Jacó lutou com um anjo – Por: Emerson Monteiro

No vau de Jaboque, trecho de passagem do rio Jordão, na Palestina, diz o livro bíblico de Gênesis que Jacó, ao fugir de seu irmão Esaú, indo à busca de um pouso certo para a família, e desejando sobremodo evitar confronto de armas (Então Jacó temeu muito e angustiou-se; e repartiu o povo que com ele estava, e as ovelhas, e as vacas, e os camelos, em dois bandos.), entrou, porém, numa luta corporal com guerreiro inesperado que lhe apareceu tão logo passara os derradeiros acompanhantes, mulheres, servos e filhos.

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Naquela noite, até quando das fimbrias do horizonte nascesse o Sol, Jacó estabeleceu desforço físico de proporções inimagináveis com o desconhecido que se lhe interpusera no caminho. Só aos primeiros clarões do dia esse adversário aceitaria a impossibilidade de vencer o filho de Isaque, no entanto resolveu tocou a coxa de Jacó, estabelecendo pronto deslocamento do nervo da junção.

E disse: Deixa-me ir, porque já a alva subiu. Porém ele disse: Não te deixarei ir, se não me abençoares. E disse-lhe: Qual é o teu nome? E ele disse: Jacó. Então disse: Não te chamarás mais Jacó, mas Israel; pois como príncipe lutaste com Deus e com os homens, e prevaleceste.

Ao saber disto, o judeu pediria ao anjo que o abençoasse e lhe dissesse o nome. Por que perguntas pelo meu nome? E abençoou-o ali.

Peniel foi, assim, da parte de Jacó, batizado o lugar, pois, segundo ele, naquele canto avistara Deus face a face, e nele sua alma fora salva. Aos primeiros raios do Sol, restava exausto e manquejava de uma perna a qual, na junção da coxa, recebera estocada na peleja da noite.

Na Bíblia, se lê: Por isso os filhos de Israel não comem o nervo encolhido, que está sobre a juntura da coxa, até o dia de hoje; porquanto tocara a juntura da coxa de Jacó no nervo encolhido. Gênesis 32,32.

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Vida de cachorro grande – Por: Emerson Monteiro

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Invocado o cachorro lá de casa que tem pose de valentão, a quem resolvi lhe fazer regime de comer apenas uma vez por dia, tanto bom de manter o peso, gordo que parece um elefante novo, brilhante reluzente. Mas mesmo assim chegado a uma preguiça que é um negócio sério. Também vive só na intenção de comer e dormir, tirando poucos momentos de latir com os passarinhos que dividem com ele a caquera do alimento, ou ficam pulando pelo meio do terreno à procura do que fazer, jogando conversa fora nos cânticos melodiosos, vida de artista essa vida de passarinho.
Isso de demorar a comer desse exemplar de canino me relembra história que minha mãe contava quando a gente era criança. Dizia que a mãe da preguiça antes de servir a refeição perguntava à filha: – Preguiça, tá com fome? – E ela dengosa respondia: – Sim, mãe, ‘tou com muuiiita fome.
- Quer comer -, continuava no diálogo.
- Quero, quero -, lentamente respondia.
- Pois vá buscar o prato no armário.
- Ah, mãe, tão longe… Quero mais não.
Vejo naquilo agora nas atitudes do cachorro que crio preso durante o dia e à noite dorme solto. De queijo apoiado nas patas dianteiras o dia inteiro, filosofando que é uma beleza, de olhos no tempo, ali amarrado acompanhando o movimento dos outros bichos enquanto esquece a panela aberta com a ração exposta. Vêm tartarugas, estiram o pescoço, e comem. Os pássaros sobem na borda, e comem. As lagartixas, ligeiras, comem. Até os ratos, de noite, deram de furar o saco, deixarem suas marcas. E ele, o responsável, nada. Demora o dia todo no maior desinteresse, a me trazer de volta a velha história da mãe da preguiça.
No entanto serve de algum motivo, de lembrar alguns da espécie que somos nós, que desfilam dias e dias porque veem outros viverem.  Deixam o barco correr solto à espera do maná cair do céu, gostam do bom e do melhor, sem, contudo, nem de longe querer enfiar
prego numa barra de sabão. Observam as nuvens passar no firmamento e ficam à procura de achar na imaginação o pão que garanta o nascer dos dias seguintes. Ah, vidas essas às vezes parecidas com vida de gente acomodada.

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Diagnóstico preciso – Por: Emerson Monteiro

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Nunca, jamais, qual agora, as pessoas se conhecem tanto. Aonde se virar e nos vemos face ao espelho do mundo, nos objetos e nas pessoas, em velocidade inimaginável, de tudo quanto é maneira, sem descanso, nas páginas dos dias, sobremodo perante as telas espalhadas no quarteirão inteiro. Sem refresco no juízo, dormimos e acordamos ao som dos equipamentos eletrônicos e da sede sensacional das notícias a preencher o universo de mentes ansiosas das novidades recentes. A indústria da informação, os denominados meios de comunicação de massa, qual a bolsa de valores dos destinos, não têm férias nem intervalo de almoço. São as guerras da vez, os atentados, acidentes mil, imprevisões climáticas, medidas radicais dos governantes, escândalos oficiais ou privados, estatísticas atualizadas, prisões, investigações em andamento, novas doenças, novas curas; o que de manhã seria interessante, de tarde envelheceu e de noite virou a retrospectiva amarelada do tardio esquecimento. Uma máquina trituradora de esperanças.
Na fome desse ineditismo, marcha humanidade trôpega, feroz, ardilosa, impaciente, aos suspiros e dramas das páginas principais dos blocos de notícias que viraram a festa coletiva da pouca transformação, depois de quanto tempo de peleja nas vastidões históricas. Há como que uma radiografia internacional da espécie que diverge pouco da veracidade precisa da ciência que dominou o plano mental dos momentos do futuro. O ser que somos pela primeira vez é conhecido diante das câmeras do saber humano a ponto de existir pouquíssima chance de considerá-lo um desconhecido, aquele desconhecido de antigamente. Hoje a gente já se conhece a ponto de precisar sem sombra de dúvidas quem somos e discrepar quase nada de um conceito preciso da verdade total. Os equipamentos permitem isso através da evolução tecnológica e de exatidão matemática.
A comentar assim, fica bem clara a importância do instante presente, da certeza correta do autoconhecimento, de promover sérias correções no rumo que se tomou. Melhor ocasião nunca, jamais, qual agora, existe de as pessoas se conhecerem tanto… Não dá mais para onde empreender fuga, pois as paredes ruíram todas, e estamos sós e nus.

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O sofisma político – Por: Emerson Monteiro

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Em certa ocasião, envolvido pelas tempestades políticas que teve de atravessar, Abraham Lincoln foi abordado por senador adversário, que queria impingir ponto de vista descabido quanto a matéria em discussão:
- Senador, vamos supor que uma vaca tenha cinco patas. Em sendo assim, indago de V. Exa., quantas patas tem uma vaca?
- Quatro – respondeu de pronto o estadista americano, acrescentando: – Pois não é por se supor que uma vaca tem cinco patas que ela passe a ter.
Situações análogas marcam o cotidiano de quem frequenta a escola da política em todos os países. Muitos querem que a Verdade possua a cara de sua verdade, esquecendo que, apesar de iguais termos, o primeiro se escreve com letra maiúscula e não pode ser mistificado ao sabor das conveniências individuais.
Uma disposição mórbida de viciar contas em proveito interno deve ser considerada mediocridade, não interesses perniciosos nos bastidores sustentando a maioria dessas atitudes, que depõem contra os valores da Ética, espaço onde se reclamam suas presenças.
Militantes políticos, de ordinário, no lado subdesenvolvido deste mundo, buscam a caminhada pública para defender causas pessoais ou de blocos fechados. Seriam como que bons para si e para os seus, enquanto relegam a terceiro plano faixa substancial da comunidade que vota na esperança de modificar o estado de coisas.
Dessa forma, urnas transpostas através de recompensas imediatas, no que se utilizam de capitais a ser recuperados após a vitória, estruturas reacionárias lançam âncora nos mares do serviço público e substituem os figurantes antigos.
Em dita ocasião, tudo passa a ser considerado instrumento de uso íntimo, desde a canalização das verbas para áreas particulares até o jogo de palavras e gritos, na montagem das propostas arrevesadas em defesa de atos esdrúxulos e manipulação de opiniões, fazendo passar por bons os péssimos e por maus os opositores, endossados pelos órgãos da comunidade de informação a peso de ouro (pode existir coisa mais imoral do que propaganda de administração pública? Para que divulgar o que se tem a obrigação de fazer?).
Neste universo das leis humanas, o justo anda cabreiro de pagar pelo infrator. Manchas se alastram no mata-borrão social e a bela arte do diálogo desvirtuou em demagogia ou subterfúgio, período quando sociedades estacionam, ou degeneram, sufocando ânsias de progresso.
Eis o diagnóstico de quadro preocupante, espantalho que atordoa gerações inteiras de lideranças novas. Como tratamento urgente, os exemplos bons merecem aplausos, para fomentar métodos limpos de corrigendas e recuperar a sobrevida.
Atenção fixa nos que vestem as malhas do poder e se dizem salvadores, porquanto posam de cordeiros mansos bem sucedidos e jamais avisam que aparências enganam.

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O senhor do impossível – Por: Emerson Monteiro

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Mergulhar em algumas avaliações místicas justamente em um tempo quando resta mundo esquecido de valores antes fundamentais, se é que um dia foram fundamentais, nesse pesar das eras. Lembrar os raciocínios de Deus a que neles se detiveram filósofos sós nas páginas amareladas dos velhos livros quase abandonados no decorrer das práticas cotidianas deste mundo insano. Hoje, falar em Jesus, Buda, Lao-tsé, Kierkegaard, Platão, Orígenes, remexe as fibras machistas dos tambores acelerados  e os padrões da era nuclear de deuses entontecidos e estéreis, ícones de acrílico e fibra de vidro, rolados e impressos nos painéis gigantes da terceira dimensão, vazios de conteúdo real.

Às raias do absurdo, indiferentes, jogaram os dramas da espécie, comédia insólita dos porões vazios da máquina embrutecida e esfumaçada na embriaguez de farras. Há gigantes em tudo, nas vitrines e nos paraísos artificiais da massa melancólica, que vaga absorta e de olhos pegajosas.
Enquanto isto, a única saída verdadeira é precisamente onde não há saída no juízo humano. Senão, para que precisaríamos de Deus? As pessoas só se dirigem a Deus para obter o impossível. Para o possível, os homens bastam, afirma o filósofo russo León Chestov.
Nunca, tal nestas datas momentâneas dos princípios de século XXI, houve tamanha ausência dos instrumentos morais que permitissem aos humanos adotar um sentido justo às suas existências tangidas pela engrenagem do magno sistema dominante. Quais lesmas de aquário, eles descem, sórdidos, acomodados, as escadarias de pedra dos altares do sagrado e se deixam imolar feitos mercadoria nos salões engalanados da ilusão artificial, racional.
As almas, no entanto, ansiosas de virtudes e banhadas nas lágrimas da solidão dos grupos, buscam meios de recordar o trilho abandonado nas selvas da Natureza, e erguem aos Céus preces esquecidas. Eis Deus: devemos remeter-nos a Ele, ainda que não corresponda a nenhuma de nossas categorias racionais, insiste Chestov.
Aos raios dourados da Esperança, Razão em seus frágeis argumentos agora demonstra o pouco do que trazia na caixa das fantasias, presa também de nenhuma possibilidade além da matéria em fria decomposição.
Eis Deus, o absurdo que renasce das cinzas no coração dos vales de antigamente.

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Os elementais e a ecologia – Por: Emerson Monteiro

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Depois de quebrarem o pote, que a água sumiu terra adentro, os que enxergam mais longe principiam a clamar pelo respeito à Natureza, pois as matas não têm preço (e as vendem por quase nada sem donos serem), que o ar deve permanecer limpo, limpeza dos rios que viraram esgotos, que a maré pode crescer e engolir a terra. Um berro de apreensão se espalha das notícias da tevê. Identificaram até que a camada de ozônio, protetora de nossa atmosfera, vem de apresentar brechas irremediáveis, comprometendo a sobrevivência da vida no planeta.
Os elementais, entes hoje invisíveis ao homem, sempre cuidaram melhor deste paraíso, zelando pela sua beleza, como artesãos inspirados nos tantos ramos da Criação. Foram eles os primeiros ecologistas (palavra tão na moda e ao mesmo tempo tão fora de moda) e poucos se lembram deles, nas manifestações românticas de ruas e praças, nesses atuais países ricos, fumacentos. Nenhuma faixa, nenhum cartaz, nenhum hino de louvor. Os colonizadores arrasaram minérios e raças tradicionais, malversando as provisões do futuro.
Os homens se transformaram nos piores predadores da boa saúde planetária. Exemplos de civilização coerente no trato das coisas naturais ainda agora não se acham, no decorrer das eras. Contam os livros que há pouco menos de trezentos anos um macaco podia, se pretendesse, viajar de Portugal à Dinamarca sem pisar no chão, tocando apenas na folhagem das árvores vistosas, numa Europa recamada de lindas florestas, os bem cuidados campos do Senhor.
Esses elementais, seres encantados de que se têm notícias no folclore e nos contos de fadas, são responsáveis diretos pelas condições básicas da existência na face da Terra. Zelam pelo vento, plantas, rios, mares, oceanos, bosques, flores, montanhas, lagos, pelo fogo, pela água, pelas sementes; pelos fenômenos mais diversos do sistema universal; os gnomos, os silfos, as salamandras, as ninfas, as nereidas, os elfos, duendes; inúmeros registros deles se acham nas lendas dos povos; todos formam o grande exército de amor, na preservação do Equilíbrio Universal.
Quem sabe se um dia não deixaremos de falar desses assuntos de crise e tudo correrá, de novo, com antes já foi, no seio harmonioso do Silêncio e da Paz, onde viveremos conforme indicar o Poder Superior, humanos e divinos, dentro de sonho bom e espiritual?

