Estrangeiros de si – Por: Emerson Monteiro

 

Quer saber mais dos reais propósitos, finalidade última de andar este chão de tantos mortos, em que pisar faceiro representa o desfile das gerações. Numas dessas tardes de sábado quando acontecidos seguem apesar dos trâmites equivocados e suas rotinas, imensos vazios parecem tomar conta das circunstâncias, na lembrança vaga da luz na consciência a procurar o sentido.
Contudo a quem escreve cabe o solitário dever das respostas, invés de perguntar; autor presente, leitor ausente… Leitor presente, autor ausente.
estraangeirosNisso, algumas vezes, questões podem vir nos aspectos comuns, meandros e impressões onde viver significa reunir experiência.
Por exemplo, quando padecem as dores atrozes de existir, criaturas se submetem ao crivo de penas atrozes, tragédias aos olhos da rua, das residências, dos hospitais, manicômios, presídios, becos escuros, vilas descalças. Período em que outros, no tempo ao lado, riem e festejam turnos ilusórios, tronos atapetados, parques alegres, salas de espetáculo, estádios, mostras faraônicas do estado sólido da matéria, puros adiamentos.
Desta forma, entre lágrimas e sorrisos, há distância infinita, não superior, no entanto, a milímetros estreitos que dividem dois lados de uma mesma moeda.
Aquilo de lembrar vizinhos abandonados dos amantes fogosos, flagrante impõe na contradição à roleta da sorte, na escola do mundo.
E cresce o enigma de viver diante da lei da compensação: Alimentar sonhos de felicidade perene em meio às guerras e crises, valores da busca incessante do ser. Noutras palavras, equilibrar os pratos da balança da fortuna requer mínimo de senso de justiça, princípio de não fazer ao outro aquilo que não quer a si, nas palavras de Jesus.
Afirmações exigem, pois, esforço de transmitir intenções claras, que representa a luta de encontrar o Si próprio, no intuito de superar a trajetória impermanente de morar um corpo de carne até chegar a espírito puro, sublime instante da revelação final da essência.
Todos, sem exceção, transitam nessa faixa de personalidade com destino traçado de chegar a ser eterno, percurso das vidas reencarnadas. Ninguém vem aqui só a passeio. Nas horas amargas dos conflitos, afloram possibilidades do infinito, encontro com o Eu verdadeiro, na morte da vida temporal e no renascimento para a Vida.
Este parto cósmico requer conhecimento e renúncia, qual largar a Terra rumo às estrelas, invés de peregrino. Nessa hora de chegar à casa do Pai celestial, fruto dos degraus da natureza, calados, romperão o peito os solitários humanos, nascidos no âmago do coração. Assim, primeiros raios do sol da manhã invadem a alma com o brilho das bênçãos, cessando dores lancinantes, malhas do aço resistente da esperança, em atitude certeira do amor de Deus em nós.

Emerson Monteiro

Não veio de fábrica? – Por Carlos Eduardo Esmeraldo

 

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Quem ainda ao comprar um carro em qualquer concessionária não foi abordado por vendedores insistentes oferecendo gel protetor dos assentos, liquido que conserva a pintura, presilhas de plásticos com refletores de luz para sinalização das portas e tantas outras coisas a mais, todas elas desnecessárias? Não sei se hipnotizado pela boa conversa do vendedor, ou muitas vezes para se livrar dele, caímos na tolice de comprar, mesmo sabendo que estamos com o saldo bancário zerado pela comprar de porte que realizamos, com pagamento à vista ou cheios de prestações que podem durar até vinte e quatro meses.

Pois vou passar uma receita que aprendi com o meu saudoso sogro, o Dr. Aníbal Figueiredo. Se ao sermos abordado por qualquer vendedor, do mais requintado, daqueles que o sujeito pede uma caixa de absorvente e o vendedor termina vendendo até barco a motor, aos mais simples vendedores de óculos escuros tirando nosso sossego na praia.

Basta fazer a pergunta acima. ""Não veio de fábrica"?  A resposta geralmente é negativa. "Então, não é necessário", emendamos imediatamente. Ao aplicar essa salvadora pergunta o vendedor vai embora de fininho. Já consegui desarmar os argumentos de todos os vendedores que me procuraram no momento de fechar qualquer compra, até nas lojas e grandes magazines.

Testem a sugestão e boas compras .

Carlos Eduardo Esmeraldo – Membro do Blog do Crato

As tantas camadas de mim – Por: Emerson Monteiro

 

Falar de si pesa, por isso deixa uma margem às longas falas sobre ética, pois não existe ninguém que mais precise de correção do que quem se conhece melhor que é o si mesmo. Avançar passo a passo nesses escombros fumacentos do eu em profusão, largos retalhos abandonados de esquinas sujas onde a luz só de longe não dobrou, onde marcas profundas insistem ficar feitas nódoas que alimentaram o próprio ego do desgosto das derrotas antigas, e ali permanecem olhando indiferentes das janelas dos prostíbulos, nas ações mal costuradas. São remorsos, mágoas, recalques, frustrações, aquelas histórias grosserias que acumularam no lago da gente, de que inexistiam meios de fugir, pela ignorância de permanecer no erro, testemunhas que fomos de acusação do si no processo da consciência…
madrugadaABom, diante disso, no entanto, há de haver meios de reconstituir o quadro dramático das luas que transcorreram na caminhada, recursos nascidos da esperança de construir o itinerário através de sentimentos essenciais dos espíritos em crescimento. Escapar das lamas do inferno. Dar um basta naquilo que foi sem perder a condição de continuar sendo pelos infinitos da galáxia. Recorrer aos contadores de conchas mágicas nas praias siderais. Prever um novo destino aos vilões que somos. Alimentar sonhos de percurso atual e completar o caminho antes do Paraíso desaparecer da imaginação, da reconquista.
Que houve um tempo de inocência jamais esconderia, porquanto a maldade surgiu depois quando a preguiça de fazer o bem mexeu nas entranhas dos elementos humanos, nas horas do prazer a quaisquer preços ou limites, do apetite voraz degradante da ambição tomar conta do eu… E aqueles entes vindos ainda alegres, felizes, ingênuos, quais exilados de festas, e passaram a percorrer vistas grossas pelo outro lado da muralha, olhos presos das sombras. Ali perdiam a força original da existência, caiam do equilíbrio e jogavam fora a leveza da vontade pura em favor das facilidades, esquecidos do bem maior de todos.
Hoje sigo assim tal zumbi à busca da luz do Sol das almas, que clareia as alvoradas de paz e verdade, bem diferente das vendidas ilusões, sangue provável da vitória na persistência.

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Fique Por dentro ! – Por Maria Otilia

 

Feriado de 25 de Março, no Ceará.

Uma Emenda Constitucional aprovada em dezembro de 2011 pela Assembleia Legislativa do Ceará e promulgada com divulgação no Diário Oficial do Estado determina como Data Magna do Estado, o dia 25 de março. A data escolhida é uma menção ao dia da abolição da escravidão no Ceará. Com isso, de acordo com lei federal, o 25 de março é considerado feriado. 

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A emenda é de autoria do deputado estadual Lula Morais. "Essa data significa o marco para a história do Ceará e do Brasil para acabar com a escravidão. É o nosso reconhecimento a esse importante ato", exalta o deputado.

Nosso Estado foi palco de relevantes movimentos abolicionistas, que denunciavam, pela imprensa, os abusos cometidos pelos senhores de escravos e combatiam o comércio negreiro entre estados. Como representante do povo cearense, não hesitei em apresentar essa emenda. Ressalta o parlamentar.

Ainda de acordo com ele, a data é uma oportunidade para lembrar todos aqueles que lutaram pela liberdade e a democracia.

O Ceará é muito mais do que a terra da luz, sendo denominado de ‘Berço da Liberdade’ pelo abolicionista José do Patrocínio. No dia 1º de janeiro de 1883, a Vila do Acarape, atual Redenção, emancipou seus escravos quase um ano antes da província do Ceará. Assim, o município é conhecido como Rosal da Liberdade. Destaca.

Lula Morais explica, ainda, que essa atitude dos antepassados cearenses, há mais de 100 anos, tem repercussão hoje, pois, devido ao fato histórico, Redenção é sede da Universidade da Integração Internacional da Lusofonia Afro-Brasileira (Unilab).

Texto extraído do portal  CNEWS.com

Urgência de paz – Por: Emerson Monteiro

 

Canoa1Qual diz a música, nada muda se você não mudar. Mudar o jeito de administrar a vida, olhar para dentro de si, mergulhar nos lugares profundos da verdade que cabe a nós descobrir com ânimo e atitude. Querer ser sincero consigo e com os demais. Todos nós temos nossas carências, limitações, melancolias em horas mortas, porém é levantar a cabeça. Olhar o mundo com outros olhos. Sinta que há um Poder maior que nós que nos guia ao Infinito. Segurar a disposição de bem viver. Trabalhar. É uma luta mesmo, contra o inimigo invisível do desgosto. Consiga acreditar em algo que não seja só o imediato, as frustrações do dia a dia. Ergue a si dos próprios pés. Carinho não se acha a toda esquina, mas existe em algum lugar e esse lugar é dentro da gente. Satisfação, os seus sonhos de paz em se conhecer com vontade e disposição de refletir um mundo novo a partir do seu sentimento, seu coração. Todo tempo é dia disso, de reviver e viver com intensidade. Ter fé, consciência de que ser pequeno precisa que olhemos mais algo, no sentido de uma vida plena de luz e amor. Tudo conspira em favor dos que amam de verdade, independente das insatisfações da maioria. Somos um ser completo, precisa só que aceitemos isto com a coragem necessária. A existência que tanto desejamos já existe quando nascemos e crescemos. O mais é amizade e gosto de usufruir a história da pessoa e do Universo dentro do mais íntimo de nós mesmos. É hoje o dia dessa transformação urgente que tanto comentamos e tantos reclamam. Estirar as mãos aos lugares santos da compreensão individual, morada plena de perfeição a despertar no viver das criaturas que abrem a consciência ao Sol da clareza. Aportemos nesse lugar seguro de maravilhas e promessas, leveza e aspiração de Felicidade. Estude com carinho a vida e o tempo. Descubra um jeito de ser feliz ainda hoje.

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O Dia da Água – Por: Emerson Monteiro

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Nos dias 22 de março, a humanidade resolveu dedicar 24 horas a um dos bens mais essenciais do Planeta. Inquestionável a importância da água nas nossas vidas. Para sobreviver, o ser humano não consegue fazê-lo sem o líquido tão precioso.
Somos seus dependentes diretos. Dela carecemos com toda a sua importância, e cuidamos pouco (quase nada) dos recursos hídricos. Abusamos. Desperdiçamos. Poluímos, indiferentes e à toa. Por causa disso, a Organização das Nações Unidas escolheu uma data para lhe homenagear. A família humana carece levar isso a sério durante cada minuto, cada hora. Haverá mil maneiras de melhorar o tratamento que damos à fonte viva da existência na Terra.
Preservar mananciais; regular o uso das fontes, assunto por demais crucial. Assegurar fornecimento próprio às populações sobretudo menos aquinhoadas (748 milhões não têm água potável). Estabelecer regras claras e praticá-las dentro dos prazos urgentes da conservação dos recursos naturais; também das águas salgadas, nos oceanos e mares (Esgotos em rio é a mais perversa forma do desperdício).
Em relatório sobre o desenvolvimento mundial da água, a Organização das Nações Unidas manifestou apreensão quanto necessidades e abastecimento, e afirma que os mananciais estão secando de modo acelerado, em face do crescimento populacional, da poluição e do aquecimento global, o que reduzirá, nos próximos 20 anos) em um terço a quantidade de água disponível por pessoa.
De acordo com o documento, a quantidade de água per capita vem caindo desde 1970. As reservas de água estão diminuindo, enquanto a demanda cresce de forma dramática, em um ritmo insustentável, considerou Koichiro Matsuura, diretor da Unesco.
Do acervo que cobre 70% da superfície do globo, 97,5% significam água salgada. Dos 2,5% de água doce restantes, quase dois terços estão congelados nos polos. Dessa água doce disponível, 70% se usam na agricultura, o que, em face da ineficiência dos sistemas, ênfase aos países em desenvolvimento, 60% evaporam ou são devolvidos sem utilização. 50% da água potável esvaem por vazamentos e sistemas ilegais, enquanto 90% dos esgotos e 70% do lixo industrial retornam às águas sem prévio tratamento.
Enquanto poderosos veem só o lucro imediato, algo clama atitude consciente na utilização dos meios oferecidos pela Natureza mãe.

