia necessita de liberdade. “A polícia tem protocolos. Precisa ter liberdade dentro dos seus protocolos de trabalho, dentro da sua competência, para poder administrar a maneira como estabelece a ordem pública, protege os cidadãos.”

O projeto de lei foi apresentado pela bancada do Partido dos Trabalhadores (PT) na Alesp e aprovado em 3 de dezembro. O líder do partido na Casa, João Paulo Rillo, disse que o texto foi uma resposta  “ao fato de jornalistas perderem a visão durante as manifestações de junho”.  "O direito à livre manifestação é um imperativo da lei", declarou.

Agência Brasil

Maioria dos brasileiros consome apenas conteúdo digital gratuito

 

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São Paulo, 17 (AE) – A maior parte dos brasileiros ainda não está disposto a gastar seu dinheiro em produtos e serviços digitais. É o que apontam os números da pesquisa Internet Pop, do Ibope Media, deste ano, inédita, que aponta que os conteúdos gratuitos estão no topo da preferência do consumidor de internet no Brasil. Apenas 14% dos usuários acessam serviços de vídeo (como Netflix) que não sejam gratuitos; enquanto três em quatro donos de celulares só usam aplicativos que não o obrigam a colocar a mão no bolso.

Segundo a gerente de Learning & Insights do Ibope Media, Juliana Sawaia, o comportamento é esperado de mercados que ainda não tenham atingido "grande maturidade no meio digital".

"Isso é natural. Comércio eletrônico e internet banking, de maneira geral, dependem de uma maturação maior", diz. Segundo a especialista, para comprar em um conteúdo, o usuário tem que ter "uma intimidade com o uso daquela informação ou saber bem o quanto vai extrair daquilo".

A executiva diz que é interessante para os produtores de conteúdo e aplicativos pensar nesse quadro antes de precificar (ou não) seus produtos.

"Se você vai criar um app, é preciso pensar no valor agregado dele. Se ele trouxer uma resposta que um grande publico espera, é possível cobrar algo como US$ 2, por exemplo. Mas tudo depende do produto", diz.

Sawaia considera o hábito de adquirir produtos gratuitos "natural" entre os "emergentes digitais", que entraram nesse universo de forma muito rápida, principalmente através da aquisição de smartphones.

Segundo o Internet Pop, o acesso à internet via outros dispositivos, exceto computador, cresceu em relação ao último ano e totalizou 53%. Este dado reforça outro: 38% dos brasileiros não conseguem ficar mais do que algumas horas sem checar suas redes sociais, sendo o smartphone o maior responsável, segundo Sawaia.

Estadão Conteúdo

Um jeito de trazer alegria – Por: Emerson Monteiro

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Por vezes sentimos vontade de esquecer essa disposição de reunir as palavras e transmitir sentimentos de satisfação perante a vida, insistir que vale a pena seguir buscando a saída do labirinto da existência, a luz do final do túnel, um encaixe perfeito da personalidade individual com o sentido eterno da Natureza. Amigos chegam a dizer que há nisso otimismo talvez imaginário, no entanto claro que precisa esforço dentro de qualquer sacrifício. Larga e fácil é a porta da perdição, da desistência. Habitamos mundo de ilusão que se desfaz no cadenciado das horas. Troca-se trabalho pelas frioleiras desse chão qual atitude sem alternativas. Contudo a exatidão das maravilhas naturais sacode o desejo de encontrar a resposta tão genial quanto o autor de tudo isso. Essa a razão de continuar no propósito de desvendar o mistério de responder com sabedoria ao enigma da vida.
Todo tempo vem sendo assim, filósofos, mestres, aventureiros, em busca da interpretação exata desse itinerário da consciência entre os seres humanos. Sol nasce e lá vão eles à busca de respostas ideais ao problema maior das interrogações todo tempo. Uns batem às portas da ciência; outros, vagam dentro das muralhas do ser interior; porém a ânsia de sonhar com o bem maior da revelação predomina diante de resolver a questão da existência.
As artes, religiões, realizações coletivas de projetos diversos, preenchem a tal esperança de felicidade plena que substituirá a repetição já surrada de vir e voltar geração após geração, no aguardo das soluções definitivas.
Nisso o instinto de seguir com positividade os passos na busca objetiva de crescer sem destruir a mesma oportunidade dos demais irmãos de raça neste Universo esplendoroso. E todo dia colher as flores do jardim da alma e distribuí-las quais doidos mansos soltos pelas ruas da cidade, a expandir sorrisos bobos e amáveis, tais pássaros insistentes no gosto de alegrar a paisagem nem sempre verde dos dias.   