 

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A andorinha e o elefante – Por: Emerson Monteiro

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As histórias tornaram-se recorrentes, a exemplo desta lenda hindu. Ouvem-se (leem-se) daqui, dali, dacolá, os contos tradicionais que passam de mão em mão, transmitidos quais sementes replantadas de frutos saborosos, na multiplicação efetiva das coisas boas. A narração que ora urdiremos possui esse valor característico, razão de suas tantas divulgações, tornando-a patrimônio coletivo noutros lugares além da cultura indiana donde provém:
Certa vez, incêndio de proporções monumentais grassava na mais distante das florestas do reino. O fogo lambia, com ventos rápidos, árvores seculares imensas, a espantar o silêncio e calcinar verdes vegetações. Labaredas de proporções descomunais seguiam as trilhas das ramagens vivas pelas folhas secas acumuladas no tempo. Estalidos. Berros. Desolação. E as lonjuras do manto indefeso distorciam-se na aflição dos bichos alucinados, sem pouso, sem norte, quais lentes de horror, presas frágeis, para escapar da fogueira instalada no mundo selvagem antes apenas calmo, contínuo.
Meio exótico de cenas febris, o império da miserável destruição parecia querer a todos dominar, crivando de cinza e dor as coisas fugidias, tão neutralizadas pelas tintas azuis, derramadas do teto infinito do céu, na tarde circunstante.  
Enquanto isso, uma andorinha voava que voava, indo e voltando no igual percurso das asas incansáveis, a obedecer velocidades trepidantes. Descia em mergulhos pontiagudos ao fundo lago e se molhava demorado, sobrevoando, em seguida, vezes e vezes. Nessas voltas, chegava bem no prumo do fogaréu, sacudia as penas em esforço descomunal para qualquer animalzinho minúsculo. Ao secar, reencetava a mesma jornada rumo das águas, de nova a encharcar o corpo franzino que repetia…
Nesse ínterim, de longe, instalado na ravina confortável das imediações, elefante adulto, pré-histórico, reparara na atividade frenética da pequena ave e suas repetidas viagens. Então, aproxima-se corpulento, e refletido pergunta:
- Por que tanto empenho, dona Andorinha? Por quê? Diga só! – insiste o gigantesco animal. – Para nada o que fazes, pois vi, noutras ocasiões, iniciativas semelhantes. A senhora sabe, tanto quanto eu, que essas míseras gotículas do seu trabalho inútil jamais irão conseguir apagar tanta fornalha; por isso, as matas tornam-se impróprias, perdidas.
- Sei, sim, camarada Elefante. Sei, sei – quieta respondeu a andorinha. – Porém não me conformo diante das limitadas condições. Ajo de acordo com minha dimensão reduzida. Faço a parte que me cabe. Cada um dos senhores bichos que trate urgente de, também, fazer a sua parte. Daí, decerto, um dia melhorarão as condições e diminuiremos os incêndios desse tipo. Venha, vamos juntos, vamos!…

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As portas do abismo – Por: Emerson Monteiro

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O ser humano vive para responder a desafios, sendo esses ainda mais variados nos dias atuais, desde doenças transmitidas nas relações íntimas até as desigualdades sociais, expressas nos lances da violência urbana que predominam, sobretudo nas maiores cidades, sem, no entanto, isentar dos crimes bárbaros menores comunidades, em parte originários na ausência de formação moral, nos índices de crescente agressividade e na utilização indiscriminada de substâncias bloqueadoras da racionalidade, os tais entorpecentes avassaladores.
Neste ponto histórico da raça humana, exageros se apresentam com tamanha dominação que muitos se deixam abandonar ao impacto desses desafios, quais meros escravos das destruições em série; o crack, a cocaína, a maconha, a nicotina e o álcool.
O senso crítico bem que pode prevenir a vacilação comprometedora. Já desde a infância que os jovens devem dispor de estrutura para superar o sugadouro em que se transformou a vida mundana, tendo no comando das instituições do entretenimento os meios de comunicação de massa, por vezes inconscientes do seu poder destruidor, espécie de tóxico permitido à luz do dia, com força inimaginável, instrumentos do desequilíbrio, outro tipo de droga quase sempre usada de modo equivocado para vender o sensacionalismo e tolerada acima de qualquer suspeita.
Assim, dizíamos, os jovens têm de descobrir desde cedo como criar a firmeza de atravessar o largo pântano do Planeta em chamas, independente da opinião de terceiros, pois a peleja é, na verdade, uma missão individual fora do juízo alheio dos demais, considerando-se saúde mental como a peça chave desse equilíbrio naquilo que irá cumprir, no rumo da realização pessoal.
Quando sabem como agir, fruta rara, os moços exercitam a superioridade no embalo de todos esses fatores adversos. Põem-se a par do valor das coisas simples, dentre elas a lucidez de construir um sonho novo dentro do coração, a esperança dos tempos futuros.
O jovem, contudo, nem sempre possui as condições de vencer o mar tormentoso das tentações, porém deve fazê-lo, custe o que custar de sacrifício e vaidades, em favor da própria sobrevivência, porque assim trará consigo respostas plenas à Humanidade. Avalie com carinho essa perspectiva de manter a sobriedade no decorre da vida e verá como as reservas obtidas serão suficientes para vencer todos os obstáculos. Só então perceberá o quanto de sabedoria existe nos infindáveis mistérios da natureza interior das criaturas humanas.                           

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Dominar os baixos instintos – Por: Emerson Monteiro

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Portas abertas ao sol da manhã esplendorosa deixam a luz do dia chegar com mais força ao coração da gente e clarear a vontade do melhor nos relacionamentos, função avançada de comparecer ao pomo do desejo de um dia ser melhor do que fomos, caminhada incessante do processo evolutivo. Impulsos de paz no íntimo da pessoa que transporta a níveis superiores constantes na floresta da arte, elevando possibilidades de sonhar com séculos menos tensos da história da humanidade desde a existência individual, dever e solução de tantos e enormes problemas criados durante a jornada deste chão de experiência.

Três ou quatro palavras bem positivas valem mais do que milhões de projetos materiais sujeitos a produzir a maldade que já tem hora perecer o dominar dos noticiários, nas tocas da ambição. Pensamentos simples em forma de calma e tranquilidade da aurora das tardes de janeiro, auspícios das construções coletivos em mundos de paz. Andar assim de olhos abertos do quanto poder há nas aspirações humanas esquecidas dos dramas em forma de mágoas ou sofrimentos. Elevar metas de obter sucesso mediante renovação de princípios e valores, alimentar verdades de união entre as raças e distâncias.
Bom, é isto de dominar instintos agressivos e escolher amar com vontade sóbria, modelo de necessidade urgente logo e sempre, sentido de recriar a civilização através das moléculas da espécie que somos nesse instante solene à nossa disposição que perde atitude e respeito de seres inteligentes.
Os meses passam, seguidos de compromissos por vezes inconscientes de populações primitivas que precisam andar rápido nas planícies abertas da maturidade liberta da imperfeição. Agora será, po isso, diferente desde que haja as fórmulas aplicadas de meios sadios, liberdade nas luzes do amor.
Querer, portanto, vitórias mil das previsões na felicidade às portas dos tempos novos.

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A balança da sorte – Por: Emerson Monteiro

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Conta Heródoto, em História, que Ciro, rei da Pérsia, convencido de sua liderança e fiando-se no sucesso de muitas e inquestionáveis vitórias, após dominar os Babilônios, decidiu guerrear contra os Masságetas, povo respeitado pela bravura, que ocupava a maior parte da vasta planície além do rio Araxo, a leste do mar Cáspio.
Depois de recusar proposta de casamento do emérito comandante, Tómiris, soberana do país, lhe negou acesso nos seus territórios. Ciro, então, mandou erguer uma ponte e fazer torres nos batéis com que pretendia dar acesso à outra margem do rio, revelando propósitos firmes de imediatas ações de conquista.
Ainda buscando manter a paz, a rainha enviou emissários ao rei pretendendo negociações. No entanto, caso houvesse tanta insistência para lutar, que ele desmanchasse a ponte que construíra, e os dois povos se defrontariam a uma distância de três dias do leito do rio. Ou que Ciro recuasse suas tropas três dias para além da outra margem, aguardando carga dentro dos próprios domínios.
Ouvidos assessores, avaliadas cogitações, em obediência às recomendações de Creso, conselheiro principal, estabeleceram os Persas que cruzariam as águas e usaria um ardil; deixariam no campo de batalha, a olhos vistos do inimigo, suculento banquete de carne, vinho e outros quitutes, prazeres ignorados pelos Masságetas, população pouco afeita ao luxo e ao conforto da rica Pérsia.
Desse modo realizou-se. À frente de exércitos vitoriosos, Ciro atravessou o Rio Araxo e avançou um dia no território pretendido, montando acampamento, e, nesse ponto, deixando as piores tropas que dispunha, em seguida voltando à retaguarda.
O filho da rainha Tómiris, Espargapiso, e um terço dos guerreiros masságetas vieram ao combate dos efetivos ali abandonados, os quais venceram com relativa facilidade. Depois disso, refestelaram com sofreguidão nos suculentos partos e na bebida adrede expostos nas barracas do campo, depois do que tombaram caídos pelo vapor traiçoeiro do álcool. Naquela hora, de surpresa, chegaram os outros persas e dominaram esses inimigos, prendendo o príncipe no meio deles.  
Ciente das trágicas ocorrências, a rainha indignou-se com aquilo e conclamou que Ciro devolvesse-lhe o filho, logo se retirando do reino: Se não o fizeres, juro-te pelo Sol, senhor dos Masságetas, que te saciarei de sangue, por mais sedento que dele estejas, vistas as palavras de Heródoto.
O rei, porém, ignorou a determinação. O príncipe, refeito da embriaguez, vendo-se cativo dos Persas, pediu que lhe tirassem as algemas. Ao ver-se livre, com uma espada, pôs fim na existência, perante todos.
Sabedora dos sucedidos, Tómiris reuniu seus soldados e confrontou as forças invasoras na mais famosa (batalha) até hoje travada entre bárbaros, segundo o Pai da História.
Durante horas extremas, os dois clãs opositores pelejaram de igual para igual, sem qualquer esmorecimento de ambos os lados.
Afinal, prevaleceram os Masságetas… Quase a totalidade dos persas sucumbira, inclusive Ciro, abatido no auge de vinte e nove anos do resplendente triunfo que obtivera no poder.
Cessada a luta, Tómiris mandou trazer da praça de guerra o que sobrara do corpo do rei, mergulhando-lhe a cabeça em um balde cheio de sangue, dizendo:
- Embora eu esteja viva e vitoriosa, tu me desgraçaste, fazendo meu filho perecer por um cobarde estratagema; mas eu te saciarei de sangue, como te prometi! – afirma o clássico grego.

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As mudanças de Raimundão

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O anúncio da troca de três secretarias da gestão Raimundo Macedo não causou o impacto esperado. Saíram três técnicos e entraram outros três, ou seja, seis por meia dúzia. Talvez a maior diferença foi o anúncio do farmacêutico Micaelce Santana como novo chefe de Gabinete, que outrora já havia recusado o convite e anteriormente, pedido demissão da Secretaria de Saúde, por não aceitar ser ordenador de despesas. Mas o que levou Micaelce a aceitá-lo novamente? Essa pergunta por enquanto ficará sem resposta.
Com livre trânsito em todas as áreas, inclusive com a imprensa, Micaelce deve se tornar um elo de ligação entre o governo Raimundo Macedo e a sociedade, especialmente, com a imprensa.
Por falar em imprensa, o o blog apurou que o atual assessor de imprensa da prefeitura, o radialista Marco Valério pediu (pela terceira vez) pra sair. Como sempre, Raimundão pediu a Marco pra ficar mais alguns dias até ele escolher seu substituto. E Raimundão já o tem: é Demontier Tenório, que faz a mesma linha de Marco Valério, ou seja, trabalha na rádio, faz o programa de rádio do prefeito e é lotado na Assessoria de Imprensa na prefeitura de Raimundão. Solução caseira.
O coronel Antônio Hernadez Miranda, que fez trabalho sério na PM é o nome da Secretaria da Cidadania. Não deve ter problemas, pois tem experiência de comandar tropa e certamente debelará qualquer insurgência no Demutran ou na Guarda Municipal.
Na saúde, sem voz altiva, Marcleide do Nascimento, apesar do bom trabalho desenvolvido no Departamento de Alta Complexidade, assume como dever de cumprir ordens. Por isso, não aceita ser ordenadora de despesas.
Por último, embora não tenha sido anunciado oficialmente, o delegado federal aposentado, Francisco de Assis Castro Bonfim vai ser nomeado para a Controladoria e Ouvidoria Geral do Município.
Nota: O blog não confirmou com Marco Valério sobre sua provável saída da Assessoria de Imprensa.

Flavio Pinto News

Exemplo de lealdade – Por: Emerson Monteiro

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Conta uma história da tradição européia atribuída a Santo Agostinho que Pitias, jovem prisioneiro romano, achando-se condenado à morte, durante o período em que aguardava o cumprimento da sentença quis muito rever seus pais que moravam distante e de quem era o arrimo, sem, contudo, receber do tirano Dionísio crédito de confiança imprescindível a empreender essa tão longa jornada.
Ao saber do desejo extremo do amigo, outro jovem de nome
Damon buscou o palácio e se ofereceu para substitui-lo na ausência, propondo, inclusive, caso não retornasse na hora estabelecida que, em absoluta eventualidade, prestar-se-ia até mesmo a ficar no seu lugar no instante da execução pública, poucos dias adiante.
O imperador considerou a oferta, dando amparo suficiente a que Pitias buscasse a remota província, aonde, saudosos e debilitados, viviam os genitores. Face disso ficara na prisão em seu lugar o voluntário Damon.
Os dias céleres transcorreram, demorando quase nada a chegar o prazo fixado da condenação.
Nesse dia, o imperador e muitos outros cidadãos acordaram de espírito voltado ao pacto dos dois amigos. A cidade fervia de comentários em vista do completo desaparecimento de Pitias, de quem mais nenhuma notícia souberam desde a sua partida.
As solenidades previstas se dariam de qualquer jeito, conforme o estabelecido. Cedo da manhã, largas manifestações sacudiram a massa estertorosa das gentes nas arquibancadas do circo. Gritos histéricos feriam os ouvidos ansiosos de Damon, trazido ao meio da arena e exposto aos ânimos exaltados daquela multidão impaciente. Renderia destarte nisso o pacto de compromisso firmado em amor do amigo.
Enquanto que, diante da exiguidade do tempo e nos limites da força física, de um dos portões do estádio superlotado, exangue, esquálido, surgiria Pitias, causando espasmos na população silenciada com o forte gesto demonstrando maior lealdade de quem permanecera no seu lugar.
Perante os presentes, o condenado se dirigiria aos carrascos, libertando Damon, o amigo fiel.
Também assustado com o que vira, de pronto Dionísio ordenou a suspensão do ato punitivo e, solene, desceu da tribuna emocionando indo abraçar os dois amigos, numa reverência profunda ao cumprimento da palavra firmada.
Face daquilo, sensibilizado, o imperador decretou a absolvição de Pitias, afirmando por acréscimo, segundo a história:
- Tudo, nesta vida, não vale esta amizade que hoje posso testemunhar. 

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Que viva a URCA – Por: Emerson Monteiro

 

Texto produzido em 29 de maio de 1987 para o Diário do Nordeste, de Fortaleza CE.
Como no princípio, que era o Verbo, e Ele se fez carne, habitando entre nós, assim também tudo tem de passar pela ideia (leia-se esquema) para se concretizar, no mundo das coisas tangíveis. É essa a lei do mundo fenomênico, que, de forma matemática, ocorre sempre, nos ritos da Natureza.
URCAescudoPara que um povo tenha autonomia civilizatória, é necessário que antes organize o intelecto, salto definitivo que se equivale ao percurso da animalidade à cultura, tão bem representado por Stanley Kubrick, no filme 2001, Uma odisseia no espaço (cena dos macacos a lutarem com clavas de ossos, quando uma delas se transforma – corte cinematográfico – em nave espacial viajando no futuro).
Ponto de detalhe e vemos isso ocorrer agora, nas terras do Cariri cearense, quando, afinal, no âmbito dos séculos, surge a formalização auspiciosa de sua universidade, com todos os foros jurídicos de autarquia, homologada por lei estadual n.º 11.191, de 02 de junho de l986, autorizada pelo decreto federal n.º 94.016, de 11 de fevereiro de 1987.
Que a Região dispõe de flexibilidade e infraestrutura para a iniciativa, quem se atreve duvidar?
Foram longos anos de conquistas, desde os primeiros capuchinhos, passando pelas didáticas insurreições de 1817 e 1824, com Bárbara de Alencar, Tristão Araripe, Pereira Filgueiras, além de outros heróis, até os educadores modernos e seus tradicionais colégios (Seminário São José, Diocesano, Santa Teresa, em Crato, Salesiano, em Juazeiro do Norte, e Santo Antônio, em Barbalha).
Lideranças eméritas, como Antônio Martins Filho, José Newton Alves de Sousa, Pedro Felício Cavalcanti, Raimundo de Oliveira Borges, Luiz de Borba Maranhão, dentre outras, elaboraram os alicerces da educação superior aos caririenses.
Acatemos, pois, de bom grado, o prêmio maior que se merece.
Os intelectuais fazem história por intermédio da transmissão de conhecimentos, como os técnicos pela aplicação da Ciência; dessa maneira, admitimos a vitalidade educacional, processo que se perfaz acima da política partidária, tantas vezes razão de estagnação e retrocesso.
Alguns retóricos sugerem a incerteza como tônica do futuro. No entanto, se sabe pela livre experiência de viver que incerto foi o passado, visto seus erros acumulados, que o tempo recolheu na bagaceira dos engenhos primitivos, anacrônica agroindústria canavieira, para tempero da garapa nas caldeiras e tachos do amanhã. E somos os contemporâneos que responderemos, neste pé-de-serra, ao desafio de agora, fornecendo luz aos clientes do saber, nossos filhos e os filhos deles.
Em seu nascimento, a Universidade Regional do Cariri tem direito ao nosso mais carinhoso abraço, e sonhar com ela o verde porvir das grandes realizações torna-se uma obrigação principal.