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Quando o amor acontece – Por: Emerson Monteiro

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Isso de contar tristeza nas melodias, decepções amorosas, desgostos, frustrações, já chega. É só acreditar no sonho e mergulhar de corpo inteiro na luz das possibilidades infinitas. Imaginar uma estação que toque o canto dos pássaros de cada manhã o tempo todo. Abrir as cortinas da imaginação promissora e acordar do pesadelo das noites escuras. Ver de olhos claros a beleza do dia. O esplendor deslumbrante das serras emolduradas de sol, as matas verdes floridas de sentimentos bons. Margens cheias de rios limpos e suaves. Portas abertas de novidades e pensamentos leves que enalteçam construções de mundos ricos de solidariedade e harmonia.
Portanto cabe aos místicos de hoje em dia saber de quando haverá paz nos corações e o exercício da real democracia nos poderes em voga, desejo incontido de séculos a revivescer nas pessoas previsões dos maiores profetas, da iluminação dos poetas e filósofos nos ideais, as músicas de jeito romântico nos territórios infinitos do provável.
O reino que ainda não é deste mundo, de que fala Jesus, habitará com isso as consciências. Máquinas de aspirações populares, elas produzirão o alimento de cada dia no trabalho, na família, no senso da esperança que prevalecerá nesse heroísmo honeste de tantos a mover o Universo. Eles, os guerreiros das madrugadas frias na busca do pão, que entregam o melhor de si à sobrevivência dos entes amados. Raspam as lágrimas do esforço e constroem alternativas, apesar do critério deficiente das escolhas políticas do passado remeto. Saem de casa dispostos a rever o plano da existência e traduzem na fé o gosto da felicidade no dever cumprido com alegria.
Chegará, sim, no entanto, esse momento de revelar a certeza em tudo que há, interpretação inevitável do enigma da esfinge que abrirá o peito à justiça mais justa, fará das tripas o coração, descobrirá o mistério vivo da religião no seio do espírito e conhecerá o quanto de riqueza se perpetuará nas virtudes.

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Flagrantes de memória II – Por: Emerson Monteiro

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Do espaço nebuloso das lembranças, consigo reconstituir a primeira imagem que gravei do Seminário São José, vista de baixo, da Rua José de Alencar, entre as ruas Pedro II e José Carvalho, trecho onde primeiro morei em Crato quando chegara de Lavras da Mangabeira, em l953, ano do Centenário da Cidade.
O tradicional estabelecimento católico lá em cima se afigurava qual prédio sombrio, enegrecido pelas marcas do tempo escorrido na pintura a cal amarelecida, com manchas de lodo pela parede fronteira, meio encoberto por cortina de eucaliptos depois cortados. Destas árvores, quais frutos insólitos, balançavam ao vento urubus friorentos, vindos das imediações onde ficava o antigo matadouro público, lá nas bandas do Alto da Independência.
Outro aspecto nítido, que não me esqueço desse Crato de algumas décadas, o footing da Praça Siqueira Campos, desfile das pessoas a circular o passeio onde afluía surpreendente multidão aos sábados e domingos à noite.
Uma expectativa quase incontida perpassava a semana inteira, sobretudo de rapazes e moças. Tão logo se punha o Sol, movimento inusitado ativava a população. De todos os lados, nos melhores trajes, jovens e adultos preenchiam as ruas do centro.
O logradouro não demorava a fervilhar de gente, qual numa quermesse mágica. Luzes fortes, jardins bem cuidados, dezenas de carros parados em volta, o Cine Cassino movimentado e o som da Amplificadora Cratense, a envolver dramas e comédias, desencontros e encontros, numa algazarra multiforme.
As mocinhas, de braços dados, principiavam a girar; grupos de três, quatro, ou até mais, num animado carrossel, enquanto os homens, atentos e conversadores, se postavam em torno, nas laterais do circuito humano, olhos acesos na beleza feminina.
Da observação espontânea que se estabelecia, se davam as trocas de interesses, nos chamados flertes, aos primeiros toques de simpatia.
Só depois, com as mudanças trazidas pelo progresso,começos dos anos 70, junto dos sinais de televisão que chegavam, sumiria essa festa interiorana, após deixar rastro de uniões feitas ou desfeitas, nas histórias familiares dos que ali se conheceram em momentos inesquecíveis. De se olharem, confirmadas as preferências, os rapazes acompanhavam a escolhida em mais outra volta da praça, seguindo ambos, depois, no sentido da Praça da Sé, onde quase sempre havia bancos vagos para o início dos namoros, umas vezes, fugazes; outras, prenúncio de casamento.

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Dona Ciça do Barro Cru – Por: Emerson Monteiro

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Início dos anos 70 e cruzaria o Rio São Francisco pela primeira vez indo viver um tempo em Salvador. O coração, no entanto, permaneceria no Cariri, onde deixara amigos e sonhos. Vez em quando vinha de volta; férias ligeiras. Atualizava as descobertas e percorria os pontos de toque na ânsia que juntava saudades e novas amizades.
Presenciaria, nessas vindas, o seguimento intenso daquilo que deixáramos no campo de arte e cultura bem característico da geração de 1968 no Crato. Conheceria de perto Rosemberg Cariry, Jefferson Junior, Jackson Bola Bantim, Geraldo Urano, Luíz Carlos Salatiel, Carlos Rafael, Múcio Duarte, Ivan Alencar, Lídia Batista, Pachelly, Alberto e Abidoral Jamacaru, Magérbio Lucena, Deca (José) e Márcia Figueiredo, Célia Teles, e outros mais, que formavam o Grupo de Artes Por Exemplo e realizaram, no transcorrer daquele período, os Salões de Outubro, dentre outras marcantes atividades, revelações que abrangeriam festivais da canção, filmes, fotografia, pintura, desenho, xilogravura, escultura, teatro, jornais, livros, sob o prisma de vitalidade poucas vezes consignada, evidenciando proposta de liberdade, criatividade e contestação dos valores burgueses ainda vigentes na sociedade nordestina dos interiores.
Nessa fase buscava acompanhar as pesquisas do grupo. Sempre achava novidades, sobretudo com relação à cultura popular. Através dessas viagens, tomaria ciência de valores quais Ciça Louceira, Dona Ciça do Barro Cru, Zé Ferreira, Nino; chegaria mais próximo de Stênio Diniz, Mestre Noza, Patativa do Assaré, todos eles expoentes valorosos do patrimônio cultural caririense.
Isso serviria sobremodo para aumentar o meu gosto pelo nosso povo e querer regressar, o que ocorreria já em 1977, quando, inclusive, ao lado de Luiz Karimai, Gilberto Morimitsu, Isabelisa Cordeiro e alguns daqueles artistas antes citados, realizaríamos Salões de Outubro, naquele ano e no ano seguinte, 1978.
Dentre os destaques que mais prezo daquelas lembranças, que trabalhava e trazia para vender suas produções nas feiras de Crato e Juazeiro do Norte, Dona Ciça do Barro Cru marca de modo indelével sua presença, dada a integração que mantinha com os seus bonecos de barro tão carinhosamente confeccionados, estatuinhas que algumas vezes levaria comigo para presentear os amigos da Bahia. Eram personagens quase vivos do imaginário popular, que, ao lado da artesã de características próprias e inconfundíveis, preenchiam o espaço nos dias mágicos da nossa geração eficiente.

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Arte moderna – Por: Emerson Monteiro

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O século XX renovou as possibilidades da expressão artística, quebrando de uma vez por todas com a tradição de que apenas houvesse jeito único de se perceber a realidade. Por causa disso, o indivíduo médio pôde externar com independência seu jeito de mundo, sob padrões estéticos livres da camisa-de-força que predominava na arte mundial até aquela data.
Essa conquista de expressão rompeu as rédeas do conformismo e trouxe alternativas ao gosto clássico e à comunicação. Nos campos da pintura, por exemplo, os criadores das obras impressionistas forçaram e conseguiram impor, na tela, outras figurações, usando de técnicas inéditas de representar a imagem real.
Aquilo de copiar a forma tridimensional do espaço transferiu-se às mãos de fotógrafos e cineastas, por força dos meios técnicos recentes. Enquanto que, ao talento dos pintores, coube o rompimento das barreiras do visível infinito.
Nesse período, as duas grandes guerras reviraram pelo avesso os dogmas da cultura, sobretudo na Europa. Desestabilizaram do poder a senhora vaidade, dona absoluta das leis do cotidiano. Viam-se, pois, perdidos a perenidade e o insustentável que prevalecera durante largos séculos.
Tal estilo transformador de reinventar o olho levou os artistas a conquistar territórios inimagináveis, na história de representar a beleza.
Todavia, por conta dos acontecimentos dessa primeira metade de século, afloravam os mais diversos confrontos de opinião. Reações contrárias às aquisições da estética explodiam em quantidade, nos salões e nas ruas.
Grandes mestres da pintura, quais Salvador Dali, Picasso, Van Gogh, Gauguin, Renoir, Pissaro, Modigliani, Max Ernst, Paul Klee, dentre outros, amarguraram penas dolorosas, no afã de mostrar as suas conquistas ao grande público.
A propósito desse clima, registrou Stephen Nachmanovitch, no livro Ser criativo, incidente certa vez verificado, numa viagem de trem, quando cidadão francês reconheceu, no passageiro ao lado, nada menos do que o célebre pintor Pablo Picasso, responsável por inúmeras produções bem características da época revolucionária.
No instinto de aproveitar da oportunidade, o viajante principiou a resmungar e dizer o que bem pensava da arte moderna. Mostrava-se impiedoso quanto à forma dela representar a realidade. Que não dispunha de precisão, de fidelidade naquilo a que se propunha.
Nessa hora, paciente, o pintor espanhol reagiu para indagar do homem o que ele considerava ser uma representação fiel da realidade.
Na mesma hora, o interlocutor sacou da carteira uma fotografia da própria esposa e indicou:
- Eis aqui. Isto é o que considero uma imagem real.
Picasso segurou a foto, analisou-a de vários ângulos… Frente, verso, lado… Por fim argumentando:

- Mas como a sua mulher é pequena! E, acima de tudo, chata, posso, com certeza, concluir – daí, então, devolveu ao parceiro sua fotografia, e o silêncio de novo mostrou a face.

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Fique Por dentro ! – Por Maria Otilia

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Muito  tem se falado sobre a necessidade de uma reforma política no Brasil. A partir das manifestações em 2013, este assunto    passou a ser mais discutido. Na mídia, a temática sobre Reforma Política foi bastante discutido. Mas afinal  em que consiste a reforma política que tanto almejamos ?

A Reforma Política pode ser compreendida  como  um conjunto de intervenções para a reorganização de um sistema político brasileiro. 
Haja visto que desde a Assembleia Constituinte Nacional (1987/1988), em nada foi modificado .A partir do ano de 1990, este assunto  realmente passou a ser mais discutido, sendo  destacados  os seguintes pontos.:

1.A reorganização ampla das regras do sistema político de financiamento de campanhas;

2.A criação de novas instituições capazes de aumentar a participação e os diferentes padrões de interação entre instituições representativas e participativas ;

Atualmente ainda não existe um consenso  sobre quais são as reformas necessárias para que o sistema  político brasileiro se configure numa verdadeira democracia. E alguns pontos passam a ser prioridades tais como:

. Financiamento público de campanhas;

. Lista fechada;

.Clausula de barreira;

. Proposta de um Sistema Nacional de Participação;

. Forma de eleição dos parlamentares;

.Quantidade de partidos.

Para Marcos Vinícius Furtado ( OAB), mais importante do que um plebiscito, referendo ou constituinte, é apostar em um projeto de lei de iniciativa popular, como por exemplo da Lei Ficha Limpa.  Que  sistema eleitoral propicia ao eleitor saberem quem está votando. No sistema atual, o povo vota em um e elege outro.

A sociedade como um todo, não vai mais admitir uma legislatura sema a reforma política.

