O Imperador Dom Pedro II e a seca do Ceará (postado por Armando Lopes Rafael)

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(Baseado em texto do livro “Revivendo o Brasil-Império” )

 

Quando o Imperador Dom Pedro II retornou ao seu Império em 25 de Setembro de 1877, após mais de um ano em viagem ao redor do Mundo, tendo visitado os EUA, Canadá, Europa e Oriente Médio, passando pela Dinamarca, Suécia, Finlândia, Rússia, o Império Otomano, Grécia, Terra Santa, Egito, Itália, Áustria, Alemanha, França, Grã-Bretanha, Países Baixos, Suíça e Portugal, mais popular do que nunca no exterior e em seu próprio país, grandes festejos tinham sido planejados para a sua chegada.

Contudo, a satisfação do Imperador de retornar ao lar e ao seu povo foi diminuída pelas más notícias do Ceará, onde a fome rugia após prolongada seca. Dom Pedro cancelou as celebrações oficiais, dizendo que os fundos reservados para esse fim deviam ser empregados no trabalho de alívio aos flagelados. Apesar dos grandes gastos que tivera na viagem, pagos pelo seu próprio bolso, ele destinou parte da sua dotação para a mesma finalidade, visando mitigar os efeitos da seca. Durante uma reunião do Gabinete, o Barão de Cotegipe, João Maurício Wanderley, Ministro da Fazenda informou:

— Majestade, não temos mais condições de socorrer o Ceará. Não há mais dinheiro no Tesouro.

O Imperador baixou a cabeça durante alguns instantes, e depois disse com firmeza:

— Se não há mais dinheiro, vamos vender as joias da Coroa. Não quero que um só cearense morra de fome por falta de recursos.

Com esta frase formou-se uma Comissão Imperial, da qual foram geradas muitas obras públicas de construção de ferrovias e açudes, visando atenuar futuras secas e levando progresso à região afetada. Também foram discutidos planos mais ousados, como a abertura de um canal para levar água do Rio São Francisco para o Rio Jaguaribe, ideia esta ainda hoje polêmica e não implementada por completo. Com este exemplo, se mostra mais uma vez como o Imperador Dom Pedro II demostrou o papel exercido por um monarca ao povo e aos seus ministros, colocando os interesses e as necessidades da nação antes das suas.

Imagem: Retrato de D. Pedro II, 1876.

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Transporte Escolar ! – Por Maria Otilia

 

Atualmente as escolas públicas da cidade do Crato, tanto da rede municipal como estadual passam por problemas sérios de infrequência dos educandos, devido ao problema crucial do transporte escolar. Como educadora e gestora escolar, não posso deixar de questionar junto aos órgãos públicos, o que está acontecendo com a falta de ônibus para fazer as  rotas das diversas localidades  até as escolas.

É sabido por todos nós, que o transporte escolar é uma política educacional que veio para garantir o acesso e a permanência dos educandos na escola. Lembrando que a constituição de 1988 já garantia ações que assegurassem  igualdade de condições para este acesso e a permanência destes estudantes, dentro dos estabelecimentos de ensino.

A  LDB também  garante que cada educando tenha direito no mínimo de 200( duzentos ) dias letivos. Assegurando assim o tempo pedagógico mínimo para que cada criança ou adolescente tenha condições de adquirir competências e habilidades em cada série/ano.

Apesar  da legislação delimitar e definir separadamente a responsabilidade   de Estados e Municípios, em relação ao transporte escolar de seus alunos, a Lei nº 10.709/03, assegura a possibilidade dos entes celebrarem pactos ou ajustes com vistas a promover, em sistema de colaboração, o programa do transporte escolar.

A      Lei nº 10.709/03, no seu Art. 3º afirma que cabe  aos Estados articular-se com os respectivos Municípios, para prover o disposto nesta Lei da forma que melhor atenda aos interesses dos educandos.

Embora o Município não possua a incumbência do transporte escolar dos alunos da rede estadual, pode celebrar termo de convênio com o Estado, ajustando a realização do transporte desses alunos e o repasse de recursos correspondentes, se assim entender de conveniência e interesse da Municipalidade. A celebração de convênio é uma opção dos Estados e Municípios, prevista pelo art. 3º da Lei 10709/03.

Portanto, o município do Crato, optou junto ao estado, celebrar um convenio , comprometendo-se a gerenciar e manter o direito constitucional do educando a ter  o acesso a escola, através do transporte escolar.

Infelizmente, há vários dias, grande parte dos nossos estudantes estão sem o direito de frequentar a escola. Até o presente momento, fomos informados, através da Secretaria de Educação do Município, que vários ônibus estão “ quebrados”, sem condições de trafegar, lembrando que muitos são de empresas terceirizadas. Daí a nossa indagação.: por que a prefeitura ainda celebra convênios com empresas que não podem honrar com a prestação deste serviço de transporte escolar? E os órgãos responsáveis pela garantia deste direito do estudante, simplesmente não fazem nada ? E como fica o tempo pedagógico destes estudantes, sem  a efetivação deste direito ?

Precisamos urgentemente buscar soluções e não “ fecharmos os  olhos” para este problema que vem se repetindo a cada ano. Queremos uma explicação coerente dos gestores responsáveis pela prestação do serviço de transporte escolar. São nossos estudantes que ficam no prejuízo do acesso e a permanência  com sucesso na sala de aula.

São os recursos públicos saindo pelo “ ralo”, quando contratamos ou seja terceirizamos um serviço essencial, sem a devida fiscalização.

Concluímos que enquanto vereadores,deputados,senadores e gestores do executivo “brigam” pelo poder partidário ,  falta a efetivação de políticas públicas voltadas para a melhoria dos nossos indicadores de desempenho acadêmico dos nossos estudantes.

Ficam legislando em benefício próprio, como é o caso do Projeto de lei da Terceirização que vem beneficiar muitos políticos empresários. Inclusive a terceirização do transporte escolar.

Na   minha opinião, é  uma falta de respeito com  os recursos públicos, a contratação de veículos “ caindo aos pedaços” para transportar nossos estudantes. Oferecendo um serviço de péssima qualidade, o que não é oferecido aos filhos destes gestores. Como se o estudante da escola pública não tivesse o direito de um acesso digno até a escola onde estuda.

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Ele vive – Por: Emerson Monteiro

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(Não consegui visualizar sua mensagem Ele vive, mas deduzo que ELE é Jesus.

Ainda não fui eleito crente. Não consigo acreditar na vida eterna. Pelo menos, na minha. Os mistérios da fé não me foram revelados, ainda.

Gosto de guardar algumas observações sobre o assunto, feitas por santos e cientistas. O apóstolo Paulo disse: Se Cristo não foi ressuscitado, nós não temos nada para anunciar e vocês não têm nada para crer. (…) Se Cristo não foi ressuscitado, a fé que vocês têm é uma ilusão (…) Se Cristo não ressuscitou, os que morreram crendo nele estão perdidos.(…) Se a nossa esperança em Cristo só vale para esta vida, nós somos as pessoas mais infelizes deste mundo.

E essa do grande Einstein, a ciência sem a religião é manca e a religião sem a ciência é cega.)

Boas e sinceras as suas palavras, o que bem refere o ânimo da busca. É que os mistérios da Natureza circulam por dentro de nós. O mundo externo só circunstâncias. Mas do que diz, há que haver uma revelação, independente tão apenas do nosso querer individual. Freud dissera que quando a necessidade de mudar é maior do que a necessidade de permanecer, isso significa a autoridade dos acontecimentos na determinação das nossas existências, no senso do mais que perfeito; e nós cuidamos de mudar, nos transformar.

O seu depoimento obtém êxito amplo no que respeita o desejo de que não é só assim inútil viver em um mundo que se acabe em nós. Voltaire argumentava que se Deus não existisse necessário seria que o criássemos. Pois vemos perfeição em tantas ocasiões e somente a gente de nada valer? No entanto há que haver o toque do Eterno, de acordo com a oportunidade exata do encontro com Ele, com Jesus em nós, pois aqui Ele vive e esperar que o aceitemos receber no coração. No texto que escrevi faz algum tempo, A Consciência é o próprio Ser em elaboração, quis abordar esse tema, assunto interno da própria pessoa (vide o blog www.monteiroemerson.blogspot,com).

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Sob a pele das palavras – Por: Emerson Monteiro

 

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Pois existe um mundo que passa bem por debaixo das palavras, formado dos significados delas. Do jeito que há as ações e as intenções, do que é dito persiste algo oculto, nem sempre decodificado por quem ouve ou lê. Equivale a pensamento e sentimento. Máquinas fôssemos, as dos filmes de ficção, seriamos meros produtores de falas, e ponto final. Contudo percorre nas palavras o sentimento, que larga do universo de quem emite e chega a quem recebe, ocasionando o recebimento das mensagens.

Quando se lê ou escuta, ninguém mergulha o universo de que diz, mas, sim, o próprio universo. Ninguém lê ou escuta; se escuta ou lê a si mesmo, num eterno recriar das mensagens, por vezes advindas de milênios anteriores pelas asas da cultura.

Em certo momento das artes, André Breton trabalhou a linguagem da fala no que chamou de escrita automática, quando se deixou conduzir por mãos invisíveis naquilo que escrevia, desvelando o território do Surrealismo,

Eram os tempos das mesas girantes, prenúncios do espiritualismo moderno, bases do Espiritismo Cristão, codificado por Allan Kardec.

Nessa outra dimensão que perpassa as palavras reside o Inconsciente,  mundo pouco explorado da Natureza, abismos profundos da mais pura revelação de Tudo.

Por vezes a banalização das mensagens sujeita sufocar as gerações, qual observado nestes tempos mercantilizados dagora, quando massa informe de saturação do lixo industrial parece vencer o belo e o justo através da superficialidade e do mau gosto. Resta, no entanto, avaliar o poder infinito do mistério que mantém o domínio das existências todas. A sofisticação da civilização desses tempos pareceu conhecer além… o que não passava dos muros do jardim, porquanto cogita até da existência de onze dimensões, enquanto apenas chegamos à quarta dimensão, a que existe debaixo das palavras, já querendo com isso dominar a Eternidade sem antes haver dominando nem a si, esse vale amplo e misterioso.

(Ilustração: Vicenzo Campi).

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Releituras – Por: Emerson Monteiro

 

Revolucao-Francesa

Houve um tempo quando o inesperado complicava o meio do campo da angústia, que instinto selvagem parecia querer jogar fora a canga e destruir de qualquer jeito os quebra-mares dos sistemas de defesa, comodidades vaidosas atiravam tudo para o ar, e acendia dentro de mim fome cruel de romper os grilhões da organização pessoal, no sabor dos caprichos que aparecessem. Com isso, deixava escorrer fácil fácil o ditame das regularidades, invadia outras praias, feria suscetibilidades, a começar pela saúde interna do respeito guardado meses a fio, na malha do esforço de sofrer.
Não queria aceitar que mesmo no calor dos testes necessários habitasse o mistério do drama secular das permanências e conquistas cotidianas visando um tempo feliz. Perdia, a bem dizer, o sentido de tanto melhor das partes, porque desistia de pagar o preço da poupança da paz, naqueles momentos de chegar aos limites e merecer resultados positivos, lições que a vida traz, livre da discriminação de raça, credo, cor, sexo, idade, partido, time, filosofia, indo, nesse prumo, justificar lá adiante o querer sem a comprovação da seriedade, azeite doce da hora de receber o que se ganha, virava espécie de anarquismo crônico. Desistência e revolta. Mas, graças a Deus, isso também passou.
Já hoje, talvez isso que denominam experiência, descubro que inexiste vitória sem a luta. Noites insones, dúvidas, opiniões, renúncia. Bajulação perde a força no que tange ao valor real das sementes verdadeiras. Ninguém, de sã consciência, que aguarde pacote pronto do destino, usufrui da mera credulidade indecorosa, insuficiente, que alimentou. Pode até, nas horas vagas, parecer que ganhou um lance, porém o custo da corre solto atrás dos presságios.
Apresentou-se o desafio, logo de saída, fruto daquela árvore imensa; cresceu, no lodo e no tempo, em perguntas da justiça do merecimento. A cada um conforme o mérito, porquanto a Natureza trabalha nas bases matemáticas, soberanas, longe de peixadas sociais dos mundos tortos.
Quase uma mensagem cifrada indicou, ou plantou ontem, ou haverá de plantar agora, caso pretenda resultados sonhados no futuro. Há normas proporcionais, independentes do que funcionou ao passo da individualidade luxenta, das próprias barrigas avantajadas.
Depois de muito forcejar barras da inconsequência, nenhum vento leve conduz segredos universais só por conta dos belos olhos.
Há sempre batalhas antes da vitória. Luzes das doutrinas humanas mostram claros os primeiros acordes do dia, residência fiel da balança.
O acaso dos dados atirados ao longe indicam os passos antigos dos peregrinos. E suportar espinhos permite a maciez da rosa mais perfeita.
Ilustração: A Liberdade guiando o Povo, de Eugène Delacroix.

