Assessores de comunicação são parceiros, não aproveitadores – Por Beto Fernandes

PautaCostumo dizer há anos que dentre as muitas atividades difíceis que conheço na comunicação estão narrar jogo de futebol no rádio e, principalmente TV, apresentar programa jornalístico e concentrações públicas em período eleitoral.No rádio o locutor precisa criar toda uma situação para que o ouvinte se sinta ali, vendo o drible, a jogada, a falta, o toque refinado na bola até explodir de emoção como num clímax de prazer no grito de gooooooool! Na TV complica porque você precisa ser obvio já que o telespectador verá que o jogo não está bom como o narrador quer em função das conveniências comerciais.

O noticiarista político, o âncora, tem o dissabor de ser amado e odiado porque ao comentar sbre um partido X ou Y um político A ou B agrada e desagrada. A raça de político adora ser elogiada, mas quando é questionada se sente ofendida e o profissional que critica é subversivo ou ‘marronzista juramentado’ como diria Odorico Paraguaçu.
A situação fica mais grave quando todos notam que o apresentador não está seguindo a linha de formação de opinião, ou para ajudar nesse sentido, e acaba sendo obrigado a seguir a linha editorial política do empresário dono da emissora. Considerar a mídia como um poder independe é piada porque ela mais aliena que ajuda, de fato.
Sobre apresentação de concentrações públicas pondero a necessidade de criatividade para segurar uma reunião ou comício durante uma hora e meia, muitas vezes duas horas, com discursos longos, prolixos, chatos e burros na maioria. Com o fim dos showmícios fica difícil reunir pessoas em torno de um candidato que pretende apresentar suas propostas. O comunicador/apresentador é um diferencial e nisso, só tem espaço para os muito bons mesmo.
Feitas estas observações acrescento, por fim, outra atividade complexa: fazer comunicação institucional. Cada vez mais é complicado noticiar ações de um Governo, seja Federal, estadual ou Municipal. Como estou de volta a labuta quero agradecer a cada amigo radialista, jornalista, produtor-executivo de notícias, apresentador, colunista e blogueiros por receber e eventualmente publicar nossas sugestões de pautas.
Como disse, são sugestões e, apenas isso: sugestões. Você utiliza de acordo com sua criatividade, seu potencial técnico de apurar e utilizar a informação. Como Assessor de Comunicação Social sei que você não tem nenhuma obrigação de lê-la, mas se for uma pauta inteligente, razoável e de interesse coletivo, por que não aproveitar? Mais que isso, além de noticiar mantenha contato com as partes e convide as pessoas e técnicos envolvidos para uma entrevista não é verdade?
Compreendo que um programa seja no rádio ou TV, um blog ou jornal, antes de ser alguém é de várias pessoas.
Da mesma forma que você não tem obrigação de ler o assessor de comunicação ou a instituição que ele faz parte, necessária e obrigatoriamente não tem também de pagar pelo “serviço de leitura” não é verdade?
Pautar sim, apelar para divulgar, jamais!
Os assessores de comunicação são parceiros, não aproveitadores.

Os dez conselhos de Santo Antônio Maria Claret – por Armando Lopes Rafael

 

    Semana passada estive na belíssima Basílica Menor de Nossa Senhora de Lourdes, um templo em estilo neogótico, existente no centro de Belo Horizonte (MG), e, inegavelmente, uma das mais belas igrejas brasileiras. Essa igreja é administrada – desde o início da sua construção –, pelos padres claretianos, uma congregação religiosa fundada por Santo Antônio Maria de Claret.
   Acredito que o leitor nunca ouviu falar no nome deste grande santo: Antônio Maria Claret, nascido em 1807 em Sallent (Província de Barcelona – Espanha), Ele, fisicamente, era um homem de baixa estatura, temperamento ardoroso como são quase todos os catalães. Antônio Maria era oriundo de uma família bastante piedosa, que sobrevivia financeiramente na fabricação artesanal de tecidos. Por isso, ajudou o pai numa fábrica de tecidos até os 22 anos. Depois entrou para o seminário já que almejava um sacerdócio santo e como padre desejou consagrar-se nas difíceis missões da Espanha.
   Alguns anos depois de ordenado padre, Antônio Maria Claret foi promovido a Arcebispo da cidade de Santiago de Cuba. À época aquela ilha do Caribe era uma colônia espanhola,  mas sua população tinha a fama de possuir uma  situação moral  – já naquele recuado tempo – muito decadente. Santo Antônio Maria Claret dedicou-se à conversão da ilha cubana, e quando começou a obter a emenda dos costumes, desencadeou-se uma reação intensa contra ele. Sofreu tantas e tão fortes oposições, e até atentados contra sua vida, que a Rainha da Espanha acabou intervindo e o retirou daquelas terras. Dizem que ao deixar Cuba ele fez uma profecia de que a população daquela ilha, no século XX e início do século XXI, seria governada por uma dinastia cruel e corrupta, como castigo de Deus por terem rejeitado a verdadeira fé.
   Desde 1959 os irmãos Fidel e Raul Castro vêm governando Cuba, de forma tirana, sustentado-se no poder graças ao uso do chicote e das baionetas, contra a população paupérrima e indefesa.
    Mas voltemos a Santo Antônio Maria Claret. Na Basílica de Lourdes, em Belo Horizonte, ouvi falar nos dez conselhos deixados por aquele santo. Achei-os bem interessantes e, dito isso, repasso-os para conhecimento do caro leitor. A conferir.
1. Não deixes para ninguém o que tu mesmo podes fazer.
2. Não disponhas do dinheiro, antes de tê-lo em mãos.
3. Não compres coisa alguma, por mais barata que seja, se não a necessitares.
4. Evita o orgulho, porque é pior que a fome, a sede e o frio.
5. Nunca te arrependas de ter comido pouco.
6. Toma sempre as coisas pelo lado suave e seguro.
7. Se estiveres zangado, conta até dez antes de responder, e se estiveres ofendido, será melhor contar até 100.
8. Pensa bem antes de dar conselho e esteja pronto para servir.
9. Fale bem do teu amigo; e de teu inimigo não fales nem bem nem mal.
10. A resposta suave e humilde quebranta a ira, as palavras duras excitam o furor.

História do Brasil: ‘A República foi um golpe de Estado’

(entrevista concedida e publicada no jornal “O Globo”)

Dom Carlos Tasso de Saxe-Coburgo e Bragança
No Brasil para lançar um livro sobre as viagens de Dom Pedro II à Alemanha, tataraneto do imperador diz que Brasil é maior que qualquer governo
“Tenho 82 anos, oito filhos e dezesseis netos. Estou lançando um livro sobre as viagens de meu tataravô, Dom Pedro II, à Alemanha. Sou casado há 46 anos com uma prima, tataraneta da rainha da Áustria. Meu nome é um conglomerado de nacionalidades. Vivo em Portugal, mas morei 12 anos no Rio, em Copacabana’’
Conte algo que não sei
Na autobiografia de Dom Pedro II há um pedaço do diário anexado ao livro que estou lançando sobre suas visitas à Alemanha. Ali ele escreve como deve ser um imperador, e diz que inveja os presidentes da República. Muitos disseram que ele era republicano. Não era republicano nada. Tinha mais de 20 anos de governo. Era um peso. Tinha que governar até morrer. Um presidente depois é livre, vai ter um boa vida, viajar, estudar. Foi inveja mesmo, um grito à liberdade.
O que mais o livro revela?
Dom Pedro descreve como se tratam os dinheiros públicos. Qualquer desperdício é um furto à nação. Por exemplo, fazer um porto em Cuba ou no Uruguai. Isso ele não teria feito.
Por que escrever sobre a relação com a Alemanha?
Já foi escrito sobre a viagem dele à Rússia, à Escandinávia, ao Egito. Ano passado foi o ano do Brasil na Alemanha, e nada se sabia sobre as quatro viagens que ele fez ao país. Muito material sobre a viagem não existia porque Dom Pedro viajava como particular, não fazia viagens oficiais, pagava seus deslocamentos. Ele praticamente iniciou o que hoje temos como viagens à prestação.
O que motivou as viagens?
Em 1870, morreu de tifo, em Viena, sua filha, irmã de D. Isabel, a princesa Dona Leopoldina, sepultada na Alemanha. Ele queria ir, rezar no túmulo dela. Na quarta viagem, já como imperador destronado, só lhe davam bom-dia, sem honras. Visitou grandes indústrias, como a Krupp. Não queria comprar canhões, era antimilitarista, mas achou que o Brasil tinha que estar na vanguarda da técnica e bem guarnecido, depois do caso do Paraguai.
Como foi viver no Brasil, com esta herança?
Um peso. Antes muita gente dizia: com esse nome, facilita. É o contrário. Se eu me chamasse Antônio, teria sido muito mais fácil. Mas temos que oferecer uma parte própria de sabedoria e de prática. As pessoas valem pelo que elas são e não pelo nome que levam.
Qual a história do nome?
Sou um conglomerado de nacionalidades. Tenho parentes no mundo inteiro, sangue italiano, alemão, inglês, português, espanhol. Procuro tirar o melhor de cada pedacinho.
Seus filhos falam a língua?
Todos. Fizeram estágio aqui. E têm nome brasileiro: um é Afonso Carlos, o outro José, outro Antônio, outra Leopoldina… Quanto mais conheço o mundo, mais aprecio o Brasil, com todos os seus defeitos. É um país extraordinário, com uma natureza maravilhosa. Gostaria de voltar a ser fazendeiro, criar umas vaquinhas.
O Brasil esquece a história?
Muita coisa caiu no esquecimento voluntariamente pela República. A História é escrita pelo vencedor. As grandes bases da República de hoje foram feitas pelo Império, em todos os sentidos. Uma delas foi a dignidade que o imperador imprimiu à coisa pública.
A República foi culpada pela deterioração da política?
A República, antes de mais nada, foi um golpe de Estado. Eles tiveram medo de uma reação do povo, por isso embarcaram Dom Pedro de noite. Isso já foi um sinal de fraqueza muito grande. Não posso dizer que a culpa seja da República. O Brasil é tão rico! E sempre se falava: está à beira do abismo. Por pior que o governo seja, o Brasil caminha. Ele é maior.
(“O Globo”)

Imediatismo – Por: Emerson Monteiro

 Na Bíblia, há exemplo clássico de imediatismo. No livro de Gênesis, exausto e faminto, Esaú, neto de Abraão, aceitou de bom grado a proposta de Jacó, irmão seu, para trocar o direito de primogenitura por um simples prato de pão, caça guisada e lentilhas. Sem medir as consequências do gesto, se rendeu ao impulso do momento, refugando o futuro melhor que lhe aguardaria.

Tantas e tantas histórias existem dessas atitudes irreverentes que não custa notar o quanto rotineiro virou comportamentos de pessoas agirem por impulso, a considerar apenas irresponsabilidade, preguiça e má fé como coisas naturais para si e os demais. Esquecem, na prática, que a vida é longa e o pensamento, breve, palavras sábias do cancioneiro popular.

A política disso preenche inúmeras páginas, com homens e mulheres, nas suas funções profissionais consagrados médicos, advogados, sacerdotes, jornalistas, artistas, exímios e valorosos, largar tudo para demandar as tetas do erário público. Lá, longe de origens reais e vocacionadas, trafegam alienados peixes fora da água, zumbis de gabinetes e corredores, que se põem perdidos no campo das vaidades e do poder escorregadio, em detrimento da competência necessária ao exercício do comando.

Outras formas de imediatismo acontecem nas aventuras e conquistas das civilizações colonizadoras. Espanhóis a destruir os povos do Novo Mundo, astecas, maias e incas, à cata de sonhos materiais e botins da ganância. Portugueses, na febre das esmeraldas, em matanças e destruições dos primitivos da Vera Cruz. Invasões bárbaras da Europa. Ingleses e franceses na espoliação da Ásia e da África. Tudo somado aos crimes ambientais há décadas promovidos na ocupação dos recursos naturais de matas, rios e mares, em prejuízo da rica e dadivosa Natureza, e reações da existência na Terra.

Isso também vista a jornada coletiva que devolve o pensamento a estados melancólicos, diante dos equívocos cometidos: Então replicou Esaú: Eis que estou a ponto e morrer; logo para que me servirá o direito de primogenitura? Jacó deu a Esaú pão e o guisado e lentilhas; e ele comeu e bebeu; e, levantando-se, seguiu seu caminho. Assim desprezou Esaú o seu direito de primogenitura, confirma o texto bíblico (Genesis 25, 32) lá no Antigo Testamento.

Um golpe frustrado – Por: Emerson Monteiro

Na época em que foi prefeito de Lavras da Mangabeira, Gustavo Augusto Lima precisou seguir até Fortaleza, deixando a substituí-lo José Augusto de Oliveira (Zé Borrego), seu primo e esposa de uma de suas primas.

Algumas semanas passadas na solução dos compromissos que o levaram à Capital, Gustavo regressa ao município, pronto a retomar as atividades executivas.

Nesse meio tempo, contudo, grupo político adversário convencera Zé Borrego de não mais lhe devolver o mandato, coisas de quando sucessões municipais ocorriam na ponta do punhal e na boca do cravinote, de tão precário modo que o peso da força prevalecia em contrário aos ditames democráticos dos tempos adiante, dominância da rebeldia oportunista.

O líder Augusto chegara à noite. Ouviu de aliados a confirmação dos boatos que corriam soltos no lugar. O coronel Gustavo seria, com isso, vítima das demarches praticadas na sua ausência.

Dia seguinte, às primeiras horas da manhã, se dirige ao paço, sentido fixo nos afazeres do cargo que lhe cabia.

De longe, visualiza bem no curso da porta principal da Prefeitura a pessoa de Borrego, corpo franzino, calvo, olhos fundos, sagaz e impaciente no ânimo de manter a fúria golpista que desenvolvera.

Atitude própria de quem ignorava o motivo dos acontecimentos imprevistos, Gustavo chega ao prédio na intenção de reaver o posto que confiara às mãos infiéis do parente.

Imbuído no propósito de manter a sublevação, Zé Borrego não arredara os pés e, menos ainda, transparecia qualquer satisfação com o retorno de Gustavo, lhe bloqueando a passagem. Nessa hora, face a face, nos desejos do poder, obstinado, manifestou aos quatro ventos da praça sua intenção avassaladora:

- Gustavo, para entrar aqui você terá que passar por cima do meu cadáver – isso falado num tom duro, deixando claro que pretendia sustentar até o fim a manobra e possíveis consequências.

Ciente, pois, da teimosa disposição de quem antes dele merecera confiança, Gustavo Augusto esqueceu alternativas. Passo rápido, determinado, empurrando nos peitos, afrontou o que visse pela frente, de jeito que readquiriu no muque o domínio da ação e penetrou no recinto, após lançar ao solo, qual traste inútil, o afogueado usurpador, asseverando abusado entre os dentes:

- Sai do meio, Zé Borrego! Que tu nem cadáver possui – e de novo se investiu no cargo de Prefeito da localidade, restabelecido às condições anteriores.