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Psiquiatra alerta para perigos do excesso de álcool nas festas de fim de ano

 

"As pessoas acabam abusando dessas substâncias, que adicionam no organismo, como adicionam comidas”, diz Jorge Jaber Filho

 

 

Época de emoções e também de excessos, principalmente de álcool, as festas de final de ano acendem um alerta vermelho que deve ser  levado em conta pelos cidadãos, recomendou o presidente da Associação Brasileira de Alcoolismo e Outras Drogas (Abrad), psiquiatra Jorge Jaber Filho.

Em entrevista hoje (26) à Agência Brasil, Jaber informou que, do ponto de vista fisiológico, o ser humano tem necessidade de algumas substâncias químicas no cérebro, que são os neurotransmissores, que se assemelham às moléculas das drogas, como o álcool, o tabaco, a cocaína, a maconha.

“Há uma tendência na vida das pessoas, que se radicaliza nesse momento de datas festivas, de haver falta dessa substância no cérebro. Aí, a pessoa  toma alguma substância, como o álcool, que é um estimulante em pequenas doses, mas que, se tomado em excesso, acaba produzindo o efeito inverso. Em vez de um estímulo ao sistema nervoso central, ela passa a ter uma inibição desse sistema, fazendo com que aumente ainda mais a depressão, decorrente muitas vezes da lembrança de pessoas queridas que não estão mais presentes”, disse o psiquiatra.

Segundo Jaber, há uma inversão de valores nas festas de fim de ano, com crescimento do aspecto mais materialista da data, e não dos valores espirituais. “Assim, as pessoas acabam abusando dessas substâncias, que adicionam no organismo, como adicionam comidas”. Ele explicou que, a partir daí, há um abuso que pode ser o fator determinante de doenças como alcoolismo e dependência química.

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Foto: Divulgação

O psiquiatra salientou que, nessa época, costuma aumentar o número de internações tanto em hospitais de pronto-socorro como em clínicas psiquiátricas. “A situação da saúde pública ainda não conseguiu resolver a questão de leitos hospitalares e, em relação à saúde mental, vigora a política da redução do dano. Ou seja, a pessoa pode usar [álcool, no caso], desde que não cometa atos que piorem a sua vida”. Segundo ele, o Brasil está experimentando esse tipo de política, mas, aparentemente, não tem tido o sucesso esperado. Isso é constatado pela existência de cracolândias, áreas onde se reúnem centenas de pessoas drogadas, principalmente nas grandes metrópoles.

Jaber lembrou que quase todas as pessoas que usam álcool começaram usando tabaco e daí passaram para a maconha. “Quase todos os que usam maconha começaram com tabaco ou álcool. Essas três drogas são fundamentais para levar ao uso da cocaína.”

De acordo com o Levantamento Nacional de Álcool e Drogas (Lenad), feito pelo Instituto Nacional de Políticas Públicas do Álcool e Outras Drogas da Universidade Federal de São Paulo, a proporção de bebedores frequentes (que bebem uma vez por semana ou mais) subiu 20% no país entre 2006 e 2012, passando de 45% para 54%. A expansão entre as mulheres (34,5%) foi maior do que entre os homens (14,2%), no período pesquisado.

Em termos de concentração do consumo de álcool, o levantamento mostra que 20% dos adultos brasileiros que mais bebem ingerem 56% de todo o álcool consumido. A pesquisa revela ainda que quase dois de cada dez bebedores apresentaram critérios para abuso ou dependência de álcool e que 32% dos adultos que bebem relataram não terem sido capazes de parar depois que começaram a beber.

O levantamento constatou também a relação entre abuso de álcool e depressão. Dos 5% de brasileiros que tentaram tirar a própria vida entre 2006 e 2012, em mais de dois de cada dez casos, o que equivale a 24%, a tentativa estava relacionada ao consumo de bebidas alcoólicas.

Para o presidente da Abrad,  a tendência é aumentar o uso de álcool no Brasil. “O que nós temos visto é um aumento do custo na saúde pública da liberação do álcool para menores de 18 anos. E isso leva a um abuso cada vez mais cedo nos jovens, gerando alterações físicas e mentais muito importantes”. Jaber criticou a falta de fiscalização na venda de bebidas para crianças e adolescentes, principalmente em postos de gasolina, onde os jovens compram suco ou refrigerante e tomam misturado a álcool. “Todos veem isso acontecer e não há um efetivo combate  a essa prática.”

O psiquiatra ressaltou que não há distinção de classe social ou de nível socioeconômico entre os bebedores de álcool no país. “Os mais abastados costumam misturar vodca com bebidas energéticas ou cafeínicos, enquanto os menos abastados procuram tomar cerveja com cachaça  ou fazer essas misturas chamadas batidas, que misturam cachaça com refrescos ou refrigerantes”. Ele destacou ainda que, nas comunidades carentes, a situação econômica favorece a venda de substâncias ilícitas, como o álcool, entre menores de idade.

 

Agência Brasil

Anistia Internacional lamenta veto a projeto que proíbe bala de borracha em SP

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São Paulo – Protesto contra gastos com a Copa do Mundo de 2014 reúne cerca de 1000 pessoas na avenida paulista, em frente ao vão livre do Masp (Marcelo Camargo/Agência Brasil)

A ONG defende que o uso de armas menos letais deve ser regulamento; Alckmin diz que a polícia necessita de liberdadeMarcelo Camargo/Agência Brasil

A organização não governamental Anistia Internacional divulgou hoje (20) nota em que lamenta a decisão do governador do Estado de São Paulo, Geraldo Alckmin, de vetar o projeto de lei aprovado pela Assembleia Legislativa do estado (Alesp), no início do mês, que proibia o uso de bala de borracha pelos policiais civis e militares em protestos e manifestações.

A anistia argumenta ter reunido “casos de uso desproporcional da força pela polícia paulista durantes os protestos”, como o do fotógrafo Sergio Silva que ficou cego de um olho, por ter sido atingido, enquanto cobria uma manifestação em 2013. O fotógrafo foi tema de campanha em que pedia indenização por danos morais e materiais com o ocorrido.

A ONG defende que o uso de armas menos letais deve ser regulamento e que todas as denúncias de abuso devem ser investigadas. “São Paulo não possui nenhum protocolo público sobre o uso de armas menos letais e, desde junho de 2013, nenhum agente público foi responsabilizado pelos ferimentos e danos causados a jornalistas e manifestantes”, informa a nota.

Na decisão pelo veto, o governador disse que a polícia necessita de liberdade. “A polícia tem protocolos. Precisa ter liberdade dentro dos seus protocolos de trabalho, dentro da sua competência, para poder administrar a maneira como estabelece a ordem pública, protege os cidadãos.”

O projeto de lei foi apresentado pela bancada do Partido dos Trabalhadores (PT) na Alesp e aprovado em 3 de dezembro. O líder do partido na Casa, João Paulo Rillo, disse que o texto foi uma resposta  “ao fato de jornalistas perderem a visão durante as manifestações de junho”.  "O direito à livre manifestação é um imperativo da lei", declarou.

Agência Brasil

Maioria dos brasileiros consome apenas conteúdo digital gratuito

 

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São Paulo, 17 (AE) – A maior parte dos brasileiros ainda não está disposto a gastar seu dinheiro em produtos e serviços digitais. É o que apontam os números da pesquisa Internet Pop, do Ibope Media, deste ano, inédita, que aponta que os conteúdos gratuitos estão no topo da preferência do consumidor de internet no Brasil. Apenas 14% dos usuários acessam serviços de vídeo (como Netflix) que não sejam gratuitos; enquanto três em quatro donos de celulares só usam aplicativos que não o obrigam a colocar a mão no bolso.

Segundo a gerente de Learning & Insights do Ibope Media, Juliana Sawaia, o comportamento é esperado de mercados que ainda não tenham atingido "grande maturidade no meio digital".

"Isso é natural. Comércio eletrônico e internet banking, de maneira geral, dependem de uma maturação maior", diz. Segundo a especialista, para comprar em um conteúdo, o usuário tem que ter "uma intimidade com o uso daquela informação ou saber bem o quanto vai extrair daquilo".

A executiva diz que é interessante para os produtores de conteúdo e aplicativos pensar nesse quadro antes de precificar (ou não) seus produtos.

"Se você vai criar um app, é preciso pensar no valor agregado dele. Se ele trouxer uma resposta que um grande publico espera, é possível cobrar algo como US$ 2, por exemplo. Mas tudo depende do produto", diz.

Sawaia considera o hábito de adquirir produtos gratuitos "natural" entre os "emergentes digitais", que entraram nesse universo de forma muito rápida, principalmente através da aquisição de smartphones.

Segundo o Internet Pop, o acesso à internet via outros dispositivos, exceto computador, cresceu em relação ao último ano e totalizou 53%. Este dado reforça outro: 38% dos brasileiros não conseguem ficar mais do que algumas horas sem checar suas redes sociais, sendo o smartphone o maior responsável, segundo Sawaia.

Estadão Conteúdo

Um jeito de trazer alegria – Por: Emerson Monteiro

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Por vezes sentimos vontade de esquecer essa disposição de reunir as palavras e transmitir sentimentos de satisfação perante a vida, insistir que vale a pena seguir buscando a saída do labirinto da existência, a luz do final do túnel, um encaixe perfeito da personalidade individual com o sentido eterno da Natureza. Amigos chegam a dizer que há nisso otimismo talvez imaginário, no entanto claro que precisa esforço dentro de qualquer sacrifício. Larga e fácil é a porta da perdição, da desistência. Habitamos mundo de ilusão que se desfaz no cadenciado das horas. Troca-se trabalho pelas frioleiras desse chão qual atitude sem alternativas. Contudo a exatidão das maravilhas naturais sacode o desejo de encontrar a resposta tão genial quanto o autor de tudo isso. Essa a razão de continuar no propósito de desvendar o mistério de responder com sabedoria ao enigma da vida.
Todo tempo vem sendo assim, filósofos, mestres, aventureiros, em busca da interpretação exata desse itinerário da consciência entre os seres humanos. Sol nasce e lá vão eles à busca de respostas ideais ao problema maior das interrogações todo tempo. Uns batem às portas da ciência; outros, vagam dentro das muralhas do ser interior; porém a ânsia de sonhar com o bem maior da revelação predomina diante de resolver a questão da existência.
As artes, religiões, realizações coletivas de projetos diversos, preenchem a tal esperança de felicidade plena que substituirá a repetição já surrada de vir e voltar geração após geração, no aguardo das soluções definitivas.
Nisso o instinto de seguir com positividade os passos na busca objetiva de crescer sem destruir a mesma oportunidade dos demais irmãos de raça neste Universo esplendoroso. E todo dia colher as flores do jardim da alma e distribuí-las quais doidos mansos soltos pelas ruas da cidade, a expandir sorrisos bobos e amáveis, tais pássaros insistentes no gosto de alegrar a paisagem nem sempre verde dos dias.   

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As mazelas do Estado neoliberal – Por: Emerson Monteiro

 

Diante das complexas relações sociais, à medida que cresciam grupamentos humanos, surgiu o Estado politicamente organizado, essa macroestrutura que agora a tudo domina, vira ente de tentáculos infalíveis pelo mundo inteiro, monstro Leviatã, na concepção do filósofo político Thomas Hobbes; o Grande Irmão, no livro 1984, de George Orwell.

E aqui vamos de goela abaixo, nós da sociedade civil, a defrontar essa entidade maior que a vontade coletiva que coordena e, por vezes sem conta, trai seus ideais e reais objetivos, hoje classificada em duas vertentes vagas de corrente liberal e corrente marxista, ora em desuso, pois estas vêm sendo substituídas pelo conceito de Estado híbrido, da China ao Canadá, após a sociedade globalizada pela economia de escala, numa espécie de mutação genética classificada por Estado neoliberal, bicho de dentes afiados e dominador absoluto das relações da sociedade mundial.

O cidadão, este se acha sendo reduzido de importância a ponto de descartar a força que teria se houvesse, ao tempo certo, exercitado a consciência políticossocial descartada há séculos (Se o elefante soubesse da força de que tem o leão não seria o rei dos animais, já falaram os sonhos, mas antigamente).

A figura do contribuinte restou esquecida, desprezada, ela, a famosa mantenedora da farra descomunal do que fazem os vilões daquilo que pagara com impostos e taxas, obediência e subserviência à Lei, desejos e desencantos ao bem-estar pessoal e de todos. Refém das próprias instituições que criara, o contribuinte amarga ondas sucessivas de malversação do dinheiro público através das instituições do Estado, pai e gestor, numa espécie de atuação de apenado nos próprios domínios, sem quaisquer instrumentos mais que surtam o efeito de conter a sanha avassaladora dos grupos ilegítimos parasitários das estruturas criadas a fim de preservar os direitos da cidadania. Após os turnos eleitorais repetitivos, grupos de poder invadem as artérias financeiras da engrenagem social e sugam gota a gota o sangue precioso dos erários quais males atávicos, vampiros das massas humanas.

Nisso, aquelas aspirações institucionais de interagir e refrear a sanha totalitária do Estado conspiram e se voltam contra seu criador original, o Povo, sumindo na irresponsabilidade, isto dentro dos movimentos populares, associações culturais, filantrópicas, empresas,  igrejas, clubes sociais, associações de classe, escolas, até sindicatos, de quem se esperou muito mais no decorrer da história, hajam vistas suas intenções justas iniciais, depois abandonadas ao sabor dos prazeres lupanares do imperialismo atávico que ainda claudicante no seio da raça humana.

nov 29|Emerson Monteiro|Blog do Crato – Noticias do Crato !

Os milagres da existência – Por: Emerson Monteiro

 

Independente do credo que se professe, ou deixe de professar, as evidências impõem afirmações as quais a mais meridiana observação rende homenagens, no reino dos acontecimentos da Natureza.
A cada minuto, fatores indiscutíveis isto demonstram, o poder soberano da criação infinita do que alguns acham por bem chamar de Deus, em todo quadrante dos fenômenos espontâneos das circunstâncias. A própria ciência, quando chega aos limites das pesquisas quanto ao princípio original de tudo, baixa a cabeça desconfiada, muito mais por falta de alternativa do que pela fria percepção, e diz que daí em frente existirá o Desconhecido, o outro nome a que resolvem preencher o espaço destinado ao Ser Superior do Universo, e chamar assim, o Ser Desconhecido.
Aonde se queira voltar a atenção, aí residirá o dedo misterioso do Poder. Desde a luz dos olhos, quanta maravilha domina o construto da eternidade. Dirigir a cabeça numa direção, abrir as vistas, colher e decodificar com tão imensa perfeição o domínio daquele lugar, a visão das belezas em torno, quanto dom ao dispor de qualquer criatura, do homem aos animais menos festejados.
Na sequência, os outros sentidos. A audição, o sabor do som no correr dos ventos, em aventura abrangente a todo lugar e território, propiciando às individualidades o perceber das manifestações invisíveis, pelos ouvidos.
O sabor, na gustação, motivo principal dos alimentos. A nutrição que chega aos organismos necessitados, e por cima traz o prazer do degustar, favores multiplicados, rios de sabores diversos, a persistir a vida entre os seres, em meio aos fatores dominantes nos reinos mineral, vegetal e animal, ao caminhar das estações e das idades.
O tato, o tocar da pele que fala e demonstra continuidade nos objetos e outros elementos circundantes. O olfato, o cheiro das percepções, o perfume, as flores, o verde, a primavera, o estio, o inverno, os frutos, as cores, o frescor das horas e as histórias das eras, na crucial da efervescência e da vida.
Sem maiores esforços, a cada detalhe um milagre existe, na luz do dia, na temperatura, que uns graus a mais ou a menos impediria a probabilidade do aqui deste planeta vagando nos céus sem eixo provável ou peças outras que possam ser substituídas ou desgastadas. As galáxias, os astros, o Sol, a Lua e as Estrelas. Gestos de Ser que assina o quadro sem nada cobrar em troca.
E o pensamento o que dizer dele? A fala. As palavras. As atitudes das pessoas. A força da gravidade. O tempo, autoria de relojoeiro tão correto que nem combustível ou energia utiliza na propagação das espécies através dos planos de todos momentos. O sentimento inigualável das emoções e valores. O Amor, enfim, o Amor, amálgama que solda em peça única a barca da dez mil coisas, vagando ao trilho do firmamento, conduzida no fulgor das evoluções musicais desse Maestro primoroso, que permite o crescimento nas dádivas milagrosas de tantos séculos, exata demonstração de bondade e magnitude.