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A Revolução Pernambucana de 1817 no Cariri: mito e realidade — por Armando Lopes Rafael (*)

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A então Matriz de Crato (hoje Catedral) foi palco da leitura do "manifesto republicano" do seminarista José Martiniano de Alencar, em 1817

A participação de Crato na Revolução Pernambucana de 1817 tem sido o episódio histórico desta cidade mais exaltado, nos últimos 125 anos. Costuma-se dizer que a história é sempre escrita pelos vencedores. Os revolucionários republicanos de 1817 – derrotados pela contrarrevolução do monarquista cratense Brigadeiro Leandro Bezerra Monteiro – passaram a ser exaltados como heróis, após o golpe militar que impôs a forma de governo republicana no Brasil, em 15 de novembro de 1889. Os feitos desses republicanos de 1817, no Cariri cearense, são divulgados em proporções maiores que os reais, tanto nos meios de comunicação, como por parte de alguns historiadores. Do Brigadeiro Leandro Bezerra Monteiro pouco se fala. Quando se escreve sobre o efêmero movimento que foi a Revolução Pernambucana de 1817, em terras do Cariri cearense, omite-se a decisiva participação do Brigadeiro Leandro, ao debelar aquela revolta. Omite-se, também, a coragem pessoal e cívica de Leandro Bezerra Monteiro naquele episódio.

   Aliás, o historiador cratense J. de Figueiredo Filho, apesar de simpático às ideias republicanas foi veraz ao escrever: “Muito se tem discutido em torno da Revolução de 1817, na Vila Real do Crato. Foi movimento efêmero, que durou apenas oito dias. Ocorreu a 3 de maio de 1817, em consonância com a revolução que eclodiu em Pernambuco. Foi abafada, quase ingloriamente, a 11 do mesmo mês. É verdade que a vila bisonha de então não estava suficientemente preparada para a rebelião que, para rebentar, em Recife, necessitara da assimilação de muitas páginas de literatura revolucionária, da luta entre brasileiros e portugueses, em gestação desde a guerra holandesa e do preparo meticuloso, em dezenas de sociedades secretas, além de fatores econômicos múltiplos”. (01)

   Passados quase duzentos anos daquele episódio, e analisando de forma objetiva vários escritos e opiniões dos pesquisadores regionais chegamos à conclusão de que o que ocorreu no Cariri, em 1817, não foi uma simples disputa entre clãs familiares, como alguns historiadores escreveram no passado. Tratou-se, na verdade, de um confronto de ideias. De um lado, o proselitismo e ações concretas em favor dos ideais revolucionários e republicanos, feitos por membros da ilustre família Alencar, um dos clãs mais importantes do Sul do Ceará. O povo não apoiou os Alencares, que lutaram para impor uma ideologia estranha à mentalidade da sociedade caririense de então. Do outro lado, opondo-se a essas ideias republicanas, esteve Leandro Bezerra Monteiro, um homem dotado de profundas e arraigadas convicções católicas e monarquistas.

   Relembre-se, por oportuno, que a fidelidade à Monarquia, por parte de Leandro Bezerra Monteiro e seu clã, motivou a concessão – partida do Imperador Dom Pedro I – da honraria ao ilustre cratense do primeiro generalato honorário do Exército brasileiro. Àquela época, embora em desuso, o posto de brigadeiro correspondia – na escala hierárquica do Exército Imperial – à patente de general.

    No mais, outro historiador cratense, José Denizard Macedo de Alcântara fez interessante análise sobre a mentalidade vigente na população do Cariri, à época da Revolução Pernambucana de 1817.  A conferir:

    “Um bom entendimento dos fatos exige que se considere a realidade histórica, sem paixões nem preconceitos. Ora, dentre os dados da evolução histórica brasileira há que se ter em conta o seguinte:

a)    a sociedade brasileira plasmou-se, em mais de três séculos, à sombra da monarquia absoluta, com todo o seu cortejo de princípios, hábitos, usos e costumes, não sendo fácil remover das populações esta herança cultural, tão profundamente enraizada no tempo;

b)    daí o apego aos Soberanos, a aversão às manobras revolucionárias que violentavam suas tradições éticas e políticas, os reiterados apelos de manutenção da monarquia absoluta, que aparecem, partidos de Câmaras Municipais – os órgãos públicos mais aproximados das populações – mesmo depois que Pedro I pôs em funcionamento o sistema constitucional de 1826;

c)    o centro de gravidade desta sociedade eminentemente rural era sua aristocracia territorial, única força social de peso na estrutura nacional, repartida em clãs familiares, e profundamente adita ao Rei, de quem recebia posições públicas e milicianas, além de outras benesses, sentimento este que mais se avolumara com a transmigração da Família Real, em 1808, pelo contato mais imediato com a Coroa, bem como pelos benefícios prestados ao Brasil, no Governo do Príncipe Regente;

d)    sendo insignificante a sociedade urbana, era mínima a capacidade de proselitismo da vaga liberal que varria o mundo ocidental, na época, restringindo-se a uma minoria escassa, embora ativa e diligente. (02)

    Donde se conclui que não houve simpatia, nem apoio da sociedade caririense às ideias republicanas da Revolução Pernambucana de 1817, difundidas no Sul do Ceará pelo seminarista José Martiniano de Alencar.

Referências bibliográficas:

(01) FIGUEIREDO FILHO, J. História do Cariri. Vol. I. Edição da Faculdade de Filosofia do Crato, 1964.  p.61

(02) ALCÂNTARA, José Denizard Macedo de. Notas preliminares in Vida do Brigadeiro Leandro Bezerra Monteiro. Secretaria da Cultura, Desporto e Promoção Social do Ceará, Fortaleza, 1978. p.26

(*) Armando Lopes Rafael é historiador. Sócio do Instituto Cultural do Cariri e Membro–Correspondente da Academia de Letras e Artes Mater Salvatoris, de Salvador (BA).

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Crise de água doce – Por: Emerson Monteiro

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Inquestionável a importância da água nas nossas vidas, onde e quando estivermos vivendo na Terra. Dela se depende em tudo e por tudo. O ser humano pode sobreviver por volta de dois meses sem comer, mas sem água só resiste menos de uma semana.

Dependentes da água, ainda que a consideremos coisa de mera rotina, dia após dia, a utilizamos de infinitas maneiras, corretas e incorretas, desde o uso na higiene pessoal até nas mais sofisticadas indústrias, para o cultivo,  asseio de alimentos, cozinha, transporte, agricultura, pecuária, etc. Precisamos mesmo dela; desse modo, com toda a sua importância, nos responsabilizamos pouco pelos recursos hídricos em nossa acomodação de hábitos nocivos, uma vez que são cada vez mais a desrespeitamos, quando muito de carecemos. Abusamos. Desperdiçamos. Poluímos descuidados da sua imprescindibilidade.

Quando isso ocorre, países e governos se manifestam em largos discursos, em publicações, festas comunitárias, passeatas, palestras, conclaves, salva de tiros, coisas assim, para retornar depois ao estado anterior, guardando tudo isso no fosso das enciclopédias e estantes de sombrios museus adormecidos.

Haverá mil maneiras de qualificar o trato que damos ao líquido fonte da vida; melhorar nossas maneiras, de preservar os mananciais; regular o uso das águas do subsolo, assunto por demais crucial nesse tempo de inchaço de cidades; assegurar fornecimento próprio às populações menos aquinhoadas pela riqueza material; e estabelecer regras claras e praticadas, dentro de prazos imediatos, na conservação da natureza como um todo, e também das águas salgadas, nos oceanos e mares.

De acordo com a Organização Mundial de Saúde, menos de 1% da água doce do mundo, ou seja, 0,007% de toda a água, no Planeta, estão disponíveis, lugar em que tudo se relaciona com a água.

Em resumo, sejamos conscienciosos; não desperdicemos, não poluamos ou façamos uso inconveniente da água, e agiremos dentro dos princípios da ordem e da coerência necessárias à humanidade, o que não é pedir muito a quem deseja tanto viver no meio do conforto face aos desafios de supérfluas vaidades, características do ser vulnerável que somos nós.

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O perfume e a flor – Por: Emerson Monteiro

FlordecactusEm um reino distante, na voragem infinita de longínquas lendas, existiu belo casal, o Perfume e a Flor, que se gostavam como nunca antes duas criaturas puderam a tanto sentimento chegar. Eles nutriam entre si afeto inigualável. A satisfação maior de suas vidas ocorria no retorno ao lar de paz, quando cumpriam os ofícios das horas de obrigação e trabalho.
Sabiam como ninguém o gosto um do outro, laborando com alegria no melhor jeito de se agradarem. Felizes olhavam-se nos olhos e nutriam a doce harmonia de quem descobre a pessoa certa, ideal de viver perto, formando par perfeito, ainda que cercados das indefinições típicas a que se sujeitam aquelas pessoas solitárias, descrentes.
Ao par de amantes apenas uma coisa causava preocupação: O que seria deles na vez de sumirem deste mundo e desaparecer nas sombras desconhecidas, de largarem seus corpos bem ajustados e voltar ao transe dos séculos? Ainda ver-se-iam de novo? Quando? Onde? Como? Ou tudo terminaria no suspiro final da inexistência?
Aquilo marcava de névoa seus passos, fonte de angústias e apreensão, fantasmas teimosos, resistentes, insolentes.
Certa feita, durante um sonho, eles dois se encontraram dentro de imensa floresta de seculares arbustos, diante de santuário esplendoroso, envolto nas raízes e nos troncos musgosos de parte do mundo misterioso das plagas eterna, domínios do Amor.
Naquela hora, perceberam que chegava a resposta das perguntas que lhes empanavam o futuro, e entregaram-se, de mãos unidas, ao prazer indizível da vista de Eros abençoando-os a dizer:
- O sonho de andar sempre junto é possível. A sinceridade que os domina produzirá esse milagre – ouviram a voz e se jogaram ao solo, lívidos de uma emoção profunda.
Despertados, na manhã seguinte, as primeiras palavras que trocaram confirmavam a realidade do sonho da véspera com a deusa-mãe.
Moravam afastados, em casinha humilde, próxima das plantações que os mantinham. Raras vezes avistavam as pessoas de pequena vila próxima.
Quando, então, chuvas se intensificaram de verdade, rios encheram, lagoas inundaram o vale e subiram nos montes. Viram poderes de acontecimentos impossíveis a tomarem conta de tudo, em forma de incontrolável destruição dos objetos palpáveis.
A casinhola, decerto, também não resistiria ao fenômeno incessante das chuvas torrenciais. Os raios do Sol de há muito sumiam sobre nuvens escuras.
Então, abraçaram-se frementes numa atitude derradeira; e agarrados permaneceram e soçobraram nas ondas lamacentas que engolfavam a superfície da Terra…
Algumas semanas passaram na mais completa calma. O chão principiava a mostrar o rosto, quando, no mesmo lugar onde houvera a choupana do casal, os primeiros claros da Lua iluminaram uma flor perfumada, destacada no meio do bosque verdoso.
Linda rosa vermelha espargia ao vento raro fragor, enquanto vulto suave reunia-se-lhe ao corpo na figura etérea do olfato. Eram os dois, agora ente único, transformados em visão e cheiro, imagem inefável reanimada ao encontro dos que dali se aproximassem para admirar a beleza e o perfume floridos.