Daí ressaltamos , que   a hora é essa  independente de siglas partidárias, de paixões políticas, levar esta discussão para todos os setores da sociedade civil e organizada.

                                   Abrace você também, esta causa. REFORMA POLÍTICA JÁ !

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Trabalhar o pensamento positivo – Por: Emerson Monteiro

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Reunir os meios necessários de criar condições de alegria todo tempo, eis função importante e urgente de transformar o mundo em volta. Criar estrutura mental de conduzir a nossa força psíquica no sentido de trabalhar a natureza em forma de valores coletivos que ofereça as condições de ser feliz. Somos o instrumento dessa produção. Dominar o poder ao nosso dispor e encontrar a matéria prima dos sonhos.

A característica marcada dos tempos dagora, pois, nada mais indica do que fase quando a tecnologia oferece recursos preciosos de construir o futuro aumentando o conforto e as chances de produção ampla de riquezas, permitindo dilação do prazo de sobrevivência, numa democracia inigualável nascida durante longos milênios de lutas e pesquisas.
Por isso, nunca antes houve as possibilidades atuais de conhecer tantos assuntos e poder desempenhar papéis justos no palco da real felicidade, o melhor dos cenários com recursos de construção interior das criaturas quais exímios pintores munidos de bons materiais e belas paisagens.
Grandes mestres, das várias horas, refletiram a digna resposta quanto saber dispensar o supérfluo e busca a utilidade na saúde, na inteligência, na fraternidade humana, despertando métodos de evitar as sensações dolorosas do ser. A angústia que caracterizou épocas quer-se agora longe das práticas de vida, ampliando o senso das possibilidades, oferecendo ao máximo o direito à paz do coração.
Saber-se fértil no ato de produzir imagens claras de boa vontade e virtude reveste-se no rio permanente do tempo, flagrante salto de qualidade sempre esperado naqueles que aprenderam as lições.
Em épocas críticas, todos precisam levantar a cabeça e buscar forças internas, por vezes desconhecidas, mas de primordial importância na preservação do gosto de viver. Nesses períodos, as responsabilidades de um veículo de comunicação crescem, razão de lhe caber papel estratégico na manutenção do espírito elevado

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Gritos do coração – Por: Emerson Monteiro

 

A soberba de querer durar todo tempo, predominar semelhante aos imperadores arcaicos, jamais sobreviveu para sempre nas ocorrências humanas. As prepotências de semideuses que os personagens do chão desempenham viram só frustração, ruínas, farrapo, pedaços de ego enlameados, poluição. Velhos trilhos enferrujados da sorte rápida invertem o sentido, deixando marcas, e indicam a religiosidade necessária, verdadeira, tal instrumento de salvação ao sabor do Infinito.

Por vezes, o sangue gela nas veias e reclama tranquilidade, paz de superar obstáculos que se interpõem à caminhada dos dias, contudo tais super-heróis impertinentes são chamados a cumprir as ordens do momento, e os ventos enfurecidos limitam a capacidade de enfrentar e ferir as resistências. Por mais ostentemos sabedoria, o enredo dessas aventuras pede serenidade. A certeza de saber quantos segredos ainda resta receber dos tempos, porém, conduz cada passo ao conteúdo de Deus, que fala bem alto no escondido coração, cara a cara com o desconhecido, severo apaziguador das horas hostis.

Crer se torna, por isso mesmo, razão de domínio das alternativas aos nossos olhos. Entregar a quem pode a direção dos instantes inesperados da angústia, do desespero, há, pois, coerência na transmissão dos resultados a níveis superiores de consciência o direito de receber esse gosto de piedade divina, dotes imortais da Criação.

Diante de acontecimentos de qualquer época, quando pareceu que a terra sumiria dos pés da gente face à dimensão quase invencível das dificuldades, bem aqui existe o sentimento forte de crer no poder maior de tudo, e as ondas imensas da tempestade em fúria repõem os elementos no seu devido lugar. Fenômenos da história cumprem assim o seu papel harmonizador qual função natural de trazer fatores originais ao total reequilíbrio, desde que se possua a frieza necessária de somar fé e confiança à equação que efetua os cálculos das vivências de toda pessoa.

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Algemas douradas – Por: Emerson Monteiro

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Um tema que insiste retornar à preocupação, por conta da monstruosidade que representa e das dificuldades que acarreta, são as drogas. Sobretudo pessoas jovens caem nas malhas do vício e nem a sapiente ciência moderna consegue demovê-las, convencê-las de largar a isca envenenada que mata pouco a pouco, destruidora de sonhos e animal feroz que a tudo devora. Junto com vários outros entraves da organização social, tal facilidade circula sorrateira nos antros comerciais da clandestinidade, invade lares, destrói famílias, suga a seiva da juventude, sem que quase ninguém ainda  descubra alternativas de solucione o drama.

 

Par a par com isso, o quadro representa continuação do espírito mercantilista da civilização contemporânea. Brincar de dominador e chegar ao poder pela porta dos fundos agrada com facilidade os invasores. De modo frio, cínico,  mercadores negros justificam no lucro a qualquer custo a fome de avançar, independente do preço pago por quem sofre ganância de canibais esfomeados. Coletar ganhos e levar a melhor, saciar desejos, sobreviver e juntar patrimônio; cifra, cifras, cifrões.
Nenhum sentimento de remorso parece acordar a consciência dos tais predadores dos semelhantes, principais vítimas das próprias unhas afiadas e do apetite indomável que nutre os doentes senhores da conquista.
Adquirir riqueza por meio de jogos de azar, exploração da prostituição, da indústria e do comércio das armas e da guerra, no desespero das ruas assustadas, na insegurança do desemprego e da miséria, poluição e destruição irracional, eis a prática dos gigantes financeiros que cozinham gerações sucessivas, de gafo e faca em punhos, diante do balcão alucinado das metrópoles indiferentes.
Quadro dantesco serve, pois, de cenário ao turno artificial do momento geral. Fumaça, acrílicos, sirenes, burburinho de cidades monótonas, cálculos estruturais, pistas asfálticas, antenas, vídeos, câmeras ocultas, vazios, sinais avermelhados, tédio e solidão.
Pessoas aflitas, com isso detonam a máquina do cérebro no uso de drogas concentradas, sob o pretexto frouxo do prazer e da falta de saída. Nada justifica, no entanto, a providência suicida, que só representa deserção e covardia. Jamais fugir; lutar sempre e chegar às soluções. Nenhuma porta se abre a quem se perdeu no caminho. Em tudo, haverá os dois lados de ver a vida seus arrodeios. Dos animais, os humanos detêm, na própria face, a luz da certeza.
Enquanto perguntas vagam pelo ar, o comboio vence obstáculos, guiado na esperança da cura em que fermentam sonhos reais de um futuro próspero. Mesmo que horizontes pareçam distantes, meios existem que os aproximam e indicam respostas positivas na luz da Esperança sadia.

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Crato, Terra de Políticos pobres e Tímidos – por Pedro Esmeraldo

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Se folhearmos a historia passada do Crato, notamos que os coronéis de antanho tinham mais vibrações amorosas pela cidade do que estes políticos de hoje. São pobres em ações, tímidos por natureza, não reagem aos insultos do inimigo número um e permanecem na leniência deixando-o o município entregue ao Deus dará.

    Apreciamos, nesse caso, estimular os políticos. Solicitamos que criem ânimos e venham acordar, fugindo do acanhamento excessivo a fim de caminhar com regular trabalho para se estender ao funcionamento do desenvolvimento equilibrado.

    Sejam destemidos senhores e lutem em defesa do seu município. Não deixem cair o Crato na bancarrota e na ociosidade do desespero que é hora atravessar, evitando os espinhos de mandacaru e irem à frente com o desejo de impedir fraqueza desses políticos inconsequentes.

    Crato mais uma vez está jogando as cartas fora do baralho e não possui ações de desprender desse marasmo.

    Lutamos pela igualdade progressista. Olhem que não temos mais participação de movimentar os políticos como eram os de antigamente, nem tão pouco à efetivação da participação do comando das extremidades superiores do corpo pertencente à nação cariri.

    Não correspondemos mais com força total. Não retomamos a sucessão ininterrupta e gradual do desenvolvimento do município.

    Isso e um absurdo, um desdoiro, um descaso provocado pelos políticos maldosos ao desenvolvimento sustentável que é a utilização de recursos naturais e racionais que atendem às necessidades humanas.

    Infelizmente, esses políticos de hoje são apáticos, insensíveis, e levam o Crato ao grau de forças negativas, impedindo-o de crescer, pois, procuram impedir o eixo essencial para soerguer no caminho reto com o desejo de crescer nos tempos modernos: que é a igualdade e o desejo total de seguir a mesma rota desenvolvimentista favorecendo com tenacidade procurando subir ao cume da montanha que nos leva ao caminho da igualdade e do desejo de todos seguirem o mesmo caminho com firmeza e coragem do desenvolvimento.

    De vez em quando, afirmamos com muita tristeza, aparecem alguns políticos maldosos de outros municípios, falando à toa, pedindo votos com humildade para alcançar seu objetivo que é adquirir a qualidade de caracterer e a fidalguia no caminho da nobreza.

    Mas esses políticos provenientes do outro município só vem atrapalhar os nossos moradores, pisando mansinho no coreto da igualdade. Dizem que os nossos políticos nada fazem pela cidade e eles por tanto veem mostrar que serão útil a terra comum para depois de conquistar o que desejam, mudarem de atitude, tornando-se inimigo e fazem totalmente o contrario do que diziam antes.

    São asquerosos, inconsequentes e por certo desejam atuar no caminho tenebroso que sonharam em deixar a cidade como ponto de dormitório do Cariri.

    Haja coragem, haja força de vontade, não podemos esmorecer e devemos permanecer no mesmo caminho de tenacidade, falando grosso, gritando com toda a voz do seu pulmão, não mexam com Crato, sejam amigos e queiram crescer com amor e respeito à cidade.   

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As mordomias da ilha – Por: Francisco José ( Jornalista Cratense )

Brasilia

Tudo começou quando Juscelino Kubitscheck de Oliveira,  decidiu, ainda na já distante década de 1950, transferir a Capital Federal do Rio de Janeiro para as vastidões do Planalto Central. O projeto de Brasília era antigo, mas coube a JK materializá-lo. Entre as muitas justificativas, a de que a Capital no centro-oeste iria impulsionar o crescimento do País para aquela parte do território brasileiro. Outro argumento foi o da segurança. No litoral, a sede do Governo estaria vulnerável a um ataque pelo mar.

Como era de se esperar, Juscelino enfrentou muitas resistências, a começar da velha UDN, liderada por Carlos Lacerda, que se opunha ferozmente ao projeto de construção de Brasília. Na imprensa não foi menos diferente e entre os opositores do projeto estava Assis Chateaubriand, o então todo poderoso presidente dos Diários Associados.

Vencidas as resistências na área política e aparadas as arestas no meio jornalístico, Juscelino lançou-se à aventura de levar a Capital da República para o cerrado. Conseguiu, mas teve que oferecer vantagens aos parlamentares das duas casas do Congresso e aos altos escalões do funcionalismo federal. Só dessa forma pôde convencê-los a se transferir para a nova Capital.

Para essa gente Brasília era uma aventura, uma verdadeira “ilha da fantasia”, um projeto que custaria – ainda custa – muito caro à população brasileira. Para convencer os escalões do  funcionalismo e os parlamentares a trocar a Cidade Maravilhosa, pelo  cerrado brasileiro, ainda carente de muita coisa que a vida urbana oferece, só mesmo com altos salários,gratificações e  mordomias.

Como se não bastassem os conjuntos de apartamentos destinados aos parlamentares, ainda sai do erário público o auxílio moradia. Justo num país onde grande da população ainda sonha com um teto para lhe abrigar.

São inúmeras mordomias custeadas pelos contribuintes, para manter em  Brasília a maioria dos  mais de 500 deputados e 81 senadores por apenas uma semana. Na sexta-feira todo mundo voa à  custa do contribuinte, de volta a seus estados de origem. Numa segunda-feira, quem chegar ao Congresso Nacional vai encontrar um deserto. Mas achando pouco, tentaram botar na conta da  já sofrida população brasileira, mais um caro  pacote de mordomias na  nossa já muito cara “ilha da fantasia”.

