Encontrar a porta do destino – Por: Emerson Monteiro

 

Sua missão, o sentido da sua vida pessoal, eis destino que o poder de concretização possibilita aos viventes que buscam o tempero da Consciência universal por meio do instrumento atual da existência. Encontrar a própria página da realização. Abrir as malhas desse destino que passa ao lado sem se levar em conta, e descobrir o mistério das funções dessa perenidade que aqui olha nos nossos olhos.

O tal dever de transformação significa, pois, descobrir o mundo sobrenatural que desliza leito sagrado de todos, força de permissão que representa o sonho da paz neste e noutros territórios da experiência humana. Esse percurso renovador, que oferece elementos de elaborar o processo natural da revelação interior das vivências.

Chamam os sábios de descoberta do Eu essencial, verdadeiro, em detrimento do ego, ou do eu inferior, só e apenas matéria prima da mais plena realização do Ser em nós.

Às vezes vem deste modo a interpretação que tantos querem das oportunidades da presente vida, porquanto em tudo há razão de acontecer, além da mera e ocasional individualidade da inteligência na fase de aprimoramento. Ninguém, nada, representa pura coincidência de habitar o chão. A história de todos possui tamanha importância de utilização que o sentido do investimento da eternidade longe ainda está das ocorrências desorganizadas, entregues aleatórias nas mãos do acaso.

Sob essa forma e interpretação mora o conceito de cultura, ou conhecimento, vindo aos poucos aos seios da razão. Um povo que desconhece cultura corresponde a uma manada de búfalos no rumo do matadouro, e nem isso reconhece.

O domínio de nós mesmo passa pelo esforço do estudo, da compreensão, valor absoluto da utilização dos recursos espirituais, autoconhecimento, luzes que iluminam a estrada deste mundo aos nossos pés nalguns momentos vacilantes, incertos. Em contrapartida, identificar no coração os trilhos brilhantes da alma da gente, onde mora Jesus, os santos e Deus. Cabe agora abraçar de bom grado a riqueza de total Felicidade.

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A tartaruga tagarela – Por: Emerson Monteiro

 

Lenda indiana dá conta que houve um rei que gostava de falar, falar além dos limites e das oportunidades, a ponto de monopolizar as palavras onde quer que estivesse, costume reprovado silenciosamente e detestado pelos seus súditos, dentre os quais o Buda, conselheiro do soberano, e que buscava a ocasião certa de lhe transmitir ensino que corrigisse o nocivo hábito.

Perto do palácio vivia uma tartaruga por demais intrometida na vida alheia e também tagarela contumaz, desgosto da bicharada que morava nas proximidades da lagoa em que ela habitava.

Belo dia, em viagem de migração, chegou ao lugar casal de patos. Ao notar o modo abusado com que a tartaruga usava a fala causando contrariedade nos viventes da lagoa, os patos decidiram convidá-la a passear com eles pelos céus da região e apreciar a paisagem num voo de reconhecimento.

Lançaram mão de uma vareta que, presa ao bico de cada um dos patos, nela a tartaruga prendeu a boca, assim se fixando com segurança na experiência.

Nem demorou tanto tempo no passeio quando, avistados pelos súditos lá embaixo, este exclamaram admirados:

– Vejam que proeza. Dois patos transportando uma tartaruga com o próprio bico.

Bem na hora, quando passavam sobre os jardins reais, dona tartaruga, sem controlar o instinto de falar, não se conteve, aborrecida pelas observações que ouvia, lá de cima gritou abrindo a guarda:

– Que é que vocês têm com isso. Vão cuidar da vida, magote desocupado.

Em consequência, soltou  o suporte onde vinha pendurada, indo se espatifar no chão quase aos pés do rei, que dali presenciava tudo aquilo.

O Buda ainda acrescentaria alguns detalhes do incidente à alteza real, que deixara de observar melhor por conta do quanto tagarelava naquele instante junto de um grupo de pessoas em torno dele. Assustado sob o impacto do acontecido, o monarca acalmou um pouco os pensamentos e fez ligeira reflexão. Depois, pouco a pouco reuniria os frutos da lição da tartaruga tagarela, disso adotando outro comportamento de só falar o necessário e nas horas convenientes, reunindo de tal modo as energias que usava nos cuidados com seu povo.  

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Uma história qualquer – Por: Emerson Monteiro

 

Bom, vou contar do jeito que grudou nas lembranças, aos pedaços soltos, essa história.

Houve civilização quando as pessoas chegavam à idade provecta (outro nome de velhice, que alguns também chamam de ancietude, terceira idade, eufemismos conciliadores), e nessa época da vida todo ano se promovia animado festival ofertando aos deuses exemplares dessas pessoas já sem muita resistência física e esperança de vida. Era festa da lavoura em que os paramentavam e mandavam a sacrifício, sob o olhar atento de jovens e adultos, imolados que seriam nos altares do templo.

No entanto, cidadão que morava com o pai em lugar afastado da povoação, em cabana escondida no escuro das matas, resolveu contradiz o costume secular da raça e decidiu manter seu genitor anônimo, isolado, o quanto pode, dado o respeito e o carinho que lhe nutria.

Transcorreram anos até gastar o estoque inteiro dos anciãos nos festejos das tais propiciações coletivas. Esgotaram toda gente no ponto de oferecer nas adorações. Enquanto isto, de repente, o clima mudou e seca terrível assolaria a região. As lavouras definharam a ponto de morrer quase tudo, vegetação, animais, e as pessoas correr risco de fugir ou padecer de fome cruel.

Nisso, no sentido de aplacar a ira dos deuses, resolveram edificar novo templo, na intenção de angariar outra vez a simpatia e o favorecimento do desconhecido. Cortariam grandes trocos da floresta e utilizariam na outra construção das adorações. Logo no início, porém, descobriram que ninguém no meio deles sabia qual a posição correta em que deviam colocar as colunas de madeira, porquanto os antigos que conheciam o assunto haviam sido executados nas lapidações humanas das praças públicas.

Nessa hora, o homem que escondera o pai longe das vistas do grupo revelou que sabia que ainda restava raro exemplar da espécie nas condições exigidas daquele conhecimento, mas que apenas diria onde estava ele caso mudassem a lei daí adiante, deixando que velhos pudessem existir mesmo que possuíssem mais idade e pouca força.

Dias reunidos, pesarem e mediram, e decidiram aceitar a proposta do filho fiel. Então o único idoso que sobrara na comunidade veio orientar a construção no estilo tradicional. Depois, pouco tempo transcorrido, a paz voltaria a reinar e o bem estar regressou a toda gente.

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Lançamento de anões – Por: Emerson Monteiro

 

GENEBRA (Reuters) – Um pequeno dublê que protestou contra uma proibição francesa à bizarra prática de lançamento de anões perdeu sua apelação diante de um órgão de defesa dos direitos humanos da Organização das Nações Unidas (ONU), o qual afirmou que a necessidade de proteger a dignidade humana era fundamental (site Uol Últimas Notícias).

Enquanto o órgão das Nações Unidas buscava o patrocínio da condição humana, um anão de nome Manuel Wackenheim postulava seu direito de que homens maiores, em uma discoteca, lhe lançassem no espaço, alegando que proibição, datada de 1995, de tribunal administrativo francês, discriminava e privava do exercício do trabalho. Por conta disso, o processo chegou à ONU, que agora confirmou a decisão.

O artista francês, de apenas 1,14 m, apelara em 1999, junto ao Comitê dos Direitos Humanos, porquanto usava na função um capacete e roupas acolchoadas que têm alças nas costas para facilitar o arremesso do projétil humano, diz a nota.

Via de consequência, em comunicado o comitê divulgou o resultado de seu julgamento, se afirmando satisfeito pela proibição de lançamento de anões não ser abusiva, mas necessária a fim de proteger a ordem pública, incluindo considerações sobre a dignidade humana.

Desta forma, o órgão internacional titulara a preservação do valor da dignidade, assumindo a vez da espécie desses seres, isto é, todos nós, quais, sem conta, dela abrimos mão a preços irrisórios, comprometendo inclusive  outras gerações que hão de surgir.

A notícia considera que tal passatempo originou-se na Austrália e nos Estados Unidos, em torno dos anos 80, consistindo em jogar os pequenos dublês o mais distante possível, como atração de bares e discotecas.

Sabemos dos absurdos que acontecem na noite, jovens musculosos se mutilarem a pretexto de causar espanto, mulheres formosas se exercitarem em grupos prisioneiros de gaiolas e outros desmandos.

O corpo pertence à natureza, anda conosco algum tempo a título de empréstimo. As pessoas de quaisquer tamanhos carecem, portanto, de critério no exercício da carne, centradas na perspectiva do retorno ao mundo invisível, quando se verão a braços com os fizerem neste chão. A dignidade também significa respeito aos praticados na barra dos tribunais superiores. 

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O sabor das palavras – Por: Emerson Monteiro

 

São os vultos sorrateiros de si próprio, matéria vigorosa da individualidade prepotente, sentimentos, digamos assim, elaborados na ausência da ternura, na busca de termos melhor categorizados.

Bom, nisso de identificar os tais estilhaços flutuantes da corrente sanguínea do ser abstrato e sua dor de existir, império talentoso dos casos clínicos particulares das criaturas atuais, invade-se o tempo da eternidade, nos seis pontos cardeais do intrépido infinito; se chora sozinho, se chora pelos cantos; elaboram-se cantilenas melodiosas, versos quadrados, modernos, perpassados de litanias fragorosas, vendavais insubmissos de súplica que varrem impiedosos as superfícies emolduradas nos eufemismos culturais de letras maiúsculas, decentes, dos valores imortais. Elaborações filosóficas exemplares trabalham as lufadas de tempestade, transformando-as em brisas suaves de manhãs inesquecíveis, conceito civilizado da persistência, feras descomunais extintas se nos mudam mais mansos animais de estimação; quadros fortes de museus; livros encadernados e suas lombadas brilhantes, dose certa depositada nas prateleiras das academias públicas, pedaços conservados nos sarcófagos das gerações futuras; fogueiras apagadas v

iram rescaldos mornos, a encher de lágrimas doces olhos ardentes…

E cada um rompe o hímen da cena seguinte, com as faces das corujas atormentadas, porém calmas no esquecimento de quem vive com pressão cardíaca nas raias da normalidade, medidas ideais do expediente, destemor na ponta da língua afiada, épicos do espetáculo revivido, máquinas da permanência, seres eficientes do inesgotável destino, altivos palatinos da utopia, páginas de velhos almanaques, último lançamento de grife, etc. Sentimento, generosidade, coração. Expressão, animação, vida. A alma perpétua deste mundo. Veemência de sentimento; entusiasmo, arrebatamento. Pessoa, indivíduo… Arre, quanta letra em espaço tão pequeno só para dizer que dói viver, e angustia sentir paixão não correspondida…

Esse gosto vigoroso das estações que escorre goela abaixo traz consigo a vontade imensa de ser feliz sempre, desejo incontido da civilização. A gente acende no peito, por isso, o sonho de preservar a consciência sobre tudo, na ânsia de resistir ao momento que passa em estonteante velocidade na alma, e alimenta com temperos fortes a sobrevivência do Ser.

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O leão e o macaco – Por: Emerson Monteiro

 

Lá certo dia, o leão vendo o risco de deixar este mundo sem nunca haver experimentado a carne do macaco, resolveu conquistar o sagaz animal e satisfazer seus apetites. Chamou a raposa e, juntos, criaram espécie de plano que correspondia a uma audiência permanente com todos da floresta bem dentro da gruta que lhe servia de esconderijo.

Daí começou o movimento, vindo bicho de tudo quanto era canto. Os convidados entravam na furna e passavam horas, depois saíam sem revelar o que acontecia entre eles e o Rei.

Naquilo, o macaco, observador por natureza, ficou de butuca em cima das árvores das imediações, desconfiando que alguma tramoia desenvolvessem na área, envolvendo tanta gente.

Tempo vai, tempo vem, e nada dele tomar gosto, acordar a curiosidade característica e também chegar para negociar com o chefe da floresta.

Nisso, o leão resolveu mudar a tática e ele mesmo veio até a frente da morada a fim de estabelecer diálogo com o símio ainda pendurado no alto das árvores maiores, longe de suas garras.

– Sim, compadre macaco (que os bichos gostam de tratar uns aos outros desse jeito) – foi falando a fera monumental, enquanto sacudia a juba meio parecido que contrariado. – O senhor vive distante das atividades do meu reinado. Quer contar o que se passa nessa cabeça, meu irmão? – perguntou o soberano, querendo impor autoridade nas palavras.

– Ah, majestade, ando sobrecarregado de compromissos por causa das invasões dos humanos explorando e querendo tudo só pra si – explicou o macaco, já de olhos acesos diante da força do leão.

– Pois, então, amigo velho, entre e venha confessar os problemas que atravessa, que decerto oferecerei a tranquilidade que procura para suas preocupações.

– É, majestade, mas analisei bem o seu jeito de atender aos súditos. Notei coisa esquisita e quero salvar minha pele. No chão defronte da porta da gruta há muito mais rastros de animal entrando do que saindo – e dizendo isso, mais que ligeiro sumiu desembestado quebrando cipó no eito da floresta, e nunca que quis maiores aproximações com o leão e sua fome da carne de macaco. 