De Paris a Roma a pé: – Por Carlos Eduardo Esmeraldo

 

Imagine se você, caro leitor, teria coragem de fazer uma viagem do Crato até Belém do Pará andando a pé os 1480 km de distância, sem aceitar carona, dormindo debaixo de barracas de lona, sobre esteiras ou colchonetes às margens das rodovias, ou em hoteizinhos de beira de estrada ou ainda em casas religiosas, se por acaso existissem? E se você tivesse 75 anos de idade, mesmo assim se arriscaria a tamanha aventura? Nem mesmo se tivesse uma causa tão importante que o motivasse para realizar tal aventura? Seria algum protesto de grande porte que chamasse a atenção da opinião pública mundial? Pois saibam todos, que uma distância um pouquinho maior do que essa foi percorrida pelo sacerdote redentorista francês, Padre Henry-Marie Le Bouriscaud,  quando ele tinha a idade de 75 anos. Ele viajou 1507 km à pé de Paris até Roma para apresentar ao Papa João II seus protestos sobre a forma como a Igreja Católica enfrentava as questões vitais para o cristão de hoje. Para o teólogo alemão Bernhard Häring, "Henry teve a coragem de se por a caminho, porque estava convencido de possuir dentro de si uma mensagem que devia transmitir aos outros, a mensagem da liberdade e da felicidade criadora." O próprio padre Henry escreve na abertura de seu livro: "PARIS-ROMA, 1500km a pé". "Meter-se na aventura de percorrer a pé 1500km, de Paris a Roma pelas perigosas auto-estradas nacionais, não foi fruto de entusiasmo irrefletido de um septuagenário, mas o fecho de ouro de uma longa caminhada pessoal." Para ele, essa decisão não foi um ato individual, mas algo repleto de reciprocidade, pois jovens e idosos reagiram à essa sua idéia.
O Padre Henry foi ordenado sacerdote aos vinte e seis anos, tendo iniciado sua vida sacerdotal no Seminário Redentorista de Paris, como professor e missionário. Logo percebeu que ele tinha tudo em sua vida, nada lhe faltava. Boa alimentação, um leito confortável, bons agasalhos, bem diferente daquilo que Jesus Cristo viveu e que milhões de pobres no mundo atual vivem. Então decidiu sair de sua zona de conforto e morar no meio dos pobres, em barracas junto a milhares de imigrantes portugueses. 
Após conhecer Abbé Pierre, como era mais conhecido entre os pobres da França o frade capuchinho Henri Antoine Groués, fundador do Movimento Emaús, o Padre Henri entrou para a comunidade como simples companheiro de rua. Em 1972 fundou o Movimento Emaús Liberdade, em Charenton-Paris. Em seguida não se acomodou. Levou a idéia do Movimento Emaús a outros países, inclusive o Brasil. Em Fortaleza existe em pelo menos cinco bairros pobres: Pirambu, Vila-Velha, Jereissati I -Maracanaú e Pajuçara. Para quem não conhece o Movimento Emaús, ele funciona como uma espécie de cooperativa, que recebe doações de móveis usados, eletrodomésticos defeituosos e outros artigos inservíveis, que após recuperados, reformulados, são vendidos nos bazares do movimento. É fonte de emprego e renda para os participantes, uma forma concreta de retirá-los da miséria absoluta.  
A Viagem do Padre Henry de Paris a Roma durou três meses e oito dias. Partiu da praça de Notre Dame, em 15 de junho de 1995. Para sua surpresa, Jürgen Falkenberg, um jovem alemão, que o conhecia do Movimento Emaús resolveu acompanhá-lo, pois temia que ele partisse sozinho, sem experiências de caminhada pelas auto-estradas francesas, pelas travessias de túneis cheios de curvas, alguns deles com mais de 20km de extensão. Todo o percurso teve um roteiro previamente preparado, contendo a distância a ser percorrida a cada dia, algo entre 15 e 20km, dias de repouso semanal, lugares para pernoites e alimentação, que era preparada pelos próprios viajantes. A chegada em Roma se deu a 23 de setembro de 1995, três meses de uma longa caminhada.
Infelizmente, ele não pode ser recebido pelo Papa, que partiria no dia seguinte em viagem a Nova Iorque. Então solicitou ao seu compatriota, o Cardeal Etchegaray, vice-decano do Colégio Cardinalício, para entregar ao Papa João Paulo II uma carta com críticas e sugestões, tudo o que ele sentia. Entre os principais pontos: o excesso de gastos que os países pobres realizavam com as viagens e a segurança em torno do Papa, a condenação que o pontificado dedicou à Teologia da Libertação, citando entre outros, o teólogo brasileiro Leonardo Boff. Também tratou de temas polêmicos como a abolição do celibato para os padres, ordenação de casais e também das mulheres, entre tantos outros, ainda hoje uma esperança de serem postos em prática por reformas mais profundas.
Eu e Magali tivemos a alegria de conhecer o Padre Henry que desde 2009 reside em Fortaleza. Atualmente aos 94 anos, vive com os pobres da Vila Velha, sob os cuidados do advogado Airton Barreto e sua esposa, cristãos autênticos, que deixaram o conforto proporcionado por sua família de classe média, para viver como pobre, entre os pobres do Pirambu e da Vila Velha.    
Por Carlos Eduardo Esmeraldo
Para maiores informações ou aquisição do livro do Padre Henry:
Movimento Emaús Vila Velha
Rua Moraújo, 651 – Jardim Guanabara
CEP  60 346 770 Fortaleza- CE
emausvive@emausvive.org
emausvila@yahoo.com.br

BLOG DO JUAZEIRO

Eita Nordeste da Peste! – Por Carlos Eduardo Esmeraldo

 

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Longe de mim atiçar o separatismo latente que tem surgido ultimamente nos estados mais ricos do Brasil, entre os quais São Paulo se destaca como líder. Que esse nossos irmãos do sul-sudeste me perdoem. Mas o Brasil nasceu aqui! Nesse Nordeste sofrido, de muito sol, muito calor humano, suor e trabalho. Sem racismo, sem preconceitos, mazelas importadas por imigrantes estrangeiros que trouxeram tais sentimentos impregnados no sangue, como herança genética de seus antepassados, que aqui chegaram das mais diferentes nacionalidades, muitos dos quais provavelmente expulsos de suas pátrias. Aqui, diferente do outro Brasil que o Nordeste viu nascer, vive um povo cheio de brasilidade, irmanados por um imenso sentimento de solidariedade e muito amor à pátria. Sem divisionismo, desde quando foi consolidada a independência do Brasil. O nordestino é antes de tudo um povo rico em cultura e arte popular.
Não é exagero afirmar que o berço da cultura brasileira está aqui no Nordeste! Na literatura temos uma inesgotável relação de escritores que se destacaram no cenário nacional: José de Alencar, Graciliano Ramos, Raimundo Magalhães Jr., Rachel de Queiroz, Humberto de Campos, José Lins do Rego, José Américo de Almeida, Ariano Suassuna, Jorge Amado, Adonias Filho, Aluísio Azevedo, Gilberto Freyre, Josué de Castro, João Ubaldo Ribeiro, Gustavo Barroso, Domingos Olímpio, Jader de Carvalho, Raimundo Girão, Tomé Cabral e muito mais, sem deixar de acrescentar novos escritores cearenses que surgem a cada instante, como os médicos cratenses José Flavio Vieira e José do Vale Pinheiro Feitosa, Everardo Norões, e o já consagrado saboeirense Ronaldo Correia de Brito, além de tantos outros.
Na poesia temos Manoel Bandeira, Castro Alves, Ferreira Gullart, Gonçalves Dias, João Cabral de Melo Neto, o cratense Wellington Alves e o nosso genial Patativa do Assaré.
Na música popular, as mais belas canções do cancioneiro brasileiro com uma rica variedade de ritmos musicais, nos quais se destacam nacionalmente os cantores e compositores: Luis Gonzaga, Dominguinhos, Caetano Veloso, Gilberto Gil, Dorival Caymi, Morais Moreira, Pepeu Gomes, Fagner, Belchior, Ednardo, Zé Ramalho, Alceu Valença, Elba Ramalho, Chico Serra, Zeca Baleiro, Lenine, Geraldo Azevedo, Gal Costa, Maria Bethânia, Ivete Sangalo, Cláudia Leite.
Apenas uma breve amostra da riqueza cultural imensurável de que o nordeste é possuidor. Para o pessoal do outro Brasil conhecer, tem que pisar o solo nordestino, conhecer nosso sertão, conviver com a poesia que brota do nosso viver, dentro da nossa caatinga, com plantas que são somente nossas e muita sabedoria popular do nosso povo. 
Por Carlos Eduardo Esmeraldo    

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DUAS LUAS – Por Xico Bizerra

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Estava reparando o céu e avistei mais de uma lua. A de São Jorge estava lá, com dragão e tudo. A outra, vazia de santos e animais, clareava tanto quanto aquela. Sempre me ensinaram que apenas uma lua morava num céu tão grande. Para que tantas estrelas e uma lua só? Todos a vêem grande, solitária e indecifrável. Fiquei a imaginar que aquela segunda lua talvez se prestasse para substituir a lua primeira quando chegasse o sol. Mas não: quando o sol desponta a lua não mais há, já foi passear no Japão ou noutras terras distantes. E agora? Como vou explicar ter visto duas luas? Só posso garantir que jamais vou esquecer que numa noite de setembro beirando o outubro que se achegava reparei o céu e vi mais de uma lua e elas clareavam o chão com a mesma intensidade. No meu céu cabe uma lua dupla e ambas são verdadeiras. Melhor guardá-las só pra mim, acreditar na verdade das duas luas e esconder de todos que as vi para que não digam que estou aluado. Duplamente aluado.

Xico Bizerra

Blog do Sanharol

Confusão de oficio – Por Antonio Morais

 

Cabar_DasDonzelasJosé das Meninas, assim chamado porque todos os filhos eram  mulheres, casado com  Dona Mariquinha, católicos fervorosos, devotos de São Raimundo, vivia do trabalho pesado na roça, o que lhe  resultava em grandes dificuldades para família.

Das Dores, a filha mais velha  resolveu  ir embora para os lados da Amazônia, onde ficou um bom tempo sem  dar noticias. Fundou um bordel e melhorou de vida.  Sabendo das dificuldades das  irmãs, em Várzea-Alegre, mandou buscá-las para lhe adjetorarem  nas labutas do empreendimento.

O negocio prosperou e deu  bons lucros. Mas, o pai era insatisfeito com as informações recebidas dando conta do oficio e funcionalidade das filhas.

Um dia, Das Dores resolveu vi a Várzea-Alegre visitar os pais. Quando tomou chegada o velho  não deu a menor atenção. Com a mãe não foi diferente. Então, ela resolveu se queixar: Não vejo vocês há 30 anos,  vi visita-los e sou recebida com esse desprezo e essa indiferença.

Eu trouxe até uma ajuda para vocês, mas, já que é assim vou voltar. Minhas irmãs mandaram 40 mil para  vocês, mas, diante de tamanha desconsideração vou voltar e nunca mais aqui volto.

O velho, já bem  mais calmo, coçou a cabeça e perguntou: Minha filha, que mal pregunte: Qual é mesmo a profissão  de vocês por lá? Ela, braba como um siri na lata respondeu a todo pulmão: "Prostitutas".

Então, o velho já bem manso disse: Minha filha, "me adiscurpe",  eu pensava que era "protestante".  Se acomode, vá tomar um bom banho, durma um bocadin para descansar da viagem. "Tá vendo Mariquinha, conversando é que se entende, as bichinhas nem têm curpa".

Blog do Sanharol

A IRA DE JOÃO GABIRU – POR ANTONIO CARLOS OLIVIERI

 

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Grota do Angico – Local do cerco a Lampião e seu bando.
Sexta-feira, sete e meia da tarde, fazia muito calor. Eu andava pela Barra-Funda. A esmo, apreciando o que sobrou de antigo no bairro, despreocupado com o resto do mundo. Empapado de suor, pelo resplandecente sol do horário de verão, entrei num boteco de esquina, o primeiro que encontrei e pedi uma cerveja no balcão, urgente. – Uma Brahma, pelo amor de Deus! É pra já, meu querido – respondeu, do outro lado do balcão, o rapaz de avental, com esse modo íntimo, embora nunca tivesse me visto antes. – No capricho!
Depois do primeiro copo, um homem novinho em folha, respirei fundo e passei a apreciar o interior do botequim, que não via uma reforma desde os anos 60. Balcão e bancos de fórmica, azulejos, lâmpadas fluorescentes. A gente só se dava conta de estar em 2005 devido à opulenta nudez de Juliana Paes, nos cartazes da Antártica. Para não me apaixonar por uma mulher impossível, voltei à atenção para a conversa de dois tipos ao meu lado. Os dois também bebiam e se divertiam depois de um dia de batente, contando casos um para o outro, com delicioso sotaque pernambucano. Um deles, o mais velho, parecia mesmo um repentista, pelo vozeirão grave e a eloqüência narrativa, que se traduzia em uma vasta gama de expressões e gestos.
O tema dos casos era sua terra natal, a que não iam há muito tempo. Inacessível às suas posses, porém, o sertão se franqueava às suas lembranças. Era quase ali (no bar em que os três bebíamos) o mais remoto cocuruto de serra, do sertão de Pernambuco. Mas não se tratava do sertão atual, “muderno”, cortado por caminhões de carga, bolsas-famílias e antenas de TV, mas de um sertão de outro tempo, mitológico, onde os versos épicos dos cegos jamais se calam e o cangaço é eterno. Nos alto-falantes pendurados nos quatro cantos do recinto, a voz de Luiz Gonzaga inspirava os narradores. As doses de cachaça com que intercalavam os grandes goles de cerveja tornavam-nos cada vez mais eloqüentes. Os enredos se sucediam, agrestes. Um deles me chamou a atenção.
Major de patente comprada, o fazendeiro Luiz Antonio Feitosa, de Cajarana, sertão da Bahia, devia muitos favores a Lampião. Entre eles, o de ter aumentado em muitas léguas os limites de sua propriedade. O rei do cangaço o auxiliou em rixas, intimidou e eliminou vizinhos. Pressionou juízes a favorecê-lo em pendências agrárias. Em troca, o Major lhe fornecia mantimentos e munições, bem como o acoitava sempre que o cangaceiro atravessava o São Francisco, fugindo das volantes de Pernambuco e Paraíba.
Certa ocasião, o Major tomava a fresca da manhã no copiá da casa-grande, quando avistou um cabra batendo alpercatas na estrada, caminhando em sua direção. Feitosa apurou a vista e reconheceu o homem, ainda distante. Era o negro Vicente do Outeiro, um cabra do eito, gente sua, mas que só o procurava nas ocasiões em que Lampião aparecia naquelas paragens, trazendo recados do cangaceiro.
Bom dia, Major Feitosa – saudou Vicente, sem subir os degraus da varanda, olhando de baixo para cima. – Tenho um pedido para vosmecê. – Pois se achegue aqui, homem de Deus, não faça tanta cerimônia – respondeu o fazendeiro, bonachão, embora remendasse, resmungando para si mesmo, entre dentes: – Os recados que você me traz, é melhor que sejam dados ao pé do ouvido. O negro aproximou-se, tirando o chapéu de palha. Major, o Capitão Virgulino mais três cabras estão aqui perto, no sitiozinho que o senhor conhece, perto do Tanque, atrás do bosque de oiticicas. Os homens vêm de um combate danado que toparam há três dias lá para as bandas de Triunfo. Foi tiroteio de mais de cinco horas, que começou bem para o capitão. Até que apareceu, não se sabe de onde, uma tropa federal com 150 praças que deram sustento ao fogo da volante do tenente Maurício. Os cabras de Lampião estavam cercados.
Não me diga… – fez o Major, apreensivo.
– Mas os cangaceiros conseguiram furar o cerco – prosseguiu o negro, impressionado com os fatos. – Se meteram na caatinga e conseguiram escapar dos macacos. Mas havia muitos feridos: Jararaca, Beiço Lascado, Cobra Verde… Lampião achou melhor separar seus homens, mandando cada grupo para um coito seguro, em lugares diferentes. Ele mesmo achou que era melhor atravessar para a Bahia e me procurou ontem à noite, para mode saber se pode acoitar-se uns vinte dias cá na sua propriedade.
Vicente se calou, aguardando uma resposta. O Major permaneceu em silêncio por não mais que um simples instante. No entanto, este lhe pareceu o maior dos instantes que conheceu em toda a sua vida. Só que não devia demorar em responder ao negro: Vá dizer ao Capitão que me espere onde está – declarou, resoluto. – Vou encontrar com ele no início da tarde.
– Senhor, sim, Major Feitosa – obedeceu o outro e voltou pelo caminho por onde viera, batendo mais rápido as alpercatas, até desaparecer na distância da capoeira. A sinfonia de uma revoada de juritis encheu o céu de Cajarana. Os bogaris, plantados em frente aos esteios da varanda, adocicavam o ar do verão que, a essa altura, já estava quente como o inferno.