Por: Francisco José

(Jornalista cratense atualmente integrando os quadros redacionais do jornal Correio da Paraíba na cidade de Campina Grande).

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O princípio da gratidão – Por: Emerson Monteiro

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Ainda que exista fama de as pessoas serem egoístas, um senso de justiça prevalece nas relações interpessoais. Isto de quando alguém nos trata com respeito e educação doméstica, por exemplo, naturalmente traz às nossas atitudes o gosto de querer, de algum modo, retribuir a deferência na mesma moeda e responder com modos semelhantes.
O de que mais precisa a sociedade são as atenções diante dos gestos de amizade e carinho, vistos os tantos desentendimentos em forma de crimes e guerras espalhados pelos países e raças, religiões e partidos políticos. Ninguém mais dedica esse quase nada aos outros sem querer algo em troca, os chamados benefícios sociais. As eleições servem de amostra desse comportamento. Raros líderes verdadeiros surgiram nesses tempos bicudos. Ao planejar uma campanha eleitoral o primeiro item são recursos arrecadados para investir, gerando isso feridas morais absurdas, que contaminam o corpo social, quais jamais previstas ou aceitas no bom sentido da paz coletiva.
A gratidão, o reconhecimento, instintos naturais do equilíbrio e da justiça, bem que podem curar danos deixados pela competitividade selvagem que ora parece dominar as instituições. Crise sem precedentes exige posições coerentes de todos, sobremodo daqueles voltados aos sonhos da Paz, preservação das famílias, trabalho, prosperidade, esperançosos dos novos tempos que aguardam nossos filhos e netos.
O dia a dia mostra esse quadro desalentador com vistas a suprir as carências da fase histórica de insegurança geral e ganância dos dirigentes da máquina pública. A desunião ocasionada pela complexidade moderna segrega as pessoas aos guetos de lutas individuais. A doença do isolamento já apresenta a face dos cidadãos quais seres distantes uns dos outros, presos às ferragens dos automóveis ou encaixados nos cubículos de cimento, prisioneiros no tabuleiro dos jogos de poder das massas. Horas de repouso ficaram restritas aos condicionamentos, preocupações e gestos neuróticos manipulados por máquinas frias.
Nunca antes quanto agora houve tamanha necessidade dos sentimentos verdadeiros, honestos, autênticos, razão da sobrevivência dos valores obtidos a pretexto de evoluir, que justificaram os compêndios da tão esperada civilização.

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O petróleo é nosso – Por: Emerson Monteiro

 

Hoje quando se vê a luta da Petrobras para sobreviver diante dos tantos percalços considerados na grande mídia, no caldo da memória vêm à tona os tempos dos primeiros embates no esforço da permanência em solo pátria das riquezas brasileiras, épocas heroicas da campanha O petróleo é nosso.
Esta frase, pronunciada pelo presidente Getúlio Vargas, ganharia corpo na Campanha do Petróleo, sob o patrocínio do Centro de Estudos e Defesa do Petróleo, alimentada pelos chamados nacionalistas, até a criação vitoriosa da Petrobras. Depois se soube que o autor original da expressão fora o professor Otacílio Rainho, diretor do Colégio Vasco da Gama, Rio de Janeiro.

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O decorrer dos embates pela manutenção do monopólio de nossas explorações custaria 89 anos, desde a primeira concessão para exploração do petróleo brasileiro até a criação da Petrobras, em 1953. Um dos batalhadores desta conquista honrosa foi o escritor Monteiro Lobato, que, em 20 de janeiro de 1935, na célebre Carta a Getúlio dissera com todas as letras: O assunto é extremamente sério e faz jus ao exame sereno do Presidente da República, pois que as nossas melhores jazidas de minérios já caíram em mãos estrangeiras e no passo em que as coisas vão o mesmo se dará com as terras potencialmente petrolíferas. E já hoje ninguém poderá negar isso visto que tenho uma carta em que o chefe dos serviços geológicos da Standard ingenuamente confessa tudo, e declara que a intenção dessa companhia é manter o Brasil em estado de escravização petrolífera.
Então o Brasil atravessaria fase de sérios debates quanto à preservação dos nossos reais interesses no que tange à soberania nacional e o direito aos próprios bens naturais, bases essenciais da autonomia como Nação.
Em 19 de agosto de 1935, Monteiro Lobato, visualizando o risco de forças externas tomarem as reservas petrolíferas, também afirmaria noutra correspondência a Getúlio: Isso constitui um crime imperdoável, além de denunciar de modo esmagador que há gente paga por estrangeiros para que o Brasil não tenha nunca o seu petróleo. Em vez de, pelas funções de seus cargos, esses homens tudo fazerem para que tenhamos petróleo, quanto antes, tudo fazem para que não o tenhamos nunca. O caso é, pois, desses que pede a imediata intervenção de homens que, como V. Excia., só têm em vista os altos interesses do País.
Naquele meio tempo, houve o confronto de entreguistas e nacionalistas, o que afloraria o movimento de consolidação da campanha na formação dos valores patrimoniais da nossa gente e razão da mais rara conquista em termos de preservação da independência no concerto mundial dos povos.

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O que disse o coração – Por: Emerson Monteiro

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Isto sem esforço, o que seria contradiz o processo interior da leitura daquilo que vem da força natural das expressões de dentro da alma. Porém como ação espontânea, transe silencioso de ouvir estados continuados da percepção no suficiente de formar textos legíveis para quem não esteve na hora da criação.
Assim, o que escuta aquilo que diz o coração quer transpor para o papel gesto simples de interpretar a energia na tela deste lugar interior, encontro das linhas cruzadas de convergência do tempo no espaço, à luz da consciência do ser, no aqui/agora do momento presente.
Neste foco de raciocínio, a primeira coisa que ocorre aponta o andamento da informação que prevalece no horizonte da visualização externa, através dos meios da comunicação moderna. Contudo, se sabe da dependência direta de tais elementos a fatores de domínio de grupos que ocupam o poder da autoridade, tangedores de rebanhos a serviço próprio e seus interesses, na geopolítica de preservação dos privilégios juntos no decorrer de tempos passados e vazios na memória coletiva.
Com isso, há intenção velada de manutenção desses quadros preexistentes, o que, no entanto, por absoluta falta de domínio, despreza leis de outra realidade, força natural de coisas que contam, de seres humanos a sofrer restrições, exploração da manipulação escrava, campos abertos ao imponderável, a seu modo esdrúxulo.
Quer-se penetrar o cristal do tempo, igualmente normas intransponíveis reservam territórios blindados às pretensões dos poderosos do plantão injusto deste chão.
No patamar improvisado da consciência afloram limitações da força e abre-se espaço ao mistério de mundos maravilhosos, à custa só da disposição individual, porta sem nome, o Inconsciente, palco amplo e silencioso do Poder verdadeiro, acesso restrito a quem chegar às raias do conhecimento pleno, maior.
Das alternativas lógicas, esse pórtico de vida desvenda os termos eternos de pagos da existência, aos quais os mestres indicam sendas, abertas nas moendas de dor, para cruzar a linha fronteiriça dos dois planos, o sentimento marcado da emoção forte dos valores urgentes, imediatos.
Bem nesse ponto, falham discursos parciais, materiais. As duas realidades refletem o contato de superfície, mapa sobre o qual peregrinos cumprem suas jornadas solitárias, mediando o sólido no imponderável, este que, apesar de testemunhos no decorrer das civilizações, ainda carece de permanente demonstração, porquanto muitos pedem disso cabal comprovação.
Um efeito persiste, todavia: Desvendar o valor dos sentimentos nobres, a exemplo da alegria e da paz, na corrente sanguínea que anseia frutos de virtudes, notícias de alfabetos escritos a ferro e fogo, no correr das fibras do universo, formas e energias da realização de tempo e espaço, senhores dos sonhos enquanto movimento constante das idéias, no íntimo coração da Ser.

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Potencial das verdades verdadeiras – Por: Emerson Monteiro

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Ainda que na face dos desenganos que circulam as mentes de quem pretende dominar o chão e produzir a massa de vender os infernos, há eterna esperança diante de tudo. Devemos acreditar sobremodo na beleza perene dos atos firmes da mãe natureza. Nunca houve tantas crianças nos braços de tantos jovens pelas ruas da cidade. Jamais imaginaria quantas cores habitam o nascer do Sol e iluminam de presença forte o amor dos dias seguintes. A música e sua harmonia maravilhosa que percorre de ritmo horas das noites, manhãs e tardes na pureza do sorriso de quem ama. A luminosidade e o idealismo da educação na mocidade. Apesar do fabrico das armas, que movimenta fortunas jogadas na lata do lixo do sofrimento, mesmo assim segue a espécie vivendo e sonhando novidades ricas de paz que resistem a qualquer preço a perversão dos valores da existência. Filmes que contam histórias felizes, almas plenas de possibilidades e mistérios positivos, descobertos nas horas da aflição. Existirá sempre a vitória dos heróis do bem, que pelejam até vencer e ampliar o capítulo das missões contra o desespero. Sobreviverão às tramas do mal, o que virou mito principal da raça inteira, nas salas profundas da inteligência de chega, passo a passo, nos dias radiosos. O amargor da aridez desesperada sumirá quando vier intensa Luz e romper o véu do negativismo que antes enchia de vazio os noticiários pecaminosos. Abrirá espaço nas consciências e dominará a amplidão dos mares, com pessoas alegres e vivas que contemplarão o destino das gerações que se sucedem. Plantadores da semente verdadeira dos tempos equilibrados seguirão esse trilho certo de quem transmite palavras sadias e preserva a sinceridade pura. Lutar reserva, pois, o direito soberano de vencer as quimeras da ilusão. O Bem triunfará, guarde forte esta dádiva e esqueça mágoas, incompreensões; lave o coração nos segredos deste parto genial só reservado à força das orações mais poderosas.

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Diógenes de Sínope – Por: Emerson Monteiro

 

Ou Diógenes, o Cínico, filósofo que existiu na Grécia Antiga e deixou história de vida marcada por episódios humorísticos face ao jeito de conduzir os acontecimentos sob o signo da irreverência. Desprendido das posses materiais, morava em um barril, de onde, certa feita, na presença solene de Alexandre Magno, quando este, ao se aproximar do filósofo quis lhe ser útil. Diógenes tão só pediu ao rei da Macedônia que se afastasse dali a fim de não encobrir o sol que aquecia sua precária residência. Não me tires o que não me podes dar! – acrescentou. Ao comentar o incidente, Alexandre afirmaria: Não fosse quem sou, gostaria de ser Diógenes.

diogene2Em outra ocasião, depois de andar longa data com uma pequena cuia na qual bebia água dos rios e lagos, se viu surpreso e desvanecido porque viu um jovem que usava apenas as conchas das mãos com a mesma finalidade. Sentiu o quanto perdera de tempo a transportar na cintura aquela peça desnecessária, vindo, então, a destruí-la com aborrecimento.

Buscava dar exemplo do viver simples, longe das luxúrias da civilização, testemunhando indiferença para com valores inúteis da acumulação das riquezas supérfluas. Nos seus conceitos, felicidade detém laços estreitos com a virtude, o autodomínio e a liberdade, práticas essenciais na suficiência da criatura humana neste mundo.

Dele também consta haver saído em plena luz do dia a transportar lanterna acesa e, ao ser indagado quanto aquilo, respondeu que procurava alguém que merecesse o título de homem verdadeiro.

Avistado a pedir esmola a uma estátua, teria justificado que assim exercitava o costume de nunca depender dos outros, porquanto com certeza jamais seria atendido, dada a cegueira daquela a quem dirigia seu pedido.

Indiferente aos preceitos morais da sociedade onde viveu, Diógenes deixaria à posteridade o questionamento de época cheia das pompas da artificialidade, exercitando na própria pele as mudanças que tanto desejara aos gregos. 