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As mazelas do Estado neoliberal – Por: Emerson Monteiro

 

Diante das complexas relações sociais, à medida que cresciam grupamentos humanos, surgiu o Estado politicamente organizado, essa macroestrutura que agora a tudo domina, vira ente de tentáculos infalíveis pelo mundo inteiro, monstro Leviatã, na concepção do filósofo político Thomas Hobbes; o Grande Irmão, no livro 1984, de George Orwell.

E aqui vamos de goela abaixo, nós da sociedade civil, a defrontar essa entidade maior que a vontade coletiva que coordena e, por vezes sem conta, trai seus ideais e reais objetivos, hoje classificada em duas vertentes vagas de corrente liberal e corrente marxista, ora em desuso, pois estas vêm sendo substituídas pelo conceito de Estado híbrido, da China ao Canadá, após a sociedade globalizada pela economia de escala, numa espécie de mutação genética classificada por Estado neoliberal, bicho de dentes afiados e dominador absoluto das relações da sociedade mundial.

O cidadão, este se acha sendo reduzido de importância a ponto de descartar a força que teria se houvesse, ao tempo certo, exercitado a consciência políticossocial descartada há séculos (Se o elefante soubesse da força de que tem o leão não seria o rei dos animais, já falaram os sonhos, mas antigamente).

A figura do contribuinte restou esquecida, desprezada, ela, a famosa mantenedora da farra descomunal do que fazem os vilões daquilo que pagara com impostos e taxas, obediência e subserviência à Lei, desejos e desencantos ao bem-estar pessoal e de todos. Refém das próprias instituições que criara, o contribuinte amarga ondas sucessivas de malversação do dinheiro público através das instituições do Estado, pai e gestor, numa espécie de atuação de apenado nos próprios domínios, sem quaisquer instrumentos mais que surtam o efeito de conter a sanha avassaladora dos grupos ilegítimos parasitários das estruturas criadas a fim de preservar os direitos da cidadania. Após os turnos eleitorais repetitivos, grupos de poder invadem as artérias financeiras da engrenagem social e sugam gota a gota o sangue precioso dos erários quais males atávicos, vampiros das massas humanas.

Nisso, aquelas aspirações institucionais de interagir e refrear a sanha totalitária do Estado conspiram e se voltam contra seu criador original, o Povo, sumindo na irresponsabilidade, isto dentro dos movimentos populares, associações culturais, filantrópicas, empresas,  igrejas, clubes sociais, associações de classe, escolas, até sindicatos, de quem se esperou muito mais no decorrer da história, hajam vistas suas intenções justas iniciais, depois abandonadas ao sabor dos prazeres lupanares do imperialismo atávico que ainda claudicante no seio da raça humana.

nov 29|Emerson Monteiro|Blog do Crato – Noticias do Crato !

Os milagres da existência – Por: Emerson Monteiro

 