A ultima vitima do Caldeirão.

 Sitio-CDepois de percorrer algumas propriedades do cariri, morando de favor, o beato Jose Lourenço assentou-se na Fazenda Caldeirão no Município de Crato, imóvel este que pertencia ao Padre Cícero. Antes do seu estabelecimento definitivo, ele já comandava uma legião de trabalhadores temporaneos, que lhe obedeciam e seguiam seus passos fanaticamente. Se algum fazendeiro estava em dificuldade para limpar um grande roçado, solicitava seus préstimos e ele lá comparecia com cinqüenta, cem ou duzentos homens; o serviço era feito em horas ou em poucos dias. O pagamento ficava a critério do beneficiado; um boi, um cavalo, sacos de milho, feijão, rapaduras, etc, ou simplesmente um muito obrigado. O rateio das doações era feito entre todos. E assim, quando o Beato foi morar naquele lugar já levava um “regimento”. As terras que não produziam nada viraram uma Canaã.

O poder publico, da época, ainda não acreditava no que o beato apostou: parceria, mutirão, irrigação, obediência e trabalho. Ficou enciumado com o sucesso da comunidade e haja perseguição, ate que veio a ordem para a destruição do assentamento.

Comandando uma fração de tropa vinha da Capital um jovem oficial, já conhecido no meio policial pelo seu caráter violento e inata malvadeza: Tenente João Inácio de Vinhas. Antes de deflagrarem a ação, os comandantes maiores falando a tropa, fizeram ver aos futuros combatentes, que apesar de ser uma guerra, no campo de batalha eles iriam encontrar mulheres e crianças, que deveriam ser respeitadas ao maximo. Depois do bombardeio, a infantaria avança e o Tenente à frente do seu pelotão ficou cego. Matava homem, mulher, menino, porco, galinha e de resto ateava fogo nos casebres. A carnificina foi grande.

Quase no final da refrega, sai de uma toca uma mulher arrastando uma criança; a arma do oficial funcionou: matou a criança e feriu a mulher. Nisso o marido aparece intercedendo pela esposa, mas Inácio assegura que vai acabar com o sofrimento dele e dela.
Seu policial, mate-me, mas deixe-a viver para criar os outros três inocentes.
Que nada jagunço safado, vai ela e você também!
Se é assim homem, pode matar-nos, mas fique sabendo que no dia de sua maior agonia, você chorara pelos os seus e pelos meus.
Dois tiros ecoaram nas quebradas da Chapada do Araripe.

Quarenta anos se passaram. O já coronel Inácio estava deitado na sua rede no alpendre aproveitando a brisa, quando foi rendido por dois marginais. Ainda esboçou resistência, tentando pegar seu revolver em cima de um tamborete, mas foi dominado. Sendo obrigado a entrar na residência, vê também serem rendidas à filha e a neta. Imobilizado, o velho militar assistiu ao estrupo de ambas; enquanto desesperado enchia-se de raiva, lembrou-se do episodio do Caldeirão e chorou copiosamente pelos dois fatos. O coronel entrou em depressão morrendo dias depois e, como todos os que participaram daquela matança, até aquele dia já haviam morrido de maneira misteriosa ou trágica, acreditamos que o Cel Inácio foi a ultima vitima do Caldeirão.

Cel. Jose Ronald Brito.

Um caixeiro cearense em Nova Iorque – Por Carlos Eduardo Esmeraldo

NovaIorqueA história abaixo  relatada saiu em uma edição da Revista Exame que eu li por volta de 1977, há cerca de trinta e sete anos, portanto. Dessa edição, perdeu-se no tempo a revista e, apagou-se da minha memória todos os demais temas tratados, ficando apenas a narrativa que se segue, como prova do espírito empreendedor e inovador de uma das mais marcantes personalidades de nosso estado. 

A esposa de um jovem empresário cearense foi acometida de uma estranha doença, cujos médicos locais sugeriram tratamento em São Paulo. Lá chegando, uma junta médica aconselhou o empresário levar sua mulher aos Estados Unidos. Não era doença tão grave que, o dinheiro não pudesse resolver. Com as indicações de quem e onde procurar o atendimento em Nova Iorque e de posse do competente prontuário médico vertido para o inglês, o nosso empresário decidiu acompanhar sua esposa à terra  do “Tio Sam”. Em lá chegando, sua mulher foi atendida numa das mais importantes clínica da cidade de  Nova Iorque.

Realizados novos exames, o marido foi informado de que sua esposa deveria ficar alguns dias internada, sem permissão de acompanhamento de familiares e visitas permitidas apenas nos dias de domingo.

No primeiro dia a sós na cidade, o nosso empresário resolveu dar uma volta pelo centro da cidade, examinar as lojas, verificar os avanços e as possíveis novas técnicas de vendas e marketing. Sentia-se sem saber o que fazer perambulando no meio de um verdadeiro formigueiro humano, que eram as ruas da grande metrópole, quando notou uma lojinha, espécie de chapelaria, cuja vitrine se encontrava vazia e às escuras. Como precisava comprar uma capa de chuva, entrou na loja onde o proprietário, um senhor idoso,  cujo aspecto lhe pareceu ser o de um judeu, era o único atendente. Começou uma interessante conversa com o dono da loja que lhe informou que as vendas estavam muito fracas. Então resolveu gastar seu inglês para se divertir pedindo emprego:
- O senhor não sente falta de uma pessoa para lhe ajudar? Sou brasileiro, há pouco  chegado aqui e estou precisando trabalhar. -  disse o empresário
-  Meu amigo, não posso lhe pagar um salário, pois como lhe falei, minhas vendas são fracas.
-  O senhor não precisará me pagar nada. Apenas se achar justo me conceder uma gratificação de dez por cento sobre o acréscimo das vendas que se verificarem após o inicio do meu trabalho. Se as vendas não progredirem, o senhor me despede sem nada me pagar. – Proposta mais do que tentadora para um presumível judeu. Como previra o candidato a emprego, o velhinho concordou e o jovem vendedor iniciou seu trabalho.

Sua primeira providência foi dar uma arrumação geral na disposição dos artigos da loja. As malas mais bonitas e de melhor qualidade foram convenientemente expostas na vitrine que ganhou nova iluminação, de modo a despertar a atenção das pessoas que passavam pela calçada da lojinha. Ali também foram colocados outros artigos que a loja dispunha para oferecer ao público, todos eles de grande utilidade. O interior da loja também teve as lâmpadas trocadas de modo a fornecer a sensação de se estar ao relento em uma ensolarada manhã.

Não demorou muito para o efeito se fazer notar. Logo no primeiro dia, o número de visitas à loja cresceu exponencialmente e quase cem por cento das pessoas que entravam na loja saia levando consigo algum artigo relacionado com as condições do tempo, capas e guarda-chuvas, luvas, casacos de lã, malas e sacolas para viagem, enfim, a loja conheceu um acréscimo de vendas jamais imaginado por seu proprietário. Nosso empresário cearense se divertia, à seu modo, como talvez não o fizera quando criança em suas brincadeiras. Mas contrariando um famoso dito popular, a alegria de rico às vezes também dura pouco. Um belo dia entrou na loja um engenheiro americano que estivera no Ceará projetando e montando uma das instalações industriais do empresário, agora transmutado em simples comerciário. Ele, ao avistar o engenheiro, tentou se esconder por trás de alguns artigos, mas fora notado e reconhecido pelo engenheiro que perguntou ao dono da loja:
- Quem é aquele homem que se encontra escondido por trás daquele material?
- Um imigrante brasileiro que veio me pedir emprego. É um vendedor muito esperto. Depois que muito a contra gosto eu resolvi empregá-lo, minhas vendas cresceram extraordinariamente. -  Respondeu o comerciante.
- Que imigrante, que nada! Aquele homem é um dos empresários mais rico do Brasil! E se chama Edson Queiroz. – Dito isto o ricaço brasileiro saiu de onde estava, abraçou o amigo e riram bastante da brincadeira, diante do comerciante americano admirado e intrigado. Não me recordo se a reportagem citou alguma explicação relativa a continuidade do emprego ou sobre à gratificação sobre o acréscimo das vendas a que o informal contrato de trabalho aludia teria sido paga.

Por Carlos Eduardo Esmeraldo
BLOG DO JUAZEIRO

Sertão, Sim Senhor !

 
SERTÃO SIM SENHOR – O vocábulo sertão significa, aos olhos dos que não são daqui, uma região sem cultivo ou lugar longe de povoação ou de regiões cultivadas, ou seja, um grande deserto incivilizado. Percebe-se, com pesar que, a visualização do sertão sempre esteve ligada ao despovoamento, aridez, espaços distantes e sem civilização. 
Discordo desse ponto de vista e justifico porque: A representação homogênea de uma identidade nordestina se observa, por exemplo, na predominância de uma temática no discurso regionalista dominante sobre o Nordeste: a seca no sertão. Esse discurso, além de restringir a região ao território sertanejo, também é pautado numa visão negativa. Esse olhar homogêneo e pejorativo sobre o Nordeste é preconceituoso e distorcido. O Nordeste é “lido” através da repetição do tema da seca, associada ao flagelo natural. Quando Graciliano Ramos compôs “Vidas Secas”, em 1937, estava diante de uma República sem a vocação da incorporação política e social de setores da sociedade que, até então, viviam inteiramente à sua margem. 
O sertão nordestino da contenção verbal de Graciliano Ramos revela, sem eufemismos, a ação opressora do clima e de um modelo sócio-cultural e político adverso, diferentemente do sertão mineiro de Guimarães Rosa, um universo farto de mito e linguagem, um entrelugar textual que articula narração antropológica e transfiguração poética e reflexão filosófica. É visível que a imagem sobre o Nordeste e, consequentemente, sobre os nordestinos, particularmente o sertanejo, foi se firmando de forma preconceituosa e criando raízes difíceis de serem extirpadas. A visualização sobre o Nordeste acaba por se concentrar na descrição da miséria e dos horrores proporcionados pela seca. Essa visualização, além de estar no imaginário das pessoas, está registrada em livros de história, de geografia e mesmo na literatura. Essas descrições, entre tantas outras, fazem emergir uma tônica de sofrimento, e de abandono também pelas autoridades políticas governamentais. E não é bem assim. 
Quando lemos um livro que fala sobre o sertão/sertanejo, observamos que o tipo ali narrado é sempre um infeliz, um miserável, muitas vezes incivilizado, bruto e ao mesmo tempo humilde como a terra, como o meio onde sobrevive, mas forte e capaz de aguentar a dureza da seca, como se absorvesse a natureza do lugar. Esse estereótipo acaba sendo a identificação do sertão-nordeste, consequentemente, do sertanejo. A natureza molda a terra que molda a vida que modifica o homem. Porque estou batendo tanto nesta tecla? É preciso desmistificar essa idéia rudimentar de que o sertão e ou o sertanejo é alguém cujos valores são diferentes daqueles que não tiveram a sorte de nascerem nestas plagas, não existe um povo mais corajoso e lindo do que o nordestino, temos a doçura na alma capaz de adocicar a alma mais sem doce que houver, essa mistura de sofrimento e esperança, de luta e desenganos é que faz o tempero do povo nordestino e o torna um dos mais raros deste país, justamente pela sua perseverança em não desistir nunca e por está intimamente ligado a mãe terra e as suas raízes culturais. 
Sertão sim senhor, porque não?
 
Por: Elder Consultor

Chips em humanos – Por: Emerson Monteiro

A empresa Applied Digital Solutions, há poucos anos, defendeu na justiça seus direitos sobre o Verichip, um dispositivo que garantia empréstimo da IBM.

A ADS, que pedira empréstimo de US$ 77 milhões à IBM, alegou que a gigante corporação norte-americana usava a situação para controlar subsidiária que detinha propriedade intelectual sobre o Verichip, microprocessador que pode ser implantado sob a pele humana e lido por sensor externo.

Lançamento recente, o Verichip será usado na segurança e identificação de emergência, dentre outras situações. Autoridades afirmaram que a empresa não poderia vender o produto para aplicações médicas porque ele ainda precisaria ser testado.

A companhia considerou que a IBM quis com isso impedir que a ADS recebesse financiamentos de outras fontes, o que permitiria que honrasse seus pagamentos, segundo consta do processo.

O presidente da ADS, Scott Silverman, afirmou que a companhia pedira reparação de danos: Temos a obrigação de proteger os bens da companhia e nossos acionistas do que consideramos como pirataria corporativa, disse.

Tais mobilizações jurídicas demonstram o quanto avançaram as pesquisas com a tecnologia de controle dos indivíduos nos tempos quando esses ficam sujeitos ao acompanhamento das máquinas quais coisas, contextualização de causar espécie aos autores de ficção que previram o domínio da liberdade coletiva, porém de jeito tímido e distante da realidade presente.

Não se sabe a quem recorrer, nem a quem interessam ditos artefatos, no entanto são mais os países ricos que recorrem a tais instrumentos de domínio, para evitar o assédio de forças das populações marginalizadas e seus modos imprevisíveis de reagir, o que, porém restringirá ao máximo o direito e ir e vir, sob o argumento dos governos de se defender dos agressores potenciais.

Por essas e outras, as pesquisas inovadoras da IBM e das suas subsidiárias parecem ganhar corpo e invadir dimensões do direito fundamental da pessoa humana com esses possíveis chips implantáveis sob a pele, ineditismo de espantar a multidão.

Em consequência, pois, dos avanços virtuais, o futuro ultrapassará as raias da imaginação e penetrará os mistérios mais profundos da imponderabilidade.

Duro Castigo – Por Carlos Eduardo Esmeraldo

 

A história que abaixo narrarei me foi contada por uma amigo engenheiro paraibano, já falecido. Considero-o que era um cidadão acima de qualquer suspeita e portanto uma pessoa digna de crédito, embora o fato por ele contado é de fazer tremer qualquer defensor dos direitos humanos.

Na época da ditadura Vargas, existia um interventor na Paraíba, figura equivalente a de governador, pessoa de confiança do chefe supremo da nação, nomeado conforme os compromissos com o regime imposto no chamado Estado Novo. Tratava-se o interventor de homem bastante culto, pai de escritor de renome e ele também escritor e autor de vários livros, um dos quais muito usado pelos vestibulandos nos dias de hoje. Não obstante esses atributos, o interventor era intolerante com a violência, roubos e qualquer tipo de indisciplina. Além do mais era austero nas punições que mandava aplicar.

 Num período em que todos os direitos dos cidadãos estavam suspensos, as famílias do estado da Paraíba vinham sofrendo uma onda de assaltos e roubos em suas residências. As prisões do estado estavam todas superlotadas. Então o interventor resolveu encomendar um barco que comportasse no mínimo cem pessoas.