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Os cavaleiros da Távola Redonda – Por: Emerson Monteiro

 

Só nesses dias recentes, 53 anos passados desde que inauguraram o Cine Educadora, em Crato, assisti ao filme que fora mostrado bem nos inícios de suas atividades. Tinha de dez a doze anos e a censura restringira em 14 anos a idade dos espectadores. Fiquei fora, olhando a fila dos felizardos, cheio de vontade de acompanhar a exibição, sem, contudo, lograr êxito. O comissariado de menores da Comarca era irredutível.
Depois de mais de meio século, pois, remexendo os tabuleiros das Lojas Americanas, dou de cara com o DVD do filme. Na primeira oportunidade deste mês de junho de 2011, sentei em frente à televisão e mergulhei com sofreguidão na história que já conhecia de livros, a saga do Rei Artur, da Inglaterra heroica de antigamente.
cavaleeirosDesta feita, variadas interpretações subiram à tona para atender ao desejo do menino contrariado; ver as cenas, que antes eram em celulose e projetadas numa sala fechada, agora através de máquina que nem existia a cores na hora lá atrás; o mesmo filme proibido com sabor renovado; analisar a produção de cinco, seis décadas anteriores sob a visão dos dias atuais; e reencontrar os personagens da lenda inglesa, tudo em alimento do sonho simbólico que a arte proporciona.
No vídeo, Robert Taylor, Ava Gardner, Mel Ferrer, e outros atores menos festejados, encenaram o drama dentro do prisma amoroso que quis abordar seu diretor, Richard Thorpe. Largou de lado os aspectos apenas épicos da história e prendeu a trama nas intrigas da corte e na paixão de Lancelot e Guinevere, aos olhos ardilosos de Mordred e Morgana, inimigos figadais dos titulares no trono.
O que se vê: um Artur Pedragon encurralado entre o vínculo profético da condução do seu povo, substanciado pela espada Excalibur presa na pedra, e as questões palacianas, o que lhe custará o poder e a vida, desenrolar por demais solitário e trágico, conduzido à distância pelo mágico Merlin, guardião das forças do Bem no jogo de poder do reino de Camelot.
Em tudo isto, ainda uma esperança prevista com a vinda futura do salvador da Ilha, Galaad, o cavaleiro da promessa, filho de Sir Lancelot e Elaine.
Belo filme, posso dizer com tardança, que resistiu ao tempo devido à evolução da tecnologia da comunicação. Há esta chance de preservar as oportunidades e nutrir a perspectiva de nada se perder, guardado em algum lugar ao dispor das gerações. Quem diria houvesse a conservação de tantos registros através de monumentos e obras criativas, transmitidos no decorrer dos séculos? Músicas, livros, pinturas, esculturas, filmes, desenhos, jornais, revistas, elementos essenciais ao vasto conhecimento e à transmissão dos valores…

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Servidão tecnológica – Por: Emerson Monteiro

 

As novidades tecnológicas produzem mudanças genéticas, morais, sociológicas, políticas, dos costumes, da cultura humana. Isso pode ser avaliado a cada instante, através dos dias, no cuidado extremo com que se anda nas ruas, exercitado pelos adultos e pelas crianças, ao atravessar uma rua, por exemplo; ninguém mais se arrisca a pôr o primeiro pé sem antes consultar a direita, a esquerda, duas ou mais vezes, pois os bólides motorizados espreitam os menores desavisados.
tecnologiaIsso independente de falar nas consequências transgênicas, das quais se desconhece o resultado e nem por isso se deixa de usar geração após geração, drama silencioso que repercute nas síndromes antigas e recentes da raça humana. A juventude repercute tais dramas, nas salas de aula, nos parques de diversão, nos cinemas, nos bares da vida.
Disso vêm manias modernas, a resultar nas dependências difíceis de solução, visto o desconhecimento dos seus efeitos. Todavia resistem ao fastio. As lojas de departamentos proliferam numa velocidade inimaginável, arrastando crianças, adolescentes e adultos à prática repetitiva e hipnotizante das armadilhas coloridas, feéricas e luminosas, acima de suspeita, criando os dependentes doutra droga perigosa.
Essas parafernálias envolvem mentes e prioridades, restringindo o tempo da disposição ao estudo, sob o consentimento frívolo das autoridades e das leis. Pareciam com coisa inofensiva durante anos, décadas, enquanto a civilização prosseguia nas pesquisas de vender engenhocas estapafúrdias.
Quando a televisão aumentava seus domínios no espaço brasileiro, alguns gatos pingados ergueram a voz para protestar contra aquilo que a denominavam máquina de fazer doido. E ela hoje se impõe com a mesma falta de conteúdo ou excesso de conteúdo alienante, imune a críticas, senhora de vida e morte de jovens e adultos, parasita da criatividade que falta ao povo e sobra às elites dominantes.
Os tais vícios emergentes, portanto, carecem de acompanhamento clínico de responsáveis pela comunicação social, na elaboração do senso imprescindível às respostas, nesta quadra cultural onde impera o poder do lucro a qualquer preço, inclusive da liberdade e da autocrítica necessária, imprescindível.

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Os pássaros – Por: Emerson Monteiro

 

Homens, irmãos, todos os que estais crucificados pela dor: Ouvis o canto consolador da cotovia, da nossa Fé?…                                                                                                      Mons. Thamer Tóth

Andorinha_fn_20Há vezes em que o canto das aves, vindo lá de dentro da natureza, fala nisso, de um eu mais de dentro dos mistérios, pergunta que se destina a esses sinais soltos no silêncio das tardes mornais deste lugar. A pergunta insistente a propósito do porquê de manifestações aparentemente desnecessárias, flores, borboletas, variações de plantas, relevos do solo, temperaturas, cores variadas na luz do dia, o que sacode a rotina do comer, dormir, tomar banho, andar, falar, trabalhar…

Nessas horas o pensamento abre territórios desconhecidos nas entranhas da memória e conduz ao aberto da possibilidade, vasto império da imaginação. A que se destinam os pássaros e seus voos e cantos ao sabor do vento que desliza no trilho do Tempo. Pedem abertura na mente a permitir outras possibilidades vivas além da repetição pura e simples dos momentos sucessivos.

Chamam a fugir da prisão deste mundo tridimensional e exclusivo, janela de nadas grosseiros da visão imediatista… Indicam meios de ponderações invisíveis do ente abstrato, céus, luas, sóis, dimensões, do direito a reino de virtude porvindoura, hemisférios ideais da leveza e do sentimento…

Eles, os pássaros, as folhas secas do verão que flutuam no azul quais fiapos irreverentes de pardais, andorinhas brincalhonas e festivas, vãos na água do Universo quais marcas indeléveis de felicidade até então desconhecida, aberturas a novas condições do Ser…

Tal a lenda polonesa que fala de quando o homem perdera o Paraíso e lutava contra as intempéries da servidão, olhos postos na aridez do chão de outra existência, que conta que de Deus, sentindo misericórdia, pegou um punhado de terra e o jogou no ar; daí nasceu a cotovia. Naquele instante, trabalhador melancólico, o ergueria pela primeira vez sua visão, escutou o canto da pequena ave e sentiu o instinto da fé no amor da pureza original de que tão pouco usufruíra. E pode, com isso, alimentar a esperança dos dias melhores que hão de vir no seio doce da Eternidade.

Para você refletir ! – Por Maria Otilia

 

Nestes últimos dois anos , estamos vivendo uma verdadeira era do " caos " em alguns municípios da região do cariri. Infelizmente algumas categorias de servidores públicos, por não ter a oportunidade de sentar junto aos seus gestores , porque a maioria destes entendem  a gestão do poder como " propriedade individual" , precisam através de seus sindicatos,  decretar o que chamamos de ponto de estrangulamento nas negociações,  a  paralisação dos serviços essenciais, dentre eles a saúde e a educação.E cabe aqui uma reflexão da nossa responsabilidade, quando  decidimos através do voto, escolher alguém para nos representar, seja no sindicato, na câmara de vereadores ou para o poder executivo.

Ressaltamos aqui, que foram longos anos de luta para que tivéssemos nosso piso salarial, um fundo que atendesse todas as modalidade de ensino. E daí veio o FUNDEB que infelizmente, a maioria dos nossos prefeitos ainda resistem em aceitar que estes recursos são exclusivos dos educadores, para os educadores e para  a manutenção das escolas. É um direito e não " favor " colocar como política pública da educação municipal,  na folha de pagamento dos trabalhadores  da educação, todos os valores definidos por lei.

Por outro lado constatamos que a grande maioria dos educadores  ainda tem medo de lutar pela  efetivação desses direitos. Não podemos e nem devemos deixar que desmandos dos governantes prejudiquem uma categoria e acima de tudo  aqueles que não tem culpa nenhuma dessa problemática, que são os educandos.

Posto abaixo uma pequena fábula que nos leva a refletir  de que não adianta reclamar, desabafar, gritar, sem uma perspectiva de ação coletiva. Boa leitura .

ASSEMBLEIA  DOS RATOS

RATO

Os Ratos resolveram organizar um conselho para decidir qual seria a melhor alternativa, para que eles pudessem saber com antecedência, quando o inimigo deles, nesse caso o Gato, estava por perto.
E Dentre as muitas ideias que foram apresentadas, uma delas, que logo foi aprovada por todos, considerava que, um sino deveria ser pendurado no pescoço do Gato.
Assim, ao escutarem o tilintar do mesmo, todos poderiam correr a tempo para seus buracos. Além de ser do agrado de todos aquele extraordinário plano, por aclamação, ficaram extasiados com tão criativa e objetiva solução.
E eis que um velho e sábio Rato ali presente, então questionou:
"Meus amigos, percebo que o plano é realmente muito bom. Mas, quem dentre nós prenderá o sino no pescoço do Gato?"
E nenhum voluntário se fez presente.
  Grandes ideias sem grandes obreiros não passam de grandes fracassos.

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A arte da miniatura – Por: Emerson Monteiro

 

Certa vez, visitei exposição do escultor caririense Nélito Gonçalves, no interior do Shopping Cariri, em Juazeiro do Norte. A mostra se compunha de esculturas abstratas e figurações miniaturizadas de utensílios domésticos, peças confeccionadas em casca seca da cajazeira, árvore típica de nossa flora nordestina. Valeu considerar a expressiva qualidade do material exposto, elaborado dentro da melhor técnica e escurecido com acabamento no verniz copal.

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Essa oportunidade me levou a considerar outras manifestações artísticas de infinitas potencialidades também na miniatura. A propósito disso, Paulo Tasso Teixeira Mendes, professor meu amigo que mora em João Pessoa, descreveu exposição que presenciara quando, nos anos 60, vivia na Europa e era aluno do Colégio Pio Brasileiro, da Igreja Católica.

Tratava-se da obra de artista brasileiro, gravador em metal e que desenhava figuras mínimas em cabeças de alfinetes. Reproduzia figuras as mais diversas, desde paisagens a monumentos arquitetônicos. Em um desses trabalhos gravou a Basílica de São Pedro, de Roma com os detalhes da bela fachada. Toda a exposição do exímio criador cabia numa única caixa de fósforos e os expectadores ainda precisavam usar lentes para contemplar as pequenas produções mostradas no reduzido espaço.

Diante da minha admiração, Paulo Tasso então me informou que o mesmo lhe acontecera na ocasião, visto o teor de dificuldade do trabalho desenvolvido, quando soube, através do artista, que existem japoneses que descem ainda mais às particularidades da técnica de gravar superfícies mínimas, utilizando apenas a superfície localizada na ponta de agulhas, usando instrumentos milimétricos e equipamentos óticos adaptados para isso.

Aonde chega a sofisticação da criatividade humana neste mundo.

As miniaturas de há muito merecem relevo no âmbito da cultura, sobretudo nas civilizações orientais, dadas ao esmero do reducionismo. Museus de arte chineses expõem peças dotadas de tal minudência que, por vezes, uma única delas reclama a vida inteira de seu autor para inteira conclusão.

Isso demonstra o infinito do engenho criativo, considerando o valor apreciável das manifestações estéticas no estudo das populações e suas histórias fenomenais.

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Crise hídrica traz de volta velhas mazelas

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A falta de água e a dificuldade de higienização decorrentes da seca que atinge os reservatórios da região Sudeste devolvem ao radar da saúde pública a necessidade de prevenir doenças que já eram consideradas erradicadas nas grandes metrópoles, como tifo e cólera. O armazenamento improvisado de água nas residências também aumenta e eleva o risco de enfermidades tradicionalmente comuns no verão: dengue, febre chikungunya e rotavírus, além de diversos tipos de diarreia e hepatites A e E.