Independente do credo que se professe, ou deixe de professar, as evidências impõem afirmações as quais a mais meridiana observação rende homenagens, no reino dos acontecimentos da Natureza.
A cada minuto, fatores indiscutíveis isto demonstram, o poder soberano da criação infinita do que alguns acham por bem chamar de Deus, em todo quadrante dos fenômenos espontâneos das circunstâncias. A própria ciência, quando chega aos limites das pesquisas quanto ao princípio original de tudo, baixa a cabeça desconfiada, muito mais por falta de alternativa do que pela fria percepção, e diz que daí em frente existirá o Desconhecido, o outro nome a que resolvem preencher o espaço destinado ao Ser Superior do Universo, e chamar assim, o Ser Desconhecido.
Aonde se queira voltar a atenção, aí residirá o dedo misterioso do Poder. Desde a luz dos olhos, quanta maravilha domina o construto da eternidade. Dirigir a cabeça numa direção, abrir as vistas, colher e decodificar com tão imensa perfeição o domínio daquele lugar, a visão das belezas em torno, quanto dom ao dispor de qualquer criatura, do homem aos animais menos festejados.
Na sequência, os outros sentidos. A audição, o sabor do som no correr dos ventos, em aventura abrangente a todo lugar e território, propiciando às individualidades o perceber das manifestações invisíveis, pelos ouvidos.
O sabor, na gustação, motivo principal dos alimentos. A nutrição que chega aos organismos necessitados, e por cima traz o prazer do degustar, favores multiplicados, rios de sabores diversos, a persistir a vida entre os seres, em meio aos fatores dominantes nos reinos mineral, vegetal e animal, ao caminhar das estações e das idades.
O tato, o tocar da pele que fala e demonstra continuidade nos objetos e outros elementos circundantes. O olfato, o cheiro das percepções, o perfume, as flores, o verde, a primavera, o estio, o inverno, os frutos, as cores, o frescor das horas e as histórias das eras, na crucial da efervescência e da vida.
Sem maiores esforços, a cada detalhe um milagre existe, na luz do dia, na temperatura, que uns graus a mais ou a menos impediria a probabilidade do aqui deste planeta vagando nos céus sem eixo provável ou peças outras que possam ser substituídas ou desgastadas. As galáxias, os astros, o Sol, a Lua e as Estrelas. Gestos de Ser que assina o quadro sem nada cobrar em troca.
E o pensamento o que dizer dele? A fala. As palavras. As atitudes das pessoas. A força da gravidade. O tempo, autoria de relojoeiro tão correto que nem combustível ou energia utiliza na propagação das espécies através dos planos de todos momentos. O sentimento inigualável das emoções e valores. O Amor, enfim, o Amor, amálgama que solda em peça única a barca da dez mil coisas, vagando ao trilho do firmamento, conduzida no fulgor das evoluções musicais desse Maestro primoroso, que permite o crescimento nas dádivas milagrosas de tantos séculos, exata demonstração de bondade e magnitude.

De Paris a Roma a pé: – Por Carlos Eduardo Esmeraldo

 

Imagine se você, caro leitor, teria coragem de fazer uma viagem do Crato até Belém do Pará andando a pé os 1480 km de distância, sem aceitar carona, dormindo debaixo de barracas de lona, sobre esteiras ou colchonetes às margens das rodovias, ou em hoteizinhos de beira de estrada ou ainda em casas religiosas, se por acaso existissem? E se você tivesse 75 anos de idade, mesmo assim se arriscaria a tamanha aventura? Nem mesmo se tivesse uma causa tão importante que o motivasse para realizar tal aventura? Seria algum protesto de grande porte que chamasse a atenção da opinião pública mundial? Pois saibam todos, que uma distância um pouquinho maior do que essa foi percorrida pelo sacerdote redentorista francês, Padre Henry-Marie Le Bouriscaud,  quando ele tinha a idade de 75 anos. Ele viajou 1507 km à pé de Paris até Roma para apresentar ao Papa João II seus protestos sobre a forma como a Igreja Católica enfrentava as questões vitais para o cristão de hoje. Para o teólogo alemão Bernhard Häring, "Henry teve a coragem de se por a caminho, porque estava convencido de possuir dentro de si uma mensagem que devia transmitir aos outros, a mensagem da liberdade e da felicidade criadora." O próprio padre Henry escreve na abertura de seu livro: "PARIS-ROMA, 1500km a pé". "Meter-se na aventura de percorrer a pé 1500km, de Paris a Roma pelas perigosas auto-estradas nacionais, não foi fruto de entusiasmo irrefletido de um septuagenário, mas o fecho de ouro de uma longa caminhada pessoal." Para ele, essa decisão não foi um ato individual, mas algo repleto de reciprocidade, pois jovens e idosos reagiram à essa sua idéia.
O Padre Henry foi ordenado sacerdote aos vinte e seis anos, tendo iniciado sua vida sacerdotal no Seminário Redentorista de Paris, como professor e missionário. Logo percebeu que ele tinha tudo em sua vida, nada lhe faltava. Boa alimentação, um leito confortável, bons agasalhos, bem diferente daquilo que Jesus Cristo viveu e que milhões de pobres no mundo atual vivem. Então decidiu sair de sua zona de conforto e morar no meio dos pobres, em barracas junto a milhares de imigrantes portugueses. 
Após conhecer Abbé Pierre, como era mais conhecido entre os pobres da França o frade capuchinho Henri Antoine Groués, fundador do Movimento Emaús, o Padre Henri entrou para a comunidade como simples companheiro de rua. Em 1972 fundou o Movimento Emaús Liberdade, em Charenton-Paris. Em seguida não se acomodou. Levou a idéia do Movimento Emaús a outros países, inclusive o Brasil. Em Fortaleza existe em pelo menos cinco bairros pobres: Pirambu, Vila-Velha, Jereissati I -Maracanaú e Pajuçara. Para quem não conhece o Movimento Emaús, ele funciona como uma espécie de cooperativa, que recebe doações de móveis usados, eletrodomésticos defeituosos e outros artigos inservíveis, que após recuperados, reformulados, são vendidos nos bazares do movimento. É fonte de emprego e renda para os participantes, uma forma concreta de retirá-los da miséria absoluta.  
A Viagem do Padre Henry de Paris a Roma durou três meses e oito dias. Partiu da praça de Notre Dame, em 15 de junho de 1995. Para sua surpresa, Jürgen Falkenberg, um jovem alemão, que o conhecia do Movimento Emaús resolveu acompanhá-lo, pois temia que ele partisse sozinho, sem experiências de caminhada pelas auto-estradas francesas, pelas travessias de túneis cheios de curvas, alguns deles com mais de 20km de extensão. Todo o percurso teve um roteiro previamente preparado, contendo a distância a ser percorrida a cada dia, algo entre 15 e 20km, dias de repouso semanal, lugares para pernoites e alimentação, que era preparada pelos próprios viajantes. A chegada em Roma se deu a 23 de setembro de 1995, três meses de uma longa caminhada.
Infelizmente, ele não pode ser recebido pelo Papa, que partiria no dia seguinte em viagem a Nova Iorque. Então solicitou ao seu compatriota, o Cardeal Etchegaray, vice-decano do Colégio Cardinalício, para entregar ao Papa João Paulo II uma carta com críticas e sugestões, tudo o que ele sentia. Entre os principais pontos: o excesso de gastos que os países pobres realizavam com as viagens e a segurança em torno do Papa, a condenação que o pontificado dedicou à Teologia da Libertação, citando entre outros, o teólogo brasileiro Leonardo Boff. Também tratou de temas polêmicos como a abolição do celibato para os padres, ordenação de casais e também das mulheres, entre tantos outros, ainda hoje uma esperança de serem postos em prática por reformas mais profundas.
Eu e Magali tivemos a alegria de conhecer o Padre Henry que desde 2009 reside em Fortaleza. Atualmente aos 94 anos, vive com os pobres da Vila Velha, sob os cuidados do advogado Airton Barreto e sua esposa, cristãos autênticos, que deixaram o conforto proporcionado por sua família de classe média, para viver como pobre, entre os pobres do Pirambu e da Vila Velha.    
Por Carlos Eduardo Esmeraldo
Para maiores informações ou aquisição do livro do Padre Henry:
Movimento Emaús Vila Velha
Rua Moraújo, 651 – Jardim Guanabara
CEP  60 346 770 Fortaleza- CE
emausvive@emausvive.org
emausvila@yahoo.com.br