Recebido o barco, o interventor ordenou ao chefe de polícia que escolhesse cem presos para um passeio marítimo. Em alto mar, cada preso recebia um crachá com número variando de 01 a 100, colado ao pescoço por um grosso cordão, tal qual os funcionários das repartições públicas. Numa área bem distante do continente, onde só se via água e o azul do horizonte, o grupo era reunido e comunicado de que seria realizado um sorteio. Aquele que possuísse o número sorteado deveria se apresentar ao capitão para receber o premio do passeio.

Realizado o sorteio, dois ou três guardas pegavam o sorteado e o atiravam ao mar. Após isso, o barco retornava ao porto, onde os 99 restantes eram solenemente recepcionados pelo interventor.
-  “Vocês viram o que acontece com malfeitores e aqueles que desobedecem a lei? Pois vocês serão soltos. Voltem para seus estados e digam aos seus colegas como é que os marginais são tratados aqui na Paraíba. Os que forem daqui evitem um novo passeio marítimo para não correr o risco de serem sorteados”. – Avisava o interventor.

O meu amigo acrescentou que após poucos meses, a tranqüilidade retornou às famílias paraibanas, e muitas delas dormiam com portas e janelas  abertas, pois nada era roubado. 

Pessoalmente não concordo com esses métodos dignos das ditaduras mais cruéis que não respeitam a vida como um dom de Deus.

Devemos refletir nos males que uma ditadura faz às pessoas, principalmente à nossa dignidade de pessoa humana. E procurar evitar que algum dia voltemos a um novo período ditatorial.

Por Carlos Eduardo Esmeraldo

Cinza – Por Elton Simões

 

 
Foi-se, se é mesmo que existiu, o tempo em que narrativa precisava fazer sentido. Os fatos eram colocados cuidadosamente em ordem de maneira a levar audiência a acreditar na conclusão. Por isso mesmo, toda historia precisava ter começo, meio e fim.
Desde que as narrativas foram dispensadas de fazer sentido, as coisas se tornaram mais complicadas de entender. A realidade perdeu as cores. Branco não existe preto não há. Tudo parece ser cinza. Tudo parece o mesmo.
Neste mundo pintado de cinza, as explicações variam e se transformam dependendo dos interesses imediatos. Não saber virou qualidade que inaugura a existência o pecado sem pecador.
Parece que nunca antes na história deste país existiram tantas pessoas que não sabiam. E tantos fatos sem explicação lógica. Ou tantas explicações sem sentido. Ou melhor, nunca as explicações foram tão pouco importantes.
Talvez porque acompanhar os fatos tem se convertido em tarefa árdua. A sucessão de fatos novos e escândalos inusitados é tão grande, e tão diversa, que foco passou a ser luxo que a condição humana não permite.
Tudo parece sobrecarregar os sentidos e apagar a memória. Escândalos novos substituem os anteriores, dispensando-os de explicação adequada. Não existe papel, tinta, tempo, ou espaço na memória para acompanhar cada um deles do início ao fim.
Em uma realidade construída de tons de cinza, tudo soa e se parece mais ou menos igual. Ali convivem e colidem sonhos do passado e pesadelos do futuro na ausência de narrativas que emprestem sentido aos fatos.
Tudo seguindo o ritmo acelerado das revelações de fatos não explicados fadados a serem rapidamente substituídos por outros escândalos que, por sua vez, também estarão destinados a permanecerem inexplicáveis. Tudo, de alguma maneira, ocorre sem a que a luz clara do sol possa iluminar e ajudar a entender cada acontecimento. A zona é cinzenta, afinal de contas.

De corpo e alma – Por Merval Pereira, O Globo

 
Davilaejoaquim-divulgacao
A primeira entrevista mais longa para a televisão do ministro Joaquim Barbosa, presidente do Supremo Tribunal Federal, dada ao jornalista Roberto D’Ávila no seu programa de estreia na Globonews, é um depoimento revelador de como pensa e age um dos principais atores da atual cena pública brasileira.
Ele não apenas anuncia formalmente que não será candidato a nada nas eleições deste ano, como faz questão de separar sua atuação da vida política, da qual diz preferir se manter alheio.
Ocupando um dos principais gabinetes na Praça dos Três Poderes, ele se diz distante de “tudo o que se passa aqui (nessa Praça dos Três Poderes) que tenha caráter político”.
Retira também do processo do mensalão, do qual foi relator e alvo das críticas dos petistas, qualquer caráter político na sua atuação, mas reconhece que ele trouxe “um desgaste muito grande, com uma carga política exagerada, um pouco turbinada pela mídia também”. Ressalta que, por estratégia, tomou sempre as principais medidas ouvindo o plenário.
Certas penas não foram muito pesadas?, pergunta o entrevistador, e Barbosa rebate: “Ao contrário. Eu examino as penas aplicadas nesse processo e as comparo com as penas aplicadas aqui no STF pelas turmas, só que em casos de pessoas comuns, e (quem fizer a comparação) vai verificar que o Supremo chancela em habeas-corpus coisas muito mais pesadas”.
Ele não atribui à transmissão pela TV das sessões um papel importante nas atuações dos ministros, e fala de sua própria experiência: “A televisão me incomodava muito nos primeiro meses, depois me acostumei e nem noto que há televisão”.
Durante toda a entrevista o ministro procurou colocar-se como uma pessoa diferente do que o pintam, tanto em relação à sua carreira quanto ao seu comportamento na vida pública.

“No Brasil a vida pública é quase um apedrejamento. Acompanho a vida institucional de alguns países e noto uma diferença fundamental. Noto no Brasil um processo paulatino de erosão das instituições e esse apedrejamento parece fazer parte disso. 

Com quantos ministérios se faz um governo? – Por Joaquim Falcão.

Quantos ministérios teria eventual governo de Aécio Neves? Quantos teria o de Eduardo Campos-Marina? Esta é pergunta que os eleitores gostariam que fosse logo respondida.
A estrutura visível do governo deve ser um dos temas preferidos nos debates na TV entre os candidatos. É uma mensagem de fácil comunicação para o eleitor. Concretiza para o senso comum a discussão abstrata sobre o tamanho do estado. E com certeza diferencia candidatos.
Existe crescente percepção na opinião pública de que nem a administração pública, nem mesmo o próprio governo precisa de 39 ministros. Em vez de ajudar a governar, ajudam a desgovernar. Em vez de viabilizar a liderança da presidência, a paralisa.
Foi o que vimos agora na reforma ministerial: uma Presidenta tentando se livrar da gula fisiológica exacerbada estimulada pela existência de tantos ministérios.
Como lembra Roberto Paulo Cezar de Andrade, um dos mais respeitados empresários brasileiros: “não há país civilizado onde o Congresso abrigue 19 partidos (são trinta os existentes) e o Presidente tenha 39 ministérios. Numa empresa privada, os acionistas certamente despediriam o Presidente que contratasse 39 diretores. Teriam que fazê-lo rapidamente antes que a empresa entrasse caoticamente em falência.”
A multiplicação dos ministérios acaba sendo um mecanismo disfarçado de aliciar votos, diz Roberto Paulo Cezar. A democracia brasileira precisa arranjar uma nova política onde o Congresso convirja com a Presidência, sem ser por Mensalão ou ministérios.
 

Eletrocutada, a inépcia vira empulhação – Por Elio Gaspari, O Globo

 

Eletricidade

Em dezembro a comissária Gleisi Hoffmann lastimou as inundações do verão dizendo o seguinte: “Não temos como evitar chuvas”. Sábia senhora, reconheceu que até lá não vão os poderes petistas.



O problema é que, não podendo também evitar a estiagem (“estresse hídrico”, no dialeto do poder), o governo desorganizou o setor elétrico, apostou contra o clima, perdeu e, como não poderia deixar de ser, a conta vai para a patuleia.
Na hora de explicar, a doutora Dilma (ex-ministra de Minas e Energia) continuou cuidando do PMDB e mandou para a vitrine uma equipe de eletrotecas que fizeram o possível, mas não responderam à principal pergunta: quem pagará o buraco de R$ 12 bilhões? (Ervanário equivalente a todos os investimentos do governo em janeiro).
Em fevereiro o ministro Edson Lobão já avisara: “A repercussão não será imediata”. Óbvio, ela chegará no ano que vem, depois da eleição. É nesse ponto que a inépcia associa-se à empulhação.
Um governo que mobilizou sua máquina de marquetagem quando baixou as tarifas não teve a lealdade de reconhecer que precisa aumentá-las logo.
Numa trapaça da fortuna, no dia em que os eletrotecas anunciaram as novidades, o ministro Guido Mantega recebia uma missão da Standard & Poor’s que veio estudar as contas do país para avaliar a credibilidade do governo. Ecoava impropriamente o tempo das missões do FMI.
Nem a S&P tem essa bola toda, nem deveria ser mimada com cerimonial e exibicionismo. Mesmo assim, infelizmente, se o negócio é credibilidade bastava que assistissem à entrevista dos eletrotecas.

Se Padre Cícero ainda fosse o prefeito de Juazeiro do Norte –– Por: Daniel Walker

 

(Publicado no blog “Portal do Juazeiro”)

O presidente Lula, a presidente Dilma, o deputado Guimarães e o PT asseguraram que era ponto de honra, prioridade máxima, a ampliação do Aeroporto Regional Orlando Bezerra de Menezes, localizado em Juazeiro. Mas nada disso adiantou para impedir que a Infraero suspendesse a liberação da verba de 15,8 milhões de reais destinada aos trabalhos de ampliação do nosso aeroporto. Isso é o que acontece quando se deposita confiança em político no Brasil. Porém, se Padre Cícero ainda fosse o prefeito de Juazeiro esta cidade teria sido escolhida como sede de jogos da Copa, ganharia um novo e luxuoso Romeirão e o nosso aeroporto seria internacional e já estaria concluído. Ah, Como Padre Cícero faz falta!

Daniel Walker

SUS

 

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O Coronel Benedito Brandão estava eufórico. Acabara de ver a noticia no radio. Já estavam fazendo transplante de pénis. Transplante ele não sabia bem o significado, trocar um morto por um vivo, novo em folha, ah isso ele sabia sim. Não bateu pestana vendeu o gado todo a foi a São Paulo e fez a operação. De volta, no alto de seus 80 anos,causou inveja a qualquer um Dom Juan ou Casanova. Não escapava ninguém. O Velho se tornou o maior garanhão da redondeza.
Sabedor do desempenho advindo do transplante, o Coronel Leandro Belisario, decidiu fazer o mesmo. Foi a São Paulo, procurou o mesmo medico e partiu para empreitada. Quando tomou conhecimento do valor da cirurgia deu o maior pinote. O que, isso tudo, eu não vou vender meu gado todo para fazer uma operação.
Propôs ao medico fazer pelo SUS. O medico desaconselhou. Olhe aqui Coronel Leandro Belisario, tanto demora muito a autorização como os resultados podem não serem satisfatorios. O homem era mão de vaca e decidiu fazer pelo SUS.
Na data marcada fez o transplante. Retornando para o sitio parecia um capão, o que era morto não dava sinal de vida. Depois de seis meses sem fazer bangalafomenga resolveu ir a casa do Coronel Benedito Brandão receber algumas informações a respeito do causo.
Ao encontrar, foi logo perguntando de forma curta e grossa: Coronel Benedito, como você sabe eu fiz a mesma cirurgia que você fez. Estou precisando de algumas informações, porque estou desconfiado que o resultado não vai ser o esperado. Sou cinco anos mais moço do que você. Gostaria de saber, no seu caso, quanto tempo o que era morto levou para ressuscitar? Uma semana, respondeu o Coronel.
Tenho ou não tenho razão de está preocupado, já passaram seis meses e nada, nadica de nada. Então Benedito sugere ver parte tansplantada do Leandro para avaliar os procedimentos ou comparar os assemelhados. Quando o Coronel Leandro mostrou: Ouviu a noticia cabeluda. Ah, bem logo vi! Essa aí era a minha.

Conversa de engenho – Por: Emerson Monteiro

 
As sombras longas do fim de tarde casavam bem com o clima morno que se estabeleceu no beco entre a casa grande e o engenho, onde, acocorados, os homens da moagem ouviam atentos as narrativas do cigano Lourenço a propósito de seus sonhos e andanças pelo mundo, embalados na zoeira festiva da meninada a correr em volta, agitação natural de quem aceita as coisas e nelas se integra.

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Fez-se no ar apito estridente do locomove ao término da jornada, liberava no eito a turma dos cortadores de cana, enquanto os ouvintes estiravam na distância o sentimento para buscar a vegetação do outro lado da represa o voo suave das garças silenciosas, salpicando de brancas reticências o azul metálico da tarde em declínio, por cima de troncos calcinados das carnaubeiras; palmas tremeluzentes e ruidosas. O vento, por seu turno, escamava as ondas e distorcia a imagem das nuvens no leito do açude velho.

Palavras e aves do entardecer raspavam de leve os chapéus de palha dos caboclos, retorcidos pelo sol e manchados de suor, noturna sensação de abismo que entorpeceu os ânimos, alguns a esfregar os olhos no canto dos dedos, qual querendo despertar de sono pesado e guardar com esforço o que ouviam.

Lourenço pôs-se de pé; catou as cordas dos burros e bateu-lhes nas ancas, tangendo-os ladeira abaixo na direção do reservatório. Meio caladão, tinha desses instantes de ficar sem saber explicar direito o porquê de se chegar naqueles assuntos graves, novidades antigas do interesse de quase ninguém e necessidade eterna dos mortos e vivos. Saber para onde se vai depois, quando acabar isso daqui.

O focinho dos animais, na calma das águas, ia desenhando movimento de ondas sucessivas, chamando a atenção do viajante para o sentido que tomavam, indo quebrar nas margens de pedra e argila ou se faziam mais extensas e rumavam para longe, no leito das águas profundas, oscilando a babugem esverdeada e as moitas de mofumbo adiantadas no lodo, quebrando o repouso das rachanãs e galinhas-d’água.

- … Muitas oportunidades individuais – repetiu baixinho as derradeiras palavras de há pouco, querendo gravar, qual saíssem de uma outra boca que não a sua.

É cara de pau – Por Mary Zaidan

 
Trem-bala, seis mil creches, 500 UPAs, Brasil rico, sem miséria. Fome Zero, transposição do Rio São Francisco, presídios federais de segurança máxima. Promessas de um futuro espetacular que nunca chega. Especialidade da geração de marqueteiros que alcançou o ápice no período Lula, a venda do paraíso – que tem sido repetida com sucesso – pode não ter tanta valia em 2014.
Os sinais são muitos. Nas ruas e fora delas. No bolso do cidadão que paga cada vez mais impostos sem a recíproca de serviços mínimos, no cotidiano de quem depende da esfera pública para ter educação, saúde e transporte.
Daí ser quase incompreensível a insistência dos arquitetos eleitorais da presidente Dilma Rousseff em apostar nos fogos de artifício do PAC 3, previsto para abril.
Apresentado por Lula em 2007, o primeiro PAC era arrebatador, com obras que pretendiam revolucionar o País. Ganhou forte apoio do empresariado, chegou a causar inveja até em gente da oposição. Mas empacou.