“De repente, estamos voltando no tempo com doenças supostamente eliminadas no século retrasado”, diz Pedro Mancuso, professor da Faculdade de Saúde Pública da USP. Segundo ele, um ambiente sem água é, do ponto de vista das políticas públicas de saúde, um retrocesso que expõe a população a patologias comuns por volta de 1800, época em que o pesquisador John Snow descobriu, no Reino Unido, que a água transmitia doenças. “O pior dos mundos é a falta de água.

Quando você tem água, mesmo de qualidade duvidosa, você pode fazer alguma coisa em casa. Agora, com água zero, não tem o que fazer”, diz Mancuso.

Christovam Barcellos Netto, pesquisador do Laboratório de Informação em Saúde do Instituto de Comunicação e Informação Científica e Tecnológica em Saúde da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), trabalhou como sanitarista das secretarias estaduais de Saúde do Rio de Janeiro e Rio Grande do Sul.

Para ele, o principal risco em cidades sem água, ou com racionamento drástico, é que doenças que hoje ocorrem isoladamente ganhem mais poder de transmissão, como no caso da febre tifoide e cólera.

Do Jornal Grande Porto.

A dor e o menestrel – Por: Emerson Monteiro

 

Lemos em algum lugar história triste de um palhaço que perdera a esposa e se achava na condição de comparecer, no mesmo dia, ao picadeiro de um circo e fazer rir a platéia que lotava o espetáculo onde tantas outras apresentações levara a efeito em condições satisfatórias.
No momento em que todos gargalhavam com desempenho magistral nunca antes presenciado pelo distinto público, dentro dele fervilhava a mais pungente amargura e desciam lavas amargas de dor, disfarçadas com maestria pela máscara que cobria o rosto banhado de lágrimas.
Enquanto alegria sem igual naquela hora contagiava os espectadores, no peito do homem ardia crise sem precedentes, propósito de quem conduz vida de quase nada pode exprimir da veraz realidade que impera no ser, por força de produzir emoções nos outros lá de fora.
GeraldoAzevedo2A situação descrita, mudando o que merece mudar, caberia feita luva na circunstância que se verificou em Crato, quando, no Espaço Navegarte, assistíamos a uma apresentação musical.
Lá no palco, o cantor pernambucano Geraldo Azevedo, voz e violão, que oferecia a numerosa platéia bela música do seu repertório, boa parte de própria autoria. Aplausos efusivos animavam o clima ameno do lugar, evidenciado nos flashs constantes dos fotógrafos a registrar o acontecimento, entremeados de relâmpagos insistentes que clareavam o céu escuro à distância, cenário detrás do palco, para as bandas da Ponta da Serra. 
Isso se manteve ao ritmo das letras e cordas afiadas do instrumento bem praticado, nas sombras chuvosas da noite caririense.  
Duas ou três canções antes do término da cena, porém, nas falas com que ilustrava os intervalos das canções, o músico comunicou aos presentes que, na véspera daquela data, ocorrera a passagem de sua genitora desta vida para a outra, pondo-se, logo depois, a interpretar uma composição de autoria dela, refletindo na voz o sentimento que se pode imaginar de filho em situação semelhante.
Ao lembrar os detalhes disso, nos vemos, emocionado, a refletir quanto à condição dos artistas e sua proximidade com multidões desconhecidas, vínculos que se estabelecem no decorrer da existência coletiva. Enquanto dentro de si lhes sacodem no peito um coração quantas vezes macerado pelas guantes imprevistas do destino, repassam, igualmente, a imagem de quem habita condomínios eternos da mais pura felicidade. 
Missão semelhante, a exemplo do palhaço de que falamos no início, uns dançam, riem, se divertem. Outros padecem, representam, dissimulam. De íntimo transtornado pelos ardores do sofrimento de perder a mãe querida, o músico prosseguiu com a função até o fim, debulhando versos e notas, na batida intensa do expressivo violão solitário, ausente das convenções deste mundo. Isso tudo em nome do amor ao sonho da arte, herói sobranceiro da magna inspiração, porquanto o show haverá sempre de manter o curso ininterrupto ao âmago dos corações em festa.        

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A dor e o menestrel – Por: Emerson Monteiro

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Lemos em algum lugar história triste de um palhaço que perdera a esposa e se achava na condição de comparecer, no mesmo dia, ao picadeiro de um circo e fazer rir a platéia que lotava o espetáculo onde tantas outras apresentações levara a efeito em condições satisfatórias.
No momento em que todos gargalhavam com desempenho magistral nunca antes presenciado pelo distinto público, dentro dele fervilhava a mais pungente amargura e desciam lavas amargas de dor, disfarçadas com maestria pela máscara que cobria o rosto banhado de lágrimas.
Enquanto alegria sem igual naquela hora contagiava os espectadores, no peito do homem ardia crise sem precedentes, propósito de quem conduz vida de quase nada pode exprimir da veraz realidade que impera no ser, por força de produzir emoções nos outros lá de fora.
A situação descrita, mudando o que merece mudar, caberia feita luva na circunstância que se verificou em Crato, quando, no Espaço Navegarte, assistíamos a uma apresentação musical.
Lá no palco, o cantor pernambucano Geraldo Azevedo, voz e violão, que oferecia a numerosa platéia bela música do seu repertório, boa parte de própria autoria. Aplausos efusivos animavam o clima ameno do lugar, evidenciado nos flashs constantes dos fotógrafos a registrar o acontecimento, entremeados de relâmpagos insistentes que clareavam o céu escuro à distância, cenário detrás do palco, para as bandas da Ponta da Serra. 
Isso se manteve ao ritmo das letras e cordas afiadas do instrumento bem praticado, nas sombras chuvosas da noite caririense.  
Duas ou três canções antes do término da cena, porém, nas falas com que ilustrava os intervalos das canções, o músico comunicou aos presentes que, na véspera daquela data, ocorrera a passagem de sua genitora desta vida para a outra, pondo-se, logo depois, a interpretar uma composição de autoria dela, refletindo na voz o sentimento que se pode imaginar de filho em situação semelhante.
Ao lembrar os detalhes disso, nos vemos, emocionado, a refletir quanto à condição dos artistas e sua proximidade com multidões desconhecidas, vínculos que se estabelecem no decorrer da existência coletiva. Enquanto dentro de si lhes sacodem no peito um coração quantas vezes macerado pelas guantes imprevistas do destino, repassam, igualmente, a imagem de quem habita condomínios eternos da mais pura felicidade. 
Missão semelhante, a exemplo do palhaço de que falamos no início, uns dançam, riem, se divertem. Outros padecem, representam, dissimulam. De íntimo transtornado pelos ardores do sofrimento de perder a mãe querida, o músico prosseguiu com a função até o fim, debulhando versos e notas, na batida intensa do expressivo violão solitário, ausente das convenções deste mundo. Isso tudo em nome do amor ao sonho da arte, herói sobranceiro da magna inspiração, porquanto o show haverá sempre de manter o curso ininterrupto ao âmago dos corações em festa.        

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Jurandy Temóteo conclui primeiro volume resgatando personalidades de Crato

 

JT   O escritor Jurandy Temóteo (foto ao lado) vem de concluir o primeiro volume da série de personagens cratenses, que terão suas memórias resgatadas. O primeiro volume foca a figura de Pio Carvalho. O segundo volume será sobre o poeta popular Zé de Matos e o terceiro resgatará o popular Ramiro do Seminário.

Quem foi Pio Carvalho

    Segundo o escritor Emerson Monteiro: “Pio Carvalho Brito, cratense de quatro costados, nascido em 1877, além de esmerado prosador e repentista, versejador qualificado, se consagrou no anedotário pelas façanhas engraçadas que protagonizou. Da geração de Teófilo Siqueira, Zé de Matos e Luiz Quezado, formou grupo impossível no seu tempo de mocidade em Crato. Entre os estados do Ceará, Pernambuco, São Paulo, Pará e Amazonas, exerceu funções diversas, desde comerciante, farmacêutico, delegado, alfaiate, empregado nas primeiras obras da construção do Orós e trabalhador em um seringal da Amazônia. Aos 85 anos, faleceu em Iguatu a 23 de outubro de 1963”.

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Jonas, o profeta – Por: Emerson Monteiro

Emerson Monteiro 2

 

Um dia, o Senhor dirigiu-se a Jonas, filho de Hamitai, e determinou que ele fosse a Nínive, cidade pagã de reprováveis costumes, levar aos seus habitantes  palavras de salvação.
No entanto, Jonas o que fez: arrepiou caminho. Desceu a Jope, onde, no porto, avistou fundeado navio de arribada para Társis e meteu-se no rol dos passageiros, disposto a fugir de qualquer modo da face do Senhor.
Em alto mar, porém, quando a viagem parecia transcorrer na perfeita normalidade, sem transtornos ou percalços, cresceu monumental tempestade, a todos espavorindo de causar dó e piedade.
Nessa hora difícil, a sono solto, Jonas repousava no porão do navio, isento de quaisquer preocupações terrenas. O comandante, que lhe conhecia os dotes espirituais, pediu que ele orasse em favor dos aflitos, naquele instante de perigo. De logo reunidos no convés, os membros da tripulação jogavam a sorte e reconheceram na figura do profeta o motivo da iminente tragédia que rondava a expedição.
Daí quiseram saber mais do passageiro, quais suas origens, profissão, e detalhes úteis que falasse dos maus presságios circunscritos.
Ele lhes respondeu: – Sou hebreu e adoro o Senhor, Deus do céu, que fez os mares e a terra, – Livro de Jonas l:9.
Cresceu-lhes ainda mais o medo, porquanto descobriram a intenção do profeta de esquivar-se perante o compromisso firmado com o Pai de Tudo, levando Jonas a indicar o jeito que via de escaparem daquilo, só que deviam atirá-lo às ondas fatais do mar revolto, remédio certo.
Eles ainda resistiram à ideia do estranho e, por isso, clamaram aos céus misericórdia. Todavia acabaram aceitando lançar ao mar o profeta.
A sequência dos acontecidos torna esta narrativa de domínio público. Nas águas convulsas, Jonas viu-se engolido por baleia descomunal, em cujo interior permaneceu três dias e três noites, tradicional conhecimento da humanidade.
Na barriga do peixe, ele reergueu as forças e pediu ao Senhor, com sofreguidão, que voltasse a ver a luz do dia. Na aflição, afirmou sua irrestrita obediência aos fatores do Bem. De volta ao chão firme, a ordem que recebeu repetia os inícios da história, que seguisse na direção de Nínive, a salvar-lhe o povo, reino que chegou após três dias de marcha cerrada.
Nas ruas, pregou com abnegação os rigores da mensagem fatídica: Ainda 40 dias, e Nínive será subvertida, clamava sensibilizando os ninivitas. O rei do lugar aquebrantou a alma e mobilizou toda população pelos caminhos da virtude. Juntos, jejuaram. Privaram-se. Converteram-se. Arrependeram-se e oraram com força.
Por conta desse feito de Jonas, Deus revogou o futuro cruel de Nívive, exemplo clássico de transformação coletiva, na voz dos antigos profetas judeus.