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O Pai Superior – Por: Emerson Monteiro

florrosa

Quis Deus que aqui nos encontrássemos para falar nEle, pois a isto nos propomos, nestas palavras falar em Deus.
Supremo poder o de Deus, donde emana tudo o que existe. Merece muitos nomes: Senhor, Jeová, Javé, Aton, Amor, Allah, Altíssimo, God, Gött, Tao, Tupã. Cada povo sabe dizê-Lo, entre dores e esperanças.
As religiões terminam sempre junto dEle, sob o nome que O quiserem chamar. Até aqueles que não admitem a Humildade, os cientistas materialistas, dão de cara com um nível de raciocínio que não pode ser dito e chamam-no de Desconhecido ou Força da Natureza. Dedicado ao Deus Desconhecido, encontrou Paulo de Tarso um altar na Grécia politeísta.
A voz do coração, onde reside a Consciência, fala de Deus. O Caminho da Perfeição abre-se a cada passo, adotemos ou não percorrê-lo. Tudo marcha, sem questão, inexorável, a um fim útil.
O sorriso da criança, o ar que se respira, a paz dos ermos, os azul do infinito, a luz dos astros, as flores, os frutos, as sementes, o verde, o mar, os rios, lagos, as montanhas, a chuva, o vento, o fogo, a água, a palavra, a compreensão, a família, a amizade verdadeira, tudo fala da obra divina.
– O que é Deus?

– Deus é suprema Inteligência, causa primeira de todas as coisas.

– Onde encontrar a prova da existência de Deus?

– Basta lançar os olhos sobre as obras de sua criação. (O livro dos Espíritos, de Allan Kardec).
Certeza aos perdidos, saúde aos enfermos, alegria aos infelizes, hálito aos aflitos, nunca há de faltar, porque Deus nunca findará, em sua plenitude eterna.
Mesmo aqueles que não tiveram aceso à letrada cultura guardam a convicção desse Alguém Maior, além do que admitam os homens, herdeiros universais na Criação, tantas vezes ingratos.
De Bondade sem limites, como não têm limites sua Inteligência e sua Justiça, devemos recebê-Lo com fervor no âmago do Ser, para alcançarmos a Fé, matéria-prima da tão almejada Felicidade.
E o Poder completar-se-á em cada um de nós, a realização plena de nosso Espírito, irmão entre Irmãos, no Planeta em que nos foi dado viver durante algumas décadas. A graça e a bondade hão de acompanhar-me todos os dias da minha vida.
A oração será a ponte de que o pensamento se utilizará para transpor o abismo e completar, com Ele, a União. Falemos, pois, sinceros aos Seus ouvidos oniscientes, para alimentar os sonhos do que é bom, merecendo o bem querer de abraçá-Lo, na Vitória Definitiva.

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Quando morre um médico – Por: Emerson Monteiro

Soube hoje da morte do médico José de Melo, razão de forte comoção dos cratenses, vez ser Crato onde exercia a profissão. Algo de melancólico enchia o astral dessa manhã ao lhe sepultarem. Enquanto isso poderia aqui a escrever um conto, recontar qualquer história das que existem espalhadas no tempo, ou mesmo refletir a propósito dos assuntos do momento, no entanto resolvo mergulhar a emoção que tocou cidade e lembrar que perdemos Dr. Zé de Melo, cidadão votado aos afazeres clínicos de minorar a dor alheia. E considerar a importância da missão dos operários da medicina em fase de tantas carências.

A sociedade anda às tontas diante dos chamamentos perversos que despejam os mercantis a título de alimento, o que bem entendem deixar de lado critérios mínimos da saúde nas ofertas, porquanto o lucro prevalece na mentalidade e nas leis. Indústria alimentícia de padrões duvidosos trabalha ao lado das indústrias química e farmacêutica, na adoção dos motivos mais que responsáveis pelo tanto de exigência médica no presente das pessoas. Sobram pedreiras do desafio que avassalam as gentes todo instante na seleção do que alimentar nossa família. São agrotóxicos, aditivos, acidulantes, adoçantes, corantes, lixo atômico, genéricos à espera dos resultados no corpo em longo prazo, veículos em velocidade nas estradas e ruas, tudo sob doses desconectadas dos reais valores da natureza sadia, que claudica e pede médicos, médicos sem conta, a fim de minorar as consequências da máquina.

Perante, pois, o quadro da saúde pública em xeque, profissional da medicina que passa aos planos espirituais deixa lacuna inestimável, qual profeta da sobrevivência que mudasse de canto, principalmente após largos anos do exercício da nobre profissão, espécie de pajé de agora, vez que por seu intermédio haveria chances de saldar na idade, no bem estar, a esperança de ver os netos chegarem à idade adulta e nutrir sonhos de transformações e melhoras sociais.

Diz provérbio africano que quando morre um homem se fecha uma biblioteca. Em assimilação proporcional, quando morre um médico se fecham portas à saúde que lhe aguardava nos milhares das filas, nos hospitais e prontos-socorros. Que Deus o tenha em bom lugar, doutor, pelo bem que praticou nesta vida.

Ilustração: O doutor, de Samuel Luke Fildes.

Emerson Monteiro

O elefante no escuro – Por: Emerson Monteiro

 

Na Índia, uma parábola fala da experiência de quantos se propõem a conhecer a verdade. Trata-se de história divulgada no Ocidente pelos autores de livros populares sobre o modo de transmitir ensinos superiores. Esta prática exige um tanto de habilidade, porquanto cada um vive suas próprias ocasiões de aprender. Quando muito, adquirem versões subjetivas, convicções pessoais que tiram do grande todo, detalhes mínimos do que os sábios ensinam a seus discípulos.

Conta dita parábola que certa feita um rei apreciador das coisas do espírito reuniu três cegos e os solicitou que abordassem um elefante e, em seguida, explicassem do que se tratava.

Um por um, os cegos se achegaram do animal e tocaram seu corpo em lugares diferentes.

Depois, trazidos ao soberano, descreveram o que haviam conhecido através do sentido do tato, esforço este acompanhado de perto por outros súditos ali presentes.

O primeiro cego descreveu que sentira pelas mãos ser enorme dotado de imensas orelhas, semelhante a tipo que poderia se deslocava no ar graças aqueles possantes instrumentos de locomoção.

O segundo, por sua vez, justificou que apalpara bicho de barriga avantajada, o que, devido ao peso do que acumulava, lhe impedia o deslocamento. Daí necessitar possuir patas comparáveis a troncos de árvores frondosas, com as quais permanecia preso ao solo, a se mover com dificuldade e risco para a segurança dos que viviam a sua volta.

Por fim, o terceiro cego considerou haver conhecido espécie rara capaz de reter o ar sugando-o através de orifícios situados na extremidade da tromba poderosa. Qual enguia gigante, o pavoroso monstro vivia de tudo examinar com o tal dispositivo, causando horror aos que encontrasse no caminho.

Como visto, o monarca ouviu nada além de ponderações de ordem singular. Porquanto, devido à limitação de suas vivências, os cegos apenas puderam abordar o objeto que apalparam sob os limites do que possuíam em suas noções anteriores.

O julgamento dos humanos ocorre nas mesmas e restritas limitações pessoais. Ninguém que se preze negará esta sentença, fruto do estado precário em que ainda nos achamos. São avaliações significativas, destacando a importância de se ser humilde no que tange a pontos de vista que precisam de maior indagação. Isto significa dizer, também, que a soma dos valores coletivos somados ampliam as chances de todos nós juntos um belo dia vir conhecer a Verdade absoluta na sua plenitude, por meio da fraternidade e união das individualidades pensantes. 

4 hours ago|Emerson Monteiro|Blog do Crato – Noticias do Crato !

O presente – Por: Emerson Monteiro

 

Na China existiu um velho guerreiro que nunca fora derrotado. Apesar da  idade avançada, era capaz de lutar com os mais novos e sempre levar a melhor. Sua fama atravessava o país, correndo mundo afora. Seus alunos o admiravam e respeitavam seus ensinos.

Lá um dia outro guerreiro famoso se apresentou disposto a medir forças com o Mestre, porquanto sabia do prestígio que desfrutava e trazia em si o firme propósito de vencê-lo em combate de proporções jamais presenciadas. Queria ser o primeiro a derrotar aquele senhor da luta. 

O desafiante, além de apresentar força e habilidade inigualáveis, possuía talento sem igual para descobrir pontos fracos nos oponentes, explorando-os até conseguir anular-lhes a concentração e vencer a resistência, destarte triunfando em todos os combates. Forçava os adversários a revelar as fraquezas, atacando-os, então, com extrema bravura. Dadas tais características, depois do primeiro momento de duelo ninguém resistiria a seus golpes fatais. (Descritas as características de ambos os lutadores, prossigamos a história). 

Sabedor das intenções do desafiante, o Mestre de pronto aceitou o desafio, no que pesassem as observações zelosas dos discípulos a preveni-lo. E veio a data do embate cercada de grande pompa, a reunir enorme multidão.

Os dois se posicionaram com o jovem guerreiro principiando a fazer provocações verbais usando de xingamentos vis, a lançar punhados de areia e cuspir no rosto do adversário, gestos que se repetiram por longos e longos minutos.

Entretanto, impávido, o velho guerreiro resistiu sem perder a tranquilidade, extático, calmo e dono da luta, se mantendo à frente nos golpes. Não demorou muito a derrotar o petulante agressor que, por fim, se esquivou envergonhado debaixo de apupos e vivas.

Desconcertados por ver o Mestre se manter passivo no decorrer de quase toda a luta, os alunos quiseram saber a razão desse tipo de atitude em faca das agressões sofridas:

– Por que o senhor teve de suportar tanta humilhação sem impor qualquer resposta, e esperar tanto para revidar as ações do opositor e chegar à vitória?

– Quando nos mandam um presente e nós evitamos receber – ele respondeu -, esse presente fica nas mãos de quem oferecer. Dessa forma, retorna a quem o enviar. 

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Estrangeiros de si – Por: Emerson Monteiro

 

Quer saber mais dos reais propósitos, finalidade última de andar este chão de tantos mortos, em que pisar faceiro representa o desfile das gerações. Numas dessas tardes de sábado quando acontecidos seguem apesar dos trâmites equivocados e suas rotinas, imensos vazios parecem tomar conta das circunstâncias, na lembrança vaga da luz na consciência a procurar o sentido.

Contudo a quem escreve cabe o solitário dever das respostas, invés de perguntar; autor presente, leitor ausente… Leitor presente, autor ausente.

Nisso, algumas vezes, questões podem vir nos aspectos comuns, meandros e impressões onde viver significa reunir experiência.

Por exemplo, quando padecem as dores atrozes de existir, criaturas se submetem ao crivo de penas atrozes, tragédias aos olhos da rua, das residências, dos hospitais, manicômios, presídios, becos escuros, vilas descalças. Período em que outros, no tempo ao lado, riem e festejam turnos ilusórios, tronos atapetados, parques alegres, salas de espetáculo, estádios, mostras faraônicas do estado sólido da matéria, puros adiamentos.

Desta forma, entre lágrimas e sorrisos, há distância infinita, não superior, no entanto, a milímetros estreitos que dividem dois lados de uma mesma moeda.

Aquilo de lembrar vizinhos abandonados dos amantes fogosos, flagrante impõe na contradição à roleta da sorte, na escola do mundo.

E cresce o enigma de viver diante da lei da compensação: Alimentar sonhos de felicidade perene em meio às guerras e crises, valores da busca incessante do ser. Noutras palavras, equilibrar os pratos da balança da fortuna requer mínimo de senso de justiça, princípio de não fazer ao outro aquilo que não quer a si, nas palavras de Jesus.

Afirmações exigem, pois, esforço de transmitir intenções claras, que representa a luta de encontrar o Si próprio, no intuito de superar a trajetória impermanente de morar um corpo de carne até chegar a espírito puro, sublime instante da revelação final da essência.

Todos, sem exceção, transitam nessa faixa de personalidade com destino traçado de chegar a ser eterno, percurso das vidas reencarnadas. Ninguém vem aqui só a passeio. Nas horas amargas dos conflitos, afloram possibilidades do infinito, encontro com o Eu verdadeiro, na morte da vida temporal e no renascimento para a Vida.

Este parto cósmico requer conhecimento e renúncia, qual largar a Terra rumo às estrelas, invés de peregrino. Nessa hora de chegar à casa do Pai celestial, fruto dos degraus da natureza, calados, romperão o peito os solitários humanos, nascidos no âmago do coração. Assim, primeiros raios do sol da manhã invadem a alma com o brilho das bênçãos, cessando dores lancinantes, malhas do aço resistente da esperança, em atitude certeira do amor de Deus em nós. 

(Ilustração: Hieronymus Bosch).

Emerson Monteiro

Como lidar com a sombra – Por: Emerson Monteiro

 

Há dentro das pessoas humanas setor em elaboração, matéria prima do Si mesmo, algo que revelará o sonhado progresso rumo aos níveis superiores da auto percepção. Essa tal região da alma denominam sombra, no espaço das terminologias da ciência psicológica. Território inexplorado, entretanto posse de todo indivíduo, oferece meios de libertação das malhas do egoísmo, no entanto a exigir na ação gana de herói, transcendência das malhas dos vícios na demanda do Santo Graal das lendas arturianas.