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Solidão Futebol Clube – Por: Emerson Monteiro

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Na mesa do coração da gente, vêm servidos diversos quitutes de todo sabor, medida certa das idades que fervilham secas, inexperientes, nos poros suarentos da juventude que dispara rumo ao desconhecido…
Primeiro, nas portas iniciais da infância, doce inocência se apresenta aos demais, deixando entrever multidões famélicas, sequiosos projetos de rostos vivos, umedecidos de esperança, na forma de flores multicoloridas, pessoas, outros possíveis eus, em elaboração febril. Então, jardins festivos lhes perfumam as bocas de gostosas possibilidades. Frutos resinosos escorrem aurora nos lábios abertos aos quatro ventos, apresentando, pouco a pouco, travo de pomos amargos, motivo de náuseas temperadas de beijos amenos, ao desencontro do futuro incerto.
Depois, algumas aventuras vivenciadas no aberto das manhãs radiosas, ao calor das 9h, quando véus caem leves; suaves sinais de vibração intensa que sacode blocos metálicos de fibras íntimas, demonstrando movimentos de cordas profundas, contrariando por dentro leis requentadas de sobrevivência, prováveis a qualquer custo, das paixões originais. Amores desfeitos viram fantasmas ambulantes, surpresas ingratas, vagas monumentais que cobrem dias de ausência, praias de passos rasos, areias quentes, sonhos atrozes despertados, preocupações ainda por resistir, embates de traços lindos, exóticos espelhos ovalados em quartos de sonhos largados pelas camas desfeitas.
Meio-dia, porém, quando as experiências azuis nutrem arquivos de tanta memória do pouco resultado concreto acumulado; e o estágio determina melhores estudos de nós mesmos, quer-se compreender sistemas externos de trabalhar sentimentos no peito dos amores independentes, fora de convencionais esquemas familiares. A sociedade, contudo, reclama tipos de procedimento que, quase sempre, tirados raros respeitáveis parceiros ajustados, reflete o senso comum de irresponsáveis amantes. Histórias milenares inundam as páginas dos folhetins, exemplos avessos que bem poderiam e não se perfizeram na realidade aberta das inundações friorentas das cheias antigas.
Às 3h da tarde, passada a modorra, quem aprendeu, aprendeu… Houve chances disso. Alguns ainda persistem nas ranhuras errantes; coçam peles enrugadas, indiscretas, e refazem lances imaginários, admitindo falhas graves nas estratégias postas em campo. Alimentaram nutridas vitórias, cautelosos daqueles que os ouviam, pois ninguém conta vantagem de assunto desfeito no cotidiano amoroso de lugares próximos e distantes.
Nesse tempo, carga frustrada machucando o lombo dos animais sensíveis; pensativos momentos bons viram pura saudade, o que poucos guardam de coisas ruins, no entanto.  
Fim de tarde, época contrita das bocas abertas, na velha fornalha de eras esquecidas, sopradas de leques agitados, asas mudas em brisas frias, no pescoço brilhante escorre suor encantado de damas, mostra transcendental e suas rendas de saias e bicos esmaecidos, entrevistos na dobra dos ventos revirados. Afã de conquistar tresmalhadas noites perdidas, casais transferem ao rio do tempo o ardor dos corações, em plumas avermelhadas, nos fragores poentes e doidas lições.
Quantas vezes restam a sós esses namorados fogosos, na descompressão de ritmos impacientes. Viram trastes inúteis que realçam as nuvens brancas de horas escuras, almas penadas, vadios corações, em meio aos suspiros soltos. Logo chegam os convivas animados e outro banquete começará no berço das mesas arrumadas em volta.

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Buda, a luz da Ásia – Por: Emerson Monteiro

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No século VI a.C., os pequenos reinados da Índia viviam em luta. Nesse período, na Ásia havia uma onda de mudanças nas ciências, artes e ideias. Por volta de 523 a.C., no reino de Kapilavastu, pequeno país da etnia dos Sákias, lá onde hoje existe o Nepal, nascia Sidarta Gautama, depois conhecido por Sakyamuni, o Sábio dos Sákias.
Seus pais se chamavam Rei Suddhodana e Rainha Maya.
Numa viagem com destino ao palácio de verão, no bosque Lumbini, às margens de um rio, a rainha sentiu as dores do parto e sobre folhas de lótus deu à luz o menino Sidarta. Conta a lenda que nesse instante o tempo se inundou de perfume, choveram pétalas de flores do céu e ouviram cânticos celestiais de louvor e beleza. Sete dias depois, a Rainha Maya morreu, deixando ao marido a educação do filho.
Mais algum tempo e o soberano, agora casado com uma irmã de Maya, quis saber o que o Destino reservaria ao filho. Nas encostas do Himalaia, buscou um sábio, que disse que o príncipe ou tornar-se-ia poderoso monarca ou viria a ser um sublime religioso.
Suddhodana se indignou diante da segunda possibilidade. Daí cuidou de cercar o filho das pompas da corte. Farei dele seu sucessor. Jamais permitiria conhecesse os males do mundo, doenças, velhice, pobreza; os desgostos e as contradições que viessem estimular seus sentimentos religiosos.
Para onde ele seguisse, emissários à frente disfarçavam todas as circunstâncias, evitando ao máximo que soubesse das fraquezas existentes nos lugares onde andasse.
Na idade adulta, escolheu a esposa, Yasodhara, sua bela prima.
Certa vez, contudo, a segurança deixou de cumprir o papel de isolá-lo da realidade e ele, driblando o zelo do pai, fugiu solitário num passeio noturno, a se deparar com as tristezas da Terra.
O impacto causou no jovem extrema reação. Viu de perto o sofrimento em que a vida carnal resume o caminho para a morte. Também encontrou um monge mendigo que explicou a escolha de buscar a libertação interior e exterior.
Sidarta era, então, pai de um menino, Rahula. Despediu-se da esposa, levou consigo um serviçal e à meia-noite, a cavalo, ele cruzou, os portões do palácio rumo ao desconhecido.
Muito distante, trocou as roupas nobres com as do servo, devolveu-lhe a montaria, mandou-o regressar e seguiu mendigando pelas estradas e vilas.
Largos anos transcorridos, Sidarta reveria os familiares quando se afirmara na trajetória de compreender a Verdade plena.
Primeiro quis conhecer os ensinos dos mestres. Juntou-se a cinco andarilhos e saiu a peregrinar. Realizou jejuns e sacrifícios, sob o costume dos povos orientais.
Após três anos dessas práticas, se viu à beira da penúria, magro e debilitado. Nesse momento, concluiu que a resposta se acha no meio e não nos extremos, razão que o levou a abandonar a experiência mortificadora, espantando os companheiros de busca que viram nele alguém desprovido de resistência. Uma donzela, no entanto, o alimentou até restabelecer a saúde.
Refeito, se sentou à sombra de um Ficus religiosus, árvore frondosa do bosque conhecido por Buda Gaya, lugar de iluminação, e resolveu meditar.
Saíra de casa há seis anos. Aos 35 anos de idade, uma madrugada de lua cheia ao brilho da Estrela Matutina, Sidarta Gautama completou seu processo autorrevelador ao chegar à cessação absoluta do sofrimento pela concentração mental, o completo domínio do pensamento.
Nessa hora, percebeu que reunia em si as condições suficientes do que tanto almejara, porquanto nisto reside a descoberta verdadeira. Ainda tentado por dançarinas seminuas e por Mara, o rei dos demônios, Sidarta Gautama obteve o controle absoluto da Vontade, e galgou a Suprema Realização.

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Bichos comem – Por: Emerson Monteiro

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Personagem das mais características, cuidou como poucos do planejamento urbanístico cratense, embelezando a cidade e propiciando muito das feições que hoje oferece, sobretudo nos logradouros centrais. Júlio Saraiva Leão, de família tradicional do município de Quixadá, porém nascido em Crato, onde viveram longos anos, da primeira para a segunda metade do século anterior. Homem dos sete instrumentos, ele se destacou em nobres profissões, de ourives a músico, fotógrafo, construtor, paisagista, etc.

Tipo espirituoso, Júlio Saraiva animava, com suas considerações inteligentes, às rodas nas noites da Praça Siqueira Campos, frequência obrigatória daqueles tempos, quando, no máximo, se ouvia rádio ou liam livros, jornais, revistas, cartas, telegramas, bulas de remédio e receitas de bolo, além das sessões de cinema, o que servia para tirar as pessoas dos invólucros cotidianos.

Foi o principal responsável pela reforma da Praça da Sé, no primeiro mandato do Prof. Pedro Felício Cavalcanti à frente da municipalidade, sendo de a ideia da fonte luminosa construída à época, modificada décadas adiante, tendo ao centro composição de uma cúpula invertida fixada sobre quatro arcos, a jorrar altos jatos d’água em três cores distintas, sensação do momento.

Quando demoliram a casa que pertencera a dona Rosinha Fernandes, construção secular e pitoresca, na área em que agora existe o Bradesco da Siqueira Campos, seu Júlio preservou dois artísticos leões de louça, peças tradicionais que ornavam o portão principal no jardim da residência, símbolos da aristocracia do Ciclo da Cana.  

No seu governo, o prefeito José Horácio Alves Pequeno designou-o para administrar os logradouros municipais. Sabia como poucos embelezar praças e jardins. Dentre as iniciativas que adotou, estabeleceu pequeno zoológico no Parque Municipal, agora Praça Alexandre Arraes, reunindo espécimes dos animais da Chapada do Araripe, dos brejos e das zonas circunvizinhas. Onças, veados, seriemas, cutias, cobras, tatus, juritis, sabiás, jacus, retirados do ambiente original, órfãos da silvestre liberdade. Recebiam ali tratamento digno, enquanto ofereciam à população oportunidades de conhecer os irmãozinhos da Natureza. Isso até quando não faltou verba para manutenção e os animais começaram a passar privação.

Nesse meio tempo, José Horácio avistou-se com Júlio Saraiva, trazendo à conversa outro assunto bem menos importante:

- Sim, Júlio, eu queria que você me oferecesse aqueles leões de louça – lembrou o Prefeito, num tom de insinuação, visando algo de mais interesse: – Quando poderei contar com eles?

- Zé Horácio, você não quer os bichos que comem, lá do Parque, pois os que não comem também não vou lhe dar – respondeu Júlio Saraiva, reafirmando a prosaica sinceridade de era detentor.         

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Cavalhadas – Por: Emerson Monteiro

Cavalhadas

Minha família e eu chegávamos a Crato no ano de 1953. Nossa primeira casa ficava à Rua José de Alencar, no quarteirão entre José Carvalho e Pedro II. Das lembranças dessa época recordo que, numa manhã de domingo, fui, com outras pessoas, assistir às cavalhadas, torneio realizado nas areias do Rio Grangeiro, trecho logo abaixo da localização atual da Prefeitura, depois encoberto pelo Canal.

Esses eventos típicos, segundo os manuais de folclore, remontam as antigas Cruzadas, combates entre mouros e cristãos, presentes no Brasil desde a chegada dos colonos, guardando relação com o passado medieval da Europa. Revejo que eram dois partidos de cavalarianos, o vermelho e o azul, a concorrerem entre si. Existiam disputas com lanças, fitas, argolas, todos trajando indumentárias características. Noutras localidades do interior de Minas Gerais, Goiás, São Paulo, Mato Grosso, Tocantins, ditos certames preservados com a mais ampla animação.

O que agora me parece dotado de riqueza ancestral, naquele tempo, entretanto, me causou assombro, assustado que fiquei na multidão reunida, visto proceder de zona rural sertaneja, onde nunca presenciara tanta gente de uma vez só. Isso gerou reação de pânico tão extremada que teve de alguém me levar de volta para casa bem antes do término das manifestações, constrangendo a quem coube cumprir tal obrigação, uma jovem que nos ajudava nas tarefas domésticas.

Décadas depois, procurei conhecer detalhes quanto a essas cavalhadas, no entanto pouco consegui além de informes rápidos, da parte do livreiro Ramiro Maia, residente no Município desde o princípio do século. Ele me esclareceu que tais manifestações populares eram organizadas pelo Capitão Arnaud, na fase a que me referi.

Mais além, vim de encontrar, escrito por Paulo Elpídio de Menezes, o seguinte texto: Dezembro, porém, era o mês de maior animação do Crato de meu tempo. A cavalhada constituía um dos esportes preferidos pelos cratenses. A ela concorriam os rapazes e casados de destaque social. A Rua Grande, desde a saída da Praça da Matriz ao Fundo da Maca, enfeitava-se com arcos de palmeira, onde se passava uma corda. No centro, uma argola ao alcance do cavaleiro, que devia tirá-la na ponta da lança, em passagem rápida, em corrida vertiginosa. Os que acertavam levavam o prêmio de sua perícia às suas noivas, namoradas ou senhoras, que lhes amarravam no braço e na lança fitas largas, de seda, oferecendo-lhes ainda lindos buquês de flores naturais. Do livro O Crato de meu tempo. 

Outros subsídios existem, pois, a serem recolhidos através de maiores estudos e outros depoimentos, no intuito de se preencher essa lacuna da história regional e seus valores trazidos das nossas origens medievais. 

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A força das palavras – Por: Emerson Monteiro

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O resultado de chegar ao outro com aquilo que dizemos significa mistério de não ter tamanho, equivalente a manusear o fôlego e produzir comunicação do que existe e passar através da consciência. Elaborar pensamentos em moléculas, temperar isso com torrões de sentimentos, e achar o lugar, momento certos de aplicar energia na contextualização da mensagem; deixar as palavras fluir, bater asas rumo às demais consciências, gesto fundamental na elaboração do que costumam denominar transmissão de pensamento.

Isso, o poder miraculoso de transmitir o que acontece no interior das mentalidades, reparte o presente em milhões, bilhões de pedacinhos e os faz marchar rumo da percepção dos seres inteligentes, que interpretam, acondicionam e com isso alimentam o espírito, trabalhado ao sabor da forma, do conteúdo,  projetando em si a presença de toda pessoa.

Tal multiplicação de fragmentos representa trabalho de todo momento no coração das pessoas, porquanto resume o que vem à alma, fruto das falas, dos gestos, das observações e do nível da observação considerado. Ninguém anda sozinho, abandonado nas vastidões cósmicas, vez trazer em si essa máquina poderosa de codificação das realidades do Universo.

Juntados, pois, tais impulsos de nós mesmos, eis o ente de que somos formados, rebanhos condutores das palavras lançadas no ar, vazias ou cheias de ciência, enquanto máquinas de respirar, pensar e sentir, aprendizes soltos nas estradas deste chão. O indivíduo são suas palavras.

O potencial do que as palavras transportam equivale à existência enquanto jeito único de processar significados no que presencia e sustenta.