Em contraste com o sol que brilhava acima da casa-grande, a expressão que tomara conta do rosto do Major era sombria, grave, repleta de nuvens e trovoadas. Na verdade, naquele momento, a demanda de Lampião o colocava num impasse delicadíssimo. Uma rixa com o coronel Napoleão da Fonseca, de Queimadas, havia levado Feitosa a ingressar na política, filiando-se ao partido do governo. O Major tinha agora a pretensão de candidatar-se a deputado estadual e a proximidade com cangaceiros podia constituir uma montanha instransponível no seu caminho para a Assembléia do estado. Por outro lado, dizer não ao rei do cangaço era a mesma coisa que assinar um atestado de óbito para si mesmo, a mulher e os filhos. Sem falar nos agregados, que eram a cunhada dona Amelinha, o sobrinho Vitorino e o primo José Amaro.
Se em algum momento o sentido da palavra diplomacia lhe interessou na vida de mandos e desmandos, foi naquele. O que fazer?, ruminava, aperreado. Sua plataforma de campanha – que empolgava os eleitores – era justamente o combate ao banditismo, tanto o dos cangaceiros, quanto dos tenentes de volante que os perseguiam (além das obras de combate à seca). Puxou um charuto encorpado que lhe mandaram do Recôncavo, mastigou-o numa das pontas e o acendeu com uma pederneira. As nuvens azuladas de tabaco fertilizaram seu raciocínio. Em pouco tempo, ordenava para o afilhado Bentinho, o filho da comadre Vivi:
– Esse menino, me traga aqui o João Gabiru. Preciso conversar com ele, o mais rápido possível.
Gabiru era uma espécie de pau para toda a obra, na fazenda do Major Feitosa. Tinha um jeitinho para tudo. Nada ganhava com isso, exceto um teto, roupa e comida. Para ele, porém, era o que bastava. Mais uns goles de cachaça nos fins de semana e se dava por muito satisfeito. Além disso, dedilhava a viola e era um primor no repente. Quando ia a Cajarana, nos dias de feira, vinha gente de várias cidades das redondezas para ouvi-lo. Apesar de baixinho, franzino, cabeça grande e o rosto mal traçado, ao tocar a viola, conquistava a atenção até das morenas faceiras que acompanhavam as mães às compras.
Pouco depois do chamado, Gabiru chegou ao copiá, onde o Major Feitosa o aguardava, aflito. Ao vê-lo, o patrão nem lhe desejou bom dia e foi direto ao ponto: Lampião pedira coito, favor que naquela ocasião não estava em condições de prestar ao cangaceiro. Porém, como podia dizer não a Virgulino Ferreira da Silva, sem produzir conseqüências desastrosas? Gabiru matutou, matutou, mas não encontrava saída.
O patrão também não lhe concedeu muito tempo para pensar, ordenando em seguida:
– Vá imediatamente encontrar o Capitão. Tente explicar que aqui, neste momento, ele não estará seguro. Melhor que fique mesmo na caatinga, no sitiozinho onde já se instalou, pegado ao Tanque. Posso mandar-lhe mantimentos e tudo que for de sua precisão. Mas recebê-lo em minha casa é impossível. Invente que estou esperando a visita do governador, acompanhado por militares de alta patente e pelo próprio chefe de polícia. Sei lá! Assunte bem o terreno, veja lá como fala e dê um jeitinho. Senão, estamos todos desgraçados!
João Gabiru não aparentou medo, ao aceitar a tarefa. Acreditava que a solução de um problema assim era uma coisa que só se encontrava de repente, num estalo. Confiou-se a São Severino de Ramos. Colocou sobre a cabeça um chapeuzinho de couro, quase sem abas. Foi ao curral e arreou a mula ruça, que pisava macio. Montou, deu-lhe com o cabresto e seguiu caminho. Com a ponta dos pés descalços nos estribos, equilibrava-se sobre o trote da jumenta, gingando como um ginete das velhas ordens de cavalaria.
Sob a sombra de uma cajazeira, no sitiozinho do Tanque, os três cabras de Lampião matavam o tempo jogando dominós. Estavam muito concentrados, mas o instinto os fez interromper repentinamente a partida. Ao perceber à distância a aproximação de um cavaleiro, se fizeram nos rifles, espalhando-se aos pés das imburanas. Porém, à medida que João Gabiru se tornou visível, os cangaceiros serenaram e baixaram as armas.
A imagem eqüestre do moleque de recados nada apresentava que lhes pudesse provocar o menor medo. Ao contrário, parecia-lhes um motivo de provável diversão. De cartucheiras trançadas no peito, os três homens ficaram de pé, batendo as coronhas do rifle no chão, como autênticos militares. Receberam o recém-chegado, perfilados, com cortesia galhofeira. Ajudaram-no a descer da jumenta e perguntaram o que um homem daquele porte fazia naquele oco de mundo.
Venho da parte do Major Luís Antônio Feitosa – respondeu Gabiru, sério, aparentemente sem perceber que mangavam dele. – Com um recado para o Capitão Virgulino Ferreira.
– Pois vossa incelência espere só um minutinho que vou ver se o Capitão pode te receber – respondeu o maior dos três cangaceiros, que era também o mais mal encarado, e entrou na casinha de taipa caiada, onde o chefe descansava.
Voltou poucos instante depois e abriu a porta para o recém-chegado, com uma reverência que despertou a risada de seus dois companheiros. João Gabiru não fez caso disso, entrou na casa e deu de cara com a cozinha vazia, com um fogão de lenha num canto e uma mesa de pinho ao centro, onde pareciam repousar todas as armas do famigerado cangaceiro: um rifle papo-amarelo, uma carabina Comblain, três bornais de balas, dois revólveres Schmidt & Wesson, um punhal e uma facão de mateiro. Mas o rapaz não teve tempo de observar o arsenal com mais atenção, pois uma voz vigorosa o chamou da camarinha.
João Gabiru entrou no dormitório onde Lampião, estirado numa rede, fazia sinal para ele se aproximar. Pela janela aberta, o sol do meio dia reluzia no quarto como se estivesse dentro dele. Iluminava a figura ridícula do mensageiro, em todos os seus pormenores. O único olho do capitão mirou o sertanejo com expressão furiosa, como se estivesse ofendido por deparar com semelhante moleque de recados. Como é que o major Feitosa lhe fazia uma desfeita daquelas? Não só mandava alguém em seu lugar, em vez de vir pessoalmente, mas mandava aquela figurinha de baralho lhe dar a resposta que ele, o Feitosa – não aquele cabrito desajeitado – lhe devia?!
Isso era um desfeita que a majestade de Virgulino Ferreira da Silva não havia de engolir!
Lampião ergueu-se da rede, com a rapidez que – no gatilho – lhe valeu o apelido. Estava desarmado e completamente a vontade, com as fraldas da camisa para fora da calça de zuarte. Lentamente aproximou-se de Gabiru – a quem olhava de baixo para cima – e sem a mínima cortesia, nem pela mesma mangação dos comparsas, lascou-lhe na cara uma pergunta atrevida:
Você sabe o que é a ira de Lampião? Não senhor – respondeu Gabiru, sem deixar de encará-lo. A ira de Lampião – explicou-se o próprio – é uma fazenda arrasada, muitas mulheres graúdas desonradas, dezenas de cadáveres e o sangue correndo como um rio por cem léguas de distância.
O sertanejo escutou, humilde, mas respondeu com outra pergunta: Pois vossa incelência sabe o que é a ira de João Gabiru? O rei do cangaço riu-se da insolência e deu-lhe o troco na bucha: A ira de João Gabiru há de ser o cipó-de-boi comendo no lombo dele, que acabará de volta à casa do Major, mais morto que vivo, se arrastando atrás de sua mula.
– É não – contradisse o outro e sacou zunindo uma peixeira que trazia escondida na cintura. – Quando João Gabiru fica irado, como agora, o máximo que pode haver é dois cadáveres, o sangue não corre mais que cinco passos, mas todo o cangaço há de ficar de luto. Com a ponta da lâmina a milímetros de seu pescoço, Lampião não piscou o olho nem moveu um dedo. Mas respirou fundo, antes de responder ao Gabiru: É de cabra assim, com cabelo na venta, que eu gosto, não sabe? Abaixe essa arma e vamos conversar, meu camarada. Tem sorte o Major Feitosa de contar com um macho esperto como tu a seu serviço…
O final da história coincidiu com o fim da minha garrafa de cerveja. Durante algum tempo, esqueci do mundo, nocauteado pelo relato do velho. Ao voltar a mim, os danados dos nordestinos tinham simplesmente desaparecido. Cheguei a me perguntar se os dois haviam estado ali mesmo ou se eu os imaginara numa espécie de delírio. Não consegui chegar a uma conclusão. Fui interrompido pelo rapaz do balcão que queria saber:
– Outra Brahma, meu querido?
Antonio Carlos Olivieri.

Blog do Sanharol

CONTOS DE VARZEA-ALEGRE – POR ANTONIO DANTAS.

CachoeiraDantasFOTO DA CACHOEIRA DANTAS

O Souza

O Souza era outro fenômeno da minha época de criança. Conheci-o muito bem porque ele morava nas terras do meu avô, perto da nossa casa no Baixio Dantas. Ele era alegre, muito brincalhão e de uma memória prodigiosa, decorava tudo que ouvia. Certa vez, eu o vi rodeado de pessoas na feira de Várzea Alegre.
Eu tinha oito anos de idade e sabia ler, e procurava pessoas que soubessem ler também. Admirei aquela cena e fiquei curioso ao ver aquela multidão ao redor do Souza, especialmente com desenvoltura com que ele lia aquele conto em voz alta.
Avancei pra bem perto; ele lia o Pavão Misterioso numa banca que vendia livretos de cordel. Naquele momento, ouvi uma das pessoas gritar – eita caba danado, esse ai lê até de cabeça pra baixo! Meu pai depois me explicou o resto da história e pude conferir que existem analfabetos que sabem ler, mas só em Várzea Alegre.
Professor Antonio Dantas.

MIOLO DE AROEIRA – POR ANTONIO MORAIS

AROEIRA Difícil ver algum varzealegrense que não tenha conhecido ou que não conheça a historia de Ladislau Camilo. Homem honesto, trabalhador e acima de tudo bem humorado e alegre. Quando estava numa roda de amigos era riso só, especialmente tendo tomado  umas e outras. 

Ladislau gostava de responder as advertências com outra pergunta. Exemplos: Ladislau, cuidado com  a chuva! E o que é chuva? Ladislau cachaça mata! E o que é cachaça? Assim é que, um dia, Ladislau estava em Crato, num cabaré e, aprontou umas boas, a proprietária advertiu: Eu vou chamar a policia. E o que é policia? Exclamou Ladislau. Neste dia Ladislau ficou sabendo o que era policia, foi parar no chilindró até quando me localizaram e fui socorrer ao amigo graças a amizade que tinha com o delegado. Mas eu quero me referi a uma historinha engraçada do Ladislau ocorrida pras bandas do Sitio Monte Alegre, em Várzea-Alegre, onde morava. 
Ei-la:

O Ladislau Camilo estava acompanhando a retirada de umas madeiras de uma casa velha de taipa da família construída por seus bisavós há um seculo e meio e, ficou admirado ao perceber que a parte que estava enterrado há todo esse tempo encontrava-se em perfeitas condições. Até as marcas do machado que beneficiara aquela madeira estavam intactas. Diante da sua admiração, um tio explicou: Ah, Ladislau! Isto aqui é aroeira. É o miolo da aroeira. Não acaba nunca. É mesmo que ferro!
Ah, com os diabos! Agora eu descobri uma coisa! Respondeu Ladislau.
A mulher lá em casa é feita de miolo de aroeira…

Mobilização pela internet ainda não trouxe mudanças profundas, diz socióloga

Internet_1A socióloga turca Zeynep Tufekci, em sua palestra hoje (7) na TEDGlobal, destacou o papel das mídias sociais nos protestos que ocorreram em vários países nos últimos anos. De acordo com ela, o problema é que, ao mesmo tempo em que se torna muito fácil reunir as pessoas em torno de uma causa, como ocorreu na Turquia, no Barein, com os Indignados na Espanha ou o Occupy Wall Street nos Estados Unidos, a mobilização por meio das redes sociais ainda não foi capaz de trazer as mudanças profundas que os ativistas e manifestantes desejavam.

“Três anos depois do Occupy, o sistema ainda está lá. Voltei à Turquia um ano após os protestos e descobri que os manifestantes estavam frustrados, porque tinham conseguido muito menos do que queriam. A internet ajuda na organização logística, de poder pensar junto, seguir pelas diferenças. Os movimentos começam muito rápido e crescem rápido, mas não conseguem se manter. Os movimentos, hoje, precisam ir além das organizações em grande escala, criando formas como plataformas abertas e jornalismo cidadão”, disse.

Foi o que a ativista política da Argentina Pia Mancini fez. Ela relatou a experiência de tentar mudar a forma como é exercida a democracia no país que, segundo ativista, é a mesma há 200 anos. “Nós estamos em um sistema em que podemos escolher as nossas autoridades, mas somos totalmente excluídos de como eles tomam as decisões,” disse. Pia criou o aplicativo DemocracyOS, que explica todas as leis em discussão no Congresso argentino e as pessoas podem opinar. Na teoria, os representantes deveriam seguir essa opinião popular para votar o projeto, destacou.

Também foi apresentada uma experiência brasileira, com a ativista política Alessandra Orofino. Ela lembrou que a participação da população em eleições tem diminuído em várias partes do mundo, como nos Estados Unidos, na França e também no Brasil, onde houve quase 30% de abstenção e voto nulo na última eleição para prefeito no Rio de Janeiro. De acordo com ela, é preciso mudar a forma de tomada de decisão, já que “o direito de votar como única forma de participação não é mais o suficiente”.

Alessandra disse ainda que a tecnologia pode contribuir muito para isso. “Os governos ainda não usaram a tecnologia para beneficiar o cidadão e permitir a participação naquilo que importa. Não precisamos esperar o governo para fazer isso. Há três anos cofundei uma organização chamada Meu Rio, que estimula as pessoas a se engajarem nas localidades sobre o que importa para eles”.