Como lidar com a sombra em um relacionamento ideal indica potencialidades até então escondidas sob os escombros da natureza, habilidade que reclama conhecimentos de ordem moral e ética para cruzar o pântano da involução neste mundo cheio dos desafios necessários e criar condições na personalidade em crescimento.

Isso determina esforço continuado de aceitar ser ainda limitado, portanto admitir que não se é puro no âmbito espiritual, e se está a necessitar do exercício da renúncia aos prazeres da carne.

Daí virá conter as emoções negativas sujeitas a invadir o cotidiano e impor restrições da fraqueza animal, instintos e impulsos perversos apenas reveladores do que há de se vencer. Nem por isso padecer sob a culpa e a vergonha de transportar essa carga em decomposição nos sentimentos e atos negativos.

Depois, dominar as projeções da gente na imagem que se faz dos outros ao considerá-los aquilo que surge por causa das limitações particulares. Trabalhar a honestidade e outros valores bons da amizade nos relacionamentos e na comunicação com os demais. Adotar a imaginação criativa de sonhos, desenhos, pinturas, escritas e rituais para revelar o Eu que antes ficara reprimido tanto tempo na história dos que vivem.

Conquanto pese milhões domar a sombra dentro de cada ser, isto produzirá maiores e melhores possibilidades no beneficiamento da nuvem escura da sombra coletiva que, às vezes, parece querer negar esperança a todos nós.

Emerson Monteiro

Tempo, a pulsação do Universo – Pro: Emerson Monteiro

 

As palavras, quando insistem, acham jeito de sair dalgum modo… Querem dizer o que a vontade quer silenciar… Nisso vencem e chegam cá fora ainda molhadas no instinto de falar falas que querem elas dizer, independente de a gente possuir força de demovê-las desse espírito de liberdade que lhes caracterizam a natureza de palavras que vêm cheias do gosto de expor as frases, as sementes da compreensão.

Desta vez, dizer do poder inimaginável do fator Tempo, sujeito/objeto inevitável onde haja existência. Esse ritmo constante do coração das pessoas, dos animais, átomos, águas, nuvens que deslizam pelo céu; dos motores, das batidas de conjuntos musicais, relógios e horas, em tudo por tudo a eterna continuação das máquinas infinitas a comandar o sistema universal, toque de extremos que se encontram sem jamais fugir da linha imaginária dos córregos, rios e praias infinitas da constância. Lá onde persista a sobrevivência do movimento vital, ali dormirá acordado o pulsar essencial das tramas, na cortina que envolve os berços.

Em profunda reverência, o tom festivo das melodias qual quem talha as molduras de quadros monumentais, ali os cuidados da criação elege resultados mil de impressões definitivas numa saudade que vem e volta. Gravações de páginas divinas, o Tempo mexe na gente lá por dentro, contando das buscas inevitáveis do momento seguinte, aspiração dos que precisam tocar as caravelas do destino aos portos temporários da felicidade.

Quando menos importa, despertamos outra vez ao sabor dos sonhos e andamos algumas braças mais, nessa jornada pela obtenção de novos amores, na intenção forte dos desejos maiores que nós, sabores guardados na imaginação da procura.

Ninguém fugirá, pois, à marcação dos calendários da sombra que acompanha todo passo, irmã gêmea da presença no seio das criaturas, caldo grosso de metais derretidos na alma. Às vezes encapuçados de vaidades pegajosas, segue o peregrino rumo a intervalos que contam só das travessuras do Tempo nos riscos da pele, cicatrizes e rugas que lhe compõem a história lavrada de perdidas atitudes. E os dias revelarão o sentido da reverência ao herói de todos os labirintos, deus da Verdade absoluta. Ele, Tempo Rei em tudo quanto há.

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A barba e o frade – Por: Emerson Monteiro

 

Depois de raciocinar um tanto, o frade optou por deixar a barba crescer. Interpretara ser a natureza que fizera desse jeito, assim devendo seguir. Quando cofiava o queixo peludo, pensava no jeito de quem obedecia por conservar a espessa barba quase passando do peito, ancorada no avantajado bucho a lhe servir de moldura.

Os alunos respeitariam frei Atanásio de qualquer modo, pois avistavam nele o exemplo de dedicação ao magistério com carinho especial, além de saber a fundo língua inglesa e biologia, as matérias de sua predileção, que transmitia nos dois turnos do colégio.

A confiança que concedia a seus alunos permitiu, naquela manhã, dar ouvidos a Tenório indagar o uso da sua barba na hora de dormir:

– O senhor bota dentro ou fora do lençol a barba, professor? 

O bom frade aquietou. Perquiriu da memória a resposta. Nada, nada se ofereceu de imediato. Portanto, sem dispor dos elementos necessários, não conseguir lembrar as coisas acontecendo debaixo dos lençóis noturnos. Sorriu desconsolado, levando a sério o assunto.

Disse ao pequeno que deixasse a pergunta guardada e a refizesse numa outra ocasião, achando houvessem lhe pegado em grave desatenção consigo próprio. Observar-se-ia melhor das próximas vezes.

De noite, cumpriu a disciplina e se recolheu à cela, de pensamento ligado na pergunta do aluno. Num comportamento fora do habitual, zeloso afagou a cama, preparando-se para o sono…

A surpresa maior lhe esperava. Nada obedecia ao pretendido. Buscava jeito de um lado, de outro. Revirava daqui, dali. Lençol faltava nos pés, na cabeça. E a barba necas de alojar, esquentar canto. Por dentro do cobertor, espinhava, incomodava como nunca antes. Por fora, aí também não funcionava. Por fora, por dentro… Qualquer das posições causava-lhe desconforto. Rejeição total do costume que nem chegava à lembrança das noites anteriores.

Espantado com aquilo, o sono viajou para muito longe. No seu lugar apresentou-se a indesejada vigília. Noite inteira e o frade manteve os olhos arregalados. Aquilo, sim, pôde classificar de noite em claro. 

Cedinho, quase ainda no escuro da madrugada, saiu calorento, banhou o rosto e desceu ao pátio do colégio, onde lia o breviário. Outro espanto. Quem primeiro apareceu no corredor: Tenório e sua carinha adolescente.

De sorriso nos lábios, parecendo saber tudo que se dera durante a noite do religioso, logo veio perguntando:

– Aí, frei Atanásio, de que lado fica a barba quando o senhor dorme?

Nessa hora, o frade ferveu por dentro. Sem contar conversa, naquela hora dirigiu ao aluno extensa preleção sobre gente bisbilhoteira que, esquecida dos modos sobre o respeito, invade a intimidade alheia. Calado, atencioso, o estudante a tudo ouviu, decidindo não mais voltar a falar no assunto ao professor, que, dali adiante, sempre conservaria raspado o simpático rosto.

Nota: História ouvida do padre José Honor de Brito.

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Realinhar sentimentos – Por: Emerson Monteiro

 

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O desejo forte que impulsiona o coração de encontro aos momentos impõe cuidado extremo nos gestos qual quem busca equilíbrio no fio tênue dos abismos ali embaixo. As disposições do apego, intenso gosto de achar motivos de viver com alegria, exigem lucidez por vezes inatingível aos comuns mortais. Um leque de beleza rara, leves toques de brisa suave nas manhãs, respingos da água do mar numa praia clara de sol aberto, o riso da pessoa amada em nossos braços e sonhos de felicidade que escorrem das lembranças de noites agradáveis, isso tudo significa vontade determinante de amar com sofreguidão as ondas passageiras desta película incessante que denominaram existência.

Porém há que se cuidar demasiadamente de todo detalhe, nas cenas que compõem o fluxo permanente que transcorre pelos dentes das horas e nos alimentam da continuidade. Parar impossível. Conter os gestos da natureza, impossível, conquanto a determinação de obedecer aos passos das circunstâncias significa a única certeza inevitável.

O que resta de permissão ofertada aos microrganismos que somos nós, pequeninos seres diante da infinita misericórdia de Deus… Espaços a preencher de milhões de mimos à sagração da vida, dentro de coração solteiro, argonauta dos destinos.

Nesse momento, cabe cheio reordenar os sentimentos, trazer ao território da liberdade o pomo da conformação e aproveitar os melhores insumos que a história disponibilizar, no ato da visão providencial. Gostar da festa de viver onde nos encontrarmos, e abraçar de bom grado o mínimo do que chegar ao teto dos apetites, selecionar fiapos e tecer a paz de que se alimenta dos impulsos que a gente exerce… Pisar o próprio corpo do desejo e amar intensamente o que os outros permitem que façamos.

Na pauta desses momentos, traçar rotas reais, invés de amarguras e ilusões transitórias. Firmar pés na rocha da condição humana, sem medo que se interponha o vilão da desonestidade para conosco mesmos, porquanto a exigência virá de plantar a semente fértil da tranquilidade, ainda que diante dos obstáculos circunstanciais. Amar e ser amado com firme sabedoria, no itinerário de saber que somos fruto de nossos únicos gestos.

Emerson Monteiro

Caminhos da natureza – Por: Emerson Monteiro

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Nesses tempos de pouca água nas torneiras e temperaturas ferventes no mundo aceso, mesmo quem antes nunca pensou em conservação da Natureza corre o risco sério de parar nas consequências dos tantos e tantos séculos de abandono a que relegaram as fontes da vida na Terra.

São muitos para destruir e poucos para plantar e construir, eis a principal verdade do nível de preocupação com florestas, mares, rios, ar e animais, todos fixados em descobrir meios de ganhar dinheiro no procedimento predatório herdado e multiplicado pelos senhores coloniais do poder.

Vive a atual geração o ponto extremo da transição entre o homem destruidor e homem sustentável, fase por demais crítica, em que o menor deslize colocará em xeque a natural sobrevivência das espécies.

As ações do Greenpeace, por exemplo, bem demonstram a necessária conscientização desse grave momento, nas atitudes reprovativas do que os mercenários da hora promovem.

Bem pensassem, os líderes dos países e os acontecimentos, por certo, estariam noutros patamares. No entanto seguem as políticas visando tão frutos madeireiros de fria destruição, estiolando solos milenares e sacrificando a fauna, em acelerada devastação inconsequente, posições inclusive do Brasil neoliberal.

Existem órgãos estruturados a combater ditas ações, contudo a responsabilidade cabe aos segmentos da população através dos esperançosos conselhos de meio ambiente, de raro em raro funcionando a contento. A defasagem, que fere outras instituições, fere sobremodo as causas naturais da vida, justificando no lucro a fome de resultados nas balanças de pagamento da economia de mercado.

Tarefa hercúlea, conduzem a duras penas esses órgãos a preservação nos países atrasados, de mentalidade mais atrasada ainda. Muito se fez, e mais resta a fazer, dagora em diante. Ninguém se diga indiferente aos modos de manter a qualquer custo os nacos de mata virgem, água limpa e ar puro que restam em volta do globo mal amado, a pretexto de nada lhe dizer respeito. O assunto chega de jeito radical porque esqueceram de que o Planeta é ser vivo e merece cuidados imprescindíveis às idênticas leis universais dos sistemas.

Cidades do Nordeste vivem hoje dramas de abastecimento de água impossíveis de imaginar poucas décadas atrás. O São Francisco, denominado o rio da integração nacional, por percorrer vários Estados, desde Minas Gerais, Bahia, Pernambuco, a Sergipe e Alagoas, alimentando de energia e trabalho inúmeros rincões, vê-se minguado do quanto desmataram nas suas fontes, sem que houvesse medidas pertinentes a conter os crimes cometidos.

Ainda existe tempo a providências ao gosto para começar o intuito de conter a voracidade predadora que devorou as minas e o povo do continente africano, e cresce, neste princípio de milênio, garras metálicas contra as terras latino-americanas, bola geopolítica do capitalismo selvagem da vez. Só assim, pois, descobrir-se-á que tudo diz respeito a todos neste chão.

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Princesa Isabel, a Redentora: a Mãe do Brasil – postado por Armando Lopes Rafael

 

“O que une as mulheres e as distingue de nós é que são mães. É algo tão singular que elas todas são mães mesmo as que o não são”. (Dom João Costa, ex-bispo de  Iguatu, atual Arcebispo Coadjutor de Aracaju)

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O 13 de Maio continua sendo a maior data cívica de nossa História!

No dia 13 de maio de 1888, há 127 anos, A Princesa Regente, Dona  Isabel (a primeira mulher a governar o Brasil. Os que dizem que foi Dilma Rousseff,  não conhecem a nossa história), pois bem a Princesa Isabel tomou da pena de ouro que lhe oferecera a subscrição popular — uma das três que surgiram na ocasião — para assinar a Lei nº. 3.353, por meio da qual o instituto jurídico da escravidão estava para sempre abolido do Brasil.

Muito além de seus dois singelos artigos, a Lei Áurea trouxe equiparação legal a todos os brasileiros, cessando a distinção ignominiosa de cor e raça. No árido caminho que trilha a cidadania brasileira, como aponta o Prof. José Murilo de Carvalho, foi um dos passos mais flamejantes. O documento fazia nascer, simbolicamente, uma nação que, até então, inexistia. A nação em que pretos, brancos, índios, eram todos igualmente brasileiros. Como sempre lembra o Prof. Eduardo Silva, era o “mundo de ponta-cabeça”. A díade senhor-escravo havia sido extinta no Direito brasileiro.