Para turbinar a campanha de 2010, o PAC ganhou uma segunda edição, e uma mãe, a então ministra Dilma Rousseff, a quem Lula atribuía o sucesso da versão anterior que mal saíra do papel: 54% das obras nem projeto tinham. Na época, anunciou-se com estardalhaço que o PAC 2 significaria investimentos em torno de R$ 1,6 trilhão. Os últimos dados apontam a execução de R$ 665 bilhões, a maior parte em financiamento habitacional. O 9º balanço, aguardado para a semana que passou, nem mesmo foi divulgado.
Pouco importa se os demais PACs empacaram. O ano de 2014 tem eleição e vem aí o PAC 3. Apelidado como PAC da mobilidade, o mesmo termo que sustentou a ilusão do upgrade das cidades que sediarão a Copa do Mundo da Fifa.

Na mesma toada que deu certo na eleição anterior, no site do PAC, o futuro é hoje. Em destaque estão investimentos de R$ 2,5 bilhões em Belo Horizonte, capital do estado-base do candidato tucano à presidência, Aécio Neves. Antes de tudo, reforça a campanha do mais querido dos auxiliares de Dilma, o ex-ministro Fernando Pimentel, que disputará do governo de Minas.
O PAC oficial festeja ainda o legado dos Jogos Olímpicos de 2016, com quase R$ 1 trilhão de investimentos. Comete-se o mesmo erro dos sonhos dourados da Copa.
Difícil imaginar que os marqueteiros de Dilma, com todo o instrumental de que dispõem, incluindo pesquisas de opinião pagas com o dinheiro do contribuinte, errariam o tom. Deve ser por isso que decidiram misturar o requentado discurso do “quem não está conosco está contra o País” à promessa do Brasil Xangri-La.
Pode até dar certo de novo. Mas é muita cara de pau.

A divina conformação – Por: Emerson Monteiro

 
Na Palestina, depois que Jesus fora crucificado e as coisas pareciam retornar à normalidade antiga, João, um dos apóstolos, não encontrava canto, qual dizem dos que enfrentam sem aceitar as situações limite.

Durante semanas, sua vida era só de amarguras, sofrimento por cima de sofrimento. Aquela ferida aberta com a perda do Mestre parecia crescer cada dia um pouco mais. Aonde seguisse, levava saudade imensa da divina presença, fugindo dele o gosto de viver, e ninguém conseguia consolá-lo. Tornara-se, por isso, preocupação de amigos e familiares.

Alguém lembrou, então, Maria de Nazaré, de quem devessem esperar palavras de conforto, pois ela revelara exemplo superior de resignação face à inominável tragédia que vitimava os seguidores do Mestre.

Incontinenti, viajou João ao lugar em que morava Nossa Senhora.

Depois de uma demorada conversação, a santa mulher indicaria que ele chegasse às imediações do Mar da Galiléia, porquanto, nas suas margens acharia o motivo suficiente de recobrar as forças e a firmeza de tocar seus dias.

João aceitou o conselho. Buscou as praias daquele mar, onde permaneceu durante algum tempo. Relembrara ali os passeios felizes de vezes anteriores, absorto, porém, no transe da dor inominável. Certa tarde, preso à beleza das águas, se deixava inundar em gratas recordações quando avistou, deslizando na sua direção, sobre o espelho fino das ondas, o vulto magnânimo de Jesus.

Nesse momento, um perfume de incenso raro imantava os ares, idêntico ao que experimentara próximo da cova em que antes depositaram o santo corpo do Nazareno, lá nas proximidades de Jerusalém.

Perante o suave fragor quis esmorecer, pungido sob o peso das emoções que lhe tomavam o íntimo, raro instante. Fechou os olhos em fervorosa contrição, e ouviu nos refolhos da alma lacerada, translúcida, a voz do Verbo de Deus:

– Estimado João, jamais queira imaginar que habito longínquas paragens, longe que fosse dos que amo. Sempre saiba, quando alguém me chamar com sinceridade, ao seu lado estarei, no universo dos verdadeiros sentimentos, acima de qualquer obstáculo, pois não há distância entre os que de verdade se amarem.

Desde esse dia, tocado nos eflúvios de revelação inesquecível, o apóstolo se entregou abençoado à força da mais sublime conformação, no ponto de transmitir à Humanidade os ensinos sagrados da missão que Deus lhe confiara.

Os suplentes estão angustiados esperando serem chamados pelo Presidente da Câmara – Ed Alencar

É triste, muito triste, plagiando aqui um vereador,  ao acompanharmos de perto essa angustia dos suplentes que esperam uma decisão do presidente da câmara Luis Carlos Saraiva, que também espera um parecer da justiça, para chamar ou não os angustiados, onde por causa desse impasse, um já entrou na justiça e outros pensam em fazer o mesmo.
Na sessão desta segunda feira 10/jan, conversamos com o presidente Luis Carlos, que reafirmou que só tomará uma atitude de chamar ou não, quando ouvir a justiça, pois não tem como pagar os que estão afastados, e aos suplentes.
Perguntado também sobre o concurso público da câmara que foi acordado desde o ano passado com o Ministério  Público. Disse ele:  Como posso realizar o concurso sem saber se o juiz vai chamar suplentes, se vereador vai ser afastado, sem ter finanças para fazer o concurso, não é do meu feitio eu fazer aqui atos para tá enganando a população, já comuniquei  ao Ministério Público, o fato de estar de mãos atadas, assim como não posso fazer qualquer licitação para a câmara, seja para  publicidade ou outros fins, porque não vou ter valor financeiro para pagar  os suplentes caso sejam chamados.
Por: Ed Alencar
Repórter/Membro do Blog do Crato

Tempo, tempo meu – Por Xico Bizerra

 
“O tempo não para e, no entanto, ele nunca envelhece”.
Caetano Veloso, em ‘Força Estranha’.

Às vezes quero sair por portas que não existem, portas por mim mesmo inventadas. Quero pular muros que só eu enxergo.
- Calma, Xico, o tempo é o senhor da razão – diz-me a alma, candidamente.
- Eu sei – respondo de mim para mim, mas o tempo corre e talvez não dê tempo. E as horas, que passavam horas pra passar, agora passam em segundos, velozes, num raio de luz. Por que a pressa? Estará a vida em nosso encalço, feito polícia, ávida por nos prender? Por que a correria? O rio em que banhamos nossos pés se desencherá, se não nos apressarmos? A lua deixará de estar lá em cima, prateando nosso chão se, ao invés de ficarmos parados, contemplando, corrermos? O canto dos passarinhos será tão breve que não conseguiremos ouvi-lo? Nosso amanhã se desmanchará se formos pacientes e sonhadores?


Não, não quero a pressa. Quero a paz da calma, o sossego da preguiça, o esperar chegar. Quero a vida, o sonho, o amor. Quero a paz, pra mim, pra nós. Quero o tempo passando preguiçosamente, no compasso certo do tempo. Quero o meu tempo chegando no tempo certo. Não me avexo. Não se avexe. Dêem-me uma rede pra balançar o tempo e fazê-lo dormir, enrolado num lençol de cambraia bem branquinho, cor da paz.

 

Demutran-Crato: a volta da “indústria da multa” – por Armando Lopes Rafael

 
   
No dia 27 de agosto de 2013 (há mais de cinco meses), por volta das 13 horas, vinha eu descendo, no meu veículo, a Avenida São Sebastião, bairro Ossian Araripe. Aquela via , como todos sabem, é mão e contramão, exceto o pequeno trecho da ladeira, quando – quem vai em direção ao centro de Crato – tem de descer a ladeira pela Rua Carolino Sucupira. Pois bem, descendo por esta última rua constatei que a mesma estava interditada por um caminhão, atravessado ao meio da via pública. Este caminhão impedia o fluxo do tráfego de veículos, num flagrante desrespeito às normas de trânsito. Talvez quebrado, ou recolhendo entulhos, o motorista do caminhão sequer colocou cones de advertência.  Devido ao imprevisto, e como tinha hora marcada no oculista, dei marcha-ré e me dirigi a Pracinha do Pimenta utilizando os poucos metros da ladeira da Avenida São Sebastião.Decorreram uns dois minutos, mas uma dupla do Demutran subia a ladeira e viu.
 
   Como o Demutran-Crato só é ágil para multar, 2 dias depois recebi a notificação. Imediatamente redigi minha defesa justificando o fato acima e, — no mesmo dia que recebi a notificação –, a entreguei aquele órgão responsável pelo trânsito de veículos desta cidade. Depois de 5 meses, na tarde de ontem, recebi, pelo correio, a comunicação de que minha defesa não fora aceita e tenho de pagar uma multa no valor de RS 191,54, além de constrangedores  7 pontos negativos na carteira, com a anotação “gravíssima”.
 
    Justo agora, quando o Demutran-Crato vive a pior fase da sua existência. Até a “Zona-Azul” que facilitava o estacionamento de veículos no centro da cidade foi desativado. Regredimos em nível das pequenas cidades nordestinas. O trânsito de carros em Crato piorou sensivelmente,nos últimos meses. O que se vê agora, de ação daquele órgão, são apenas  duplas de fiscais percorrendo a cidade em motos, multando a torto e a direito. Um fiscal dirige. E outro, na garupa, faz as anotações das multas. Convido o leitor a ver os colégios do centro de Crato, no início e término das aulas. As imediações ficam abarrotados de veículos. No colégio Santa Teresa, apesar da rua estreita,  ficam duas filas de veículos estacionados (a cada margem das calçadas) aguardando os alunos, deixando apenas o meio da rua para a passagem de uma única fila, cujos carros fluem devagar, bem devagarinho. E nesses locais não tem um fiscal do Demutran orientando o fluxo de carros. Já para multar existem funcionários sobrando! Pobre Crato!
   

Vá entrando, Senhor Bispo.

DomQuintinoDom Quitino.
 
Lá pelas tantas das quantas, uma noticia alvoroçou a pequenina Várzea-Alegre: Dom Quintino, bispo do Crato, a cuja jurisdição pertencia nossa paróquia, ia fazer a desobriga costumeira e estaria, breve, entre nós. Não sei por que cargas d’agua, fui escolhido para saudá-lo, na sua visita a escola, item infalível de sua jornada. Talvez, porque Papai fosse capaz de fazer meu “improviso”. Jamais, pela minha eloqüência, que eu nunca demonstrara, antes. Instruções foram dadas, em todos os sentidos: como fazer a sua chegada, como bater palmas, como falar, educadamente, o comparecer com a roupinha limpa, bem passada, os quinaipes limpos etc e tal. Não sei, não me lembro se fiquei envaidecido ou um tanto aperreado com a incumbência. O certo é que papai escreveu, la, umas caprichadas linhas, que eu decorava, lendo varias vezes por dia, com inflexões e gestos medidos, nas vésperas do grande evento. Coisa de fazer inveja a Nabuco. Tava na ponta da lingua Por segurança, no entanto, no dia, levei o discurso escrito, no bolsinho da blusa. Perfeito tribuno, pronto a enfrentar as massas, no seu verbo inflamado e eloqüente.
Mas menino você sabe como é. Na hora de arrastar o improviso, o papelzinho tinha desaparecido, o haviam tirado. Embora o soubesse de cor, fiquei todo sem jeito, de todas as cores do espetro, suava e tremia e, até da existência da língua, tinha minhas duvidas. Santo Deus. Pelas janelas da sala já se via a comitiva que se aproximava, solene, imponente, respeitável. Como o sol que penetrasse na sala, Sua Excia Reverendíssima adentra o templo, Majestoso, no colorido esplendor de suas vestes de alto dignatário da igreja. Olhei para o homem e pensei: – Tô lascado. Buscando forças que não tinha, dei um passo a frente, como havia sido ensinado. Do discurso, inteiramente apagado em meu bestunto, não me restava uma só palavra. Por salvação, lembrei-me de papai quando, em casa, recebendo um amigo, sempre dizia: Vá entrando, a casa é sua. Num plagio vergonhoso, só mudei uma palavra: Vá entrando, Senhor Bispo, a casa é sua.
 
Dr. J. Ferreira.

Coisas nossas – Por Zé Nilton

 

Agio

Só lembranças…

“Se com a idade a gente dá para repetir casos antigos, palavra por palavra, não é por cansaço da alma, é por esmero” . (Chico Buarque de Hollanda).

Prazeroso seria puxar pela reminiscência dos amigos, principalmente de uma legião afeita a desafiar, quase que diariamente, as nossas retinas fadigadas para olhar pessoas, paisagens e acontecimentos, como faz o nosso Blog do Sanharol, e indagar “quem são os da foto”? Sem dúvida muitos acabariam “descobrindo” quem é quem no quadro.

Mas não se trata disto. Quero falar de lembranças e de propósito.