A radiografia do turbilhão de sentidos que percorre as veias desse mundo identifica ânsia sem fim de um dia encontrar o lago azul das palavras justas e mitigar a fome de sabedoria, o que as palavras podem bem satisfazer

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Essa paz que vem de dentro – Por:Emerson Monteiro

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Diante de acontecimentos de qualquer época, quando pareceu que a terra sumiria dos pés da gente face à dimensão quase invencível das dificuldades, bem aqui existe o sentimento forte de crer no poder maior de tudo, e as ondas imensas da tempestade em fúria repõem os elementos no seu devido lugar. Fenômenos da história cumprem assim o seu papel harmonizador qual função natural de trazer fatores originais ao total reequilíbrio, desde que se possua a frieza necessária de somar fé e confiança à equação que efetua os cálculos das vivências de toda pessoa.

Por vezes, o sangue gela nas veias e reclama tranquilidade, paz de superar obstáculos que se interpõem à caminhada dos dias, contudo tais super-heróis impertinentes são chamados a cumprir as ordens do momento, e os ventos enfurecidos limitam a capacidade de enfrentar e ferir as resistências. Por mais ostentemos sabedoria, o enredo dessas aventuras pede serenidade. A certeza de saber quantos segredos ainda resta receber dos tempos, porém, conduz cada passo ao conteúdo de Deus, que fala bem alto no escondido coração, cara a cara com o desconhecido, severo apaziguador das horas hostis.

Crer se torna, por isso mesmo, razão de domínio das alternativas aos nossos olhos. Entregar a quem pode a direção dos instantes inesperados da angústia, do desespero, há, pois, coerência na transmissão dos resultados a níveis superiores de consciência o direito de receber esse gosto de piedade divina, dotes imortais da Criação.

A soberba de querer durar todo tempo, predominar semelhante aos imperadores arcaicos, jamais sobreviveu para sempre nas ocorrências humanas. As prepotências de semideuses que os personagens do chão desempenham viram só frustração, ruínas, farrapo, pedaços de ego enlameados, poluição. Velhos trilhos enferrujados da sorte rápida invertem o sentido, deixando marcas, e indicam a religiosidade necessária, verdadeira, tal instrumento de salvação ao sabor do Infinito.

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O Golpe, 51 anos – Por: Jorge Carvalho

 

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Hoje, exatos 51 anos passados, o verde e amarelo, azul e branco, cores que identificam em nossos corações a afeição, o amor e a virtude de sermos brasileiros, eram “substituídas” por uma imagem negra e escura aos olhos de milhares de brasileiros.

A escuridão, a ausência da claridade surgiam no horizonte geográfico de todo o país, país continente. Militares raivosos, vingativos, por não lograrem vitórias em golpes anteriores, associados ao clero conservador e cumplice em precipitar o golpe civil / militar, a elite empresarial, política e midiática, a conservadora e reacionária UDN “rasgam” a Constituição, afrontam a democracia, assassinam o estado democrático.

Um presidente eleito democraticamente – pois foi votado pela população brasileira, em maioria consagradora – é retirado do poder brutalmente. Sua família humilhada, sua honra desrespeitada, como acontece no momento com a nossa presidente.

Uma ditadura sanguinária, assassina e perversa é instalada no poder central da república brasileira, são anos de perseguição, vingança, atrocidades, dos mais diferentes procedimentos, inclusive com mortes de brasileiros nacionalistas e idealistas. Em consequência, atraso educacional, tecnológico, cultural…

Militares das forças armadas: exército, marinha e aeronáutica impõem terror aos lares de bravos brasileiros ao lado de civis de comportamento nocivo aos interesses nacionais, não poupando nem crianças nem mulheres grávidas. É necessário e urgente que aqueles que torturaram e assassinaram centenas e centenas de brasileiros sejam julgados, condenados e presos, para o país reparar essa enorme falha, ainda infelizmente presente na justiça nacional.

Jorge Carvalho

Membro do Blog do Crato

 

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“VIDA” – Por: Jorge Carvalho

 

Music

Quando ainda lecionava, nos primeiros dias de aula, eu tinha a preocupação e iniciativa de colocar para a audição dos meus alunos, a música "O que é, o que" é do Gonzaguinha. A letra desta interessante canção da música brasileira, focaliza a palavra título desta crônica: VIDA. … e a vida o que é o que é, diga lá meu irmão…ela é a batida de um coração… ela é uma doce ilusão… há quem diga que a vida da gente é um nada no mundo… são algumas das interrogações que o compositor focaliza. Eu escolho: “é o sopro do Criador numa atitude repleta de amor”. Que inspiração, que definição, que realidade. A escolha acima mencionada, não se aplica apenas a nossa, a vida humana e sim a que abrange todos os seres vivos do planeta Terra. Microscópicos, macroscópicos, unicelulares, pluricelulares. A formiguinha, o elefante, os pássaros, os peixes, as belíssimas borboletas, a águia, o gavião, as benéficas bactérias, as úteis minhocas, os mais variados animais e vegetais que habitam a imensidão terrestre, aquática ou aérea nos diferentes continentes, nos mais diversificados espaços, geograficamente falando. Vida! Que segredo, que mistério, que incógnitas para tão pequena palavra. Prefiro ficar com a reflexão para um olhar atento, em observar o voo dos pássaros, o movimento aquático dos peixinhos, o cavalgar de um belo cavalo. E, terminando, fico com aquela frase escolhida por mim em sala de aula nos bons momentos de exercício do magistério: “É o sopro do Criador numa atitude repleta de amor”. Há definição melhor? Acredito não haver. Uma vida ao surgir é o sopro e a benção de Deus em possibilitar ao novo ser ocupar o espaço terrestre.

Jorge Carvalho – Escritor do Blog do Crato

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Um passeio de trem – Por: Emerson Monteiro

 

Semear árvores e observar pássaros no céu azul das tardes invernais; contemplar o Sol e seus movimentos lineares, multicores, algo semelhante a sobreviver da ausência absoluta das certezas do início, do meio e do fim que ora acontece; permitir herança digna da existência de tanta beleza, no entanto livro aberto às crateras enormes do amanhã. Querer preservar ao menos dentro do coração esse legado, e remetê-lo às novas gerações. Imaginar o sonho de regressar aqui e poder assistir aos outros filmes além das falcatruas epidêmicas que oferecem os noticiários da noite. Isto que possa mostrar outra face ao neto, ao bisneto, longe de velhas artimanhas dos lobos vorazes que espreitam os viajantes nas encruzilhadas. Indicar luzes ao caminho, vendo mexer sob a pele o que chamega feito culpa em comichão. Abrir os olhos e fitar o horizonte, na busca forte de encontrar o alvo perfeito a quanta vida em forma de mistério, na alegria dos sinais, dos amigos e dos amores.

Trem

Bom, e diante disso tudo que a existência apresente em forma de sonhos, no desejo imenso da vitória sobre as ilusões que ganham corpo e reclamam seriedade, no pulsar dos dias, jamais pretender apenas manchar inutilmente o vestido proceloso em que se transformaram os dramas cotidianos. Reclamar do sentimento maior confiança junto das sombras desta noite ainda que escura; poder oferecer, no altar sentimentos, algo que demonstre o quanto de luta a fim de vencer o desânimo e o desespero vale a pena. Quer mais do que justificar o injustificável e desparecer lá no íntimo do tempo, sem deixar nem vestígios de que existiram nuvens, ou foram só e apenas miragens de segredo inconfessável. Isso que pergunta aonde descerão os passageiros que enchem  o comboio apressado, todos perto de vizinhos mudos… Quanto durará, pois, o enigma dessa estrada longa, infinitesimal no entanto, linheira, talvez cheia de curvas fechadas, em cima do mesmo trilho brilhante.
Abra a janela do vagão e respire com intensidade o ar gostoso da verdejante campina. Lá à frente um pastor tange ovelhas a cruzar o destino metálico das paralelas ao encontro no Infinito sobre as quais desliza preguiçosa a composição. Transcorrem as casas de crianças a brincar no terreiro; mães a estender lençóis coloridos nos varais em distantes; bichos vários espalhados no momento, que observam o sequenciado das luzes do nascente. Meras paisagens de finalidade desconhecida ainda, contudo portas abertas de outras dimensões. E olhar num gesto verdadeiro a imensidão de acalmar a vida a revirar pelas entranhas… Vontade soberana de transformação que lhe sacode o corpo inteiro, de tocar em frente o sistema alguns meses ou milênios afora? – voz persiste no trabalho com as palavras acesas nesse chão das almas e outras compreensões.

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Estrangeiros de si – Por: Emerson Monteiro

 

Quer saber mais dos reais propósitos, finalidade última de andar este chão de tantos mortos, em que pisar faceiro representa o desfile das gerações. Numas dessas tardes de sábado quando acontecidos seguem apesar dos trâmites equivocados e suas rotinas, imensos vazios parecem tomar conta das circunstâncias, na lembrança vaga da luz na consciência a procurar o sentido.
Contudo a quem escreve cabe o solitário dever das respostas, invés de perguntar; autor presente, leitor ausente… Leitor presente, autor ausente.
estraangeirosNisso, algumas vezes, questões podem vir nos aspectos comuns, meandros e impressões onde viver significa reunir experiência.
Por exemplo, quando padecem as dores atrozes de existir, criaturas se submetem ao crivo de penas atrozes, tragédias aos olhos da rua, das residências, dos hospitais, manicômios, presídios, becos escuros, vilas descalças. Período em que outros, no tempo ao lado, riem e festejam turnos ilusórios, tronos atapetados, parques alegres, salas de espetáculo, estádios, mostras faraônicas do estado sólido da matéria, puros adiamentos.
Desta forma, entre lágrimas e sorrisos, há distância infinita, não superior, no entanto, a milímetros estreitos que dividem dois lados de uma mesma moeda.
Aquilo de lembrar vizinhos abandonados dos amantes fogosos, flagrante impõe na contradição à roleta da sorte, na escola do mundo.
E cresce o enigma de viver diante da lei da compensação: Alimentar sonhos de felicidade perene em meio às guerras e crises, valores da busca incessante do ser. Noutras palavras, equilibrar os pratos da balança da fortuna requer mínimo de senso de justiça, princípio de não fazer ao outro aquilo que não quer a si, nas palavras de Jesus.
Afirmações exigem, pois, esforço de transmitir intenções claras, que representa a luta de encontrar o Si próprio, no intuito de superar a trajetória impermanente de morar um corpo de carne até chegar a espírito puro, sublime instante da revelação final da essência.
Todos, sem exceção, transitam nessa faixa de personalidade com destino traçado de chegar a ser eterno, percurso das vidas reencarnadas. Ninguém vem aqui só a passeio. Nas horas amargas dos conflitos, afloram possibilidades do infinito, encontro com o Eu verdadeiro, na morte da vida temporal e no renascimento para a Vida.
Este parto cósmico requer conhecimento e renúncia, qual largar a Terra rumo às estrelas, invés de peregrino. Nessa hora de chegar à casa do Pai celestial, fruto dos degraus da natureza, calados, romperão o peito os solitários humanos, nascidos no âmago do coração. Assim, primeiros raios do sol da manhã invadem a alma com o brilho das bênçãos, cessando dores lancinantes, malhas do aço resistente da esperança, em atitude certeira do amor de Deus em nós.

Emerson Monteiro

Não veio de fábrica? – Por Carlos Eduardo Esmeraldo

 

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Quem ainda ao comprar um carro em qualquer concessionária não foi abordado por vendedores insistentes oferecendo gel protetor dos assentos, liquido que conserva a pintura, presilhas de plásticos com refletores de luz para sinalização das portas e tantas outras coisas a mais, todas elas desnecessárias? Não sei se hipnotizado pela boa conversa do vendedor, ou muitas vezes para se livrar dele, caímos na tolice de comprar, mesmo sabendo que estamos com o saldo bancário zerado pela comprar de porte que realizamos, com pagamento à vista ou cheios de prestações que podem durar até vinte e quatro meses.

Pois vou passar uma receita que aprendi com o meu saudoso sogro, o Dr. Aníbal Figueiredo. Se ao sermos abordado por qualquer vendedor, do mais requintado, daqueles que o sujeito pede uma caixa de absorvente e o vendedor termina vendendo até barco a motor, aos mais simples vendedores de óculos escuros tirando nosso sossego na praia.

Basta fazer a pergunta acima. ""Não veio de fábrica"?  A resposta geralmente é negativa. "Então, não é necessário", emendamos imediatamente. Ao aplicar essa salvadora pergunta o vendedor vai embora de fininho. Já consegui desarmar os argumentos de todos os vendedores que me procuraram no momento de fechar qualquer compra, até nas lojas e grandes magazines.

Testem a sugestão e boas compras .