Por remir o Brasil de seus quase quatro séculos de cativeiro, de tráfico transatlântico e de barbárie escravista, a Princesa Imperial Regente D. Isabel, futura imperatriz, seria banida do Brasil no ano seguinte. Seu reinado foi abortado e, com ele, tudo o que significaria para o Brasil esvaeceu. No exílio, durante trinta e dois anos, a única mulher brasileira que nos governou no século XIX somente pôde reinar entre aqueles que a cercavam na França, ou no coração dos que amargavam o sofrimento pela distância dela, aqui no Brasil, mormente os antigos escravizados e seus descendentes — que na Primeira República encontravam desprezo e rechaço.

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Crato fez bonita festa para Nossa Senhora de Fátima – por Árysson Magalhães (*)

 

“A treze de maio na cova da Íria no céu aparece a Virgem Maria…

Ontem, 13 de maio, ás 17h, a Paróquia Nossa Senhora de Fátima, em Crato-CE, encerrou os festejos à sua padroeira, com uma missa presidida pelo bispo Dom Fernando Panico e concelebrada pelo pároco, Padre José Vicente Alencar e o Reitor do Seminário Diocesano São José, Padre Edson Bantim, contando com centenas de devotos vindos de diversas localidades da cidade e de regiões circunvizinhas.

Há quatro anos, a paróquia inicia os festejos no dia 1º maio, com uma pré-festa e, desde o dia 04 deste mês, com o novenário de intensa espiritualidade, missa e quermesses, trouxe como tema para reflexão: “De Fátima, uma grande esperança: a paz!”; que refletiu sobre a consagração do mundo à Nossa Senhora, feita pelo Papa Francisco, em Roma – Itália, por ocasião da Jornada Mariana, em outubro de 2013.

Dom Fernando Panico na celebração de encerramento da Festa de Nossa Senhora de Fátima. (Foto: Seminarista Árysson Magalhães)

O pároco, Padre José Vicente, apontou como diferencial nos festejos deste ano a participação ativa dos membros do Encontro de Casais com Cristo – ECC, proporcionando o bem-estar dos devotos, favorecendo assim a oração e a notável participação dos fiéis, superando todas as expectativas; “A organização da festa partiu da estruturação das equipes confiadas aos casais do ECC que são extremamente capacitados para trabalhar em equipe, marcando positivamente a trajetória da festa deste ano”, destacou.

Na homilia, Dom Fernando, disse falou aos fiéis da necessidade de se optar pela fidelidade a Jesus, assim como Maria fez seguindo o seu testemunho. ”Se queremos a manifestação da misericórdia e do poder de Deus em nossa vida, sejamos fiéis a Jesus, seguindo o conselho de Maria, fazendo tudo o que ele vos disser. Bem-aventurados, os que como Maria escutam a Palavra de Deus e a põe em prática, portanto, busquemos fazer o que Maria fez: a vontade de Deus”, afirmou.

Ao final da celebração aconteceu a procissão com a imagem de Nossa Senhora de Fátima pelas ruas do Bairro Pimenta, seguido de benção do Santíssimo Sacramento..

As aparições de Nossa Senhora aos três pastorinhos, Francisco, Jacinta e Lúcia, em Fátima – Portugal, tiveram início em 13 de maio de 1917, em um total de cinco aparições, sempre nos dias 13 de cada mês, encerrando em 13 de outubro de 1917. Até então só foram beatificados Francísco e Jacinta.

(*) Árysson Magalhães é seminarista da Diocese de Crato

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A questão carcerária – Por: Emerson Monteiro

 

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Um dia, pelas ruas de Mangaratiba, cidade litorânea do Rio de Janeiro, visualizei o passeio dos detentos da Ilha Grande, antigo presídio hoje desativado. Quadro marcante, cortejo de homens válidos, corpulentos, em marcha batida, controlados por guardas e cães, a percorrer trechos daquela cidade. Alguns traziam consigo peças de artesanato de própria fabricação, oferecidas aos circunstantes por preços ocasionais. A cena ficou gravada para voltar ao pensamento quando, como agora, enfeixo a intrincada crise penitenciária brasileira. Aqueles zumbis, de olhos vazios, trajes encardidos, quais reses de tosquia, trastes da culpa, apenas arrastavam o tropel do destino à luz da vontade dos homens.

E revivo também a sensação cotidiana dos noticiosos quando exploram o mundo cão. São raros os meses em que deixam de ocupar o cardápio as rebeliões nas celas, com registros de fugas, incêndios, perdas de vidas e homicídios.

Tais aspectos percebidos significam o estrangulamento do sistema penal; refletem a estrutura da sociedade como um todo, onde deficiências indicam  muito chão ainda para percorrer até a perfeição final do processo vida.

Cheira mesmo a repetição dizer que as cadeias, quais viveiros de pássaros indomáveis, converteram-se no campus da monstruosa universidade do crime, imagem conhecida, onde os apenados ali encaram desafios primitivos junto de outros em condições físicas e morais deploráveis. Daí, qual onda avassaladora, estranho relacionamento impõe e multiplica a morbidez de seres vencidos, depois lançados às sarjetas, num ciclo de miséria que aumenta os custos do subdesenvolvimento mórbido.

Intenções honestas de resolver o problema, contudo, não eliminam o atraso dessa área, vistas experiências nos países ricos, mesmo sabidas quantas falhas lá também persistem.

Planos que se cogitem devam sempre vincular a participação efetiva da força de trabalho reclusa às celas, estagnando a capacidade produtiva. Em resposta, as sentenças assim deixariam de inutilizar a mão de obra prisioneira, sobrando ao Estado o mérito de soluções criativas e geração de riqueza, alimentando e estabilizando as contas da instituição punitiva, além de profissionalizar quem chegar, de comum, sem ofício. As prisões agrícolas demonstram a viabilidade desta ideia.

Restam imaginar perspectivas novas para problema tão arcaico. O gesto de segregar aos calabouços, sem outras preocupações racionais, apenas mascara uma chaga que transborda de dor e clama decência. Compromisso pesa, pois, sobre todos os ombros, sabendo que o zelo da liberdade vem assegurado como atributo essencial, dom divino que cabe manter, sobretudo a quem necessita desde criança das poucas e limitadas oportunidades vitais.

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E a criatividade, por onde anda? – Por Carlos Eduardo Esmeraldo

 

criatividade

Tenho o costume de entrar no carro e ligar imediatamente o rádio. E o que ouço? Músicas antigas dos decênios de 1950, 1960, 1970 e até 1980 regravadas por outros cantores que passam a anos luz de distância do autores originais. Roberto Carlos é a principal vitima dos aproveitadores. Possui o maior número de seguidores que nada tendo para criar, usam a criatividade alheia. Até o cearense Belchior com seus "galos, noites e quintais" já teve suas belas músicas regravadas por outros cantores que preferem a comodidade de "nada criar e tudo aproveitar", seguindo a máxima do grande sábio Lavoisier.*
Tenho feito solitárias observações com a certeza de não serem elas frutos de alucinações. Acontece que nos dias atuais, eu vejo em tudo uma grande falta de criatividade. Na arte, na música, na cultura, na economia e na política.
Se abro um jornal de qualquer cidade, vejo cópias fieis dos grandes jornais do Rio e São Paulo repetindo a mesma cantilena de mais de meio século atrás. O medo do comunismo "ateu e comedor de criancinhas" está timidamente sendo ressuscitado por alguns desavisados. Voltaram as passeatas nas ruas, nos moldes da desnecessária e inócua "Marcha da Família com Deus pela Liberdade" e há até aqueles que na falta de algo mais original, clamam por uma imediata intervenção militar. Insensatos! Jamais souberam o que é a vida debaixo do tacão de uma ditadura.
Os jovens que viveram nos 21 anos da última ditadura não puderam exercer e desenvolver seu pensamento político. Foram reprimidos e muitos deles exilados, quando não vítimas de cruel tortura e até morte.
Saibam que foi desse meio que surgiram nossos políticos atuais. Copiadores das idéias reinantes na época do IBAD, da "Aliança para o Progresso" e submissos aos interesses da grande nação do norte. Daí a grande dificuldade de entenderem a democracia e respeitar a escolha da maioria. Provavelmente o ódio reinante de parte a parte seja a principal crise que é cantada e decantada em prosas, versos e reversos. 
Agora o perigo é muito maior. O jogo dos interesses está mais forte, com o aumento das grandes reservas energéticas do nosso país, principalmente o petróleo sob nosso mar continental. Se não acordaram ainda, pensem na razão do grande bombardeio para condenar a Petrobrás, quando o montante ali desviado pela corrupção é bem inferior à perda de impostos pela Receita Federal dos recursos clandestinamente enviados para a Suissa via HSBC por destacados políticos, ricaços e alguns atores globais. 
No Brasil, nossa imprensa está a serviço dos seus donos, que são capitalistas, cujo amor à pátria já jogaram na lata do lixo desde quando amealharam o primeiro tostão. E isso sim, é a criatividade que alimenta a lucratividade deles. O resto que "exploda", como bem dizia o genial Chico Anísio na pele do locutor "Roberval Taylor".    

Por Carlos Eduardo Esmeraldo

*Antoine de Lavoisier *1743; +1794: ("Na Natureza nada se cria, nada se perde, tudo se transforma.")

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O dever da alegria – Por: Emerson Monteiro

 

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Andar pela cidade, olhar e ouvir falar do clima, da carestia, das filas quilométricas, barulho, violência e outras apreensões, traz à lume esperanças gastas de tempos idos, quando a epopeia humana machucava os lugares, parecidos com os que hoje existem, mas antigamente. Sempre será o que sempre foi se assim nos parece, porquanto personagens e dramas se encontrarão no palco empoeirado de semanas, meses, anos, nas florestas ou nas praças, nas ruas. Civilização vem, impera e passa pelos corações das criaturas. Vão de volta pelos corredores, e chegam novos contingentes de guerreiros e santos.

Nisso, diante do cenário de horas e séculos, surgem mães, crianças de colo, pais jovens, risos leves, festas, música, sonhos, noutros quadros da natureza que nos tocam os sentimentos, dosando lousas por vezes escuras de lápides ou salas de aula.

A insistência maior toca dizer que o dever da gente é sustentar a alegria, apesar dos pesares, a todo custo. Trabalhar a insistência das transformações nos destinos, pois crises houve na voragem que aqui tocamos, caravana independente do pessimismo de quantos.

Se há palavras de ordem que precisam expandir a revolução permanente dos seres, devem contar melhores dias que aguardam as gerações. Manter firme a vontade de ver novas estradas abertas aos acontecimentos, fora o sensacionalismo perverso que, nalgumas ocasiões, parecem querer transbordar o rio da paz, na alma das famílias.

Ninguém consciente negará as limitações da espécie, porém a criatividade predominará face aos extremos da desventura. Na aventura dos povos, escrita a ferro e fogo no chão deste Planeta, tramas cruzaram os mares e aqui rumamos aos objetivos do que, na verdade, podemos ser um dia. Entregar o direito de ser feliz, jamais. Apoiar causas de dor e repressão, destruição e maldade, nunca. Apenas o bem prevalecerá, visto contar a existência definitiva do Amor.

Discurso que vem ao teto da imaginação significa isto, o sentido único de realizar planos de sucesso na viagem dos minutos. Senso de realidade que prevaleça, pois, ordenando o que somos em forma de semeadores do futuro, luzes a favor da fraternidade e das novas possibilidades que valem a pena viver e auxiliar tantos que necessitam de nós a qualquer momento. Tempos passam e a Eternidade continuará vigorosa bem na alma das pessoas.

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Força da vontade – Por: Emerson Monteiro

 

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O poder da constância nos propósitos canaliza a direção, com disciplina e afinco, e ordena isso que chamamos força da vontade, capacidade que os animais desempenham por vezes como melhor sapiência do que a gente. Observar os bichos na cata das presas demonstra o quanto de dedicação permite a natureza que eles encontrem diante da sobrevivência o suficiente a encher a barriga antes de chegar às furnas da noite. Pé ante pé, utilizando instrumentos ainda pouco reconhecidos pelos humanos, saem à busca do sustento. Enquanto nós só aos poucos aprendemos utilizar o valor que possuímos em termos de organização pessoal dos recursos cerebrais, critério dos irmãos das outras espécies que alia pensamento e instinto; sentimento e pensamento, em nós.

A ineficiência da concentração dos pensamentos e atitudes gera desordem no caos, vezes raras a exercitar a energia da vontade do lado contrário, no desenvolvimento das próprias ações. Querer e não querer ao mesmo tempo demonstra essa imprudência de pouco desejo naquilo que se pretende. Pisar dentro e fora, correr em círculos, dificuldades nas intenções, nas decisões, nas escolhas, modos diversos da fraqueza que empobrece o ânimo tantas e quantas ocasiões.

Diante da potencialidade que dorme no seio da existência, razão das transformações vividas cada instante nos ramos da ciência e da sociedade, alimenta civilizações com esse condão que repousa lá no fundo de nosso peito, em pleno direito das nossas convulsões, motivo da esperança nas possibilidades futuras da raça que ainda não passa de graveto no mistério do desejo. Saber trabalhar quanto dispõe a inteligência e querer reunidos em bloco indivisível significa, por isso, a renovação de tudo, contudo.

Quando a imaginação revelar aos seres humanos a praia da consciência e sintonizar o pomo dos mares bravios da lucidez em melhorar a todos nós, visão dos mais sábios e cientes virá do sol das coletividades, realização de sonhos verdadeiros, morada de amor eterno da paz e da felicidade.