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Eita Nordeste da Peste! – Por Carlos Eduardo Esmeraldo

 

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Longe de mim atiçar o separatismo latente que tem surgido ultimamente nos estados mais ricos do Brasil, entre os quais São Paulo se destaca como líder. Que esse nossos irmãos do sul-sudeste me perdoem. Mas o Brasil nasceu aqui! Nesse Nordeste sofrido, de muito sol, muito calor humano, suor e trabalho. Sem racismo, sem preconceitos, mazelas importadas por imigrantes estrangeiros que trouxeram tais sentimentos impregnados no sangue, como herança genética de seus antepassados, que aqui chegaram das mais diferentes nacionalidades, muitos dos quais provavelmente expulsos de suas pátrias. Aqui, diferente do outro Brasil que o Nordeste viu nascer, vive um povo cheio de brasilidade, irmanados por um imenso sentimento de solidariedade e muito amor à pátria. Sem divisionismo, desde quando foi consolidada a independência do Brasil. O nordestino é antes de tudo um povo rico em cultura e arte popular.
Não é exagero afirmar que o berço da cultura brasileira está aqui no Nordeste! Na literatura temos uma inesgotável relação de escritores que se destacaram no cenário nacional: José de Alencar, Graciliano Ramos, Raimundo Magalhães Jr., Rachel de Queiroz, Humberto de Campos, José Lins do Rego, José Américo de Almeida, Ariano Suassuna, Jorge Amado, Adonias Filho, Aluísio Azevedo, Gilberto Freyre, Josué de Castro, João Ubaldo Ribeiro, Gustavo Barroso, Domingos Olímpio, Jader de Carvalho, Raimundo Girão, Tomé Cabral e muito mais, sem deixar de acrescentar novos escritores cearenses que surgem a cada instante, como os médicos cratenses José Flavio Vieira e José do Vale Pinheiro Feitosa, Everardo Norões, e o já consagrado saboeirense Ronaldo Correia de Brito, além de tantos outros.
Na poesia temos Manoel Bandeira, Castro Alves, Ferreira Gullart, Gonçalves Dias, João Cabral de Melo Neto, o cratense Wellington Alves e o nosso genial Patativa do Assaré.
Na música popular, as mais belas canções do cancioneiro brasileiro com uma rica variedade de ritmos musicais, nos quais se destacam nacionalmente os cantores e compositores: Luis Gonzaga, Dominguinhos, Caetano Veloso, Gilberto Gil, Dorival Caymi, Morais Moreira, Pepeu Gomes, Fagner, Belchior, Ednardo, Zé Ramalho, Alceu Valença, Elba Ramalho, Chico Serra, Zeca Baleiro, Lenine, Geraldo Azevedo, Gal Costa, Maria Bethânia, Ivete Sangalo, Cláudia Leite.
Apenas uma breve amostra da riqueza cultural imensurável de que o nordeste é possuidor. Para o pessoal do outro Brasil conhecer, tem que pisar o solo nordestino, conhecer nosso sertão, conviver com a poesia que brota do nosso viver, dentro da nossa caatinga, com plantas que são somente nossas e muita sabedoria popular do nosso povo. 
Por Carlos Eduardo Esmeraldo    