Corria o ano de 1962. Um dia qualquer do mês de dezembro, com 12 anos completos, descia Lameiro abaixo, tangendo um jumento, levando água lá da “fonte de Dona Zulmira da Franca Alencar” para a minha casa.
De repente, ao passar em frente à residência das irmãs filhas de Santa Tereza, um homem de óculos de fundo de garrafa, do lado de dentro da cerca de arame, com gestos firmes, diz:
-Êi, Zezinho, – (todos os garotos, como fazia também o Mons. Montenegro, eram chamados assim)-, você quer aprender música e ajudar a missa?
Eu, meio abobalhado, nem disse que sim nem que não. Em casa, falei à minha mãe, que foi comigo, no outro dia, “saber dessa história”.
Padre Ágio foi em férias para o Sul, e eu fiquei aprendendo latim com uma irmã, muito linda e de voz rouca, que acabou sendo a minha primeira paixão e meu primeiro pecado, por pensamento.
Em janeiro de 1963, o Padre inicia o curso de teoria musical com 12 garotos. No mesmo ano estava formado o “Quarteto Villa-Lobos”. Olhem aí na foto: eu ao violão, PITUCHA (Alexandre Reinaldo dos Santos), de saudosa memória, ao contrabaixo, Augusto MOREIRA, de Figueiredo (de saudosa memória) no acordeón e o Padre Ágio no violino.
No natal daquele ano fizemos a nossa primeira apresentação pública no Hospital São Francisco, dirigido pelo saudoso Mons. Pedro Rocha de Oliveira.
Monsenhor Rochinha acostumado a assistir a Orquestra S. José, do Seminário, com cerca de 53 músicos, criada pelo sacerdote maestro, quando da nossa apresentação, abriu a cortina do auditório, dizendo:
- Em com as senhora e senhores, a orquestra do Pe. Ágio!
Muitos aplausos. Eu deveras envergonhado. Como quatro músicos formariam uma orquestra? Mas tudo perdoado por conta do entusiasmo do inquieto Monsenhor.
Outra decepção (talvez), esta do público, no mesmo auditório, no natal de 1966, agora com a formação de sete músicos. Explicando: desde 1965 a música “Olê, Olá”, de Chico Buarque, tocava nas rádios, na interpretação de Nara Leão. Chico gravou no ano de 1966. Pois bem, quando anunciamos a música “Oilê, Oilá”, vieram calorosos aplausos. Eu, já todo me “chiquetando”, senti o porquê da ovação. Que nada, a música era outra, e o título também. Mas no calor do momento, e a música do Chico fazendo sucesso, claro que o público esperava ser aquela obra prima da “unanimidade nacional”. No entanto tratava-se de uma toada do paulista Mário Pinto da Motta, também chamada “Deixa o Pinho Soluçar”, interpretada pela dupla paulistana Cascatinha e Inhana.
“Oilá, oilê
Deixa meu pinho gemê
Oilê, oilá
Deixa o pinho soluçá.
Minha viola
É puro sangue brasileiro
Pois foi feita de um pinheiro
Que veio do Paraná
Quando ela geme
Desabafa minha mágoa
Os meus olhos enchem d’agua
Com vontade de chorar.”
Em 1967, o hoje Mons Ágio cria a Sociedade Lírica do Belmonte, onde ainda hoje funciona, e cujo embrião resultou da formação dos músicos da Vila Santa Terezinha.
E é aqui que eu quero chamar a atenção. Não podemos nunca deixar desfalecer um projeto como o da SOLIBEL. As atividades desenvolvidas pelo complexo educativo-musical contribuíram para mudar a fácies do Belmonte e adjacências. Não é de hoje que a Sociedade Lírica passa por problemas de toda ordem. Um dia critiquei, mas conversei depois com pessoas ligadas às atividades, que têm dando o seu sangue pela continuidade do “sonho realizado”. Não me resta outra coisa a não ser também ajudar a que ela cumpra a sua tão singela missão.
(Foto reproduzida do livro “Um Sonho Realizado”, de Padre Ágio Augusto Moreira, edição do autor, s/d, Crato-Ce., p. 32).

E para quem gosta, no nosso programa Compositores do Brasil de hoje, às 14 horas, na Rádio Educadora do Cariri (www.radioeducadora1020.com.br), o singular Zé Rodrix e suas músicas ritmistas e pra cima.

 

A DIFICIL MISSÃO DE TER CARATER, SER INTEGRO E HONESTO – POR ANTONIO MORAIS

 

Dariomoreno

Da esquerda para direita: Dr. Dario Moreno, prefeito de Várzea-Alegre,  Dr. Aírton Castelo Branco, promotor de justiça, Otacílio Correia, Dr. Lemos, o esposo da juíza, Hamilton Correia, Governador do estado Parcifal Barroso, Deputado federal Joaquim de Figueiredo Correia.
Dedicado ao Dr. Vicente Moreno Filho.

Existem coisas que fogem a compreensão. Quando se escreve  sobre as denuncias  de roubalheiras, cafajestadas dos canalhas que  se apoderaram do puder, aparece gente, aos montes, para defendê-los.  Justificativas as mais diversas, geralmente mostrando erros do passado, assim como se dois erros dessem um acerto. 
Porém, quando se escreve sobre pessoas integras, honradas, honestas há um silencio enternecido,  não aparece ninguém para comentar. Pra tudo, na vida, há uma medida padrão. Para o comprimento é o metro, para o peso o quilo, para o volume o litro, para o homem o caráter, descência e honradez.
Infelizmente, nos dias atuais, pessoas largam tudo,  empresas, cargos funcionais, até a família para serem políticos, que seja  prefeito de uma cidadezinha qualquer do interior. Gastam milhões para se elegerem, sabendo que o retorno será de vinténs. Não temem por nada: sociedade, família, justiça, nem a Deus.
Não se vê mais exemplos como o Dr. Dario Batista Moreno, homem honrado, integro, competente, culto. De posse de um mandato de prefeito de sua terra natal, fez concurso para promotoria  publica, e, em sendo aprovado renunciou ao mandato que o povo lhe concedera e, foi desempenhar  com honras, louvores e brilhantismo uma carreira sem igual no ministério publico. 
Exemplos de grandeza dessa magnitude são o azar dos canalhas que hoje se apoderaram  da politica no Brasil.

Antônio Morais

A FESTA DA SANTA CRUZ DA BAIXA RASA

 

Artigo de Cacá Araújo¹ 
Baseado em relatos populares

Um vaqueiro vindo do Pernambuco atravessava a Floresta do Araripe. Chegando à Baixa Rasa parou para descansar. Exausto, faminto e fraco, resolveu ali ficar, à espera de que alguém passasse e pudesse lhe ajudar, saciando-lhe a fome e a sede. Sua valentia de sertanejo ainda o ajudou a resistir por alguns dias.

O corpo sem forças. O desespero e a agonia já o dominavam quando, mesmo com a vista turva, conseguiu ver um grupo de homens montados em burros, que seguiam em comboio, certamente transportando mercadorias. Tentou gritar, mas sua voz, quase apagada pela tirania da fome e da sede, produziu apenas um fraco sussurro. Não foi ouvido e os homens seguiram seu destino rumo ao Crato.

Repentinamente um dos comboieiros, numa avivada de consciência, disse aos camaradas que lá para trás tinha visto um homem caído bem na beira da rodagem. Resolveram voltar para ajudá-lo, mas ele já havia morrido. Morte silente, testemunhada pelos pássaros e pelas plantas que pareciam chorar diante daquele quadro de desventura. Encontraram-no sobre folhas secas, a cabeça escorada numa raiz de árvore, os olhos abertos ainda reclamando um sopro de misericórdia. Fecharam-lhe os olhos. Libertaram sua alma. Seu corpo foi enterrado ali mesmo, no palco encantado de seu teatro de agonia. Com varas da mata fizeram a cruz que cravaram em sua cova. Isso aconteceu, segundo relatos, nos idos de 1880. Nascia, assim, o mito da Santa Cruz da Baixa Rasa.

O martírio daquele vaqueiro foi divulgado pelo grupo de comboieiros ao povo da região. Tomados pela compaixão e motivados pela forte religiosidade, os moradores dos arredores passaram a frequentar o lugar e rezar por sua alma, a fazer promessas, a suplicar milagres.

São diversas as histórias sobre a origem do mito. Mas o real é que vários milagres são atribuídos à Santa Cruz da Baixa Rasa, dentre eles o atendimento a uma promessa feita por uma senhora, em 1914, quando uma terrível peste espalhou-se por diversos pontos do Nordeste. Ela, com inabalável fé, pediu que a epidemia não chegasse ao Cariri. Foi atendida e o povo da região ficou livre da doença. Essa senhora era conhecida como Vó Pretinha, matriarca da família Estêvão, família que até hoje mantém a tradição de rezar aos pés da Santa Cruz da Baixa Rasa.

Muitas graças foram e são alcançadas e, todo 25 de janeiro, uma grande romaria de devotos acorre ao local, que fica a cerca de 20 quilômetros da cidade do Crato, dentro da Floresta Nacional do Araripe.

Uma clareira aberta no coração da mata virgem. Ventos soprando a ancestralidade de um povo religioso, que ainda tem o privilégio de conviver com a natureza divina, mãe de todas as crenças e mitos e desejos e esperanças. Um oráculo nordestino onde os filhos da terra procuram respostas que lhes livrem da ação implacável da esfinge que a todo tempo lhes apavora com a possibilidade de condenação ao inferno. A Santa Cruz da Baixa Rasa é magia matuta. É a busca incansável da felicidade. É o céu que se insinua aos impuros que buscam a clemência de Deus.

Purgar os pecados, pagar promessas, cantar, rezar pela cura e por querer ser feliz. Aqui, instala-se um ritual misto de sagrado e de profano: missa, devotos, benditos, vaqueiros, bandas cabaçais, reisados, maneiro pau, penitentes, cantadores de viola, políticos de matizes diversos, pesquisadores, curiosos. É o espírito da devoção e da festa, como no princípio, onde o sagrado e o profano eram um só.

¹Cacá Araújo (texto e foto) é professor, dramaturgo e folclorista, diretor da Cia. Brasileira de Teatro Brincante, radicado em Crato-CE.

Ânimo forte – Por: Emerson Monteiro

 
Emerson Monteiro 2Em épocas críticas, precisamos levantar os olhos e buscar forças internas, por vezes desconhecidas, mas de primordial importância na preservação do gosto de viver com maestria. Nesses períodos austeros, as responsabilidades de um veículo de comunicação crescem no sentido de formar as consciências, razão de lhe caber papel estratégico na manutenção do espírito elevado nos que o manuseiam à cata de valores.

E os tempos políticos e econômicos atuais geram, a seu modo, preocupações de várias ordens, nos diversos quadrantes do cotidiano.

Pais de famílias avaliam o futuro e se apreendem pelos filhos. Jovens sentem a exiguidade dos instrumentos para forjar válidos objetivos. Sociedades carecem de providências administrativas a corresponder aos desafios urgentes da hora.

No quadro geral, há reclamações de retoques na realidade impostos sob coerência que deveriam ter e, no entanto, isto não ocorre no curto prazo, a demonstrar vistas turvas daqueles que conduzem o rebanho humano. De outro lado, a Natureza segue a ordem eterna, a falar de sonhos e das perspectivas de quando se enfoca o pólo positivo.

O modo no utilizar das normas do viver precisa aprimoramento. Ninguém há de negar que o progresso propicia maravilhas. A todo instante, novas fontes de poder trazem inovações. Em face disso, torna fácil admitir potencial e saber dos fatores vitais de sobrevivência.

Antes de quaisquer atitudes negativas, portanto, se concentrem esforços e escolham os melhores caminhos. Depois, o resultado prático indicará os andamentos, numa espécie de geração espontânea. Para chegar à felicidade, longos trechos apresentam oscilações, dificuldades, instabilidade relativa, que bom senso resolverá.

Preservar o espírito de vitória, por isso, sustentar o ânimo de lutar, base firma da epopéia do crescimento a que todos se submetem, jornada adentro do viver com sabedoria e sucesso.

As guerras, a inflação, os dramas familiares, demais impasses temporárias, mudam a toda hora nos eus contrários, nas experiências inevitáveis da formação da personalidade e crescimento individual, fatores de integração e unidade espiritual. Eles não são opositores e, sim, complementares.

Religiosidade, filosofias e sentimentos agradáveis, amizade, beleza, arte, poesia, idealismo, esperança, altruísmo, revestem os elementos ao dispor, na procura pelo sentido existencial da história.

Porquanto os mestres indiquem a direção e exista, nos mistérios da vida, a chance fabulosa da verdadeira felicidade, amar com vigor as coisas boas da existência, tal a condição da paz no coração da gente. Sintonizadas, as realizações nascerão por via de consequência junto com o sol das manhãs, peças em movimento do sistema universal.

Vivamos com intensidade o dom especial de partilhar tudo isso com os demais, e elaborar a melodia da Eternidade através da liderança de Si Mesmo, artífices da Paz, eis o que somos todos nós.

Segredos e Revelações da História do Cariri

 

Brazilimperialblason2Pinto Madeira, nem herói nem vilão –por Napoleão Tavares Neves (*)
Certa vez, em conversa com o Padre Antônio Gomes de Araújo, ícone da historiografia regional e meu velho mestre do saudoso “Ginásio do Crato”, a ele perguntei: “Afinal, Pinto Madeira era de Jardim ou de Barbalha?”
A resposta veio taxativa: “Era de Barbalha, do sítio Coité, entre o Silvério e o Mondés, mas com atuação política, sobretudo a partir de Jardim, porque ali tinha ele uma alma irmã: o Padre Antônio Manoel de Sousa, ambos monarquistas ferrenhos.” ( acima, o Brasão do Brasil Império, este defendido por Pinto Madeira)

Esta digressão introdutória vem muito a propósito, sobretudo para provar que Pinto Madeira era polêmico até na sua naturalidade, sempre envolto em um halo de dubiedade até pelas elites intelectualizada do Cariri.
Sim, porque a História de Barbalha prova que ele nascera no sítio Coité, nas vizinhanças do Distrito-Vila de Arajara cujo nome, em Tupi, significa “Terra onde nasceu o homem” e este homem é Pinto Madeira! (ao lado, paisagem do sopé da Chapada do Araripe próximo ao Sítio Coité, onde nasceu Pinto Madeira). Por outro lado, a rodovia asfáltica que liga Barbalha a Crato via Arajara, cortando ao meio o sítio Coité, é Rodovia Pinto Madeira.
Assim sendo, sou a favor da veracidade histórica desta segunda hipótese quanto ao seu nascimento, já que segundo o historiador Dr. Odálio Cardoso de Alencar, “História se faz com fatos e datas”. Ademais, a redoma geográfica formada pela Chapada do Araripe, fazia de Jardim o lugar estratégico para preparação das tropas pintistas que, em avantajado número de cerda de aproximadamente 2 mil homens armados de cacetes, recebiam na história Matriz de Santo Antônio de Jardim, as bênçãos da Igreja em uma Santa Missa celebrada pelo primeiro pároco, Padre Antônio Manoel de Sousa, por isto imortalizado como “O benze-cacetes”, recebendo publicamente o ânimo inicial de “guerra sagrada” de restauração do Trono do Brasil, pondo Jardim em destaque nacional na luta pela Monarquia do Brasil.
Pela falta de armas de fogo, os revoltosos de Pinto Madeira eram armados de cacetes de madeira jucá ali encontrada, fazendo com que no Cariri em geral, cacete e jucá fossem sinônimos.
Por outro lado, apesar de sua importância no Cariri, Pinto Madeira nunca foi devidamente estudado nem pela elite intelectualizada, permanecendo quase desconhecido da grande maioria, apesar de ser nome de rua em quase todas as cidades caririenses.
Pois bem, agora, em muito boa hora, vai sair de Jardim uma obra de fôlego que disseca a saciedade a vida atribulada de Pinto Madeira, pondo-a no seu devido lugar na historiografia regional: “Pinto Madeira, nem herói nem vilão”, da jovem e arguta historiadora jardinense, Nélcia Turbano de Santana.
É um estudo sério, objetivo, judicioso e fundamentado, além de escrito em castiça linguagem, trazendo a lume toda a trajetória do irrequieto revolucionário que terminou por protagonizar o mais esdrúxulo julgamento da História do Brasil, no qual, quase no alvorecer da República, o condenado não teve sequer o primordial direito de defesa! Suas testemunhas sequer foram ouvidas!Pasmem! E qual seu horrendo crime? Crime de lesa Pátria? Não e Não! Crime de participação ativa, na linha de frente de tantos movimentos revolucionários, tendo Jardim como palco? Revoluções de 1817, 1824 e 1832?
Não! O homem foi sumariamente fuzilado nos arredores da Vila Real do Crato, no lugar Barro Vermelho, pela morte do português, Joaquim Pinto Cidade, na batalha pintista do sítio Buriti, arredores de Barbalha, quando tantos atiraram, mas só a bala de Pinto Madeira foi considerada mortífera, em uma recuada época, quando não havia laudo cadavérico por aqui” Mais uma vez, Pasmem!
Foi, não há como negar, uma sumária execução direcionada, encomendada, quando o Senador José Martiniano de Alencar, já ascendera ao elevado posto de Presidente do Ceará. E eles eram figadais adversários!
Pois bem, o máximo que Pinto Madeira conseguiu foi que comutassem a sua sumária pena de morte para fuzilamento, em vez de enforcamento! E isto já nos seus derradeiros momentos de vida, quando “já fedia a cadáver”, segundo palavras textuais de um dos juízes!
Tudo isto e muito mais ainda, está no excelente livro “Pinto Madeira, nem herói nem vilão”, de Nélcia Turbano de Santana, jardinense até pelo histórico nome familiar. Esta oportuna obra merece ser publicada até pela Prefeitura Municipal de Jardim que tem à frente, pelo quarto mandato, um homem inteligente e de visão de futuro, médico Dr. Fernando Neves Pereira da Luz, por sinal, meu primo e afilhado.
Finalizando, devo dizer ainda que o substancioso trabalho de Nélcia Turbano de Santana mergulha fundo na História regional trazendo a lume até as condições econômicas da ambiência da época onde e quando tudo se deu. É, portanto, na minha visão, obra meritória, rara e única no gênero.
(*) Napoleão Tavares Neves, médico e historiador, residente em Barbalha