Dizem os filósofos que perfeição só existe no mundo das ideias (Platão), berço dessa maturidade em germinação. Os indivíduos, pois, representam pequenos átomos do plano fabuloso que apenas dormita no coração de cada um, fase latente dos projetos definitivos. Matriz do mais que perfeito, o tal processo em fertilização na vontade, eis a força imortal da construção de tudo. 

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Do ofício de escrever – Por: Emerson Monteiro

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O desafio maior de quem escreve é a distância imediata entre os que produzem os textos e quem, num plano eventual, depois os leem, porquanto a solidão da escrita não permite respostas prontas daqueles leitores hipotéticos. Daí, o gesto virar mania esquisita, dessas inexplicáveis a que se acham sujeitos indivíduos desses tempos de pessoas afastadas, no labirinto social do mundo moderno.

Mas mesmo assim alguma coisa fala dentro da gente, possível de chegar aos outros, na civilização instrumental de letras, registrando, documentando, transportando nas palavras conceitos, experiências, histórias, geração a geração, reserva de constantes tipos. Consegue-se, após a invenção da industrial, preservar milênios de literatura.

O que pensou alguém há milhares de anos mantém-se intacto pela maravilha da arte literária, a trazer progresso à humanidade inteira.

Enquanto que não se sabe de artistas viverem a fomentar guerras, fabricar armas, gerar discórdia. Artistas sonham. Amam. Artistas nutrem idéias, utopias, realidades tangíveis. Não lhes cabe produzir bombas, metralhadoras, aviões de combate, tanques, fome, divisões.

Na Grécia Antiga, já havia essa preocupação de desenvolver, pela estética dos textos teatrais, o senso de observação, a consciência espiritual, verdadeira, sensível, treinamento de habilidade às coisas míticas, invisíveis, e com isso permitir a compreensão das luzes do coração.

Hoje, ao seu tempo, a literatura propicia trabalhar a ciência rumo ao potencial da infinita criação, transformarmo-nos em seres válidos, amigos, irmãos entre os humanos, a fim de construir sociedade nova, justa, sem ganância ou competição exacerbada, livre dos atuais derramamentos inúteis de sangue.

Tudo isso, pois, perpassa o senso do estético e faz-nos disponíveis às constantes mudanças de inspiração. E sentar e transferir valores dignos, naturais, democráticos, de que é possível partilhar o amor, dando testemunho da solidariedade no que pesem as lutas insanas do cotidiano. A arte qual mágica de sonhos realizáveis, pela força vital, ao pleno dispor da Natureza, abertos ao pleno vigor do grande público, em profusão de cores, sons e harmonia.

O homem jamais justificará, pois, alienações face ao desprezo do mundo, museus sem paredes, no dizer de Marshall Mcluhan. Para onde se voltar, depreende materiais originais, suficientes ao processo amplo do conhecimento, na medida certa dos tantos graus de consciência, ritmo consistente da evolução por meio da cultura alfabetizada. 

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O Imperador Dom Pedro II e a seca do Ceará (postado por Armando Lopes Rafael)

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(Baseado em texto do livro “Revivendo o Brasil-Império” )

 

Quando o Imperador Dom Pedro II retornou ao seu Império em 25 de Setembro de 1877, após mais de um ano em viagem ao redor do Mundo, tendo visitado os EUA, Canadá, Europa e Oriente Médio, passando pela Dinamarca, Suécia, Finlândia, Rússia, o Império Otomano, Grécia, Terra Santa, Egito, Itália, Áustria, Alemanha, França, Grã-Bretanha, Países Baixos, Suíça e Portugal, mais popular do que nunca no exterior e em seu próprio país, grandes festejos tinham sido planejados para a sua chegada.

Contudo, a satisfação do Imperador de retornar ao lar e ao seu povo foi diminuída pelas más notícias do Ceará, onde a fome rugia após prolongada seca. Dom Pedro cancelou as celebrações oficiais, dizendo que os fundos reservados para esse fim deviam ser empregados no trabalho de alívio aos flagelados. Apesar dos grandes gastos que tivera na viagem, pagos pelo seu próprio bolso, ele destinou parte da sua dotação para a mesma finalidade, visando mitigar os efeitos da seca. Durante uma reunião do Gabinete, o Barão de Cotegipe, João Maurício Wanderley, Ministro da Fazenda informou:

— Majestade, não temos mais condições de socorrer o Ceará. Não há mais dinheiro no Tesouro.

O Imperador baixou a cabeça durante alguns instantes, e depois disse com firmeza:

— Se não há mais dinheiro, vamos vender as joias da Coroa. Não quero que um só cearense morra de fome por falta de recursos.

Com esta frase formou-se uma Comissão Imperial, da qual foram geradas muitas obras públicas de construção de ferrovias e açudes, visando atenuar futuras secas e levando progresso à região afetada. Também foram discutidos planos mais ousados, como a abertura de um canal para levar água do Rio São Francisco para o Rio Jaguaribe, ideia esta ainda hoje polêmica e não implementada por completo. Com este exemplo, se mostra mais uma vez como o Imperador Dom Pedro II demostrou o papel exercido por um monarca ao povo e aos seus ministros, colocando os interesses e as necessidades da nação antes das suas.

Imagem: Retrato de D. Pedro II, 1876.

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Transporte Escolar ! – Por Maria Otilia

 

Atualmente as escolas públicas da cidade do Crato, tanto da rede municipal como estadual passam por problemas sérios de infrequência dos educandos, devido ao problema crucial do transporte escolar. Como educadora e gestora escolar, não posso deixar de questionar junto aos órgãos públicos, o que está acontecendo com a falta de ônibus para fazer as  rotas das diversas localidades  até as escolas.

É sabido por todos nós, que o transporte escolar é uma política educacional que veio para garantir o acesso e a permanência dos educandos na escola. Lembrando que a constituição de 1988 já garantia ações que assegurassem  igualdade de condições para este acesso e a permanência destes estudantes, dentro dos estabelecimentos de ensino.

A  LDB também  garante que cada educando tenha direito no mínimo de 200( duzentos ) dias letivos. Assegurando assim o tempo pedagógico mínimo para que cada criança ou adolescente tenha condições de adquirir competências e habilidades em cada série/ano.

Apesar  da legislação delimitar e definir separadamente a responsabilidade   de Estados e Municípios, em relação ao transporte escolar de seus alunos, a Lei nº 10.709/03, assegura a possibilidade dos entes celebrarem pactos ou ajustes com vistas a promover, em sistema de colaboração, o programa do transporte escolar.

A      Lei nº 10.709/03, no seu Art. 3º afirma que cabe  aos Estados articular-se com os respectivos Municípios, para prover o disposto nesta Lei da forma que melhor atenda aos interesses dos educandos.

Embora o Município não possua a incumbência do transporte escolar dos alunos da rede estadual, pode celebrar termo de convênio com o Estado, ajustando a realização do transporte desses alunos e o repasse de recursos correspondentes, se assim entender de conveniência e interesse da Municipalidade. A celebração de convênio é uma opção dos Estados e Municípios, prevista pelo art. 3º da Lei 10709/03.

Portanto, o município do Crato, optou junto ao estado, celebrar um convenio , comprometendo-se a gerenciar e manter o direito constitucional do educando a ter  o acesso a escola, através do transporte escolar.

Infelizmente, há vários dias, grande parte dos nossos estudantes estão sem o direito de frequentar a escola. Até o presente momento, fomos informados, através da Secretaria de Educação do Município, que vários ônibus estão “ quebrados”, sem condições de trafegar, lembrando que muitos são de empresas terceirizadas. Daí a nossa indagação.: por que a prefeitura ainda celebra convênios com empresas que não podem honrar com a prestação deste serviço de transporte escolar? E os órgãos responsáveis pela garantia deste direito do estudante, simplesmente não fazem nada ? E como fica o tempo pedagógico destes estudantes, sem  a efetivação deste direito ?

Precisamos urgentemente buscar soluções e não “ fecharmos os  olhos” para este problema que vem se repetindo a cada ano. Queremos uma explicação coerente dos gestores responsáveis pela prestação do serviço de transporte escolar. São nossos estudantes que ficam no prejuízo do acesso e a permanência  com sucesso na sala de aula.

São os recursos públicos saindo pelo “ ralo”, quando contratamos ou seja terceirizamos um serviço essencial, sem a devida fiscalização.

Concluímos que enquanto vereadores,deputados,senadores e gestores do executivo “brigam” pelo poder partidário ,  falta a efetivação de políticas públicas voltadas para a melhoria dos nossos indicadores de desempenho acadêmico dos nossos estudantes.

Ficam legislando em benefício próprio, como é o caso do Projeto de lei da Terceirização que vem beneficiar muitos políticos empresários. Inclusive a terceirização do transporte escolar.

Na   minha opinião, é  uma falta de respeito com  os recursos públicos, a contratação de veículos “ caindo aos pedaços” para transportar nossos estudantes. Oferecendo um serviço de péssima qualidade, o que não é oferecido aos filhos destes gestores. Como se o estudante da escola pública não tivesse o direito de um acesso digno até a escola onde estuda.

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Ele vive – Por: Emerson Monteiro

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(Não consegui visualizar sua mensagem Ele vive, mas deduzo que ELE é Jesus.

Ainda não fui eleito crente. Não consigo acreditar na vida eterna. Pelo menos, na minha. Os mistérios da fé não me foram revelados, ainda.

Gosto de guardar algumas observações sobre o assunto, feitas por santos e cientistas. O apóstolo Paulo disse: Se Cristo não foi ressuscitado, nós não temos nada para anunciar e vocês não têm nada para crer. (…) Se Cristo não foi ressuscitado, a fé que vocês têm é uma ilusão (…) Se Cristo não ressuscitou, os que morreram crendo nele estão perdidos.(…) Se a nossa esperança em Cristo só vale para esta vida, nós somos as pessoas mais infelizes deste mundo.

E essa do grande Einstein, a ciência sem a religião é manca e a religião sem a ciência é cega.)

Boas e sinceras as suas palavras, o que bem refere o ânimo da busca. É que os mistérios da Natureza circulam por dentro de nós. O mundo externo só circunstâncias. Mas do que diz, há que haver uma revelação, independente tão apenas do nosso querer individual. Freud dissera que quando a necessidade de mudar é maior do que a necessidade de permanecer, isso significa a autoridade dos acontecimentos na determinação das nossas existências, no senso do mais que perfeito; e nós cuidamos de mudar, nos transformar.

O seu depoimento obtém êxito amplo no que respeita o desejo de que não é só assim inútil viver em um mundo que se acabe em nós. Voltaire argumentava que se Deus não existisse necessário seria que o criássemos. Pois vemos perfeição em tantas ocasiões e somente a gente de nada valer? No entanto há que haver o toque do Eterno, de acordo com a oportunidade exata do encontro com Ele, com Jesus em nós, pois aqui Ele vive e esperar que o aceitemos receber no coração. No texto que escrevi faz algum tempo, A Consciência é o próprio Ser em elaboração, quis abordar esse tema, assunto interno da própria pessoa (vide o blog www.monteiroemerson.blogspot,com).

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Sob a pele das palavras – Por: Emerson Monteiro

 

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Pois existe um mundo que passa bem por debaixo das palavras, formado dos significados delas. Do jeito que há as ações e as intenções, do que é dito persiste algo oculto, nem sempre decodificado por quem ouve ou lê. Equivale a pensamento e sentimento. Máquinas fôssemos, as dos filmes de ficção, seriamos meros produtores de falas, e ponto final. Contudo percorre nas palavras o sentimento, que larga do universo de quem emite e chega a quem recebe, ocasionando o recebimento das mensagens.

Quando se lê ou escuta, ninguém mergulha o universo de que diz, mas, sim, o próprio universo. Ninguém lê ou escuta; se escuta ou lê a si mesmo, num eterno recriar das mensagens, por vezes advindas de milênios anteriores pelas asas da cultura.

Em certo momento das artes, André Breton trabalhou a linguagem da fala no que chamou de escrita automática, quando se deixou conduzir por mãos invisíveis naquilo que escrevia, desvelando o território do Surrealismo,

Eram os tempos das mesas girantes, prenúncios do espiritualismo moderno, bases do Espiritismo Cristão, codificado por Allan Kardec.

Nessa outra dimensão que perpassa as palavras reside o Inconsciente,  mundo pouco explorado da Natureza, abismos profundos da mais pura revelação de Tudo.

Por vezes a banalização das mensagens sujeita sufocar as gerações, qual observado nestes tempos mercantilizados dagora, quando massa informe de saturação do lixo industrial parece vencer o belo e o justo através da superficialidade e do mau gosto. Resta, no entanto, avaliar o poder infinito do mistério que mantém o domínio das existências todas. A sofisticação da civilização desses tempos pareceu conhecer além… o que não passava dos muros do jardim, porquanto cogita até da existência de onze dimensões, enquanto apenas chegamos à quarta dimensão, a que existe debaixo das palavras, já querendo com isso dominar a Eternidade sem antes haver dominando nem a si, esse vale amplo e misterioso.

(Ilustração: Vicenzo Campi).