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HOMENAGEM DA SEMANA


CORREINHA

O Chapada do Araripe presta homenagens a um dos maiores mestres da cultura popular que faleceu em Crato recentemente, Francisco Correia de Lima, o Correinha, artista de várias linguagens atuante no município do Crato. Mestre Correinha nasceu no município de farias Brito no dia 14 de fevereiro de 1940, mas era um amante inveterado do Crato, município ao qual costumava fazer referências em suas canções. Talvez por não ter tido seu nome incluído nas listas anuais de mestres reconhecidos pelo Governo do Estado desde 2004, mestre Correinha tenha sido sepultado em meio a homenagens comoventes de moradores do município, mas, como ressaltaram amigos e familiares, sem o devido destaque por parte do Poder Público. Situação destacada durante a sua missa de corpo presente, enriquecida pelo acordeon de Hugo Linard, com quem Correinha gravou recentemente, 15 canções que agora constituem o último registro de sua obra. Segundo o próprio Hugo Linard, as canções registradas nesse último trabalho de Correinha em estúdio são, na maioria, inéditas. ´Ele gravou também ´Belezas do Crato´, mas as outras não tinham registro´, diz, citando canções como ´Coisas do meu sertão´, ´Exaltação a Barbalha´, ´Crato de Açúcar´ e ´Meu Cariri´ e ´Balanceio´. ´Fazia tempo que a gente tava cutucando ele, dizendo que ele tinha que gravar de novo. Ele fez dois compactos e outros discos, no tempo do vinil, além de vários cordéis´. Hugo Linard chama atenção para aspectos peculiares da trajetória de Correinha. ´Ele mantinha um bar aqui no Crato e ainda trabalhava como agente carcerário. Era tão querido que os presos pediram à família por ocasião do seu velório, para deixar um pouco o corpo dele lá na cadeia, para eles o homenagearem´.
Dalwton Moura

Jornal do Vicelmo

Todos os dias na Rádio Chapada do Araripe - Internet, a partir das 07:00, ouça o Jornal do Cariri com Antonio Vicelmo. O Jornal é retransmitido da Rádio Educadora do Cariri em tempo real. Você pode ouvir o programa através da nossa imensa rede de Blogs e websites. Alguns programas antigos estão disponíveis no nosso website Jornal do Vicelmo.

AUXÍLIO À LISTA

Dicas de Filmes



Por trás de todo o grande homem se esconde um professor, e isso era certamente verdade para Bruce Lee que aclamava como seu mentor um expert em artes marciais chamado Ip Man. Um gênio do Wushu (ou a escola de artes marciais da China), Ip Man cresceu numa China recentemente despedaçada pelo ódio racial, radicalismo nacionalista e pela Guerra. Ele ressurgiu como uma Fênix das Cinzas graças à suas participações em lutas contra vários mestres Wushu e lutadores de kung-fu - finalmente treinando icones de artes marciais como Bruce Lee. Esta cinebiografia do diretor Wilson Yip mostra a história da vida de Ip.

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