Carlos Eduardo Esmeraldo – Membro do Blog do Crato

As tantas camadas de mim – Por: Emerson Monteiro

 

Falar de si pesa, por isso deixa uma margem às longas falas sobre ética, pois não existe ninguém que mais precise de correção do que quem se conhece melhor que é o si mesmo. Avançar passo a passo nesses escombros fumacentos do eu em profusão, largos retalhos abandonados de esquinas sujas onde a luz só de longe não dobrou, onde marcas profundas insistem ficar feitas nódoas que alimentaram o próprio ego do desgosto das derrotas antigas, e ali permanecem olhando indiferentes das janelas dos prostíbulos, nas ações mal costuradas. São remorsos, mágoas, recalques, frustrações, aquelas histórias grosserias que acumularam no lago da gente, de que inexistiam meios de fugir, pela ignorância de permanecer no erro, testemunhas que fomos de acusação do si no processo da consciência…
madrugadaABom, diante disso, no entanto, há de haver meios de reconstituir o quadro dramático das luas que transcorreram na caminhada, recursos nascidos da esperança de construir o itinerário através de sentimentos essenciais dos espíritos em crescimento. Escapar das lamas do inferno. Dar um basta naquilo que foi sem perder a condição de continuar sendo pelos infinitos da galáxia. Recorrer aos contadores de conchas mágicas nas praias siderais. Prever um novo destino aos vilões que somos. Alimentar sonhos de percurso atual e completar o caminho antes do Paraíso desaparecer da imaginação, da reconquista.
Que houve um tempo de inocência jamais esconderia, porquanto a maldade surgiu depois quando a preguiça de fazer o bem mexeu nas entranhas dos elementos humanos, nas horas do prazer a quaisquer preços ou limites, do apetite voraz degradante da ambição tomar conta do eu… E aqueles entes vindos ainda alegres, felizes, ingênuos, quais exilados de festas, e passaram a percorrer vistas grossas pelo outro lado da muralha, olhos presos das sombras. Ali perdiam a força original da existência, caiam do equilíbrio e jogavam fora a leveza da vontade pura em favor das facilidades, esquecidos do bem maior de todos.
Hoje sigo assim tal zumbi à busca da luz do Sol das almas, que clareia as alvoradas de paz e verdade, bem diferente das vendidas ilusões, sangue provável da vitória na persistência.

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Fique Por dentro ! – Por Maria Otilia

 

Feriado de 25 de Março, no Ceará.

Uma Emenda Constitucional aprovada em dezembro de 2011 pela Assembleia Legislativa do Ceará e promulgada com divulgação no Diário Oficial do Estado determina como Data Magna do Estado, o dia 25 de março. A data escolhida é uma menção ao dia da abolição da escravidão no Ceará. Com isso, de acordo com lei federal, o 25 de março é considerado feriado. 

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A emenda é de autoria do deputado estadual Lula Morais. "Essa data significa o marco para a história do Ceará e do Brasil para acabar com a escravidão. É o nosso reconhecimento a esse importante ato", exalta o deputado.

Nosso Estado foi palco de relevantes movimentos abolicionistas, que denunciavam, pela imprensa, os abusos cometidos pelos senhores de escravos e combatiam o comércio negreiro entre estados. Como representante do povo cearense, não hesitei em apresentar essa emenda. Ressalta o parlamentar.

Ainda de acordo com ele, a data é uma oportunidade para lembrar todos aqueles que lutaram pela liberdade e a democracia.

O Ceará é muito mais do que a terra da luz, sendo denominado de ‘Berço da Liberdade’ pelo abolicionista José do Patrocínio. No dia 1º de janeiro de 1883, a Vila do Acarape, atual Redenção, emancipou seus escravos quase um ano antes da província do Ceará. Assim, o município é conhecido como Rosal da Liberdade. Destaca.

Lula Morais explica, ainda, que essa atitude dos antepassados cearenses, há mais de 100 anos, tem repercussão hoje, pois, devido ao fato histórico, Redenção é sede da Universidade da Integração Internacional da Lusofonia Afro-Brasileira (Unilab).

Texto extraído do portal  CNEWS.com

Urgência de paz – Por: Emerson Monteiro

 

Canoa1Qual diz a música, nada muda se você não mudar. Mudar o jeito de administrar a vida, olhar para dentro de si, mergulhar nos lugares profundos da verdade que cabe a nós descobrir com ânimo e atitude. Querer ser sincero consigo e com os demais. Todos nós temos nossas carências, limitações, melancolias em horas mortas, porém é levantar a cabeça. Olhar o mundo com outros olhos. Sinta que há um Poder maior que nós que nos guia ao Infinito. Segurar a disposição de bem viver. Trabalhar. É uma luta mesmo, contra o inimigo invisível do desgosto. Consiga acreditar em algo que não seja só o imediato, as frustrações do dia a dia. Ergue a si dos próprios pés. Carinho não se acha a toda esquina, mas existe em algum lugar e esse lugar é dentro da gente. Satisfação, os seus sonhos de paz em se conhecer com vontade e disposição de refletir um mundo novo a partir do seu sentimento, seu coração. Todo tempo é dia disso, de reviver e viver com intensidade. Ter fé, consciência de que ser pequeno precisa que olhemos mais algo, no sentido de uma vida plena de luz e amor. Tudo conspira em favor dos que amam de verdade, independente das insatisfações da maioria. Somos um ser completo, precisa só que aceitemos isto com a coragem necessária. A existência que tanto desejamos já existe quando nascemos e crescemos. O mais é amizade e gosto de usufruir a história da pessoa e do Universo dentro do mais íntimo de nós mesmos. É hoje o dia dessa transformação urgente que tanto comentamos e tantos reclamam. Estirar as mãos aos lugares santos da compreensão individual, morada plena de perfeição a despertar no viver das criaturas que abrem a consciência ao Sol da clareza. Aportemos nesse lugar seguro de maravilhas e promessas, leveza e aspiração de Felicidade. Estude com carinho a vida e o tempo. Descubra um jeito de ser feliz ainda hoje.

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O Dia da Água – Por: Emerson Monteiro

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Nos dias 22 de março, a humanidade resolveu dedicar 24 horas a um dos bens mais essenciais do Planeta. Inquestionável a importância da água nas nossas vidas. Para sobreviver, o ser humano não consegue fazê-lo sem o líquido tão precioso.
Somos seus dependentes diretos. Dela carecemos com toda a sua importância, e cuidamos pouco (quase nada) dos recursos hídricos. Abusamos. Desperdiçamos. Poluímos, indiferentes e à toa. Por causa disso, a Organização das Nações Unidas escolheu uma data para lhe homenagear. A família humana carece levar isso a sério durante cada minuto, cada hora. Haverá mil maneiras de melhorar o tratamento que damos à fonte viva da existência na Terra.
Preservar mananciais; regular o uso das fontes, assunto por demais crucial. Assegurar fornecimento próprio às populações sobretudo menos aquinhoadas (748 milhões não têm água potável). Estabelecer regras claras e praticá-las dentro dos prazos urgentes da conservação dos recursos naturais; também das águas salgadas, nos oceanos e mares (Esgotos em rio é a mais perversa forma do desperdício).
Em relatório sobre o desenvolvimento mundial da água, a Organização das Nações Unidas manifestou apreensão quanto necessidades e abastecimento, e afirma que os mananciais estão secando de modo acelerado, em face do crescimento populacional, da poluição e do aquecimento global, o que reduzirá, nos próximos 20 anos) em um terço a quantidade de água disponível por pessoa.
De acordo com o documento, a quantidade de água per capita vem caindo desde 1970. As reservas de água estão diminuindo, enquanto a demanda cresce de forma dramática, em um ritmo insustentável, considerou Koichiro Matsuura, diretor da Unesco.
Do acervo que cobre 70% da superfície do globo, 97,5% significam água salgada. Dos 2,5% de água doce restantes, quase dois terços estão congelados nos polos. Dessa água doce disponível, 70% se usam na agricultura, o que, em face da ineficiência dos sistemas, ênfase aos países em desenvolvimento, 60% evaporam ou são devolvidos sem utilização. 50% da água potável esvaem por vazamentos e sistemas ilegais, enquanto 90% dos esgotos e 70% do lixo industrial retornam às águas sem prévio tratamento.
Enquanto poderosos veem só o lucro imediato, algo clama atitude consciente na utilização dos meios oferecidos pela Natureza mãe.

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Quando o amor acontece – Por: Emerson Monteiro

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Isso de contar tristeza nas melodias, decepções amorosas, desgostos, frustrações, já chega. É só acreditar no sonho e mergulhar de corpo inteiro na luz das possibilidades infinitas. Imaginar uma estação que toque o canto dos pássaros de cada manhã o tempo todo. Abrir as cortinas da imaginação promissora e acordar do pesadelo das noites escuras. Ver de olhos claros a beleza do dia. O esplendor deslumbrante das serras emolduradas de sol, as matas verdes floridas de sentimentos bons. Margens cheias de rios limpos e suaves. Portas abertas de novidades e pensamentos leves que enalteçam construções de mundos ricos de solidariedade e harmonia.
Portanto cabe aos místicos de hoje em dia saber de quando haverá paz nos corações e o exercício da real democracia nos poderes em voga, desejo incontido de séculos a revivescer nas pessoas previsões dos maiores profetas, da iluminação dos poetas e filósofos nos ideais, as músicas de jeito romântico nos territórios infinitos do provável.
O reino que ainda não é deste mundo, de que fala Jesus, habitará com isso as consciências. Máquinas de aspirações populares, elas produzirão o alimento de cada dia no trabalho, na família, no senso da esperança que prevalecerá nesse heroísmo honeste de tantos a mover o Universo. Eles, os guerreiros das madrugadas frias na busca do pão, que entregam o melhor de si à sobrevivência dos entes amados. Raspam as lágrimas do esforço e constroem alternativas, apesar do critério deficiente das escolhas políticas do passado remeto. Saem de casa dispostos a rever o plano da existência e traduzem na fé o gosto da felicidade no dever cumprido com alegria.
Chegará, sim, no entanto, esse momento de revelar a certeza em tudo que há, interpretação inevitável do enigma da esfinge que abrirá o peito à justiça mais justa, fará das tripas o coração, descobrirá o mistério vivo da religião no seio do espírito e conhecerá o quanto de riqueza se perpetuará nas virtudes.

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Flagrantes de memória II – Por: Emerson Monteiro

CratoFotoantiga

Do espaço nebuloso das lembranças, consigo reconstituir a primeira imagem que gravei do Seminário São José, vista de baixo, da Rua José de Alencar, entre as ruas Pedro II e José Carvalho, trecho onde primeiro morei em Crato quando chegara de Lavras da Mangabeira, em l953, ano do Centenário da Cidade.
O tradicional estabelecimento católico lá em cima se afigurava qual prédio sombrio, enegrecido pelas marcas do tempo escorrido na pintura a cal amarelecida, com manchas de lodo pela parede fronteira, meio encoberto por cortina de eucaliptos depois cortados. Destas árvores, quais frutos insólitos, balançavam ao vento urubus friorentos, vindos das imediações onde ficava o antigo matadouro público, lá nas bandas do Alto da Independência.
Outro aspecto nítido, que não me esqueço desse Crato de algumas décadas, o footing da Praça Siqueira Campos, desfile das pessoas a circular o passeio onde afluía surpreendente multidão aos sábados e domingos à noite.
Uma expectativa quase incontida perpassava a semana inteira, sobretudo de rapazes e moças. Tão logo se punha o Sol, movimento inusitado ativava a população. De todos os lados, nos melhores trajes, jovens e adultos preenchiam as ruas do centro.
O logradouro não demorava a fervilhar de gente, qual numa quermesse mágica. Luzes fortes, jardins bem cuidados, dezenas de carros parados em volta, o Cine Cassino movimentado e o som da Amplificadora Cratense, a envolver dramas e comédias, desencontros e encontros, numa algazarra multiforme.
As mocinhas, de braços dados, principiavam a girar; grupos de três, quatro, ou até mais, num animado carrossel, enquanto os homens, atentos e conversadores, se postavam em torno, nas laterais do circuito humano, olhos acesos na beleza feminina.
Da observação espontânea que se estabelecia, se davam as trocas de interesses, nos chamados flertes, aos primeiros toques de simpatia.
Só depois, com as mudanças trazidas pelo progresso,começos dos anos 70, junto dos sinais de televisão que chegavam, sumiria essa festa interiorana, após deixar rastro de uniões feitas ou desfeitas, nas histórias familiares dos que ali se conheceram em momentos inesquecíveis. De se olharem, confirmadas as preferências, os rapazes acompanhavam a escolhida em mais outra volta da praça, seguindo ambos, depois, no sentido da Praça da Sé, onde quase sempre havia bancos vagos para o início dos namoros, umas vezes, fugazes; outras, prenúncio de casamento.