Ela citou o uso da plataforma chamada de Panela de Pressão, que conseguiu mobilizar a sociedade e fazer o governo tomar decisões favoráveis em casos como a manutenção da Escola Municipal Friedenreich, no entorno do Estadio Jornalista Mario Filho, o Maracanã, e a criação da Delegacia de Descobertas de Paradeiro. “Nós estamos prontos, como cidadãos, para decidir o nosso destino comum e distribuir poder”, ressaltou.

As novas formas de mobilização social e a falta de privacidade na internet estiveram em debate hoje (7) na segunda sessão do TEDGlobal, que ocorre no Rio de Janeiro e tem como tema o Hemisfério Sul. O evento ocorre em uma estrutura fechada montada na Praia de Copacabana, mas, pela primeira vez, está sendo transmitido online para locais como escolas, bibliotecas e universidades cadastradas, com tradução simultânea para o português.

A privacidade na internet foi debatida pelo jornalista norte-americano Glenn Greenwald, responsável pela divulgação dos programas de vigilância dos Estados Unidos pela NSA, revelados por Edward Snowden, então consultor da NSA. De acordo com Greenwald, é errada a visão de que quem não tem nada a esconder não deve temer a invasão de privacidade na internet.

“Existe a mentalidade de se você tem vergonha de estar fazendo alguma coisa, não deveria estar fazendo. Somos seres sociais, mas precisamos ter espaço livre de pensamento. Todos nós temos coisas a esconder. Tem coisas que só estamos dispostos a falar para o médico, advogado ou analista, mas não queremos que o mundo todo saiba”, disse.

O jornalista ressaltou que diversos estudos mostram mudança de comportamento quando a pessoa sabe que está sendo monitorada. “Quando estamos em um estado em que podemos ser monitorados, nosso comportamento muda drasticamente, é bem mais conformista com as regras. O Estado não precisa mais das armas da tirania, a vigilância cria uma prisão na mente, é bem mais eficaz do que a força bruta. A vigilância restringe nossa liberdade de escolha. Quem não se mexe não percebe as suas correntes”.

O último palestrante da sessão, Andy Yen, é especialista em desenvolvimento de sistemas de segurança e participou do desenvolvimento do Protomail, serviço criptografado que não permite ao servidor ler as mensagens, como ocorre atualmente. Ele lembrou que os dados pessoais ficam para sempre na internet e devem, sim, ser preservados.

“O primeiro passo é mostrar que a tecnologia não pode ser difícil, tem que ser algo acessível. Mas podemos manter a privacidade sem todo o dinheiro que a propaganda nós dá? Acho que sim, o Protomail tinha tanta gente que não tínhamos mais dinheiro. Então as pessoas se uniram e doaram meio milhão de dólares. Precisamos de um novo modelo de negócios na internet, menos dependente de propaganda. Os nossos dados online são muito mais do que conjuntos de zeros e uns, são nossas vidas, nossas aspirações. Chegou a hora de dizer que sim, queremos vive num mundo de privacidade online. E podemos fazer isso”, disse.

Aparelhos atuam nas eleições e na corrupção – Por Ricardo Noblat.

 

CorrupicaoPrestes a completar 12 anos de Planalto, o PT, ou facções dele, vê-se envolvido em alguns casos emblemáticos de uma característica relevante desse longo período no poder, a montagem de aparelhos do partido na máquina pública.
A invejável disciplina e o empenho petistas na defesa da visão de mundo do partido se refletem no exercício do perigoso princípio de que “os fins justificam os meios”. Com este pano de fundo é que foi engendrado o mensalão, abastecido com dinheiro público desviado sem pudores para comprar apoio político-parlamentar ao primeiro governo Lula.
Os últimos meses têm sido férteis em casos nada abonadores derivados da atuação de aparelhos petistas. O que operou desde o primeiro governo Lula na Petrobras, num conluio entre sindicalistas, políticos e empreiteiros, apenas começa a ser conhecido com vazamentos de partes de longos depoimentos prestados sob acordo de delação premiada pelo ex-diretor da empresa Paulo Roberto Costa.
O doleiro desse e outros esquemas, Alberto Youssef, fez o mesmo acordo com a Justiça e deve contribuir com informações também esclarecedoras deste que talvez seja o maior escândalo, em cifras, dos últimos tempos.
Soube-se há pouco da atuação enviesada dos Correios, em Minas, para privilegiar as candidaturas de Dilma e de Fernando Pimentel, esta ao governo do estado, na distribuição de peças de propaganda eleitoral.

Desvendada pelo jornal “O Estado de S. Paulo”, a história também é exemplar da atuação de aparelhos petistas, cujo resultado é a “privatização” dessas estatais por interesses partidários. E, como a eleição presidencial tem sido a mais dura enfrentada pelo PT desde a vitória de Lula em 2002, todo este aparato de militantes instalados dentro da máquina do Estado — funcionários concursados ou não — trabalha nestes dias com empenho extra. Há muita coisa em jogo nas urnas — além do poder em si, empregos e dinheiro.
Na mesma linha dos golpes dados na Petrobras, há o uso criminoso de fundos de pensão de funcionários de empresas públicas, em altas negociatas, diante do silêncio do braço sindical petista e, por tabela, dos funcionários.
O próprio Youssef e o tesoureiro do PT, João Vaccari Neto, são citados em investigações sobre malfeitos com dinheiro da Petros, fundo dos empregados da Petrobras, e da Postalis, não por acaso o fundo dos Correios. Há várias operações de que resultam prejuízos para os fundos e, claro, lucros para os operadores.
Pouco ou nada se sabe de reclamações contra esses virtuais assaltos aos fundos. Talvez o silêncio se explique por alguma estranha solidariedade ideológica. Na Petrobras, há quem não critique a gestão no mínimo temerária de José Sérgio Gabrielli, em cuja administração Paulo Roberto fez a festa, por considerá-lo um “nacionalista”. Mais uma vez, fins justificam meios.

O Beato Jose Lourenço – Por Antonio Morais

BeatoO sinal para o fim do Caldeirão começou com a morte do Padre Cicero no dia 20 de Julho de 1934, aos 90 anos. A igreja católica reivindicou os seus bens e uniu-se as elites para destruir a comunidade. Em 1936, uma reunião, em Fortaleza, de representantes da Diocese do Crato, Da Ordem dos padres Salesianos, da Liga Eleitoral Católica, do Deops, da Policia Militar e do Governo do Ceará, buscava um pretexto para por o fim da comunidade. estavam todos assombrados pelo fantasma de Canudos, onde o exercito brasileiro fora seguidas vezes derrotado, até que, em l897, promoveu o massacre de milhares de camponeses. Os participantes alegaram, também, o risco de o Caldeirão cair nas mãos de lideres marxistas.

O ataque foi definido, mas na hora da invasão o beato José Lourenço fugiu a Floresta da Chapada do Araripe.De lá fugiu para o Exu onde veio a falecer em 1946 vitima de peste bubônica. Na morte a humilhação final. Seus seguidores carregaram o caixão  por 70 km a pé até Juazeiro do Norte. Monsenhor Juveniano Barreto disse que não celebrava missa para bandido e não permitiu a entrada  do corpo na capela. Os seguidores então  enterraram o corpo no Cemitério do Socorro. O beato José Lourença sobreviveu a tudo e hoje é referencia de resistência popular  e como defensor das mais simples aspirações do povo nordestino: a de fazer brotar a paz e fartura do solo árido do sertão.

Comunicação: veículos públicos mostram diferencial, mas buscam ser reconhecidos

Radcom“Possibilitar que os cidadãos consigam se comunicar por meio do rádio em locais onde eles não têm outro acesso à comunicação, porque não tem sinal de internet, celular não pega, nem televisão”. Esse é, para Mário Sartorello, gerente da Rádio Nacional da Amazônia, o papel da instituição, uma das nove emissoras públicas produzidas pela Empresa Brasil de Comunicação (EBC).

Criada por meio da Lei 11.652, de 2008, a EBC é hoje a principal expressão do sistema público de comunicação. Ainda em construção, esse sistema só veio a ser regulamentado com o estabelecimento da norma, embora a Constituição Federal, que estabelece a complementariedade dos sistemas público, privado e estatal, já apontasse a sua necessidade.

“Até então, você tinha experiências regionais de emissoras não comerciais, a maioria delas não era pública, era estatal, eram veículos vinculados aos governos dos estados”, destaca o professor da Escola de Comunicação e Artes da Universidade de São Paulo (ECA-USP) Laurindo Lalo Leal Filho.

O atraso na criação do sistema público e o fato de o Brasil ter, historicamente, privilegiado os meios comerciais deixaram algumas lacunas no modelo de comunicação do país. Uma delas é a pouca clareza sobre o caráter diferenciado dos veículos públicos.

Para o diretor-geral da EBC, Eduardo Castro, a população ainda precisa se apropriar desses meios. “Essa é, talvez, a coisa mais importante: essa percepção da população de que isso aqui é um meio de comunicação de todos nós brasileiros. Cada um de nós tem um pedaço e o país como um todo é o dono dele, na sua integralidade”, destaca.

De acordo com a legislação, o sistema público tem o objetivo de promover acesso à informação por meio da pluralidade de fontes de produção e distribuição do conteúdo; produzir conteúdos educativos, artísticos, culturais, científicos e informativos; estimular a produção regional e independente, dentre outros.

Para tanto, deve ter “autonomia em relação ao governo federal para definir produção, programação e distribuição de conteúdo no sistema público de radiodifusão”, bem como garantir “participação da sociedade civil no controle da aplicação dos princípios do sistema público de radiodifusão, respeitando-se a pluralidade da sociedade brasileira”.

Esses princípios norteiam a programação dos veículos, que privilegiam programas infantis, jornalísticos, culturais e de debates. Embora todos os especialistas consultados pela Agência Brasil apontem que esse modelo ainda precisa ser consolidado, inclusive para garantir mais independência em relação aos governos, é possível perceber diferenças na cobertura, que tem como foco o cidadão, independentemente de aspectos comerciais.

O exemplo europeu

Especialista em estudos sobre comunicação pública, Laurindo Leal Filho acredita que, desde a criação da EBC, o debate sobre os meios públicos tem crescido no Brasil. Uma diferença significativa em um país em que “muitas gerações nasceram e morreram achando que a comunicação é um negócio privado”.

Ele compara a situação com a vivenciada no continente europeu, onde, desde o surgimento do rádio, na década de 1920, os estados nacionais tomaram para si a incumbência de promover a radiodifusão. O caso mais emblemático é o da britânica BBC, do qual se destacam os dois elementos centrais para que um veículo possa efetivamente ser considerado público, na avaliação do professor: a legislação e os mecanismos para garantir a participação social.

“No caso da BBC, a participação é alta por meio dos conselhos, dos mecanismos e órgãos reguladores que eles têm para que o público possa intervir no meio público e, principalmente, pelo financiamento, que é todo feito pelo público”, explica.

Para financiar a produção e a transmissão de TV, dos serviços de rádio e internet oferecidos à população pela BBC, é cobrado um imposto anual por domicílio que tenha aparelho de televisão. O valor, que vai diretamente para os cofres da empresa, está em torno de R$ 550.

“Isso tem dois aspectos. Primeiro, o aspecto da independência total em relação ao governo e ao Estado. E, em segundo lugar, gera no público um sentimento de poder sobre a BBC. Se eu pago, eu exijo qualidade. Há um estreitamento muito grande da relação entre o cidadão e a empresa. As cobranças são muito fortes, e há espaços para que elas sejam feitas, tanto na mídia quanto em mecanismos que facilitam essa interlocução dos cidadãos com a BBC”, detalha Laurindo Leal.

O caso britânico não é o único. Alemanha, França, Canadá, Argentina, Colômbia, Portugal e Japão, entre outros países, também têm meios de comunicação sem fins comerciais. A forma como se relacionam legalmente com o Estado e como angariam recursos difere em cada caso. Alguns não podem veicular publicidade para não comprometer o conteúdo público com a busca pela audiência e a veiculação de propagandas. Outros sistemas adotam a publicidade, como as emissoras da Alemanha, que também cobram taxas anuais pela prestação dos serviços.

Os desafios institucionais dos veículos brasileiros

No Brasil, um dos desafios para a consolidação do sistema público é a diversificação das fontes de renda, segundo Eduardo Castro. Hoje, a EBC, por exemplo, recebe recursos do Estado, via Secretaria de Comunicação Social, bem como de serviços que presta, como produção de publicações, e ainda com a exibição de apoio institucional, já que a empresa é proibida por lei de veicular propaganda.

De acordo com Eduardo Castro, essa diversificação será maior a partir da arrecadação dos recursos da Contribuição para o Fomento da Radiodifusão Pública, instituída pela lei que criou a EBC.

Segundo a norma, os recursos da contribuição, formados por um percentual do Fundo de Fiscalização de Telecomunicações (Fistel), devem ser divididos da seguinte forma: 75% para a EBC; 2,5% para a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), que recolhe a taxa, e 22,5% para as demais emissoras públicas. A forma como será feita a distribuição para as demais emissoras ainda não foi definida.

Desde 2009, os valores vinham sendo depositados em juízo, devido a contestação das empresas de telecomunicações. Após disputa judicial, os recursos começaram a ser liberados no ano passado. Apenas a liberação dos depósitos da empresa TIM aportará cerca de R$ 320 milhões, que irão para a Conta Única do Tesouro Nacional. Será preciso, agora, garantir o envio às emissoras.

Outra meta da empresa é ampliar a participação social. Hoje, a EBC tem um Conselho Curador que é formado, segundo composição descrita em lei, por 22 membros: 15 representantes da sociedade civil, quatro do governo federal (ministros da Educação; Cultura; Ciência, Tecnologia e Inovação e Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República), um da Câmara dos Deputados, um do Senado Federal e um funcionário da própria empresa.

Embora os representantes da sociedade civil sejam indicados e recebam votos de outras entidades, cabe à Presidência da República indicar os representantes que assumirão o conselho. Um modelo que, na opinião de Laurindo Leal, limita a participação. O Conselho Curador da EBC tem atuado frequentemente com a sociedade, promovendo audiências públicas, reuniões abertas e debates sobre temas diversos, como a qualidade da cobertura, a autonomia no conteúdo e na participação. A instância também opina e interfere na elaboração de avaliações e metas da empresa.

A existência de conselhos como o da EBC deveria ser uma das marcas das emissoras públicas. No entanto, poucas são as que têm conselhos eleitos e atuantes, lamenta o presidente da Associação Brasileira das Emissoras Públicas, Educativas e Culturais (Abepec), Pedro Osório.

Ele defende a criação de normas para organizar a atuação dessas emissoras, diferenciando-as dos meios estatais, especialmente nos casos de veículos ligados a administrações estaduais e municipais.

Digitalização: problema ou possibilidade de ampliação?

Osório também destaca a preocupação com o processo de transição para o universo digital, porque emissoras espalhadas por todos os estados do país enfrentam “grande dificuldade de migrar para a tecnologia digital, seja por falta de recursos para a compra de equipamentos ou por falta de quadro técnico atualizado no sentido de viabilizar um projeto de digitalização”.

Para resolver a situação, ele defende políticas públicas voltadas a esse segmento, com o incentivo à formação tecnológica e a abertura de linhas de crédito específicas para a aquisição de equipamentos. Sobre financiamento, ele diz que é necessário ampliar as formas de contribuição da sociedade na gestão e manutenção desses veículos, de modo que, além de serem sustentáveis, possam ser públicos de fato.

Um problema ainda maior chegou a ser enfrentado por esses meios. Na discussão do leilão da faixa de 700 Megahertz (Mhz), que será utilizada para oferta de internet em alta velocidade, a 4G, organizações como o Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação (FNDC) alertaram para a possibilidade de os canais públicos perderem lugar no espectro. Em maio deste ano, o ministro das Comunicações, Paulo Bernardo, garantiu que as emissoras terão espaço garantido.