“Os negros que seguram o chicote para bater em outros negros não são meus irmãos”‏

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Voltando ao mensalão
Há um sentimento majoritário cristalizado na consciência da maioria das pessoas que formaram opinião sobre o julgamento da ação penal 470, o dito “mensalão”, de que os fatos narrados na denúncia são verdadeiros e o ministro relator Joaquim Barbosa, tão rasgadamente admirado por uma parcela significativa do grupo que compõe essa maioria, agiu de acordo com a lei e portanto cumpriu com seu papel judicante ao atuar incisivamente, algumas vezes confrontando seus colegas de plenário até com laivos de grosserias e destemperos verbais para que os réus fossem condenados e exemplarmente punidos acabando com a impunidade nos crimes de corrupção cometidos pelos “ricos e poderosos da república”.
Os ricos e poderosos nesse caso não são os empreiteiros donos das grandes construtoras: Andrade Gutierrez, Camargo Corrêa, Odebrecht e Queiroz Galvão, apenas para ficar nos quatro maiores que juntos tocam obras orçadas em 138 bi e que têm um poderoso lobby no congresso nacional atuando com toda sorte de pressões para influenciar e direcionar o Orçamento Geral da União de acordo com seus interesses pessoais, financiadores dos caixas de campanha dos partidos políticos do atual sistema eleitoral do PT ao PSDB. Caixa dois que fique bem claro, depois chamado de dinheiro não contabilizado.
Não são os banqueiros dos grandes conglomerados econômicos: Bradesco, Itaú, Santander, Opportunity e outros. Não são as grandes operadoras do sistema de telecomunicação nacional: Oi, Vivo, Tim,Claro etc… Não são as multinacionais que subornaram políticos do PSDB em São Paulo no agora conhecido “trensalão”: Alstom e Siemens. 
Não são as grandes mineradoras, enfim não são os que figuram na Lista de Furnas, os corruptores que estão aí desde o arco da velha contaminando as campanhas políticas, financiando a compra de votos de eleitores e de parlamentares, subjugando os congressistas para que se voltem contra os interesses maiores da nação. Esses que se tornam vencedores de licitações viciadas e entregam obras superfaturadas e de péssima qualidade como podem ser vistas a olhos nus nas estradas recém construídas e já esburacadas, mal sinalizadas, um cemitério a céu aberto, apenas para ficar nesse exemplo. 
Os ricos e poderosos nesse caso são por ordem alfabética: Delúbio Soares, José Dirceu, José Genoíno e João Paulo Cunha. Pausa para rir. Segundo a opinião dominante os responsáveis pelo maior escândalo de corrupção da república, mesmo que folheando as páginas do processo todo o “desvio” chegue a cifra de pouco mais de 70 milhões de reais, tidos como dinheiro público, embora não haja nenhuma prova que confirme isso.
Aí depois de desmontada toda a farsa, os fatos demonstram a ignomínia, o absurdo que o caso encerra. Descobre-se que tudo que o rico e poderoso Genoíno possui é uma casa e um carro seminovo fruto de quase 30 anos de vida pública. Ex prefeitos e ex vereadores de vários municípios brasileiros têm mais patrimônio do que José Genoíno. Ex prefeitos de apenas 2 mandatos quando muito. Mesmo assim a manada exige que Genoíno fique confinado numa cela de prisão pagando por crimes que não cometeu. 
O instrumento para a execução é o cargo de um dos poderes da república conferido a um desequilibrado que usa a toga para promoção pessoal, para escada de uma carreira política, o responsável mor pelo espetáculo teatral das prisões seletivas dos réus em pleno feriado da República com ampla cobertura midiática, uma execração pública que atenta contra aos mais comezinhos direitos constitucionais e ainda tem quem aplauda e vibre com isso. Operadores de direito inclusive, conforme pode -se facilmente constatar nos comentários depreciativos à honra dos condenados nas redes sociais.
Se se perguntar a qualquer um desses que aprova o justiçamento dos “mensaleiros” pelo carcereiro Joaquim Barbosa se eles aprovariam que um inocente fosse condenado a pena de prisão por crimes que não cometeu, seriam os primeiros a estufarem  o peito e a dizer: não! 
O horror, a revolta, a indignação seriam maiores se se perguntasse: e se o condenado fosse alguém que você conhece, que mora em sua cidade, que é pessoa decente, mas enredada numa trama caiu vítima de uma cilada, de uma armação e acusada por um dos poderes do Estado de ter cometido crimes que não praticou foi condenada e presa e na prisão permanecerá reclusa por 10 anos mesmo sendo inocente? O rubor e a revolta indignariam a ponto de causar comoção, protestos veementes.
E se descobrissem que os réus demonstraram por meio de sua defesa que não há provas que os incriminem, que as acusações são falsas e um dos juízes responsáveis por condená-los ou absolvê-los, de aplicar o direito, não falo nem de fazer justiça, mas de aplicar o direito, função primordial de um ministro do STF, simplesmente ignorasse tais provas e declarasse: “Sua defesa não me interessa, concordo que não há provas contra você, mas eu sou juíza e posso condená-lo e o farei porque a literatura jurídica me permite?” Não é um exercício de mera retórica, uma peroração, isso aconteceu literalmente pela voz covarde da ministra Rosa Weber, conforme registrada pelas câmeras da TV justiça durante o julgamento da famigerada ação penal 470
Os muitos que estão a favor do linchamento público dos réus, de suas condenações, que cumpram pena de prisão, que o julgamento foi justo e que Joaquim Barbosa é um herói só pensam assim porque acreditam que o que a imprensa diz do julgamento é verdade. Nunca folhearam uma página do processo. Desconhece a defesa dos réus. 
O inquérito sigiloso de Nº 2474 que ficou nas mãos de Barbosa como peça à parte da ação penal 470, um cerceamento da defesa dos réus. Por enquanto apenas aponta do iceberg está exposta, quando sua dimensão for completamente conhecida, a iniquidade desse julgamento por fim receberá a atenção daqueles que a ignoram merecendo a justa indignação que nos acomete. Nós que temos acompanhado pari e passu o seu desenrolar ao desfecho macabro que lhe foi dado.
* Texto escrito e enviado por Kid Jansen de Alencar Moreira

GENTE DE BEM.

Mary Zaidan.

Exatamente um ano atrás, Erenice Guerra, amiga do peito e sucessora de Dilma Rousseff na Casa Civil, deixava o Palácio do Planalto sob a acusação de tráfico de influência. Fechava, assim, o ciclo de dois mandatos do presidente Lula – um governo que pode se gabar de ser o protagonista do maior e mais sofisticado esquema de corrupção já engendrado no país.
De Waldomiro Diniz, flagrado em vídeo, em 2004, cobrando propina para financiar candidatos do PT e do PSB, a José Dirceu, definido pelo procurador-geral da República como “chefe da quadrilha”, ao reincidente Antonio Palocci, todos estão aí, livres, leves e soltos.
Erenice saiu esperneando, culpando o tucano José Serra, dizendo-se vítima de um candidato “aético e derrotado”. Entrou com um processo contra a revista Veja, que fizera as denúncias. Desistiu da ação em meados deste ano, depois de a Corregedoria Geral da União (CGU) imputar-lhe acusações idênticas às da revista.
Na prática, a amiga abraçada efusivamente por Dilma no dia de sua posse só recebeu mesmo duas condenações da Comissão de Ética da Presidência. Coisas que não servem para nada.
No governo Dilma, nem isso a Comissão de Ética e a CGU se deram ao trabalho de fazer.Calaram-se frente a Antonio Palocci, pego novamente em suas estripulias, desta vez envolvendo a multiplicação estratosférica de patrimônio no mesmo ano em que coordenava a campanha da agora presidente.
Nem pensaram em agir quando as denúncias de roubalheira implodiram o Ministério dos Transportes, derrubando o aliado Alfredo Nascimento, do PR. Muito menos cogitaram investigar os outros dois ministros do aliado PMDB, Wagner Rossi, da Agricultura, e o serelepe Pedro Novais, que paga motel, governanta e motorista particulares com dinheiro público.
Homem que o seu padrinho, senador José Sarney, diz ter “reputação ilibada”, Novais já voltou para a Câmara dos Deputados, porto seguro para quem se locupleta.
Ao estilo de seu antecessor, que estimulou malfeitores ao passar a mão na cabeça de cada um deles, Dilma Rousseff também é um poço de perdão. Ainda que colecione o recorde de ministros demitidos por corrupção em apenas 100 dias, Dilma afaga um a um.
Com a caneta, usa o traje de faxineira tão bem visto pela sociedade e abominado pelos seus. Com palavras e gestos, adula cada um dos que demite e os partidos que os abriga.
“Minha base aliada é composta de gente do bem”, assegura a presidente. Mais do que uma afronta, a frase, dita em entrevista ao Fantástico, da TV Globo, é um nocaute nos que ainda apostavam que Dilma tinha alguma intenção de zelar pela coisa pública.

Mary Zaidan é jornalista, trabalhou nos jornais O Globo e O Estado de S. Paulo, em Brasília. Foi assessora de imprensa do governador Mario Covas em duas campanhas e ao longo de todo o seu período no Palácio dos Bandeirantes. Há cinco anos coordena o atendimento da área pública da agência ‘Lu Fernandes Comunicação e Imprensa, @maryzaidan

 

O acidente de Roberto Carlos – Enviado por Eudes Mamedio.

RobertocarlosTudo aconteceu no fatídico dia de São Pedro (29 de junho de 1947), padroeiro da Cidade de Cachoeiro de Itapemirim, no Espírito Santo, onde Roberto Carlos nasceu. Portanto, era festa na cidade e como toda data comemorativa naquela época, tinha bandas tocando e muita agitação. E, claro, Zunga (apelido de Roberto na infância) não perderia oportunidade de ir prestigiar os festejo.
Roberto Carlos

Fifinha (Eunice Solino) era a melhor amiga do Rei, moravam na mesma rua e costumava ir à escola juntos. Nesse dia, ela foi recrutada por Roberto para ver os desfiles que agitavam a cidade.

Naqueles tempos, Cachoeiro era entrecortado por ferrovias e, portanto, era comum acidentes acontecerem. Lá, próximo ao centro, entre a rua e a linha de ferro, encontrava-se as duas crianças. Enquanto aguardavam um desfile escolar, uma professora temeu pela segurança de Zunga e Fifinha, pois elas não perceberam a aproximação de um trem que se aproximava. Mesmo gritando e sinalizando para as crianças saírem dali, a professora correu e puxou a menina, enquanto um assustado Zunga recuou e tropeçou, caindo na linha férrea – ele estava de costas para a ferrovia. Como não dava mais tempo, a professora tentou avisar o maquinista, mas já era tarde demais. A locomotiva avançou e a perna direita de Roberto Carlos ficou presa debaixo do vagão entre as rodas de metal.

Logo, uma multidão se aglomerava para ver o que aconteceu. Afinal era dia de festa e provavelmente o socorro demoraria – naqueles tempos poucas pessoas tinham automóveis na cidade. Mesmo assim, populares tentaram tirar a perna da criança, o que conseguiram com muito custo. Graças a um rapaz que trabalhava no Banco de Crédito Real, vendo que não dava para esperar a ambulância, ele mesmo estancou a hemorragia com seu paletó de linho branco. Roberto Carlos nunca esqueceu dessa cena e a registrou em uma de suas mais comoventes canções, O Divã: “Relembro bem a festa, o apito/ e na multidão um grito/ o sangue no linho branco…”.

O mesmo rapaz do “linho branco” chamado Renato Spíndola levou Zunga para o hospital (Santa Casa de Misericórdia). Dizem que a festa perdeu a graça naquele dia. Tudo bem, que era comum acidentes, mas geralmente eram bêbados que se acidentavam, nunca até então acontecera com uma criança – o Zunga da Rua da Biquinha.

Roberto Carlos foi atendido pelo médico Romildo Coelho, que se tornara amigo do cantor. O acidente fez com que a perna direita perdesse a sensibilidade, pois fora esmagada arrancando todos os nervos, por isso a criança não chorava muito. Zunga, ao ser atendido, estava muito mais preocupado com os sapatos novos que tinha ganhado para ir à festa do que com a sua perna, a qual ele não tinha noção da gravidade.

Na verdade, Roberto Carlos teve muita sorte, porque era comum nestes casos amputar a perna. Mas o Dr. Romildo era um sujeito moderno e havia lido um artigo médico que dizia que se devia cortar o mínimo possível os membros acidentados. Portanto, apenas entre o terço médio e o superior da canela foi amputado e um pouco abaixo colocaram uma roda de metal, o que impediu Roberto de perder os movimentos do joelho direito. Roberto Carlos passou o resto da infância andando de muleta, e apenas aos 15 anos colocaria a primeira prótese, quando já morava no Rio de Janeiro.

Blog do Sanharol

Era uma vez uma feira – beatas e frutas – Por Xico Bizerra.

 

FeiraLivre

Na rua da Igreja, beatas e feira. Feira de primeira. Toda segunda-feira. De verdura, cereais, mas principalmente, a colorida feira das frutas. Das jaboticabas roxinhas, limões verdes, pitangas vermelhas. Tamarindos marrons e azedos se juntavam a doces siriguelas amarelinhas para enfeitar a banca de Mané Gordão e a boca gulosa da meninada.