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Dona Ciça do Barro Cru – Por: Emerson Monteiro

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Início dos anos 70 e cruzaria o Rio São Francisco pela primeira vez indo viver um tempo em Salvador. O coração, no entanto, permaneceria no Cariri, onde deixara amigos e sonhos. Vez em quando vinha de volta; férias ligeiras. Atualizava as descobertas e percorria os pontos de toque na ânsia que juntava saudades e novas amizades.
Presenciaria, nessas vindas, o seguimento intenso daquilo que deixáramos no campo de arte e cultura bem característico da geração de 1968 no Crato. Conheceria de perto Rosemberg Cariry, Jefferson Junior, Jackson Bola Bantim, Geraldo Urano, Luíz Carlos Salatiel, Carlos Rafael, Múcio Duarte, Ivan Alencar, Lídia Batista, Pachelly, Alberto e Abidoral Jamacaru, Magérbio Lucena, Deca (José) e Márcia Figueiredo, Célia Teles, e outros mais, que formavam o Grupo de Artes Por Exemplo e realizaram, no transcorrer daquele período, os Salões de Outubro, dentre outras marcantes atividades, revelações que abrangeriam festivais da canção, filmes, fotografia, pintura, desenho, xilogravura, escultura, teatro, jornais, livros, sob o prisma de vitalidade poucas vezes consignada, evidenciando proposta de liberdade, criatividade e contestação dos valores burgueses ainda vigentes na sociedade nordestina dos interiores.
Nessa fase buscava acompanhar as pesquisas do grupo. Sempre achava novidades, sobretudo com relação à cultura popular. Através dessas viagens, tomaria ciência de valores quais Ciça Louceira, Dona Ciça do Barro Cru, Zé Ferreira, Nino; chegaria mais próximo de Stênio Diniz, Mestre Noza, Patativa do Assaré, todos eles expoentes valorosos do patrimônio cultural caririense.
Isso serviria sobremodo para aumentar o meu gosto pelo nosso povo e querer regressar, o que ocorreria já em 1977, quando, inclusive, ao lado de Luiz Karimai, Gilberto Morimitsu, Isabelisa Cordeiro e alguns daqueles artistas antes citados, realizaríamos Salões de Outubro, naquele ano e no ano seguinte, 1978.
Dentre os destaques que mais prezo daquelas lembranças, que trabalhava e trazia para vender suas produções nas feiras de Crato e Juazeiro do Norte, Dona Ciça do Barro Cru marca de modo indelével sua presença, dada a integração que mantinha com os seus bonecos de barro tão carinhosamente confeccionados, estatuinhas que algumas vezes levaria comigo para presentear os amigos da Bahia. Eram personagens quase vivos do imaginário popular, que, ao lado da artesã de características próprias e inconfundíveis, preenchiam o espaço nos dias mágicos da nossa geração eficiente.

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Arte moderna – Por: Emerson Monteiro

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O século XX renovou as possibilidades da expressão artística, quebrando de uma vez por todas com a tradição de que apenas houvesse jeito único de se perceber a realidade. Por causa disso, o indivíduo médio pôde externar com independência seu jeito de mundo, sob padrões estéticos livres da camisa-de-força que predominava na arte mundial até aquela data.
Essa conquista de expressão rompeu as rédeas do conformismo e trouxe alternativas ao gosto clássico e à comunicação. Nos campos da pintura, por exemplo, os criadores das obras impressionistas forçaram e conseguiram impor, na tela, outras figurações, usando de técnicas inéditas de representar a imagem real.
Aquilo de copiar a forma tridimensional do espaço transferiu-se às mãos de fotógrafos e cineastas, por força dos meios técnicos recentes. Enquanto que, ao talento dos pintores, coube o rompimento das barreiras do visível infinito.
Nesse período, as duas grandes guerras reviraram pelo avesso os dogmas da cultura, sobretudo na Europa. Desestabilizaram do poder a senhora vaidade, dona absoluta das leis do cotidiano. Viam-se, pois, perdidos a perenidade e o insustentável que prevalecera durante largos séculos.
Tal estilo transformador de reinventar o olho levou os artistas a conquistar territórios inimagináveis, na história de representar a beleza.
Todavia, por conta dos acontecimentos dessa primeira metade de século, afloravam os mais diversos confrontos de opinião. Reações contrárias às aquisições da estética explodiam em quantidade, nos salões e nas ruas.
Grandes mestres da pintura, quais Salvador Dali, Picasso, Van Gogh, Gauguin, Renoir, Pissaro, Modigliani, Max Ernst, Paul Klee, dentre outros, amarguraram penas dolorosas, no afã de mostrar as suas conquistas ao grande público.
A propósito desse clima, registrou Stephen Nachmanovitch, no livro Ser criativo, incidente certa vez verificado, numa viagem de trem, quando cidadão francês reconheceu, no passageiro ao lado, nada menos do que o célebre pintor Pablo Picasso, responsável por inúmeras produções bem características da época revolucionária.
No instinto de aproveitar da oportunidade, o viajante principiou a resmungar e dizer o que bem pensava da arte moderna. Mostrava-se impiedoso quanto à forma dela representar a realidade. Que não dispunha de precisão, de fidelidade naquilo a que se propunha.
Nessa hora, paciente, o pintor espanhol reagiu para indagar do homem o que ele considerava ser uma representação fiel da realidade.
Na mesma hora, o interlocutor sacou da carteira uma fotografia da própria esposa e indicou:
- Eis aqui. Isto é o que considero uma imagem real.
Picasso segurou a foto, analisou-a de vários ângulos… Frente, verso, lado… Por fim argumentando:

- Mas como a sua mulher é pequena! E, acima de tudo, chata, posso, com certeza, concluir – daí, então, devolveu ao parceiro sua fotografia, e o silêncio de novo mostrou a face.

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Fique Por dentro ! – Por Maria Otilia

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Muito  tem se falado sobre a necessidade de uma reforma política no Brasil. A partir das manifestações em 2013, este assunto    passou a ser mais discutido. Na mídia, a temática sobre Reforma Política foi bastante discutido. Mas afinal  em que consiste a reforma política que tanto almejamos ?

A Reforma Política pode ser compreendida  como  um conjunto de intervenções para a reorganização de um sistema político brasileiro. 
Haja visto que desde a Assembleia Constituinte Nacional (1987/1988), em nada foi modificado .A partir do ano de 1990, este assunto  realmente passou a ser mais discutido, sendo  destacados  os seguintes pontos.:

1.A reorganização ampla das regras do sistema político de financiamento de campanhas;

2.A criação de novas instituições capazes de aumentar a participação e os diferentes padrões de interação entre instituições representativas e participativas ;

Atualmente ainda não existe um consenso  sobre quais são as reformas necessárias para que o sistema  político brasileiro se configure numa verdadeira democracia. E alguns pontos passam a ser prioridades tais como:

. Financiamento público de campanhas;

. Lista fechada;

.Clausula de barreira;

. Proposta de um Sistema Nacional de Participação;

. Forma de eleição dos parlamentares;

.Quantidade de partidos.

Para Marcos Vinícius Furtado ( OAB), mais importante do que um plebiscito, referendo ou constituinte, é apostar em um projeto de lei de iniciativa popular, como por exemplo da Lei Ficha Limpa.  Que  sistema eleitoral propicia ao eleitor saberem quem está votando. No sistema atual, o povo vota em um e elege outro.

A sociedade como um todo, não vai mais admitir uma legislatura sema a reforma política.

Daí ressaltamos , que   a hora é essa  independente de siglas partidárias, de paixões políticas, levar esta discussão para todos os setores da sociedade civil e organizada.

                                   Abrace você também, esta causa. REFORMA POLÍTICA JÁ !

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Trabalhar o pensamento positivo – Por: Emerson Monteiro

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Reunir os meios necessários de criar condições de alegria todo tempo, eis função importante e urgente de transformar o mundo em volta. Criar estrutura mental de conduzir a nossa força psíquica no sentido de trabalhar a natureza em forma de valores coletivos que ofereça as condições de ser feliz. Somos o instrumento dessa produção. Dominar o poder ao nosso dispor e encontrar a matéria prima dos sonhos.

A característica marcada dos tempos dagora, pois, nada mais indica do que fase quando a tecnologia oferece recursos preciosos de construir o futuro aumentando o conforto e as chances de produção ampla de riquezas, permitindo dilação do prazo de sobrevivência, numa democracia inigualável nascida durante longos milênios de lutas e pesquisas.
Por isso, nunca antes houve as possibilidades atuais de conhecer tantos assuntos e poder desempenhar papéis justos no palco da real felicidade, o melhor dos cenários com recursos de construção interior das criaturas quais exímios pintores munidos de bons materiais e belas paisagens.
Grandes mestres, das várias horas, refletiram a digna resposta quanto saber dispensar o supérfluo e busca a utilidade na saúde, na inteligência, na fraternidade humana, despertando métodos de evitar as sensações dolorosas do ser. A angústia que caracterizou épocas quer-se agora longe das práticas de vida, ampliando o senso das possibilidades, oferecendo ao máximo o direito à paz do coração.
Saber-se fértil no ato de produzir imagens claras de boa vontade e virtude reveste-se no rio permanente do tempo, flagrante salto de qualidade sempre esperado naqueles que aprenderam as lições.
Em épocas críticas, todos precisam levantar a cabeça e buscar forças internas, por vezes desconhecidas, mas de primordial importância na preservação do gosto de viver. Nesses períodos, as responsabilidades de um veículo de comunicação crescem, razão de lhe caber papel estratégico na manutenção do espírito elevado

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Gritos do coração – Por: Emerson Monteiro

 

A soberba de querer durar todo tempo, predominar semelhante aos imperadores arcaicos, jamais sobreviveu para sempre nas ocorrências humanas. As prepotências de semideuses que os personagens do chão desempenham viram só frustração, ruínas, farrapo, pedaços de ego enlameados, poluição. Velhos trilhos enferrujados da sorte rápida invertem o sentido, deixando marcas, e indicam a religiosidade necessária, verdadeira, tal instrumento de salvação ao sabor do Infinito.

Por vezes, o sangue gela nas veias e reclama tranquilidade, paz de superar obstáculos que se interpõem à caminhada dos dias, contudo tais super-heróis impertinentes são chamados a cumprir as ordens do momento, e os ventos enfurecidos limitam a capacidade de enfrentar e ferir as resistências. Por mais ostentemos sabedoria, o enredo dessas aventuras pede serenidade. A certeza de saber quantos segredos ainda resta receber dos tempos, porém, conduz cada passo ao conteúdo de Deus, que fala bem alto no escondido coração, cara a cara com o desconhecido, severo apaziguador das horas hostis.

Crer se torna, por isso mesmo, razão de domínio das alternativas aos nossos olhos. Entregar a quem pode a direção dos instantes inesperados da angústia, do desespero, há, pois, coerência na transmissão dos resultados a níveis superiores de consciência o direito de receber esse gosto de piedade divina, dotes imortais da Criação.

Diante de acontecimentos de qualquer época, quando pareceu que a terra sumiria dos pés da gente face à dimensão quase invencível das dificuldades, bem aqui existe o sentimento forte de crer no poder maior de tudo, e as ondas imensas da tempestade em fúria repõem os elementos no seu devido lugar. Fenômenos da história cumprem assim o seu papel harmonizador qual função natural de trazer fatores originais ao total reequilíbrio, desde que se possua a frieza necessária de somar fé e confiança à equação que efetua os cálculos das vivências de toda pessoa.

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Algemas douradas – Por: Emerson Monteiro

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Um tema que insiste retornar à preocupação, por conta da monstruosidade que representa e das dificuldades que acarreta, são as drogas. Sobretudo pessoas jovens caem nas malhas do vício e nem a sapiente ciência moderna consegue demovê-las, convencê-las de largar a isca envenenada que mata pouco a pouco, destruidora de sonhos e animal feroz que a tudo devora. Junto com vários outros entraves da organização social, tal facilidade circula sorrateira nos antros comerciais da clandestinidade, invade lares, destrói famílias, suga a seiva da juventude, sem que quase ninguém ainda  descubra alternativas de solucione o drama.

 

Par a par com isso, o quadro representa continuação do espírito mercantilista da civilização contemporânea. Brincar de dominador e chegar ao poder pela porta dos fundos agrada com facilidade os invasores. De modo frio, cínico,  mercadores negros justificam no lucro a qualquer custo a fome de avançar, independente do preço pago por quem sofre ganância de canibais esfomeados. Coletar ganhos e levar a melhor, saciar desejos, sobreviver e juntar patrimônio; cifra, cifras, cifrões.
Nenhum sentimento de remorso parece acordar a consciência dos tais predadores dos semelhantes, principais vítimas das próprias unhas afiadas e do apetite indomável que nutre os doentes senhores da conquista.
Adquirir riqueza por meio de jogos de azar, exploração da prostituição, da indústria e do comércio das armas e da guerra, no desespero das ruas assustadas, na insegurança do desemprego e da miséria, poluição e destruição irracional, eis a prática dos gigantes financeiros que cozinham gerações sucessivas, de gafo e faca em punhos, diante do balcão alucinado das metrópoles indiferentes.
Quadro dantesco serve, pois, de cenário ao turno artificial do momento geral. Fumaça, acrílicos, sirenes, burburinho de cidades monótonas, cálculos estruturais, pistas asfálticas, antenas, vídeos, câmeras ocultas, vazios, sinais avermelhados, tédio e solidão.
Pessoas aflitas, com isso detonam a máquina do cérebro no uso de drogas concentradas, sob o pretexto frouxo do prazer e da falta de saída. Nada justifica, no entanto, a providência suicida, que só representa deserção e covardia. Jamais fugir; lutar sempre e chegar às soluções. Nenhuma porta se abre a quem se perdeu no caminho. Em tudo, haverá os dois lados de ver a vida seus arrodeios. Dos animais, os humanos detêm, na própria face, a luz da certeza.
Enquanto perguntas vagam pelo ar, o comboio vence obstáculos, guiado na esperança da cura em que fermentam sonhos reais de um futuro próspero. Mesmo que horizontes pareçam distantes, meios existem que os aproximam e indicam respostas positivas na luz da Esperança sadia.