O presidente da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), João Rezende, diz que a digitalização não vai interferir nos meios de comunicação existentes. “[Foram feitos] regulamentos de interferências, estudos de replanejamento de canais no Brasil inteiro, e todo mundo que está hoje [na faixa] está garantido. Ninguém vai ficar fora do ar”, diz. Ele aponta ainda que essa é uma janela de oportunidades para esses meios, já que apenas eles podem praticar a multiprogramação. “Um canal hoje, que é analógico, é um canal. No digital, você pode fazer oito. É um ganho violentíssimo”, avalia. 

Diante desse cenário, o diretor-geral da EBC aponta que a digitalização pode ampliar o alcance dessas emissoras. Em 2013, segundo dados oficiais, a empresa chegou a 3.580 cidades brasileiras. A Rede Nacional de Comunicação Pública de Televisão, encabeçada pela empresa e que conta com veículos universitários e educativos, ampliou seu alcance para 55 geradoras e 728 retransmissoras de TV.

“Com a mudança para o digital, tem mais gente nos procurando. A gente já começa a discutir como vai ser a rede do futuro da EBC, essa rede analógica que temos hoje em dia não vai atender às necessidades quando toda digitalização tiver executada, quando a migração estiver pronta. É algo que já nasceu, já está aí, mas, de certa forma, está sendo rediscutido por causa das mudanças de cenário que são impostas para a comunicação como um todo”, destaca Castro.

Agência Brasil

Comunicação: saiba como funciona e o que movimenta o setor

TvA televisão é o meio de comunicação mais usado pelos brasileiros, que passam, em média, 3h30, diante da telinhaValter Campanato/Agência Brasil

Em 97% dos lares do país, ela está ali, ocupando o centro da sala. A televisão é o meio de comunicação mais usado pelos brasileiros, que passam, em média, 3h30, diante da telinha, segundo dados da Pesquisa Brasileira de Mídia 2014, da Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República.

Após seu surgimento, nos anos 50, a TV não só superou rádio e jornais como virou campeã em cobertura e faturamento. Hoje, entretanto, essa hegemonia está ameaçada. As tecnologias de informação e comunicação (TICs) têm alterado o cenário das comunicações no país. No rastro do desenvolvimento dessas tecnologias estão em curso mudanças em ações cotidianas como escutar música, ler livros, relacionar-se com os amigos, comprar e, até mesmo, brincar.

Para entender essa realidade em constante mutação, a reportagem conversou com especialistas, integrantes de movimentos sociais, empresários do setor e agentes governamentais. Tudo para detalhar como funciona e o que está mudando no sistema de comunicação brasileiro, tema da série de reportagens que a Agência Brasil publica nos próximos dias.

Em comum a todos os entrevistados está a compreensão de que esse sistema é cada vez mais complexo.  “Uma tecnologia nunca suplanta inteiramente a outra. Você convive com essas múltiplas tecnologias e modos de comunicação ao longo da história”, analisa a professora da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) Marialva Barbosa.

O ritmo da tecnologia e o desafio da regulação

A busca por novas formas de comunicar não é inédita. Marialva lembra que a história da comunicação foi pautada pela produção de tecnologias que trouxessem a possibilidade de comunicar além dos limites do tempo e do espaço. “Desde a invenção da imprensa, quando você passou a poder copiar os textos; com o telégrafo, que inaugura outro modo de transmissão, porque você não precisa mais carregar o meio de comunicação; e com o rádio, que rompeu o limite do espaço físico, essa é a história de ações humanas que querem tornar mais eficiente o ato de comunicar”, explica.

O Estado, que desde os anos 1930 passou a regular diretamente o setor das comunicações, não acompanhou o ritmo dessas mudanças na maior parte das vezes. Na avaliação do professor da Universidade de Brasília (UnB) Murilo Ramos, a principal lei que organiza o setor, o Código Brasileiro de Telecomunicações (CBT), de 1962, “está completamente defasado”.

A Constituição Federal também dedica um capítulo inteiro à comunicação social. Mas Murilo Ramos lembra que, até hoje, o capítulo que trata do tema não foi regulamento. Ele cita, como exemplo, o artigo que estabelece que “os meios de comunicação social não podem, direta ou indiretamente, ser objeto de monopólio ou oligopólio” e que deve haver “a regionalização da produção cultural, artística e jornalística”. Os percentuais, contudo, não foram fixados, assim como os limites de atuação dos grupos e os mecanismos para evitar a concentração do mercado.

Novas regras?

Além do CBT e da Constituição, a comunicação social é tratada em leis específicas, a exemplo das normas sobre o serviço de TV a cabo e telefonia, bem como por decretos, portarias e acordos internacionais dos quais o Brasil é signatário. Para o presidente da Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão (Abert), Daniel Slaviero, esse é um setor bastante regulado o que torna desnecessária a criação de novas regras para nortear a atuação das empresas. Ele avalia, entretanto, que “a tecnologia caminha muito mais rápido do que a legislação”.

Opinião contrária é apresentada pelos movimentos sociais que apontam a alta concentração de mercado e das fontes de informações como um problema para a democracia. “A comunicação é uma política pública. O Estado tem que ser o regulador e garantidor dessa política pública para que todos possam exercer o seu direito com plenitude”, defende Rosana Bertotti, coordenadora do Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação (FNDC).

Para reverter esse quadro, o fórum e dezenas de entidades encampam campanha de coleta de assinaturas em apoio ao Projeto de Lei de Iniciativa Popular da Mídia Democrática. O projeto pretende, entre outros pontos, fortalecer o sistema de comunicação público, a regionalização da produção, a garantia do respeito aos direitos humanos na mídia, bem como evitar a concentração do mercado com o intuito de democratizar o rádio e a televisão brasileira.

“Esse é o grande déficit normativo que o país conhece até hoje, diferentemente, por exemplo, da velha telefonia que hoje está convergindo para oferta de internet e televisão paga, que foi regulamentada na sua forma de distribuição por cabo em 1995 e que agora tem uma forma [a chamada Lei de Serviços de Acesso Condicionado, de 2011]”, avalia Rosana.

Já a rede mundial de computadores só veio a ser regulada recentemente com a aprovação, em março deste ano, do Marco Civil da Internet. Ainda faltam, entretanto, leis para detalhar os princípios gerais colocados pela norma, como a neutralidade de rede e a defesa dos direitos humanos. A expectativa é que o tema volte ao Congresso Nacional no ano próximo ano.

Para além das questões legais, contudo, falta à comunicação ser entendida como política pública, argumenta o professor da Universidade de Brasília (UnB) Fernando Paulino. Para ele, “junto com a lei, acho que também é preciso surgir práticas que garantam que a comunicação seja compreendida como um direito humano e, dessa forma, seja colocada em prática para os cidadãos que já têm formação profissional na área, mas também para outras pessoas que ainda não têm o conhecimento pleno da importância da comunicação para o aperfeiçoamento do sistema democrático”.

 

 

Coragem moral – Por: Emerson Monteiro

Emerson Monteiro 2Ou a dignidade, essa boa fé que justifica viver neste mundo em paz consigo mesmo. Se não, a que se está aqui?… Profissões, fama, riquezas, informações guardadas, tudo o mais que perde o sentido quando some o valor pleno da dignidade face as razões da existência. Postular cargos, destaques, conduzir multidões, reunir patrimônio, são motivos pequenos diante da ordem natural que rege os acontecimentos deste chão. Correr atrás de ilusões pode explicar só enquanto a realidade permanecer à sombra dos dias. A poeira das circunstâncias humana, no entanto, demonstra claramente o nada de vender a alma ao preço das vaidades, pura perda de tempo, energia, saúde, juventude e oportunidade.

Ainda assim, a ausência de sentido sujeita toldar de cinza os projetos sucessivos das pessoas, devido àquela tendência de passar nos cobres a essência de existir, submissos aos instintos imediatos, vítimas da facilidade em trocar por lentilhas o trato bom da verdade absoluta qual instrumento de busca da Perfeição. Poucos, talvez raros, demonstram compreender a urgência de conhecimento verdadeiro na prática das realizações individuais. Largam aos pedaços a juventude nas baladas e nos vícios, abandonado bestialismo que, de perto, acompanha o séquito dos desavisados.

Conquanto as respostas rasguem os olhos de gerações e gerações face aos frutos estragados que produziram as histórias melancólicas, inúmeros batem cabeça no erro. Padecem da teimosia de representar papeis secundários, esquecidos da possibilidade dos papeis principais, nos palcos das jornadas pessoais.

Nisso, o que bem caracterizaria crescimento evolutivo nesta escola do tempo, haverá inestimável infinito maravilhoso na Criação que vira mero prejuízo de irresponsabilidades e satisfações indiferentes.  

Quanto ao preço de ser digno se pagará, sim, pois este lugar provisório onde ora habitamos impõe condições por vezes extremas, dados limites da pequenez relativa das sementes que nascem com esforço. Isso lembra frase de  de Castro Alves, quando diz: Que sou pequeno, — mas só fito os Andes… E adiante persistirá sempre sol no caminho de quem aceita de viver com Dignidade as honras de ser feliz.

O ferreiro de Barcelona – Por: Emerson Monteiro

As trevas da Inquisição lastravam a Europa de terror e mártires. A Idade Média anulara os anseios religiosos da grande população através de cruel intolerância, solapando liberdades civis qual peste sulfurosa. Durante o século XIII, se cometeram ignomínias e atrocidades, ações que iam do confisco de bens a execuções sumárias, torturas e castigos inimagináveis.

No auge disso tudo, na cidade espanhola de Barcelona existia ferreiro afamado que ganhava a preferência dos executores na confecção de instrumentos requintados adotados pela repressão impiedosa. Suas algemas mereceriam mais respeito face ao primoroso zelo com que as manufaturava, sem existir quem pudesse superar na qualidade. Atendia com sobras as encomendas que viessem. De suas produções jamais alguém escapara. Um profissional e tanto o ferreiro daquelas peças de trancar os perseguidos da oligarquia religiosa que avassalava esse período trágico, no combate a idéias renovadoras e no escarmento das vítimas.

Pois bem, esse homem até se orgulhava disso: Ninguém se livraria das suas tenazes; ninguém, quando preso, fugiria dos atrozes mecanismos. O Infinito, porém, justo e sobranceiro, guarda lá surpresas, na ronda dos aparentes ditames da monotonia do tempo.

Dias e noites passavam céleres, até que, durante festa de insistentes brindes, perante vasta multidão, o ferreiro, animado além do tanto nos assuntos do vinho, excedeu-se em palavras, deixando vazar segredos inconfessáveis aos quais chegara por via do prestígio adquirido junto à cúpula do Santo Ofício. Na carraspana, revelara notícias que determinariam seu próximo destino feito nas armadilhas da língua.

Coisa pior não poderia acontecer. Cairia desse jeito nas garras mortíferas do mesmo tribunal a quem servira com esmero. A equipe dos doentes espirituais, por meio de julgamento sumário, cuidou da sua condenação, ficando desfeita a velha aliança de ferreiro e cliente.

Após o pesadelo das primeiras horas, ele despertou desnudo em solo úmido de infecta masmorra, colado de frio a pedras ásperas. Sentiu preso nos pulsos pelos crivos de metal enegrecido. Entre dormido e acordado, buscou esperanças no manuseio profissional dos mecanismos que o retinham junto da tosca parede. 

Recobrou lentamente os sentidos para perceber (qual surpresa desagradável!) que se via atravancado nos braços e pernas por dois pares das algemas que produzira na quase na véspera da infausta comemoração onde perdera a liberdade, sentenciado ao merecimento torpe que antes auxiliava outros a experimentar.

Em seguida e desencantado, se rendeu a esperar o improvável, como ocorre nas situações semelhantes, quando na medida com que medirmos medir-nos-á também a nós.

O presente – Por: Emerson Monteiro

 Emerson Monteiro 2Na China existiu um velho guerreiro que nunca fora derrotado. Apesar da  idade avançada, era capaz de lutar com os mais novos e sempre levar a melhor. Sua fama atravessava o país, correndo mundo afora. Seus alunos o admiravam e respeitavam seus ensinos.

Lá um dia outro guerreiro famoso se apresentou disposto a medir forças com o Mestre, porquanto sabia do prestígio que desfrutava e trazia em si o firme propósito de vencê-lo em combate de proporções jamais presenciadas. Queria ser o primeiro a derrotar aquele senhor da luta.  

O desafiante, além de apresentar força e habilidade inigualáveis, possuía talento sem igual para descobrir pontos fracos nos oponentes, explorando-os até conseguir anular-lhes a concentração e vencer a resistência, destarte triunfando em todos os combates. Forçava os adversários a revelar as fraquezas, atacando-os, então, com extrema bravura. Dadas tais características, depois do primeiro momento de duelo ninguém resistiria a seus golpes fatais. (Descritas as características de ambos os lutadores, prossigamos a história).

Sabedor das intenções do desafiante, o Mestre de pronto aceitou o desafio, no que pesassem as observações zelosas dos discípulos a preveni-lo. E veio a data do embate cercada de grande pompa, a reunir enorme multidão.

Os dois se posicionaram com o jovem guerreiro principiando a fazer provocações verbais usando de xingamentos vis, a lançar punhados de areia e cuspir no rosto do adversário, gestos que se repetiram por longos e longos minutos.

Entretanto, impávido, o velho guerreiro resistiu sem perder a tranquilidade, extático, calmo e dono da luta, se mantendo à frente nos golpes. Não demorou muito a derrotar o petulante agressor que, por fim, se esquivou envergonhado debaixo de apupos e vivas.

Desconcertados por ver o Mestre se manter passivo no decorrer de quase toda a luta, os alunos quiseram saber a razão desse tipo de atitude em faca das agressões sofridas:

- Por que o senhor teve de suportar tanta humilhação sem impor qualquer resposta, e esperar tanto para revidar as ações do opositor e chegar à vitória?

- Quando nos mandam um presente e nós evitamos receber – ele respondeu -, esse presente fica nas mãos de quem oferecer. Dessa forma, retorna a quem o enviar.

Mistérios da mente – Por Sandro Vaia.

SandroVaiaA palavra esquizofrenia vem do grego e, simplificadamente, significa “dividir a mente em dois”.
Ela define um transtorno da mente que pode ser tratado farmacologicamente ou, dependendo do diagnóstico, por terapias psicanalíticas.
Há alguns tipos de esquizofrenia de natureza política que não estão classificados nos compêndios médicos e que jamais foram estudados – de forma que a cura se torna incerta, ou mesmo impossível, dependendo de sua origem.
Por exemplo: como se explica, clinicamente ou politicamente, todo o peso institucional com que o governo resolveu, no período pré-Copa, tratar os baderneiros que encheram as ruas e incendiaram, destruíram e saquearam bens públicos e privados, aos gritos de “não vai ter Copa”, ao mesmo tempo em que um dos seus ministros mais importantes, Gilberto Carvalho, da Secretaria da presidência, trocava receitas de quindim de côco com eles?
Como se explica que o ministro da Justiça desse mesmo governo tenha dito que “não toleraremos abuso de qualquer natureza, e as pessoas que praticarem ilícitos responderão nos termos da lei penal”, e que quando os termos da lei penal começam a ser aplicados, o presidente do partido desse mesmo governo proteste contra a prisão de quem praticou esses ilícitos?
O partido declarou em nota assinada pelo seu presidente que a prisão dos chamados “ativistas” (um jargão modelo 2.0) é “uma grave violação dos direitos e das liberdades democráticas”.