Às vezes eram vistas acerolas cor de acerola e, quase nunca, carambolas, estas de uma cor sei-lá-que-cor. Os olhos brilhavam diante da aquarela de sabores, das goiabas e das maçãs, das mangas e dos cajus…
Onde estão as feiras? Onde se escondem as frutas? Onde brilham as cores? Hoje, aquela rua só tem as beatas. A feira mudou-se para o ar condicionado: lá, as frutas têm sabor acre e as cores se desbotam, se esvaem, lembrando do burburinho e com saudades da mão gorda de Mané a afagá-las.

Na hora de pagar o dinheiro é de plástico. Na fila do caixa, sem a zoada da feira, uma criança chupa chiclete. Do lado de fora, outra criança pede esmola. Alguém oferece uma laranja amarga.
 
Blog Sanharol

O fundo da piscina – Enviado por Jose Eudes Mamedio

 

 

Jesus

Um excelente nadador tinha o costume de correr até a água e de molhar somente o dedão do pé antes de qualquer mergulho. Alguem intrigado com aquele comportamento, lhe perguntou qual a razão daquele hábito.

O nadador sorriu respondeu: Há alguns anos eu era um professor de natação. Eu os ensinava a nadar e a saltar do trampolim. Certa noite, eu não conseguia dormir, e fui até a piscina para nadar um pouco. Não acendi a luz, pois a lua brilhava através do teto de vidro do clube. Quando eu estava no trampolim, vi minha sombra na parede da frente. Com os braços abertos, minha imagem formava uma magnífica cruz. Em vez de saltar, fiquei ali parado, contemplando minha imagem. Nesse momento pensei na cruz de Jesus Cristo e em seu significado. Eu não era um cristão, mas quando criança aprendi que Jesus tinha morrido na cruz para nos salvar pelo seu precioso sangue. Naquele momento as palavras daquele ensinamento me vieram a mente e me fizeram recordar do que eu havia aprendido sobre a morte de Jesus.

Não sei quanto tempo fiquei ali parado com os braços estendidos. Finalmente desci do trampolim e fui até a escada para mergulhar na água. Desci a escada e meus pés tocaram o piso duro e liso do fundo da piscina. Haviam esvaziado a piscina e eu não tinha percebido. Tremi todo, e senti um calafrio na espinha. Se eu tivesse saltado seria meu último salto. Naquela noite a imagem da cruz na parede salvou a minha vida. Fiquei tão agradecido a Deus, que ajoelhei na beira da piscina, confessei os meus pecados e me entreguei a Ele, consciente de que foi exatamente em uma cruz que Jesus morreu para me salvar. Naquela noite fui salvo duas vezes e, para nunca mais me esquecer, sempre que vou até piscina molho o dedão do pé antes.

Deus tem um plano na vida de cada um de nós e não adianta querermos apressar, ou retardar as coisas, pois, tudo acontecerá no seu devido tempo e esse tempo é o tempo Dele e não o nosso….

DESPEDIDA

 

“Receber o diagnóstico de uma doença que ameaça a vida leva a pessoa a questionamentos a respeito da mesma, seu sentido e significados. Pareceu-nos que uma doença potencialmente fatal constitui a perda da ilusão. A ilusão de um corpo perfeito, de invulnerabilidade, de imortalidade. Nos recônditos de nossa alma, percebemo-nos como eternos, mas, a morte deste corpo e desta identidade é real e aponta para o paciente como ser humano, como participante do seu processo de doença, sofrimento e finalmente da morte, como realidade existencial. Por outro lado, lidar com a perspectiva de morte é uma oportunidade ímpar de (re)significar o sentido da nossa existência.

O modo como cada paciente vive o momento de adoecimento dependerá de sua singularidade e da capacidade de enfrentamento de situações críticas ao longo de sua história. Sabemos que os mecanismos de defesa e os mecanismos adaptativos utilizados para isso facilitarão ou não a participação ativa do enfermo no controle e melhor aceitação de sua doença. A vida e a morte ganham um esboço singular quando vislumbradas na ótica da pessoa que se percebe na perda gradativa da saúde e na contigüidade inevitável da finitude. A impotência, a sensação de insuficiência, a constante expectativa de morte, a descrença em relação às medidas terapêuticas disponíveis constituem, às vezes, uma espécie de paralisia diante da realidade dos limites dos tratamentos para a cura e das demandas relativas à preservação da qualidade de suas vidas. Confrontar com estas questões é entrar em sofrimento e sobrepujar este sofrimento é forjar uma organização interna mais madura e mais próxima da realidade da vida que é a morte.

Morte, palavra que traz consigo muitos atributos, significados, associações e representações: dor, sofrimento, ruptura, interrupção, desconhecimento, tristeza. Designa o fim absoluto de um SER vivo. Numa posição antagônica, a morte coexiste com a vida, o que não a impede de ser angustiante, incutir medo e, ao mesmo tempo, ser palco de incessantes discussões. Muito se têm falado a respeito dos problemas que permeiam a discussão em torno da morte. Estudiosos e pesquisadores de diversas áreas do conhecimento têm abordado o tema sob diversos olhares, na tentativa de lançar luz sobre as formas como a morte é representada e enfrentada pela sociedade atual. Deste modo, sentimos a necessidade de enfatizar o fenômeno da morte a partir de um recorte teórico que perscruta da era cristã até os dias atuais buscando compreender os diversos sentidos assumidos pelo ser humano diante da morte.

Os povos da antiguidade temiam a morte e preservavam seus parentes mortos à distância, pelo temor que eles regressassem ao povoado. A pessoa que pressentia a proximidade do seu fim, respeitando os atos cerimoniais estabelecidos, deitava-se no leito de seu quarto e ali era visitado por pessoas da comunidade. Era importante a presença dos parentes, amigos e vizinhos. Os ritos da morte eram realizados com simplicidade, sem dramaticidade ou gestos de emoção”.
 

Voa, Moacir – Por: Fernando Dantas

 
Moacir Ribeiro Dantas despediu-se deste mundo no dia 27 de dezembro de 2013, aos 90 anos recém-completados, deixando sua amada Irene, minha mãe, sua fiel escudeira durante 65 anos, e a todos nós, filhos, noras, genro, netos, bisnetos, irmãs, cunhados, sobrinhos e amigos, tristes e desolados, a prantear a dor e a saudade de um ser humano especial, que honrou e dignificou sua vida com exemplos marcantes de perseverança, generosidade, pureza de espírito, humildade, fé em Deus, amor à família e respeito ao próximo, graças à formação ética, moral e cristã, generoso legado de benquerença que ele semeou entre aqueles que tiveram o privilégio de sua convivência saudável, sempre disponível para servir, conquistando a todos com sua alegria e espontaneidade.
Natural de Missão Velha, onde nasceu em 10 de dezembro de 1923, meu pai, ainda jovem, e recém-iniciado na prática de comércio, estabeleceu-se no Crato em 1946, onde fundou o Armarinho Realce, uma das mais populares lojas de miudezas da Princesa do Cariri, tornando-se rapidamente querido por seus incontáveis fregueses e amigos, dada a forma peculiar e folclórica de atender à clientela, que se deliciava com seus “causos” e seus bordões jocosos, como: “Chamelaí, chamelaí, não deixe ela passar p’a Sá, não!” (Para os menos lembrados, Sá era um seu concorrente na Bárbara de Alencar), ou quando dizia de seu orgulho por ter atendido a clientes ilustres, como Orlando Silva, a quem vendeu “uma tesourinha de cortar unhas e um par de baralhos COPAG 139”.
Em 01 de janeiro de 1949, contraiu núpcias com Irene de Sá Barreto Dantas, que foi sua companheira sempre presente e dedicada até a hora de sua partida, uma mulher de fibra incomparável, uma guerreira que o apoiou em todos os momentos, dividindo com ele alegrias e tristezas, presenteando-o com 8 filhos, Fernando, Airton, Ana Maria, Maria da Penha, José Orlando, Álvaro, Everardo e Liana, para cuja educação jamais pouparam qualquer sacrifício, colocando todos para estudar com afinco desde a tenra infância, somente com a pequena renda de seu modesto negócio no Cratinho, logrando a façanha de formarem um a um, a partir de Fernando, que chegaria a Fortaleza em 1967.  
Moacir e Irene deram exemplos comoventes de superação, iluminando os caminhos que nos tornariam pessoas de bem, através de lições que se perpetuam nas novas gerações, desde Fernandinha, 1ª. neta, e Isaac, 1º. bisneto, totalizando 19 netos e 7 bisnetos.   
Em 36 anos de morada em Fortaleza, meu pai jamais esqueceu o Crato e, em 2006, aos 83 anos, teve esse amor reconhecido pela augusta Câmara Municipal do Crato, que lhe outorgou a preciosa comenda de Cidadão Cratense, em uma das cerimônias mais belas e emocionantes da história da cidade, nos salões do glorioso Crato Tênis Clube.
Papai é convocado para um novo desafio, em outro plano que transcende à dimensão terrena, onde não sentirá mais dores e terá a alegria de reencontrar seus irmãos e amigos que prepararam uma festa para recebê-lo com o mesmo calor humano com que ele os tratava, entoando a música que ele adorava ouvir ao chegar à Exposição: “Eu vou pro Crato, vou matar minha saudade, ver minha morena, reviver nossa amizade.” Fica com Deus, meu velho, meu querido velho! Eu e meus irmãos, juntamente com sua amada Irene, e nossas famílias, honraremos para sempre a lembrança do bravo homem que você simboliza, de um líder, de uma pessoa predestinada para grandes feitos! Voa Moacir!  Voa longe, Moacir!  Põe tuas asas de anjo e vai para junto do Pai!
Por: Fernando Dantas, filho primogênito de Moacir Ribeiro Dantas, em 02.01.2014

Napoleão Tavares Neves -Por: Emerson Monteiro

Ele, um médico escritor, age com fidelidade no exercício dos seus talentos e logo na juventude foi chamado ao ofício da preservação do cotidiano. Apóstolo do que executa, cumpre propósitos de preservar a história da província caririense qual fez tão bem Afonso Daudet, no sul da França da segunda metade do século 19.

Dr. Napoleão, aos moldes do autor francês, por meio de crônicas e estórias desenvolvidas com habilidade, narra detalhes da época quando testemunha fiel, com técnica prudente e amadurecida.

Hoje nome destacado de nossas letras, desde as origens, no município de Barbalha, vindo de família tradicional dos engenhos, visualiza a riqueza da história ligada ao Ciclo da Cana de Açúcar, entremeada nas movimentações circunstanciais dos pés de serra onde passara a meninice.

Olhos clínicos, enxerga a poética da zona rural qual poucos artistas, o que esmera sob refinada qualidade e privilégio, em favor das gerações atuais e vindouras, sob leveza fluência digna dos registros que elabora. No empenho, pois, de substanciar esses aspectos essenciais do tempo nas letras, sustenta vivências num clima de carinho e estilo elegante, comunicativo e linheiro.

Além de publicar nos livros, revistas e jornais, também colabora amiudadamente no Jornal do Cariri, noticiário matinal da Rádio Educadora, em Crato, da responsabilidade do radialista Antônio Vicelmo, dono de larga audiência. Sempre traz a público novidades bem propositais, páginas eternizadas com inspiração.

Nessa religiosidade fruto da literatura pessoal dos interiores, vence o aprendizado das pessoas e a escrita oferece função de conservar os elementos principais das épocas, continuando aquilo que os séculos de comum triturariam. Porém o esforço sobre-humano dos autores detém a voracidade do desaparecimento na forma das obras da cultura humana.

O exercício do papel importante na interpretação e no acondicionamento desse material valioso da memória cabe aqui aos escritores, entre os quais, dizemos por dever de reconhecimento, que impera no Cariri o Dr. Napoleão Tavares Neves.

A Cigana – por Carlos Eduardo Esmeraldo

O mês de novembro do já distante ano de 1963 transcorria lentamente. Nas rádios, ouvíamos insistentemente o sucesso do momento, a extraordinária canção de Tom Jobim, “Garota de Ipanema”, uma música que ainda hoje é sinônimo de Brasil pelo mundo afora, assim como “Aquarela do Brasil” é confundida com o nosso hino. No Crato, o rebuliço das mocinhas era a chegada de uma cigana que, instalara sua tenda num terreno baldio, ao lado da estação do trem, bem defronte da Drasa, a revendedora dos fusquinhas. A tal cigana era festejada porque segundo muitos acreditavam, adivinhava tudo e previa muitas coisas para o futuro, principalmente o príncipe encantado tão ansiosamente aguardado pelas sonhadoras. Eu ouvia dizer que até alguns rapazes foram vistos consultando a tal cigana. E a fila dobrava o quarteirão.

Para mim, aquele mês de novembro ficou gravado na memória como um marco significativo de muitas perdas. É que no inicio do mês, eu sofri uma grave contusão no joelho, durante uma disputadíssima partida de futebol de salão, um esporte muito em moda no Crato daquela época. Fiquei o mês inteiro preso à cama, com um extraordinário inchaço no joelho esquerdo, que deixou minha perna dobrada em ângulo de noventa graus. Não podia andar e sequer levantar-me da cama.

Uma das conseqüências dessa lesão teria sido a remota possibilidade da seleção brasileira tricampeã mundial de futebol em 1970 haver sido definitivamente desfalcada de um esforçado ponta-esquerda cratense. Uma grande perda minha e sorte do Rivelino. Além do mais, um tímido sonhador foi retirado da vida social da cidade por mais de um mês, isto é; da Praça Siqueira Campos.

Para fugir da monotonia daqueles dias, eu lia tudo que me chegava às mãos, desde Machado de Assis até as fotonovelas da revista “Capricho”. No Colégio Diocesano, por ordem do Monsenhor Montenegro, as minhas notas do mês de novembro foram repetidas, pois àquela altura já me encontrava aprovado por média. No final do mês, já estava completamente recuperado.

Em janeiro do ano seguinte, eu pisava firme com as duas pernas, sem nenhum vestígio da lesão que me prendera à cama durante um longo mês.

Certo dia, eu estava vindo do São José para o Crato, e ao descer de um ônibus defronte da estação do trem, avistei ao lado, a tal tendinha da cigana. Já não havia mais a extensa fila de antes. Não tive dúvidas. Entrei movido mais pela curiosidade, pois nunca dei muita bola para essas coisas de cartomante ou adivinhas. Não sou daqueles que acreditam em bruxarias. Para mim isto não existe. Acho mais importante deixar que as coisas aconteçam e confiar na proteção divina.

Entretanto, parece que algumas pessoas possuem algum tipo de percepção extra-sensorial, capaz de comunicar-se com os outros por algum processo telepático. A tal cigana poderia ser uma dessas. Mas acho que ela deu mesmo foi um tremendo chute. Assim que eu entrei, ela bateu com toda força na bola e acertou em cheio: “Você esteve doente, problema na perna, não foi?” Depois previu que eu faria um grande concurso nos próximos três anos, e que morreria rico e no exterior. Ao indagar em qual país, ela respondeu: “na minha terra, a Espanha!”.