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Crato, Terra de Políticos pobres e Tímidos – por Pedro Esmeraldo

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Se folhearmos a historia passada do Crato, notamos que os coronéis de antanho tinham mais vibrações amorosas pela cidade do que estes políticos de hoje. São pobres em ações, tímidos por natureza, não reagem aos insultos do inimigo número um e permanecem na leniência deixando-o o município entregue ao Deus dará.

    Apreciamos, nesse caso, estimular os políticos. Solicitamos que criem ânimos e venham acordar, fugindo do acanhamento excessivo a fim de caminhar com regular trabalho para se estender ao funcionamento do desenvolvimento equilibrado.

    Sejam destemidos senhores e lutem em defesa do seu município. Não deixem cair o Crato na bancarrota e na ociosidade do desespero que é hora atravessar, evitando os espinhos de mandacaru e irem à frente com o desejo de impedir fraqueza desses políticos inconsequentes.

    Crato mais uma vez está jogando as cartas fora do baralho e não possui ações de desprender desse marasmo.

    Lutamos pela igualdade progressista. Olhem que não temos mais participação de movimentar os políticos como eram os de antigamente, nem tão pouco à efetivação da participação do comando das extremidades superiores do corpo pertencente à nação cariri.

    Não correspondemos mais com força total. Não retomamos a sucessão ininterrupta e gradual do desenvolvimento do município.

    Isso e um absurdo, um desdoiro, um descaso provocado pelos políticos maldosos ao desenvolvimento sustentável que é a utilização de recursos naturais e racionais que atendem às necessidades humanas.

    Infelizmente, esses políticos de hoje são apáticos, insensíveis, e levam o Crato ao grau de forças negativas, impedindo-o de crescer, pois, procuram impedir o eixo essencial para soerguer no caminho reto com o desejo de crescer nos tempos modernos: que é a igualdade e o desejo total de seguir a mesma rota desenvolvimentista favorecendo com tenacidade procurando subir ao cume da montanha que nos leva ao caminho da igualdade e do desejo de todos seguirem o mesmo caminho com firmeza e coragem do desenvolvimento.

    De vez em quando, afirmamos com muita tristeza, aparecem alguns políticos maldosos de outros municípios, falando à toa, pedindo votos com humildade para alcançar seu objetivo que é adquirir a qualidade de caracterer e a fidalguia no caminho da nobreza.

    Mas esses políticos provenientes do outro município só vem atrapalhar os nossos moradores, pisando mansinho no coreto da igualdade. Dizem que os nossos políticos nada fazem pela cidade e eles por tanto veem mostrar que serão útil a terra comum para depois de conquistar o que desejam, mudarem de atitude, tornando-se inimigo e fazem totalmente o contrario do que diziam antes.

    São asquerosos, inconsequentes e por certo desejam atuar no caminho tenebroso que sonharam em deixar a cidade como ponto de dormitório do Cariri.

    Haja coragem, haja força de vontade, não podemos esmorecer e devemos permanecer no mesmo caminho de tenacidade, falando grosso, gritando com toda a voz do seu pulmão, não mexam com Crato, sejam amigos e queiram crescer com amor e respeito à cidade.   

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As mordomias da ilha – Por: Francisco José ( Jornalista Cratense )

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Tudo começou quando Juscelino Kubitscheck de Oliveira,  decidiu, ainda na já distante década de 1950, transferir a Capital Federal do Rio de Janeiro para as vastidões do Planalto Central. O projeto de Brasília era antigo, mas coube a JK materializá-lo. Entre as muitas justificativas, a de que a Capital no centro-oeste iria impulsionar o crescimento do País para aquela parte do território brasileiro. Outro argumento foi o da segurança. No litoral, a sede do Governo estaria vulnerável a um ataque pelo mar.

Como era de se esperar, Juscelino enfrentou muitas resistências, a começar da velha UDN, liderada por Carlos Lacerda, que se opunha ferozmente ao projeto de construção de Brasília. Na imprensa não foi menos diferente e entre os opositores do projeto estava Assis Chateaubriand, o então todo poderoso presidente dos Diários Associados.

Vencidas as resistências na área política e aparadas as arestas no meio jornalístico, Juscelino lançou-se à aventura de levar a Capital da República para o cerrado. Conseguiu, mas teve que oferecer vantagens aos parlamentares das duas casas do Congresso e aos altos escalões do funcionalismo federal. Só dessa forma pôde convencê-los a se transferir para a nova Capital.

Para essa gente Brasília era uma aventura, uma verdadeira “ilha da fantasia”, um projeto que custaria – ainda custa – muito caro à população brasileira. Para convencer os escalões do  funcionalismo e os parlamentares a trocar a Cidade Maravilhosa, pelo  cerrado brasileiro, ainda carente de muita coisa que a vida urbana oferece, só mesmo com altos salários,gratificações e  mordomias.

Como se não bastassem os conjuntos de apartamentos destinados aos parlamentares, ainda sai do erário público o auxílio moradia. Justo num país onde grande da população ainda sonha com um teto para lhe abrigar.

São inúmeras mordomias custeadas pelos contribuintes, para manter em  Brasília a maioria dos  mais de 500 deputados e 81 senadores por apenas uma semana. Na sexta-feira todo mundo voa à  custa do contribuinte, de volta a seus estados de origem. Numa segunda-feira, quem chegar ao Congresso Nacional vai encontrar um deserto. Mas achando pouco, tentaram botar na conta da  já sofrida população brasileira, mais um caro  pacote de mordomias na  nossa já muito cara “ilha da fantasia”.

Por: Francisco José

(Jornalista cratense atualmente integrando os quadros redacionais do jornal Correio da Paraíba na cidade de Campina Grande).

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O princípio da gratidão – Por: Emerson Monteiro

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Ainda que exista fama de as pessoas serem egoístas, um senso de justiça prevalece nas relações interpessoais. Isto de quando alguém nos trata com respeito e educação doméstica, por exemplo, naturalmente traz às nossas atitudes o gosto de querer, de algum modo, retribuir a deferência na mesma moeda e responder com modos semelhantes.
O de que mais precisa a sociedade são as atenções diante dos gestos de amizade e carinho, vistos os tantos desentendimentos em forma de crimes e guerras espalhados pelos países e raças, religiões e partidos políticos. Ninguém mais dedica esse quase nada aos outros sem querer algo em troca, os chamados benefícios sociais. As eleições servem de amostra desse comportamento. Raros líderes verdadeiros surgiram nesses tempos bicudos. Ao planejar uma campanha eleitoral o primeiro item são recursos arrecadados para investir, gerando isso feridas morais absurdas, que contaminam o corpo social, quais jamais previstas ou aceitas no bom sentido da paz coletiva.
A gratidão, o reconhecimento, instintos naturais do equilíbrio e da justiça, bem que podem curar danos deixados pela competitividade selvagem que ora parece dominar as instituições. Crise sem precedentes exige posições coerentes de todos, sobremodo daqueles voltados aos sonhos da Paz, preservação das famílias, trabalho, prosperidade, esperançosos dos novos tempos que aguardam nossos filhos e netos.
O dia a dia mostra esse quadro desalentador com vistas a suprir as carências da fase histórica de insegurança geral e ganância dos dirigentes da máquina pública. A desunião ocasionada pela complexidade moderna segrega as pessoas aos guetos de lutas individuais. A doença do isolamento já apresenta a face dos cidadãos quais seres distantes uns dos outros, presos às ferragens dos automóveis ou encaixados nos cubículos de cimento, prisioneiros no tabuleiro dos jogos de poder das massas. Horas de repouso ficaram restritas aos condicionamentos, preocupações e gestos neuróticos manipulados por máquinas frias.
Nunca antes quanto agora houve tamanha necessidade dos sentimentos verdadeiros, honestos, autênticos, razão da sobrevivência dos valores obtidos a pretexto de evoluir, que justificaram os compêndios da tão esperada civilização.

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O petróleo é nosso – Por: Emerson Monteiro

 

Hoje quando se vê a luta da Petrobras para sobreviver diante dos tantos percalços considerados na grande mídia, no caldo da memória vêm à tona os tempos dos primeiros embates no esforço da permanência em solo pátria das riquezas brasileiras, épocas heroicas da campanha O petróleo é nosso.
Esta frase, pronunciada pelo presidente Getúlio Vargas, ganharia corpo na Campanha do Petróleo, sob o patrocínio do Centro de Estudos e Defesa do Petróleo, alimentada pelos chamados nacionalistas, até a criação vitoriosa da Petrobras. Depois se soube que o autor original da expressão fora o professor Otacílio Rainho, diretor do Colégio Vasco da Gama, Rio de Janeiro.

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O decorrer dos embates pela manutenção do monopólio de nossas explorações custaria 89 anos, desde a primeira concessão para exploração do petróleo brasileiro até a criação da Petrobras, em 1953. Um dos batalhadores desta conquista honrosa foi o escritor Monteiro Lobato, que, em 20 de janeiro de 1935, na célebre Carta a Getúlio dissera com todas as letras: O assunto é extremamente sério e faz jus ao exame sereno do Presidente da República, pois que as nossas melhores jazidas de minérios já caíram em mãos estrangeiras e no passo em que as coisas vão o mesmo se dará com as terras potencialmente petrolíferas. E já hoje ninguém poderá negar isso visto que tenho uma carta em que o chefe dos serviços geológicos da Standard ingenuamente confessa tudo, e declara que a intenção dessa companhia é manter o Brasil em estado de escravização petrolífera.
Então o Brasil atravessaria fase de sérios debates quanto à preservação dos nossos reais interesses no que tange à soberania nacional e o direito aos próprios bens naturais, bases essenciais da autonomia como Nação.
Em 19 de agosto de 1935, Monteiro Lobato, visualizando o risco de forças externas tomarem as reservas petrolíferas, também afirmaria noutra correspondência a Getúlio: Isso constitui um crime imperdoável, além de denunciar de modo esmagador que há gente paga por estrangeiros para que o Brasil não tenha nunca o seu petróleo. Em vez de, pelas funções de seus cargos, esses homens tudo fazerem para que tenhamos petróleo, quanto antes, tudo fazem para que não o tenhamos nunca. O caso é, pois, desses que pede a imediata intervenção de homens que, como V. Excia., só têm em vista os altos interesses do País.
Naquele meio tempo, houve o confronto de entreguistas e nacionalistas, o que afloraria o movimento de consolidação da campanha na formação dos valores patrimoniais da nossa gente e razão da mais rara conquista em termos de preservação da independência no concerto mundial dos povos.

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O que disse o coração – Por: Emerson Monteiro

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Isto sem esforço, o que seria contradiz o processo interior da leitura daquilo que vem da força natural das expressões de dentro da alma. Porém como ação espontânea, transe silencioso de ouvir estados continuados da percepção no suficiente de formar textos legíveis para quem não esteve na hora da criação.
Assim, o que escuta aquilo que diz o coração quer transpor para o papel gesto simples de interpretar a energia na tela deste lugar interior, encontro das linhas cruzadas de convergência do tempo no espaço, à luz da consciência do ser, no aqui/agora do momento presente.
Neste foco de raciocínio, a primeira coisa que ocorre aponta o andamento da informação que prevalece no horizonte da visualização externa, através dos meios da comunicação moderna. Contudo, se sabe da dependência direta de tais elementos a fatores de domínio de grupos que ocupam o poder da autoridade, tangedores de rebanhos a serviço próprio e seus interesses, na geopolítica de preservação dos privilégios juntos no decorrer de tempos passados e vazios na memória coletiva.
Com isso, há intenção velada de manutenção desses quadros preexistentes, o que, no entanto, por absoluta falta de domínio, despreza leis de outra realidade, força natural de coisas que contam, de seres humanos a sofrer restrições, exploração da manipulação escrava, campos abertos ao imponderável, a seu modo esdrúxulo.
Quer-se penetrar o cristal do tempo, igualmente normas intransponíveis reservam territórios blindados às pretensões dos poderosos do plantão injusto deste chão.
No patamar improvisado da consciência afloram limitações da força e abre-se espaço ao mistério de mundos maravilhosos, à custa só da disposição individual, porta sem nome, o Inconsciente, palco amplo e silencioso do Poder verdadeiro, acesso restrito a quem chegar às raias do conhecimento pleno, maior.
Das alternativas lógicas, esse pórtico de vida desvenda os termos eternos de pagos da existência, aos quais os mestres indicam sendas, abertas nas moendas de dor, para cruzar a linha fronteiriça dos dois planos, o sentimento marcado da emoção forte dos valores urgentes, imediatos.
Bem nesse ponto, falham discursos parciais, materiais. As duas realidades refletem o contato de superfície, mapa sobre o qual peregrinos cumprem suas jornadas solitárias, mediando o sólido no imponderável, este que, apesar de testemunhos no decorrer das civilizações, ainda carece de permanente demonstração, porquanto muitos pedem disso cabal comprovação.
Um efeito persiste, todavia: Desvendar o valor dos sentimentos nobres, a exemplo da alegria e da paz, na corrente sanguínea que anseia frutos de virtudes, notícias de alfabetos escritos a ferro e fogo, no correr das fibras do universo, formas e energias da realização de tempo e espaço, senhores dos sonhos enquanto movimento constante das idéias, no íntimo coração da Ser.