Quanta verdade – Por Antonio Morais

 

PoliticoSafado

Jamais vi declaração mais verdadeira. Vagabundo é um povo que se vende, vota por paixão, por raiva, por simpatia, e, nunca pela razão.
Lula, o Cara se elegeu duas vezes com um discurso piedoso, chorão, mentiroso, explorando a pobreza, a nação nordestina, sem nada por ela fazer, a não ser  torná-la  mais viciada e dependente da esmola e da vergonha. Como dizia Luiz Gonzaga em “Vozes da Seca”.
12 anos depois da primeira oportunidade, sem nada de proveitoso ter feito, continua se estrebuchando, mentindo para obter a piedade de um povo que não enxerga um palmo adiante da venta. 
Quando eu via um casal acidentado de moto chegar ao hospital, um morrer e o outro ficar aguardando  a morte sem atendimento, eu lamentava. Hoje já não lamento mais. A morte está sendo plantada e irrigada no terreno fértil da irresponsabilidade  do PT, do Lula, da Dilma. 
Então, como está na charge, safado é você que vota, que alimenta esses vermes.

Assessores de comunicação são parceiros, não aproveitadores – Por Beto Fernandes

PautaCostumo dizer há anos que dentre as muitas atividades difíceis que conheço na comunicação estão narrar jogo de futebol no rádio e, principalmente TV, apresentar programa jornalístico e concentrações públicas em período eleitoral.No rádio o locutor precisa criar toda uma situação para que o ouvinte se sinta ali, vendo o drible, a jogada, a falta, o toque refinado na bola até explodir de emoção como num clímax de prazer no grito de gooooooool! Na TV complica porque você precisa ser obvio já que o telespectador verá que o jogo não está bom como o narrador quer em função das conveniências comerciais.

O noticiarista político, o âncora, tem o dissabor de ser amado e odiado porque ao comentar sbre um partido X ou Y um político A ou B agrada e desagrada. A raça de político adora ser elogiada, mas quando é questionada se sente ofendida e o profissional que critica é subversivo ou ‘marronzista juramentado’ como diria Odorico Paraguaçu.
A situação fica mais grave quando todos notam que o apresentador não está seguindo a linha de formação de opinião, ou para ajudar nesse sentido, e acaba sendo obrigado a seguir a linha editorial política do empresário dono da emissora. Considerar a mídia como um poder independe é piada porque ela mais aliena que ajuda, de fato.
Sobre apresentação de concentrações públicas pondero a necessidade de criatividade para segurar uma reunião ou comício durante uma hora e meia, muitas vezes duas horas, com discursos longos, prolixos, chatos e burros na maioria. Com o fim dos showmícios fica difícil reunir pessoas em torno de um candidato que pretende apresentar suas propostas. O comunicador/apresentador é um diferencial e nisso, só tem espaço para os muito bons mesmo.
Feitas estas observações acrescento, por fim, outra atividade complexa: fazer comunicação institucional. Cada vez mais é complicado noticiar ações de um Governo, seja Federal, estadual ou Municipal. Como estou de volta a labuta quero agradecer a cada amigo radialista, jornalista, produtor-executivo de notícias, apresentador, colunista e blogueiros por receber e eventualmente publicar nossas sugestões de pautas.
Como disse, são sugestões e, apenas isso: sugestões. Você utiliza de acordo com sua criatividade, seu potencial técnico de apurar e utilizar a informação. Como Assessor de Comunicação Social sei que você não tem nenhuma obrigação de lê-la, mas se for uma pauta inteligente, razoável e de interesse coletivo, por que não aproveitar? Mais que isso, além de noticiar mantenha contato com as partes e convide as pessoas e técnicos envolvidos para uma entrevista não é verdade?
Compreendo que um programa seja no rádio ou TV, um blog ou jornal, antes de ser alguém é de várias pessoas.
Da mesma forma que você não tem obrigação de ler o assessor de comunicação ou a instituição que ele faz parte, necessária e obrigatoriamente não tem também de pagar pelo “serviço de leitura” não é verdade?
Pautar sim, apelar para divulgar, jamais!
Os assessores de comunicação são parceiros, não aproveitadores.

Os dez conselhos de Santo Antônio Maria Claret – por Armando Lopes Rafael

 

    Semana passada estive na belíssima Basílica Menor de Nossa Senhora de Lourdes, um templo em estilo neogótico, existente no centro de Belo Horizonte (MG), e, inegavelmente, uma das mais belas igrejas brasileiras. Essa igreja é administrada – desde o início da sua construção –, pelos padres claretianos, uma congregação religiosa fundada por Santo Antônio Maria de Claret.
   Acredito que o leitor nunca ouviu falar no nome deste grande santo: Antônio Maria Claret, nascido em 1807 em Sallent (Província de Barcelona – Espanha), Ele, fisicamente, era um homem de baixa estatura, temperamento ardoroso como são quase todos os catalães. Antônio Maria era oriundo de uma família bastante piedosa, que sobrevivia financeiramente na fabricação artesanal de tecidos. Por isso, ajudou o pai numa fábrica de tecidos até os 22 anos. Depois entrou para o seminário já que almejava um sacerdócio santo e como padre desejou consagrar-se nas difíceis missões da Espanha.
   Alguns anos depois de ordenado padre, Antônio Maria Claret foi promovido a Arcebispo da cidade de Santiago de Cuba. À época aquela ilha do Caribe era uma colônia espanhola,  mas sua população tinha a fama de possuir uma  situação moral  – já naquele recuado tempo – muito decadente. Santo Antônio Maria Claret dedicou-se à conversão da ilha cubana, e quando começou a obter a emenda dos costumes, desencadeou-se uma reação intensa contra ele. Sofreu tantas e tão fortes oposições, e até atentados contra sua vida, que a Rainha da Espanha acabou intervindo e o retirou daquelas terras. Dizem que ao deixar Cuba ele fez uma profecia de que a população daquela ilha, no século XX e início do século XXI, seria governada por uma dinastia cruel e corrupta, como castigo de Deus por terem rejeitado a verdadeira fé.
   Desde 1959 os irmãos Fidel e Raul Castro vêm governando Cuba, de forma tirana, sustentado-se no poder graças ao uso do chicote e das baionetas, contra a população paupérrima e indefesa.
    Mas voltemos a Santo Antônio Maria Claret. Na Basílica de Lourdes, em Belo Horizonte, ouvi falar nos dez conselhos deixados por aquele santo. Achei-os bem interessantes e, dito isso, repasso-os para conhecimento do caro leitor. A conferir.
1. Não deixes para ninguém o que tu mesmo podes fazer.
2. Não disponhas do dinheiro, antes de tê-lo em mãos.
3. Não compres coisa alguma, por mais barata que seja, se não a necessitares.
4. Evita o orgulho, porque é pior que a fome, a sede e o frio.
5. Nunca te arrependas de ter comido pouco.
6. Toma sempre as coisas pelo lado suave e seguro.
7. Se estiveres zangado, conta até dez antes de responder, e se estiveres ofendido, será melhor contar até 100.
8. Pensa bem antes de dar conselho e esteja pronto para servir.
9. Fale bem do teu amigo; e de teu inimigo não fales nem bem nem mal.
10. A resposta suave e humilde quebranta a ira, as palavras duras excitam o furor.

História do Brasil: ‘A República foi um golpe de Estado’

(entrevista concedida e publicada no jornal “O Globo”)

Dom Carlos Tasso de Saxe-Coburgo e Bragança
No Brasil para lançar um livro sobre as viagens de Dom Pedro II à Alemanha, tataraneto do imperador diz que Brasil é maior que qualquer governo
“Tenho 82 anos, oito filhos e dezesseis netos. Estou lançando um livro sobre as viagens de meu tataravô, Dom Pedro II, à Alemanha. Sou casado há 46 anos com uma prima, tataraneta da rainha da Áustria. Meu nome é um conglomerado de nacionalidades. Vivo em Portugal, mas morei 12 anos no Rio, em Copacabana’’
Conte algo que não sei
Na autobiografia de Dom Pedro II há um pedaço do diário anexado ao livro que estou lançando sobre suas visitas à Alemanha. Ali ele escreve como deve ser um imperador, e diz que inveja os presidentes da República. Muitos disseram que ele era republicano. Não era republicano nada. Tinha mais de 20 anos de governo. Era um peso. Tinha que governar até morrer. Um presidente depois é livre, vai ter um boa vida, viajar, estudar. Foi inveja mesmo, um grito à liberdade.
O que mais o livro revela?
Dom Pedro descreve como se tratam os dinheiros públicos. Qualquer desperdício é um furto à nação. Por exemplo, fazer um porto em Cuba ou no Uruguai. Isso ele não teria feito.
Por que escrever sobre a relação com a Alemanha?
Já foi escrito sobre a viagem dele à Rússia, à Escandinávia, ao Egito. Ano passado foi o ano do Brasil na Alemanha, e nada se sabia sobre as quatro viagens que ele fez ao país. Muito material sobre a viagem não existia porque Dom Pedro viajava como particular, não fazia viagens oficiais, pagava seus deslocamentos. Ele praticamente iniciou o que hoje temos como viagens à prestação.
O que motivou as viagens?
Em 1870, morreu de tifo, em Viena, sua filha, irmã de D. Isabel, a princesa Dona Leopoldina, sepultada na Alemanha. Ele queria ir, rezar no túmulo dela. Na quarta viagem, já como imperador destronado, só lhe davam bom-dia, sem honras. Visitou grandes indústrias, como a Krupp. Não queria comprar canhões, era antimilitarista, mas achou que o Brasil tinha que estar na vanguarda da técnica e bem guarnecido, depois do caso do Paraguai.
Como foi viver no Brasil, com esta herança?
Um peso. Antes muita gente dizia: com esse nome, facilita. É o contrário. Se eu me chamasse Antônio, teria sido muito mais fácil. Mas temos que oferecer uma parte própria de sabedoria e de prática. As pessoas valem pelo que elas são e não pelo nome que levam.
Qual a história do nome?
Sou um conglomerado de nacionalidades. Tenho parentes no mundo inteiro, sangue italiano, alemão, inglês, português, espanhol. Procuro tirar o melhor de cada pedacinho.
Seus filhos falam a língua?
Todos. Fizeram estágio aqui. E têm nome brasileiro: um é Afonso Carlos, o outro José, outro Antônio, outra Leopoldina… Quanto mais conheço o mundo, mais aprecio o Brasil, com todos os seus defeitos. É um país extraordinário, com uma natureza maravilhosa. Gostaria de voltar a ser fazendeiro, criar umas vaquinhas.
O Brasil esquece a história?
Muita coisa caiu no esquecimento voluntariamente pela República. A História é escrita pelo vencedor. As grandes bases da República de hoje foram feitas pelo Império, em todos os sentidos. Uma delas foi a dignidade que o imperador imprimiu à coisa pública.
A República foi culpada pela deterioração da política?
A República, antes de mais nada, foi um golpe de Estado. Eles tiveram medo de uma reação do povo, por isso embarcaram Dom Pedro de noite. Isso já foi um sinal de fraqueza muito grande. Não posso dizer que a culpa seja da República. O Brasil é tão rico! E sempre se falava: está à beira do abismo. Por pior que o governo seja, o Brasil caminha. Ele é maior.
(“O Globo”)

Imediatismo – Por: Emerson Monteiro

 Na Bíblia, há exemplo clássico de imediatismo. No livro de Gênesis, exausto e faminto, Esaú, neto de Abraão, aceitou de bom grado a proposta de Jacó, irmão seu, para trocar o direito de primogenitura por um simples prato de pão, caça guisada e lentilhas. Sem medir as consequências do gesto, se rendeu ao impulso do momento, refugando o futuro melhor que lhe aguardaria.

Tantas e tantas histórias existem dessas atitudes irreverentes que não custa notar o quanto rotineiro virou comportamentos de pessoas agirem por impulso, a considerar apenas irresponsabilidade, preguiça e má fé como coisas naturais para si e os demais. Esquecem, na prática, que a vida é longa e o pensamento, breve, palavras sábias do cancioneiro popular.

A política disso preenche inúmeras páginas, com homens e mulheres, nas suas funções profissionais consagrados médicos, advogados, sacerdotes, jornalistas, artistas, exímios e valorosos, largar tudo para demandar as tetas do erário público. Lá, longe de origens reais e vocacionadas, trafegam alienados peixes fora da água, zumbis de gabinetes e corredores, que se põem perdidos no campo das vaidades e do poder escorregadio, em detrimento da competência necessária ao exercício do comando.

Outras formas de imediatismo acontecem nas aventuras e conquistas das civilizações colonizadoras. Espanhóis a destruir os povos do Novo Mundo, astecas, maias e incas, à cata de sonhos materiais e botins da ganância. Portugueses, na febre das esmeraldas, em matanças e destruições dos primitivos da Vera Cruz. Invasões bárbaras da Europa. Ingleses e franceses na espoliação da Ásia e da África. Tudo somado aos crimes ambientais há décadas promovidos na ocupação dos recursos naturais de matas, rios e mares, em prejuízo da rica e dadivosa Natureza, e reações da existência na Terra.

Isso também vista a jornada coletiva que devolve o pensamento a estados melancólicos, diante dos equívocos cometidos: Então replicou Esaú: Eis que estou a ponto e morrer; logo para que me servirá o direito de primogenitura? Jacó deu a Esaú pão e o guisado e lentilhas; e ele comeu e bebeu; e, levantando-se, seguiu seu caminho. Assim desprezou Esaú o seu direito de primogenitura, confirma o texto bíblico (Genesis 25, 32) lá no Antigo Testamento.


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HOMENAGEM DA SEMANA


CORREINHA

O Chapada do Araripe presta homenagens a um dos maiores mestres da cultura popular que faleceu em Crato recentemente, Francisco Correia de Lima, o Correinha, artista de várias linguagens atuante no município do Crato. Mestre Correinha nasceu no município de farias Brito no dia 14 de fevereiro de 1940, mas era um amante inveterado do Crato, município ao qual costumava fazer referências em suas canções. Talvez por não ter tido seu nome incluído nas listas anuais de mestres reconhecidos pelo Governo do Estado desde 2004, mestre Correinha tenha sido sepultado em meio a homenagens comoventes de moradores do município, mas, como ressaltaram amigos e familiares, sem o devido destaque por parte do Poder Público. Situação destacada durante a sua missa de corpo presente, enriquecida pelo acordeon de Hugo Linard, com quem Correinha gravou recentemente, 15 canções que agora constituem o último registro de sua obra. Segundo o próprio Hugo Linard, as canções registradas nesse último trabalho de Correinha em estúdio são, na maioria, inéditas. ´Ele gravou também ´Belezas do Crato´, mas as outras não tinham registro´, diz, citando canções como ´Coisas do meu sertão´, ´Exaltação a Barbalha´, ´Crato de Açúcar´ e ´Meu Cariri´ e ´Balanceio´. ´Fazia tempo que a gente tava cutucando ele, dizendo que ele tinha que gravar de novo. Ele fez dois compactos e outros discos, no tempo do vinil, além de vários cordéis´. Hugo Linard chama atenção para aspectos peculiares da trajetória de Correinha. ´Ele mantinha um bar aqui no Crato e ainda trabalhava como agente carcerário. Era tão querido que os presos pediram à família por ocasião do seu velório, para deixar um pouco o corpo dele lá na cadeia, para eles o homenagearem´.
Dalwton Moura

Jornal do Vicelmo

Todos os dias na Rádio Chapada do Araripe - Internet, a partir das 07:00, ouça o Jornal do Cariri com Antonio Vicelmo. O Jornal é retransmitido da Rádio Educadora do Cariri em tempo real. Você pode ouvir o programa através da nossa imensa rede de Blogs e websites. Alguns programas antigos estão disponíveis no nosso website Jornal do Vicelmo.

AUXÍLIO À LISTA

Dicas de Filmes



Por trás de todo o grande homem se esconde um professor, e isso era certamente verdade para Bruce Lee que aclamava como seu mentor um expert em artes marciais chamado Ip Man. Um gênio do Wushu (ou a escola de artes marciais da China), Ip Man cresceu numa China recentemente despedaçada pelo ódio racial, radicalismo nacionalista e pela Guerra. Ele ressurgiu como uma Fênix das Cinzas graças à suas participações em lutas contra vários mestres Wushu e lutadores de kung-fu - finalmente treinando icones de artes marciais como Bruce Lee. Esta cinebiografia do diretor Wilson Yip mostra a história da vida de Ip.

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