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Releituras – Por: Emerson Monteiro

 

Revolucao-Francesa

Houve um tempo quando o inesperado complicava o meio do campo da angústia, que instinto selvagem parecia querer jogar fora a canga e destruir de qualquer jeito os quebra-mares dos sistemas de defesa, comodidades vaidosas atiravam tudo para o ar, e acendia dentro de mim fome cruel de romper os grilhões da organização pessoal, no sabor dos caprichos que aparecessem. Com isso, deixava escorrer fácil fácil o ditame das regularidades, invadia outras praias, feria suscetibilidades, a começar pela saúde interna do respeito guardado meses a fio, na malha do esforço de sofrer.
Não queria aceitar que mesmo no calor dos testes necessários habitasse o mistério do drama secular das permanências e conquistas cotidianas visando um tempo feliz. Perdia, a bem dizer, o sentido de tanto melhor das partes, porque desistia de pagar o preço da poupança da paz, naqueles momentos de chegar aos limites e merecer resultados positivos, lições que a vida traz, livre da discriminação de raça, credo, cor, sexo, idade, partido, time, filosofia, indo, nesse prumo, justificar lá adiante o querer sem a comprovação da seriedade, azeite doce da hora de receber o que se ganha, virava espécie de anarquismo crônico. Desistência e revolta. Mas, graças a Deus, isso também passou.
Já hoje, talvez isso que denominam experiência, descubro que inexiste vitória sem a luta. Noites insones, dúvidas, opiniões, renúncia. Bajulação perde a força no que tange ao valor real das sementes verdadeiras. Ninguém, de sã consciência, que aguarde pacote pronto do destino, usufrui da mera credulidade indecorosa, insuficiente, que alimentou. Pode até, nas horas vagas, parecer que ganhou um lance, porém o custo da corre solto atrás dos presságios.
Apresentou-se o desafio, logo de saída, fruto daquela árvore imensa; cresceu, no lodo e no tempo, em perguntas da justiça do merecimento. A cada um conforme o mérito, porquanto a Natureza trabalha nas bases matemáticas, soberanas, longe de peixadas sociais dos mundos tortos.
Quase uma mensagem cifrada indicou, ou plantou ontem, ou haverá de plantar agora, caso pretenda resultados sonhados no futuro. Há normas proporcionais, independentes do que funcionou ao passo da individualidade luxenta, das próprias barrigas avantajadas.
Depois de muito forcejar barras da inconsequência, nenhum vento leve conduz segredos universais só por conta dos belos olhos.
Há sempre batalhas antes da vitória. Luzes das doutrinas humanas mostram claros os primeiros acordes do dia, residência fiel da balança.
O acaso dos dados atirados ao longe indicam os passos antigos dos peregrinos. E suportar espinhos permite a maciez da rosa mais perfeita.
Ilustração: A Liberdade guiando o Povo, de Eugène Delacroix.

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A Revolução Pernambucana de 1817 no Cariri: mito e realidade — por Armando Lopes Rafael (*)

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A então Matriz de Crato (hoje Catedral) foi palco da leitura do "manifesto republicano" do seminarista José Martiniano de Alencar, em 1817

A participação de Crato na Revolução Pernambucana de 1817 tem sido o episódio histórico desta cidade mais exaltado, nos últimos 125 anos. Costuma-se dizer que a história é sempre escrita pelos vencedores. Os revolucionários republicanos de 1817 – derrotados pela contrarrevolução do monarquista cratense Brigadeiro Leandro Bezerra Monteiro – passaram a ser exaltados como heróis, após o golpe militar que impôs a forma de governo republicana no Brasil, em 15 de novembro de 1889. Os feitos desses republicanos de 1817, no Cariri cearense, são divulgados em proporções maiores que os reais, tanto nos meios de comunicação, como por parte de alguns historiadores. Do Brigadeiro Leandro Bezerra Monteiro pouco se fala. Quando se escreve sobre o efêmero movimento que foi a Revolução Pernambucana de 1817, em terras do Cariri cearense, omite-se a decisiva participação do Brigadeiro Leandro, ao debelar aquela revolta. Omite-se, também, a coragem pessoal e cívica de Leandro Bezerra Monteiro naquele episódio.

   Aliás, o historiador cratense J. de Figueiredo Filho, apesar de simpático às ideias republicanas foi veraz ao escrever: “Muito se tem discutido em torno da Revolução de 1817, na Vila Real do Crato. Foi movimento efêmero, que durou apenas oito dias. Ocorreu a 3 de maio de 1817, em consonância com a revolução que eclodiu em Pernambuco. Foi abafada, quase ingloriamente, a 11 do mesmo mês. É verdade que a vila bisonha de então não estava suficientemente preparada para a rebelião que, para rebentar, em Recife, necessitara da assimilação de muitas páginas de literatura revolucionária, da luta entre brasileiros e portugueses, em gestação desde a guerra holandesa e do preparo meticuloso, em dezenas de sociedades secretas, além de fatores econômicos múltiplos”. (01)

   Passados quase duzentos anos daquele episódio, e analisando de forma objetiva vários escritos e opiniões dos pesquisadores regionais chegamos à conclusão de que o que ocorreu no Cariri, em 1817, não foi uma simples disputa entre clãs familiares, como alguns historiadores escreveram no passado. Tratou-se, na verdade, de um confronto de ideias. De um lado, o proselitismo e ações concretas em favor dos ideais revolucionários e republicanos, feitos por membros da ilustre família Alencar, um dos clãs mais importantes do Sul do Ceará. O povo não apoiou os Alencares, que lutaram para impor uma ideologia estranha à mentalidade da sociedade caririense de então. Do outro lado, opondo-se a essas ideias republicanas, esteve Leandro Bezerra Monteiro, um homem dotado de profundas e arraigadas convicções católicas e monarquistas.

   Relembre-se, por oportuno, que a fidelidade à Monarquia, por parte de Leandro Bezerra Monteiro e seu clã, motivou a concessão – partida do Imperador Dom Pedro I – da honraria ao ilustre cratense do primeiro generalato honorário do Exército brasileiro. Àquela época, embora em desuso, o posto de brigadeiro correspondia – na escala hierárquica do Exército Imperial – à patente de general.

    No mais, outro historiador cratense, José Denizard Macedo de Alcântara fez interessante análise sobre a mentalidade vigente na população do Cariri, à época da Revolução Pernambucana de 1817.  A conferir:

    “Um bom entendimento dos fatos exige que se considere a realidade histórica, sem paixões nem preconceitos. Ora, dentre os dados da evolução histórica brasileira há que se ter em conta o seguinte:

a)    a sociedade brasileira plasmou-se, em mais de três séculos, à sombra da monarquia absoluta, com todo o seu cortejo de princípios, hábitos, usos e costumes, não sendo fácil remover das populações esta herança cultural, tão profundamente enraizada no tempo;

b)    daí o apego aos Soberanos, a aversão às manobras revolucionárias que violentavam suas tradições éticas e políticas, os reiterados apelos de manutenção da monarquia absoluta, que aparecem, partidos de Câmaras Municipais – os órgãos públicos mais aproximados das populações – mesmo depois que Pedro I pôs em funcionamento o sistema constitucional de 1826;

c)    o centro de gravidade desta sociedade eminentemente rural era sua aristocracia territorial, única força social de peso na estrutura nacional, repartida em clãs familiares, e profundamente adita ao Rei, de quem recebia posições públicas e milicianas, além de outras benesses, sentimento este que mais se avolumara com a transmigração da Família Real, em 1808, pelo contato mais imediato com a Coroa, bem como pelos benefícios prestados ao Brasil, no Governo do Príncipe Regente;

d)    sendo insignificante a sociedade urbana, era mínima a capacidade de proselitismo da vaga liberal que varria o mundo ocidental, na época, restringindo-se a uma minoria escassa, embora ativa e diligente. (02)

    Donde se conclui que não houve simpatia, nem apoio da sociedade caririense às ideias republicanas da Revolução Pernambucana de 1817, difundidas no Sul do Ceará pelo seminarista José Martiniano de Alencar.

Referências bibliográficas:

(01) FIGUEIREDO FILHO, J. História do Cariri. Vol. I. Edição da Faculdade de Filosofia do Crato, 1964.  p.61

(02) ALCÂNTARA, José Denizard Macedo de. Notas preliminares in Vida do Brigadeiro Leandro Bezerra Monteiro. Secretaria da Cultura, Desporto e Promoção Social do Ceará, Fortaleza, 1978. p.26

(*) Armando Lopes Rafael é historiador. Sócio do Instituto Cultural do Cariri e Membro–Correspondente da Academia de Letras e Artes Mater Salvatoris, de Salvador (BA).

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Crise de água doce – Por: Emerson Monteiro

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Inquestionável a importância da água nas nossas vidas, onde e quando estivermos vivendo na Terra. Dela se depende em tudo e por tudo. O ser humano pode sobreviver por volta de dois meses sem comer, mas sem água só resiste menos de uma semana.

Dependentes da água, ainda que a consideremos coisa de mera rotina, dia após dia, a utilizamos de infinitas maneiras, corretas e incorretas, desde o uso na higiene pessoal até nas mais sofisticadas indústrias, para o cultivo,  asseio de alimentos, cozinha, transporte, agricultura, pecuária, etc. Precisamos mesmo dela; desse modo, com toda a sua importância, nos responsabilizamos pouco pelos recursos hídricos em nossa acomodação de hábitos nocivos, uma vez que são cada vez mais a desrespeitamos, quando muito de carecemos. Abusamos. Desperdiçamos. Poluímos descuidados da sua imprescindibilidade.

Quando isso ocorre, países e governos se manifestam em largos discursos, em publicações, festas comunitárias, passeatas, palestras, conclaves, salva de tiros, coisas assim, para retornar depois ao estado anterior, guardando tudo isso no fosso das enciclopédias e estantes de sombrios museus adormecidos.

Haverá mil maneiras de qualificar o trato que damos ao líquido fonte da vida; melhorar nossas maneiras, de preservar os mananciais; regular o uso das águas do subsolo, assunto por demais crucial nesse tempo de inchaço de cidades; assegurar fornecimento próprio às populações menos aquinhoadas pela riqueza material; e estabelecer regras claras e praticadas, dentro de prazos imediatos, na conservação da natureza como um todo, e também das águas salgadas, nos oceanos e mares.

De acordo com a Organização Mundial de Saúde, menos de 1% da água doce do mundo, ou seja, 0,007% de toda a água, no Planeta, estão disponíveis, lugar em que tudo se relaciona com a água.

Em resumo, sejamos conscienciosos; não desperdicemos, não poluamos ou façamos uso inconveniente da água, e agiremos dentro dos princípios da ordem e da coerência necessárias à humanidade, o que não é pedir muito a quem deseja tanto viver no meio do conforto face aos desafios de supérfluas vaidades, características do ser vulnerável que somos nós.

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O perfume e a flor – Por: Emerson Monteiro

FlordecactusEm um reino distante, na voragem infinita de longínquas lendas, existiu belo casal, o Perfume e a Flor, que se gostavam como nunca antes duas criaturas puderam a tanto sentimento chegar. Eles nutriam entre si afeto inigualável. A satisfação maior de suas vidas ocorria no retorno ao lar de paz, quando cumpriam os ofícios das horas de obrigação e trabalho.
Sabiam como ninguém o gosto um do outro, laborando com alegria no melhor jeito de se agradarem. Felizes olhavam-se nos olhos e nutriam a doce harmonia de quem descobre a pessoa certa, ideal de viver perto, formando par perfeito, ainda que cercados das indefinições típicas a que se sujeitam aquelas pessoas solitárias, descrentes.
Ao par de amantes apenas uma coisa causava preocupação: O que seria deles na vez de sumirem deste mundo e desaparecer nas sombras desconhecidas, de largarem seus corpos bem ajustados e voltar ao transe dos séculos? Ainda ver-se-iam de novo? Quando? Onde? Como? Ou tudo terminaria no suspiro final da inexistência?
Aquilo marcava de névoa seus passos, fonte de angústias e apreensão, fantasmas teimosos, resistentes, insolentes.
Certa feita, durante um sonho, eles dois se encontraram dentro de imensa floresta de seculares arbustos, diante de santuário esplendoroso, envolto nas raízes e nos troncos musgosos de parte do mundo misterioso das plagas eterna, domínios do Amor.
Naquela hora, perceberam que chegava a resposta das perguntas que lhes empanavam o futuro, e entregaram-se, de mãos unidas, ao prazer indizível da vista de Eros abençoando-os a dizer:
– O sonho de andar sempre junto é possível. A sinceridade que os domina produzirá esse milagre – ouviram a voz e se jogaram ao solo, lívidos de uma emoção profunda.
Despertados, na manhã seguinte, as primeiras palavras que trocaram confirmavam a realidade do sonho da véspera com a deusa-mãe.
Moravam afastados, em casinha humilde, próxima das plantações que os mantinham. Raras vezes avistavam as pessoas de pequena vila próxima.
Quando, então, chuvas se intensificaram de verdade, rios encheram, lagoas inundaram o vale e subiram nos montes. Viram poderes de acontecimentos impossíveis a tomarem conta de tudo, em forma de incontrolável destruição dos objetos palpáveis.
A casinhola, decerto, também não resistiria ao fenômeno incessante das chuvas torrenciais. Os raios do Sol de há muito sumiam sobre nuvens escuras.
Então, abraçaram-se frementes numa atitude derradeira; e agarrados permaneceram e soçobraram nas ondas lamacentas que engolfavam a superfície da Terra…
Algumas semanas passaram na mais completa calma. O chão principiava a mostrar o rosto, quando, no mesmo lugar onde houvera a choupana do casal, os primeiros claros da Lua iluminaram uma flor perfumada, destacada no meio do bosque verdoso.
Linda rosa vermelha espargia ao vento raro fragor, enquanto vulto suave reunia-se-lhe ao corpo na figura etérea do olfato. Eram os dois, agora ente único, transformados em visão e cheiro, imagem inefável reanimada ao encontro dos que dali se aproximassem para admirar a beleza e o perfume floridos.