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Potencial das verdades verdadeiras – Por: Emerson Monteiro

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Ainda que na face dos desenganos que circulam as mentes de quem pretende dominar o chão e produzir a massa de vender os infernos, há eterna esperança diante de tudo. Devemos acreditar sobremodo na beleza perene dos atos firmes da mãe natureza. Nunca houve tantas crianças nos braços de tantos jovens pelas ruas da cidade. Jamais imaginaria quantas cores habitam o nascer do Sol e iluminam de presença forte o amor dos dias seguintes. A música e sua harmonia maravilhosa que percorre de ritmo horas das noites, manhãs e tardes na pureza do sorriso de quem ama. A luminosidade e o idealismo da educação na mocidade. Apesar do fabrico das armas, que movimenta fortunas jogadas na lata do lixo do sofrimento, mesmo assim segue a espécie vivendo e sonhando novidades ricas de paz que resistem a qualquer preço a perversão dos valores da existência. Filmes que contam histórias felizes, almas plenas de possibilidades e mistérios positivos, descobertos nas horas da aflição. Existirá sempre a vitória dos heróis do bem, que pelejam até vencer e ampliar o capítulo das missões contra o desespero. Sobreviverão às tramas do mal, o que virou mito principal da raça inteira, nas salas profundas da inteligência de chega, passo a passo, nos dias radiosos. O amargor da aridez desesperada sumirá quando vier intensa Luz e romper o véu do negativismo que antes enchia de vazio os noticiários pecaminosos. Abrirá espaço nas consciências e dominará a amplidão dos mares, com pessoas alegres e vivas que contemplarão o destino das gerações que se sucedem. Plantadores da semente verdadeira dos tempos equilibrados seguirão esse trilho certo de quem transmite palavras sadias e preserva a sinceridade pura. Lutar reserva, pois, o direito soberano de vencer as quimeras da ilusão. O Bem triunfará, guarde forte esta dádiva e esqueça mágoas, incompreensões; lave o coração nos segredos deste parto genial só reservado à força das orações mais poderosas.

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Diógenes de Sínope – Por: Emerson Monteiro

 

Ou Diógenes, o Cínico, filósofo que existiu na Grécia Antiga e deixou história de vida marcada por episódios humorísticos face ao jeito de conduzir os acontecimentos sob o signo da irreverência. Desprendido das posses materiais, morava em um barril, de onde, certa feita, na presença solene de Alexandre Magno, quando este, ao se aproximar do filósofo quis lhe ser útil. Diógenes tão só pediu ao rei da Macedônia que se afastasse dali a fim de não encobrir o sol que aquecia sua precária residência. Não me tires o que não me podes dar! – acrescentou. Ao comentar o incidente, Alexandre afirmaria: Não fosse quem sou, gostaria de ser Diógenes.

diogene2Em outra ocasião, depois de andar longa data com uma pequena cuia na qual bebia água dos rios e lagos, se viu surpreso e desvanecido porque viu um jovem que usava apenas as conchas das mãos com a mesma finalidade. Sentiu o quanto perdera de tempo a transportar na cintura aquela peça desnecessária, vindo, então, a destruí-la com aborrecimento.

Buscava dar exemplo do viver simples, longe das luxúrias da civilização, testemunhando indiferença para com valores inúteis da acumulação das riquezas supérfluas. Nos seus conceitos, felicidade detém laços estreitos com a virtude, o autodomínio e a liberdade, práticas essenciais na suficiência da criatura humana neste mundo.

Dele também consta haver saído em plena luz do dia a transportar lanterna acesa e, ao ser indagado quanto aquilo, respondeu que procurava alguém que merecesse o título de homem verdadeiro.

Avistado a pedir esmola a uma estátua, teria justificado que assim exercitava o costume de nunca depender dos outros, porquanto com certeza jamais seria atendido, dada a cegueira daquela a quem dirigia seu pedido.

Indiferente aos preceitos morais da sociedade onde viveu, Diógenes deixaria à posteridade o questionamento de época cheia das pompas da artificialidade, exercitando na própria pele as mudanças que tanto desejara aos gregos. 

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Os cavaleiros da Távola Redonda – Por: Emerson Monteiro

 

Só nesses dias recentes, 53 anos passados desde que inauguraram o Cine Educadora, em Crato, assisti ao filme que fora mostrado bem nos inícios de suas atividades. Tinha de dez a doze anos e a censura restringira em 14 anos a idade dos espectadores. Fiquei fora, olhando a fila dos felizardos, cheio de vontade de acompanhar a exibição, sem, contudo, lograr êxito. O comissariado de menores da Comarca era irredutível.
Depois de mais de meio século, pois, remexendo os tabuleiros das Lojas Americanas, dou de cara com o DVD do filme. Na primeira oportunidade deste mês de junho de 2011, sentei em frente à televisão e mergulhei com sofreguidão na história que já conhecia de livros, a saga do Rei Artur, da Inglaterra heroica de antigamente.
cavaleeirosDesta feita, variadas interpretações subiram à tona para atender ao desejo do menino contrariado; ver as cenas, que antes eram em celulose e projetadas numa sala fechada, agora através de máquina que nem existia a cores na hora lá atrás; o mesmo filme proibido com sabor renovado; analisar a produção de cinco, seis décadas anteriores sob a visão dos dias atuais; e reencontrar os personagens da lenda inglesa, tudo em alimento do sonho simbólico que a arte proporciona.
No vídeo, Robert Taylor, Ava Gardner, Mel Ferrer, e outros atores menos festejados, encenaram o drama dentro do prisma amoroso que quis abordar seu diretor, Richard Thorpe. Largou de lado os aspectos apenas épicos da história e prendeu a trama nas intrigas da corte e na paixão de Lancelot e Guinevere, aos olhos ardilosos de Mordred e Morgana, inimigos figadais dos titulares no trono.
O que se vê: um Artur Pedragon encurralado entre o vínculo profético da condução do seu povo, substanciado pela espada Excalibur presa na pedra, e as questões palacianas, o que lhe custará o poder e a vida, desenrolar por demais solitário e trágico, conduzido à distância pelo mágico Merlin, guardião das forças do Bem no jogo de poder do reino de Camelot.
Em tudo isto, ainda uma esperança prevista com a vinda futura do salvador da Ilha, Galaad, o cavaleiro da promessa, filho de Sir Lancelot e Elaine.
Belo filme, posso dizer com tardança, que resistiu ao tempo devido à evolução da tecnologia da comunicação. Há esta chance de preservar as oportunidades e nutrir a perspectiva de nada se perder, guardado em algum lugar ao dispor das gerações. Quem diria houvesse a conservação de tantos registros através de monumentos e obras criativas, transmitidos no decorrer dos séculos? Músicas, livros, pinturas, esculturas, filmes, desenhos, jornais, revistas, elementos essenciais ao vasto conhecimento e à transmissão dos valores…

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Servidão tecnológica – Por: Emerson Monteiro

 

As novidades tecnológicas produzem mudanças genéticas, morais, sociológicas, políticas, dos costumes, da cultura humana. Isso pode ser avaliado a cada instante, através dos dias, no cuidado extremo com que se anda nas ruas, exercitado pelos adultos e pelas crianças, ao atravessar uma rua, por exemplo; ninguém mais se arrisca a pôr o primeiro pé sem antes consultar a direita, a esquerda, duas ou mais vezes, pois os bólides motorizados espreitam os menores desavisados.
tecnologiaIsso independente de falar nas consequências transgênicas, das quais se desconhece o resultado e nem por isso se deixa de usar geração após geração, drama silencioso que repercute nas síndromes antigas e recentes da raça humana. A juventude repercute tais dramas, nas salas de aula, nos parques de diversão, nos cinemas, nos bares da vida.
Disso vêm manias modernas, a resultar nas dependências difíceis de solução, visto o desconhecimento dos seus efeitos. Todavia resistem ao fastio. As lojas de departamentos proliferam numa velocidade inimaginável, arrastando crianças, adolescentes e adultos à prática repetitiva e hipnotizante das armadilhas coloridas, feéricas e luminosas, acima de suspeita, criando os dependentes doutra droga perigosa.
Essas parafernálias envolvem mentes e prioridades, restringindo o tempo da disposição ao estudo, sob o consentimento frívolo das autoridades e das leis. Pareciam com coisa inofensiva durante anos, décadas, enquanto a civilização prosseguia nas pesquisas de vender engenhocas estapafúrdias.
Quando a televisão aumentava seus domínios no espaço brasileiro, alguns gatos pingados ergueram a voz para protestar contra aquilo que a denominavam máquina de fazer doido. E ela hoje se impõe com a mesma falta de conteúdo ou excesso de conteúdo alienante, imune a críticas, senhora de vida e morte de jovens e adultos, parasita da criatividade que falta ao povo e sobra às elites dominantes.
Os tais vícios emergentes, portanto, carecem de acompanhamento clínico de responsáveis pela comunicação social, na elaboração do senso imprescindível às respostas, nesta quadra cultural onde impera o poder do lucro a qualquer preço, inclusive da liberdade e da autocrítica necessária, imprescindível.

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HOMENAGEM DA SEMANA


CORREINHA

O Chapada do Araripe presta homenagens a um dos maiores mestres da cultura popular que faleceu em Crato recentemente, Francisco Correia de Lima, o Correinha, artista de várias linguagens atuante no município do Crato. Mestre Correinha nasceu no município de farias Brito no dia 14 de fevereiro de 1940, mas era um amante inveterado do Crato, município ao qual costumava fazer referências em suas canções. Talvez por não ter tido seu nome incluído nas listas anuais de mestres reconhecidos pelo Governo do Estado desde 2004, mestre Correinha tenha sido sepultado em meio a homenagens comoventes de moradores do município, mas, como ressaltaram amigos e familiares, sem o devido destaque por parte do Poder Público. Situação destacada durante a sua missa de corpo presente, enriquecida pelo acordeon de Hugo Linard, com quem Correinha gravou recentemente, 15 canções que agora constituem o último registro de sua obra. Segundo o próprio Hugo Linard, as canções registradas nesse último trabalho de Correinha em estúdio são, na maioria, inéditas. ´Ele gravou também ´Belezas do Crato´, mas as outras não tinham registro´, diz, citando canções como ´Coisas do meu sertão´, ´Exaltação a Barbalha´, ´Crato de Açúcar´ e ´Meu Cariri´ e ´Balanceio´. ´Fazia tempo que a gente tava cutucando ele, dizendo que ele tinha que gravar de novo. Ele fez dois compactos e outros discos, no tempo do vinil, além de vários cordéis´. Hugo Linard chama atenção para aspectos peculiares da trajetória de Correinha. ´Ele mantinha um bar aqui no Crato e ainda trabalhava como agente carcerário. Era tão querido que os presos pediram à família por ocasião do seu velório, para deixar um pouco o corpo dele lá na cadeia, para eles o homenagearem´.
Dalwton Moura

Jornal do Vicelmo

Todos os dias na Rádio Chapada do Araripe - Internet, a partir das 07:00, ouça o Jornal do Cariri com Antonio Vicelmo. O Jornal é retransmitido da Rádio Educadora do Cariri em tempo real. Você pode ouvir o programa através da nossa imensa rede de Blogs e websites. Alguns programas antigos estão disponíveis no nosso website Jornal do Vicelmo.

AUXÍLIO À LISTA

Dicas de Filmes



Por trás de todo o grande homem se esconde um professor, e isso era certamente verdade para Bruce Lee que aclamava como seu mentor um expert em artes marciais chamado Ip Man. Um gênio do Wushu (ou a escola de artes marciais da China), Ip Man cresceu numa China recentemente despedaçada pelo ódio racial, radicalismo nacionalista e pela Guerra. Ele ressurgiu como uma Fênix das Cinzas graças à suas participações em lutas contra vários mestres Wushu e lutadores de kung-fu - finalmente treinando icones de artes marciais como Bruce Lee. Esta cinebiografia do diretor Wilson Yip mostra a história da vida de Ip.

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