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Equívoco – Por: Emerson Monteiro

 

O marido libertino se imiscuíra na farra com duas ou três senhoritas e mais alguns cúmplices, percorrendo folgazão os barzinhos afastados, preferência da marginalidade. Entraram de ponta-cabeça na programação alternativa, dispostos a reverter o clima de tristeza que chegara junto com as preocupações financeiras dos dias críticos do novo modelo econômico nacional e a repercussão nas suas atividades. Vá lá que fosse assim.
Pança cheia do mel, juízo tonto, zoeira no mundo, trilha estridente de carros acústicos, enquanto o marido beijava mais do que de direito, na onda do faz de conta. Muito furdunço nas latadas, na alegria postiça que por vezes se instalava. Tudo parecia acontecer dentro das melhores previsões. Festa de ninguém botar defeito, como dizem. Embalo geral.
SandaliaAinda assim, um grilo fervilhava nas dobras da cabeça do homem. Alguma coisa não batia bem, algo ficava faltando naquele clima.
De revisar a memória, se lembrou de que era a noite do sábado em que ele e a mulher deveriam apadrinhar o casamento da filha de uma amiga dos dois. – Xiiiiiii… – não deu noutra, restava desconversar os boêmios e cair fora do bloco dos prazeres fáceis.  
Arrepiou firme. Chegou em casa atrasado só o tanto. Esposa e filhas prontas, de caras amarradas, olhos fuzilantes, reclamavam mais do que bode embarcado. Rápido cuidou de se banhar, investir-se no paletó, juntar forças para recolher a sogra, que protestava a demora por meio do telefone que só parou de tocar quando trancaram a porta e seguirem no prumo da igreja, num tempo quase insuficiente.
Meio do caminho, lotação completa e resolveu de conferir se as coisas improvisadas funcionavam a contento, livre das surpresas de última hora. Nisso, olhando embaixo, à frente do banco dianteiro, notou a indesejada presença de uma sandália das que usavam as moças com quem andara. Frio intenso lhe percorreu todo o corpo, descendo e subindo a espinha dorsal, mistura de medo e preocupação.
Não contou conversa. Desviou para o trânsito a atenção das passageiras, e, abaixando-se sutil, atirou pela janela a peça indesejável, atitude que lhe refez, de pronto, as energias. Esse conforto, no entanto, durou poucos minutos, até que percebesse a dificuldade da sogra, tateando no escuro, à procura do outro par de seu calçado para que pudesse descer do automóvel e chegar na obrigação.  Aí viu que nem tudo funcionara a contento.

(Revisitando uma das histórias de Stanislaw Ponte Preta).

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O poeta do Iguatu – Por: Jorge Carvalho

JorgeCarvalho300No último dia 5, uma segunda-feira este ano, o centenário de Humberto Teixeira. Por feliz coincidência, véspera da comemoração do DIA DE REIS –acontecimento religioso e popular que encerra o ciclo natalino. Uma estrela no firmamento indicou aos três reis magos a manjedoura, a pobre “casinha” em que repousava o Salvador, o Messias. No centro sul do nosso estado, há cem anos passados, na aconchegante e meiga cidade de Iguatu, uma estrela ali surgiu na figura humana e física de um cearense, que brilharia – em vida – 64 anos e permanecendo como referência cultural, musical, moral eternamente, não só a nível de Brasil e sim para o mundo. Compositor, advogado, tendo na segunda referência, associada à política, um defensor importante dos direitos autorais. Há 70 anos, conheceu Luís Gonzaga e a parceria, para a felicidade da música brasileira, o baião faz de maneira mais ampla verdadeiro sucesso. Canções como “Baião”, “Asa Branca” “Juazeiro”, “Assum Preto”, “Que Nem Jiló”, “No Meu Pé-de-Serra”, são resultados do encontro Luís Gonzaga – Humberto Teixeira. Sozinho compôs: “Kalu” e “Sinfonia do Café”. Por outra bela coincidência, Humberto nasce no mês de aniversário de sua cidade, que acontece no próximo 25 de janeiro. Ao lado de Zé Dantas, João Silva, Zé Marcolino, Humberto forma o quarteto de compositores mais presentes na voz de Luiz Gonzaga, provavelmente. Não esqueço os também cearenses José Clementino e Patativa do Assaré, que tiveram canções suas gravadas pelo pernambucano do século. Orgulho cultural de sua cidade natal, Iguatu, referência musical nordestina como compositor e brasileiro de identidade mundial é para sempre Humberto Cavalcanti de Albuquerque Teixeira, o filho de Dona Lucíola e Seu João Euclides, o eterno “Poeta do Iguatu”.

Jorge Carvalho

Colaborador do Blog do Crato

www.blogdocrato.com

O pedido – Por: Emerson Monteiro

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No Sertão distante, habitava pobre homem, sua mulher e três filhos menores, em casa simples de palha e barro. Nas épocas normais das chuvas, ali existiam suficientes condições de sobrevivência, dando-lhes a terra os gêneros.
Naquele ano, todavia, as condições se apresentaram desfavoráveis; o inverno não veio no tempo certo, esturricando o chão e despindo as matas.
Logo cedo, o casal anteviu os riscos de longo período seco. Assim preocupados, rezaram com força pedindo misericórdia dos céus lembrando o futuro dos filhos, motivo maior de preocupação.
A sucessão dos meses anunciava crise inevitável, quando consumiram os derradeiros mantimentos, aumentando a angústia. O que temiam se deu, pois a seca chegou intensa e possibilidades de escapar se mostraram poucas. No rosto das crianças, os primeiros sinais do abatimento.
Intensificaram ainda mais as orações, qual única alternativa. A fé gritava na alma daquela gente, que por dentro sentia emoções de que esperança viva. Queriam tão só descobrir de que jeito chegaria a salvação da família.
Certa manhã, no período mais escuro, quando abriram a porta, uma surpresa lhes aguardava, um boi gordo apareceu bem defronte da casa a bloquear o caminho dos que quisessem entrar ou sair. Tiveram de insistir a fim de afastar o animal, que retornava tantas vezes quantas saísse da porta.
Durante esse dia, a distração foi a presença do estranho visitante vindo de longe, dado inexistirem fazendas de gado na redondeza, e, menos que isso, pasto de manter vivos os bichos, há tempos desaparecidos.
No dia seguinte, foram iguais as circunstâncias. Os meninos puseram até apelido no bovino, enquanto tangiam querendo tirá-lo do terreiro. No outro dia, e êxito nenhum; o intruso permanecia bloqueando a porta do casebre, levando todos a estudar uma saída de achar pasto para alimentar a rês.
O caboclo conversou com a mulher e decidiu ir à cidadezinha perto, no propósito de saber encontrar o dono do boi.
Chegou à povoação e perambulou na busca das notícias, porém nada descobriu. Meio sem planos, viu do outro lado da praça a igreja, e lá se dirigiu.
No templo, procurou o pároco. Explicou os detalhes da situação difícil que atravessava, falou da insistência do boi em ficar junto da sua família, que mudara a rotina em que viviam.
Depois de alguns minutos em silêncio, o sacerdote perguntou ao caboclo se ele fizera as orações de pedir algum bem a Deus ou aos santos.
Nessa hora, chegou na lembrança do sertanejo a crise avassaladora que defrontava, a fome que sujeitava todos, as agruras do lar. Aflito, calado permaneceu como juntando os elementos do juízo.
Em seguida, o padre aconselhou ao homem que retornasse e abatesse o boi para dar de comer aos familiares, que se tratava do beneficio pedido.
Diante do conselho, ciente de haver merecido as bênçãos, supriu a fome e venceu a privação, graças às orações que fizera a Deus.

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Herança – Por: Emerson Monteiro

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Nas vastidões geladas do Ártico, em meio a naturais dificuldades, viviam pai e filho, únicos habitantes de cabana modesta, longe dos valores da civilização, num tempo em que pouco se sabia dos atuais degelos, quando se prevê outra glaciação na Terra.
Era costume do povo do lugar a existência das pessoas restrita à capacidade individual para se sustentar do necessário através da caça e da pesca, sob os rigores do clima abaixo de zero. Após a decrepitude, as famílias agiam com naturalidade depositando nas planuras desérticas idosos ou doentes sem cura, qual cumprissem a lei da sobrevivência.
Naquela casa, porém, o filho retardava a providência quanto ao pai já em fase que chegava na época do despejo, quando surgia no filho a disposição de constituir família e iniciar outro sistema de vida, restando-lhe apenas se livrar do genitor e liberar a vaga para noiva bela e intransigente.        
Mesmo admitindo aquele procedimento, o filho insistia manter em casa o velho pai, além até dos hábitos de grupo, pois não sabia justificar o que de vantagem propiciavam as tradições do lugar. Ao menos para si, no íntimo, achava certo querer consigo por mais algum tempo quem tanto sacrifício fizera na sua criação e na continuidade do lar.
Os dias prosperavam, no entanto.  A noiva nutria pelo sogro sentimentos agradáveis, os quais, todavia, diminuíam em face do instinto conjugal. Dotada de especial talento, tecera bela manta que pretendia ofertá-la quando da viagem definitiva do idoso aos penhascos gelados, em data sem muita demora, segundo planejado.
Nisso, não tardou a madrugada quando movimentos diferentes sacudiram a humilde choça. O filho atava os cães ao trenó, reuniu alguns poucos trastes, ligeiros mantimentos, e instalara o pai no meio da carga, fazendo-se a caminho.
Depois de tempestuosa jornada, se viram numa longa planície branca circundada de montanhas sombrias e ameaçadoras. Tão logo o escuro da noite principiou envolver o mundo, cumpriram a parada definitiva. Naquele sítio cinzento, dar-se-ia o desfecho da longa espera.
Sem trocarem palavras, de cabeça pendida no peito, os dois se olharam pela derradeira vez, num adeus quase primitivo, selvagem, assim podemos dizer. O ancião buscou tirar por menos, desviando-se para fora da trilha, de olhos presos na solidão, exercitando compreender o peso daquela hora. O filho refazia o que restava da bagagem; alimentou os animais e deu mostras de ter cumprido a missão, pronto para retornar. Após sacudir no espaço as dobras do relho com que tangia seus cães, de súbito ainda ouviu a voz do pai a chamá-lo:
- Filho, filho! – gritos ecoaram no vazio gelado e de suas mãos pendia a manta que a nora confeccionara. – Quero isso não, é desnecessário para mim. Prefiro que a conserves contigo e uses quando teu filho vier aqui, um dia, te oferecer ao desconhecido.

(Ilustração: Janaína Gomes).

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Beber água é essencial para a saúde, principalmente em tempos de calor

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A água é fundamental para uma vida saudável. Mais de 70% do corpo humano é formado por água. É preciso beber quantidades adequadas diariamente, pois ajuda a regular muitos processos, incluindo o equilíbrio de sal, a absorção de nutrientes e a desintoxicação. De acordo com a pediatra Mércia Lemos, do Hospital Infantil Albert Sabin, da rede pública estadual, ¨não beber bastante líquido, especialmente a água, pode diminuir o desempenho físico, comprometendo o funcionamento dos rins e intestino, além de prejudicar também a função das glândulas salivares (boca seca), levando à desidratação¨.

Nesse período de calor intenso, a ingestão de pouca água somada à frequente exposição ao sol são fatores que provocam doenças na pele, problemas renais, gastrointestinais e desidratação. E esta atinge tanto adultos quanto crianças, sendo mais intensa nos pequenos. Sensação de abatimento em geral (letargia), saliva espessa, diurese diminuída (pouca urina), olhos fundos e sem brilho, fontanela deprimida (moleira funda) são alguns dos principais sintomas da desidratação.

Cuidados

A quantidade do consumo diário de água depende do tamanho, do peso, da idade e das circunstâncias as quais a criança vive. Segundo a pediatra Lia Cavalcante, o consumo de água, seja mineral, filtrada ou fervida, é fundamental para qualquer faixa etária. No mínimo, 100ml de água para cada 1kg é ideal para uma criança de até 10kg. Porém, ela ressalta que para aquelas com idade de até seis meses, o leite materno dever ser alimentação exclusiva. “O leite materno já entra em campo como fator protetor”, afirma. E Mércia Lemos acrescenta: “existe um teor de 70% ou mais de água no leite materno. Um bebê que mama, não carece de outros líquidos”.

Vômito, febre e diarreia podem rapidamente desidratar o bebê. Dependendo do nível de desidratação, é recomendável a ingestão do soro caseiro ou soros já prontos que podem ser adquiridos nas farmácias. Mércia Lemos orienta aos pais e mães que, em casos de emergência, procurem imediatamente um posto de saúde, um serviço de urgência hospitalar mais próximo. “A desidratação leve pode ser causada pela exposição ao sol, ingestão inadequada de líquidos ou perdas leves. Pode ser resolvida com a ingestão de água e outros líquidos. De moderada a grave, as perdas acontecem com mais intensidade. Quando não se consegue fazer a criança ingerir líquidos, ela tem febre e sangue nas fezes, deve-se levá-la logo a um médico”, alerta.