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Solidão Futebol Clube – Por: Emerson Monteiro

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Na mesa do coração da gente, vêm servidos diversos quitutes de todo sabor, medida certa das idades que fervilham secas, inexperientes, nos poros suarentos da juventude que dispara rumo ao desconhecido…
Primeiro, nas portas iniciais da infância, doce inocência se apresenta aos demais, deixando entrever multidões famélicas, sequiosos projetos de rostos vivos, umedecidos de esperança, na forma de flores multicoloridas, pessoas, outros possíveis eus, em elaboração febril. Então, jardins festivos lhes perfumam as bocas de gostosas possibilidades. Frutos resinosos escorrem aurora nos lábios abertos aos quatro ventos, apresentando, pouco a pouco, travo de pomos amargos, motivo de náuseas temperadas de beijos amenos, ao desencontro do futuro incerto.
Depois, algumas aventuras vivenciadas no aberto das manhãs radiosas, ao calor das 9h, quando véus caem leves; suaves sinais de vibração intensa que sacode blocos metálicos de fibras íntimas, demonstrando movimentos de cordas profundas, contrariando por dentro leis requentadas de sobrevivência, prováveis a qualquer custo, das paixões originais. Amores desfeitos viram fantasmas ambulantes, surpresas ingratas, vagas monumentais que cobrem dias de ausência, praias de passos rasos, areias quentes, sonhos atrozes despertados, preocupações ainda por resistir, embates de traços lindos, exóticos espelhos ovalados em quartos de sonhos largados pelas camas desfeitas.
Meio-dia, porém, quando as experiências azuis nutrem arquivos de tanta memória do pouco resultado concreto acumulado; e o estágio determina melhores estudos de nós mesmos, quer-se compreender sistemas externos de trabalhar sentimentos no peito dos amores independentes, fora de convencionais esquemas familiares. A sociedade, contudo, reclama tipos de procedimento que, quase sempre, tirados raros respeitáveis parceiros ajustados, reflete o senso comum de irresponsáveis amantes. Histórias milenares inundam as páginas dos folhetins, exemplos avessos que bem poderiam e não se perfizeram na realidade aberta das inundações friorentas das cheias antigas.
Às 3h da tarde, passada a modorra, quem aprendeu, aprendeu… Houve chances disso. Alguns ainda persistem nas ranhuras errantes; coçam peles enrugadas, indiscretas, e refazem lances imaginários, admitindo falhas graves nas estratégias postas em campo. Alimentaram nutridas vitórias, cautelosos daqueles que os ouviam, pois ninguém conta vantagem de assunto desfeito no cotidiano amoroso de lugares próximos e distantes.
Nesse tempo, carga frustrada machucando o lombo dos animais sensíveis; pensativos momentos bons viram pura saudade, o que poucos guardam de coisas ruins, no entanto.  
Fim de tarde, época contrita das bocas abertas, na velha fornalha de eras esquecidas, sopradas de leques agitados, asas mudas em brisas frias, no pescoço brilhante escorre suor encantado de damas, mostra transcendental e suas rendas de saias e bicos esmaecidos, entrevistos na dobra dos ventos revirados. Afã de conquistar tresmalhadas noites perdidas, casais transferem ao rio do tempo o ardor dos corações, em plumas avermelhadas, nos fragores poentes e doidas lições.
Quantas vezes restam a sós esses namorados fogosos, na descompressão de ritmos impacientes. Viram trastes inúteis que realçam as nuvens brancas de horas escuras, almas penadas, vadios corações, em meio aos suspiros soltos. Logo chegam os convivas animados e outro banquete começará no berço das mesas arrumadas em volta.

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Buda, a luz da Ásia – Por: Emerson Monteiro

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No século VI a.C., os pequenos reinados da Índia viviam em luta. Nesse período, na Ásia havia uma onda de mudanças nas ciências, artes e ideias. Por volta de 523 a.C., no reino de Kapilavastu, pequeno país da etnia dos Sákias, lá onde hoje existe o Nepal, nascia Sidarta Gautama, depois conhecido por Sakyamuni, o Sábio dos Sákias.
Seus pais se chamavam Rei Suddhodana e Rainha Maya.
Numa viagem com destino ao palácio de verão, no bosque Lumbini, às margens de um rio, a rainha sentiu as dores do parto e sobre folhas de lótus deu à luz o menino Sidarta. Conta a lenda que nesse instante o tempo se inundou de perfume, choveram pétalas de flores do céu e ouviram cânticos celestiais de louvor e beleza. Sete dias depois, a Rainha Maya morreu, deixando ao marido a educação do filho.
Mais algum tempo e o soberano, agora casado com uma irmã de Maya, quis saber o que o Destino reservaria ao filho. Nas encostas do Himalaia, buscou um sábio, que disse que o príncipe ou tornar-se-ia poderoso monarca ou viria a ser um sublime religioso.
Suddhodana se indignou diante da segunda possibilidade. Daí cuidou de cercar o filho das pompas da corte. Farei dele seu sucessor. Jamais permitiria conhecesse os males do mundo, doenças, velhice, pobreza; os desgostos e as contradições que viessem estimular seus sentimentos religiosos.
Para onde ele seguisse, emissários à frente disfarçavam todas as circunstâncias, evitando ao máximo que soubesse das fraquezas existentes nos lugares onde andasse.
Na idade adulta, escolheu a esposa, Yasodhara, sua bela prima.
Certa vez, contudo, a segurança deixou de cumprir o papel de isolá-lo da realidade e ele, driblando o zelo do pai, fugiu solitário num passeio noturno, a se deparar com as tristezas da Terra.
O impacto causou no jovem extrema reação. Viu de perto o sofrimento em que a vida carnal resume o caminho para a morte. Também encontrou um monge mendigo que explicou a escolha de buscar a libertação interior e exterior.
Sidarta era, então, pai de um menino, Rahula. Despediu-se da esposa, levou consigo um serviçal e à meia-noite, a cavalo, ele cruzou, os portões do palácio rumo ao desconhecido.
Muito distante, trocou as roupas nobres com as do servo, devolveu-lhe a montaria, mandou-o regressar e seguiu mendigando pelas estradas e vilas.
Largos anos transcorridos, Sidarta reveria os familiares quando se afirmara na trajetória de compreender a Verdade plena.
Primeiro quis conhecer os ensinos dos mestres. Juntou-se a cinco andarilhos e saiu a peregrinar. Realizou jejuns e sacrifícios, sob o costume dos povos orientais.
Após três anos dessas práticas, se viu à beira da penúria, magro e debilitado. Nesse momento, concluiu que a resposta se acha no meio e não nos extremos, razão que o levou a abandonar a experiência mortificadora, espantando os companheiros de busca que viram nele alguém desprovido de resistência. Uma donzela, no entanto, o alimentou até restabelecer a saúde.
Refeito, se sentou à sombra de um Ficus religiosus, árvore frondosa do bosque conhecido por Buda Gaya, lugar de iluminação, e resolveu meditar.
Saíra de casa há seis anos. Aos 35 anos de idade, uma madrugada de lua cheia ao brilho da Estrela Matutina, Sidarta Gautama completou seu processo autorrevelador ao chegar à cessação absoluta do sofrimento pela concentração mental, o completo domínio do pensamento.
Nessa hora, percebeu que reunia em si as condições suficientes do que tanto almejara, porquanto nisto reside a descoberta verdadeira. Ainda tentado por dançarinas seminuas e por Mara, o rei dos demônios, Sidarta Gautama obteve o controle absoluto da Vontade, e galgou a Suprema Realização.

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Bichos comem – Por: Emerson Monteiro

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Personagem das mais características, cuidou como poucos do planejamento urbanístico cratense, embelezando a cidade e propiciando muito das feições que hoje oferece, sobretudo nos logradouros centrais. Júlio Saraiva Leão, de família tradicional do município de Quixadá, porém nascido em Crato, onde viveram longos anos, da primeira para a segunda metade do século anterior. Homem dos sete instrumentos, ele se destacou em nobres profissões, de ourives a músico, fotógrafo, construtor, paisagista, etc.

Tipo espirituoso, Júlio Saraiva animava, com suas considerações inteligentes, às rodas nas noites da Praça Siqueira Campos, frequência obrigatória daqueles tempos, quando, no máximo, se ouvia rádio ou liam livros, jornais, revistas, cartas, telegramas, bulas de remédio e receitas de bolo, além das sessões de cinema, o que servia para tirar as pessoas dos invólucros cotidianos.

Foi o principal responsável pela reforma da Praça da Sé, no primeiro mandato do Prof. Pedro Felício Cavalcanti à frente da municipalidade, sendo de a ideia da fonte luminosa construída à época, modificada décadas adiante, tendo ao centro composição de uma cúpula invertida fixada sobre quatro arcos, a jorrar altos jatos d’água em três cores distintas, sensação do momento.

Quando demoliram a casa que pertencera a dona Rosinha Fernandes, construção secular e pitoresca, na área em que agora existe o Bradesco da Siqueira Campos, seu Júlio preservou dois artísticos leões de louça, peças tradicionais que ornavam o portão principal no jardim da residência, símbolos da aristocracia do Ciclo da Cana.  

No seu governo, o prefeito José Horácio Alves Pequeno designou-o para administrar os logradouros municipais. Sabia como poucos embelezar praças e jardins. Dentre as iniciativas que adotou, estabeleceu pequeno zoológico no Parque Municipal, agora Praça Alexandre Arraes, reunindo espécimes dos animais da Chapada do Araripe, dos brejos e das zonas circunvizinhas. Onças, veados, seriemas, cutias, cobras, tatus, juritis, sabiás, jacus, retirados do ambiente original, órfãos da silvestre liberdade. Recebiam ali tratamento digno, enquanto ofereciam à população oportunidades de conhecer os irmãozinhos da Natureza. Isso até quando não faltou verba para manutenção e os animais começaram a passar privação.

Nesse meio tempo, José Horácio avistou-se com Júlio Saraiva, trazendo à conversa outro assunto bem menos importante:

– Sim, Júlio, eu queria que você me oferecesse aqueles leões de louça – lembrou o Prefeito, num tom de insinuação, visando algo de mais interesse: – Quando poderei contar com eles?

– Zé Horácio, você não quer os bichos que comem, lá do Parque, pois os que não comem também não vou lhe dar – respondeu Júlio Saraiva, reafirmando a prosaica sinceridade de era detentor.         

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Cavalhadas – Por: Emerson Monteiro

Cavalhadas

Minha família e eu chegávamos a Crato no ano de 1953. Nossa primeira casa ficava à Rua José de Alencar, no quarteirão entre José Carvalho e Pedro II. Das lembranças dessa época recordo que, numa manhã de domingo, fui, com outras pessoas, assistir às cavalhadas, torneio realizado nas areias do Rio Grangeiro, trecho logo abaixo da localização atual da Prefeitura, depois encoberto pelo Canal.

Esses eventos típicos, segundo os manuais de folclore, remontam as antigas Cruzadas, combates entre mouros e cristãos, presentes no Brasil desde a chegada dos colonos, guardando relação com o passado medieval da Europa. Revejo que eram dois partidos de cavalarianos, o vermelho e o azul, a concorrerem entre si. Existiam disputas com lanças, fitas, argolas, todos trajando indumentárias características. Noutras localidades do interior de Minas Gerais, Goiás, São Paulo, Mato Grosso, Tocantins, ditos certames preservados com a mais ampla animação.

O que agora me parece dotado de riqueza ancestral, naquele tempo, entretanto, me causou assombro, assustado que fiquei na multidão reunida, visto proceder de zona rural sertaneja, onde nunca presenciara tanta gente de uma vez só. Isso gerou reação de pânico tão extremada que teve de alguém me levar de volta para casa bem antes do término das manifestações, constrangendo a quem coube cumprir tal obrigação, uma jovem que nos ajudava nas tarefas domésticas.

Décadas depois, procurei conhecer detalhes quanto a essas cavalhadas, no entanto pouco consegui além de informes rápidos, da parte do livreiro Ramiro Maia, residente no Município desde o princípio do século. Ele me esclareceu que tais manifestações populares eram organizadas pelo Capitão Arnaud, na fase a que me referi.

Mais além, vim de encontrar, escrito por Paulo Elpídio de Menezes, o seguinte texto: Dezembro, porém, era o mês de maior animação do Crato de meu tempo. A cavalhada constituía um dos esportes preferidos pelos cratenses. A ela concorriam os rapazes e casados de destaque social. A Rua Grande, desde a saída da Praça da Matriz ao Fundo da Maca, enfeitava-se com arcos de palmeira, onde se passava uma corda. No centro, uma argola ao alcance do cavaleiro, que devia tirá-la na ponta da lança, em passagem rápida, em corrida vertiginosa. Os que acertavam levavam o prêmio de sua perícia às suas noivas, namoradas ou senhoras, que lhes amarravam no braço e na lança fitas largas, de seda, oferecendo-lhes ainda lindos buquês de flores naturais. Do livro O Crato de meu tempo. 