Repito que eu nunca dei importância a essas tais previsões. Do meu passado, aquela charlatona acertou alguma coisa cobrando escanteios. Quanto ao futuro, tirando o previsível concurso vestibular, acredito que a cigana acertou na riqueza. Mas não necessariamente riqueza de bens materiais, como ela insinuava. A esta altura, estou mais preocupado em “ajuntar tesouros que nem a traça corrói ou os ladrões roubam”. Se eu hoje sou rico, é de felicidade, o que já uma grande fortuna.

Não foi possível ainda testar a outra previsão da artilharia daquela cigana com uma viagem à Espanha. Tenho certeza que algum dia eu e Magali iremos conhecer a Europa, inclusive a Espanha. E esperamos voltar vivos.

Por Carlos Eduardo Esmeraldo

As três peças, de Xavier Sobreira – Por: Emerson Monteiro

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Uma surpresa bem agradável saber que há um dramaturgo nas terras sertanejas do interior cearense cujas peças chegam ao nível de atender às grandes interrogações da Humanidade em época de tamanhas expectativas. Sim, este autor é Xavier Sobreira, médico sobralense, religioso no jeito de ver a existência, na sua busca incessante dos meios necessários de resistir à voragem deste chão de mutação incessante, escola da Eternidade.
Ele desenvolve, nas três peças ora trazidas a público neste volume, temas universais por vezes até tabus de muitos, incursões aos mistérios da morte, da vida fugidia do prazer pelo prazer, das ânsias de conhecer mais perante as estradas dos sentimentos.
A escrita se presta com vantagens a isso, avançar por dentro das sombras do Ser nas identificações e semelhanças da linguagem das sociedades. Uma constante permuta de valores filosóficos, códigos de conhecimento repartidos aos demais.  Devagar, percorre os espaços do Inconsciente qual escafandrista emérito da alma, aos toques nos rochedos consistentes de vias dolorosas do Si Mesmo, nas malhas do silêncio de profundidades infinitas.
Um viajante, um buscador e um peregrino, personagens marcantes de nós próprios, solitários amantes da vontade e caminheiros das horas em todos os lugares daqui da existência, que permanecem a andar nossas entranhas quais irmãos da jornada às estrelas.
Quem aceitar, pois, o gosto pela investigação dos sonhos, na esperança em possibilidades maiores da Consciência, eis este livro digno dos momentos afins da desmistificação de símbolos arcaicos, no passo de trabalhar novas estratégicas de viver com arte e sabedoria.
Deste modo, As três peças, de Francisco Xavier de Lima Sobreira, lhes trarão um tanto das novidades dos viajantes, buscadores e peregrinos, frutos do talento de profissional da saúde física que amealha consigo dons de tratar também a alma, numa técnica de artes cênicas que o qualifica a descerrar as cortinas do coração e comungar valores refinados da Espiritualidade, nas peças que renovarão cenários e sacudirão preconceitos de seus leitores e suas plateias.

Terra Ardente – Por: Emerson Monteiro

Terra-ardenteAlguns dias de junho de 1977 e escrevi história de ficção ambientada no Cariri, de nome Naipes e Gatilhos, título de argumento envolvendo costumes e tradições regionais do Nordeste, desenvolvido em roteiro cinematográfico, com os detalhes de filmagem.

Sob a produção de Valter Leite, minha direção, fotografia de Luiz José dos Santos, reunimos um grupo formado por Jackson Bola Bantim (assistente de direção), José Roberto França (assistente de produção), Isabelisa Cordeiro (continuísta) e Célia Teles (figurinista). No elenco, pessoas da Região, dentre elas Osvaldo e Soraia Gomes, Fernando José (ator principal), Tandô, Cabo Toureiro, Irmãos Aniceto e Marli Pladema, esta de Niterói, Rio de Janeiro, que passava pelo Cariri, e que Célia conhecera em Recife, também amadora de cinema e exerceu o papel de atriz principal, dentre vários nomes que trabalharam no projeto. Iniciamos as filmagens que aconteceram nos municípios de Crato, Juazeiro do Norte, Barbalha e Várzea Alegre. As ambientações escolhidas para as cenas eram das mais admiráveis, edificações de fazendas e vilas, tudo sob prévios estudos, lugares tradicionais e característicos da nossa arquitetura original.

O foco da história envolvia prisão da jovem esposa de um fazendeiro dos Inhamuns, por parte de proprietário de terras no Cariri, que por razões de afetos pessoais a mantinha em cárcere privado. O enredo levava ao tal coronel, quando se dava confronto envolvendo os agregados da fazenda, aliados ao mocinho, que venceria o embate entre os dois grupos, após sangrenta batalha. Em meio a tais questões, se apresentavam considerações críticas a propósito da posse da terra e aspectos morais das circunstâncias históricas.

Outros lances descritivos da fotografia mostravam as belezas da paisagem regional, danças e cores de grupos folclóricos, as várias fases do beneficiamento da cana-de-açúcar nos engenhos, etc, dando ao filme visões típicas caririenses. Enquanto isso, o fundo musical traria autores locais, a exemplo de Abidoral Jamacaru.

No desenrolar das cenas, cego cantaria versos escritos por Elói Teles narrando a mesma história do filme, o que depois viraria um folheto de cordel, independente da conclusão do filme, suspensa na segunda metade da produção e que nunca aconteceu.

Dificuldades surgidas no decorrer dos trabalhos impediram a sua montagem final que a mim caberia. Atravessei fase crítica na saúde e, a contragosto, deixei de lado aquele que seria o primeiro filme média metragem todo ele realizado no Cariri.

A propósito, pouco, ou quase nada, sobrou da iniciativa além de lembranças vagas nas pessoas que viveram de perto a experiência. Há pedaços esparsos do copião em super8 que ainda subsistem nalgumas mãos de apreciadores do cinema regional. Pouco tempo antes de falecer em Crato, João Batista Filgueira me forneceu uma cópia do roteiro original, que nem isso mais eu guardara, e hoje existe nos meus arquivos.

(Foto: Jackson Bola Bantim).
Por: Emerson Monteiro

 

“Menti, menti, alguma coisa ficará sempre”, dizia Voltaire – por Armando Lopes Rafael

   A frase acima também era muito incentivada por  Goebells, o famigerado ministro da Propaganda de Adolf Hitler. O fato é que essas palavras têm tido um efeito multiplicador, nos últimos tempos, nos jornais da chamada “imprensa marrom” (por outros também denominada de “imprensa nanica”) que estão a proliferar na conurbação Crajubar. Difundidas em periódicos, estes distribuídos gratuitamente à população, tal tipo de mídia (tanto a escrita, como a veiculada pela Internet) utiliza como matéria prima os ataques à honra das pessoas e das instituições.  
O caririense conhece bem esse tipo de “imprensa”. Quantas vezes, nas ruas e praças de Crato, Juazeiro do Norte e Barbalha – além das entradas dos Shoppings Centers e nas paradas dos sinais de trânsito – transeuntes são abordados, e “presenteados” com exemplares desses jornais, cujas sucessivas e edições vêm se limitando, ultimamente, a destacar manchetes sensacionalistas, e muitas vezes mentirosas.  Felizmente, tal tipo de mídia vem caindo no descrédito da intuitiva e perspicaz população brasileira.
  
Abordemos apenas um fato para ilustrar esta assertiva. No último “estrondo publicitário” levado a efeito contra a pessoa do bispo de Crato, Dom Fernando Panico, os caririenses tiveram –mais uma vez – a oportunidade de observar o comportamento dessa mídia  “nanica”. Um periódico publicado no Cariri acusou falsamente o bispo de estar construindo uma mansão avaliada em 1 milhão e 500 mil reais. E chegou a detalhes mínimos e fantasiosos dessa casa, a qual ainda está em construção.
   Após essa publicação um jornal da grande imprensa, editado na capital cearense – que tem como ética a seriedade e dever de bem informar com fatos verdadeiros –, entrou de imediato em contato com o Bispo de Crato, pedindo que este enviasse – via e-mail – um esclarecimento sobre a suposta “mansão milionária”, antes que aquele jornal publicasse algo a respeito. Dom Fernando enviou ao jornal a seguinte resposta:
 “Por volta de 2008, um padre da Diocese de Crato (que hoje mora em Portugal), já algum tempo, antes de viajar para o estrangeiro repassou um documento de compra e venda para minha pessoa de um terreno, localizado na estrada que dá acesso ao distrito de Santa Fé, zona rural do município de Crato. Neste terreno existia uma construção residencial de alvenaria, e, em anexo, uma capela e um espaço para reuniões e palestras. Cedi o uso daquele terreno e das construções (na forma de comodato), para que a comunidade católica “Toca de Assis” ali se instalasse. Durante alguns meses esses religiosos fizeram um bom trabalho caritativo com os pobres, dentre os mais pobres da cidade de Crato. Por questões internas da sua instituição, os religiosos da “Toca de Assis” resolveram retornar ao sul do País, deixando o imóvel desabitado.

 Por este motivo, aquelas instalações foram por mim novamente cedidas (também em forma de comodato) a outra associação civil sem fins lucrativos, de orientação católica, denominada Comunidade “Boa Nova”. Atualmente, um casal de missionários da “Boa Nova” vem se dedicando à recuperação de pessoas dependentes do álcool e de drogas.  Vivem lá cerca de 20 dependentes, buscando (em meio a muitas dificuldades materiais para seu sustento e reeducação) a cura e libertação para os seus vícios. Um trabalho meritório!  Dentro desse terreno, existe uma pequena área – de menores dimensões, onde morou por um curto tempo o Pe. Raimundo Elias, antes de viajar para Portugal.

O Vigário Geral da Diocese, monsenhor Dermival Gondim, uma boa pessoa, um amigo leal, detentor de alguns recursos financeiros, vendo a pequena área, me disse: “Dom Fernando vou construir, nesta parte do terreno, às minhas expensas, uma casa para quando o Senhor se aposentar ter onde morar”. Eu já vou completar 68 anos no início do próximo ano, tendo apenas mais sete anos como bispo, pois aos 75 anos terei de renunciar por determinação do Código de Direito Canônico. Na hora aceitei de bom grado a oferta de monsenhor Dermival. Foi derrubada a casa de taipa que lá existia para dar lugar a uma casa de alvenaria, ampla, planejada para sediar atividades pastorais de formação e retiros nos fins-de-semana, acolhendo pequenos grupos. Uma casa sem luxos ou exageros, não uma “mansão” como apregoam aos quatros ventos– através da Internet e de jornais distribuídos gratuitamente – os algozes da Diocese e do bispo. Mons. Dermival Gondim gastou aproximadamente entre duzentos e cinquenta mil a trezentos mil reais na construção da casa, que ainda está inacabada. Diante desse novo “estrondo publicitário” com relação a essa casa, decidi repassar aquela área do terreno rural para o nome de monsenhor Dermival.  Assim ele poderá vendê-la, recuperar o que gastou, além de calar as mentiras assacadas contra minha pessoa, no tocante a essa casa rural”.  
    O Chefe de Redação do jornal de Fortaleza retornou o contato com o Bispo. Agradeceu a resposta e, diante do esclarecimento do Bispo, não publicou uma linha sequer, naquele diário, sobre a nova onda de calúnias difundida contra  Dom Fernando.
     Consta, na Sagrada Escritura, que diante de tantas calúnias assacadas contra Nosso Senhor Jesus Cristo, o nosso Salvador  temeu pelas penas e castigos que, fatalmente,  iriam recair  sobre seus algozes e clamou do alto da cruz: “Pai, perdoa-lhes, porque eles NÃO sabem o que fazem”. Diferente deverá ser o pedido de Dom Fernando Panico para os seus  algozes dos dias atuais. O bispo de Crato deverá pedir assim: “Pai, perdoa-lhes, porque estes  sabem o mal deliberado  que estão fazendo”.

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HOMENAGEM DA SEMANA


CORREINHA

O Chapada do Araripe presta homenagens a um dos maiores mestres da cultura popular que faleceu em Crato recentemente, Francisco Correia de Lima, o Correinha, artista de várias linguagens atuante no município do Crato. Mestre Correinha nasceu no município de farias Brito no dia 14 de fevereiro de 1940, mas era um amante inveterado do Crato, município ao qual costumava fazer referências em suas canções. Talvez por não ter tido seu nome incluído nas listas anuais de mestres reconhecidos pelo Governo do Estado desde 2004, mestre Correinha tenha sido sepultado em meio a homenagens comoventes de moradores do município, mas, como ressaltaram amigos e familiares, sem o devido destaque por parte do Poder Público. Situação destacada durante a sua missa de corpo presente, enriquecida pelo acordeon de Hugo Linard, com quem Correinha gravou recentemente, 15 canções que agora constituem o último registro de sua obra. Segundo o próprio Hugo Linard, as canções registradas nesse último trabalho de Correinha em estúdio são, na maioria, inéditas. ´Ele gravou também ´Belezas do Crato´, mas as outras não tinham registro´, diz, citando canções como ´Coisas do meu sertão´, ´Exaltação a Barbalha´, ´Crato de Açúcar´ e ´Meu Cariri´ e ´Balanceio´. ´Fazia tempo que a gente tava cutucando ele, dizendo que ele tinha que gravar de novo. Ele fez dois compactos e outros discos, no tempo do vinil, além de vários cordéis´. Hugo Linard chama atenção para aspectos peculiares da trajetória de Correinha. ´Ele mantinha um bar aqui no Crato e ainda trabalhava como agente carcerário. Era tão querido que os presos pediram à família por ocasião do seu velório, para deixar um pouco o corpo dele lá na cadeia, para eles o homenagearem´.
Dalwton Moura

Jornal do Vicelmo

Todos os dias na Rádio Chapada do Araripe - Internet, a partir das 07:00, ouça o Jornal do Cariri com Antonio Vicelmo. O Jornal é retransmitido da Rádio Educadora do Cariri em tempo real. Você pode ouvir o programa através da nossa imensa rede de Blogs e websites. Alguns programas antigos estão disponíveis no nosso website Jornal do Vicelmo.

AUXÍLIO À LISTA

Dicas de Filmes



Por trás de todo o grande homem se esconde um professor, e isso era certamente verdade para Bruce Lee que aclamava como seu mentor um expert em artes marciais chamado Ip Man. Um gênio do Wushu (ou a escola de artes marciais da China), Ip Man cresceu numa China recentemente despedaçada pelo ódio racial, radicalismo nacionalista e pela Guerra. Ele ressurgiu como uma Fênix das Cinzas graças à suas participações em lutas contra vários mestres Wushu e lutadores de kung-fu - finalmente treinando icones de artes marciais como Bruce Lee. Esta cinebiografia do diretor Wilson Yip mostra a história da vida de Ip.

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