Dicas

A água é uma substância insubstituível e importante para manter a saúde. As pediatras Lia Cavalcante e Mércia Lemos dão algumas dicas de como os pais e as mães podem cuidar das crianças em tempos de calor:

- Água de coco e suco são complementares. Ou seja, não devem substituir a água potável

- A qualidade da água é essencial para uma boa saúde. Se não tem acesso à água mineral, os pais devem filtrar ou ferver a água para consumo
- Não utilizar bebidas com gás para crianças
- Saindo para um passeio ao parque ou à praia, por exemplo, leve água potável para a criança. Dar muito suco e pouca água favorece o aparecimento de cristais na urina, o que causa a formação de cálculos renais
- Evitar a quantidade excessiva de sucos artificiais, dar preferência aos naturais e usá-los como complemento e não substituição da água potável
- Água potável não é igual à água de coco, por isso não deve ser substituída
- Manter a higienização, lavar as mãos corretamente e beber água tratada evitam verminoses, giárdias e problemas gastrointestinais
- Oferecer sempre água à criança, não esperar que ela sinta sede; isso auxilia a digestão, evitando constipação (prisão de ventre) e problemas renais, além de manter a pele hidratada e regular a temperatura do corpo
- Até o sexto mês, a criança não precisa de outra alimentação como chá, suco, água ou outro tipo de leite. O leite materno é um alimento rico e oferece todos os nutrientes necessários para manter o bebê hidratado.

 

Assessoria de Comunicação do Hias

Presente a Iemanjá – Por: Emerson Monteiro

 

02 de fevereiro de 1977. Passávamos dias numa praia na Ilha de Itaparica, no Recôncavo Baiano, defronte a Salvador. Em redor de Itaparica existem dezenas de praias e vilas, além da cidade de Itaparica. Estávamos numa casa nas imediações de Manguinhos, vila próxima a Mar Grande, onde João Batista Reimão Neto, um amigo de São Paulo, me convidara a trabalhar na revisão de um livro que concluía; e permanecêramos durante duas semanas no local. Naquela tarde de 02 de fevereiro, Dia de Iemanjá, alguns habitantes da localidade ligados ao candomblé prepararam presente ao orixá e nos convidaram a ir de saveiro com eles até o meio da Bahia de Todos os Santos, e depositar em águas profundas a oferenda sagrada.
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Sempre munido da máquina fotográfica, me alojei num dos lados da embarcação superlotada de gente trajando indumentárias próprias, onde se destacavam vestidos brancos rendados, torsos e outros adereços da cultura afro-brasileira, isto entre milhares de ramalhetes de flores brancas do mais agradável perfume, enquanto ouvíamos batuque de tambores e os cânticos dedicados à Rainha do Mar.
Seguimos mar adentro em tarde nublada, fria, levados pelas velas a correr sobre as ondas agitadas do oceano. Águas batiam firmes no corpo da embarcação em nível não mais do que quatro dedos para chegar ao interior onde nos achávamos sentados de costas apoiadas nas bordas do barco pesqueiro a deslizar o leito encapelado e profundo das águas.
Lembro bem a emoção que me percorreu todo tempo, sustentada no ritmo dos instrumentos que se confundia com o palpitar aflito do coração embalado no misticismo daquele instante raro de beleza, no fervor da missão conduzida por babalorixá sob as influências do santo, enquanto respirávamos cheiro inebriante das plantas que também compunham o presente lá em seguida entregue a quem de direito com os ritos do ofício.
Guardei comigo a singularidade ora descrita, que busquei descrever de melhor modo, porém certo das limitações em revelar o suficiente da plasticidade e do mistério da cena inesquecível.

Jacó lutou com um anjo – Por: Emerson Monteiro

No vau de Jaboque, trecho de passagem do rio Jordão, na Palestina, diz o livro bíblico de Gênesis que Jacó, ao fugir de seu irmão Esaú, indo à busca de um pouso certo para a família, e desejando sobremodo evitar confronto de armas (Então Jacó temeu muito e angustiou-se; e repartiu o povo que com ele estava, e as ovelhas, e as vacas, e os camelos, em dois bandos.), entrou, porém, numa luta corporal com guerreiro inesperado que lhe apareceu tão logo passara os derradeiros acompanhantes, mulheres, servos e filhos.

VaudeJaboque

Naquela noite, até quando das fimbrias do horizonte nascesse o Sol, Jacó estabeleceu desforço físico de proporções inimagináveis com o desconhecido que se lhe interpusera no caminho. Só aos primeiros clarões do dia esse adversário aceitaria a impossibilidade de vencer o filho de Isaque, no entanto resolveu tocou a coxa de Jacó, estabelecendo pronto deslocamento do nervo da junção.

E disse: Deixa-me ir, porque já a alva subiu. Porém ele disse: Não te deixarei ir, se não me abençoares. E disse-lhe: Qual é o teu nome? E ele disse: Jacó. Então disse: Não te chamarás mais Jacó, mas Israel; pois como príncipe lutaste com Deus e com os homens, e prevaleceste.

Ao saber disto, o judeu pediria ao anjo que o abençoasse e lhe dissesse o nome. Por que perguntas pelo meu nome? E abençoou-o ali.

Peniel foi, assim, da parte de Jacó, batizado o lugar, pois, segundo ele, naquele canto avistara Deus face a face, e nele sua alma fora salva. Aos primeiros raios do Sol, restava exausto e manquejava de uma perna a qual, na junção da coxa, recebera estocada na peleja da noite.

Na Bíblia, se lê: Por isso os filhos de Israel não comem o nervo encolhido, que está sobre a juntura da coxa, até o dia de hoje; porquanto tocara a juntura da coxa de Jacó no nervo encolhido. Gênesis 32,32.

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Vida de cachorro grande – Por: Emerson Monteiro

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Invocado o cachorro lá de casa que tem pose de valentão, a quem resolvi lhe fazer regime de comer apenas uma vez por dia, tanto bom de manter o peso, gordo que parece um elefante novo, brilhante reluzente. Mas mesmo assim chegado a uma preguiça que é um negócio sério. Também vive só na intenção de comer e dormir, tirando poucos momentos de latir com os passarinhos que dividem com ele a caquera do alimento, ou ficam pulando pelo meio do terreno à procura do que fazer, jogando conversa fora nos cânticos melodiosos, vida de artista essa vida de passarinho.
Isso de demorar a comer desse exemplar de canino me relembra história que minha mãe contava quando a gente era criança. Dizia que a mãe da preguiça antes de servir a refeição perguntava à filha: – Preguiça, tá com fome? – E ela dengosa respondia: – Sim, mãe, ‘tou com muuiiita fome.
- Quer comer -, continuava no diálogo.
- Quero, quero -, lentamente respondia.
- Pois vá buscar o prato no armário.
- Ah, mãe, tão longe… Quero mais não.
Vejo naquilo agora nas atitudes do cachorro que crio preso durante o dia e à noite dorme solto. De queijo apoiado nas patas dianteiras o dia inteiro, filosofando que é uma beleza, de olhos no tempo, ali amarrado acompanhando o movimento dos outros bichos enquanto esquece a panela aberta com a ração exposta. Vêm tartarugas, estiram o pescoço, e comem. Os pássaros sobem na borda, e comem. As lagartixas, ligeiras, comem. Até os ratos, de noite, deram de furar o saco, deixarem suas marcas. E ele, o responsável, nada. Demora o dia todo no maior desinteresse, a me trazer de volta a velha história da mãe da preguiça.
No entanto serve de algum motivo, de lembrar alguns da espécie que somos nós, que desfilam dias e dias porque veem outros viverem.  Deixam o barco correr solto à espera do maná cair do céu, gostam do bom e do melhor, sem, contudo, nem de longe querer enfiar
prego numa barra de sabão. Observam as nuvens passar no firmamento e ficam à procura de achar na imaginação o pão que garanta o nascer dos dias seguintes. Ah, vidas essas às vezes parecidas com vida de gente acomodada.

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Diagnóstico preciso – Por: Emerson Monteiro

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Nunca, jamais, qual agora, as pessoas se conhecem tanto. Aonde se virar e nos vemos face ao espelho do mundo, nos objetos e nas pessoas, em velocidade inimaginável, de tudo quanto é maneira, sem descanso, nas páginas dos dias, sobremodo perante as telas espalhadas no quarteirão inteiro. Sem refresco no juízo, dormimos e acordamos ao som dos equipamentos eletrônicos e da sede sensacional das notícias a preencher o universo de mentes ansiosas das novidades recentes. A indústria da informação, os denominados meios de comunicação de massa, qual a bolsa de valores dos destinos, não têm férias nem intervalo de almoço. São as guerras da vez, os atentados, acidentes mil, imprevisões climáticas, medidas radicais dos governantes, escândalos oficiais ou privados, estatísticas atualizadas, prisões, investigações em andamento, novas doenças, novas curas; o que de manhã seria interessante, de tarde envelheceu e de noite virou a retrospectiva amarelada do tardio esquecimento. Uma máquina trituradora de esperanças.
Na fome desse ineditismo, marcha humanidade trôpega, feroz, ardilosa, impaciente, aos suspiros e dramas das páginas principais dos blocos de notícias que viraram a festa coletiva da pouca transformação, depois de quanto tempo de peleja nas vastidões históricas. Há como que uma radiografia internacional da espécie que diverge pouco da veracidade precisa da ciência que dominou o plano mental dos momentos do futuro. O ser que somos pela primeira vez é conhecido diante das câmeras do saber humano a ponto de existir pouquíssima chance de considerá-lo um desconhecido, aquele desconhecido de antigamente. Hoje a gente já se conhece a ponto de precisar sem sombra de dúvidas quem somos e discrepar quase nada de um conceito preciso da verdade total. Os equipamentos permitem isso através da evolução tecnológica e de exatidão matemática.
A comentar assim, fica bem clara a importância do instante presente, da certeza correta do autoconhecimento, de promover sérias correções no rumo que se tomou. Melhor ocasião nunca, jamais, qual agora, existe de as pessoas se conhecerem tanto… Não dá mais para onde empreender fuga, pois as paredes ruíram todas, e estamos sós e nus.

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HOMENAGEM DA SEMANA


CORREINHA

O Chapada do Araripe presta homenagens a um dos maiores mestres da cultura popular que faleceu em Crato recentemente, Francisco Correia de Lima, o Correinha, artista de várias linguagens atuante no município do Crato. Mestre Correinha nasceu no município de farias Brito no dia 14 de fevereiro de 1940, mas era um amante inveterado do Crato, município ao qual costumava fazer referências em suas canções. Talvez por não ter tido seu nome incluído nas listas anuais de mestres reconhecidos pelo Governo do Estado desde 2004, mestre Correinha tenha sido sepultado em meio a homenagens comoventes de moradores do município, mas, como ressaltaram amigos e familiares, sem o devido destaque por parte do Poder Público. Situação destacada durante a sua missa de corpo presente, enriquecida pelo acordeon de Hugo Linard, com quem Correinha gravou recentemente, 15 canções que agora constituem o último registro de sua obra. Segundo o próprio Hugo Linard, as canções registradas nesse último trabalho de Correinha em estúdio são, na maioria, inéditas. ´Ele gravou também ´Belezas do Crato´, mas as outras não tinham registro´, diz, citando canções como ´Coisas do meu sertão´, ´Exaltação a Barbalha´, ´Crato de Açúcar´ e ´Meu Cariri´ e ´Balanceio´. ´Fazia tempo que a gente tava cutucando ele, dizendo que ele tinha que gravar de novo. Ele fez dois compactos e outros discos, no tempo do vinil, além de vários cordéis´. Hugo Linard chama atenção para aspectos peculiares da trajetória de Correinha. ´Ele mantinha um bar aqui no Crato e ainda trabalhava como agente carcerário. Era tão querido que os presos pediram à família por ocasião do seu velório, para deixar um pouco o corpo dele lá na cadeia, para eles o homenagearem´.
Dalwton Moura

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AUXÍLIO À LISTA

Dicas de Filmes



Por trás de todo o grande homem se esconde um professor, e isso era certamente verdade para Bruce Lee que aclamava como seu mentor um expert em artes marciais chamado Ip Man. Um gênio do Wushu (ou a escola de artes marciais da China), Ip Man cresceu numa China recentemente despedaçada pelo ódio racial, radicalismo nacionalista e pela Guerra. Ele ressurgiu como uma Fênix das Cinzas graças à suas participações em lutas contra vários mestres Wushu e lutadores de kung-fu - finalmente treinando icones de artes marciais como Bruce Lee. Esta cinebiografia do diretor Wilson Yip mostra a história da vida de Ip.

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