Outros subsídios existem, pois, a serem recolhidos através de maiores estudos e outros depoimentos, no intuito de se preencher essa lacuna da história regional e seus valores trazidos das nossas origens medievais. 

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A força das palavras – Por: Emerson Monteiro

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O resultado de chegar ao outro com aquilo que dizemos significa mistério de não ter tamanho, equivalente a manusear o fôlego e produzir comunicação do que existe e passar através da consciência. Elaborar pensamentos em moléculas, temperar isso com torrões de sentimentos, e achar o lugar, momento certos de aplicar energia na contextualização da mensagem; deixar as palavras fluir, bater asas rumo às demais consciências, gesto fundamental na elaboração do que costumam denominar transmissão de pensamento.

Isso, o poder miraculoso de transmitir o que acontece no interior das mentalidades, reparte o presente em milhões, bilhões de pedacinhos e os faz marchar rumo da percepção dos seres inteligentes, que interpretam, acondicionam e com isso alimentam o espírito, trabalhado ao sabor da forma, do conteúdo,  projetando em si a presença de toda pessoa.

Tal multiplicação de fragmentos representa trabalho de todo momento no coração das pessoas, porquanto resume o que vem à alma, fruto das falas, dos gestos, das observações e do nível da observação considerado. Ninguém anda sozinho, abandonado nas vastidões cósmicas, vez trazer em si essa máquina poderosa de codificação das realidades do Universo.

Juntados, pois, tais impulsos de nós mesmos, eis o ente de que somos formados, rebanhos condutores das palavras lançadas no ar, vazias ou cheias de ciência, enquanto máquinas de respirar, pensar e sentir, aprendizes soltos nas estradas deste chão. O indivíduo são suas palavras.

O potencial do que as palavras transportam equivale à existência enquanto jeito único de processar significados no que presencia e sustenta.

A radiografia do turbilhão de sentidos que percorre as veias desse mundo identifica ânsia sem fim de um dia encontrar o lago azul das palavras justas e mitigar a fome de sabedoria, o que as palavras podem bem satisfazer

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Essa paz que vem de dentro – Por:Emerson Monteiro

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Diante de acontecimentos de qualquer época, quando pareceu que a terra sumiria dos pés da gente face à dimensão quase invencível das dificuldades, bem aqui existe o sentimento forte de crer no poder maior de tudo, e as ondas imensas da tempestade em fúria repõem os elementos no seu devido lugar. Fenômenos da história cumprem assim o seu papel harmonizador qual função natural de trazer fatores originais ao total reequilíbrio, desde que se possua a frieza necessária de somar fé e confiança à equação que efetua os cálculos das vivências de toda pessoa.

Por vezes, o sangue gela nas veias e reclama tranquilidade, paz de superar obstáculos que se interpõem à caminhada dos dias, contudo tais super-heróis impertinentes são chamados a cumprir as ordens do momento, e os ventos enfurecidos limitam a capacidade de enfrentar e ferir as resistências. Por mais ostentemos sabedoria, o enredo dessas aventuras pede serenidade. A certeza de saber quantos segredos ainda resta receber dos tempos, porém, conduz cada passo ao conteúdo de Deus, que fala bem alto no escondido coração, cara a cara com o desconhecido, severo apaziguador das horas hostis.

Crer se torna, por isso mesmo, razão de domínio das alternativas aos nossos olhos. Entregar a quem pode a direção dos instantes inesperados da angústia, do desespero, há, pois, coerência na transmissão dos resultados a níveis superiores de consciência o direito de receber esse gosto de piedade divina, dotes imortais da Criação.

A soberba de querer durar todo tempo, predominar semelhante aos imperadores arcaicos, jamais sobreviveu para sempre nas ocorrências humanas. As prepotências de semideuses que os personagens do chão desempenham viram só frustração, ruínas, farrapo, pedaços de ego enlameados, poluição. Velhos trilhos enferrujados da sorte rápida invertem o sentido, deixando marcas, e indicam a religiosidade necessária, verdadeira, tal instrumento de salvação ao sabor do Infinito.

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O Golpe, 51 anos – Por: Jorge Carvalho

 

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Hoje, exatos 51 anos passados, o verde e amarelo, azul e branco, cores que identificam em nossos corações a afeição, o amor e a virtude de sermos brasileiros, eram “substituídas” por uma imagem negra e escura aos olhos de milhares de brasileiros.

A escuridão, a ausência da claridade surgiam no horizonte geográfico de todo o país, país continente. Militares raivosos, vingativos, por não lograrem vitórias em golpes anteriores, associados ao clero conservador e cumplice em precipitar o golpe civil / militar, a elite empresarial, política e midiática, a conservadora e reacionária UDN “rasgam” a Constituição, afrontam a democracia, assassinam o estado democrático.

Um presidente eleito democraticamente – pois foi votado pela população brasileira, em maioria consagradora – é retirado do poder brutalmente. Sua família humilhada, sua honra desrespeitada, como acontece no momento com a nossa presidente.

Uma ditadura sanguinária, assassina e perversa é instalada no poder central da república brasileira, são anos de perseguição, vingança, atrocidades, dos mais diferentes procedimentos, inclusive com mortes de brasileiros nacionalistas e idealistas. Em consequência, atraso educacional, tecnológico, cultural…

Militares das forças armadas: exército, marinha e aeronáutica impõem terror aos lares de bravos brasileiros ao lado de civis de comportamento nocivo aos interesses nacionais, não poupando nem crianças nem mulheres grávidas. É necessário e urgente que aqueles que torturaram e assassinaram centenas e centenas de brasileiros sejam julgados, condenados e presos, para o país reparar essa enorme falha, ainda infelizmente presente na justiça nacional.

Jorge Carvalho

Membro do Blog do Crato

 

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“VIDA” – Por: Jorge Carvalho

 

Music

Quando ainda lecionava, nos primeiros dias de aula, eu tinha a preocupação e iniciativa de colocar para a audição dos meus alunos, a música "O que é, o que" é do Gonzaguinha. A letra desta interessante canção da música brasileira, focaliza a palavra título desta crônica: VIDA. … e a vida o que é o que é, diga lá meu irmão…ela é a batida de um coração… ela é uma doce ilusão… há quem diga que a vida da gente é um nada no mundo… são algumas das interrogações que o compositor focaliza. Eu escolho: “é o sopro do Criador numa atitude repleta de amor”. Que inspiração, que definição, que realidade. A escolha acima mencionada, não se aplica apenas a nossa, a vida humana e sim a que abrange todos os seres vivos do planeta Terra. Microscópicos, macroscópicos, unicelulares, pluricelulares. A formiguinha, o elefante, os pássaros, os peixes, as belíssimas borboletas, a águia, o gavião, as benéficas bactérias, as úteis minhocas, os mais variados animais e vegetais que habitam a imensidão terrestre, aquática ou aérea nos diferentes continentes, nos mais diversificados espaços, geograficamente falando. Vida! Que segredo, que mistério, que incógnitas para tão pequena palavra. Prefiro ficar com a reflexão para um olhar atento, em observar o voo dos pássaros, o movimento aquático dos peixinhos, o cavalgar de um belo cavalo. E, terminando, fico com aquela frase escolhida por mim em sala de aula nos bons momentos de exercício do magistério: “É o sopro do Criador numa atitude repleta de amor”. Há definição melhor? Acredito não haver. Uma vida ao surgir é o sopro e a benção de Deus em possibilitar ao novo ser ocupar o espaço terrestre.

Jorge Carvalho – Escritor do Blog do Crato

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Um passeio de trem – Por: Emerson Monteiro

 

Semear árvores e observar pássaros no céu azul das tardes invernais; contemplar o Sol e seus movimentos lineares, multicores, algo semelhante a sobreviver da ausência absoluta das certezas do início, do meio e do fim que ora acontece; permitir herança digna da existência de tanta beleza, no entanto livro aberto às crateras enormes do amanhã. Querer preservar ao menos dentro do coração esse legado, e remetê-lo às novas gerações. Imaginar o sonho de regressar aqui e poder assistir aos outros filmes além das falcatruas epidêmicas que oferecem os noticiários da noite. Isto que possa mostrar outra face ao neto, ao bisneto, longe de velhas artimanhas dos lobos vorazes que espreitam os viajantes nas encruzilhadas. Indicar luzes ao caminho, vendo mexer sob a pele o que chamega feito culpa em comichão. Abrir os olhos e fitar o horizonte, na busca forte de encontrar o alvo perfeito a quanta vida em forma de mistério, na alegria dos sinais, dos amigos e dos amores.

Trem

Bom, e diante disso tudo que a existência apresente em forma de sonhos, no desejo imenso da vitória sobre as ilusões que ganham corpo e reclamam seriedade, no pulsar dos dias, jamais pretender apenas manchar inutilmente o vestido proceloso em que se transformaram os dramas cotidianos. Reclamar do sentimento maior confiança junto das sombras desta noite ainda que escura; poder oferecer, no altar sentimentos, algo que demonstre o quanto de luta a fim de vencer o desânimo e o desespero vale a pena. Quer mais do que justificar o injustificável e desparecer lá no íntimo do tempo, sem deixar nem vestígios de que existiram nuvens, ou foram só e apenas miragens de segredo inconfessável. Isso que pergunta aonde descerão os passageiros que enchem  o comboio apressado, todos perto de vizinhos mudos… Quanto durará, pois, o enigma dessa estrada longa, infinitesimal no entanto, linheira, talvez cheia de curvas fechadas, em cima do mesmo trilho brilhante.
Abra a janela do vagão e respire com intensidade o ar gostoso da verdejante campina. Lá à frente um pastor tange ovelhas a cruzar o destino metálico das paralelas ao encontro no Infinito sobre as quais desliza preguiçosa a composição. Transcorrem as casas de crianças a brincar no terreiro; mães a estender lençóis coloridos nos varais em distantes; bichos vários espalhados no momento, que observam o sequenciado das luzes do nascente. Meras paisagens de finalidade desconhecida ainda, contudo portas abertas de outras dimensões. E olhar num gesto verdadeiro a imensidão de acalmar a vida a revirar pelas entranhas… Vontade soberana de transformação que lhe sacode o corpo inteiro, de tocar em frente o sistema alguns meses ou milênios afora? – voz persiste no trabalho com as palavras acesas nesse chão das almas e outras compreensões.

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HOMENAGEM DA SEMANA


CORREINHA

O Chapada do Araripe presta homenagens a um dos maiores mestres da cultura popular que faleceu em Crato recentemente, Francisco Correia de Lima, o Correinha, artista de várias linguagens atuante no município do Crato. Mestre Correinha nasceu no município de farias Brito no dia 14 de fevereiro de 1940, mas era um amante inveterado do Crato, município ao qual costumava fazer referências em suas canções. Talvez por não ter tido seu nome incluído nas listas anuais de mestres reconhecidos pelo Governo do Estado desde 2004, mestre Correinha tenha sido sepultado em meio a homenagens comoventes de moradores do município, mas, como ressaltaram amigos e familiares, sem o devido destaque por parte do Poder Público. Situação destacada durante a sua missa de corpo presente, enriquecida pelo acordeon de Hugo Linard, com quem Correinha gravou recentemente, 15 canções que agora constituem o último registro de sua obra. Segundo o próprio Hugo Linard, as canções registradas nesse último trabalho de Correinha em estúdio são, na maioria, inéditas. ´Ele gravou também ´Belezas do Crato´, mas as outras não tinham registro´, diz, citando canções como ´Coisas do meu sertão´, ´Exaltação a Barbalha´, ´Crato de Açúcar´ e ´Meu Cariri´ e ´Balanceio´. ´Fazia tempo que a gente tava cutucando ele, dizendo que ele tinha que gravar de novo. Ele fez dois compactos e outros discos, no tempo do vinil, além de vários cordéis´. Hugo Linard chama atenção para aspectos peculiares da trajetória de Correinha. ´Ele mantinha um bar aqui no Crato e ainda trabalhava como agente carcerário. Era tão querido que os presos pediram à família por ocasião do seu velório, para deixar um pouco o corpo dele lá na cadeia, para eles o homenagearem´.
Dalwton Moura

Jornal do Vicelmo

Todos os dias na Rádio Chapada do Araripe - Internet, a partir das 07:00, ouça o Jornal do Cariri com Antonio Vicelmo. O Jornal é retransmitido da Rádio Educadora do Cariri em tempo real. Você pode ouvir o programa através da nossa imensa rede de Blogs e websites. Alguns programas antigos estão disponíveis no nosso website Jornal do Vicelmo.

AUXÍLIO À LISTA

Dicas de Filmes



Por trás de todo o grande homem se esconde um professor, e isso era certamente verdade para Bruce Lee que aclamava como seu mentor um expert em artes marciais chamado Ip Man. Um gênio do Wushu (ou a escola de artes marciais da China), Ip Man cresceu numa China recentemente despedaçada pelo ódio racial, radicalismo nacionalista e pela Guerra. Ele ressurgiu como uma Fênix das Cinzas graças à suas participações em lutas contra vários mestres Wushu e lutadores de kung-fu - finalmente treinando icones de artes marciais como Bruce Lee. Esta cinebiografia do diretor Wilson Yip mostra a história da vida de Ip.

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